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Identidade dos Espíritos






Em O Livro dos Médiuns, capítulo XXIV, a identidade dos Espíritos comunicantes é detalhadamente analisada por Allan Kardec em 14 itens e 54 respostas, transmitidas pelos Espíritos orientadores da Codificação Espírita.Muitas mistificações e dúvidas a respeito do assunto poderiam ser evitadas se os espíritas, sobretudo os médiuns, estudassem com mais afinco as considerações que constam do capítulo, mesmo que o Codificador tenha dito: “A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo”.1 É exatamente por isso que deve merecer maiores cuidados e ponderações pelo espírita esclarecido:

[...] De fato, os Espíritos nãonos trazem uma carteira de identidade e sabe-se com que facilidade alguns dentre eles tomam nomes que nunca lhes pertenceram. Justamente por isso, esta questão de identidade é, depois da obsessão, uma das maiores dificuldades que apresenta o Espiritismo prático. Todavia, em muitos casos, a identidade absoluta não passa de questão secundária e sem importância real.1

Seguindo a ordenação dos conteúdos desenvolvidos no capítulo, percebemos que dois pontos devem ser discriminados, como o fazemos em seguida.

1. Provas possíveis de identidade

De forma abrangente, “julgam- se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. Se um Espírito se apresenta com o nome de Fénelon, por exemplo, e diz trivialidades e puerilidades, está claro que não pode ser ele”.2 Outras provas podem ser incluídas na identificação do comunicante:

[...] a semelhança da caligrafia e da assinatura. Mas, além de nem todos os médiuns serem capazes de obter esse resultado, ele não representa, invariavelmente uma garantia suficiente. Há [também] falsários no mundo dos Espíritos [...].3

A identificação de Espíritos “é muito mais fácil de ser comprovada quando se trata de Espíritos contemporâneos, cujos hábitos e características são conhecidos, porque são justamente esses hábitos, de que ainda não tiveram tempo de abandonar, que nos permitem reconhecê-los, constituindo isso um dos sinais mais seguros de identidade”.4

Enquanto se recusam a responder a perguntas pueris e extravagantes, que qualquer pessoa teria escrúpulos em lhes dirigir, se fossem vivos [encarnados], os Espíritos, por outro lado, não se negam a dar espontaneamente provas irrecusáveis de sua identidade, por seus caracteres, que se revelam na linguagem de que usam, pelo emprego de palavras que lhes eram familiares, pela citação de certos fatos, de particularidades de suas vidas, às vezes desconhecidas dos assistentes e cuja exatidão se pode verificar. As provas de identidade se destacam, além disso, de um sem-número
de circunstâncias imprevistas, que nem sempre se apresentam na primeira ocasião, mas que surgem com a continuação das manifestações.Convém, pois, esperá-las, sem as provocar, observando-se cuidadosamente todas as que possam resultar da natureza das comunicações.5

Situação diversa ocorre com a identificação de Espíritos que viveram em outras épocas, principalmente os que carecem de referências biográficas:
A identidade dos Espíritos das personagens antigas é a mais difícil de se conseguir, tornando-se muitas vezes impossível mesmo, de modo que ficamos
limitados a uma apreciação puramente moral.[...].6

2. Distinção entre os Espíritos bons e os maus 


A identidade dos Espíritos pode se revelar, contudo, como aspecto secundário. Por exemplo, quando nos são transmitidas “instruções gerais, pois os melhores Espíritos podem substituir-se mutuamente, sem maiores consequências”.7
[...]Os Espíritos superiores formam, por assim dizer, um todo coletivo, cujas individualidades nos são, com raras exceções, completamente desconhecidas. O que nos interessa não é a pessoa deles, mas o ensino que nos proporcionam.
Ora, se o ensino é bom, pouco importa que aquele que o deu se chame Pedro, ou Paulo. Devemos julgá-lo pela sua qualidade e não pelas suas insígnias. [...]7

Importa considerar também que,

à medida que os Espíritos se purificam e se elevam na hierarquia, as características distintivas de suas personalidades se apagam, de certo modo, na uniformidade da perfeição; nem por isso, entretanto, deixam de conservar as suas individualidades.8

Tais condições nos fazem ver quanto é importante saber distinguir os bons Espíritos dos que ainda assinalam atraso espiritual.

[...] Os Espíritos realmente superiores não apenas só dizem coisas boas, como também as dizem em termos que excluem, de modo absoluto, qualquer trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se forem manchadas por uma única expressão que denote baixeza, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade, principalmente se o conjunto da comunicação chocar as conveniências pela sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua origem, seja pelos pensamentos que traduz, seja pela forma, de modo que se um Espírito quiser iludir-nos sobre a sua pretensa superioridade, bastará conversarmos algum tempo com ele para a apreciarmos.9

Há mais: “A bondade e a benevolência são atributos essenciais dos Espíritos depurados”.10 Não revelam mágoas nem ódio; são solidários e gentis; lamentam as fraquezas humanas; só querem o bem e só dizem coisas boas, instrutivas. 10 Por outro lado, é preciso cautela na análise de mensagens
provenientes de Espíritos que demonstram possuir grandes conhecimentos:

A inteligência está longe de constituir um sinal seguro de superioridade, porque a inteligência e a moral nem sempre andam juntas. Um Espírito pode ser bom, afável, e ter conhecimentos limitados, ao passo que outro, inteligente e instruído, pode ser inferior em moralidade.11

