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Espiritismo só se aprende com disciplina e muito estudo






A casa espírita deve ser impreterivelmente um centro formador da educação moral e espiritual e ser um santuário de oração e de serviço fraterno. Os aspirantes à prática da mediunidade necessitam ter consciência de que se deparam perante uma das mais sérias obrigações espirituais com a vida. Antes de serem fixados nas reuniões mediúnicas, os médiuns precisam cientificar-se, com segurança e discernimento, do que seja o Espiritismo.
Contudo, quase sempre os candidatos à tarefa mediúnica desconhecem os princípios fundamentais deixados por Allan Kardec nas obras basilares e nas instruções complementares.  Isso equivale afirmar que não se pode falar em ensino espírita, sem partirmos dos seus pressupostos básicos, ou seja, do acervo que existe nos livros da Codificação.
Kardec sistematizou o Projeto da Terceira Revelação e criou além de muito outros, os vocábulos Espiritismo e Espírita. Em o “Projeto 1868”, o Codificador esclarece que “um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver princípios de Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos e capazes de espalhar as ideias espíritas, além de desenvolver grande número de médiuns. “Considero esse curso de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas consequências”. (1)
A rigor, em uma Casa Espírita equilibrada, o estudo doutrinário deve ter prioridade número UM. Essa é a ÚNICA maneira de os grupos espíritas funcionarem de forma harmônica. No Brasil um grande impulso para os bons estudos doutrinários aconteceu com o aparecimento do médium Chico Xavier, onde destacamos, em meados do século passado, os 16 livros da série “A Vida no Mundo Espiritual”. Pois é! André Luiz não deve ser apenas lido. Para um melhor aprendizado, suas obras devem ser estudadas em profundidade. Há também as contribuições preciosas de Yvonne A. Pereira, Pedro Franco Barbosa, Deolindo Amorim, Zilda Gama, Cairbar Schutel.
O Centro Espírita deve ser a  universidade da alma, portanto, tanto   quem ensina como   quem aprende, deve se compenetrar de suas responsabilidades perante si mesmo e perante os outros.  Adverte o Espírito de Verdade: “Espíritas: amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”.(2) Obviamente a obrigatoriedade pelo estudo deve ser relativizado , pois muitos confrades não sabem ler e nem escrever. A relação ensino-aprendizagem é de grande utilidade, tanto para o instrutor como para o aprendiz. Contudo, não se pode transformar o ensino-aprendizagem doutrinário em um acúmulo de informações e raciocínios, sem qualquer vínculo com as necessidades prementes do Espírito imortal.
Aprender Espiritismo requer atenção contínua, observação profunda e, sobretudo, como todas as ciências humanas, a continuidade e a perseverança. É necessário muitos anos para a formação de um médico medíocre e algumas reencarnações para edificação de um sábio, por isso Kardec lembra que “muitos querem obter, em algumas horas, a Ciência do infinito! Que ninguém, portanto, se iluda: “O estudo do Espiritismo é imenso; liga-se a todas as questões metafísicas e de ordem social; é todo um mundo que se abre diante de nós. Será de espantar que exija tempo, e muito tempo, para a sua realização? ” (3)
Há aqueles que priorizam, unicamente, o serviço de assistência social a fim de se elevar na categoria de espírita completo e excelente médium. Entretanto, reflitamos com o Convertido de Damasco na obra Paulo e Estêvão: “É justo não esquecer os grandes serviços da igreja de Jerusalém aos pobres e aos necessitados, e creio mesmo que a assistência piedosa dos seus trabalhos tem sido, muitas vezes, sua tábua de salvação. Existem, porém, outros setores de atividade, outros horizontes essenciais. Poderemos atender a muitos pobres, ofertar um leito de repouso aos mais infelizes; mas sempre houve e haverá corpos enfermos e cansados, na Terra. Na tarefa cristã, semelhante esforço não poderá ser esquecido, mas a iluminação do espírito deve estar em primeiro lugar. Se o homem trouxesse o Cristo no íntimo, o quadro das necessidades seria completamente modificado”.(4)
Estamos diante do confronto entre a fome física e a ignorância espiritual – dois dos grandes flagelos da Humanidade. Qualquer pessoa de forma autômata pode socorrer à fome material. Mas, raras criaturas conseguem socorrer a ignorância do espírito. Para sanar a fome do corpo físico, basta ofertar o pão. Para suprimir a ignorância do espírito é indispensável fazer luz.

