Pesquisar Assuntos Neste Blog

Mostrando postagens com marcador Allan Kardec. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Allan Kardec. Mostrar todas as postagens

Kardec e Napoleão – o Eleito e o Escolhido





“[…] Comparo o Evangelho a um campo infinito, que o Senhor nos deu a cultivar. Alguns trabalhadores devem ficar ao pé dos mananciais, velando-lhes a pureza, outros revolvem a terra em zonas determinadas; mas não há dispensar a cooperação dos que precisam empunhar instrumentos rudes, desfazer cipoais intensos, cortar espinheiros para iluminar os caminhos.” – Emmanuel¹

Napoleão Bonaparte, líder político e militar durante os últimos tempos da Revolução Francesa, nasceu na Córsega, em 1769, e liderou os franceses, a partir de 1799 como Primeiro Cônsul, e de 1804 a 1814, como Imperador, estendendo seu governo por mais cem dias em 1815, após sua fuga da ilha de Elba. Em contraste com uma notável recuperação econômica, jurídica e administrativa da França, que ao longo do tempo inspirou muitas nações, perpetrou as famosas Guerras Napoleônicas, entrando em conflito com todas as grandes potências europeias de sua época. No delírio de dominar o século e açambarcar o mundo, invadiu a Rússia, em 1812, numa campanha temerária e desastrosa que decretou seu declínio e da qual nunca mais se recuperou. Derrotado por uma coligação de nações na Batalha de Waterloo, ocorrida na Bélgica em 1815, foi finalmente exilado pelos ingleses em Santa Helena, uma ilhota perdida no sul do Oceano Atlântico, entre a África e o Brasil, onde faleceu em 1821.
Segundo os historiadores, Napoleão foi despótico em casa e menos duro com seus vizinhos. Sufocou a liberdade na França, mas semeou o liberalismo na Europa, espalhando os inspiradores ideais da Revolução Francesa por toda a parte. Acabou com o feudalismo, abalou as velhas monarquias, movimentou as nações com o rolo compressor de sua formidável máquina de guerra e, em decorrência disso, sacudiu os povos e despertou o espírito das massas anestesiado pela matéria. Transitando, em curto lapso de tempo, de le petit caporal a lEmpereur e senhor do continente, esse chamejante cometa humano, do qual, em estimativa ultrapassada, já se escreveram mais de 400.000 volumes, foi definido paradoxalmente pelo Visconde de Chateaubriand, seu mais ferrenho adversário, como “a maior força que jamais se uniu à argila humana”.2
Filosofando um pouco em torno desses momentos de pico da humanidade, é interessante acompanhar as caprichosas reviravoltas da História, mormente quando se divisa por trás dela a ação diretora da Lei que tudo canaliza para seus devidos fins. No organismo social, o destino confia determinadas funções às células mais aptas a executá-las, e retira-lhes essa concessão tão logo a função se exaura. Na tapeçaria da História, os grandes ditadores são simplesmente manobrados por ela para alcançar seus fins, ao contrário do que pensam, isto é, são eles que a impulsionam com seu gênio, visto que os homens só mandam em aparência, pois quem governa de fato é a Providência divina. “Assim, nasce Napoleão” – assevera sua voz –, “simples instrumento de uma guerra difundidora de novas ideias, mas foi atirado fora pelo destino, como um trapo, tão depressa se exauriu a sua função”.3
Allan Kardec nasceu na França, em 1804, o mesmo ano em que Napoleão se tornou Imperador. Antes de sua fase espírita, foi educador, autor e tradutor, ficando depois mundialmente célebre como sistematizador do Espiritismo. Além de outras obras e uma revista de estudos psicológicos – poderoso laboratório de ideias e areópago superior que muito o auxiliou em sua missão –, publicou cinco livros fundamentais onde se encontra exposta a Doutrina que marcaria sua existência e daria início a um novo dealbar de luz sobre o mundo.
Sua luta permanente pela elaboração do Espiritismo; a harmonização dos ensinos superiores com a ciência terrena, a fim de integrar a Doutrina Espírita na grande torrente da História; a obra de educação iniciada para construir nova aristocracia intelecto-moral numa sociedade avessa ao esforço de renovação interior; a resposta às críticas sinceras e o desprezo às reconhecidamente maldosas; o cotejo de milhares de informações medianímicas, recebidas aproximadamente de mil centros espíritas sérios disseminados por todo o orbe, e sua consequente submissão ao poderoso critério de controle universal; a vigilância constante sobre os falsos amigos de dentro da Obra, em seu trabalho de sapa, visando a desmoralizar o Movimento; a orientação iterativa e interativa aos médiuns acerca dos multimodos percalços da mediunidade; a análise e divulgação diuturna e contínua do fluxo de informações espirituais, veiculadas através da Revue, cujos argumentos circulavam “da China ao México, passando por todas as capitais da Europa”;4 a certeza da angústia do tempo para a conclusão da Obra, cujos desdobramentos se perdiam, luminíferos, na fugiente linha do horizonte… Tudo isto, e muito mais, levou essa alma estelar a insculpir no coração da humanidade um dos maiores carreiros de luz de que se tenha conhecimento neste mundo.