Os itens 267 e 268, capítulo XXIV, de O Livro dos Médiuns, complementam este estudo, pois trazem uma síntese dos meios para reconhecer as qualidades e a natureza dos Espíritos comunicantes. Sugerimos a leitura atenta. Todavia, destacamos que é preciso ter muito cuidado quanto às informações e teorias transmitidas por Espíritos de pouca ou de mediana evolução que, a despeito de não serem maus, necessariamente, ainda não possuem as qualidades dos bons Espíritos: as suas ideias devem ser consideradas, então, mera opinião, jamais verdade absoluta, como esclarece São Luís, prudentemente:

Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveríeis ter presente sempre na vossa lembrança, quando vos entregais aos vossos estudos: é a de pesar, meditar e submeter ao controle da razão mais severa todas as comunicações que receberdes; é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias, a fim de que possais formar uma opinião segura, toda vez que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro.12

Referências
1KARDEC, Allan. O livro dos médiuns.
Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de
Janeiro: FEB, 2009. Cap. 24, it. 255,
p. 411.
2______. ______. It. 255, p. 412.
3______. ______. It. 260, p. 417.
4______. ______. It. 257, p.414-415.
5______. ______. It. 258, p.415-416.
6______. ______. It. 255, p. 411-412.
7______. ______. It. 256, p. 414.
8______. ______. p. 412.
9______. ______. It. 263, p. 419-420.
10______. ______. It. 264, p. 420.
11______. ______. It. 265, p. 420.
12______. ______. It. 266, p. 421-422.

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Sondagem sobre o estudo de Livro dos Médiuns






Marta Antunes de Moura, diretora da FEB e coordenadora da Área da Mediunidade das Comissões Regionais do CFN da FEB, comenta o momento dos 150 anos de O Livro dos Médiuns






Reformador: Como se tem desenvolvido a comemoração dos 150 anos de O Livro dos Médiuns?

Marta: Há bastante movimentação e muito entusiasmo por parte dos confrades de todas as Federativas assim como de nossa parte, na FEB. Em todas as reuniões das Comissões Regionais do CFN da FEB, deste ano, ocorreram palestras públicas sobre a efeméride. Contamos com a presença de 400 pessoas (limite físico do local), no Encontro Nacional da Área da Mediunidade, realizado nos dias 23 e 24 de julho, no Rio de Janeiro, na Sede Seccional da FEB, hoje denominada Sede Histórica, justamente para prestar homenagem ao Sesquicentenário de O Livro dos Médiuns. A parte doutrinária do Encontro foi conduzida por Divaldo Pereira Franco, com dois temas:

“150 Anos de O Livro dos Médiuns” (dia 23), e “Prática Mediúnica” (dia 24). A Sede Histórica da FEB foi escolhida para sediar o Encontro porque completa 100 anos de fundação. É uma forma de reverenciar e homenagear os pioneiros do Espiritismo, sobretudo os tradutores da obra de Kardec no Brasil.Mas em todo o País estão ocorrendo inúmeras atividades comemorativas, desde janeiro, data de publicação de O Livro dos Médiuns: palestras, encontros, regionais e estaduais, congressos estaduais, estudo sequencial de O Livro dos Médiuns, artigos para revistas espíritas, informações divulgadas na mídia, falada e escrita etc. Sob o patrocínio da Federação Espírita do Estado de Goiás (FEEGO), os Correios lançaram um selo personalizado. A FEB está publicando, de janeiro a dezembro, em Reformador, artigos sobre conteúdos de O Livro dos Médiuns e estampando nas capas um selo comemorativo.

Monitores e evangelizadores de cursos regulares da FEB, na sua sede em Brasília, estão estudando O Livro dos Médiuns, todos os sábados, das 16 às 17h30.


Reformador: Qual o papel da Área da Mediunidade das Comissões Regionais do CFN da FEB?

Marta: As atividades abrangem dois enfoques principais:

a) Estudo regular da mediunidade no Centro Espírita;
b) Prática mediúnica no Centro Espírita.

Em relação ao estudo regular, procura-se auxiliar a implantação e o desenvolvimento de cursos sequenciais da mediunidade, com base nas orientações do Evangelho de Jesus e nos conhecimentos doutrinários da Codificação Espírita e demais obras com ela sintonizada, utilizando-se métodos que facilitem o aprendizado. O curso da mediunidade é oferecido aos participantes que já possuem noções básicas do Espiritismo. A FEB disponibiliza ao Movimento Espírita um material de estudo que pode (e deve) ser adaptado à realidade da Instituição Espírita. Este material foi construído em parceria
com coordenadores da mediunidade das Federativas espíritas, cujas sugestões foram apresentadas nas reuniões das Comissões Regionais ou, individualmente, em correspondências encaminhadas à FEB. Neste sentido, já foram realizadas duas revisões desse material instrucional, visando melhor adequação às solicitações do Movimento Espírita federativo. No que diz respeito à prática mediúnica, a atenção é voltada para a capacitação continuada dos integrantes da reunião mediúnica e monitores de estudos mediúnicos do Centro Espírita, direcionando ações que tratam da melhoria moral do médium, à luz do Evangelho, e do conhecimento espírita, centrado em Kardec e obras afins.

Reformador: As práticas mediúnicas atuais têm sido coerentes com O Livro dos Médiuns?

Marta: Infelizmente, não muito. Ainda há muita superstição e adoção de práticas contrárias às ensinadas pela Doutrina Espírita. Por outro lado, carece o hábito de leitura em nosso meio. Entretanto, a situação está se modificando, e intenso trabalho tem sido desenvolvido. Com o esforço e a dedicação dos coordenadores da mediunidade nas Federativas observamos que, aos poucos, o quadro está se revertendo e que trabalhadores da mediunidade encontram-se, atualmente, mais esclarecidos.

Reformador: Muitos cursos e apostilas não estariam deixando O Livro dos Médiuns para um plano secundário?