Jorge Hessen
Referências bibliográficas:[1]   Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, p. 342.
[2]  Kardec, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap. VI – O Cristo Consolador, Espírito de Verdade.
[3]  Kardec, Allan. “O Livro dos Espíritos”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2002, Introdução, cap. XIII – As divergências de linguagem.
[4]  Xavier, Francisco Cândido. Paulo e Estêvão,  Ditado pelo Espirito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1978,  pág 326.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em:
.
Acesso em: 24JAN2016.

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A Alma do Espiritismo





A expressão que intitula a presente abordagem inspirou a elaboração de livro com o mesmo título, que lançamos há alguns anos. Ela é de autoria do Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, e consta de seu discurso de 1º de novembro de 1868, proferido na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, constante da Revista Espírita de dezembro de 1868. Referindo-se à comunhão dos pensamentos, em brilhante texto, em valiosas considerações e ampliando seus lúcidos comentários, em determinado trecho, ele afirma: A caridade é a alma do Espiritismo. E depois alonga seu raciocínio comentando sobre a caridade.

Por tudo que já consta nos capítulos anteriores, o leitor pode concluir comigo o objetivo da obra, destacando esse caráter incomparável da Doutrina Espírita: exatamente o estímulo que oferece, em bases seguras, para o aprimoramento nos relacionamentos, usando a caridade como guia e mesmo a importância de sua presença para consigo mesmo.

Convido o leitor a refletir sobre os conteúdos já apresentados nessa obra e pensar realmente na importância da caridade, em toda sua abrangência, para entendermos juntos no que o conteúdo doutrinário do Espiritismo é capaz de inspirar por toda parte.

Na sequência da afirmação, o Codificador completa com grande beleza:
 “(...) ela (a caridade) resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade (...)”.

Sim, observemos juntos:
a) ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes;
b) pode-se dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.

Referida conclusão deve nortear nossos passos. Já que nos dizemos adeptos do Espiritismo, eis o guia seguro de comportamento, de ação, de diretriz para si mesmo e nos relacionamentos. Nesse ponto não podemos dispensar o que afirmou o Espírito Simeão1, no mesmo sentido:

“(...) Se vós vos dizeis espíritas, sede-o pois; olvidai o mal que se vos pôde fazer, e não penseis senão uma coisa: o bem que podeis realizar. (...) Feliz, pois, aquele que pode cada noite adormecer dizendo: Nada tenho contra o meu próximo.”

A recomendação de Simeão é clara e na mesma orientação da caridade, inclusive para o interior de cada um, uma vez que recomendando esquecer o mal, alivia-nos das angústias decorrentes das mágoas guardadas e direcionando no sentido do bem que se pode realizar, abre os condutos da caridade.

Trechos preciosos
Pensando nisso, sentimo-nos muito motivados a trazer no presente capítulo alguns trechos preciosos extraídos da Revista Espírita:
a)      “(...) Amar o próximo é, pois, abjurar todo sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo pensamento de prejudicar; é perdoar os inimigos e retribuir o mal com o bem; é ser indulgente para as imperfeições de seus semelhantes e não procurar o argueiro no olho do vizinho, quando não se vê a trave no seu; é esconder ou desculpar as faltas alheias, em vez de se comprazer em as pôr em relevo, por espírito de maledicência; é ainda não se fazer valer à custa dos outros; não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua superioridade; não desprezar ninguém pelo orgulho. Eis a verdadeira caridade benevolente, a caridade prática, sem a qual a caridade é palavra vã; é a caridade do verdadeiro espírita, como do verdadeiro cristão; aquela sem a qual aquele que diz: Fora da caridade não há salvação, pronuncia sua própria condenação, tanto neste quanto no outro mundo (...)”  - dezembro de 1868, no mesmo Discurso de Kardec, acima referido.

