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Conflitos Familiares





Um dos mais graves problemas humanos está na dificuldade de convivência no lar. Pessoas que enfrentam desajustes físicos e psíquicos tem, não raro, uma história de incompatibilidade familiar, marcada por freqüentes conflitos.
Há quem resolva de forma sumária: o marido que desaparece, a esposa que pede divórcio, o filho que opta por morar distante.
Alguns espíritas utilizam o conhecimento doutrinário para curiosas racionalizações:
- Minha mulher é o meu carma: neurótica, agressiva, desequilibrada. Que fiz de errado, meu Deus, para merecer esse "trem"?
- Só o Espiritismo para me fazer tolerar meu marido. Agüento hoje para me livrar depois. Se o deixar agora terei que voltar a seu lado em nova encarnação. Deus me livre! Resgatando meu débito não quero vê-lo nunca mais!

Espíritos que se prejudicaram uns aos outros e que, não raro, foram inimigos ferozes, reencontram-se no reduto doméstico.
Unidos não por afetividade, nem por afinidade, e sim por imperativos de reconciliação, no cumprimento das leis divinas, enfrentam inegáveis dificuldades para a harmonização, mesmo porque conservam, inconscientemente, a mágoa do passado. Daí as desavenças fáceis que conturbam a vida familiar. Naturalmente situações assim não interessam à nossa economia física e psíquica e acabam por nos desajustar.
Importante considerar, todavia, que esses desencontros são decorrentes muito mais de nosso comportamento no presente do que dos compromissos do pretérito. Não seria razoável Deus nos reunir no lar para nos agredir e magoarmos uns aos outros.
É incrível, mas somos ainda tão duros de coração, como dizia Jesus, que não conseguimos conviver pacificamente. Reunamos duas ou mais pessoas numa atividade qualquer e mais cedo ou mais tarde surgirão desentendimentos e desarmonia. Isso ocorre principalmente no lar, onde não há o verniz social e damos livre curso ao que somos, exercitando o mais conturbador de todos os sentimentos, que é a agressividade.
Neste particular, o estilete mais pontiagudo, de efeito devastador, é o palavrão. Pronunciado sempre com entonação negativa, de desprezo, deboche ou cólera, é qual raio fulminante. Se o familiar agredido responde no mesmo diapasão, o que geralmente acontece, "explode" o ambiente, favorecendo a infiltração de forças das sombras. A partir daí tudo pode acontecer: gritos, troca de insultos, graves ofensas e até agressões físicas, sucedidos, invariavelmente, por estados depressivos que desembocam, geralmente, em males físicos e psíquicos.
Se desejamos melhorar o ambiente doméstico, em favor da harmonização, o primeiro passo é inverter o processo de cobrança.
Normalmente os membros de uma casa esperam demais dos outros, reclamando atenção, respeito, compreensão, tolerância . . . A moral cristã ensina que devemos cobrar tudo isso sim, e muito mais, mas de nós mesmos, porquanto nossa harmonia íntima depende não do que recebemos, mas do que damos. E, melhorando-nos, fatalmente estimularemos os familiares a fazer o mesmo.
Todos aprendendo pelo exemplo, até o amor. Está demonstrado que crianças carentes de afeto tem muita dificuldade para amar. Será que estamos dando amor aos familiares?
Não é fácil fazê-lo porque somos Espíritos muito imperfeitos. Mas foi para nos ajudar que Jesus esteve entre nós, ensinando-nos como conviver harmoniosamente com o semelhante, exercitando valores de humildade e sacrifício, marcados indelevelmente pela manjedoura e pela cruz.

• exerça severa vigilância sobre o que fala. Geralmente as desavenças no lar tem origem no destempero verbal;

• diante de familiares difíceis, não diga: "É minha cruz!" O único peso que carregamos, capaz de esmagar a alegria e o bom-ânimo, é o de nossa milenar rebeldia ante os sábios planos de Deus;

• elogie as virtudes do familiar, ainda que incipientes, e jamais critique seus defeitos. Como plantinhas tenras, tanto uns como outros crescem na proporção em que os alimentamos;

• evite, no lar, hábitos e atitudes não compatíveis com as normas de civilidade vigentes na vida social sem respeito pelos companheiros de jornada evolutiva fica difícil sustentar a harmonia doméstica;


• cultive o diálogo. Diz André Luiz que quando os companheiros de um lar perdem o gosto pela conversa, a afetividade logo deixa a família.