Marta: As apostilas e os cursos de Espiritismo, em geral, só dificultam a leitura completa de O Livro dos Médiuns e das demais obras da Codificação e outros livros espíritas, se a direção do Centro e o coordenador da mediunidade permanecerem desatentos quanto à programação doutrinária de sua Casa Espírita.

O material apostilado fornece visão panorâmica dos assuntos essenciais que o espírita deve conhecer, os quais estão subsidiados não só nas obras básicas, mas também em outras, de seriedade irrepreensível, concedendo dinamismo ao estudo e atendimento a um maior número de pessoas. Mas, em hipótese alguma, as apostilas substituem as obras fundamentais do Espiritismo. Por outro lado, o estudo sequencial de cada obra da Codificação é longo, fato que desestimula o principiante espírita. Assim, seguindo o roteiro doutrinário de O Livro dos Espíritos, cada apostila trabalha temas cujas ideias encontram-se nas diferentes obras da Codificação e, também, em outras de referências, como os livros clássicos do Espiritismo (de Denis, Delanne, Flammarion etc.) e os recebidos mediunicamente por Chico Xavier.

Mas a orientação é que o trabalhador da mediunidade conheça, primeiramente, as obras da Codificação. Conscientes dessa assertiva, muitas instituições espíritas promovem seminários, simpósios e encontros relacionados com o estudo de obras espíritas. Acreditamos, porém, que poderíamos
“enxugar” mais os conteúdos das apostilas.

Reformador: Qual a relação entre O Livro dos Médiuns e as obras da chamada Série André Luiz?

Marta: A relação é coerente e profunda. Cada ponto de O Livro dos Médiuns encontra eco nos ensinamentos transmitidos por André Luiz, que desmistificou a mediunidade, retirando-a do nível do maravilhoso e das manifestações supersticiosas. As suas obras analisam, com seriedade, infindáveis questões relacionadas à faculdade psíquica e à prática mediúnica, o papel que cabe aos médiuns, a importância da atividade mediúnica ser, necessariamente, associada ao conhecimento espírita e à conduta moral ensinada pelo Evangelho. Fornece notáveis contribuições relativas ao processo obsessivo e desobsessivo, demonstrando que nem tudo é mediunidade ou obsessão.

Esclarece sobre a etiologia de doenças mentais e sobre manifestações anímicas. Além do mais, o orientador espiritual nos descortina o mundo dos Espíritos, revelando a realidade pulsante da vida que existe após a morte do corpo físico; o estado de felicidade e infelicidade dos seus habitantes, consequente ao uso do livre-arbítrio; a influência que os desencarnados exercem no cotidiano dos encarnados... Por fim, demonstra com muita propriedade, porque somos, efetivamente, construtores do nosso destino. A obra de André Luiz é leitura obrigatória para quem deseja atuar na área da mediunidade.

Reformador: O que deve ser feito para se estimular o estudo de O Livro dos Médiuns nos centros espíritas?

Marta: Já existem iniciativas a respeito: Conteúdos de O Livro dos Médiuns (e também de O Evangelho segundo o Espiritismo) são estudados em paralelo, ou de forma intercalada, nos cursos regulares de mediunidade. Simpósios e Encontros sobre o Estudo da obra também ocorrem há alguns anos. A propósito, aproveitando o ensejo da comemoração dos “150 Anos de O Livro dos Médiuns”, os integrantes da Reunião das Comissões Regionais, da Área da Mediunidade, firmamos este ano um compromisso de sondar como anda a leitura e o estudo dessa segunda obra publicada por Allan Kardec. A partir dessa sondagem, vamos então, em conjunto, definir um programa que vise o conhecimento e aplicação dos conteúdos indicados nessa obra. É trabalho para os próximos dois anos, no mínimo.

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Lei de Igualdade





Do ponto de vista jurídico-político, a igualdade é o “princípio segundo o qual todos os homens são submetidos à lei e gozam dos mesmos direitos e obrigações”.1 É norma constitucional básica, que tem por escopo extinguir privilégios.2

Após o fim das atrocidades da Segunda Guerra Mundial, em 1945, algumas lideranças do Planeta sentiram necessidade de se instituir uma nova ordem internacional de proteção aos direitos humanos fundamentais e que tem sido compartilhada por vários povos. Daí surgiu a criação da ONU – Organização das Nações Unidas –, que lançou, em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo primeiro considerando coloca a igualdade como fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.

Esse ideal igualitário já vinha florescendo em séculos anteriores e ganhou impulso com a Revolução Francesa, que teve na queda da Bastilha (símbolo do absolutismo), ocorrida em 14 de julho de 1789, um marco importante dessas mudanças.

Nessa ocasião, anunciou-se o fim da servidão, dos feudos e proclamaram-se os princípios universais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, lema atribuído a Rousseau (1712-1778), iluminista que influenciou o emérito pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), diretor do famoso instituto de ensino de Yverdon, Suíça.

Cerca de 15 anos depois, nascia na França, em Lyon, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804 -1869), que estudou na mesma escola dirigida por Pestalozzi, e que, mais tarde, se tornou o Codificador do Espiritismo, sob o pseudônimo de Allan Kardec.