Encontro no Infinito

Conta o Irmão X – em longa e substanciosa mensagem muito condensada neste espaço – que, no último dia do século XVIII, reuniu-se na Espiritualidade superior uma grande assembleia de Espíritos elevados com o objetivo de assinalar os primeiros alvores do século XIX.
Eram Espíritos sábios e benevolentes que de alguma forma haviam concorrido, ao longo dos milênios, para o progresso da humanidade: vinham da Roma Imperial, das Gálias, da Espanha, da América, da Grécia, de Israel, da Alemanha, da Inglaterra, da China, da Arábia, da Índia e de várias outras regiões. Constituíam-se, ainda, de legiões esmaltadas de estandartes, falanges de batalhadores indefessos, delegações de pioneiros no combate à ignorância humana e preparadores da Nova Era que estava prestes a irromper no mundo.
Após a palavra de eminentes orientadores espirituais, clarins soaram na direção da Crosta, e da brumalizada noite europeia emergiu, trazido por mensageiros de luz, um pequeno cortejo de Espíritos encarnados em desdobramento espiritual, que se mostravam esmaecidos e trôpegos em seus passos no reino invisível. Eram autoridades de alto gabarito reencarnadas no planeta, tendo à frente a figura austera de Napoleão, com seu traje característico, e a finalidade de tal presença ali era a reafirmação de seus compromissos perante a Espiritualidade maior.
Napoleão ocupou a poltrona que lhe fora reservada e, embora recebesse manifestação de apreço de todos os presentes, mantinha-se em prudente reserva, encastelado em si mesmo, apenas inclinando discretamente a cabeça, vez por outra, em agradecimento, enquanto seu séquito banhava-se em lágrimas de alegria e emoção.
Clarins ressoam novamente, agora na direção do alto, quando luminosa estrada se desenha do céu até o local da assembleia, pela qual descem estrelas resplandecentes que, ao tocarem o solo translúcido, se transformam em seres aureolados de luz. Um dentre esses seres avulta pela conspícua superioridade. Traz fúlgida tiara na cabeça e um cetro dourado na mão, e de seu olhar transbordam magnanimidade e doçura.
Baixam-se os estandartes em sinal de respeito e muitos sábios e guerreiros postam-se genuflexos em meio à multidão. Nesse momento, Napoleão, rompendo a aparente frieza, comove-se às lágrimas e, levantando-se, avança na direção do venerável Mensageiro, ante o qual se ajoelha. O Emissário celeste sorri sem afetação, e no momento em que procura erguê-lo para o abraçar, poderosa voz, a um tempo enérgica e doce, projeta-se do céu e exclama para Napoleão, agora pertransido de pavor e júbilo:
– Irmão e amigo, ouve a Verdade, que te fala em meu espírito! Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento…
César ontem, e hoje orientador, rende o culto de tua veneração, ante o pontífice da luz! Renova, perante o Evangelho, o compromisso de auxiliar-lhe a obra renascente!…5
Prossegue o Espírito Verdade (pois era ele quem falava), recordando-lhe as glórias quiméricas do passado e incitando-o, agora, a deixar as velhas ambições de lado e a valer-se da oração e da humildade para não descambar novamente na tirania e na violência. Que não atribuísse apenas à ardidez de seu gênio as conquistas militares e políticas do presente, pois as circunstâncias da vida que o favoreciam eram dádivas exclusivas do Senhor. Sua missão, a exemplo do Batista ante o Cristo, era esterroar os caminhos para o Apóstolo da Codificação que iria inaugurar em breve a Nova Era para a humanidade, pois começariam no século XIX os preparativos para o advento do terceiro milênio do Cristianismo na Terra.
E a Entidade sublime conclui suas palavras a Napoleão com este voto de confiança:
“Confiamos, pois, ao teu espírito valoroso a governança política dos novos eventos e que o Senhor te abençoe!…”5
Em seguida, quando já se anunciavam os primeiros alvores do século XIX, a momentosa assembleia se dissolve ao som de cânticos divinais, enquanto o Espírito Verdade e sua falange de eleitos retornam às fulgurantes regiões do Infinito. A Entidade de luz que sustinha Napoleão nos braços, e que em breve reencarnaria na Terra como Allan Kardec, conduz bondosamente o Espírito do famoso corso até a matéria, auxiliando-o na retomada do corpo físico.
Kardec nasceu quase quatro anos após esse magno acontecimento (a 3 de outubro de 1804) e buscou, desde a juventude, a Luz divina que o conduziria por toda a vida. O Espírito Bonaparte, porém, obscurecido pelo arrocho da matéria, deixou que se apagasse de sua retina espiritual aquele momento de glória e, entorpecido pelo ópio do mando, num ato imperial de extremado orgulho e ilimitado poder, auto coroa-se Imperador em 2 de dezembro de 1804, passando a reger com mão de ferro seu nascente e ameaçador império. Ambos tiveram assim, naquele augusto momento da História, oportunidades iguais de cooperar com o Senhor na difusão da Verdade e da Vida.
“Napoleão, contudo” – conclui o Irmão X –, “convertendo celestes concessões em aventuras sanguinolentas, foi apressadamente situado, por determinação do Alto, na solidão curativa de Santa Helena, onde esperou a morte, enquanto Allan Kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita cristã, que, gradativamente, será considerada em todos os quadrantes do orbe como a sublime renascença da luz para o mundo inteiro”.5
Diferença entre os missionários
Em 13 de novembro de 1906, o médium português Fernando de Lacerda recebeu ditado mediúnico de Napoleão (do qual destacamos um trecho e o laconizamos aqui) referto de profundas considerações filosóficas a respeito de sua atuação revolucionária na França.
Em dado momento da substanciosa mensagem, o comunicante interrompe a escrita e queda-se inerte. O médium, crendo-o já ausente, pergunta:
“– Estás ainda [aí], espírito eleito de Deus para avanço da humanidade?”6
E Napoleão responde:
– Eleito, não, escolhido.
– Não será o mesmo?
– Não. […]
[…]
O eleito foi o escolhido por Deus para semear o bem pelo bem; o escolhido pode ser para fazer o bem pelo mal. O eleito foi Jesus. Eu fui escolhido. […]6 (Grifos nossos.)
Embora Bonaparte, agora cheio de razão e mais conscientizado da missão que executara na Europa, haja definido o Cristo como o eleito, podemos reflexionar, por nossa vez, amplificando à luz da Doutrina Espírita a perspectiva conceitual do famigerado corso, que, como fundador e supremo governante da Terra, Jesus é muito mais do que o eleito: Jesus é o que elege. Kardec, sim, foi o eleito, e Napoleão, o escolhido – ambos pelo Rei dos reis e Senhor de todos os senhores.
Bonaparte, abusando da oportunidade que recebera e extrapolando os limites estabelecidos pela soberana Lei, teve sua missão jarretada no auge para não pôr em xeque o que já houvera conquistado em benefício do mundo. E, em consequência, foi exilado, em seus últimos anos de vida, na “solidão curativa de Santa Helena”, que, segundo Emmanuel, “representou para o seu espírito o prólogo das mais dolorosas e mais tristes meditações, na vida do Infinito”.7
Kardec, ao contrário, ao atingir a excelência em sua missão e extrapolar as expectativas do mundo espiritual, teve sua existência presumivelmente prolongada, graças aos cuidados médicos do Dr. Demeure, já desencarnado, que o assistia de forma particular nos derradeiros anos de sua vida.8 E recebeu, no decorrer daquele luminoso ministério, a notícia alvissareira de que deveria voltar em breve à crosta terrestre (já que não podia completar seu trabalho naquela existência) para dar continuidade à Obra do Consolador, iniciada pelo próprio Cristo, quase dois mil anos antes, e predestinada a regenerar o mundo.9
Durante seu marcante governo, Napoleão teve aproximadamente 15 anos para realizar sua missão – do início do Consulado, em 1799, até sua abdicação e exílio em Elba, em 1814. O mesmo tempo de que dispôs Kardec para executar a sua – desde a iniciação no Espiritismo, em 1854, até sua morte, em 1869. Missão interrompida em um. Missão estendida no outro. A primeira, concorrendo para sanear o carma negativo da humanidade e, a segunda, para energizar e impulsionar a humanidade em seu carma positivo. Ambos, porém, consagrados como missionários do Alto, embora com atribuições diferentes no campo evolutivo da espécie humana, conforme a assertiva de Emmanuel, na abertura destas linhas: enquanto uns velam pela alvura dos mananciais e revolvem a terra fértil, a golpes de enxada, para uma opulenta colheita, outros expedram os caminhos e decepam os espinhais, a golpes de chanfalho, para ensolarar as almas e abrir clareiras nos corações onde já branqueje um luar de consciência.
Definido por Will e Ariel Durant como “colosso em miniatura” 10 e stupor mundi,10 o extraordinário corso tinha, porém, consciência de sua subalternidade em relação ao jogo das circunstâncias e à força do destino:
Eu concebi muitos planos, mas nunca tive a liberdade de executar um deles. Por mais que mantivesse em minha mão o leme, e com uma forte mão, as ondas eram muito mais fortes. Nunca fui na verdade meu próprio senhor; fui sempre governado pelas circunstâncias.10
Mais adiante:
O destino me conduz a um objetivo que desconheço. Até aquele objetivo ser atingido sou invulnerável e inatacável. Quando o destino cumprir o seu propósito em mim, uma mosca bastará para destruir-me.10
E a respeito de sua crença em Deus, ele teve ocasião de declarar em seu forçado insulamento austral:
Nunca duvidei de Deus, porque mesmo que minha razão seja incapaz de compreendê-lo, minha intuição convence-me de sua existência. Minha constituição sempre esteve em harmonia com este sentimento.11
Estas desapaixonadas reflexões de um profundo admirador de ambos os missionários não objetivam nenhuma crítica negativa, nem mesmo velada, ao valor histórico e inquestionável de Napoleão que, em nenhum momento, agiu sem comando e supervisão espiritual superior, nem surpreendeu a onisciência divina com seus atos despóticos e de consequências trágicas. Sugerem, porém, um honesto e merecido reconhecimento a Kardec, o qual, sempre fiel a seu Senhor, surpreendeu e galvanizou aquela parcela redimível da humanidade – tanto do seu tempo quanto visando às gerações futuras –, ao abrir-lhe, de par em par, as portas de acesso à Era Nova do Cristianismo com Jesus.
Kardec, em comparação com o Cristo, acertou em quase cem por cento de sua missão, visto que só Jesus é perfeito. E, em comparação com Kardec, Napoleão, apesar de seus múltiplos equívocos na condução do povo francês, foi muito feliz e irretocável em seu ditado a Fernando de Lacerda, principalmente ao asseverar (abrindo infinitas perspectivas à nossa reflexão espiritual) que, à luz da verdadeira História, todos os grandes Missionários da humanidade só realizam o bem – uns, como Kardec, fazendo o bem pelo bem, e outros como ele, Napoleão, fazendo o bem pelo mal.