b) “(...) Segui-me; conheço todos os infortúnios, todas as dores, todos os sofrimentos, todas as aflições que assediam a Humanidade. Eu sou a mãe dos órfãos, a filha dos velhos, a protetora e o sustento das viúvas; eu trato das feridas infectas; eu cuido de todas as enfermidades; eu dou as vestes, o pão e um abrigo àqueles que não os têm. Eu subo aos mais miseráveis sótãos, na humilde choupana; bato à porta dos ricos e dos poderosos, porque, por toda a parte onde vive uma criatura humana, há sob a máscara da felicidade amargas e cruciantes dores. Oh! Quanto minha tarefa é grande! (...) vinde a mim: eu sou a caridade. (...) O Espiritismo tem por divisa: Amor e Caridade, e todos os verdadeiros espíritas virão, no futuro, se ajustar a este sublime preceito pregado pelo Cristo (...) Segui-me, pois, irmãos e vos conduzirei no reino de Deus, nosso Pai. Eu sou a caridade. – Adolphe, Bispo de Argélia, exemplar de fevereiro de 1862, na mensagem A Caridade.

c)“(...) A partir do dia em que o homem estendeu a mão a outro homem, ele praticou um ato de caridade (...) dai aos que sofrem, aos que esperam; a essas mães, a essas crianças abandonadas, a todos os deserdados e fareis uma obra verdadeira. Mas tudo isso não passa da caridade banal, que todos os homens praticam (...) O espírita deve ver mais longe; pelo estudo e pela intenção o espírita deve sondar essas dores ocultas, vergonhosas, dolorosas que corroem tantas naturezas belas e excelentes, tantos mártires do dever, da consciência, tantos degredados da provação humana (...) Ah! para estes tende coração, atenções delicadas, palavras consoladoras (...) Sim, sondai habilmente as chagas de todos esses deserdados, ide a eles; consolai, dai o vosso coração, vossa bolsa, vossa mão, vosso apoio, pois o mérito da caridade espírita é saber procurar delicadamente; eis aí a obra escolhida e o sentido íntimo da epígrafe querida do mestre: Fora da caridade não há salvação. Quatro palavras devem ser a base da língua espírita: perdão, amor, solidariedade, caridade”. Bernard, na mensagem A caridade, exemplar de outubro de 1869.  

d) Recomendamos ainda leitura integral do texto Abri-me! – Apelo de Cárita, que Allan Kardec colocou na primeira página do exemplar de dezembro de 1865. Pela beleza integral do texto, deixamos de fazer qualquer transcrição, recomendando ao leitor diretamente no original da publicação.

Concluímos o capítulo, contudo, com a expressiva mensagem e entrevista de São Vicente de Paulo, constante do exemplar de agosto de 1858 da mesma Revista Espírita. Extraímos trechos parciais, obviamente, recomendando com toda ênfase ao leitor pesquisar o texto integral.
Destaca o nobre espírito na mensagem:
a) “Sede bons e caridosos, eis a chave dos céus que tendes em vossas mãos; toda a felicidade eterna está encerrada nessa máxima: amai-vos uns aos outros. A alma não pode se elevar às regiões espirituais senão pelo devotamento ao próximo; não encontra felicidade e consolação senão no impulso da caridade; sede bons, sustentai vossos irmãos, deixai de lado essa horrível chaga do egoísmo. (...)”

b) “(...) vossos males não provém senão do abandono voluntário em que deixais esse resumo das leis divinas. Lede, pois, essas páginas ardentes do devotamento de Jesus, e meditai-as. (...)”

c)   “(...) A caridade é a virtude fundamental, que deve sustentar todo o edifício das virtudes terrestres; sem ela, as outras não existem; sem caridade, não há fé nem esperança; porque, sem a caridade, não há esperança em uma sorte melhor, nenhum interesse moral que nos guie. Sem a caridade, não há fé, porque a fé não é senão um raio puro que faz brilhar uma alma caridosa. (...)”

d) “(...) A caridade é a âncora eterna da salvação em todos os globos: é a mais pura emanação do próprio Criador; é a sua própria virtude, que ele dá à criatura. (...)”.