Influenciado pela Espiritualidade superior e tocado pelos ideais iluministas,3 Kardec lançou, em 18 de abril de 1857, em Paris, então centro da cultura mundial, a primeira obra básica do Espiritismo, destinada a abalar os alicerces do mundo contemporâneo:
O Livro dos Espíritos. Foi nesse livro revolucionário que os guias espirituais, respondendo a uma pergunta milenar, informaram, categoricamente: “Sim [os homens são iguais perante Deus], todos tendem para o mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. [...]”4

Existe mesmo igualdade absoluta entre as pessoas? Se existe essa igualdade, então por que parecemos tão diferentes uns dos outros? E por que uns nascem sãos, outros enfermos, uns ricos, outros pobres? A igualdade é lei moral de suprema importância para o desenvolvimento humano. Por ela se pode aferir quanto à Justiça e à Bondade do Criador, que a nenhum homem ou mulher concedeu superioridade natural, seja pelo nascimento, seja pela morte. Na trajetória rumo à perfeição, todos partimos do mesmo ponto, isto é, todos somos criados simples e ignorantes.

Apesar dessa igualdade natural pela criação e pelo nascimento, somos criaturas únicas, pois a infinita capacidade de sentir, de combinar pensamentos e de agir nos
dá liberdade para escolher caminhos diferentes, moldando-nos características psicológicas singulares.

Nisso está a sabedoria do Criador, que nos garante a igualdade natural, submetendo-nos a idênticas regras evolutivas, sem que nos tornemos meras cópias uns dos outros.
Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores, tanto que o corpo do rico se destrói como o do pobre.

Não existem privilégios nem distinções na Criação Divina! Todos recebem, em gérmen, o mesmo poder, a mesma sabedoria e os mesmos estímulos evolutivos, bem assim as mesmas oportunidades, no longo percurso que demanda a árdua ascensão dos Espíritos. As diferenças que existem entre as criaturas humanas repousam em diversos fatores. Uma delas está na idade do Espírito. Criando Deus, incessantemente, é natural que existam Espíritos mais antigos, que reencarnaram mais vezes e, portanto, são mais experientes que outros.

O bom ou mau uso que os homens fazem do seu livre-arbítrio também são determinantes de sua condição futura. Aqueles que se esforçam em seguir as leis divinas, utilizando os recursos da vontade e do trabalho, mais rapidamente sobem na escala do progresso. Quem mais busca superar a si próprio, perseverando no combate das imperfeições, atinge mais cedo o destino de felicidade que o Pai reservou a todos.

As várias aptidões humanas são necessárias, a fim de que cada um possa concorrer com a sua parte na execução dos desígnios divinos, de acordo com o limite do desenvolvimento alcançado e com as forças físicas e intelectuais de cada ser. O que um não faz, o outro pode fazer. Dessa união, dessa diversidade, resulta um equilíbrio de forças natural que impulsiona o progresso, fazendo com que cada qual desempenhe papel útil na vida de relação.

Não se confunda, porém, a igualdade, no seu sentido natural, com a almejada igualdade socioeconômica.As desigualdades sociais são produto das opções voluntárias dos homens e nunca resultam das preferências de Deus. Muitas das mazelas humanas refletem a lei de causa e efeito, que ensina o homem a se responsabilizar por seus atos.
A igualdade absoluta de riquezas é uma utopia. Ela não se realiza devido à diversidade das faculdades e dos caracteres dos homens, que permite que estes vivam em sociedade e aprendam a respeitar as suas diferenças.

A melhor forma de vencer a miséria é combater o egoísmo:
– A concepção igualitária absoluta é um erro grave dos sociólogos, em qualquer departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada Espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço.5

Perante as leis de Deus, não se justifica que o homem tenha privilégios ou superioridade em relação à mulher, como ainda acontece na atualidade.Deus outorgou a ambos
a inteligência e a faculdade de progredir, motivo por que possuem os mesmos direitos e deveres.

Os Espíritos não possuem sexo, como o entendemos, pois esse depende da organização física, tanto que podem encarnar ora como homem, ora como mulher, mais uma circunstância que os coloca no mesmo patamar.6 A desigualdade que existe entre homem e mulher é de funções e não de direitos. A própria legislação brasileira reconhece
essa distinção de funções quando, por exemplo, leva em conta a organização física dos trabalhadores de sexos diferentes, estabelecendo o limite de peso que a mulher deve suportar, em relação ao homem,7 bem como quando estabelece idades distintas para aposentadoria, em razão do sexo.8

A maternidade é uma missão sublime concedida à mulher, a qual tem grande poder no papel de educadora, pois, devido ao contato prolongado com a infância de seus filhos, é ela quem lhes dá as primeiras noções de vida. A existência de leis injustas e até cruéis, para regular as relações da Sociedade, constitui o reflexo das imperfeições morais dos homens, fazendo com que surjam desigualdades sociais acentuadas.

Entretanto, o progresso segue o seu curso inexorável e, pouco a pouco, essas injustiças vão desaparecendo, como foi o caso da escravidão, conforme o ritmo dos esforços individuais, que se refletirão inevitavelmente na coletividade, pelo progresso moral, quando, então, restará apenas a “desigualdade do merecimento”,9 alijando, para sempre, os privilégios de casta, sangue, posição, sexo, raça, religião etc. Esclareça-se, porém, que a igualdade não significará a uniformização entre todos os Espíritos, como se fôssemos uma sociedade de máquinas ou robôs, uma vez que, reitere-se, somos seres singulares.
Os homens se orientarão pelas leis divinas, situação que permitirá o desabrochar natural de seus pendores, de sua criatividade. Cada um ocupará os postos de menor ou maior responsabilidade, conforme as necessidades e as condições apropriadas ao momento de cada um, sem os prejuízos de determinadas convenções sociais preconceituosas. À medida que o egoísmo e o orgulho forem sendo extirpados do coração humano, por força do progresso, em seu sentido amplo, as misérias sociais, econômicas e morais cederão lugar à fraternidade e à justiça, prevalecendo a legítima igualdade preconizada pelos guias espirituais da Humanidade.