Mário Frigéri
REFERÊNCIAS:
1 XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 45. ed. 7. imp. Brasília: FEB, 2014. pt. 2, cap. 4.
2 BONHEUR, Gaston. Napoleão, o retrato do homem. s/ed. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1982. p. 15.
3 UBALDI, Pietro. A grande síntese. 9. ed. São Paulo: Lake. cap. 96, Concepção biológica do poder. Disponível em outra tradução: .
4 KARDEC, Allan. Revista espírita: jornal de estudos psicológicos. ano V, n. 12, dez. 1862. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. cap. O Espiritismo em Rochefort, p. 509.
5 XAVIER, Francisco C. Cartas e crônicas. Pelo Espírito Irmão X. 14. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014. cap. Kardec e Napoleão.
6 LACERDA, Fernando de. Do país da luz.  8. ed. v. 1. Rio de Janeiro: FEB, 2003. cap. 4.
7 XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 38. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. Napoleão Bonaparte.
8 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Evandro Noleto Bezerra. ed. bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2010. cap. Instrução relativa à saúde do Sr. Allan Kardec…, p. 387.
9 ____. ____. cap. Minha volta, p. 366.
10 DURANT, Will e Ariel. A história da civilização.v. XI, A era de Napoleão, 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1993. p. 180, 233 e 249 respectivamente.
11 LUDWIG, Emil. Napoleão. 10. ed. Editora Globo, 1957. p. 416

