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Suicídio, mitos e verdades.




Diante de grandes números de Suicídio que já  vem 

ocorrendo em toda humanidade, e mais precisamente em 

nossa região local; Esse evento trará sob diferentes pontos 

de vista uma abordagem sobre essa  problemática tão 

pouca difundida ainda no meio social e ainda vista como um 

tabu. Por ser uma  temática delicada e pertinente, 

profissionais  da área cientifica(psiquiatria-Mauricio Santos  

e psicologia-Carlos Henrique Aragão) 

serão responsável pela explanações do assunto, sendo que 

sob o ponto de vista RELIGIOSO, teremos a presença das 

três religiões Cristã  de nossa cidade com seus respectivos 

representantes:

Cristã Espírita - Ildete Leite

Cristã Protestante - Pastor Pedro

Cristã Católica - Irmã Ana Tereza


Não perca essa oportunidade de participar , conhecer as maneiras de prevenir e ajudar aqueles que precisam.




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Suicídio – a Visão Espírita Revisitada




Há muito queria escrever algo sobre o suicídio e aproveito esse setembro amarelo, em que se faz uma campanha nacional de prevenção ao suicídio, para lançar ao público algumas das reflexões que tenho feito sobre esse tema de grande relevância. Pelo excelente documento preparado pela Associação Brasileira de Psiquiatria, com o título Suicídio, informando para prevenir (http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14) são 10 mil pessoas que se matam por ano no Brasil e quase um milhão no mundo! Temos, portanto, de falar sobre isso! E fazer algo a respeito.
A cena mais bela e forte de um filme que adoro – Lutero – é quando ele toma nos braços o corpo de um rapazinho que se suicidara e cava ele mesmo a terra, para enterrá-lo. Esse ato significava um gesto de empatia e compaixão para com o rapaz e para com a família e uma forma de resistência à inapelável condenação que a Igreja sempre lançou sobre os suicidas, nunca permitindo que fossem sepultados em “terra santa”.
Aliás, o suicídio é fortemente condenado pelas religiões em geral.
O Espiritismo, rompendo no século XIX com a ideia de condenação eterna e de inferno como um local de expiação, amenizou esse julgamento inapelável. Mas nem tanto. As reverberações atávicas da Igreja ainda ressoam hoje no movimento espírita, como veremos.
Examinemos primeiro Kardec. Em pleno século XIX, quando a Igreja católica ainda falava em inferno material, Kardec proclamou que céu e inferno são estados de consciência e não estão fora da alma humana. Hoje, o Catecismo oficial da Igreja também entende assim. Para mostrar o estado de consciência de Espíritos das mais diferentes categorias, com histórias de vida e de morte distintas, Kardec realizou em Céu e Inferno, entrevistas minuciosas com eles, através de diferentes médiuns, procurando perscrutar o que sentiam, o que viam, como estavam…
As entrevistas são sóbrias. Os suicidas se mostram em sofrimento sim, e afirma-se que o suicídio é uma infração às leis divinas. Aparece, segundo a linguagem da época, hoje para nós incômoda, como em várias obras de Kardec, a palavracastigo. Entretanto, sempre entendido como uma consequência natural dos atos praticados. Entre os motivos de suicídio dos entrevistados, havia a solidão e o abandono, o alcoolismo aliado à mendicância, a perda de entes queridos, a perda da fortuna, o amor não correspondido e o tédio existencial… esses motivos ainda estão presentes entre as causas de suicídio na atualidade. E as condições de consciência apresentadas pelos entrevistados eram de desapontamento, angústia, escuridão e alguns se viam junto ao corpo – mas isso não é regra.
O suicídio é tema recorrente na maioria dos 12 volumes da Revista Espírita, demonstrando que Kardec tinha uma grande preocupação com o assunto. Em julho de 1862, escreve um artigo intitulado Estatística dos Suicídios,fazendo uma análise sobre o aumento dos suicídios na França, e procurando apontar as causas, lamentando que não existam pesquisas a respeito. Hoje, há essas pesquisas em todo mundo. Entre as que Kardec reconhece em seu tempo estavam as doenças mentais, problemas sociais, e sobretudo, o avanço do materialismo e a falta de perspectiva existencial. O artigo continua muito atual e revela bem como Kardec procurava abordar as questões, abrangendo todos os seus aspectos e procurando soluções educativas e preventivas. Para ele, a maior prevenção possível para o suicídio seria o conhecimento seguro e com contornos mais precisos da vida pós-morte, que o Espiritismo nos dá. Demonstrada a imortalidade, de maneira clara e racional, o suicídio perde sua razão de ser.