Richard Simonetti



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SEJAMOS NÓS A MUDANÇA QUE NÓS QUEREMOS VER NO MUNDO




A atividade solar desenvolve-se em ciclos estudados e conhecidos pelos cientistas. Essa atividade atingiu um auge durante o período compreendido entre a década de 90 e o ano 2000. Sucessivamente ocorrem  ciclos telúricos no orbe , todavia  hoje o que está mais evidente é o enigma da instabilidade  climática, mormente em face do superaquecimento global . Considerando o calor insólito (1), sobretudo as secas surpreendentes, acreditamos estar na iminência de maiores catástrofes ecológicas, de consequências catastróficas, em face da rota de colisão entre o homem e a Natureza.
Desde o início da revolução industrial, em 1750, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram mais de 30%, e os níveis de metano cresceram mais de 140%. A concentração de CO2 na atmosfera é agora maior do que em qualquer momento nos últimos 800 mil anos.  Quais serão as consequências  disso? A escala do impacto pode levar à escassez de água potável, trazer mudanças grandes nas condições para a produção de alimentos e aumentar o número de mortes por decorrência de  ondas de calor e secas.
Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança ecológica extremamente sensível. Devemos ficar atentos para os alertas dos especialistas, pois já está demasiado claro que é apenas uma questão de tempo, para as consequências funestas das previsões começarem a afetar, brutalmente, as nossas vidas e, principalmente, as vidas de nossos filhos e netos. A Terra assemelha-se a um organismo vivo, com mecanismos para auto-regular suas funções. (2) Nestes últimos anos, os Estados Unidos passaram pela pior seca em mais de um século. Grandes extensões de terra da Rússia também não tiveram chuva suficiente. Até mesmo a temporada de monções na Índia foi seca. Na América do Sul, o índice pluviométrico tem permanecido abaixo da média histórica. (3)
As nações, frequentemente, lutam para ter ou manter o controle de matérias primas, suprimento de energia, terras, bacias fluviais, passagens marítimas e outros recursos ambientais básicos. "Esses conflitos tendem a aumentar à medida que os recursos escasseiam e aumenta a competição por eles".(4)  Precisamos nos adaptar ao meio como os demais entes vivos neste momento.
Sabe-se que a maior parte da água potável do planeta vai para a irrigação.(5) Por essa razão há pesquisadores trabalhando vários projetos de sustentabilidade a fim de  fazer render mais a água utilizada na agricultura. Um das propostas é a chamada  "chuva sólida", ou seja, um tipo de pó apropriado que espalhado no solo consegue absorver e reter água em abundância e liberar o líquido gradativamente , a fim de  que os vegetais possam resistir mais tempo a uma seca.
Lamentavelmente ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao tempo que ainda temos que conviver com muita indiferença ao meio ambiente. Por outro lado, e menos mal nos parece é que a  necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria”(6). Realmente a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral. Os recursos “renováveis” que se consomem e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente, levando-se em consideração a utilização da água potável. Certamente no futuro a sua posse (água potável) pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário.
Na década dos anos 70, o USDA- Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - desenvolveu um produto superabsorvente feito de uma espécie de goma(7) que mais tarde foi utilizada para hidratação de vegetais.   Sabemos que o meio ambiente em que renascemos, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre nosso psiquismo, “faz-se indispensável que a pessoa esclarecida coopere na transformação do meio ambiente para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência"(8).
"A Natureza é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos".(9) Nesse elevado  empenho, Sérgio Jesus Velasco, um engenheiro químico, da cidade do México, conhecendo a invenção da USDA , desenvolveu com sucesso e patenteou uma versão diferente da fórmula gelatinosa. Seu invento hoje  é  misturada com o solo de áreas secas e consegue armazenar  grande quantidade de água de irrigação, redistribuindo gradativamente o líquido para a plantação.
A vida no planeta depende da convivência pacífica entre o homem e a Natureza. E nós espíritas? O que fizemos, ou o que pretendemos fazer? O iluminado  Mahatma Gandhi– que afirmou certa vez que toda bela mensagem do Cristianismo poderia ser resumida no sermão da montanha – nos serve de exemplo, quando diz: “sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo”.(10)

Jorge Hessen

Referências:
(1)           Na Austrália o calor muito acima da média fez com que o serviço de meteorologia deste país adicionasse novas cores na escala de temperatura para indicar quando os termômetros ficam acima de 50°C, foram adicionadas as cores roxo escuro e magenta para representar as temperaturas entre 51°C e 54°C.
(2)           Teoria que afirma ser o planeta Terra um ser vivo. Apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, a Teoria de Gaia, também conhecida como -Hipótese Gaia, diz ser a biosfera terráquea capaz de gerar, manter e regular suas próprias condições de meio-ambiente.
(3)           Disponível no site  http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121016_alimentos_c...
(4)           Trecho é encontrado na página 325 do relatório BRUNDTLAND, de 1988, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no livro "Nosso Futuro Comum"
(5)           Conforme Relatório da  ONU – Organização das Nações Unidas  -
(6)           Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733.
(7)           À época, a invenção foi usada principalmente na fabricação de fraldas.
(8)           Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 121
(9)           Idem , questões 27, 28

(10)        Trigueiro, André. Espiritismo e Ecologia, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2011

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SE RESPEITE!