Leia mais

Princípios básicos da Doutrina Espírita




Existência de Deus
Imortalidade da alma
Pluralidade das existências
Pluralidade dos mundos habitados
Comunicabilidade dos espíritos

1. Existência de Deus

Deus existe.  É a origem e o fim de tudo.  É o criador, causa de todas as coisas.  Deus é a suprema perfeição, com todos os atributos que a nossa imaginação lhe possa atribuir, e muito mais.

2. Imortalidade da Alma

Antes de sermos seres humanos, filhos de nossos pais, somos, na verdade, espíritos, filhos de Deus.  O espírito é o princípio inteligente do universo, criado por Deus, simples e ignorante, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios esforços.
Como espíritos, já existíamos antes de nascermos e continuaremos a existir, depois da morte física.
Quando o espírito está na vida do corpo, dizemos que é uma alma ou espírito encarnado.  Quando nasce para este mundo, dizemos que reencarnou; quando morre, que desencarnou. Desencarnado, volta ao plano espiritual ou espiritualidade, de onde veio ao nascer.
Os espíritos são, portanto, pessoas desencarnadas que, presentemente, estão na espiritualidade.

3. Pluralidade das Existências

Criado simples e ignorante, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino.  Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal.  Desse modo, ele tem possibilidade de se desenvolver, evolucionar, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos.  Essa evolução requer aprendizado, e o espírito só pode alcançá-la encarnando no mundo e desencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências de vida.
A reencarnação, portanto, permite ao espírito viver inúmeras existências no mundo, adquirindo novas experiências, para se tornar melhor, não só intelectualmente, mas, sobretudo, moralmente, aproximando-se cada vez mais do que estabelecem as Leis de Deus.
Mas, assim como o aluno pode repetir o ano escolar - uma, duas ou mais vezes - o espírito que não aproveita bem sua existência na Terra, pode permanecer estacionário pelo tempo necessário, conhecendo maiores sofrimentos, e atrasando, assim, sua evolução, até que desperte para a necessidade de caminhar em direção ao progresso.
Não podemos precisar quantas encarnações já tivemos e quantas teremos pela frente.  Sabemos, no entanto, que, como espíritos em evolução constante, reencarnaremos quantas vezes sejam necessárias, até alcançarmos o desenvolvimento moral exigido para nos tornamos espíritos puros.
Esquecimento do passado: não nos lembramos das vidas passadas e aí está tambem a sabedoria de Deus.  Se lembrássemos do mal que praticamos ou dos sofrimentos pelos quais passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos,  teríamos infinitas dificuldades para viver em plenitude a vida atual. Ocorre que, frequentemente, os inimigos do passado, hoje são trazidos ao nosso convívio próximo, na condição de filhos, irmãos, pais, amigos, nos oferecendo a oportunidade do resgate, da reconciliação, do amparo mútuo: esta é uma das razões da reencarnação.
Certamente, hoje estamos corrigindo erros praticados contra alguém, sofrendo as conseqüências de crimes perpetrados, ou mesmo sendo amparados, auxiliados por aqueles que, no pretérito, nos prejudicaram.  Daí a importância da família, onde se costumam reatar os laços cortados em existências anteriores.
A reencarnação, dessa forma, é uma oportunidade de reparação, como é também oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando a própria evolução espiritual.  Quando reencarnamos, trazemos um "plano de vida", compromissos assumidos durante a espiritualidade, perante nós mesmos e nossos mentores espirituais, e que dizem respeito à reparação do mal e à prática de todo o bem possível.  Dependendo de nossas condições espirituais, poderemos ter participado ou não dessas escolhas, optando por provas, sofrimentos, dificuldades ou facilidades, que propiciarão meios para nosso desenvolvimento espiritual.
A reencarnação, portanto, como mecanismo perfeito da Justiça Divina, explica-nos porque existe tanta desigualdade no destino das criaturas na Terra.
Pelos mecanismos da reencarnação, verificamos que Deus não premia ou castiga. Pela misericórdia divina, somos nós os articuladores do próprio destino, por vezes necessitando de sofrimentos que nos instigam à melhora e crescimento, pela lei da "ação e reação".

4.  Pluralidade dos Mundos Habitados

Nem todas as encarnações se verificam na Terra.  Existem mundos superiores e mundos inferiores ao nosso.  Quando evoluirmos, poderemos renascer num planeta de ordem elevada.  O Universo é infinito e "na casa do Pai há muitas moradas", já dizia Jesus.
A Terra é um mundo de categoria moral inferior, haja vista o panorama lamentável em que se encontra a humanidade.  Contudo, ela está sujeita a se transformar numa esfera de regeneração, quando os homens se decidirem a praticar o bem e a fraternidade reinar entre eles.
"Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência.  Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil.  Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista.  Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes." (O Livro dos Espíritos, questão 55)