No Brasil, como sabemos – e inclusive isso hoje é objeto de teses acadêmicas, feitas por pesquisadores não-espíritas, mas já era opinião de um Herculano Pires, por exemplo – o Espiritismo desenvolveu-se num caldo cultural eminentemente católico e por isso acentuou aquilo que já nos incomoda em Kardec – com palavras como castigo por exemplo, o que pode induzir a uma ideia antropomórfica de Deus – mas deixaou de lado aquela racionalidade sóbria e crítica e aquele espírito científico de observação, que fazem a originalidade e conservam a atualidade do mestre.
No caso do suicídio, temos o clássico da nossa querida Yvonne Pereira,Memórias de um Suicida, que estou relendo no momento, anos depois das primeiras leituras. E realmente o tom do livro em alguns aspectos parece-me hoje excessivo. Há coisas interessantes, como a própria Universidade que os personagens frequentam. Mas os suicidas são chamados o tempo inteiro de criminosos, réprobos, condenados… e causa espécie também a descrição pavorosa daquele vale nas trevas profundas, para onde foram arrastados e aprisionados – como se fosse uma espécie de campo de concentração de suicidas. Eu mesma, em meus 40 anos de mediunidade, já recebi inúmeros suicidas que não estavam em vale nenhum. Um caso de suicídio relatado por exemplo, no livro Missionários da Luz, de Chico Xavier, também não descreve o espírito no vale e muito menos os entrevistados de Kardec.
Outras narrativas por outros médiuns brasileiros seguem trilhas parecidas ao livro de Yvonne. Tudo muito pesado, determinista, condenatório. Não há as nuanças do pensamento de Kardec, que a toda hora avisa que cada caso é um caso, que há muitas atenuantes, que há causas psíquicas, sociais, filosóficas dos suicídios e que precisamos preveni-los.
Isso significa que esses vales não existem? Que são ilusões dos médiuns? Existem sim aglomerações no Plano Espiritual (embora Kardec não tenha tratado disso, há inúmeras narrativas a respeito e eu mesma já visitei algumas). Mas não são lugares necessários a que as pessoas irão. São espíritos reunidos na mesma afinidade de pensamentos, que projetam o ambiente consciente ou inconscientemente e vivem na mesma faixa vibratória e de lá podem sair na hora em que mudarem o vetor vibratório.
Há muitos espíritas que pensam que, ao desencarnarem, passarão um período no Umbral, como os católicos achavam que iriam passar necessariamente pelo purgatório. Isso é materializar e generalizar demais as circunstâncias espirituais de cada consciência. Kardec foi bem mais sutil.
A posição de Kardec em relação ao suicídio, mais analítica, mais preocupada com as causas e com prevenção do que em aterrorizar os vivos com os horrores do vale dos suicidas, é muito mais próxima da perspectiva contemporânea.
Hoje se sabe que a depressão (e outras doenças mentais) é a causa de muitos suicídios – ora, a depressão é uma doença psíquica que requer cuidados, amparo, terapias e, às vezes (penso que menos do que se dá) remédios. Aliás, os medicamentos devem justamente entrar, a meu ver, sobretudo quando a pessoa está correndo o risco de se matar. O próprio Kardec avisava no século XIX, quando a Psiquiatria estava apenas nascendo, que se o indivíduo estivesse doente mentalmente, isso lhe isentaria ou ao menos atenuaria muito sua responsabilidade no suicídio. Ora, hoje, considera-se que o suicídio quase nunca é praticado por pessoas que estão saudáveis psiquicamente. Isso já descriminaliza grande parte dos suicidas, nos critérios de Kardec.
Hoje se estudam os fatores de risco do suicídio e além das doenças mentais, há os abusos sofridos na infância, a falta de sentido existencial, tipo de personalidade impulsiva etc. Em todos os casos, identificados os riscos, acompanhando-se de perto a pessoa que os apresente, com atenção, cuidados psíquicos e médicos, o suicídio pode ser evitado. Logo, algo que pode ser prevenido não é apenas um problema individual, mas uma questão social, coletiva. Somos todos responsáveis.