Se você está inserida/o no rol daquelas pessoas que se humilham constantemente para obter um gesto de carinho, quando a pessoa amada nos quer pela metade, com limitações e dúvidas, se negando a possibilidade de viver um amor livre e saudável, preste atenção nessas reflexões! A partir de agora, se respeite, deixe de ser parcial, de querer sempre justificar o desamor, embelezando o feio para curar o mal, escondendo a poeira embaixo do tapete. Saiba que o amor nunca é ignorante, pois se o outro não sabe se ama, na verdade não ama. É como se o outro estivesse fazendo um favor, entende, logo, não tampe o sol com a peneira, procure ver os defeitos do outro, não minta para você, sempre afirmando que sua relação é sadia, portanto, nada de evasivas. Há coisas no amor que são graves, insuportáveis e inegociáveis. Assim você estará em condições de poder tomar a decisão acertada, tendo iniciado a gestação da revolução afetiva, funcional, saudável e feliz, a qual lhe proporcionará saúde mental e física, gerando soluções para a independência afetiva. Mas, se você insiste, afirmando que a relação já tem muitos anos, pense um pouco no que diz o russo Tchekhov, um dos maiores contistas de todos os tempos: “(...) a durabilidade da união entre dois seres não necessariamente indica amor ou felicidade, pois pode estar fundamentada em qualquer outro sentimento, como interesse, medo, pesar e, inclusive, ódio.” O amor nunca poderá se expressar como num jogo de indiretas e enigmas, onde ficamos reféns para saber quando, onde e como vão nos amar. Numa relação saudável, não há muito que traduzir, pois se fala a mesma língua, mas, mesmo assim, se você está convicta de partir para a reconquista do outro, ainda que esteja chovendo no molhado, lembre-se que para a reconquista acontecer deve existir alguém disposto a ser reconquistado, então, nada de assédio e perseguição obsessiva! Concluindo, pois o assunto é vasto, cuidado com sua mente dependente, com os subterfúgios e enganos que ela utiliza para salvar um amor perdido, pois ela é cega por natureza, nessas horas não queira usar anestesia, visto que as grandes revoluções sempre exigem a atenção desperta. Mais uma coisinha, que o autorespeito sempre seja seu guia, pois sempre será uma luz na escuridão. Que possamos refletir nas palavras do poeta mexicano Jaime Sabines:”Espero me curar de ti em alguns dias. Devo deixar de te fumar, de te beber, de te pensar. É possível. Seguindo as prescrições da moral em voga. Receito a mim mesmo, tempo, abstinência e solidão.” 

Pensemos nisso! 

Por César Rocha

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Por que ferimos a nós mesmos?



A madrugada é bela, pois, o silêncio se derrama sobre a cidade, campos e montanhas. O silêncio atua como um linimento colocado sobre nossos inúmeros ferimentos internos. E ainda são tantas as feridas, meu Irmão...

E são tantas as cicatrizes que restaram daquilo que já conseguimos  suturar.  Pensamos por vezes que atingimos certo grau de entendimento e que na busca da sabedoria já galgamos o primeiro degrau da imensa escadaria que nos leva à Espiritualidade de Luz. Ilusões... Somos nós que construímos nossas próprias barreiras que não nos deixam galgar os degraus que nos levam à iluminação.

Dentre os inúmeros entraves que nos impedem subir mais rápido a escadaria da luz, encontramos as conclusões precipitadas que nossa mente produz. Tiramos conclusões apressadas e cremos firmemente que elas são verdadeiras. E com base nesse convencimento tomamos atitudes que interferem em nossas vidas de modo geral. No campo profissional podem ser prejudiciais, no lar podem ser desastrosas, e podem inclusive, tais conclusões nos afastar de pessoas que nos são especialmente queridas. Um exemplo corriqueiro nos dá idéia do veneno que aplicamos em nós mesmos, senão vejamos: certo dia cruzamos com determinada pessoa de nosso conhecimento que não nos cumprimenta e nem mesmo nos dirige o olhar. Imediatamente, concluímos que aquele ser está aborrecido ou com raiva de nós ou ainda que tenha se tornado orgulhoso e não enxerga mais os amigos. A partir dessa conclusão, nossa mente pode ainda produzir muitas outras, pois, ela é uma usina mental, alimentada pelas turbinas do medo de rejeição, do complexo de inferioridade e da carência afetiva. E assim, por causa do “veneno” que produzimos para nós mesmos um relacionamento ou uma bela amizade pode chegar ao fim.

Diante da conclusão fantasiosa, e da veracidade que nossa mente lhe empresta, não damos chance alguma de defesa ao nosso suposto ofensor. Nossa mágoa silenciosa causada pelo sentimento de rejeição impede que o raciocínio negocie qualquer outra possibilidade para o acontecido, tal como, que aquele amigo esteja momentaneamente vivenciando problemas, ou que não tenha nos percebido passar naquela ocasião.

Quantas conclusões e peças nossa mente nos rende... Na própria família, a falta de diálogo pode levar a mente a fantasiar situações que na realidade não existem, como por exemplo, o filho que se atrasa para o jantar. A mãe superprotetora conclui que algo terrível possa ter acontecido ao filho, o qual na realidade ficou retido por um fato banal. A mente fantasiosa produtora de conclusões precipitadas também pode romancear situações segundo suas próprias expectativas, alimentando-se, portanto, de ilusões que podem alterar toda a normalidade da existência do indivíduo.

Tirar conclusões de situações vivenciadas e levá-las para o lado pessoal é procurar ferir a si. POR QUE FERIMOS A NÓS MESMOS? A resposta é curta: PORQUE NÃO NOS AMAMOS O SUFICIENTE. Pessoas bem resolvidas e seguras de si não costumam tirar conclusões das atitudes de outras pessoas levando-as para o terreno pessoal.

