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Conciliações





“Pois nós somos os cooperadores de Deus.” – Paulo (I Coríntios, 3:9.)

O  ano se inicia com contrastes entre conturbações e notícias alvissareiras que representam esforços para a paz e momentos de conciliação. Há informações sobre o reatamento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos da América e Cuba, proposta da rainha do Reino Unido para reconciliação com a Escócia e lembrança do centenário do momento de confraternização num jogo de futebol que uniu espontaneamente soldados britânicos e alemães, durante a Primeira Guerra Mundial.
O papa Francisco − que luta por grandes transformações e simplicidade – em viagem à Turquia demonstrou esforço pelo diálogo entre as religiões, e, na confraternização de Natal, com líderes da Igreja Católica, criticou a Cúria Romana,1 falando das doenças do “lucro mundano”, da “rivalidade”, da “glória vã’, do “terrorismo das fofocas”, que destrói reputações; sobre a doença “dos covardes”, que falam por trás, daqueles que tratam os chefes como “seres divinos” para subir na carreira e citou o “mal do poder” e do “narcisismo”. O papa Francisco surpreendeu ao pedir que os cardeais façam um “exame de consciência”.1 Durante recente Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional da FEB, Bezerra se manifestou pela psicofonia de Divaldo alertando para o “momento decisivo”,2 título da mensagem, que vivemos no mundo, no país e no Movimento Espírita:
É um momento de siso, de decisões, para a paz no período do porvir. Recordai-vos de que o Cristianismo nascente experimentou também inúmeras dificuldades. A palavra revolucionária do apóstolo Paulo, a ruptura com as tradições judaicas ainda vigentes na igreja de Jerusalém geraram a necessidade do grande encontro, que seria o primeiro debate entre os trabalhadores de Jesus que se espalhavam pelo mundo conhecido de então. No momento grave, quando uma ruptura se desenhava a prejuízo do Bem, a humildade de Simão Pedro, ajoelhando-se diante da voz que clamava em toda parte a Verdade, pacificou os corações [...]. [...] Que o espírito de união, de fraternidade, leve-nos todos, desencarnados e encarnados, à pacificação, trabalhando essas anfractuosidades para que haja ordem em nome do progresso.2
O notável exegeta Emmanuel comenta, no texto Conciliação, trecho em que Jesus nos conclama à conciliação com o nosso adversário (Mateus, 5:25), e destaca: Trabalha, pois, quanto seja possível no capítulo da harmonização, mas se o adversário te desdenha os bons desejos, concilia-te com a própria consciência e espera confiante.3
 REFERÊNCIAS:
1 Disponível em: http://www.febnet. org.br/blog/geral/colunistas/mo mentos-de-conciliacao/.
2 FRANCO, Divaldo P. Momento decisivo. Pelo Espírito Bezerra. Reformador, ano 132, n. 2.229, p. 8(710)-10(712), dez. 2014.
3 XAVIER, Francisco C. Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 7. imp. Brasília: FEB, 2014. cap. 120, p. 253.

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A DIFICIL ARTE DE PERDOAR





"É PERDOANDO QUE SE É PERDOADO..." 


"PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO..."