E destacamos, parcialmente, da entrevista concedida pelo mesmo Espírito e publicada por Kardec na sequência da mensagem no mesmo exemplar citado:

Na resposta à questão 2: “Podeis discernir aqueles que podem trabalhar, e então a caridade vos obriga tudo fazer para lhes proporcionar trabalho; mas há, também, pobres mentirosos que sabem simular o jeito das misérias que não têm; é para estes que é preciso deixar a Deus toda a justiça.”  = A questão refere-se à miséria fingida ou ao possível encorajamento ao vício e à preguiça.

Na resposta à questão 4: “É, sobretudo, na maneira pela qual se presta o serviço, que a caridade é verdadeiramente meritória; a bondade é, sempre, o indício de uma alma bela”. = a questão refere-se à maneira de praticar a caridade.

Na resposta à questão 7: “Imitai Jesus; Ele vos disse tudo isso; escutai-o mais do que nunca”. = A questão refere-se à caridade cristã.
        1 – Capítulo X, item 14, de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Nota do autor: os destaques em negrito são desse auto





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Princípios básicos da Doutrina Espírita




Existência de Deus
Imortalidade da alma
Pluralidade das existências
Pluralidade dos mundos habitados
Comunicabilidade dos espíritos

1. Existência de Deus

Deus existe.  É a origem e o fim de tudo.  É o criador, causa de todas as coisas.  Deus é a suprema perfeição, com todos os atributos que a nossa imaginação lhe possa atribuir, e muito mais.

2. Imortalidade da Alma

Antes de sermos seres humanos, filhos de nossos pais, somos, na verdade, espíritos, filhos de Deus.  O espírito é o princípio inteligente do universo, criado por Deus, simples e ignorante, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios esforços.
Como espíritos, já existíamos antes de nascermos e continuaremos a existir, depois da morte física.
Quando o espírito está na vida do corpo, dizemos que é uma alma ou espírito encarnado.  Quando nasce para este mundo, dizemos que reencarnou; quando morre, que desencarnou. Desencarnado, volta ao plano espiritual ou espiritualidade, de onde veio ao nascer.
Os espíritos são, portanto, pessoas desencarnadas que, presentemente, estão na espiritualidade.

3. Pluralidade das Existências

Criado simples e ignorante, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino.  Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal.  Desse modo, ele tem possibilidade de se desenvolver, evolucionar, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos.  Essa evolução requer aprendizado, e o espírito só pode alcançá-la encarnando no mundo e desencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências de vida.
A reencarnação, portanto, permite ao espírito viver inúmeras existências no mundo, adquirindo novas experiências, para se tornar melhor, não só intelectualmente, mas, sobretudo, moralmente, aproximando-se cada vez mais do que estabelecem as Leis de Deus.
Mas, assim como o aluno pode repetir o ano escolar - uma, duas ou mais vezes - o espírito que não aproveita bem sua existência na Terra, pode permanecer estacionário pelo tempo necessário, conhecendo maiores sofrimentos, e atrasando, assim, sua evolução, até que desperte para a necessidade de caminhar em direção ao progresso.
Não podemos precisar quantas encarnações já tivemos e quantas teremos pela frente.  Sabemos, no entanto, que, como espíritos em evolução constante, reencarnaremos quantas vezes sejam necessárias, até alcançarmos o desenvolvimento moral exigido para nos tornamos espíritos puros.
Esquecimento do passado: não nos lembramos das vidas passadas e aí está tambem a sabedoria de Deus.  Se lembrássemos do mal que praticamos ou dos sofrimentos pelos quais passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos,  teríamos infinitas dificuldades para viver em plenitude a vida atual. Ocorre que, frequentemente, os inimigos do passado, hoje são trazidos ao nosso convívio próximo, na condição de filhos, irmãos, pais, amigos, nos oferecendo a oportunidade do resgate, da reconciliação, do amparo mútuo: esta é uma das razões da reencarnação.
Certamente, hoje estamos corrigindo erros praticados contra alguém, sofrendo as conseqüências de crimes perpetrados, ou mesmo sendo amparados, auxiliados por aqueles que, no pretérito, nos prejudicaram.  Daí a importância da família, onde se costumam reatar os laços cortados em existências anteriores.
A reencarnação, dessa forma, é uma oportunidade de reparação, como é também oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando a própria evolução espiritual.  Quando reencarnamos, trazemos um "plano de vida", compromissos assumidos durante a espiritualidade, perante nós mesmos e nossos mentores espirituais, e que dizem respeito à reparação do mal e à prática de todo o bem possível.  Dependendo de nossas condições espirituais, poderemos ter participado ou não dessas escolhas, optando por provas, sofrimentos, dificuldades ou facilidades, que propiciarão meios para nosso desenvolvimento espiritual.
A reencarnação, portanto, como mecanismo perfeito da Justiça Divina, explica-nos porque existe tanta desigualdade no destino das criaturas na Terra.
Pelos mecanismos da reencarnação, verificamos que Deus não premia ou castiga. Pela misericórdia divina, somos nós os articuladores do próprio destino, por vezes necessitando de sofrimentos que nos instigam à melhora e crescimento, pela lei da "ação e reação".