5. Comunicabilidade dos Espíritos

Os espíritos são seres humanos desencarnados. Eles são o que eram quando vivos; bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos.
Eles estão por toda parte.  Não estão ociosos.  Pelo contrário, eles têm as suas ocupações, como nós, os encarnados, temos as nossas.
Não há lugar determinado para os espíritos. Geralmente os mais imperfeitos estão junto de nós, atraídos pela materialidade a qual estão ainda jungidos, e pela similaridade de sentimentos com as quais nos afinizamos.  Não os vemos, pois se encontram numa dimensão diferente da nossa, mas eles podem ver-nos e até conhecer nossos pensamentos.
Os espíritos agem sobre nós, mas essa ação é quase que restrita ao pensamento, porque eles não conseguem agir diretamente sobre a matéria.  Para isso, eles precisam de pessoas que lhes ofereçam recursos especiais: essas pessoas são chamadas médiuns.
Pelo médium, o espírito desencarnado pode comunicar-se, se puder e quiser.  Essa comunicação depende do tipo de mediunidade ou de faculdade do médium: pode ser pela fala (psicofonia), pela escrita (psicografia), etc... Mas, toda e qualquer comunicação não deve ser aceita cegamente; precisa ser encarada com reserva, examinada com o devido cuidado, para não sermos vítimas de espíritos enganadores.  A comunicação depende da conduta moral do médium.  Se for uma pessoa idônea, de bons princípios morais, oferece campo para a aproximação e manifestação de bons espíritos.
É preciso ficar alerta contras as mistificações e contra os falsos médiuns, que tentam iludir o público menos avisado em troca de vantagens materiais.  Por isso, é importante que, antes de ouvir uma comunicação, a pessoa se esclareça a respeito do Espiritismo.
Fonte: - "Iniciação ao Conhecimento da Doutrina Espírita", livreto elaborado pelo CE "Caminho de Damasco" - Revue Spirite - dez/1868
- Livro dos Espíritos Allan Kardec



Leia mais

Tríplice Aspecto da Doutrina Espírita








DEFINIÇÕES
 (Segundo o "Aurélio")

Ciência: "conjunto organizado de conhecimentos relativos a um determinado objeto, especialmente os obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio. Soma de conhecimentos práticos que servem a um determinado fim".

Filosofia: "(do grego philosophía, "amor à sabedoria"). Estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua totalidade, quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as outras, (...), quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade, o pensamento, tornando-se o homem tema inevitável de consideração."

Religião: "Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do universo, e que, como tal, deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s).  Qualquer filiação a um sistema específico de pensamento ou crença que envolve uma posição filosófica, ética, metafísica, etc. Modo de pensar ou agir, princípios."

ESPIRITISMO: CIÊNCIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO

O Espiritismo, na sua feição de Consolador prometido pelo Cristo, apresenta três aspectos diferentes:  Ciência, Filosofia e Religião.

O Espiritismo é Ciência

O Espiritismo é ciência porque estuda, à luz da razão e de pesquisas específicas, os fenômenos mediúnicos, isto é, os fenômenos provocados pelos espíritos e que são fatos naturais. Não existe o sobrenatural; todos os fenômenos, mesmo os mais estranhos, têm explicação científica.  Sintetizando, Kardec afirma: o Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos espíritos, e de suas relações com o mundo corpóreo.

O Espiritismo é Filosofia

O Espiritismo é uma filosofia porque dá uma coerente  e exata interpretação da vida.  Toda filosofia gera uma ética.  Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso.

Como filosofia, o Espiritismo compreende todas as conseqüências morais que dimanam das relações que se estabelecem entre nós e os espíritos.

O Espiritismo é Religião

O Espiritismo é religião porque ele tem por fim a transformação moral do homem, retomando os ensinamentos de Jesus Cristo, para que sejam aplicados na vida diária de cada pessoa. Revive o Cristianismo na sua verdadeira expressão de amor e caridade.

Segundo Emmanuel, "a ciência, a filosofia e a religião constituem o triângulo sublime sobre o qual a doutrina do Espiritismo assenta as próprias bases, preparando a humanidade do presente para a vitória do AMOR."
O Espiritismo pode, então, ser simbolizado como um triângulo de forças espirituais, em que a ciência e a filosofia vinculam à Terra o triângulo, constituindo-se um campo nobre de investigações humanas, visando o aperfeiçoamento da humanidade.  A religião é o ângulo divino que liga ao céu, edificando e iluminando os sentimentos.

O ESPIRITISMO É FILOSOFIA

Toda doutrina que dá uma interpretação à vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia. Neste aspecto, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e destinação dos homens, bem como a existência de uma Suprema Inteligência, causa primeira de todas as coisas.

O Espiritismo é uma filosofia porque, a partir dos fenômenos espirituais e dos fatos, dá uma interpretação da vida, explicando o porquê das dores, dos sofrimentos e das desigualdades entre as criaturas, e elucida as questões fundamentais da existência.  Para todo efeito existe uma causa e esta causa pode estar nesta ou em vidas anteriores.

A Doutrina dos Espíritos nos fala que:

·   Deus é a Inteligência Suprema, causa primeira de todas as coisas.