         PERDOAR é uma arte de exercitar o amor e a caridade  primeiramente conosco, e depois com o próximo, mais precisamente àqueles que nos causam o mal .  Torna-se difícil  o ato de perdoar, porque  ainda temos uma conduta reprochável atrelada ao egoismo, orgulho, inveja, melindre, preguiça, e tantos outros sentimentos mesquinhos que nos impede de amar e seguir a vida na sua plenitude. 
        Diante das adversidades que a vida vem  nos mostrar, muitas vezes em forma de imposições que nem sempre nos são agradáveis. Aprendemos com as transformações de sentimentos, que a nossa a trajetória para evoluir depende muito da nossa convivência com o próximo.  Sendo que nos encontros e desencontros desses espíritos viajores de sucessivas reencarnações, somos fadados a nos envolver direta ou indiretamente em determinadas épocas da existência; com diversos espíritos de caminhada; que somatizam a eclosão dos mais variados  sentimentos e compromissos para o nosso reajuste de experiências evolutivas.
        Em cada situação que é diferente de individuo para individuo,  vai gerando uma problemática com sentimentos emocionais diversificados, culminando quase sempre para outras celeumas que ficam enraizadas em nossos corações, e vão sendo regadas dia a dia pelo nosso desamor.             Utilizamos a dor que nos fere, que nos maltrata, que nos tira a razão de viver, que nos faz questionar a vida e a providencia divina, como desculpa para não enfrentar a realidade. Ficamos trancados em nossa bolha, em nossas lágrimas, em nossos rancores e azedume, com  nossa raiva que nos consome, em nosso mundo intimo e particular, por acreditar que somos vitimas  e  injustiçados. 
         Dificilmente procuramos a razão e a sensatez, não nos guiamos pelo equilíbrio e discernimento, não permitimos opiniões contrarias ao que fortemente moldamos no nosso subconsciente; não alimentamos o espírito com o amor , fé e esperança. Passamos muito tempo  dentro da religião, mas sem a religião está dentro de nós. Porque Deus e o ódio não compartilham o mesmo lugar no coração.
          Na nossa ignorância  e imaturidade espiritual, PERDOAR seria o mesmo que aceitar passivamente a perda de algo sem nossa a permissão, e  para a satisfação pessoal do outro que muitas vezes é o nosso desafeto.
         Passamos a viver, ou melhor, passamos a morrer por não querer perdoar. Adoecemos físico e espiritualmente.   Definhamos na nossa indumentária carnal  por não aceitar que a vida continua independente de nossas fraquezas morais; por  cultivar essas erva daninha em nosso coração, que muita vezes geram dissabores e desequilíbrio em nossos círculos sociais. E por não procurar entender que o elixir de todas as dores, é o  tempo que tudo cura, tudo passa, tudo cicatriza.
        Todavia, relutamos   buscar entender que precisamos nos perdoar primeiramente, buscando através desse auto-perdão o caminho para perdoarmos o próximo . Pois o ato de perdoar o outrem, não consiste em ser amigos novamente, compartilhar os mesmos círculos, as mesmas ideias, reavivar os sentimentos( se conseguirmos  melhor ainda), mas em ter um olhar de compaixão por esse ser que é um "doente"; e que de alguma maneira também  tivemos nossa contribuição no desfecho da situação.
        Cada um tem uma forma diferente e peculiar de avaliar o tamanho da dor que fere, que magoa, que dilacera  o intimo, e posteriormente PERDOAR.  Precisa-se  de um bom tempo para esmoer toda situação de caos, e  pouco a pouco voltar ao mundo real. Quando dispomos o ensejo de trabalhar o perdão, nem sempre é porque somos anjos ou porque o outro precisa de nosso perdão. Mas porque nós precisamos dessa PAZ  intima e pessoal que nos tornará uma pessoa melhor . 
       Lembrando sempre, que em todos os estágios desse processo de perdão e auto-perdão, a oração continua e a caridade ao próximo, se faz necessária para essa cura, para essa renovação e esse novo recomeço de uma nova etapa da vida que segue. 
       Diante das adversidades,

       Oremos com  fé, oremos com  paciência, oremos com resignação.

Moura Fé

Picos-PI  19-12-2014

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PERDOAR A SI MESMO







Perdoar a si mesmo é mais urgente que perdoar ao próximo. Se você não perdoar a si mesmo, como vai ter condições de perdoar a quem quer que seja? Se não perdoar seus próprios erros, suas próprias faltas, como conseguirá perdoar os erros e faltas alheias? Perdoe primeiro a si mesmo, logo, urgentemente, se possível ainda hoje, pois ninguém merece viver carregando culpas velhas de erros cometidos no passado. Não faça essa injustiça consigo mesmo, perdoe-se! O sentimento de culpa age como autopunição, mas a autopunição só é válida quando lhe faz querer reparar o mal cometido. Para chegar a esse ponto, você deve passar pelo estágio do remorso, que é o reconhecimento do mal realizado e consequente sofrimento; e do arrependimento, que é a ânsia de reparar ou compensar o mal que foi causado por você. Se você já passou desse ponto, a autopunição não tem mais serventia para você. É um peso morto.
Se você não chegou a arrepender-se, não acha que seja necessário reparar ou compensar o mal que causou, talvez esteja entrando ou já entrou num processo de vitimização e auto piedade. Reconheça seus erros, levando em conta que muitas vezes erramos tentando fazer o que nos parece melhor em determinadas circunstâncias.

Reconheça seus erros, reveja os sentimentos e valores que o levaram a cometer deslizes e adotar comportamentos errados, abra-se consigo mesmo. Você certamente já se deu conta disso, mas não custa perguntar: Você já se deu conta de que você mesmo é sua única companhia obrigatória? Que você vai acompanhar você para o resto dessa vida e para além dela, para sempre? Você já percebeu que você está com você em todos os momentos da sua vida, bons e maus, aproveitando os benefícios e sofrendo os malefícios? Se importe mais consigo mesmo. Respeite mais a si mesmo. E, acima de tudo, seja seu melhor amigo! Abra-se consigo mesmo, conte de seus velhos medos, de suas vergonhas, fraquezas que só você conhece. Cure essas feridas, seja amoroso consigo. Você precisa de você. Perdoe-se! Faça as pazes com você, e comece já a mudar seu padrão de pensamentos e sentimentos. Controle seus pensamentos, eles são determinantes para o que você faz de você. Ame mais, comece por amar a você mesmo. Se não amar a você, como vai amar a seu próximo? Devemos amar o próximo como a nós mesmos, e devemos amar muito ao nosso próximo. Isso quer dizer que você deve amar-se muito, muito mesmo. Devemos perdoar ao próximo: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” A quem você acha que está pedindo para perdoar as suas ofensas do mesmo modo que você perdoa a quem o ofendeu? Quem você acha que julga seus erros e ofensas? Deus? Não, Deus não julga, essa parte compete a nós mesmos, manifestações de Deus que somos. Somos nós que nos julgamos, somos nós que nos condenamos e somos nós que na maioria das vezes nos esquecemos de nós mesmos no fundo do cárcere da autopunição. Depois de já ter cumprido a pena a que inconscientemente nos impomos, ficamos esquecidos na masmorra suja do remorso inútil esperando por nossa própria clemência. Então tenha consideração por você mesmo, reveja seus conceitos, tome mais cuidado com suas atitudes para com você mesmo e para com o próximo. Acima de tudo, seja um vigilante atento dos seus pensamentos. Conduza seus pensamentos para o lado positivo das coisas, pois tudo na vida tem seu lado bom, quando queremos vê-lo. É muito importante que você perdoe ao próximo. Na verdade, é imprescindível. Mas antes disso, perdoe a si mesmo. Já está mais do que na hora. –

