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Melindre: A Síndrome Do Orgulho Ferido



Melindre – Originariamente, um simples e comum substantivo masculino, com o sutil significado de ser a delicadeza no trato, cuidado extremo em não magoar ou ofender por palavras ou obras.
É o que dizem os dicionários…
Mas, curiosamente, no dia a dia de relação entre as pessoas, há mais significados, dependendo da ótica de quem o analisa. Se a visão é de quem provocou o melindre em alguém, fala mais alto seu sentido menor: suscetibilidade exagerada, escrúpulo, com profunda significação como agente das crises da sociedade humana. Se a visão é de quem se melindrou, o “paciente” liga tal sentimento a uma “justa” in­dignação, à injustiça e à ingratidão alheias, com uma acentuada pitada de sentimento melodramático de auto-piedade, de vítima.
Entretanto, sem rebuscamentos, sem volteios, sem rodeios e sem metáforas, melindre quer dizer mesmo orgulho ferido, egoísmo contrariado, vez que não há um autor sequer consultado e que se propõe analisar a questão – fora os dicionários – que não afirme peremptoriamente que o melindre não seja um sentimento filho direto do orgulho, usando da síntese de um ilustre espírito-espírita.1
Tenhamos presente que uma célula da sociedade humana das mais representativas é a Casa Espírita, onde, lastimavelmente, também grassam interesses pessoais, desejos de destaque, arroubos de sabedoria, vaidades e tantos outros sentimentos iguais. Daí porque, quando menos se espera, surge o melindre…
É o médium que não se conforma com a análise direta feita por companheiros estudiosos, quando ele, ao receber os Espíritos, bate os pés, as mãos, fala alto demais, repetitivamente, com linguagem às vezes inadequada, etc. Melindra-se e não aceita as observações e conselhos, retirando-se do trabalho ou isolando-se na crítica à Casa e seus dirigentes. É o expositor que não cumpre os horários, nem o programa, que desvia sempre do assunto da palestra ou da aula, descambando para análises outras, não raro pessoais ou sem importância doutrinária, e que não aceita as recomendações da direção de manter-se fiel ao programa ou à conduta em classe ou na tribuna, melindrando-se com facilidade, afirmando que “nessa etapa da vida” não está mais para ouvir críticas “especialmente de quem sabe menos e é muito mais moço…” É o dirigente de área na Casa que se julga auto-suficiente em tudo e não aceita conselhos e recomendações para melhoria do setor, ameaçando retirar-se, entregar o cargo, exigindo se promova reunião de Diretoria para ouvir suas reclamações. É o diretor que tem sua proposição refugada e se sente desprestigiado, desaparecendo das reuniões e das assembleias. É até mesmo o doador de donativos, cujo nome foi omitido nos agradecimentos, magoando-se e fugindo a novas colaborações.
E assim por diante…
O que se ouve, em todos os exemplos citados, é mais ou menos o seguinte: “Não entendo o porquê de tanta injustiça comigo, tanta ingratidão…, logo eu, que tanto fiz, que tanto dei de mim, que tanto ajudei…”, seguido de lamentações e, não raro, até de choro, entremeado de rasgos de vítima do mundo e de todos.
O erro está, neste caso, em o me­lindrado esperar (e até exigir) gratidão de todos pelo trabalho que ele desenvolveu na Casa, confundindo obrigações com favores. Ora, obrigações não implicam de modo algum em gratidão, muito especialmente se levando em conta que quem as assume, o faz livremente. Daí, quando contrariado, ferido em seu orgulho pessoal, julga-se vítima de ingratidão, de in­justiça… e ameaça retirar-se, quando não se esquiva definitivamente.
Um lembrete rápido para reflexão: Jesus houvera curado dez leprosos numa única tarde; mas, quantos deles se detiveram para agradecer-lhe? Apenas um! Quando o Cristo voltou-se para seus discípulos e perguntou-lhes onde estariam os outros nove curados, todos já tinham desaparecido, sem sequer um agradecimento. E daí: Jesus se melindrou, desistiu da tarefa, julgou-os ingratos?2 Para pensar!
Há mais uma agravante no fato que envolve o trabalhador descuidado: o melindre “propele a criatura a situar-se acima do bem de todos. É a vaidade que se contrapõe ao interesse geral. Assim, quando o espírita se melindra, julga-se mais importante que o Espiritismo e pretende-se melhor que a própria tarefa libertadora em que se consola e esclarece.” (…) “Ninguém vai a um templo doutrinário para dar, primeiramente. Todos nós aí comparecemos para receber, antes de mais nada, sejam quais forem as circunstâncias.”3
Assiste razão integral ao preclaro Irmão X4 , a afirmar que “os melindres pessoais são parasitos destruidores das melhores organizações do espírito.
Quando o disse-me-disse invade uma instituição, o demônio da intriga se incumbe de toldar a água viva do entendimento e da harmonia, aniquilando todas as sementes divinas do trabalho digno e do aperfeiçoamento espiritual.”
Ouçamos, afinal, todos nós, trabalhadores da seara espírita, os simplíssimos – mas altamente judiciosos e adequadíssimos – conselhos de André Luiz, na cartilha de boa condução moral chamada Sinal Verde5, assim vazados:
“Não permita que suscetibilidades lhe conturbem o coração.
Dê aos outros a liberdade de pensar, tanto quanto você é livre para pensar como deseja.Cada pessoa vê os problemas da vida em ângulo diferente.
Muita vez, uma opinião diversa da sua pode ser de grande auxílio em sua experiência ou negócio, se você se dispuser a estudá-la.
Melindres arrasam as melhores plantações de amizades.Quem reclama, agrava as dificuldades.Não cultive ressentimentos. Melindrar-se, é um modo de perder as melhores situações.Não se aborreça, coopere.Quem vive de se ferir, acaba na condição de espinheiro”.
Contra os vermes corrosivos do egoísmo, da vaidade e do orgulho (ferido ou não!), recomenda-se o uso do anti-séptico da Boa Nova, distribuído altruisticamente por Jesus, quando nos exorta: “Se alguém quiser alcançar comigo a luz divina da ressurreição, negue a si mesmo, tome a cruz dos próprios deveres, cada dia, e siga os meus passos.”6