·   Deus é o criador da matéria, que constitui os mundos, e dos espíritos, que são os seres que povoam o Universo, e que são perfectíveis por sua natureza.
·   o espírito, propriamente dito, é o princípio inteligente; sua natureza íntima nos é desconhecida; para nós ele é imaterial porque não tem nenhuma analogia com o que chamamos matéria.
·   os espíritos são seres individuais, têm um envoltório etéreo, imponderável, chamado perispírito, espécie de corpo fluídico, semelhante a forma humana, e povoam o espaço constituindo o mundo invisível.
·   os espíritos revestem-se temporariamente de um corpo material.
·   a encarnação é necessária ao desenvolvimento moral e intelectual do espírito e para a realização das Obras de Deus.
·   o aperfeiçoamento do espírito é o fruto de seu próprio trabalho, não podendo, em uma única existência corpórea, adquirir todas as qualidades morais e intelectuais que devem conduzi-lo ao objetivo, que é o progresso.
·   a vida espiritual é a vida normal do espírito: ela é eterna; a vida corpórea é transitória e passageira: é apenas um instante na eternidade.
·   em conseqüência de seu livre-arbítrio, uns tomam o caminho mais curto, que é o do bem, outros o mais longo, que é o do mal.
·   Deus não criou o mal; estabeleceu leis, e essas leis são sempre boas, porque ele é soberanamente bom; aquele que as observasse fielmente seria perfeitamente feliz, mas os espíritos, tendo seu livre-arbítrio, nem sempre as observam, e o mal veio de sua desobediência.
·   Deus, sendo soberanamente bom e justo, não condena suas criaturas a castigos perpétuos pelas faltas temporárias; oferece-lhes, em qualquer ocasião, meios de progredir e reparar o mal que elas praticaram.
·   os espíritos, encarnando-se, trazem com eles o que adquiriram em suas existências precedentes; é a razão pela qual os homens mostram instintivamente aptidões especiais, inclinações boas ou más, que lhes parecem inatas.
·   o esquecimento das existências anteriores é uma graça de Deus que, em sua bondade, quis poupar ao homem lembranças freqüentemente penosas.
·   em suas encarnações sucessivas, o espírito, sendo pouco a pouco despojado de suas impurezas e aperfeiçoado pelo trabalho, chega ao termo de suas existências corpóreas. Pertence, então, à ordem dos espíritos puros.

O ESPIRITISMO É CIÊNCIA

O Espiritismo pode ser definido como uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.

O Espiritismo é uma ciência de observação, e não o produto da imaginação. Os espíritos não vieram nos dizer que haviam pessoas que morriam e continuavam se sentindo vivas, mas provocaram a manifestação dos espíritos dessas pessoas, para que fossem observadas e analisadas.  Desta forma surgiu a teoria.
As ciências não fizeram progressos sérios senão depois que os seus estudos se basearam no método experimental. Acreditava-se que esse método só poderia ser aplicado à matéria, mas o é também às coisas metafísicas.
O Espiritismo procede da mesma maneira que as ciências positivas, isto é, aplica o método experimental.  Fatos novos que se apresentam, que não podem ser explicados pelas leias conhecidas, são observados, comparados, analisados e, partindo dos efeitos às causas, chega-se a lei que os rege; depois as conseqüências são deduzidas e busca-se as aplicações úteis.  Todos os princípios da Doutrina Espírita foram deduzidos por este método.  Nenhuma teoria foi preconcebida.
O Espiritismo demonstra experimentalmente a existência da alma e a imortalidade, principalmente através do intercâmbio mediúnico entre os encarnados e os desencarnados; entre o plano físico e o plano espiritual. O conhecimento de um não pode ser completo sem o conhecimento do outro, eles se complementam.
Se o Espiritismo tivesse aparecido antes das descobertas científicas teria sido abortado, como tudo que vem antes do tempo.  A ciência do mundo, se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem. (Gênese).

ESPIRITISMO É RELIGIÃO

O Espiritismo é  religião porque tem por finalidade a transformação moral do homem, retomando os ensinamento do Cristo, para que sejam aplicados na vida diária de cada pessoa.  Revive o Cristianismo na sua verdadeira expressão de
AMOR e CARIDADE, religando a criatura à sua origem divina.
Não promove culto material, não tem rituais nem cerimônias, não possui símbolos, velas, roupas ou aparatos especiais, não admite o culto de imagens, não possui sacerdotes ou ministros.
Não admite rotulações diversas, tais quais: "Espiritismo de Umbanda", "Espiritismo de Mesa Branca" ou "Espiritismo Kardecista". Trata-se apenas de "Espiritismo", que é baseado na Codificação Espírita.
Explica ao homem que ele é um espírito livre em evolução, responsável direto pelos seus atos, e, portanto, pelas suas conquistas ou fracassos.
A Fé espírita é a fé racionada e coloca a CARIDADE o AMOR como condições básicas para a evolução do espírito, independente do credo praticado. Por esta razão, não diz "Fora do Espiritismo não há salvação" e sim "Fora da caridade não há salvação".
A caridade é a maior das virtudes, porque proporciona ao homem colocar em prática o mandamento essencial: "Amar ao próximo como a si mesmo".
A caridade abrange três requisitos essenciais:
·   benevolência para com todos;
·   indulgência  para com as faltas do próximo;
·   perdão às ofensas alheias.

Fonte: O que é o Espiritismo; A Gênese; Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa

Leia mais

Novas Práticas na casa espírita - Perguntas dos Amigos



Sim, você é um espírito evoluído e fiel aos princípios do espiritismo. Isto, de certo, é louvável. Mas por diversas ocasiões em que exercia minha profissão, como jornalista e pesquisadora, 
pude observar que apenas preservar, em determinadas situações, pode destruir o objeto que tanto queremos defender. Para produzir conhecimento está implícito avançar no desconhecido, sair das considerações empíricas, portanto, do que já nos é conhecido. O espiritismo "para" em Allan Kardec?
(Pergunta vinda de uma anterior troca de e-mails sobre a validade e utilização da regressão de memória como serviço na casa espírita)

Olá _____________. Bom dia.

Obrigado pelo carinho mas não sou evoluido não... estou ainda em franca evolução e tenho muito "feijao com arroz" pra comer ainda... hehehe

É realmente pertinente a sua observação e seguramente, como o próprio Kardec afirma, o que ele deixou é apenas o início do desenvolver do espiritismo, que como ciência, filosofia e religião tem muito a crescer e desenvolver, acompanhando o caminhar da humanidade terrestre.