Morel Felipe Wilkon

Fonte: Associação de Divulgação da Doutrina Espírita
           WWW.ADDE.COM.BR

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Desapegue-se e Recomece



Somos tarefeiro de um longo caminhar,  onde através de idas e vindas vamos  nos capacitando para viver  em sintonia,  na comunhão  do amor ao próximo que muita vezes é o responsável pela nossa melhor estadia de aprendizado no planeta. Oras evoluímos e aprendemos através do amor, oras através da dor. E nesses processos de convivência somos compelido a experimentar experiências que nem sempre são muito prazerosas, mas que nos remete a reflexionar sobre toda nossa existencia ou pelo menos parte dela. Muitas vezes nos lamentamos por conquistas não realizadas, e nunca em agradecimentos pelas já recebidas e que  muita vezes passam desapercebidas aos nossos olhos egoístas que permanecem atrelados aos caprichos da nossa vaidade. 
Muitas vezes por estarmos magoado, ferido,  sentindo-se vitima e injustiçado,  permanecemos muito tempo fomentando a mágoa e o  rancor. Passamos ainda a cultivar o azedume em nosso coração, acreditando na nossa insólita ignorância que somos vitimas das adversidades da vida. NADA É POR ACASO.
 Somos colaboradores dos resultados que chegam a nossa porta e mudam subitamente a nossa rotina . Muitas vezes nos encontramos acomodado em  uma ociosidade,  que nos impede de ver a verdadeira realidade e por nos ser conveniente vivemos numa  omissão de sentimentos e atitudes. Por isso desapegue-se, desamarre-se, mude de conduta, finalize um ciclo para recomeçar uma nova etapa e trilhar novos caminhos. Nada de mágoas e ressentimentos, pois esses são os freios que impedem uma felicidade plena, busquemos apenas  aprender e também reconhecer nossas falhas, ou como costumo dizer lapidar a "PERFEIÇÃO DOS MEUS DEFEITOS" que são muitos. Ficar acorrentado a velhos hábitos e lembranças que nos instiga a nostalgia ou aumenta a nossa desarmonia, não nos levará a  lugar algum. Diante de sentimentos negativos, ORAI E VIGIAI, diante de atitudes reprováveis ORAI E VIGIAI, diante pessoas que nos magoaram VIGIAI E ORAI ORAI ORAI para que não venhamos a nos tornar semelhante aquele que agora reprovamos.
Viver é fácil, desencarnar é fácil . Difícil é conviver porquê exige mudanças de comportamento, e a verdadeira mudança de atitude não começa no outro, mas em nós mesmo.


MOURA FÉ (22/12/2013)
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A MULHER EQUIVOCADA



Seu nome não é citado nos Evangelhos, nem as tradições apostólicas o registraram de alguma forma que alcançasse os nossos dias.

O evangelista João é o único a narrar seu encontro com Jesus, no capítulo 8 do seu Evangelho, nos versículos 2 a 11, portanto, deve ter sido testemunha ocular.

As folhas do outono juncavam o chão. Terminadas estavam as festividades dos Tabernáculos, ou Festa das Tendas, considerada pelo povo de Israel a mais espetacular de todas as festas.

Para a celebrar, cada família devia construir nos arredores de Jerusalém uma cabana de folhagens, na qual residiria por uma semana. As cabanas deviam relembrar aos filhos de Israel que Iavé os fizera morar nelas, quando saíram do Egito e peregrinavam pelo deserto. Dos rituais, fazia parte toda manhã, uma procissão de sacerdotes que descia o monte Moriá até a fonte de Siloé, acompanhada pelo povo, que levava palmas, ao som do shofar (longo chifre de carneiro que serve de trombeta).

Colhida a água em vaso de ouro, tornava a multidão a subir a colina do templo, onde os sacerdotes derramavam o líquido, misturado com vinho, no altar dos holocaustos.

Jesus viera a Jerusalém para participar da Festa e permanecera, concluídas as festividades, pregando. Naquele dia, "Ele estava próximo à porta Nicanor, do lado leste do Templo, chegando pelo caminho do Monte das Oliveiras, acompanhado dos discípulos." (1)

Então, um grupo de fariseus, em meio a um grande alvoroço, lhe trouxe uma jovem mulher, aparentemente apanhada em flagrante adultério.

Diga-se que, entre o povo de Israel, a definição de adultério não era a mesma para o homem e a mulher. O homem somente era acusado de adultério se tivesse relações com uma mulher casada ou noiva, porque, entendia-se, agredia outro homem. A mulher, adulterando, agredia o matrimônio.