Christiano Torchi




Referência

1Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa – 3.0.
2A Constituição Federal Brasileira adota esse princípio, que se encontra insculpido no art. 5o e incisos.
3KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 40. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. P. 1, Liberdade, igualdade, fraternidade, p. 259-263.
4Idem. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 803.
5XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 56.
6KARDEC,Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 200 a 202 e 822a.
7Art. 390 da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho.
8Art. 40, III, “a”, da CF – Constituição Federal.
9KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 806a.







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Pensamentos da India




Este povo recebeu a liderança espiritual de Mahatma Gandhi nos momentos críticos de sua história, na luta pela libertação; nos momentos de dor e sofrimento, recebeu o espírito protetor de Madre Tereza. Sem dúvida alguma esse povo é protegido por Deus.
Meditemos sobre a sabedoria espiritual dos seus dois maiores líderes.


A minha fé mais profunda é que podemos mudar o mundo pela verdade e pelo amor. (Gandhi)

A força não provém de uma capacidade física e sim de uma vontade indomável. (Gandhi

Dai-me um povo que acredita no amor e vereis a felicidade sobre a terra. (Gandhi

O único tirano que aceito nesse mundo é a pequena voz silenciosa que há dentro de mim. (Gandhi)

Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim. Ou são ramos da mesma árvore majestosa. Portanto, são todas verdadeiras. (Gandhi

Outro dia sonhei que estava nos portões do Paraíso. E São Pedro disse, “Volte para a Terra. Não existem favelas aqui.” (Madre Tereza). (Citação de sua conversa com o Príncipe Michael da Grécia em 1996.)


Quando vejo o desperdício, sinto raiva dentro de mim. Eu não aprovo eu mesma sentir raiva. Mas é algo que não se pode evitar de se sentir após vermos a Etiópia. (Madre Tereza

Às vezes, pensamos que a pobreza é apenas fome, nudez e desabrigo. A pobreza de não ser desejado, não ser amado e não ser cuidado é a maior pobreza. É preciso começar em nossos lares o remédio para esse tipo de pobreza. (Madre Tereza)

Eu vejo Deus em cada ser humano. Quando limpo as feridas do leproso, sinto que estou cuidando do próprio Senhor. Não é uma experiência maravilhosa? (Madre Tereza

Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação. (Madre Tereza

Nós mesmos sentimos que o que fazemos é uma gota no oceano. Mas o oceano seria menor se essa gota faltasse. (Madre Tereza

O milagre não é realizarmos esse trabalho, mas que sejamos felizes fazendo-o.
A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado. (Madre Tereza

É ocioso pensar sobre o justo o e injusto, o certo e o errado e os feitos passados. O útil é analisar, e se possível extrair uma lição para o futuro. (Gandhi

Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida. Se cuidamos do hoje, Deus cuidará do amanhã. (Gandhi

Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las. (Madre Tereza)

Tento dar aos pobres de amor o que os ricos conseguem com o dinheiro. Não, eu não trocaria um leproso por mil pounds; contudo, de boa vontade o curarei pelo amor de Deus. (Madre Tereza

Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor. (Madre Tereza

Não sei ao certo como é o paraíso, mas sei que quando morrermos e chegar o tempo de Deus nos julgar, Ele não perguntará quantas coisas boas você fez em sua vida, antes ele perguntará quanto AMOR você colocou naquilo que fez. (Madre Tereza

Não ser desejado, não ser amado, não ser cuidado, ser esquecido por todos, isso acredito ser fome muito maior, uma pobreza muito maior do que a de uma pessoa que não tenha nada para comer. (Madre Tereza

Não pense que o amor, para ser genuíno, tenha que ser extraordinário. O que é preciso é amarmos sem nos cansarmos de fazê-lo. (Madre Tereza)


Tenha fé nas pequenas coisas, pois é nelas que a sua força reside. (Madre Tereza

Sei que Deus não me dará nada que eu não possa lidar. Apenas gostaria que Ele não confiasse tanto em mim. (Madre Tereza

Nesta vida, não podemos realizar grandes coisas. Podemos apenas fazer pequenas coisas com um grande amor. (Madre Tereza

Não nos sintamos satisfeitos apenas dando dinheiro. O dinheiro não é suficiente, o dinheiro pode ser obtido, mas eles precisam de seu coração para amá-los. Portanto, espalhe o seu amor por onde quer que vá. (Madre Tereza

Texto enviado por Roy Lacerda do blog MomentoBrasil e foi aqui 
postado por ser pertinente à proposta do Tempo Espírita.