4.  Pluralidade dos Mundos Habitados

Nem todas as encarnações se verificam na Terra.  Existem mundos superiores e mundos inferiores ao nosso.  Quando evoluirmos, poderemos renascer num planeta de ordem elevada.  O Universo é infinito e "na casa do Pai há muitas moradas", já dizia Jesus.
A Terra é um mundo de categoria moral inferior, haja vista o panorama lamentável em que se encontra a humanidade.  Contudo, ela está sujeita a se transformar numa esfera de regeneração, quando os homens se decidirem a praticar o bem e a fraternidade reinar entre eles.
"Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência.  Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil.  Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista.  Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes." (O Livro dos Espíritos, questão 55)

5. Comunicabilidade dos Espíritos

Os espíritos são seres humanos desencarnados. Eles são o que eram quando vivos; bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos.
Eles estão por toda parte.  Não estão ociosos.  Pelo contrário, eles têm as suas ocupações, como nós, os encarnados, temos as nossas.
Não há lugar determinado para os espíritos. Geralmente os mais imperfeitos estão junto de nós, atraídos pela materialidade a qual estão ainda jungidos, e pela similaridade de sentimentos com as quais nos afinizamos.  Não os vemos, pois se encontram numa dimensão diferente da nossa, mas eles podem ver-nos e até conhecer nossos pensamentos.
Os espíritos agem sobre nós, mas essa ação é quase que restrita ao pensamento, porque eles não conseguem agir diretamente sobre a matéria.  Para isso, eles precisam de pessoas que lhes ofereçam recursos especiais: essas pessoas são chamadas médiuns.
Pelo médium, o espírito desencarnado pode comunicar-se, se puder e quiser.  Essa comunicação depende do tipo de mediunidade ou de faculdade do médium: pode ser pela fala (psicofonia), pela escrita (psicografia), etc... Mas, toda e qualquer comunicação não deve ser aceita cegamente; precisa ser encarada com reserva, examinada com o devido cuidado, para não sermos vítimas de espíritos enganadores.  A comunicação depende da conduta moral do médium.  Se for uma pessoa idônea, de bons princípios morais, oferece campo para a aproximação e manifestação de bons espíritos.
É preciso ficar alerta contras as mistificações e contra os falsos médiuns, que tentam iludir o público menos avisado em troca de vantagens materiais.  Por isso, é importante que, antes de ouvir uma comunicação, a pessoa se esclareça a respeito do Espiritismo.
Fonte: - "Iniciação ao Conhecimento da Doutrina Espírita", livreto elaborado pelo CE "Caminho de Damasco" - Revue Spirite - dez/1868
- Livro dos Espíritos Allan Kardec



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Início do Espiritismo no Brasil




Artigo publicado no site da ABRADE - 
Entre 1853 e 1854 surgiram no Brasil notícias sobre os fenômenos das "mesas girantes" que ocorriam principalmente nos Estados Unidos da América e na Europa, publicadas no Jornal do Commércio, do Rio de Janeiro, do Diário de Pernambuco, de Recife, e em O Cearense, de Fortaleza. 