Lembro-me de um livro fantástico, escrito por Pestalozzi, no virar do século XVIII para o século XIX. Chama-se Legislação e Infanticídio e é considerado o primeiro livro de sociologia escrito antes mesmo do advento dessa ciência. Nessa obra, Pestalozzi examina uma grave questão criminal que estava ocorrendo na Suíça do seu tempo. Mulheres eram condenadas à prisão por terem assassinado seus filhos recém-nascidos. Qualquer pessoa diria na época e ainda hoje: mulheres monstruosas, criminosas, que mereciam toda punição. Pois Pestalozzi não se contentou com essa resposta simplória, já que matar o seu próprio rebento não é algo tão natural assim… (assim como o suicídio, que contraria o instinto de sobrevivência, também não é!) Foi se debruçar sobre os processos de julgamento dessas mulheres, para saber da história delas e constatou que a sociedade era culpada, sobretudo os homens. Eram todas mulheres que vinham do campo para a cidade e ao chegarem eram seduzidas por homens (sim, isso existia 200 anos atrás!), que depois as abandonavam. Grávidas solteiras, não havia escolha para elas. Ao contrário das sociedades católicas, que sempre deram um jeito de remediar o pecado, com Casas de Misericórdia, Conventos, ou mesmo prostituição, o universo protestante, calvinista, não tinha válvulas de escape. As mulheres ou se matavam ou matavam seus filhos. Ninguém iria se casar com uma mãe solteira, mulheres não podiam ter profissão e independência e no caso da velha Suíça calvinista, nem putas ou freiras elas poderiam ser… Pestalozzi então responsabiliza a moral rígida, a sociedade intransigente e os homens que abusavam e se desresponsabilizavam…
Esse é um exemplo para mostrar o quanto aquilo que consideramos crimes monstruosos sempre têm que ser analisados dentro de seus contextos, com olhos abrangentes e de preferência seguindo-se aquelas recomendações de Jesus: “não julgueis para não serdes julgados” e “quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra”.
Nossa visão contemporânea de compreender o suicídio como uma questão de saúde pública é muito mais cristã do que esses arroubos condenatórios, implacáveis, inapeláveis. O suicida é um espírito em sofrimento, sim. Mas ele já estava em sofrimento na terra. E não foi suficientemente visto, socorrido, amparado. Quando ele pratica esse ato, ele está se ferindo a si mesmo. Agora, que espécie de Pai seria Deus se ainda punisse esse ato, se nós, pais terrenos, imperfeitos, ao vermos uma criança se machucar a si mesma, seja por descuido, teimosia ou inexperiência, corremos a socorrer a criança, trazendo remédio, enxugando as lágrimas, cercando de consolo? Não consideraríamos abaixo de qualquer crítica um pai ou uma mãe que ainda espancassem a criança machucada ou a deixassem chorar sem socorro, ou se sentissem pessoalmente ofendidos com a queda do pequeno?
Ora, há gente que advoga que o suicídio é uma ofensa a Deus!! E Deus lá pode se ofender? O suicídio é o ato de um espírito imaturo, inconsciente, desesperado ou mesmo teimoso, de se ferir a si próprio. Ele terá de curar a ferida que fez em si. Mas a misericórdia de Deus é infinita.
Nesse caso, gosto bastante da ideia presente no livro Memórias de um Suicida, em que se conta que Maria de Nazaré é um Espírito que dirige uma falange de almas que socorre os suicidas. Porque é bem isso: o suicida é uma criança machucada, que precisa de um colo materno.
Faz parte da nossa evolução psíquica, social, espiritual, deixarmos de lado essas visões tão trágicas de culpa e castigo e avançarmos para uma visão de que tudo no universo é educativo. Sofrimento há, mas é transitório. E cabe-nos trabalhar para minimizá-lo e até extingui-lo, como propunha Buda. Para isso, cabe-nos sempre perdoar a nós mesmos, perdoar o outro e saber que Deus nem precisa nos perdoar, porque sabe que estamos aprendendo.
Numa das mais impressionantes manifestações de um Espírito suicida, que já tive, observei que ele estava num lugar bonito, amparado por almas amigas, mas sofria intensamente: não conseguia se perdoar por ter feito o que fez, ter ferido a si mesmo e a família. Então, assim podemos ler um relato como o de Camilo Castelo Branco no livro de Yvonne: ele próprio se qualificava de criminoso, réprobo etc. Isso é da consciência acostumada a agir com o próximo e consigo mesma de maneira dura e implacável. Precisamos superar isso e caminhar no sentido da misericórdia, do perdão e sobretudo do amor, que cobre a multidão de pecados, como dizia Jesus.
E o que podemos fazer concretamente para evitar o suicídio à nossa volta?
Não poderia deixar de mencionar a educação, como a mais eficaz prevenção em relação ao suicídio. Mas que educação? Não é certamente essa que é dada nas escolas, que nem a função de instruir faz bem feita.
Mas sim uma educação que procure cercar o indivíduo de fortes e sólidos afetos, de modo que ele nunca se sinta sozinho.
Uma educação que trabalhe sentido existencial, resiliência diante da dor, projeto de vida…
E sobretudo, uma educação que cuide desde cedo da espiritualidade e que abra uma perspectiva de eternidade e transcendência.