Em assim sendo, meu Irmão, conclusões precipitadas precisam merecer nossa vigilância constante, eis que são como um inimigo que criamos em nosso interior. Elas impedem nosso aperfeiçoamento espiritual que busca a verdade pura e simplesmente. Desse modo, tão logo a conclusão é formada precisamos colocá-la sob o microscópio do nosso bom senso. Que tal uma comunicação com o amigo que nos ignorou na rua? Uma simples pergunta poderá nos dar a resposta que necessitamos para esclarecer a situação.

É hora de crescer, deixando de tirar conclusões e levar os acontecimentos para o lado pessoal. É hora de abandonar os sonhos criados por nossa imaginação.  É hora de vencer o hábito de imaginar e concluir sobre situações criadas por nossa mente. Tudo que se encontra arraigado em nosso ser é difícil de combater. Desafios desse porte necessitam de vigilância diária e da força de vontade que caracteriza os vencedores de si mesmos. Em assim agindo estaremos serenos, tranquilos, e com nossa cota de amor-próprio diário que nos impulsiona a subir um a um os degraus da escadaria de luz. 

Com amor,
Irmão Savas

(Mentor do Núcleo Espírita Nosso Lar


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Desapegue-se e Recomece



Somos tarefeiro de um longo caminhar,  onde através de idas e vindas vamos  nos capacitando para viver  em sintonia,  na comunhão  do amor ao próximo que muita vezes é o responsável pela nossa melhor estadia de aprendizado no planeta. Oras evoluímos e aprendemos através do amor, oras através da dor. E nesses processos de convivência somos compelido a experimentar experiências que nem sempre são muito prazerosas, mas que nos remete a reflexionar sobre toda nossa existencia ou pelo menos parte dela. Muitas vezes nos lamentamos por conquistas não realizadas, e nunca em agradecimentos pelas já recebidas e que  muita vezes passam desapercebidas aos nossos olhos egoístas que permanecem atrelados aos caprichos da nossa vaidade. 
Muitas vezes por estarmos magoado, ferido,  sentindo-se vitima e injustiçado,  permanecemos muito tempo fomentando a mágoa e o  rancor. Passamos ainda a cultivar o azedume em nosso coração, acreditando na nossa insólita ignorância que somos vitimas das adversidades da vida. NADA É POR ACASO.
 Somos colaboradores dos resultados que chegam a nossa porta e mudam subitamente a nossa rotina . Muitas vezes nos encontramos acomodado em  uma ociosidade,  que nos impede de ver a verdadeira realidade e por nos ser conveniente vivemos numa  omissão de sentimentos e atitudes. Por isso desapegue-se, desamarre-se, mude de conduta, finalize um ciclo para recomeçar uma nova etapa e trilhar novos caminhos. Nada de mágoas e ressentimentos, pois esses são os freios que impedem uma felicidade plena, busquemos apenas  aprender e também reconhecer nossas falhas, ou como costumo dizer lapidar a "PERFEIÇÃO DOS MEUS DEFEITOS" que são muitos. Ficar acorrentado a velhos hábitos e lembranças que nos instiga a nostalgia ou aumenta a nossa desarmonia, não nos levará a  lugar algum. Diante de sentimentos negativos, ORAI E VIGIAI, diante de atitudes reprováveis ORAI E VIGIAI, diante pessoas que nos magoaram VIGIAI E ORAI ORAI ORAI para que não venhamos a nos tornar semelhante aquele que agora reprovamos.
Viver é fácil, desencarnar é fácil . Difícil é conviver porquê exige mudanças de comportamento, e a verdadeira mudança de atitude não começa no outro, mas em nós mesmo.


MOURA FÉ (22/12/2013)
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Fidelidade




A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, fazer uma refeição mais ou menos, ter um transporte mais ou menos.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum, é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos. Senão corremos o risco de nos tornar uma pessoa mais ou menos. 
A tônica da mensagem é interessante porque nos chama atenção para uma realidade muito comum em nossos dias. A realidade da omissão.
No Novo Testamento encontramos esta advertência: Oxalá fosses frio ou quente. Mas porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.
Em outro momento Jesus adverte: Seja o seu falar sim, sim, não, não.
O convite à firmeza, à fidelidade, à definição é claro, pois é dessa forma que evidenciaremos o nosso caráter.
Encontramos na História do Cristianismo um exemplo clássico de omissão, que foi Pilatos.
Ele sabia que Jesus era inocente. Isso fica claro quando apresenta Jesus ao povo e diz: Eu o estou trazendo para fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele nenhum crime.
No entanto, quando percebeu que seu cargo, seu prestígio diante de César e sua posição estavam em risco, entregou Jesus para ser crucificado.
Pilatos não foi fiel nem à sua própria verdade.
Encontramos também um exemplo de firmeza e fidelidade no grande Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso.
Ele defendeu a mensagem do Cristo mesmo sob pedradas, injúrias e a pecha de louco.
Perdeu o cargo no Sinédrio, perdeu os amigos, perdeu a herança e o respeito de seu pai, mas jamais se mostrou morno ou se colocou na cômoda posição de ficar em cima do muro.
A proposta desta mensagem é justamente a de que podemos aceitar o mais ou menos nas coisas, mas de forma alguma em nossa maneira de sentir ou de nos posicionar diante da vida.
Nossas verdades devem ser defendidas com coragem e fidelidade. Nossa posição deve ser bem definida, embora ficar em cima do muro ou lavar as mãos, seja mais confortável.
Em vários momentos do nosso dia estamos sendo convocados a assumir uma posição. Seja numa reunião de trabalho, numa assembleia do condomínio ou numa simples reunião familiar.
Infelizmente, é nesses momentos que muitos preferem se omitir para ficar bem com todos, em vez de expor seu ponto de vista com firmeza e ajudar na solução dos problemas.
Esse ato de covardia é repugnante e é por esse motivo que encontramos a expressão evangélica: Mas porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.
Por essa razão, vale a pena ser fiel em todos os momentos da nossa vida, sem omissão, nem negação da verdade. 
*   *   *
Ser fiel no pouco nos fortalece para ser fiel nas grandes decisões.
Assim, a fidelidade é uma virtude que deve ser cultivada em todos os momentos e em todas as situações, com firmeza e determinação.
Pense nisso!