 por Francisco Aranda Gabilan

BIBLIOGRAFIA
1 – Cairbar Schutel, in O Espírito de Verdade, cap. 36, psic. F. C. Xavier.                                                                                      2 – Lucas, 17:12-19.                                                                                                                                                                                        3 – Cairbar, idem.                                                                                                                                                                                            4 – Cartas e Crônicas, cap. 29, psic. F. C. Xavier.                                                                                                                                      5 – Sinal Verde, André Luiz, cap. 23- Melindres, psic. F. C. Xavier.                                                                                                                6 – Mateus, 16:24; Marcos, 8:34; Lucas, 9:23.                                                                                                                                Fonte: Revista Internacional de Espiritismo, de Jun 2006


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Agressividade




Vivem-se, na atualidade, os dias de descontrole emocional e espiritual no querido orbe terrestre.
O tumulto desenfreado, fruto espúrio das paixões servis, invade quase todas as áreas do comportamento humano e da convivência social.
Desconfiança sistemática aturde as mentes invigilantes, levando-as a suspeitas infundadas e contínuas, bem como a reações doentias nas mais diversas circunstâncias.
A probidade cede lugar à avareza, enquanto a simpatia e a afabilidade são substituídas pela animosidade contumaz.
As pessoas mal suportam-se umas às outras, explodindo por motivos irrelevantes, sem significado.
Explica-se que muitos fatores sociológicos são os responsáveis pelas ocorrências infelizes.
Apontam-se a fugacidade de todas as coisas, a celeridade do relógio, o medo, a solidão e a ansiedade, como responsáveis pela frustração dos indivíduos, gerando as situações agressivas que os armam de violência e de perversidade.
A cultura e a ética não têm conseguido acalmar os ânimos, deixando que a arrogância e a presunção enganosas tomem conta dos incautos que se lhes submetem docemente.
Os relacionamentos sem afetividade real, estimulados por interesses nem sempre nobres, tornam-se rápidos, diluindo-se com facilidade, quando não se transformam em antagonismos, em decorrência de alguma negativa que se torna oportuna e é direcionada ao outro.

A maledicência perversa grassa nos arraiais dos grupos, minando as bases frágeis das amizades superficiais, e, não poucas vezes, transformando-se em calúnias insidiosas.Mesmo entre as pessoas vinculadas às doutrinas religiosas libertadoras que se baseiam no amor e na caridade, no respeito ao próximo e no culto aos deveres morais, o vício infeliz permanece, destruidor.
Armando-se de mau humor, não poucos homens e mulheres externam o enfado ou os sentimentos controvertidos em que se consomem, dando lugar a situações vexatórias.
Em mecanismo de transferência psicológica atiram os seus conflitos à responsabilidade dos outros, como se estivessem desforçando-se da inveja que experimentam em relação aos mesmos.
Aumenta, assustadoramente, a agressividade, nestes dias, nos grupos humanos, sem que haja um programa de reequilíbrio, de harmonização individual ou coletiva.
Trata-se de uma guerra não declarada, cujos efeitos perniciosos atemorizam a sociedade.
As autoridades dizem-se atadas a dificuldades quase insuperáveis em razão do suborno, do tráfico de drogas, dos desafios administrativos, da ausência de pessoal habilitado para os enfrentamentos, falhando, quase sempre, nas providências tomadas.
Permanecem, desse modo, os comportamentos infelizes nos lares, nos educandários, nas vias públicas, no trabalho...