Suspeita de adultério, era submetida à prova da água amarga. Devia beber uma monstruosa bebida à base de pó apanhado no Templo. Se vomitasse ou ficasse doente, era considerada culpada. Surpreendida em flagrante, a pena era a morte, que igualmente era aplicada à mulher que fosse violada dentro dos muros da cidade, pois supunha a Lei que, dentro da cidade, se ela tivesse gritado por socorro, teria sido ouvida e socorrida.

Os fariseus submetem a adúltera ao julgamento de Jesus. Em verdade, embora tivessem olhos de lince para todas as faltas do próximo, a questão daquela hora visava muito mais aproveitar o incidente para armar uma cilada ao Profeta de Nazaré do que zelar pela pureza do matrimônio.

Eles a jogaram no chão e ela ali ficou, sem coragem sequer de erguer os olhos. Sabia que delinqüira e conhecia a penalidade. Sabia, igualmente, que ninguém dela se apiedaria. Ninguém, senão Ele.

Enquanto a indagação dos fariseus aguarda uma resposta do Rabi, sobre a pecadora, Ele se inclinou e traçou na areia do pavimento caracteres misteriosos.

Que escreveria Ele? O nome do cúmplice que se evadira? O nome do marido que, ferido no orgulho, permitia fosse sua esposa tão vilmente tratada?

Narram diversos intérpretes do texto evangélico, que Ele grafava a marca moral do erro de cada um. Curiosos, os que ali esperavam a sentença de morte, para se extasiarem no espetáculo de sangue e impiedade, podiam ler: ladrão, adúltero, caluniador... Em síntese, as suas próprias mazelas morais.

Crescia a expectativa. Jesus se ergueu, percorreu o olhar perscrutador pela turbamulta dos acusados, que sentiu atingir-lhes a intimidade, e disse tranqüilamente:

"Aquele dentre vós que estiver sem erro, atire-lhe a primeira pedra."

Em silêncio, os circunstantes se afastaram, um a um, a começar pelos mais velhos. "Sim, os mais velhos trazem maior soma de empeços e problemas, remorsos e azedumes..." (1)

No meio da indecisão geral, Jesus tornou a traçar na areia sinais enigmáticos. Quando o silêncio se fez, Ele se levantou. Ali estava a mulher à espera do seu castigo. Se todos os demais haviam partido, ela devia esperar da parte dEle a sentença e a execução. O Divino Pastor considerou a fragilidade do ser humano e, compadecido com suas misérias morais, lhe disse: "Mulher, onde estão aqueles que te acusavam? Ninguém te condenou?"

"Ninguém, Senhor" - ousou responder à meia-voz. Então, em vez do sibilar mortífero das pedras, ela ouviu as palavras do perdão e da vida: "Nem eu tão pouco te condeno: vai e não tornes a pecar!"

As anotações evangélicas se resumem ao episódio. Contudo, o espírito Amélia Rodrigues nos conta que, naquela noite, a equivocada procurou o Mestre, na residência que O acolhia.

Falou da fraqueza que a dominara, nos dias da mocidade, sentindo-se sozinha. O esposo, poucos dias após o matrimônio, retomara as noitadas alegres e despreocupadas junto dos amigos. Ela se sentira carente e cedera ao cerco do sedutor, que a brindava com atenção e pequenos mimos.

Nada que a desculpasse, reconhecia. E agora, consumada a tragédia, para onde iria? O esposo não a receberia, após o espetáculo público. Também não poderia contar com a proteção paterna, porque fora levada à execração pública, não simplesmente recebendo uma carta de repúdio, o que poderia servir até como indenização ao seu pai, pois o marido que assim procedesse deveria devolver uma parte do dote da noiva ao sogro.

Não havia lugar para ela em Jerusalém.Que seria dela, só e desprotegida?

O Mestre lhe acenou com horizontes de renovação, discorrendo sobre a memória do povo que é duradoura para com as faltas alheias. Ela sentiu, nas entrelinhas, que deveria buscar outras paragens, lugares onde não a conhecessem, nem o drama que acabara de viver.

Na despedida, Jesus a confortou: "...Há sempre um lugar no rebanho do amor para as ovelhas que retornam e desejam avançar. Onde quer que vás, eu estarei contigo e a luz da verdade, no archote do bem brilhará à frente, clareando o teu caminho."

Dez anos passados e ei-la, em Tiro, em casa humilde, onde recebe peregrinos cansados e enfermos sem ninguém. Um pouso de amor ela erguera ali.

Não esquecera jamais daquele entardecer e da entrevista noturna. Tornara-se uma divulgadora da Boa Nova. De seus lábios brotavam espontâneas as referências ao Doce Rabi, alentando as almas, enquanto limpava as chagas dos corpos doentes.

Foi em um cair de tarde que lhe trouxeram um homem quase morto. Ela o lavou e pensou-lhe as chagas. Deu-lhe caldo reconfortante e tão logo o percebeu aliviado das dores, lhe ofereceu a mensagem de encorajamento, em nome de Jesus.