Primeiro Centro Espírita do Brasil - Grupo Familiar de Espiritismo, instalado em 17 de setembro de 1865, às 20h30m, por Luís Olímpio Teles de Menezes, na cidade de Salvador, na Bahia. Em 1866, Luís Olímpio Teles de Menezes publica o opúsculo O Espiritismo – Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, contendo páginas extraídas e traduzidas de O Livro dos Espíritos. Diante dos ataques expressos em Pastoral de D. Manuel Joaquim da Silveira, Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, Luís Olímpio escreve carta aberta em defesa do Espiritismo, em que, conforme consta da obra Espiritismo Básico, de Pedro Franco Barbosa, ele afirma: "O Espiritismo tem de passar por provas rudes, e nelas Deus reconhecerá sua coragem, sua firmeza e sua perseverança. Os que se ausentam por um simples temor, ou por uma decepção, assemelham-se a soldados que somente são corajosos em tempo de paz, mas que, ao primeiro tiro, abandonam as armas". Luís Olímpio Teles de Menezes foi professor primário, estenógrafo, funcionário da Assembléia Legislativa e Oficial da Biblioteca Pública da Bahia. Falava o inglês, o francês, o castelhano e o latim. Escreveu nos seguintes periódicos: Diário da Bahia, Jornal da Bahia, A Época Literária e publicou o romance Os Dois Rivais. 

Primeiro jornal espírita do Brasil - O Eco do Além Túmulo, publicado em julho de 1869, em Salvador, com o esforço de Luís Olímpio Teles de Menezes. Contava com 56 páginas e chegou a circular até no exterior – Londres, Madri, Nova Iorque, Paris. Aparecem referências ao Eco do Além Túmulo na Revista Espírita, edição de outubro de 1869. 
Primeiro Centro Espírita do Rio de Janeiro-"Sociedade de Estudos Espiríticos – Grupo Confúcio", fundado em 2 de agosto de 1873. Faziam parte dele elementos da alta sociedade da Corte (Capital do Império), entre eles Joaquim Carlos Travassos e Bittencourt Sampaio. O Grupo se extinguiu em 1879.Segundo periódico espírita do Brasil - "Revista Espírita, lançada em 10 de janeiro de 1875, pelo Grupo Confúcio, redigida e dirigida por Antônio da Silva Neto. Neste ano de 1875 vão aparecendo as traduções para o português das obras de Allan Kardec, feitas por Joaquim Carlos Travassos, com pseudônimo de Fortúnio, e editadas pelo Grupo Confúcio. 
Ainda neste ano, o tradutor oferece a Bezerra de Menezes um exemplar de O Livro dos Espíritos. Em 23 de março de 1876 é fundada, no Rio de Janeiro, a "Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade", da qual participavam Bittencourt Sampaio e Antônio Luís Sayão. Mais tarde, a entidade passou a se denominar "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade". Havia divergências entre os espíritas do Rio de Janeiro, que de acordo com os pontos de vista defendidos se dividem em místicos e cientificistas, o que resultou na criação de várias instituições. A data de 28 de agosto de 1881 registra a perseguição oficial ao Espiritismo. Nos periódicos O Cruzeiro e Jornal do Commércio, do Rio de Janeiro, foi anunciada a ordem policial proibindo o fundamento da "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade e dos Centros filiados. Em 6 de setembro de 1881, uma comissão de espíritas é recebida pelo Imperador D. Pedro II (foto à esquerda) que promete não haver mais perseguições aos espíritas, porém elas continuaram a ocorrer. Em 21 de setembro do mesmo ano, a comissão retorna ao Imperador, que volta a afirmar sua intenção de não permitir perseguições aos espíritas. 
Ainda em 6 de setembro de 1881 é realizado o Primeiro Congresso Espírita do Brasil, com o objetivo de reunir e orientar as instituições espíritas. Em 28 de agosto de 1882 é realizada a Primeira Exposição Espírita do Brasil, na sede da Sociedade Acadêmica Espírita Deus, Cristo e Caridade. A data, aliás, recordava o início da perseguição policial ao Espiritismo. Em 21 de janeiro de 1883, Augusto Elias da Silva, (foto à direita) fotógrafo português radicado no Brasil, publica o Reformador, com seus próprios recursos e cuja direção intelectual fica a cargo do Major Francisco Raimundo Ewerton Quadros. Também neste ano, Augusto Elias da Silva promove encontra fraternal dos espíritas, em virtude das divergências entre os integrantes das instituições espíritas da ocasião: "Grupo dos Humildes", "Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade", "Centro da União Espírita do Brasil" e "Grupo Espírita Fraternidade", situados no Rio de Janeiro. 
Em 2 de janeiro de 1884 é instalada, na Rua da Carioca nº 120 – sobrado – Rio de Janeiro, a Federação Espírita Brasileira, sendo seu primeiro Presidente o Major Ewerton Quadros, anteriormente já citado. Em 15 de junho de 1886, Bezerra de Menezes, diante de mais de 1.500 pessoas, no Salão da Guarda Velha (na rua de igual nome, hoje Av. 13 de maio) faz sua profissão de fé espírita. 
Em 1889, Bezerra de Menezes assume a presidência da Federação Espírita Brasileira, em substituição a Ewerton Quadros. Bezerra instituiu o estudo sistematizado de O Livro dos Espíritos em reuniões públicas realizadas no salão da Federação. Dada a crise administrativa e financeira que passava a Federação, comprometida ainda pelas divergências dos líderes espíritas, e com a renúncia de Julio César Leal, após sete meses no cargo, Bezerra de Menezes, em 3 de agosto de 1895, aceita assumir novamente a presidência da Federação Espírita Brasileira. Em 10 de dezembro de 1911, a Federação Espírita Brasileira se transfere para a Av. Passos, antiga Rua do Sacramento. Em 27 de outubro de 1937, a Federação é fechada pela Polícia e reaberta três dias depois, por ordem do Dr. Macedo Soares, então Ministro da Justiça. 
Em 5 de outubro de 1949, é assinado o Pacto Áureo, na sede da Federação Espírita Brasileira, visando à unificação dos espíritas, fortalecendo os laços de fraternidade. É, então, criado o Conselho Federativo Nacional (CFN), composto dos representantes das entidades adesas à Federação Espírita Brasileira. Não se deve perder de vista que tanto no Rio de Janeiro, como na Bahia e em todo o Brasil se desenvolvia e se expandia a prática mediúnica da Umbanda e de outros credos afro-brasileiros.