A agressividade é doença da alma que deve merecer cuidados muito especiais desde a infância, educando-se o iniciante na experiência terrestre, de forma que possa dispor de recursos para vencer a inferioridade moral que traz de existências transatas ou que adquire na convivência doentia da família...
A agressividade é herança cruel do medo ancestral, que remanesce no Espírito desde priscas eras.
Não diluído pela segurança psicológica adquirida mediante a fé religiosa, a reflexão, a psicoterapia acadêmica, a oração, domina os recônditos do sentimento e exterioriza-se de forma infeliz na agressividade.
A ausência dos diálogos domésticos saudáveis entre pais, filhos e cônjuges ou parceiros, que se agridem mutuamente, sempre ressentidos, extrapolam do lar em direção à via pública, transformada em campo de batalha, segue no rumo do local de trabalho, e até aos clubes de recreação, em contínuo destrambelho das emoções.
Nesse contubérnio afligente, Espíritos irresponsáveis e frívolos aproveitam-se das vibrações deletérias e misturam-se com esses combatentes perturbados, aumentando-lhes a ferocidade e estimulando-lhes os instintos inferiores.
O resultado são os crimes hediondos, asselvajados, estarrecedores, que aumentam o índice de maldade em razão da ingestão de bebidas alcoólicas, de drogas alucinantes e fatais...
A civilização contemporânea periclita nos seus alicerces materialistas, ameaçada pela agressividade e pelo desrespeito moral que assolam sem freio.
Sem dúvida, estudiosos do comportamento, educadores sinceros e devotados, religiosos abnegados, pensadores sensatos e sociólogos lúcidos vêm investindo os seus melhores recursos na construção da nova mentalidade saudável, em tentativas ainda não vitoriosas para a reversão do quadro aparvalhante, confiantes, no entanto, nos resultados futuros.
O progresso moral é lento e exige sacrifícios de todos os cidadãos que aspiram pela felicidade e pela harmonia na Terra.
As respeitáveis contribuições da Ciência e da Tecnologia, valiosas, sob qualquer aspecto consideradas, respondem por muitas modificações das estruturas ultramontanas, suprimindo a ignorância e o primitivismo.
Nada obstante, também são usadas para o crime de várias denominações, especialmente através dos veículos da mídia: os periódicos, a Internet, a televisão, assim como o teatro e o cinema, com a sua complexa penetração nas massas, às vezes, usados vergonhosamente e sem qualquer controle, oferecendo campo de vulgaridades e informações que preparam delinquentes e viciosos...
A rigor, com as nobres exceções existentes, a sociedade moderna encontra-se enferma gravemente, necessitando de urgentes cuidados, que o sofrimento, igualmente generalizando-se, conseguirá, no momento próprio, oferecer a recuperação, o reencontro com a saúde após a exaustão pelas dores...
Instala-se, desse modo, lentamente, o período da paz, da brandura, da fraternidade.
Sofrido, o ser humano ver-se-á compelido a fazer a viagem de volta às questões simples e afáveis, à amizade e à ternura, qual filho pródigo de retorno ao lar paterno após as extravagantes experiências que se permitiu.
Que se não demorem esses dias, que dependerão do livre-arbítrio dos indivíduos em particular e da sociedade em geral, embora o progresso seja inevitável, apressando-se ou retardando-se em razão das opções humanas.
A agressividade infeliz é doença passageira, embora os grandes danos que produz, cedendo lugar à pacificação.
Torna dócil a tua voz, nestes turbulentos dias de algazarra, e gentis os teus gestos ante os tumultos e choques pessoais...
Com sua sabedoria ímpar, Jesus assinalou:“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra”.1
Suavemente permite que a mansidão domine os territórios das tuas emoções, substituindo esses infelizes mecanismos da inferioridade moral pelos abençoados valores da verdade.

Joanna de Ângelis

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 15 de março de 2010, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)

1MATEUS, 5:5. (Nota da autora espiritual.)

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A ALMA E OS DIFERENTES ESTADOS DO SONO





O sono possui não apenas propriedades restauradoras , mas também um poder de coordenação e de centralização sobre o organismo material. Pode, além disso, como acabamos de ver, provocar uma extensão considerável das percepções psíquicas, uma maior intensidade do raciocínio e da memória.
O que é então o sono? É simplesmente o desprendimento da alma, sua saída do corpo. Diz-se: o sono é o prenúncio* da morte. Essas palavras exprimem uma verdade profunda. Seqüestrada da carne no estado de vigília, a alma recupera no sono sua liberdade relativa, temporária e ao mesmo tempo o uso de seus poderes ocultos.
A morte será sua libertação completa, definitiva. Já nos sonhos e nas ilusões vemos entrar em ação os sentidos da alma, esses sentidos psíquicos, que no corpo são a manifestação externa e amortecida. À medida que as percepções externas se enfraquecem e se apagam, quando os olhos estão fechados e os ouvidos suspensos, outros meios mais poderosos despertam nas profundezas do ser. Vemos e ouvimos com a ajuda dos sentidos internos.
Imagens, formas, cenas afastadas se sucedem e se desenrolam; são estabelecidas conversas com personagens vivos ou falecidos.
Às vezes a alma se afasta durante o repouso do corpo e são as impressões de suas viagens, os resultados de suas pesquisas e de suas observações que se traduzem pelo sonho. Nesse estado, um laço fluídico ainda a liga ao organismo material e, por meio desse laço sutil, uma espécie de fio condutor, as impressões e as vontades da alma podem ser transmitidas ao cérebro.
Voltemos ao sono comum e ao sonho. Enquanto o desprendimento da alma estiver incompleto, as sensações, as preocupações da vigília, as lembranças do passado misturam-se com as impressões da noite. As percepções registradas pelo cérebro se desenrolam automaticamente, numa desordem aparente, quando a atenção da alma está desviada do corpo e não mais regula as vibrações cerebrais; daí a incoerência da maior parte dos sonhos. Mas, à medida que a alma se liberta e se eleva, a ação dos sentidos psíquicos torna-se predominante e os sonhos adquirem uma lucidez, uma nitidez notáveis. Clareiras cada vez mais largas, vastas perspectivas abrem-se sobre o mundo espiritual, verdadeiro domínio da alma e lugar do seu destino. Nesse estado, ela pode penetrar as coisas ocultas e até mesmo os pensamentos e os sentimentos de outros espíritos.
Pertencemos a dois plano diferentes:um está em relação com o tempo e o espaço, como nós os concebemos em nosso meio planetário, com os sentidos do corpo: é a vida material; o outro, por meio dos sentidos profundos e das faculdades da alma, liga-nos ao universo espiritual e aos mundos infinitos. No decorrer de nossa existência terrestre, é sobretudo no estado de sono que essas faculdades podem se exercer e que os poderes da alma podem entrar em vibração. A alma mais uma vez se põe em contato com esse universo invisível que é sua pátria e do qual estava separada pela carne; ela se retempera no seio das energias eternas para continuar, quando desperta, sua tarefa dolorosa e obscura.
Durante o sono, a alma pode, de acordo com as necessidades do momento, aplicar-se a reparar as perdas vitais causadas pelo trabalho cotidiano e a regenerar o organismo adormecido, dando-lhes forças tiradas do mundo cósmico, ou, quando essa ação reparadora está acabada, retomar o curso de sua vida superior, pairar sobre a natureza, exercer suas faculdades de visão a distância e penetração das coisas. Nesse estado de atividade independente, já vive antecipadamente a vida livre do espírito. Pois essa vida, que é uma continuação natural da existência planetária, espera-a após a morte, devendo a alma prepará-la não apenas com suas obras terrestres, mas também com suas ocupações, no estado de desprendimento, durante o sono. É graças aos reflexos da luz do alto que cintilam em nosso sonhos e iluminam todo o lado oculto do destino que podemos entrever as condições do ser no além.
Quanto mais a alma se afasta do corpo e penetra nas regiões etéreas, mais fraco se torna o laço que os une, tanto mais vaga a lembrança ao acordar.
A alma paira muito longe na imensidade, e o cérebro não mais registra suas sensações. Daí resulta não podermos analisar os nossos mais belos sonhos. Algumas vezes, a última das impressões sentidas no decurso dessas peregrinações noturnas permanece ao despertarmos.