Redação do Momento Espírita, com base em mensagem 
de autoria ignorada e no livro bíblico
 Apocalipse, cap. 3: 14 e 
15.
Disponível no cd Momento Espírita, Coletânea v. 8/9 e 
no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep.
Em 09.03.2012.

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As duas dores do amor





Existem duas dores de amor. A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão envolvidos que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel. Você deve achar que eu bebi. Se a luz está sendo vista, adeus dor, não seria assim? Mais ou menos. Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de se tornar desimportante para o ser amado. Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também.
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar. É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita.
É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo. Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.
E só então a gente poderá amar, de novo!!!




Por Martha Medeiros


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Tesouro nem sempre valorizado






A maior felicidade que podemos desfrutar no cotidiano diário é a convivência com pessoas afins, com pessoas amigas de verdade. A juventude passa num instante, o dinheiro troca de mão e a saúde é sujeita às fragilidades próprias de nosso tempo.

O que fica realmente são os sentimentos. E eles são sólidos quando construídos pela afeição verdadeira, sem interesses e onde prevalecem o respeito e a consideração real.
Pessoas afins são pessoas que amam e são amadas mutuamente. Por isso sente-se o prazer da convivência recíproca. Daí a razão de se buscarem, de se alimentarem emocionalmente porque significam autenticidade nos sentimentos.

Segundo o dicionário, amigo é pessoa que quer bem a outra, defensor, protetor. Já a palavra amizade é definida como o sentimento de amigo, afeto que liga as pessoas, reciprocidade do afeto, benevolência, amor.

Já se disse que quem tem um amigo, tem um tesouro. E pesquisas recentes indicam que ter amigos aumenta o tempo de vida e protege a saúde contra doenças, especialmente aquelas que afetam o coração. É que a convivência com amigos autênticos proporciona o incomparável prazer de estar com pessoas com quem não precisamos nos preocupar em como vamos nos portar, o que vamos dizer... Estar com amigos livra-nos do ambiente constrangedor de muitas vezes “pisar em ovos”. Com eles, somos nós mesmos, naturalmente.

Os amigos nos entendem, nos compreendem, nos aceitam. Como somos. E estes sentimentos são recíprocos. É aquela cumplicidade natural da reciprocidade do afeto. Mesmo que tenhamos de chamar a atenção ou sermos advertidos, em virtude de qualquer equívoco, isto será feito com jeito, sabendo abordar o assunto, sem magoar, sem constranger. É que entre amigos há um ingrediente fundamental para a boa convivência: o respeito mútuo.

Basta pensar que as causas dos atritos, desentendimentos e intrigas estão nas tentativas de imposição das ideias ou no desrespeito à liberdade de cada um. A amizade leal é a mais formosa modalidade de amor fraterno, segundo Emmanuel, consagrado autor. Por isso pensemos nos amigos! E reflitamos nos benefícios que este magno sentimento é capaz de espalhar onde se apresente. Antes, pois, de qualquer iniciativa, sejamos amigos uns dos outros, e sentiremos a vontade da convivência saudável de quem se quer bem...

Não podemos, todavia, esquecer o Amigo Incondicional da Humanidade: Jesus! Sempre presente na vida humana, poderia ter enviado um representante para a Terra, a fim de apresentar o Evangelho. Mas fez questão de estar pessoalmente entre nós, pelo amor fraternal e autêntica amizade que dedica a seus irmão ainda em processo evolutivo, lento e difícil.

A amizade é mesmo um sentimento notável, virtude a ser cultivada, tesouro e fonte de imensas alegrias que precisamos valorizar e cultivar.


Meu abraço, pois, meu amigo, minha amiga!

Orson Peter Carrara


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REFLEXÕES SOBRE A VIDA A DOIS








A vida a dois merece muitas reflexões, nas horas de nosso precioso tempo olhando o azul do céu e filosofando na vida. Na verdade, merecia um curso. Fazemos cursos de tantas coisas, mas não realizamos cursos para refletir e analisar a importância e as questões envolvidas em se viver com outra pessoa e dali constituir uma família. Sobre esse tema nos debruçaremos nesse texto em algumas reflexões, de forma encadeada. 