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CULPA E RESPONSABILIDADE - PROCESSOS DE LIBERTAçãO DA CULPA






A culpa que sentimos é resultado de séculos de condicionamento dentro do pensamento judaico-cristão, aliás uma distorção do pensamento cristão, que intrinsecamente, não estabelecia a culpa e a punição como posteriormente acabou acontecendo.
Por esse pensamento tudo o que fazemos e que não está dentro dos padrões rígidos dessa pseudomoral instituída é um pecado e deve ser punido violentamente.
Durante séculos, esse pensamento oriundo do judaísmo; do olho por olho, dente por dente, manipulado e distorcido pelas doutrinas "cristãs" por interesse próprio vem imperando dentro da cultura ocidental.
Eu digo distorcido, pois se observarmos os Evangelhos, o Cristo jamais se referiu ao erro dessa forma como as várias religiões cristãs durante séculos pregaram, a do pecado e da punição por ele.
Basta analisar as passagens na qual ele se refere a mulher adúltera, quando ele disse que atirasse a primeira pedra aquele que não tinha pecados, o momento de encontro com a mulher hemorroísa, a sua postura com Maria de Magdala e perceberemos que ele via o erro de uma maneira natural, fazendo parte das experiências de evolução do ser humano..
Mas infelizmente as suas palavras foram distorcidas e durante séculos este pensamento deturpado tem imperado, como ainda hoje, na cultura ocidental a ponto do mesmo ainda estar imerso no inconsciente coletivo da nossa cultura. Isso faz com que a culpa esteja impregnada em nós mesmos.
Analisemos as razões para isso, à luz da psicologia transpessoal.
Esta ciência tem estudado inúmeras questões que tem atormentado o ser humano durante séculos as quais não se encontram explicações dentro da ciência materialista/reducionista.
A explicação mais plausível para a culpa que muitas pessoas trazem e que são inexplicáveis no momento atual, pois estas não fizeram nada que justifique ou explique estas culpas, é que elas cometeram estas ações pelas quais sentem culpa em seu passado espiritual.
Pelos estudos que têm sido feito pelos pesquisadores no mundo inteiro a reencarnação é um fato. Isso explicaria estas culpas imensas que muitas vezes as pessoas sentem, sem razão aparente.
Isso acontece devido a séculos passando por experiências, nas quais vivenciamos muito intensamente, este paradigma judáico-cristão distorcido. Por isso a culpa ainda persegue muita gente, mesmo quando temos tudo, teoricamente, para nos libertar dela.
O que fazer para se libertar da culpa?
Só existe um caminho para libertar a nossa consciência; assumindo a responsabilidade pela nossa vida.
É necessário refletir que o erro faz parte da evolução natural de todas as pessoas.
Quando cometemos um erro, analisando-se aqui o erro, como sendo algo que contraria a lei de amor, isto é, uma atitude de desamor ou pseudo-amor, por nós mesmos ou a outras pessoas, a natureza, o cosmos. Muitas vezes dentro do paradigma judáico-cristão distorcido, muitas coisas que são tidas como erros ou pecados, não o são, dentro da lei de amor. Então quando cometemos um erro, estamos assumindo uma postura egóica. Esta atitude errada pode acontecer por ignorância ou por desprezo ao que é correto, que está dentro dos princípios da lei de amor. Toda atitude equivocada tem a sua conseqüência.
Torna-se fundamental para a libertação da culpa, que é uma atitude inconseqüente, pois não corrigimos com ela o erro cometido, assumir a responsabilidade pelo erro e buscar reparar as suas conseqüências. Com isso estaremos aprendendo com o erro e isso faz com que evoluamos, diferentemente da culpa e da punição que lhe é conseqüente, na qual a pessoa simplesmente se pune pelo erro e se acha uma vítima por tê-lo cometido, sem assumir o aprendizado dele decorrente.
Resumindo, todas as vezes que sentirmos culpa por algo que tenhamos feito ou que simplesmente nos achemos culpados mesmo que não haja uma razão aparente, é necessário refletir fazendo a nós mesmos estas perguntas:
o que posso tirar de aprendizado desta experiência?
como posso agir para reparar as conseqüências dos meus atos?
Com isso estaremos assumindo a responsabilidade pela nossa vida e conquistando a nossa felicidade.
Outro efeito importante da meditação é a paz interior, um refúgio onde você pode escapar da turbulência do seu dia-a-dia. O hábito de meditar diariamente vai lhe ajudar a desligar-se do estresse e trará calma e energia para você enfrentar melhor os desafios que têm em sua vida.

Alírio de Cerqueira Filho


A PSICOLOGIA DA CULPA
Duas são as causas psicológicas da culpa: a que procede da sombra escura do passado, da consciência que se sente responsável por males que haja praticado em relação a outrem e a que tem sua origem na infância, como decorrência da educação que é ministrada. A culpa é resultado da raiva que alguém sente contra si mesmo, voltada para dentro, em forma de sensação de algo que foi feito erradamente.