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR
LÉON DENIS

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OLHO POR OLHO , DENTE POR DENTE



“Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser demandar-te em juízo, e tirar-te o vestido, larga-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a ir carregando mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil. Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que te pede emprestado.” (Mateus, 5:38-42.)


O provérbio Olho por olho, dente por dente é tão antigo quanto a Humanidade; adotado por Moisés, expressa a lei de Talião que consiste na punição equivalente à gravidade da ofensa ou do crime.
A vingança, inspirada no olho por olho, dente por dente é “o mais infalível instrumento de perdição”. 1 Está enraizada em todas as camadas sociais, entre crianças, jovens, adultos. Contamina lares, escolas, estados, instituições. Gera guerras, terrorismo, perseguições, bullying, e diversos outros crimes. O ser humano não quer levar desaforo para casa. É lamentável! Nem todos serão apanhados pelas leis humanas; mas, ninguém se livrará da justiça divina.
No entanto, olho por olho, dente por dente foi sempre mal interpretado pela Humanidade. Não é uma lei para ser aplicada pelos homens. Trata-se de lei divina conhecida como lei de causa e efeito que tem por objetivo a educação moral do Espírito ao longo das reencarnações. Ela monitora as ações boas ou más cometidas pelo homem no presente, para o acerto de contas no futuro. Portanto, é instrumento de justiça e de educação e não uma imposição aleatória. Quando o sofrimento se instala, certamente é chegado o momento do acerto de contas para reabilitação do Espírito.
 Os sofrimentos humanos apresentam-se sob dois aspectos: provação expiação. Segundo o Espírito Emmanuel, Aprovação é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual. Aexpiação é a pena imposta ao malfeitor que comete um crime.2 (Grifo nosso.)
Vingança gera violência num ciclo interminável de ódio, destruição e morte. Somente as leis divinas têm meios para extirpar as raízes do ódio e da vingança. Eis por que Kardec afirma que “a dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos”.3
Somente a reencarnação e a lei de causa e efeito podem explicar a origem das aflições que atormentam o homem.
A história da Humanidade está manchada de crueldades e vinganças: guerras, inquisição, escravidão, terrorismo...
O Espírito, sendo cidadão do mundo, pode renascer em qualquer lugar do Planeta, mas sempre carregará consigo as tendências que compõem a própria história. Portanto, não fugirá de suas vítimas e muito menos dos instintos vingativos. Só a educação moral evangélica sincera tem poder de apagar as tendências inferiores, liberando, assim, a sua trajetória ascendente.
“A gênese de todas as religiões da Humanidade tem sua origem no [...] coração augusto e misericordioso” 4 de Jesus.As lições do seu Evangelho são conhecidas por todos os recantos do planeta. Com nomes diferentes, mas com os mesmos ensinamentos. Todos os povos foram visitados pelos mensageiros de Jesus.
Muitos deles cumpriram tão bem a sua missão que foram confundidos com o próprio Cristo.
Nos livros sagrados dos diferentes povos estão gravadas as suas lições de amor e de perdão. (Ver A Caminho da Luz, cap. IX.)
Ninguém pode alegar ignorância.
No entanto, em estado de extrema emoção, o homem se desliga dos planos superiores e se entrega às emoções asselvajadas que ainda vicejam no Espírito milenar.
Espíritos diversos, de nacionalidades diferentes, geralmente se reúnem em resgates coletivos por possuírem débitos semelhantes. Todavia, como a lei de causa e efeito explica tantos massacres coletivos oriundos da violência humana? Na realidade ninguém reencarna com o objetivo de ferir ou matar quem quer que seja. E quando isso acontece, é porque o individuo, contrariando as leis da Vida, se disponibiliza como instrumento da própria Lei.
As vítimas não poderiam quitar seus débitos de outra forma? Sim! Poderiam, sem que houvesse a necessidade de mãos humanas. Não se tem visto através da mídia a quantidade enorme de resgates coletivos e individuais sem que o homem tenha tomado parte? Enchentes, terremotos, tsunamis, acidentes, furacões e outros tantos fenômenos? A própria Natureza, acionada pela lei de causa e efeito, se encarrega de cobrar ao devedor o retorno ao caminho do bem. Na mesma pauta, sensibiliza as criaturas à pratica do amor e da caridade. Ao mesmo tempo em que promove a evolução coletiva e a transformação do Globo. Por isso, afirma Jesus: “O escândalo é necessário, mas ai de quem o provoca”. (Mateus, 18:7.)
Num artigo em que explica a diferença entre provas e expiações, Kardec conclui: “Numa palavra: a expiação cobre o passado; a prova abre o futuro”.5 Portanto, a lei de causa e efeito, em ação, não pode ser vista como um período de sofrimento e dor e sim período de redenção oportunidade de reerguimento.
Os responsáveis por qualquer tipo de violência contra a vida atraem para si vinganças e cobranças que se estenderão por séculos afora. Assim, encarnados e desencarnados desencadeiam terríveis obsessões, enceguecidos pelo desejo de fazer justiça com as próprias mãos.
Habituados ao olho por olho e dente por dente, qual seria a reação dos Espíritos que se sentem arrancados da convivência familiar, injustamente assassinados? Como agem fora do corpo?
Certamente, muitos deles, encarnados uns desencarnados outros, prosseguem com a alma torturada pelo instinto de vingança. Sem dúvida esse sentimento alimenta a onda crescente de violência que assola o mundo.
É possível viver em paz numa Terra harmoniosa e feliz?
Sim, é possível, para tanto é preciso deixar de ouvir o olho por olho, dente por dente, e se dedicar a ouvir Jesus: “Ouviste o que foi dito: [...] Eu, porém, vos digo, não resistais ao mal; mas, se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra”. (Mateus, 5:38-39.)
É importante refletir muito bem antes de tomar qualquer decisão vingativa, por menor que seja, para que não sobrevenha mais tarde o arrependimento.Ninguém tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos. As leis divinas são iguais para todos; justas e precisas, ninguém conseguirá fraudá-las.
Somente o perdão tem poder para interromper a trajetória do mal. O perdão, consagrado no alto da Cruz, florescerá no coração daqueles que seguem Jesus. Não foi em vão que Ele doou a própria vida em benefício da Humanidade.