A primeira questão é a pessoa com quem dividiremos a nossa caminhada. Deve ser mais igual ou mais diferente do que nós? O diferente complementa e o igual une...  


Outro ponto interessante é o respeito à individualidade. Termos nosso espaço é necessário! Não podemos nos sentir sufocados... Mas essa visão de respeito à individualidade por vezes se confunde com culto ao individualismo. Loteamos horários e espaços, achamos que respeitar o outro é ter o dia do futebol e o dia do chá com as amigas. É mais do que isso! É entender os projetos do outro, as visões, e fazer com que o espaço coletivo tenha espaço para cada um, inclusive os filhos.
 


Remete-nos essa questão que a vida a dois nos faz protagonistas, deixamos de ser adolescentes e somos agora adultos responsáveis – respondemos pela nossa vida. Precisamos romper os liames com os nossos pais, seguir adiante, mantendo a boa relação sem dependência. Está aí mais um segredo da vida a dois! Ter uma vida a dois é ter o desejo de construir uma relação. É mais do que consumir em outro nível. É dar de si, abrir mão em torno de um novo instituto que receberá em breve novos Espíritos, dando prosseguimento ao ciclo da vida.
 

E às vezes é do ciclo da vida as relações terminarem. Esse processo nos demanda civilidade, respeito e, acima de tudo, uma postura cristã. Se separar é uma arte quase tão sublime quanto se unir. O respeito, o cuidado com as crianças, o atendimento aos compromissos materiais assumidos e o clima de paz devem ser situações observadas, onde a religião nos auxilia nesse processo. 

Por fim, na nossa reflexão de ideias encadeadas, podemos asseverar que uma vida a dois saudável não prescinde de uma religião. A religião é que nos permite trabalhar a espiritualidade, nos relacionar com outros planos da vida sem esquecer a vida no Planeta Terra. A religião nos brinda com a profundidade dos valores e os alicerces da fé nos sustentam nos momentos difíceis, naturais da vida a dois.

Refletir sobre a vida a dois, o que ela significa, é caminho de amadurecimento. Mais do que festas, cerimônias, imóveis e móveis, a decisão de trilhar caminhos conjuntos traz consequências para a nossa encarnação atual e para as futuras. Consequências felizes, mas por vezes desastrosas.




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Unindo corações com responsabilidade


Aproxima-se o Dia dos namorados! As vitrines se enfeitam com corações entrelaçados  e criam atmosferas românticas. O chamamento da mídia é forte e não há quem não se lembre de um grande amor ou não sonhe com ele. Entretanto nunca as relações foram tão frágeis e os casamentos desfeitos tão rapidamente.
Vivemos numa época onde tudo é descartável. Até o amor! Os jovens procuram o amor, mas um amor descartável no fim da balada, às vezes no meio, ou então são pseudo-amores feitos de rápidos instantes, com trocas de beijos, afagos e sexo,  em recantos fortuitos da noite. O ficar substituiu o namorar, o juntar o casar.
É tanta liberdade que mal se tem tempo para escutar o coração. Confunde-se desejo com amor. Transar e amar se embolam numa trama tão intrínseca que os casais já não sabem se transam por amar, ou amam por transar. E em meio a esse turbilhão insensato de emoções os que desejam encontrar um amor verdadeiro, acabam machucados e, não raras vezes desencantados, desiludidos, incrédulos, debilitados com lesões afetivas.
Encontramos no livro dos espíritos “Há duas espécies de afeição: a do corpo e a da alma, e freqüentemente se toma uma pela outra. A afeição da alma, quando pura e simpática, é duradoura; a do corpo é perecível; eis porque os que se julgam amar com um amor eterno acabam se odiando, quando passa a ilusão”.(1)
Hoje não há respeito pelos sentimentos do outro e quando esse outro entregou o coração acaba sofrendo sozinho, desiludido e amargo. Mas, quem pensa que as consequências são apenas para o abandonado está cometendo um grande engano, pois aquele que causa dor no outro, mais cedo ou mais tarde, acabará encontrando o retorno.
Emmanuel diz: “Todos nós, os espíritos vinculados à evolução da Terra, estamos altamente compromissados em matéria de amor e sexo, e, em matéria de amor e sexo irresponsáveis, não podemos estranhar os estudos responsáveis nesse sentido, porque, um dia, todos seremos chamados a examinar semelhantes realidades, especialmente as que se relacionem conosco, que podem efetivamente ser muito amargas, mas que devem ser ditas”. (2).
Estamos sempre acompanhados de espíritos desencarnados e eles influenciam nossos pensamentos, muito mais do que imaginamos. Quando o ambiente é mal frequentado, permeado de drogas e leviandades, são espíritos de tal índoles que lá estão influenciando pensamentos e ações. Não raras vezes acompanham o jovem e daí vem as inspirações nefastas levando a perturbações de toda ordem. Allan Kardec questionou o assunto e a reposta foi: “A esse respeito sua influência é maior do que credes, porque, frequentemente, são eles que vos dirigem”.(3)
Quando o pensamento é bom atrai espíritos elevados que trazem boas inspirações, porém se o pensamento for negativo, atrairá espíritos que inspirarão apenas paixões volúveis, passageiras e sombrias. “Os espíritos elevados, ao perderem o seu invólucro, deixam as más paixões e só guardam a do bem; mas os Espíritos inferiores as conservam, pois de outra maneira pertenceriam à primeira ordem.(4)
Então nesta época, quando o ar está falando de amor, quem deseja encontrar a realização sentimental precisa repensar seus pensamentos, seus sentimentos em relação ao próximo e analisar os locais que frequenta e que julga encontrar a felicidade.  Depois de uma honesta autoanálise dispensar o que não acrescenta responsabilidade à sua vida e mudar o rumo.
O verdadeiro príncipe encantado pode estar na próxima esquina e não vir montado num cavalo branco, mas sim apear do ônibus lotado ou caminhar a pé da volta do trabalho. Ele pode te encontrar de cara lavada, cabelo cacheado e salto baixo,  pois o verdadeiro amor vai além das das aparências, é espiritual! Quando você mudar atrairá aqueles do plano espiritual que se ocupam de unir corações com responsabilidade!
IVANIR PINEDA SANCHESEscritora
  1. Kardec, Allan, P.  939. capIV, Uniões antipáticas,  O Livros dos Espíritos
  2. Psicografia de F.C.XAVIER, do livro MOMENTOS DE OURO, Geem)
  3. Kardec, Allan , pergunta 459 do Livro dos Espíritos
  4. Kardec, Allan , pergunta 228, Espíritos errantes, Livro dos Espíritos