Quadro A Melancolia de Edvard Munch



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REFLEXÕES SOBRE O SUICÍDIO



É impressionante a estatística oficiosa dando conta de que em Curitiba, a cidade onde vivemos, são cometidos 14 suicídios em média por mês, ou seja, quase um suicídio a cada dois dias.
Este número só não é maior porque os diretores dos meios de comunicação, felizmente, concluíram que o melhor é não haver divulgação, a não ser em casos excepcionais ou que, pelas circunstâncias, não possam ser omitidos, diante do efeito multiplicador que a publicação certamente provocaria.

Conquanto sejam diversas as causas alegadas para o suicídio, em bilhetes e cartas deixados pelos autores de tão tresloucado gesto, em sua maioria, porém, aparece o desgosto pela vida como o motivo determinante.

A esse propósito, na pergunta 943 de O Livro dos Espíritos, a obra basilar da Doutrina Espírita, questionou Allan Kardec, o eminente e proeminente Codificador: "Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?, recebendo dos Benfeitores da Humanidade a seguinte resposta: "Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera" (texto encontrável na página 439 da 75a edição da FEB).

Com efeito, a ociosidade é perigosa sempre, o mesmo acontecendo com a saciedade, que cria a ilusão de que, por estar aparentemente satisfeito em todos os sentidos, o indivíduo não teria mais desafios pela frente, o que significaria, em última análise, estar submetido à intolerável rotina.

De igual modo, a falta de fé pode conduzir a criatura ao despenhadeiro, já que não tem confiança, e muito menos convicção, de que a vida prossegue para sempre, a despeito da desencarnação, conclusão a que se pode chegar pelo uso da razão, especialmente se combinada com a observação dos atos e fatos do dia-a-dia.

Feliz, pois, é quem usa de suas faculdades com finalidade útil, tornando-se útil onde quer que esteja, procurando servir antes de ser servido, revelando por este modo ter plena consciência de que mais se beneficia quem melhor serve.

Todos nós renascemos com aptidões, com tendências oriundas de outras existências, remotas ou não, razão pela qual quem a elas der vazão, com naturalidade, verá que nenhum trabalho é árduo; bem ao contrário, qualquer trabalho será fonte inesgotável de satisfação, sobretudo se realizado com esmero, do melhor modo possível, com apreciável qualidade, o que se constituirá, no mínimo, em importante contributo para o equilíbrio das relações sociais.

E, convém que não esqueçamos, "Toda ocupação útil é trabalho", na enxuta e precisa definição de O Livro dos Espíritos, que se pode encontrar na resposta dada à questão número 675 (página 328 da 75a edição da FEB).

Assim, aquele que usa esses antídotos, ao alcance de todos nós, seguramente sentirá permanente alegria de viver, renovando-se a cada dia, para melhor, e seguindo em frente, sempre em frente, sem temor de qualquer espécie.

Por outro lado, não é difícil concluir que o suicida direto pretende eliminar a aflição, a vergonha, o desgosto pela vida, o problema maior, enfim, que esteja vivenciando, acreditando que por este modo estará pondo um ponto final em tudo.

Ledo engano! Que desapontamento terá depois!

Com efeito, o suicida pode pôr fim ao seu corpo material, ao seu corpo físico, que irá se decompor e transformar. Todavia, não conseguirá dar cabo de sua vida propriamente dita, à sua individualidade, uma vez que todos nós, Espíritos, seres pensantes da Criação, encarnados ou desencarnados, somos imortais. Depois de criados passamos a ser eternos, tendo uma única vida, desdobrada em inúmeras existências, cujo destino final é a perfeição relativa e a felicidade suprema.

Como as leis da Natureza são perfeitas, e por esta razão imutáveis, a brusca interrupção da vida física praticada pelo suicida, que não teve coragem e resignação suficientes para prosseguir, independentemente das dificuldades que encontrou pelo caminho, comuns a todos nós, deverá ser reparada, por ele, exclusiva e intransferivelmente, sofrendo expiação proporcional ao ato, à sua gravidade e demais circunstâncias.

Nem poderia ser diferente, uma vez que ninguém, exceto Deus, tem o direito de dispor sobre a vida.

Entretanto, não obstante o insano gesto, terá ele, com certeza
, novas oportunidades para corrigir os erros, males e equívocos cometidos, porquanto sempre é possível recomeçar, eis que não há nas Leis Divinas ou Naturais condenação irremissível. Por mais hediondo que seja o crime, por maior insanidade de que se revista o ato, a reparação será sempre possível porque tendemos todos para a perfeição, que se constrói gradualmente, devagarinho, a pouco e pouco, a exemplo do que acontece com a própria Natureza, que não dá saltos.

Neste passo, interessante reproduzir a questão 950 de O Livro dos Espíritos: "Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor?, que obteve a seguinte e lúcida resposta dos Espíritos Superiores: "Outra loucura! Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa. Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos" (página 441 da edição da FEB, antes citada).

Por derradeiro, nestas rápidas observações sobre tema tão complexo quão penoso, vale relembrar que há também o suicídio indireto, que pode decorrer da gula, da ingestão de bebidas alcoólicas, do uso do tabaco em suas variadas formas, da exposição voluntária a riscos desnecessários (de que são exemplos as corridas de automóveis e de motocicletas), etc., cumprindo dizer, ainda, que o suicídio indireto também pode decorrer de viciações morais.

Pelo exposto, pode-se desde logo extrair inarredável conclusão: a prática do Bem é um excelente remédio para todos os males!