A. MERCI SPADA BORGES


1KARDEC, Allan. A vingança. InRevista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 5, p. 349, ago. 1862. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 13. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
2XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 246.
3KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. 4. ed. esp. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 9, it. 7.
4XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 37. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 9, it. A gênese das crenças religiosas, p. 99.
5KARDEC, Allan. Questões e problemas. InRevista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 6, p. 367, set. 1863. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
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Reflexão sobre a doação de órgãos e transplantes




O transplante de tecidos, órgãos e partes do corpo humano é um procedimento terapêutico destinado a pacientes em situação de risco. Não se desconhece, por isso, a importância da doação desses elementos vitais. Segundo pesquisas mais ou menos recentes, a maioria da população é favorável à doação de órgãos com tais propósitos,1 entretanto,muitos têm receio de doar por uma série de razões, dentre elas: em caso de doação de órgãos, após a morte, pode o Espírito doador sentir incômodo ou dor, no momento da retirada desses órgãos? O Espírito recém-desencarnado pode se sentir lesado, se lhe retirarem, sem a sua anuência, os órgãos do corpo físico que habitou? Não existe o risco de erro médico, que poderia determinar a remoção dos órgãos antes da morte física? Ou mesmo a provocação da morte, com fins ilícitos?
 De fato, doar órgãos é um gesto de amor e caridade no seu mais profundo sentido, desde que seja consciente, espontâneo. Ninguém deve sentir-se constrangido a doar seus órgãos, se a ideia não lhe agrada, se não está seguro de tal decisão. Por isso, foi oportuna a Lei n. 10.211, de 23/3/2001, que alterou dispositivos da Lei n. 9.434/97, a qual dispensava a autorização da família, nos casos de doador-cadáver, uma vez que se tornava “doador presumido” ou “compulsório” quem deixasse de registrar expressamente, nos documentos pessoais, a sua condição de não doador.
O Espiritismo, tendo anunciado a lei do progresso, obviamente é a favor de todo avanço, seja de que área for, pugnando, entretanto, pela observação da ética. Logo, jamais poderia ser contra a doação de órgãos:
As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas ideias que formaram de Deus.2
Se não houver disposição de última vontade da pessoa viva, a esse respeito, tal direito transmite-se, automaticamente, aos parentes do desencarnado. Todavia, se a família desconhecer a vontade do extinto, torna-se muito mais difícil tomar uma decisão desse porte. Por tudo isso, é de suma importância que comuniquemos aos familiares, desde já, nosso desejo quanto ao destino a ser dado aos órgãos, para que não haja, no futuro, perplexidade nem dúvidas quanto à nossa real pretensão.
Há muito se estuda a questão ética sobre se a criatura humana é ou não proprietária de seu organismo. No sentido ético-religioso, o homem não é dono absoluto de seu corpo, mas usufrutuário dele, como o é de todos os bens materiais existentes, motivo pelo qual pode, de acordo com o seu livre-arbítrio e sua consciência, colocá-lo a serviço do próximo e da Medicina, se as condições o permitirem.
O corpo físico é o primeiro empréstimo que Deus concede ao Espírito para o seu aprimoramento moral e intelectual.Por que não permitir que esse bem precioso, que não mais será utilizado por alguém que acaba de desencarnar, favoreça, por meio da doação de seus órgãos, a prorrogação da vida orgânica de outro Espírito encarnado, para que esse possa, em permanecendo mais tempo na esfera terrestre, aproveitar as oportunidades de crescimento e de progresso, numa espécie de moratória espiritual?
A tecnologia dos transplantes vem aperfeiçoando cada vez mais esse processo terapêutico, vencendo o tradicional inimigo (a rejeição dos órgãos) e inclusive aprimorando o diagnóstico da morte física, sem prejuízo nenhum para o cosmo celular, para o perispírito ou para o Espírito desencarnante, que sempre recebe a proteção do Alto, por sua intenção benemérita. Se houver algum erro médico, malversação ou má utilização dos órgãos doados, bem assim rebeldia do Espírito doador involuntário, tais acontecimentos estarão situados na órbita da lei de causa e efeito.
O diagnóstico da morte encefálica, que não se confunde com o estado comatoso,3 é o critério científico válido, atualmente, para detectar a cessação da vida que, inclusive, é reconhecido pela benfeitora Joanna de Ângelis.4
A morte é um processo complexo, lento e gradual. A vida não pode ser entendida pela simples presença de sinais vitais isolados em órgãos e tecidos, mas sim de elementos vitais estruturados que, em conjunto, formam a concepção da pessoa. Uma vez morto o encéfalo, não há qualquer possibilidade de reanimar o indivíduo; os demais órgãos, como pulmão e coração, continuam a funcionar por certo tempo, para logo mais, assim como todos os demais órgãos, interromper-se o seu funcionamento. Por isso, é fundamental que os órgãos sejam aproveitados para doação antes que cessem os batimentos cardíacos e a respiração, que podem ser mantidos temporariamente por meios artificiais, logo após a morte encefálica, aumentando o fator tempo para a preservação das células dos órgãos a serem transplantados, o que também facilita a tomada de providências, inclusive médicas, jurídicas e logísticas indispensáveis aos preparativos e ao êxito da cirurgia de remoção e transplante.
A possibilidade de erro de diagnóstico é remota, pois, no caso dos transplantes, a legislação exige a realização de vários exames clínicos especializados e diversos complementares, e inclusive repetitivos, sendo possível até o acompanhamento do médico da família, para checar se estão sendo tomados os procedimentos corretos.
O estudo do perispírito facilita a compreensão do fenômeno morte, sob o ponto de vista espiritual e mesmo sob o ponto de vista biológico. A desencarnação assemelha-se ao processo invertido da encarnação, em que as moléculas do perispírito vão se desprendendo uma a uma dos componentes celulares. Portanto, a ligação do Espírito com a matéria pode persistir, ainda que não exista vitalidade. Entretanto, na ausência de vida orgânica, o Espírito perde o veículo de transmissão e recepção de sensações e percepções, que persistem apenas na forma de lembranças na memória.
Após a morte,mormente nos seres humanos de evolução mediana, o Espírito não tem consciência de si mesmo imediatamente depois de deixar o corpo, uma vez que passa algum tempo em estado de torpor, de perturbação, que “nada tem de penosa para o homem de bem”, que se conserva calmo, semelhante em tudo a quem acompanha as fases de um tranquilo despertar.5 Os sofrimentos de que padecem os Espíritos, conforme eles mesmos revelam, são as angústias morais, que os “torturam mais dolorosamente do que os sofrimentos físicos”.6
Portanto, se alguém tiver que sofrer por algum motivo, após a morte física,quer haja cremação ou retirada de órgãos para transplante, a dor será moral e não física e acontecerá independentemente de ser ou não cremado, de ser ou não doador, visto que ninguém sofre desnecessariamente perante as leis divinas.7 Pelo contrário, a intenção caridosa do doador de órgãos atrairá a atenção dos Espíritos bondosos, que lhe darão ampla assistência, conforme atestam diversas mensagens recebidas do plano espiritual,8 inclusive no caso de aproveitamento de órgãos de suicidas9 e em outros casos.10
É lícito concluir, portanto, que o desligamento dos aparelhos, após o transplante ou se este vier a ser frustrado por algum motivo excepcional, não implica a prática da eutanásia, uma vez que já havia ocorrido a morte encefálica independentemente do conceito espírita da desencarnação, cujo momento é diferenciado para cada Espírito, dependendo do estágio de evolução.
Não há nenhuma contradição dessa afirmativa com o ensino dos Espíritos superiores, pois eles mesmos esclareceram que a alma independe do corpo,11 tanto que esse pode subsistir, ainda que temporariamente, sem aquela. Entretanto, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona, ou seja, “a vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica”,12 caso em que “a separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica”.13
A vida é um dos bens mais preciosos que existem, mas todos, sem exceção, estamos fadados à morte física. Não há outro meio de aprender a conviver com ela, senão compreendendo a finalidade da própria vida e pautando o viver de acordo com as leis divinas. No momento de uma decisão importante como essa, coloquemo-nos no lugar dos potenciais receptores de órgãos. Pensemos na mãe aflita que vê seu filho perecer por falta de doador compatível.Meditemos naqueles enfermos que, angustiados e sofridos, submetem-se, por exemplo, às máquinas de hemodiálise, à espera de um órgão. Não nos esqueçamos de que o não doador, hoje, pode ser um receptor, amanhã.