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A Cilada da Almas Gêmeas


A Doutrina Espírita é clara no que diz respeito às almas gêmeas. Não existem metades que precisam se completar para desfrutar a eterna felicidade. Cada um de nós é uma individualidade que estabelece laços e afinidades com outras individualidades, através dos tempos e das vivencias sucessivas. Se substituirmos o termo “gêmeo” por “afim”, vamos perceber que são muitas as almas afins que encontramos e reencontramos por esse mundão de meu Deus, e que todas elas, cada uma seu modo, têm seu espaço e importância em nossa caminhada. Podemos dizer então que são várias as nossas “almas gêmeas”. Amigos, filhos, irmãos, pais, mães, maridos e esposas, entre outros, formam a imensa fileira das relações de afinidade construídas vidas afora.

Porém, apesar da clareza dos ensinamentos espíritas, ainda vemos muita gente boa, dentro do nosso movimento, cair nessa armadilha emocional, que está mais pra conto do vigário que pra conto de fadas, e pode gerar graves conseqüências, não só na vida pessoal, como também no núcleo espírita em que trabalham.
Temos presenciado histórias preocupantes. Aqui, são aqueles dois médiuns, ambos casados com outros parceiros, que se descobrem “almas gêmeas”; E aí, tentam se enganar que estão “renunciando”… Mantém-se em seus casamentos, mas tornam-se “irmãos siameses” na Casa Espírita. Sentam-se lado a lado nas reuniões, são vistos juntos em todos os lugares, dão sempre um jeitinho de fazer parte da mesma equipe (isso quando não arranjam uma missão que “a espiritualidade designou somente aos dois”) e se isolam pelos cantos em conversas particulares sem fim. Só tem olhos um para o outro e, em tal enlevo, não se dão conta que à sua volta todos sentem o que está acontecendo, sobretudo seus maridos e esposas, humilhados publicamente no melhor estilo adultério por pensamento e intenção, embora sob a máscara do amor fraternal. Sim, porque o fato de não partirem para o ato sexual não os exime do abandono afetivo e da traição emocional em relação aos cônjuges.
Acolá, é aquela irmã solitária e carente, que se depara com o eloqüente e carismático orador. Que palestra!… Que palestrante!… Que homem! Ele só tem um defeito: É casado!… E logo com aquela senhorinha já envelhecida e meio sem graça… Que desperdício!… E eis que de repente ele também a vê na platéia… Bonitona, elegante, jovial e olhando-o com aquele olhar de admiração apaixonada que há muito ele não percebe na companheira… Afinal, o casamento – como todos após lá seus trinta anos – já entrou na rotina. Oh céus! Ali mesmo cupido dispara a flexa e zás!… Começam as justificativas íntimas: “Como não tinham se descoberto antes?!… Por certo eram almas gêmeas que há muito se procuravam… O casamento foi um equívoco; o reencontro uma programação para que pudessem trabalhar juntos para Jesus.” Resolvem então assumir o romance. A mulher dele, abandonada após anos de companheirismo e convivência, entra em profunda depressão, os filhos se revoltam, a família se desestrutura, os companheiros se retraem, decepcionados e temerosos… “Ora, quem tem suas mulheres e maridos que se cuide, pois se aconteceu com o fulano, que era um exemplo, ninguém está livre”…
Instala-se então o tititi e a desconfiança. Daí para o escândalo é apenas um passo, e para o afastamento constrangido dos próprios envolvidos, sua família e outros tantos trabalhadores desencantados com a situação, é um pulo. Sofrimento, deserção e descredibilidade. Tudo pelo direito ao “felizes para sempre”junto à sua “metade da laranja”… Mas, onde é que está escrito, no Evangelho, que é possível construir felicidade sobre os escombros da felicidade alheia ou edificar relacionamentos duradouros em alicerces de leviandade e egoísmo?
Temos visto estrondosos equívocos desse tipo mexer seriamente com estruturas de famílias e Casas Espíritas, fazendo ruir Instituições e relações que pareciam extremamente sólidas. Temos visto companheiros valorosos das nossas fileiras, que caminhando distraídos de que “muito se pedirá àquele que muito tiver recebido”, de repente resolvem jogar pro alto o patrimônio espiritual de uma vida inteira, em nome do “amor”. E assim, cônjuges dedicados e dignos são descartados como se não tivessem alma nem sentimentos, em detrimento de aventuras justificadas por argumentos inconsistentes, sem nenhum respaldo ético/moral ou espiritual. Isto quando ainda há um mínimo de honestidade e se pede a separação, porque alguns preferem continuar comodamente em seus relacionamentos “provacionais”, porém mantendo, na clandestinidade, um “afair” paralelo com a tal “metade eterna”, sob a desculpa esfarrapada de que a família deve ser poupada, pois “família é sagrado!!!”