Este procedimento preexiste à vida física, porque originário, na sua primeira proposta, como gravame cometido contra o próximo, que gerou conflito de consciência.
Quando a ação foi desencadeada, a raiva, o ódio ou o desejo de vingança, ou mesmo a inconsequência moral, não se permitiram avaliação do desatino, atendendo ao impulso nascido na mesquinhez ou no primarismo pessoal. Lentamente, porém, o remorso gerou o fenômeno de identificação do erro, mas não se fez acompanhar de coragem para a conveniente reparação, transferindo para os arquivos do Espírito o conflito em forma de culpa, que ressuma facilmente ante o desencadear de qualquer ocorrência produzida pela associação de ideias condutora da lembrança inconsciente.
Quando isto ocorre, o indivíduo experimenta insopitável angústia, e procura recurso de autopunição como mecanismo libertador para a consciência responsável pelo delito que ninguém conhece, mas se lhe encontra ínsito no mapa das realizações pessoais, portanto, intransferível.
Apresenta-se como uma forte impregnação emocional, em forma de representações ou idéias (lembranças inconscientes), parcial ou totalmente reprimidas, que ressurgem no comportamento, nos sonhos, com fortes tintas de conflito psicológico.
Na segunda hipótese, a má formação educacional, especialmente quando impede a criança de desenvolver a identidade, conspira para a instalação da culpa.
Normalmente exige-se que o educando seja parcial e adulador, concordando com as ideias dos adultos – pais e educadores – que estabelecem os parâmetros da sua conduta, sem terem em vista a sua espontaneidade, a sua liberdade de pensamento, a sua visão da existência humana em desenvolvimento e formação.
É de lamentar-se que as crianças sejam manipuladas por genitores e professores, quando frustrados, que lhes transmitem a própria insegurança, insculpindo-lhes comportamentos que a si mesmos se agradam em detrimento do que é de melhor para o aprendiz.
Precipita-se-lhe a fase do desenvolvimento adulto com expressões pieguistas, nas quais se afirmam: “já é uma mocinha”, “trata-se de um rapazinho”, inculcando-lhes condutas extravagantes, sem que deixem de ser realmente crianças.
A vida infantil é relevante na formação da personalidade, na construção da consciência do Si, na definição dos rumos existenciais.
A conduta dos adultos grava no educando a forma de ser ou de parecer, de conviver ou de agradar, de conquistar ou de utilizar-se, dando surgimento, quase sempre, quando não correta, a inúmeros conflitos, a diversas culpas.
Constrangida a ocultar a sua realidade, a fim de não ser punida, sentindo-se obrigada a agradar os seus orientadores, a criança compõe um quadro de aparência como forma de conveniência, frustrando-se profundamente e perturbando o caráter moral que perde as diretrizes de dignidade, os referenciais do que é certo e do que é errado.
Essa má-educação é imposta para que os educandos sejam bons meninos e boas meninas, o que equivale dizer, que atendam sempre aos interesses dos adultos, não os contrariando, não os desobedecendo. Bem poucas vezes pensa-se no bem estar da criança, no que lhe apraz, naquilo que lhe é compatível com o entendimento.
Vezes outras, como forma escapista da própria consciência os pais cumulam os filhos com brinquedos e jogos, em atitude igualmente infantil de suborno emocional, a fim de os distrair, em realidade, no entanto, para fugirem ao dever da sua companhia, dos diálogos indispensáveis, da convivência educativa mais pelos atos do que pelas palavras.
Apesar de pretender-se tornar independente o educando, invariavelmente ele cresce co-dependente, isto é, sem liberdade de ação, de satisfação, culpando-se toda vez que se permite o prazer pessoal fora dos padrões estabelecidos e das imposições programadas.
Para poupar-se a problemas, perde a capacidade de dizer não, a espontaneidade de ser coerente com o que pensa, com o que sente, com o que deseja.
Não poucas vezes, a criança é punida quando se opõe, quando externa o seu pensamento, quando se nega, alterando a maneira de ser, a fim e evitar-se os sofrimentos.
Há uma necessidade psicológica de negar-se, de dizer-se não, sempre que se faça próprio, sem a utilização de métodos escapistas que induzem à pusilanimidade, à incoerência de natureza moral
Não se pode concordar com tudo, e, ipso facto, omitir-se de dizer-se o que se pensa, de negar-se, de ser-se autêntico. Certamente a maneira de expressar a opinião é que se torna relevante, evitando-se a agressividade na resposta negativa, a prepotência na maneira de traduzir o pensamento oposto. Torna-se expressivo, de certo modo, não exatamente o que se diz, mas a maneira como se enuncia a informação.
Esse hábito, porém, deve ser iniciado na infância, embutindo-se no comportamento do educando a coragem de ser honesto, mesmo que a preço de algum ônus.
Essa insegurança na forma de proceder e a dubiedade de conduta, a que agrada aos outros e aquela que a si mesmo satisfaz, quase sempre desencadeiam processos sutis de culpa, que passam a zurzir o indivíduo na maioria das vezes em que é convidado a definir rumos de comportamento.
A culpa pode apresentar-se a partir do momento em que se deseja viver a independência, como se isso constituísse uma traição, um desrespeito àqueles que contribuíram para o desenvolvimento da existência, que deram orientação, que se esforçaram pela educação recebida. Entretanto, merece considerar que, se o esforço foi realizado com o objetivo de dar felicidade, a mesma começa a partir do instante em que o indivíduo afirma-se como criatura, em que tem capacidade para decidir, para realizar, para fazer-se independente.
Os adultos imaturos, no entanto, diante desse comportamento cobram o pagamento pelo que fizeram, dizendo-se abandonados, queixando-se de ingratidão, provocando sentimentos injustificáveis de culpa, conduta essa manipuladora e infeliz.
Esse método abusivo é normalmente imposto à infância, propiciando que a culpa se instale, quando a criança dá-se conta de que pensa diferente dos seus pais, exigindo desses educadores sabedoria para poderem diluí-la e apoiarem o que seja correto, modificando o que não esteja compatível com a educação.
A culpa é algoz persistente e perigoso, que merece orientação psicológica urgente.
Texto de Joanna de Angelis, do livro “Conflitos Existenciais”, psicografado por Divaldo Franco.
As Consequências da Culpa não Liberada
A culpa encontra sintonia com as paisagens mais escuras da personalidade humana em que se homizia.
Os conflitos e as mesquinhezes dos sentimentos nutrem-se da presença da culpa, levando a estertores agônicos aquele que lhe sofre a injunção.