CHRISTIANO TORCHI


1FONTENELLE, André. Colaboração de Bianca Piragibe. Guia.Doação de órgãos: a vida de presente.Revista Veja, São Paulo, Editora Abril, ed. 1.924,p. 114 a 116, 28 set. 2005.
2KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2012. cap. 1, it. 55.
3TORCHI, Christiano. Espiritismo passo a passo com Kardec. 3. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. it. 7.4.7. Doação de órgãos e transplantes, p. 439.
4FRANCO, Divaldo P. Dias gloriosos. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 4. ed. Salvador: Leal, 1999. p. 97 e 98.
5KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad.Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. q. 163, 165 e comentário de Allan Kardec à q. 165.
6Idem, ibidem. q. 253 e 255.
7SANTOS, José Roberto Pereira (então presidente da Associação Médico-Espírita do Espírito Santo). Chico e a doação de órgãos – Uma réplica. Folha Espírita, São Paulo, p. 4, fev. 1999.
8FRANCO, Divaldo P. Elucidações espíritas. Fernando Hungria (Org.). 2. ed. Niterói (RJ): Seja, 1993. p. 109 e 110.
9XAVIER, Francisco C. Amor e saudade. Diversos Espíritos.Rubens Sílvio Germinhasi (Org.). Apud SIMONETTI, Richard.Quem tem medo da morte? 7. ed. Bauru (SP): Gráfica São João, 1988. p. 122 e 123; LISSO, Wlademir. Doação de órgãos e transplantes. São Paulo: Feesp, 1998. p. 101.
10SIGNATES, Luiz.Doação de órgãos.Você já fez sua opção? Revista espírita Allan Kardec, Goiânia, Gráfica e Editora Espírita Paulo de Tarso, ano 10, n. 38, p. 5 a 11, fev. 1998.
11KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad.Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. q. 136.
12Idem, ibidem. q. 136a.
13Idem, ibidem. q. 156.