Logo se faz sentir o efeito dominó. Lá adiante, após vários corações feridos e muitas quedas morais, a convivência faz a alma gêmea virar “alma algemada”. As desilusões chegam, inevitáveis, com todo o peso resultante das atitudes ditadas pelas paixões, mas na maioria das vezes, já é tarde pra retomar, ainda nesta existência, o percurso abandonado.
Continuação…
Reflitamos. Ninguém chega atrasado na vida de ninguém. Se chegou depois é porque não era pra ser. E se não era pra ser há um bom motivo para isso, visto que as Leis Divinas são indiscutivelmente sábias, justas e providenciais. Não tem pra onde fugir: Quando o teste nos procura, ou somos aprovados ou forçosamente teremos que repetir a lição futuramente, e em condições bem mais adversas…
Podemos reencontrar, no grupo de trabalho espírita, grandes amores e paixões do passado que nos reacendem sentimentos e sensações maravilhosas? Sim. Podemos olhar para companheiros de ideal espírita com outros olhos que não sejam os do amor fraternal? Sim. Nada mais natural. Mas sabemos, pelo Apóstolo Paulo, que poder nem sempre significa dever… Portanto, o bom-senso nos diz que investir ou não afetivamente nessas pessoas, vai depender de que ambos estejam livres para fazê-lo.
Alguém haverá de argumentar que casamento não é prisão e que aliança não é corrente; que ninguém está preso a ninguém “até que a morte os separe” e que o próprio Cristo admitiu a dissolução do casamento. Porém, o espírita não desconhece que, na maioria dos casos, muito além dos compromissos cartoriais existem profundos compromissos e dívidas emocionais entre aqueles que se escolheram como marido e mulher nesta vida. Compromissos muito sérios para serem dissolvidos porque o corpo requer sensações novas, porque a mulher envelheceu, perdeu o brilho ou porque o marido ficou rabugento… Como se o outro estivesse só quebrando um galho enquanto a “outra metade” não chegava…
Todos almejamos felicidade, e no estágio evolutivo em que nos encontramos, isso ainda tem muito a ver com realização afetiva. Por isso mesmo, não devemos ignorar que só a quitação de antigos débitos emocionais é que nos facultarão essa conquista. Precisamos interiorizar, de uma vez por todas, que os casamentos por afinidade ainda são raros neste momento planetário, e que se ainda não conseguimos amar o parceiro que nos coloca em cheque ou aquele que não corresponde aos nossos anseios, o conhecimento das leis morais exige que ao menos nos conduzamos com um mínimo de retidão e tolerância diante deles. Tal consciência nos exige também, caso nos sintamos atraídos por companheiros já comprometidos, que nos recusemos terminantemente, sob qualquer pretexto, a desempenhar o deprimente e desrespeitoso papel da terceira pessoa numa relação, pois não há conversa fiada de alma gêmea que dê jeito no rombo emocional aberto pela desonestidade afetiva, nem justificativa de carência e solidão que nos permita desviar da rota do dever sem que tenhamos, forçosamente, que colher amargos frutos, porque “se o plantio é livre, a colheita é obrigatória”.
Não se colhe rosas plantando espinhos. Sejamos responsáveis diante daqueles que escolhemos e que nos escolheram para compartilhar a vida. Acautelemo-nos contra as ilusões. Se os nossos anseios são irrealizáveis por agora, respeitemos as limitações impostas pelo momento que passa; Por mais possa doer olhar de longe um dos muitos seres amados, que cruza o nosso caminho nesta vida, mas que já optou por outra pessoa, só a dignidade de nos manter à distância é que vai possibilitar, pelas justas leis da vida, que conquistemos por mérito, lá na frente, em outras circunstancias, a alegria do reencontro e a partilha do afeto junto àquele que nos é tão caro, porque estaremos redimidos dos ônus afetivos do ontem através das atitudes renovadas do hoje.
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mateus 6.33)
Saibamos buscar… Saibamos esperar… Trabalhemos por merecer… Afinal, temos pela frente a eternidade!

* Joana Abranches – Assistente Social e Presidente da Sociedade Espírita Amor Fraterno – Vitória/ES

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