Emocionado, confessa ele que conhecera o Galileu, num infausto dia, em Jerusalém. Odiara-O, então, porque Ele salvara a mulher que adulterara, a sua esposa, mas não tivera para com ele, o ofendido, nenhuma palavra.

O tempo lhe faria meditar em como se equivocara em seu julgamento. Confessa que, desde algum tempo, vinha buscando a companheira, procurando-a em muitos lugares, sem êxito. Até que a doença lhe visitara o corpo, consumindo-lhe as energias.

"Embargada pelas emoções em desenfreio, naquele momento, a mulher recordou-se da praça e do diálogo, à noite, com o Mestre, um decênio antes, reconheceu o companheiro do passado e sem dizer-lhe nada, segurou-lhe a mão suavemente e o consolou: '...Deus é amor, e, Jesus, por isso mesmo nunca está longe daqueles que O querem e buscam. Agora durma em paz enquanto eu velo, porquanto, nós ambos já O encontramos..." (2)

Bibliografia:
01.FRANCO, Divaldo Pereira. Atire a primeira pedra. In:___. Luz do mundo. Pelo espírito Amélia Rodrigues. Salvador: LEAL, 1971. cap. 13.
02.______. Encontro de reparação. In:___. Pelos caminhos de Jesus. Pelo espírito Amélia Rodrigues. Salvador: LEAL, 1988. cap. 15.
03.______. A consciência de culpa. In:___. Trigo de Deus. Pelo espírito Amélia Rodrigues. Salvador: LEAL, 1993. cap. 13.
04.ROHDEN, Huberto. A adúltera. In:___. Jesus nazareno. 6. ed. São Paulo: UNIÃO CULTURAL. v. 2, cap. 92.
05.ROPS, Daniel. Família, "Meus ossos e minha carne". In:___. A vida cotidiana na Palestina no tempo de Jesus. Livros do Brasil. pt. 2, cap. 2, item VII.
06. SAULNIER, Christiane e ROLLAND, Bernard. As instituições religiosas. In:___. A Palestina no tempo de Jesus. 2. ed. São Paulo: PAULINAS, 1983. item As festas.
07.VAN DER OSTEN, A . Adultério. In:___. Dicionário enciclo-pédico da bíblia. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1985.
Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - fevereiro/2004




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Perdoe Sempre




Se alguém o prejudica, prontamente,
Procure perdoar aquela ofensa...

Fácil não é, porém, será imensa,

A paz no coração se for paciente.


Talvez seu agressor seja um doente,

Que, ao falar, no agir sequer não pensa...

Talvez em seu espírito a descrença,

Impere atroz, infrene, acerbamente...

Aprenda a desculpar para o seu bem...

Não traga mágoas nunca contra alguém.


Que, porventura, pise no seu calo,

Exercite com fé a tolerância.

E vencerá, por fim, na sua instância,

De entender seu algoz e, um dia, até amá-lo...


Celso Martins
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Novela Avenida Brasil ( Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra...)





O Brasil parou em 19/10/2012. Parou para assistir ao final de mais uma obra da teledramaturgia brasileira, que comoveu e arrastou milhares de pessoas, que durante sete meses, todo santo dia, as 21:00hs, se colocavam a frente da TV e sintonizavam mais que o canal da rede globo, sintonizavam sentimentos, emoções, sorriam, choravam e criavam expectativas em torno da vida daqueles personagens tão bem representados pelos atores que ali se encontram.
São pessoas, como nós, que possuem o dom de transmitir tudo àquilo que o autor queria, através da arte de atuar. Eles atuavam e nós vivíamos na pele os sentimentos dos personagens.
Porém, como todo final de novela, este não poderia ser diferente: todos nós que acompanhamos a trama, ficamos ansiosos e aflitos com o fim que o autor iria dar aquela historia da qual, de certo modo, passamos a fazer parte.
E o final realmente nos surpreendeu!
Resolveu o autor, dar um toque diferente...especial! O toque do PERDÃO!
Muito diferente das outras obras, nas quais o autor resolvia “punir” seus vilões, tirando-lhes a liberdade, com a prisão ou tirando-lhes a vida, com a morte, atendendo muitas das vezes clamor da multidão, em Avenida Brasil foi diferente... Assistimos todos juntos, o perdão triunfar.
E neste meio tempo, já ouvimos muitos comentários de amigos insatisfeitos, querendo um destino diferente a Carminha, interpretada de uma forma descomunal pela Adriana Esteves. Todos clamando “justiça”.
Porém, olhamos com olhos diferentes este final. Olhamos com olhos de esperança.
Esperança de que, em muito breve, todos nós, clamemos pelo perdão! Pela misericórdia, pela brandura e pela benevolência de que todos somos possuidores, porém que na maioria das vezes deixamos que o ódio e a vingança sejam os protagonistas no palco das nossas vidas!
E esquecemos que o maior sacrifício para nós, seria aprendermos a amar aqueles que nos ultrajaram e nos perseguiram, e como mencionou a personagem Carminha, esse ato já torna a pessoa que sabe perdoar, superior a eles.
Sabemos que não é fácil a atitude de perdoar, muito menos amar um inimigo, porém quando dizemos “amar os inimigos” não quer dizer ter para com eles uma afeição que não está na Natureza, porque o contato de um inimigo faz bater o coração de maneira bem diferente do de um amigo; é não ter contra eles nem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança, é perdoa-lhes sem segundas intenções e incondicionalmente o mal que nos fazem, é não opor nenhum obstáculo à reconciliação, é desejar-lhes o bem, em lugar do mal, é estender-lhes a mão segura em caso de necessidade e foi essa a maneira, que autor, com certeza inspirado pela Divindade, encontrou para nos lembrar a mensagem da paz, a mensagem do bem, a mensagem do amor! Ele veio nos lembrar, com essa cena de perdão entre as duas rivais, o que o Mestre da Galileia, o peregrino do amor nos disse há mais de dois mil anos: “Reconcilia-vos o mais depressa com o vosso adversário, enquanto estais com ele no caminho...”
Então meus amigos, João Emanuel Carneiro foi muito feliz em nos passar um final, que nos faz relembrar a mensagem do “Autor da Vida”, e nos dizer que muitas vezes, apesar das nuvens escuras que pairam em cima de nós, e das diversas situações que passamos na vida, sorrindo ou chorando, sempre existe um sol triunfante, brilhando acima de nós todos, nos relembrando o quanto a vida é bela, o quanto vale a pena ser bom e o quanto vale a pena perdoar, afinal, perdoar é divino... ; )

