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26 de fev de 2014

Um novo caminho para a Assistência Social Espírita?



O livro Conviver para amar e servir, de Helder Boska de Morais Sarmento, Reinaldo Nobre Pontes e Sonia Regina H. Parolin, baseado na concepção de Mário da Costa Barbosa sobre a fi losofi a e prática de Assistência Social Espírita, divide-se em quatro capítulos e mais a apresentação com uma breve introdução, na qual os autores explicam o porquê dessa obra. Fechando a livro há, também, uma parte denominada Refl exões Finais, referências e dois apêndices.

No primeiro capítulo, os autores apresentam a base fi losófi co-doutrinária sobre a qual a atuação de Assistência Social Espírita de Mário se alicerçava. Trata-se de um texto denso, profundo, não obstante rico em exemplos e citações baseados em diferentes obras espíritas e nos evangelhos. O eixo que fundamenta essa parte do livro é o mesmo que serviu de base para o engajamento do Mário e a elaboração de sua práxis: a conhecida Parábola O Bom Samaritano.

A análise dos autores, com base nessa temática motivadora é, igualmente, permeada por considerações sobre a formação acadêmica do biografado, que era mestre em Serviço Social e desencarnou às vésperas de defender sua tese de doutorado. Fica evidenciado que grande parte da elaboração da metodologia de Mário ocorreu concomitante à sua inserção nas atividades que desenvolveu junto a entidades espíritas de São Paulo, Mato Grosso, Pará e, é claro, em sua formação acadêmica.

O terceiro capítulo do livro apresenta as categorias da prática vivenciada por Mário em inúmeras experiências de assistência, derivando a metodologia denominada pela abreviatura Eccet (Espaço de Convivência,Criatividade e Educação pelo Trabalho). Aqui, os autores iniciam retomando suas considerações anteriores sobre a Parábola do Bom Samaritano, analisando cada uma das categorias. Começam com a categoria espaço de convivência, esclarecendo que não se trata de espaço físico mas sim de espaço relacional, defi nindo o trabalho de assistência social espírita nessa perspectiva e chamam a atenção para um trabalho prévio de desconstrução da forma tradicional de assistência espírita, permeado por uma divisão que ocorre entre evangelizadores e assistidos. Também enfatizam a importância de romper com a prática de “sala de aula”, ou seja, o dualismo entre uma pessoa que faz uma exposição (previamente preparada) e que, portanto, detém conhecimento, e os assistidos, que deveriam aprender os conceitos apresentados. É importante ressaltar que essa nova proposta não defende a improvisação e a ausência de planejamento das atividades, mas que sejam organizadas a partir dos interesses dos assistidos, formando grupos, cada um com um evangelizador.
A segunda categoria analisada é a criatividade, definida em termos da “capacidade do ser humano mudar e transformar as coisas, as situações, as relações e as injunções nas quais se encontra”. Aqui, enfatiza-se o uso de atividades lúdicas, artesanais e artísticas.

Educação é outra categoria, ressaltando que não se trata da educação formal ou acadêmica, ainda que esta possa fazer parte da prática de assistência
espírita. Educar, para os autores “é rever, mudar, transformar”. A educação é vista em uma perspectiva de trabalho, ou seja, o evangelizador participa de várias formas na atividade, ajudando o assistido a realizar um trabalho, por exemplo: modelagem com barro.

Durante essa atividade, que não deve ser muito longa no tempo, cabe ao evangelizador levar o assistido à compreensão do processo de transformar, isto
é, de criar novos hábitos, com reflexões sobre o mundo e sobre a vida. Os autores explicitam nesse capítulo e também nos demais que educação é o ponto central na metodologia de Mário Costa Barbosa.

O trabalho é a última categoria analisada, porém não menos importante que as demais. A compreensão que se tem do trabalho é a mesma de Allan Kardec, ou seja, em última instância reconhece-se como trabalho toda e qualquer atividade útil. Útil à pessoa que o realiza e útil aos demais. Os autores sinalizam que o trabalho não deve ser entendido apenas como meio de subsistência, mas, também, como realização para o Espírito.

Pode-se depreender da leitura, que essas quatro categorias não devem ser refletidas isoladamente, nem utilizadas de maneira sequencial, mas, algumas vezes, sobrepostas ou intermitentes, dialogando entre si. Após o último capítulo, os autores apresentam suas Reflexões Finais, nas quais tecem comentários sobre o modo de atuar de Mário. Adicionalmente, reconhecem que não registraram na obra os resultados obtidos pelos grupos e centros espíritas que já utilizaram a metodologia deste trabalho. Prometem fazer isso em estudos futuros. Ao final, apresentam pequena lista de referências utilizadas na elaboração da obra e dois apêndices: o primeiro sugere um roteiro para o estudo de serviço de assistência espírita e o segundo traz um conjunto de referências elaboradas nos estudos deixados por Mário da Costa Barbosa.

Finalizando, tomamos a liberdade de recomendar fortemente o estudo do livro ao leitor participante de diferentes atividades do Centro Espírita e interessado na Assistência Social Espírita.

Também o recomendamos àquele que simplesmente deseja melhorar seus conhecimentos sobre assistência social e seus correlatos como trabalho, metodologia, mudança social e, sobretudo, refletir sobre uma práxis renovadora.

Almir Del Prette

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