Leitura Complementar: 1. Espiritismo Básico – Pedro Franco Barbosa – FEB. 2. Grandes Espíritas do Brasil – Zêus Wantuil – FEB. 3. Os Intelectuais e o Espiritismo – Ubiratan Machado – Ed. Antares 4. Bezerra de Menezes – F.Acquarone – Ed. Aliança. Fonte: Grupo Espírita Redenção (http://www.redencao.org.br/inicio_espiritismo_no_brasil.htm)

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ANIMAIS VÊEM ESPÍRITOS?






Quem tem animal em casa, que de vez em quando sai correndo aparentemente sem motivo? 


Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, transcreve uma mensagem de Erasto, em que ele explica que "é certo que os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o terror súbito que eles denotam, sem que lhe percebais a causa, é determinado pela visão de um ou de muitos Espíritos, mal-intencionados com relação aos indivíduos presentes, ou com relação aos donos dos animais. 

Ainda com mais frequência vedes cavalos que se negam a avançar ou a recuar, ou que empinam diante de um obstáculo imaginário. Pois bem! tende como certo que o obstáculo imaginário é quase sempre um Espírito ou um grupo de Espíritos que se comprazem em impedi-los de mover-se. 

Lembrai-vos da mula de Balaão que, vendo um anjo diante de si e temendo-lhe a, espada flamejante, se obstinava em não dar um passo. E que, antes de se manifestar visivelmente a Balaão, o anjo quisera tornar-se visível somente para o animal." 


-fonte: Animais e Espiritismo-



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