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Reencarnação de Suicidas





O processo reencarnatório é sempre complexo e fruto de minucioso planejamento. Ao tomarmos conhecimento do nascimento de um novo habitante da superfície terrestre devemos ter a consciência do enorme esforç o engendrado não só no plano material, mas também no invisível, para que esse “milagre” seja uma realidade.
As crianças nos demonstram concretamente a confiança de Deus nos seres humanos. Elas são a prova da misericórdia Divina que nos resgata incansavelmente das trevas e suplícios em que nos afogamos repetida e propositadamente. 
E, essa mesma misericórdia é a fonte que nos ilumina com a luz morna do dia, que nos invade os olhos infantis curiosos, quando os abrimos pela primeira vez no mundo físico.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo;
a tua vara e o teu cajado me consolam. Salmos 23:4
Apesar de um longo e penoso trânsito pela erraticidade os espíritos vítimas de si mesmos, geralmente, não têm condições de presidir a construção de um corpo físico saudável durante seu processo reencarnatório.
A disposição integral dos recursos intelectuais e físicos, amealhados preteritamente por aqueles filhos de Deus, pode ser necessária ao completo êxito de sua missão terrena. Por isso, a espiritualidade responsável por esses pacientes se empenha no tratamento das suas mazelas, através da medicina astral, mesmo quando são frutos da imprudência e do orgulho.
Assim, eles poderão chegar um pouco melhores à terra, e então, terão, por sua vez, a magnífica oportunidade de retribuir ao Criador tamanha benção, colaborando com seus contemporâneos em seu progresso como cidadãos.
Uma das causas mais freqüentes de debilidade e deformidade do corpo espiritual é a desagregação energética induzida pelo auto-extermínio. As lesões do corpo espiritual são ainda mais severas do que aquelas que desvitalizaram o corpo físico. Não atingem apenas o sistema mental do desencarnado, toda a complexa estrutura perispiritual é comprometida.
Sua delica da tessitura é impregnada pelas energias deletérias que causaram, primariamente, o auto-extermínio e por aquelas que se originaram dele. Os componentes unitários do tormento com que se deparam os suicidas são: Dores intensas, de teor moral e físico, acrescidas do desespero de se encontrar vivo após a morte, revolvidas com o cimento da culpa.
Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mateus 25:30
E sentindo-se servos inúteis reconhecem a justiça de seu tormento imediatamente após o desenlace traumático do corpo físico. Entretanto, a falta de equilíbrio que os caracterizou em vida, os persegue no além túmulo. Crises subintrantes de arrependimento e desespero se sucedem, como se fossem continuar indefinidamente.
Não dispõem de recursos íntimos para atenuarem esse estado de dentro para fora. A prece é impronunciável para eles, sem que entendam o porquê dessa afasia seletiva. É, na realidade, a autopunição que se segue à culpa demolidora.
Querem, e cultivam a dor por ilusão da purificação. Assim o fizeram por milênios e, assim, se conduzem quase que reflexamente.
Interromper esse processo depende de uma fagulha de esperança em seus corações petrificados. Fagulha insignificante, mas perceptível aos benfeitores do além, que nesse momento crítico, de olhar hesitante e frágil voltado para os céus, os acodem e recolhem às instituições caridosas do invisível.
Esse é apenas o primeiro passo em direção á reencarnação libertadora e reconstrutora. Muitos serão necessários.
Os abnegados servidores do cristo que os acolheram, oferecem a eles os medicamentos espirituais mais avançados. Todos eles repletos de um principio ativo que se habituaram a negligenciar em suas numerosas existências físicas pregressas.
É o amor temperado com energias de diferentes ordens, mas também sublimes e retificadoras em sua essência.
Os amigos encarnados atuam expressivamente nesse processo, fornecendo a matéria mais densa para que os cirurgiões do espaço refaçam a delicada anatomia do corpo astral  desses pobres desvalidos.
Suturas, drenagens, condutoplastias, inúmeros procedimentos são executados para a melhor recuperação possível de pacientes tão especiais.
Uma vez que se encontrem anatomicamente recuperados (relativamente) serão guiados aos estudos. Não é um processo rápido. A formação de que necessitam é longa, didática e transformadora.