Perdoar não faz bem somente à alma. Foi-se o tempo em que perdão era assunto apenas da religião. Hoje, a filosofia e a medicina também estudam os efeitos do perdão na saúde física e emocional do homem. Pesquisas médicas consideram que o perdão impede a liberação de substâncias nocivas no organismo, as tais ligadas ao stress. Perdoar é libertar-se. Quando não perdoamos, a nós e ao outro, permanecemos apegados ao passado e não conseguimos dar continuidade à vida com alegria e desprendimento. E nenhum de nós, a essa altura da vida, precisa se prender a coisas difíceis. O perdão é um importante remédio para a alma, capaz de iluminar nosso corpo emocional, já que purifica nossas emoções. E isso não é pouca coisa. Ficar entupindo nosso corpo emocional de sentimentos daninhos não dá mais!!! Nossa aura fica pesada, levando nosso corpo fluídico a adoecer até que a doença se instale no físico. Se experimentarmos perdoar, veremos como vamos nos sentir mais leves. O perdão nos traz PAZ e LUZ. E luz não pesa... ; )



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LIBERDADE PELO PERDÃO


O perdão é a maior virtude que o ser humano pode cultivar e é resultado direto do amor. Torna leve a alma e só faz bem. Todos, sem exceção, devem experimentar.
Foi-se o tempo em que só as religiões se preocupavam com o perdão como forma de purificação espiritual. Hoje, a filosofia e a medicina também se dedicam aos efeitos do perdão, e ele está sendo considerado um dos mais importantes remédios para a alma. Além de ser a chave para a nossa libertação, libera o corpo de substâncias prejudiciais ao nosso organismo.
Ao perdoar, nos libertamos do passado, o que não significa, necessariamente, esquecê-lo. Significa que a lembrança dolorosa de algo que se passou não nos atinge mais, não nos incomoda nem nos traz sofrimento ou raiva. Quando não perdoamos, a nós e ao outro, ficamos apegados ao que se passou e nos privamos de agir em favor da nossa vida.
Perdoar é um grande passo. Tudo aquilo que fazemos somos capazes de desfazer. Se sabemos como agredir, sabemos também como pedir perdão. Se soubemos escutar a ofensa, saberemos também ouvir o pedido de perdão. É preciso, portanto, saber pedir e aceitar o perdão.
Quando sentimos muito ódio de algo que nos foi feito, nosso corpo astral fica impregnado de sombras espessas, que são diluídas com um simples perdão. O perdão é, assim, um remédio para a nossa alma, capaz de purificar o nosso corpo emocional, porque liberta as nossas emoções de sentimentos densos.
Ficar entupindo o nosso corpo emocional de tantos sentimentos difíceis não dá. A gente vai ficando pesado, e o corpo fluídico acaba adoecendo e refletindo a doença no físico. Se experimentarmos perdoar, veremos como vamos nos se sentir mais leve. O perdão esvazia o corpo astral e injeta luz. E luz não pesa.
Nossos corpos físicos são bastante individualizados. O que sentimos na matéria densa, geralmente, fica somente conosco. Nossas dores físicas, normalmente, não são sentidas por outras pessoas além de nós, a não ser que estejamos próximos de alguém com uma sensibilidade acima do normal.
O mesmo não ocorre com os nossos sentimentos e pensamentos, que podem afetar outras pessoas. Nosso corpos emocional e mental, por não serem tão individualizados, irradiam-se para fora como uma onda e são capazes de impressionar quem esteja em sintonia conosco. Por isso, precisamos assumir a responsabilidade pelo que sentimos e pensamos, e tentar modificar sentimentos e pensamentos que só nos fazem mal.
Se estamos com raiva, por exemplo, podemos contaminar alguém que esteja propício a ter raiva, e outro, e mais outro. No final, tem um monte de gente com raiva. É claro que, se cada um é responsável pelo que sente e pensa, não podemos nos responsabilizar por aqueles que estão em sintonia conosco e que percebem o nosso sentimento ou pensamento. Mas por que temos que ser nós o primeiro elo da cadeia? Não é muito melhor iniciar uma corrente do bem?
O perdão aciona essa corrente. Traz bênçãos para quem recebe e quem concede. É claro que isso não é fácil nem rápido. O perdão é uma virtude e, como toda virtude, precisa ser cultivado por muito tempo. Através do nosso poder interior, precisamos ir exercitando o cultivo aos sentimentos e pensamentos nobres. Temos inteligência e a chance do conhecimento. Conhecemos o poder da oração. Então, está na hora de a gente pegar essas ferramentas e usar em nosso benefício e, conseqüentemente, do outro também. Mesmo que não consigamos da primeira vez, vamos tentar. É através da persistência que alcançamos os nossos objetivos, e o perdão há de ser um deles.
É difícil perdoar quando reagimos da mesma forma como fomos agredidos, ou seja, revidando. Tudo o que fazemos, falamos e pensamos gera seu universo particular, e se criamos dor para alguém, na verdade, estamos criando sofrimento para nós mesmos. A lei de causa e efeito está aí para nos mostrar que, quando causamos um desequilíbrio na natureza, somos convidados a restituí-lo, de uma forma ou de outra.
Num primeiro momento, o revide pode nos dar a ilusão de alívio, de que estamos respondendo à altura, mas, toda vez que agimos dessa forma, trazemos inquietação e desconforto para a nossa vida. As ofensas, em verdade, nada mais são do que uma oportunidade que a Vida nos dá de perdoar. Nós é que iremos escolher entre perdoar ou ficar magoados, com ódio ou ressentimento.
Nem sempre quando perdoamos, nos manifestamos para o outro, e ele nem fica sabendo que foi perdoado. Porque o orgulho, muitas vezes, nos impede de nos aproximarmos de nosso desafeto e, com um gesto de simplicidade, tentarmos a reconciliação. A reconciliação é uma conseqüência direta do perdão.
Ao invés de ficarmos procurando defeitos no outro, vamos tentar descobrir o melhor nas pessoas, porque todo mundo tem algo de bom. Encontrar defeitos é fácil e qualquer um pode realizar, mas só os que são verdadeiramente sábios conseguem ver as qualidades de seus semelhantes. Se tentarmos buscar o que cada um tem de melhor, nos despiremos do orgulho e conseguiremos compreender que somos todos ferramentas importantes na construção da obra divina.