Desta forma´- no tocante ao espiritismo, e não me referindo a outras tendencias espiritualistas - cada dia mais informações, revelações e orientações estão sendo enviadas do plano espiritual para a Terra através dos espíritos e médiuns direcionados para esta tarefa.

Devemos, entretanto, perceber que estes espíritos declaradamente espíritas - entre eles Joanna de Angelis, Bezerra de Menezes, André Luiz, Emmanuel, Dr Inácio, etc -  tem nos orientado sobre conceitos morais, psicológicos, filosóficos e espirituais, sem fugir do conteúdo doutrinário do espiritismo; sem implementar novas técnicas.

Desta forma técnicas como corrente magnética, apometria, regressão e outras são práticas espiritualistas ou esotéricas que algumas vezes estão sendo adotadas por alguns centros sem que haja uma orientação espiritual ou avaliação; outras vezes por espíritos de outras orientações que não espiritas, tipo universalistas, hindus, ramatistas, novaeristas(ufólogistas), etc...

O espiritismo segue os ensinos de Jesus, as orientações de Kardec e tem um corpo de doutrina e procedimentos formado e orientado pela FEB; portanto percebo que o fato em questão não é "parar" no tempo e não avançar no conhecimento; mas direcionar o objeto de desenvolvimento dentro de uma metodologia de trabalhos e estudos. 

O conhecimento e a base de informações aumenta sempre; as orientações e esclarecimentos estão sempre se atualizando e renovando; as técnicas utilizadas tem atendido as necessidades materiais e espirituais; desta forma - em uma visão particular - percebo a inclusão de um novo objeto de estudo e prática como divisor de recursos na casa espírita.

Talvez por isto os espíritos eminentemente espíritas - assim como as casas por eles orientadas -  não direcionem os estudos e as práticas para "novidades" ou "modismos" mas permaneçam firmes com a base prática fundada na rocha da experiência, mas ampliando e implementando sempre e continuadamente o conhecimento intelecto-moral.


Abraços e paz contigo.



Leia mais

ALLAN KARDEC E OS DIFERENTES ESPÍRITAS




Quando um autor desenvolve uma tipologia de grupos de pessoas, não há dúvidas que ele deseja destacar as diferenças entre elas. No caso do movimento espírita, uma das primeiras tipologias que lemos está no capítulo Do Método em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

Proselitismo e incredulidade

Kardec está começa o capítulo discutindo o proselitismo, que considera natural, e propõe que se faça pela instrução. Aqui ele desenvolve uma opinião muito interessante, da qual geralmente não damos muita atenção: ele considera que tentar convencer materialistas, pessoas que não acreditam na existência do espírito, via de regra, é perda de tempo.

Ele analisa os que chamou de “materialistas por sistema”, definindo-os como quem considera o homem como “simples máquina, que funciona enquanto está montada, que se desarranja e de que, após a morte, só resta a carcaça”. Se aceitarmos variações sobre este tema, temos nos dias de hoje os que se intitulam céticos, e se consideram adeptos das ciências, negando sistematicamente qualquer avanço que se faça na pesquisa do espírito.

“Com tal gente nada há o que fazer: ninguém mesmo deve se deixar iludir pelo falso tom de sinceridade dos que dizem: fazei que eu veja e acreditarei. Outros são mais francos e dizem sem rebuço: ainda que eu visse, não acreditaria.”
Kardec conhecia o lado humano dos supostos investigadores: “A maioria deles se obstina por orgulho na opinião que professa”.

Tipos de espíritas

Se passarmos as páginas vemos que ele se voltou ao movimento espírita de sua época. E analisando os que se interessavam pela proposta espírita, estabeleceu alguns tipos ou classes.

Ele começa pelos que, desconhecendo a proposta espírita, não a tendo estudado, se identificam com os grandes princípios da doutrina. Ele os chama de espíritas sem o saberem. Hoje há um grande número de pessoas que simpatizam-se com alguns princípios nucleares da proposta espírita, como a existência de Deus, a imortalidade da alma, a mediunidade, a reencarnação, a ética racional e humanista, cristã em seus princípios. Eles não se identificam como espíritas, mas se sentem confortáveis quando em contato com nossa literatura e, eventualmente, em nossas reuniões.

Entre os que estudaram, ele identificou os que ficam apenas na esfera das manifestações espirituais. Kardec os chamou de espíritas experimentadores. Ele tirou o termo experimentador de “experiência”, o conhecimento oriundo geralmente da observação, dos órgãos dos sentidos. Mais do que meros curiosos, que ainda vemos chegar nos centros espíritas, eles são pessoas que estudam e dedicam-se ao espiritismo como um conhecimento de fenômenos espirituais, e não como uma abordagem de conhecimento do ser humano. Kardec não condena o estudo dos fenômenos espirituais, quando cria este tipo-ideal, ele critica que os espíritas se mantenham exclusivamente nesta esfera de investigação ou estudo.

O próximo tipo que ele propôs são os espíritas imperfeitos. Estes estenderam seus estudos à esfera da filosofia espírita e da ética espírita. Eles sabem que os fenômenos são um dos pilares de uma nova visão de mundo, que tem uma proposta para os homens. Sabem que o estudo da vida após a morte não é mero diletantismo, mas desvela uma nova forma de ver as pessoas, seus relacionamentos, a forma de lidar com seus sentimentos, e entende a necessidade de se ter uma ação e uma vivência interior coerente com esta nova realidade. No entanto, deixam para lá. Vivem suas vidas como se nada disso fosse real. Em linguagem cristã, são homens e mulheres do mundo, dos valores encontrados e aceitos na trama social em que se encontram. Não se acham convencidos realmente da necessidade de transformarem-se.  Hoje em dia eles se contam aos milhões, em meio aos que se auto-intitulam espíritas ou apenas simpatizantes.