ANTONIO MORIS CURY



(Jornal Mundo Espírita de Novembro de 2001)
 



http://hospitalespiritualdomundo.blogspot.com.br/ml
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CVV - CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA (53 anos ouvindo pessoas)




Fundado inicialmente com o nome Campanha de Valorização da Vida, o primeiro trabalho de prevenção do suicídio no Brasil comemora 53 anos de serviços de apoio emocional aos tristes, solitários e angustiados. Em 1962 eram pouco mais de dez voluntários. O primeiro plantão de oferta de amizade foi realizado numa sala da Federação Espírita do Estado de São Paulo, com telefone também cedido pela FEESP.  Hoje o CVV possui cerca de 2 mil voluntários, postos físicos nas mais importantes cidades brasileiras, tem atendimento pelo voip e chat; possui uma comunidade terapêutica para saúde mental; trabalha em convênio com o Ministério da Saúde e busca expandir suas atividades por de pessoas, sem vínculos religiosos ou políticos, dispostas a atuar como Emissários da Vida. 





CVV - CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA


http://www.cvv.org.br/




http://observadorespirita.blogspot.com.br
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PROJETO CAMINHOS - DEPENDÊNCIA QUÍMICA, SUÍCIDIO E DEPRESSÃO




O Movimento Espírita de PICOS-PI (Centro Espírita Chico Xavier, CEAE- Centro de Estudos e Assistencia Espiritual, LAMANA- Lar Assistência Maria de Nazaré e o CEFA - Centro Espírita Francisco de Assis) com apoio  da FEPI- Federação Espírita Piauiense, estará realizando nos dias 30/04 (das 18:00h às 21:30h) e 01/05 (das 08:00h às 12:00h) no Auditório da Escola  Normal de Picos;  o PROJETO CAMINHOS com o seminário DEPENDÊNCIA QUÍMICA, SUÍCIDIO E DEPRESSÃO, com  os palestrantes Rener Leite da Cunha - Uberlândia (MG) e Vânia Reis - Teresina (PI).
Esse projeto visa  abordar os contextos de riscos que podem levar algumas pessoas às drogas, ao fumo , ao alcool, ou ainda, à depressão  e as idéias suícidas; como também os fatores que podem protegê-los dessas situações.
Seminário de linguagem fácil , acessível e tendo como base o Evangelho de Jesus. Busca-se assim, contribuir para o esclarecimento e a orientação a todos que lidam direta ou indiretamente, com as pessoas que vivenciam esses problemas.
O evento é GRATUITO e as inscrições serão feita nos Centros Espíritas. Você pode baixar no link abaixo e entregar na casa Espírita ou através das redes sociais.

Palestrantes:

Rener Leite da Cunha - Uberlândia (MG)
Palestrante espírita
Presidente da Casa Espírita Estrada da Luz (Uberlândia - MG)
Diretor da Fundação Francisco e Clara de Assis (São Paulo - SP)
Membro da Diretoria do Núcleo Espírita Brasileiro Langerton Neves da Cunha (Uberaba - MG)

Vânia Reis - Teresina (PI)

Coordenadora da subárea Maranhão-Piauí-Ceará no Atendimento Espiritual Nordeste/FEB
Diretora do Departamento de Atendimento Espiritual da FEPI (Teresina - PI)
Trabalhadora da Associação Piauiense Espírita Langerton Neves da Cunha (Teresina - PI)
Membro do Núcleo Espírita Brasileiro Langerton Neves da Cunha (Uberaba - MG)
Professora Associada e pesquisadora da Universidade Federal do Piauí (Teresina - PI)


Moura Fé
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Suicídio na adolescência – Apontamentos psicossociais e espírita


















Apontamentos psicossociais e espíritas“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem doutrina,tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” – Paulo. (I Coríntios, 14:26.)


   A adolescência é concebida em nosso meio social a partir de inúmeros estereótipos, talvez mobilizados por crenças que a consideram como uma fase do desenvolvimento pautada por crises existenciais,conflitos entre gerações, maturação da personalidade, alterações hormonais entre outras, que culminam com o rótulo de “aborrecência”. Lamentavelmente, essa concepção pejorativa abate a autoestima do adolescente, induzindo-o a assumir esta condição personológica, bem como seus familiares e a sociedade como um todo.

    A consequência dessa rotulação é a ocultação de sinais importantes referentes à saúde psíquica, emocional e espiritual do jovem. A prevalência de transtornos psiquiátricos na adolescência é de 10 a 15 %. As principais demandas nas clínicas psiquiátricas referem-se a alterações comportamentais sem diagnóstico, depressão e comportamento suicida.1

    Segundo a Organização Mundial de Saúde,2 os comportamentos suicidas entre adolescentes (e também entre crianças) são motivados por inúmeras situações, tais como: humor depressivo, desequilíbrio emocional, comportamental e social, abuso de substâncias tóxicas, término de relações amorosas, dificuldades acadêmicas, questões associadas à incapacidade para lidar com frustrações e resolução de problemas, baixa autoestima e conflitos com a identidade sexual. (Ver quadro na página 20.) Além desses fatores, a Doutrina Espírita também nos informa que obsessões graves podem culminar com o suicídio:

    [...] a obsessão arrasta um complexo tormentoso, difícil de ser superado [...]. E como o obsidiado envolveu-se nessa faixa criminosa, sem procurar dela afastar-se, renovando-se para o amor de Deus e o progresso de si mesmo, torna-se joguete do malefício próprio e alheio e tudo então pode acontecer, até mesmo o suicídio,suprema desgraça de um obsidiado, suprema desgraça para um obsessor, cuja responsabilidade é grave perante as leis de Deus.3

     A gravidade de tal questão convoca-nos a um olhar atento e fraterno dirigido aos nossos jovens, munidos com o Evangelho e também com as  contribuições das ciências da Terra, igualmente benesses do Alto, como a Psicologia e a Psiquiatria. Dessa forma, arrolamos algumas intervenções que visam ajudar adolescentes com ideação ou intencionalidade suicida:

    Psicoterapia: o acompanhamento psicológico, orientado por um profissional sério e competente, é um importante mecanismo para auxiliar o adolescente em crise suicida. Neste contexto, o profissional de Psicologia receberá o jovem em um espaço protegido de escuta, acolhimento e orientação para uma vida saudável.

    Acompanhamento familiar: é imprescindível que a família esteja consciente do estado de saúde mental e espiritual do adolescente em crise suicida. Pais, irmãos e parentes devem impedir o acesso aos meios para cometer o suicídio (medicações, substânciastóxicas, instrumentos cortantes, cordas etc.). Além disso, cabe aos familiares do jovem a realização semanal do culto no lar,momento propício para reflexão sobre a consolação espírita e, também, uma oportunidade para a conversa fraterna, pautada no amor, atenção e paciência diante do sofrimento vivido pelo jovem.

    Psiquiatria: não obstante os preconceitos em torno da medicação psiquiátrica, esta é um meio fundamental para o restabelecimento psíquico de pessoas em crise emocional. O quadro depressivo e de ideação suicida vivenciado pelo jovem alteram o funcionamento neuroquímico, sendo necessária a intervenção do psiquiatra.

    Responsabilização sobre a própria condição emocional: apesar do abatimento emocional do jovem, é importante que ele assuma a responsabilidade pelo próprio soerguimento. Conquanto seja uma atitude difícil no auge da crise suicida, cabe à rede social do jovem (família, psicólogo, psiquiatra, amigos) motivá-lo ao autocuidado, para que não considere ser somente cuidado, mas também ator pela manutenção da própria saúde.

    Frequência na Casa Espírita: o Centro Espírita, como hospital das almas, oferece excelentes contribuições para o restabelecimento da saúde integral dos nossos adolescentes. Considerando que o adolescente já esteja cônscio de sua responsabilidade pelo próprio tratamento, é fundamental que ele frequente, assiduamente, as atividades de evangelização espírita,que geram, de início, duas consequências positivas: a inserção em um novo grupo de amizades e,depois, o estudo e reflexão das páginas doutrinárias que propiciarão uma higienização mental, destruindo ligações fluídicas perniciosas que acometem o funcionamento psíquico do jovem. 

  Evangelização Espírita: a compreensão dos princípios espíritas,com base numa fé raciocinada,promove a consolação do jovem em crise e, consequentemente, previne o suicídio, conforme explana Allan Kardec:

    [...] O Espiritismo dá a ver as coisas de tão alto, que, perdendo a vida terrena três quartas partes da sua importância,o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham.Daí, mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos. Daí, também, o banimento da ideia de abreviar os dias da existência, por isso que a ciência espírita ensina que, pelo suicídio, sempre se perde o que se queria ganhar. A certeza de um futuro, que temos a faculdade de tornar feliz, a possibilidade de estabelecermos relações com os entes que nos são caros, oferecem ao espírita suprema consolação.[...]4

    Mocidade Espírita: vale destacar a importância do acompanhamento afetivo dos evangelizadores da mocidade espírita com o jovem que esteja vivenciando este processo de adoecimento psíquico. Nesse sentido, além da dedicação às aulas sobre Espiritismo,é fundamental prestar atenção na vida desse jovem, promovendo acompanhamento individualizado e fraterno compartilhando com o jovem seu dia a dia, dificuldades, desafios etc.

    Desobsessão: outro importante auxiliar é o tratamento desobsessivo,associado à terapia de passes e água fluidificada que, juntos,promovem o reequilíbrio psíquico,emocional e espiritual do adolescente.Este suporte espiritual precisa, necessariamente, do comprometimento do jovem, que deve se dedicar à oração diária, a leituras edificantes e à vigilância dos pensamentos.

    Embora seja uma triste realidade que acomete milhares de jovens em todo o mundo, é importante estarmos atentos à orientação do Apóstolo dos gentios, considerando que temos a nosso favor a consolação espírita, as ciências da Terra, a razão e o amor para protegê-los. Façamos, pois, de tudo pela edificação da juventude.