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Os Efeitos Morais do Perdão




“Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho.” (Mateus, 5:25.)

Jesus, na passagem registrada pelo evangelista Mateus, aconselha-nos a desvencilhar-nos dos dolorosos grilhões do passado obscuro, por meio da exemplificação do ato sublime de perdoar os que nos feriram, e solicitar perdão a algum de nossos irmãos que, pelos agravos que lhes tenhamos feito, se transformam em desafetos, muitas vezes, por razões de contraditas estéreis e pueris.

Na prática do perdão, o tema sugere ampla abordagem, mas gostaríamos de centrar essa análise nas dificuldades que surgem dos relacionamentos existentes entre os Espíritos que permanecem encarnados.

Determinadas pessoas, ao serem injuriadas, expressam indignação e revolta promovendo manifestações pessoais de cólera e superioridade na ânsia de agredir o ofensor e colocam-se na mesma posição do oponente ao quererem revidar as agressões recebidas. Nem sempre privilegiam a generosidade e a complacência e torna-se difícil esquecer o mal cometido contra elas ao exigirem retratação das afrontas recebidas, sem saberem perdoar com verdadeira simplicidade de coração. “O perdão sincero é filho espontâneo do amor e, como tal, não exige reconhecimento de qualquer natureza”.1
Esquecem que as ofensas são perdoadas por Deus, na mesma proporção em que houverem perdoado os que as ofenderam.

Ao enunciar o  Pai Nosso,o Mestre nos ensina a pronunciar: “Perdoa-nos nossas dívidas, como também perdoamos nossos devedores” (Mateus, 6:12).2
Allan Kardec indaga: “Esse perdão é, porém, incondicional? É uma remissão pura e simples da pena em que se incorre?”. Ele conclui que não, pois:

[...] a medida desse perdão subordina-se ao modo pelo qual se haja perdoado, o que equivale dizer que não seremos perdoados desde que não perdoemos.3

A caridade não consiste apenas em ajudarmos os que carecem de necessidades materiais ou que precisam de consolo para suas dificuldades morais, mas, principalmente, em olvidarmos e perdoar-mos os insultos recebidos. Entretanto, como desculpar com verdadeira espontaneidade de coração, se na trajetória da existência surgem adversários que se tornam frios e indiferentes, influindo-nos para que sejamos também assim?
Dentro dessa realidade, devemos aceitar as investidas daqueles que amamos, em forma de ingratidão e indiferença, após demonstrações de puro afeto que lhes outorgamos? Infelizmente, pelas imperfeições morais que ainda nos caracterizam a personalidade, cultivamos sentimentos de mágoa e rancor ao recordarmo-nos dos agravos que sofremos. Kardec, na análise que faz sobre a caridade, na suamais ampla acepção, alerta-nos:

Com efeito, se se observam os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos [...] todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho [...] e isso porque tudo o que sobreexcita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até ao amor dos inimi gos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau da perfeição está na ra zão direta da sua extensão. [...]4

O indivíduo que deseja perdoar sinceramente, consciente das consequências sublimes que esse ato acarreta, assume a atitude inspi rada no Evangelho, valendo-se do admirável ensinamento: “Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes” (Mateus, 18:22). O perdão verdadeiro esquece, em definitivo, o mal recebido; não se gaba da concessão a fazer, sem vangloriar-se da absolvição concedida aos inimigos. Os que agem assim não se perturbam por “nenhuma raiz de amargura” (Paulo aos Hebreus, 12:15) e exemplificam atitudes de desprendimento e compreensão
legítima, ao acolher com brandura o ofensor. Por esse motivo, Martins Peralva (1918-2007), escritor espírita, em uma de suas obras sobre os valiosos estudos do Espírito Emmanuel, observa:

O perdão que o Espiritismo e os amigos espirituais preconizam em verdade não é de fácil execução. Requer muita boa vontade. Demanda esforço – esforço continuado, persistente.

Reclama perseverança. Pede tenacidade. É bem diferente do perdão teológico, que deve ter tido, em algum tempo, sua utilidade. Não se veste de roupagem fantasiosa, não se emoldura de expressões simplesmente verbais.5

Aquele, pois, que se sinta ofen ido deve esforçar-se para domars energias afetivas que, convertias em paixões desequilibradas, avram ódios intempestivos, demonstrando que estamos longe e alcançar a sublimidade dos sentimentos, especialmente nos momentos de crises morais da vida.
Deveríamos compreender de maeira decisiva as leis que regem as ausas e os efeitos dos pensamen os e atos que conservamos, recohecendo que ainda nos deleitams situações de represália para com as pessoas que nos comba em. A paz é patrimônio divino que se torna imprescindível defender! O Espírito Angel Aguarod, em análise sobre a questão, afirma categórico:

O desejo de paz, nos que ainda não chegaram ao ponto médio da evolução, permanece em estado de aspiração, por não terem sabido tirar dos descala bros sofridos as consequências naturais que deles brotam e mediante as quais aprende o ser racional a cimentar a paz na própria paz, isto é, na paz da alma, que exige, para tornar-se efetiva, a eliminação de todo sentimento antifraternal [...].6

Nesse contexto, proliferam sentimentos contrários à caridade e que influenciam nocivamente a sociedade e os indivíduos que a compõem.Ora, se “o progresso material de um planeta acompanha o progresso moral de seus habitantes”,7 inferimos que, ao atuar desse modo, não conseguimos aplicar o livre-arbítrio para disseminar a Doutrina Espírita na Terra, à luz do Evangelho. Querer lutar em objeção aos adversários, magoando-os, muitas vezes, em
condição humilhante, com o propósito de desforra, afasta-nos da bondade e da indulgência sinceras, mormente ao desdenhar os esforços daqueles que porventura pretendem reconciliar-se conosco.

“Quem perdoa liberta o coração para as mais sublimes manifestações do amor que eleva e santifica”.8
Para tanto, é urgente buscar o progresso individual; interrogar mais assiduamente a consciência e verificar quantas vezes fracassamos no trato com as pessoas que nos cercam na esfera familiar, no ambiente profissional, no grupo espírita e em outros círculos que vivenciamos em prol da evolução particular. Luminosos conselhos são oferecidos por Santo Agostinho, em benefício doconhecimento de nós mesmos:

[...] Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. [...]9

Paulo, o apóstolo, em mensagem inserida em O Evangelho segundo o Espiritismo,10 convida-nos a avaliar as próprias características comportamentais e mostra-nos que somos Espíritos exigentes, inflexíveis, duros e  rigorosos, nem sempre atentos à possibilidade de reconhecer que os rompimentos podem ter sido iniciados por nossa culpa ao convertermos em  querela grave o que poderia, facilmente, ter sido deslembrado. O perdão não exclui a necessidade da vigilância, e o amor ao próximo deve pautar as decisões que tomarmos para não termos dúvidas quanto a reconciliar-nos com os nossos opositores, conforme recomendação de Jesus.
Clara Lila Gonzales de Araújo

Referências:

1 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 335.
2 DIAS, Haroldo Dutra. (Trad.) O novo testamento. Brasília: EDICEI, 2010. p. 55.
3 KARDEC, Allan. O céu e o inferno. Trad. Manuel Quintão. 2. ed. bolso. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. P. 1, cap. 6, it. 6.
4______. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. bolso. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010.Cap. 17, it. 2.
5 PERALVA, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 24, p. 175.
6 AGUAROD, Angel.  Grandes e pequenos problemas. 7. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 6, it. 3, p. 216-217.
7 KARDEC, Allan.  A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 2. ed. bolso. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 11, it. 27.
8 PERALVA, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 24, p. 177.
9 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 14. ed. bolso. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 919a, p. 451.
10______. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. 3.reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 10,it. 15


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