Nas aterradoras crises de confiança são restabelecidos pela doação de energia salutar dos seus colegas em melhores condições.
Começam a se doar uns aos outros, aos próximos bem próximos. Em um momento socorrem e no seguinte são socorridos. Estão ainda em uma montanha russa íntima. No seu ápice acumulam forças para enfrentarem os vales.
Aos poucos estudam suas existências anteriores e os motivos que os levaram ao desespero. Isso é oferecido a eles de uma forma tal que possam se distanciar o suficiente para que entendam e relembrem da dor, sem serem cegados e confundidos por ela.
Com esse método podem identificar mecanismos de defesa impróprios e padrões de comportamento com tendência à recorrência.
Quando conseguem elaborar, ou melhor, metabolizar seu passado são transferidos às escolas gerais. Necessitam do convívio com todos os outros espíritos. Nesta fase já podem ajudar necessitados de outros matizes.
Trabalham em funções diversas, sempre iniciando pelas mais simples. São felizes por terem a oportunidade de realizar pequenas obras. Não são cobrados para erigirem grandes monumentos, pois para muitos deles o orgulho e o poder foram a passarela condutora à derrocada.
Décadas eles despendem nessas escolas, e o tempo todo, são ajudados, escorados, impulsionados pelo amor dos benfeitores espirituais. Muitos  são pais, mães, filhos de outras épocas.
A maioria, entretanto, são os seus inimigos do passado, já refeitos dos vícios morais mais limitantes, que hoje agradecem a possibilidade de resgatarem seus débitos cármicos no trabalho junto aos, transitoriamente, mais frágeis.
Ao mesmo tempo em que se recuperam auxiliam no progresso de seus educadores.
O treinamento prossegue, posteriormente, em frentes de trabalho mais densas e perigosas, verdadeiros testes de fidelidade em relação aos exércitos do Cristo. Aprendem a amar o diferente, o ignorante e o demente. Vêem nestes irmãos o reflexo de seu passado recente.
A última fase preparatória para a reencarnação dos antigos suicidas é a elaboração do projeto reencarnatório. Por mais que tenham obtido algum grau de recuperação da anatomia de seu corpo espiritual, as lesões que a essa estrutura foram impostas pela auto-agressão ainda serão máculas indeléveis no plano espiritual.
Mesmo que sejam imperceptíveis aos olhos dos próprios portadores elas carrearão, necessariamente, ao corpo físico as mensagens de alerta de um passado que não deve ser revivido.
Serão limitações congênitas de graus variáveis, doenças crônicas severas com crises intermitentes e curtos períodos de acalmia. Insuficiências orgânicas diversas e possivelmente múltiplas.
Essas doenças graves os açoitarão, na vida física, relembrando-os dos compromissos assumidos e, também, cumprindo o papel de verdadeiros exaustores biológicos na drenagem das energias perniciosas e densas de uma qualidade tal que apenas podem ser expurgadas no trânsito pela matéria.
O amor vivido em sua plenitude os livrará das dores inúteis. Aquelas necessárias foram discutidas durante a sua preparação pré-encarnatória e devem ser vividas resignadamente, mesmo quando extremamente dolorosas. A luta pela vida é o exercício diário necessário para que desenvolvam os meios de evitarem novas quedas.
Os amigos espirituais os acompanharão em toda a sua existência física, oferecerão o suporte e consolo diante das suas fraquezas. E a cada obstáculo que venham a superar, mais fortes se encontrarão.
Não mais suicidas serão, mas, ex-suicidas, dispostos ao trabalho retificador em prol do seu próprio progresso. Serão, também, luzes nos rodapés dos longos e tortuosos corredores da existência infeliz de seus semelhantes, daqueles ainda cegos à luz redentora do Cristo.
Giselle Fachetti Machado

Giselle Fachetti Machado  (Goiânia/GO)
Médica Ginecologista e Obstetra. Graduada pela Faculdade de Medicina da UFG e,  Residência médica e especialização em Colposcopia no HC da UFMG. É responsável pelo Serviço de Colposcopia do Laboratório Atalaia de Goiânia. É membro da Comunidade Espírita Ramatís, em Goiânia e atuante no movimento em Defesa da Vida e na AME Goiás (Associação Médico Espírita). Nasceu em 20/05/1962 em Cianorte, no Paraná. Reside em Goiânia desde os 6 anos de idade. Oriunda de família espírita sendo que seu avö Osmany Coelho e Silva foi pesquisador espírita na década de 1940 no Rio de Janeiro. 
gfachettimachado@uol.com.br/




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