SINAIS QUE INDICAM RISCO DE COMPORTAMENTO SUICIDA

1. Comportamento retraído, inabilidade para se relacionar com a família e amigos, pouca rede social;
2. Doença psiquiátrica;
3. Alcoolismo;
4. Ansiedade ou pânico;
5. Mudança na personalidade, irritabilidade, pessimismo, depressão ou apatia;
6. Mudança no hábito alimentar e de sono;
7. Tentativa de suicídio anterior;
8. Odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha;
9. Perda recente e significativa – morte, divórcio, separação etc.;
10. História familiar de suicídio.

Adaptado do Manual de prevenção de suicídio do Ministério da Saúde.5



Por  Leila do Amaral


Referências:

1SCIVOLETTO, Sandra; BOARATI, Miguel A.;TURKIEWICZ, Gizela (2010). Emergências psiquiátricas na infância e na adolescência. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 32,supl. II, out. 2010.
2ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Prevenção do suicídio – um recurso para conselheiros.Genebra: OMS, 2006.
3PEREIRA, Yvonne A. O drama da Bretanha. Pelo Espírito Charles. 10. ed. 5. reimp.Rio de Janeiro: FEB, 2011. cap. Marcus de Villiers, p. 79.
4KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.Trad. Guillon Ribeiro. 92. ed. 2. reimp. Rio Janeiro: FEB, 2012. Conclusão, it. 7.
5BRASIL. Prevenção do Suicídio – Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.