Acabrunha e desarticula os mecanismos da fraternidade, tornando o paciente arredio e triste, quando não infeliz e desmotivado.
As suas ações tornam-se policiadas pelo medo de cometer novos desatinos e quase sempre é empurrado para a depressão.
Vezes, porém, outras, apresenta-se com nuanças muito especiais, mediante as quais há uma forma de escamoteá-la através de escusas e de justificações indevidas.
Assevera-se, nessa conduta, que é normal errar, e, sem dúvida, o é, mas não permanecendo em contínua postura de equívocos, prejudicando outras pessoas, sem o reconhecimento das atitudes infelizes que devem sempre ser recuperadas.
Tormentosa é a existência de quem se nutre de culpa, sustentando-a com a sua insegurança. Tudo quanto lhe acontece de negativo, mesmo as ocorrências banais, é absorvido como sentimentos necessários à reparação.
A infância conflituosa, não poucas vezes induz o educando à raiva, ao desejo de vingança, à morte dos pais ou dos mestres. Isto ocorre como catarse liberadora do desgosto. Quando, mais tarde, ocorre algo de infelicitador com aquele a quem foram dirigidos a ira e o desejo de desforço, a culpa instala-se, automaticamente, no enfermo, provocando arrependimento e dor.
Determinados acontecimentos têm lugar, não porque sejam desejados, mas porque sucedem dentro dos fenômenos humanos. Entretanto, a consciência aturdida aflige-se e procura mecanismo de autopunição, encontrando na culpa a melhor forma de descarregar o conflito.
Quando, num acidente, alguém morre ao lado de outrem que sobreviveu, em caso de este não possuir estabilidade emocional, logo se refugia na culpa de haver tomado o lugar na vida que pertencia ao que sucumbiu, sem dar-se conta de que sempre teve igualmente direito à existência.
Tal comportamento mórbido castra muitas iniciativas e desencadeia outros processos autopunitivos de que a vítima não se dá conta.
O arrependimento, que deve ser um fenômeno normal de avaliação das ações, mediante os resultados decorrentes, torna-se, na consciência de culpa, uma chaga a purgar mal-estar e desconfiança.
Como forma de esconder o conflito, surge a autocomiseração, a autocompaixão, quando seria mais correto a liberação do estado emocional, mediante a reparação, se e quando possível.
Reprimir a culpa, tentar ignorá-la é tão negativo quando aceitá-la como ocorrência natural, sem o discernimento da gravidade das ações praticadas.
À medida que é introjetada, porém, a culpa assenhoreia-se da emoção e torna-se punitiva, castradora e perversa.
Gerando perturbações emocionais, pode induzir a comportamentos doentios e atitudes criminosas, em face de repressões da agressividade, de sentimentos negativos incapazes de enfrentamentos claros e honestos que empurram para a traição, para os abismos sombrios da personalidade.
Porque se nutre dos pensamentos atormentadores, o indivíduo sente-se desvalorizado e aflige-se com ideias pessimistas e desagradáveis. Acreditando-se desprezíveis, algumas personalidades de construção frágil escorregam para ações mais conflitivas.
Nos criminosos seriais, por exemplo, a culpa inconsciente propele-os a novos cometimentos homicidas, além do inato impulso psicopata e destrutivo que lhes anula os sentimentos e a lucidez em torno das atrocidades cometidas. Portadores de uma fragmentação da mente, permanecem incapazes de uma avaliação em torno dos próprios atos.
Podem apresentar-se gentis e atraentes, conseguindo, dessa forma, conquistar as suas futuras vítimas, antegozando, no entanto, a satisfação da armadilha que lhes prepara, estimulando-0s ao golpe final.
Bloqueando a culpa, saciam-se, por breve tempo, na aflição e no desespero de quem leva à comsumpção. Quanto maior for o pavor de que o outro dê mostra, mais estímulo para golpear experimenta o agressor. A fúria sádica explode em prazer mórbido e cessa até nova irrupção.
Processos de Libertação da Culpa
Há uma culpa saudável que deve acompanhar os atos humanos quando os mesmos não correspondem aos padrões do equilíbrio e da ética. Esse sentimento, porém, deve ser encarado como um sentido de responsabilidade.
Sem ela, perder-se-ia o controle da situação, permitindo que os indivíduos agissem irresponsavelmente.
Todas as criaturas cometem erros, alguns de natureza grave. No entanto, não tem por que desanimar na luta ou abandonar os compromissos de elevação moral.
O antídoto para a culpa é o perdão. Esse perdão poderá ser direcionado a si mesmo, a quem foi a vítima, à comunidade, à Natureza.
Desde que a paz e a culpa não podem conviver juntas, porque uma elimina a presença da outra, torna-se necessário o exercício da compreensão da própria fraqueza, para que possa a criatura libertar-se da dolorosa injunção.
A coragem de pedir perdão e a capacidade de perdoar são dois mecanismos terapêuticos liberadores da culpa.
Consciente do erro, torna-se exequível que se busque uma forma de reparação, e nenhuma é mais eficiente do que a de auxiliar aquele a quem se ofendeu ou prejudicou, ensejando-lhe a recomposição do que foi danificado.
Tratando-se de culpa que remanesce no inconsciente, procedente de existência passada, a mudança de atitude em relação à vida e aos relacionamentos, ensejando-se trabalho de edificação, torna-se o mais produtivo recurso propiciador do equilíbrio e libertador da carga conflitiva.
Ignorando-se-lhe a procedência, não se lhe impede a presença em forma de angústia, de insegurança, de insatisfação, de ausência de merecimento a respeito de tudo de bom e de útil quanto sucede... Assim mesmo, o esforço em favor da solidariedade e da compaixão, elabora mecanismos de diluição do processo afligente.
É comum que o sentimento de vergonha se instale no período infantil, quando ainda não se tem ideia de responsabilidade de deveres, mas se sabe o que é correto ou não para praticar. Não resistindo ao impulso agressivo ou à ação ilegítima, logo advém a vergonha pelo que foi feito, empurrando para fugas psicológicas automáticas que irão repercutir na idade adulta, embora ignorando-se a razão, o porquê.
A culpa tem a ver com o que foi feito de errado, enquanto que o sentimento de vergonha denota a consciência da irresponsabilidade, o conhecimento da ação negativa que foi praticada.
Somente a decisão de permitir-se herança perturbadora, que remanesce do período infantil, superando-a, torna possível a conquista do equilíbrio, da auto-segurança, da paz.
A saúde mental e comportamental impõe a liberação da culpa, utilizando-se do contributo valioso do discernimento que avalia a qualidade das ações e permite as reparações quando equivocadas e o prosseguimento delas quando acertada.

s.
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