O terceiro tipo que ele propôs, é muito interessante, se analisado à luz da história do cristianismo. Além do estudo dos fenômenos e da filosofia e ética espíritas, eles se acham convencidos da importância de se ter uma ação diferente no mundo. Esta ação é ao mesmo tempo, social e psicológica. Valorizam a caridade (que em outros momentos de sua obra Kardec distingue do assistencialismo, e categoriza em material e moral). Eles encaram a existência terrena como “prova passageira”. 

Kardec os chama de “verdadeiros espíritas” ou “espíritas cristãos”. É curioso que Kardec não faz qualquer paralelo com os santos, do movimento cristão. Ele considera os espíritas cristãos como pessoas com suas lutas interiores e exteriores, não como um grupo de pessoas de vida exemplar, capazes de enfrentar o martírio, que apresentam virtudes heroicas e que são capazes de produzir milagres.  Uma leitura do capítulo “Sede Perfeitos”, em O Evangelho segundo o Espiritismo, é bem esclarecedor.

Por fim, Allan Kardec fala dos espíritas exaltados. Eles são uma mistura de ingenuidade e entusiasmo, uma forma de fanatismo. Eles acolhem de forma acrítica o que dizem os médiuns, e apesar da boa-fé, são ingênuos. Eles também povoam o movimento espírita e fazem muitos estragos quando se tornam divulgadores do espiritismo, de alguma forma, porque projetam para as pessoas uma imagem muito diferenciada da proposta racional espírita.


Outros autores fizeram tipologias de espíritas em outros momentos históricos, como é o caso de Leopoldo Machado. Espero poder retornar ao tema no futuro, porque o texto já está bem extenso.

Leia mais

VOTE AQUI

Postagens Populares

Isto não é Espiritismo - Frases, Fotos e Luzes

Minha lista de blogs

POST POR ASSUNTOS

a (1) ABORTO (9) ADULTÉRIO (1) ALCOOLISMO (1) Allan Kardec (11) ALMA (2) ANENCEFALIA (5) ANIMAIS (4) ANIMISMO (5) ANJOS (2) ANOREXIA (1) ANSIEDADE (1) APARIÇÕES (4) Artigo (524) AS DORES DA ALMA (12) AS DORES DA ALMA;ORGULHO (1) ÁUDIO E VIDEO (2) BIOGRAFIA (12) BULLYING (2) CALUNIA (4) CÂNCER (1) CARÊNCIA (1) CARIDADE (14) CARNAVAL (4) CASAMENTO (6) CASOS (5) CATARINA DE SIENA (1) CENTRO ESPIRITA (3) CHACRA (1) CHICO XAVIER (243) CIRURGIAS ESPIRITUAIS (6) CIUMES (2) CLONAGEM (1) CONVIVER E MELHORAR (7) CREMAÇÃO (1) CRIANÇA INDIGOS (8) CRIANÇAS (8) CULPA (1) DEPRESSÃO (16) DIALOGO COM AS SOMBRAS (28) DIVALDO FRANCO (145) DIVORCIO (2) DOAÇÃO DE ORGÃOS (1) DOENÇAS (8) DORA INCONTRI (12) DOWNLOAD (5) DUENDES (1) EMMANUEL (67) ENTREVISTA (25) EQM (4) ESPIRITISMO (5) ESPIRITO (26) EUTANÁSIA (4) EVENTO (121) EXILADOS DE CAPELA (2) FAMILIA (26) FANATISMO (3) FÉ (2) FEIRA DO LIVRO ESPIRITA (11) FELICIDADE (5) FILHO ADOTIVO (6) FILHOS (22) FILME (36) FINADOS (4) FLUIDO (2) FOTOS (17) GUERRA (2) HOMOSSEXUALIDADE (20) HUMOR (4) INVEJA (2) Joana de Ângelis (100) JORGE HESSEN (24) JORGE HESSEN art (3) LIVRE ARBITRIO (4) LIVRO (56) LIVRO DOS ESPIRITOS (2) LUTO (2) MÃE (3) MÁGOA (5) MALEDICÊNCIA (2) MARILYN MONROE (1) MEDIUM (67) MEDIUNIDADE (83) MELANCOLIA (1) MELINDRE (4) MENSAGEM (375) MESA GIRANTE (2) MÔNICA DE CASTRO (8) MORTE (60) MOURA FÉ (62) MUSICA (6) NILZA AZEVEDO (10) NOTICIAS (236) OBSESSÂO (20) ORGULHO (3) PASCOA (2) PÁSCOA (3) PASSE (9) PEDOFILIA (2) PERDÃO (15) PERISPIRITO (6) PERSONAGEM DA BOA NOVA (6) PINTURA MEDIUNICA (4) POESIA (10) PRECONCEITO (22) PROVAS (13) PSICOGRAFIA (4) QUALIDADE NA PRATICA MEDIUNICA (10) RECOMEÇAR (2) REENCARNAÇÃO (37) REFLEXÃO (104) RELACIONAMENTO (35) RELIGIÃO (1) RENOVANDO ATITUDES (31) S (1) SEMESPI (17) SEXO (14) Síndrome de Down (1) Síndrome do Pânico (1) SOLIDÃO (2) SONAMBULISMO (4) SUICIDIO (11) TATUAGEM (1) TOLERANCIA (3) TÓXICOS (5) TRAGÉDIA (5) TRANSTORNO BIPOLAR (1) TRISTEZA (1) VAIDADE (2) VAMPIRISMO (5) VIAGEM ASTRAL / DESDOBRAMENTO (1) VIDEO (28) VINHA DE LUZ (3) VIOLENCIA (2) ZIBIA GASPARETTO (6)