http://www.sistemas.febnet.org.br/reformadoronline/



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Reencarnação de Suicidas





O processo reencarnatório é sempre complexo e fruto de minucioso planejamento. Ao tomarmos conhecimento do nascimento de um novo habitante da superfície terrestre devemos ter a consciência do enorme esforç o engendrado não só no plano material, mas também no invisível, para que esse “milagre” seja uma realidade.
As crianças nos demonstram concretamente a confiança de Deus nos seres humanos. Elas são a prova da misericórdia Divina que nos resgata incansavelmente das trevas e suplícios em que nos afogamos repetida e propositadamente. 
E, essa mesma misericórdia é a fonte que nos ilumina com a luz morna do dia, que nos invade os olhos infantis curiosos, quando os abrimos pela primeira vez no mundo físico.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo;
a tua vara e o teu cajado me consolam. Salmos 23:4
Apesar de um longo e penoso trânsito pela erraticidade os espíritos vítimas de si mesmos, geralmente, não têm condições de presidir a construção de um corpo físico saudável durante seu processo reencarnatório.
A disposição integral dos recursos intelectuais e físicos, amealhados preteritamente por aqueles filhos de Deus, pode ser necessária ao completo êxito de sua missão terrena. Por isso, a espiritualidade responsável por esses pacientes se empenha no tratamento das suas mazelas, através da medicina astral, mesmo quando são frutos da imprudência e do orgulho.
Assim, eles poderão chegar um pouco melhores à terra, e então, terão, por sua vez, a magnífica oportunidade de retribuir ao Criador tamanha benção, colaborando com seus contemporâneos em seu progresso como cidadãos.
Uma das causas mais freqüentes de debilidade e deformidade do corpo espiritual é a desagregação energética induzida pelo auto-extermínio. As lesões do corpo espiritual são ainda mais severas do que aquelas que desvitalizaram o corpo físico. Não atingem apenas o sistema mental do desencarnado, toda a complexa estrutura perispiritual é comprometida.
Sua delica da tessitura é impregnada pelas energias deletérias que causaram, primariamente, o auto-extermínio e por aquelas que se originaram dele. Os componentes unitários do tormento com que se deparam os suicidas são: Dores intensas, de teor moral e físico, acrescidas do desespero de se encontrar vivo após a morte, revolvidas com o cimento da culpa.
Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mateus 25:30
E sentindo-se servos inúteis reconhecem a justiça de seu tormento imediatamente após o desenlace traumático do corpo físico. Entretanto, a falta de equilíbrio que os caracterizou em vida, os persegue no além túmulo. Crises subintrantes de arrependimento e desespero se sucedem, como se fossem continuar indefinidamente.
Não dispõem de recursos íntimos para atenuarem esse estado de dentro para fora. A prece é impronunciável para eles, sem que entendam o porquê dessa afasia seletiva. É, na realidade, a autopunição que se segue à culpa demolidora.
Querem, e cultivam a dor por ilusão da purificação. Assim o fizeram por milênios e, assim, se conduzem quase que reflexamente.
Interromper esse processo depende de uma fagulha de esperança em seus corações petrificados. Fagulha insignificante, mas perceptível aos benfeitores do além, que nesse momento crítico, de olhar hesitante e frágil voltado para os céus, os acodem e recolhem às instituições caridosas do invisível.
Esse é apenas o primeiro passo em direção á reencarnação libertadora e reconstrutora. Muitos serão necessários.
Os abnegados servidores do cristo que os acolheram, oferecem a eles os medicamentos espirituais mais avançados. Todos eles repletos de um principio ativo que se habituaram a negligenciar em suas numerosas existências físicas pregressas.
É o amor temperado com energias de diferentes ordens, mas também sublimes e retificadoras em sua essência.
Os amigos encarnados atuam expressivamente nesse processo, fornecendo a matéria mais densa para que os cirurgiões do espaço refaçam a delicada anatomia do corpo astral  desses pobres desvalidos.
Suturas, drenagens, condutoplastias, inúmeros procedimentos são executados para a melhor recuperação possível de pacientes tão especiais.
Uma vez que se encontrem anatomicamente recuperados (relativamente) serão guiados aos estudos. Não é um processo rápido. A formação de que necessitam é longa, didática e transformadora.
Nas aterradoras crises de confiança são restabelecidos pela doação de energia salutar dos seus colegas em melhores condições.
Começam a se doar uns aos outros, aos próximos bem próximos. Em um momento socorrem e no seguinte são socorridos. Estão ainda em uma montanha russa íntima. No seu ápice acumulam forças para enfrentarem os vales.
Aos poucos estudam suas existências anteriores e os motivos que os levaram ao desespero. Isso é oferecido a eles de uma forma tal que possam se distanciar o suficiente para que entendam e relembrem da dor, sem serem cegados e confundidos por ela.
Com esse método podem identificar mecanismos de defesa impróprios e padrões de comportamento com tendência à recorrência.
Quando conseguem elaborar, ou melhor, metabolizar seu passado são transferidos às escolas gerais. Necessitam do convívio com todos os outros espíritos. Nesta fase já podem ajudar necessitados de outros matizes.
Trabalham em funções diversas, sempre iniciando pelas mais simples. São felizes por terem a oportunidade de realizar pequenas obras. Não são cobrados para erigirem grandes monumentos, pois para muitos deles o orgulho e o poder foram a passarela condutora à derrocada.
Décadas eles despendem nessas escolas, e o tempo todo, são ajudados, escorados, impulsionados pelo amor dos benfeitores espirituais. Muitos  são pais, mães, filhos de outras épocas.
A maioria, entretanto, são os seus inimigos do passado, já refeitos dos vícios morais mais limitantes, que hoje agradecem a possibilidade de resgatarem seus débitos cármicos no trabalho junto aos, transitoriamente, mais frágeis.
Ao mesmo tempo em que se recuperam auxiliam no progresso de seus educadores.
O treinamento prossegue, posteriormente, em frentes de trabalho mais densas e perigosas, verdadeiros testes de fidelidade em relação aos exércitos do Cristo. Aprendem a amar o diferente, o ignorante e o demente. Vêem nestes irmãos o reflexo de seu passado recente.
A última fase preparatória para a reencarnação dos antigos suicidas é a elaboração do projeto reencarnatório. Por mais que tenham obtido algum grau de recuperação da anatomia de seu corpo espiritual, as lesões que a essa estrutura foram impostas pela auto-agressão ainda serão máculas indeléveis no plano espiritual.
Mesmo que sejam imperceptíveis aos olhos dos próprios portadores elas carrearão, necessariamente, ao corpo físico as mensagens de alerta de um passado que não deve ser revivido.
Serão limitações congênitas de graus variáveis, doenças crônicas severas com crises intermitentes e curtos períodos de acalmia. Insuficiências orgânicas diversas e possivelmente múltiplas.
Essas doenças graves os açoitarão, na vida física, relembrando-os dos compromissos assumidos e, também, cumprindo o papel de verdadeiros exaustores biológicos na drenagem das energias perniciosas e densas de uma qualidade tal que apenas podem ser expurgadas no trânsito pela matéria.
O amor vivido em sua plenitude os livrará das dores inúteis. Aquelas necessárias foram discutidas durante a sua preparação pré-encarnatória e devem ser vividas resignadamente, mesmo quando extremamente dolorosas. A luta pela vida é o exercício diário necessário para que desenvolvam os meios de evitarem novas quedas.
Os amigos espirituais os acompanharão em toda a sua existência física, oferecerão o suporte e consolo diante das suas fraquezas. E a cada obstáculo que venham a superar, mais fortes se encontrarão.
Não mais suicidas serão, mas, ex-suicidas, dispostos ao trabalho retificador em prol do seu próprio progresso. Serão, também, luzes nos rodapés dos longos e tortuosos corredores da existência infeliz de seus semelhantes, daqueles ainda cegos à luz redentora do Cristo.
Giselle Fachetti Machado

Giselle Fachetti Machado  (Goiânia/GO)
Médica Ginecologista e Obstetra. Graduada pela Faculdade de Medicina da UFG e,  Residência médica e especialização em Colposcopia no HC da UFMG. É responsável pelo Serviço de Colposcopia do Laboratório Atalaia de Goiânia. É membro da Comunidade Espírita Ramatís, em Goiânia e atuante no movimento em Defesa da Vida e na AME Goiás (Associação Médico Espírita). Nasceu em 20/05/1962 em Cianorte, no Paraná. Reside em Goiânia desde os 6 anos de idade. Oriunda de família espírita sendo que seu avö Osmany Coelho e Silva foi pesquisador espírita na década de 1940 no Rio de Janeiro. 
gfachettimachado@uol.com.br/




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