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MORTOS







Há sempre numerosos mortos em nossa luta de cada dia, convocando-nos às preces da diligência e da bondade em favor de cada um.
Mortos que sofrem muito mais que os outros - aqueles que julgais sentenciados à cinza e à separação.

Há usurários que se sustentam, inermes, em túmulos de ouro.
Há dominadores do mundo que se mostram distraídos em seus imponentes sarcófagos de orgulho falaz.
Há juízes inumados em covas de lama.
Há legisladores mumificados em terríveis enganos da alma.

Há sacerdotes enterrados sob o cadafalso adornado da simonia e administradores encerrados em urnas infernais de inconfessáveis compromissos.
Há jovens mortos no vício e velhos amortalhados no frio da negação.
Há sábios enrijecidos no gelo da indiferença e heróis paralíticos sobre a essa de fantasias e ilusões.

Há impulsos em sepulturas de espinhos e preguiçosos em sepulcros de miséria.
Se proclamardes a verdade perante todos eles, almas cadaverizadas no esquecimento da Divina Lei, decerto, responder-vos-ão com a inércia, com a ironia e com a imobilidade.
Para eles, pronunciou o Senhor as antigas palavras:- “Que os mortos enterrem os seus mortos”.

Procuremos a vida, descerrando nosso coração ao trabalho incessante do Bem Infinito...
Porque, na realidade, só aquele que aprende e ama, renovando-se incessantemente, consegue superar os níveis inferiores da treva, subindo, vitorioso, ao encontro da Vida Verdadeira com a eterna libertação.


DE "ALMA E LUZ", DE FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER



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Emergência e cruzada pela infância



Poucas décadas antes e depois da instalação da evangelização da infância na Federação Espírita Brasileira, ocorreram marcos significativos na Seara Espírita com esforços louváveis, voltados à educação da criança e inspirados na Doutrina Espírita.
Entre estes, destaca-se a atuação de Anália Franco, Eurípedes Barsanulfo, Vianna de Carvalho, Jerônimo Ribeiro, Leopoldo Machado, Clóvis Tavares e Ilka Mass, a primeira evangelizadora da FEB. Os espíritas conquistaram o respeito das comunidades em função do bem que concretizaram em múltiplas ações pelo território brasileiro.
Desde tenra idade recebemos informações sobre o notável trabalho efetivado em nossa cidade natal pela pioneira Benedita Fernandes (1883-1947). Sempre vencendo com esforço denodado as inúmeras dificuldades, a senhora, que cognominamos “dama da caridade”, direcionou seu foco para a dedicação ao próximo, com atendimento a crianças desamparadas e aos chamados doentes mentais.
A tarefa implantada por Benedita tornou-se um símbolo de dedicação ao próximo na Região Noroeste do Estado de São Paulo, desde a passagem dos anos 1920-1930, sensibilizando a muitos, inclusive a nossos ascendentes familiares.
No mundo espiritual houve esse reconhecimento em mensagem psicografada por Chico Xavier, no ano de 1963, intitulada Num domingo de calor, assinada pelo Espírito Hilário Silva e referente a Benedita Fernandes, sobre uma “reunião de damas consagradas à caridade”, na qual ela é chamada de “abnegada fundadora” e “mulher admirável”.1,2
A priorização dos objetivos de trabalho da abnegada benfeitora prosseguiu e transparece claramente em mensagens escritas mediunicamente por Divaldo Pereira Franco. Algumas destas, de autoria da própria Benedita Fernandes, foram psicografadas no lar de nossos genitores e no nosso próprio lar, durante os anos 1970, em Araçatuba. Posteriormente, foram incluídas em livros, dos quais destacamos trechos
de duas mensagens:1,3
Esse problema de emergência  o menor abandonado deve ser atendido por todas as pessoas criteriosas, visando-se a solucioná-lo com urgência.
Enquanto não empreenda uma campanha clarificada pelas luzes do Evangelho, com os altos objetivos de erradicar-se a indiferença da Sociedade em relação à orfandade infantil, aqui incluídos os que são de “pais vivos”, a bem pouco ficam reduzidas as expressões de ventura que a maioria pretende usufruir. [...] Todo investimento  e ninguém se pode eximir do dever de ajudar  aplicado no rumo do menor em abandono é de alta valorização, porquanto os seus juros demandam a eternidade.
Quando se atende a um órfão, assegura-se um lugar para um homem no futuro. Mas quando se permite que ele rasteje nos lôbregos sítios em que sobrevive, por culpa de todos, arma-se um bandido para a intranquilidade geral. Negativos os métodos policiais coercitivos, infelizes os ajuntamentos em reformatórios e as punições exorbitantes pela pancadaria desenfreada e o sadismo contumaz. Tais produzem esquizoides violentos, alienados em degeneração apressada, animais em fúria contida, aguardando ensejo…
O amor, porém, aliado aos recursos educativos por todos os meios hábeis, cuidará desses sêmens da humanidade e fará que se enfloresçam, na Terra, os jardins de paz com abençoados frutos de felicidade a que todos almejamos.1 (Destaque nosso.)
Os altos índices de atual delinquência infantojuvenil, cada dia mais afligentes, atestam o malogro da cultura, diante do problema-desafio, que se converte em látego, vigorosamente aplicado na criatura humana.
O menor carente, que assume um comportamento antissocial, é a pungente vítima dos desequilíbrios que sacodem as estruturas da comunidade terrestre.
[...] Todos têm direito, na comunidade humana, ao mínimo que seja, para viver com decência e liberdade. Negar tal concessão é conspirar contra a felicidade do próximo e a própria paz, agora ou depois.
Façamos a nossa parte, por menor que pareça, iniciando esta cruzada de amor, que vem sendo postergada e que, não realizada, levar-nos-á aos roteiros do sofrimento e da soledade, por incúria e insensatez.
Hoje brilha a luz da famosa oportunidade que se transformará em abençoado sol do amanhã, a fim de que as trevas do mal se afastem, em definitivo, da Terra, havendo claridade de paz, nas mentes e nos corações. 3 (Destaque nosso.)
Os dois textos da autora espiritual têm muito valor porque estão calcados na experiência de sua mais recente encarnação.
Cem anos após a implantação da evangelização da criança, na então Sede da FEB e no contexto da atualidade, parece-nos extremamente oportuna a reflexão do compromisso dos dirigentes espíritas com as novas gerações.
Num mundo conturbado por contrastes incríveis, surge a esperança de um mundo melhor. Porém, as ações do presente e quanto mais precoces, mais oportunas, são imperiosas para o processo de acolhimento, apoio e orientação das crianças. O Espírito imortal, ao reencarnar, tem na infância a grande oportunidade de receber o enlaçamento da educação como se apresenta na questão 383 de O livro dos espíritos.
A obra assistencial e educacional, voltada à infância, e o apoio familiar, à luz das premissas do Evangelho, clareadas pelo Espiritismo, oferecem um potencial de incrível impacto para se fazer a profilaxia de eventuais futuros problemas, constituindo-se, desde já, em valioso recurso para o apoio espiritual ao ambiente da família dos recém-reencarnados.
Os alertas de Benedita Fernandes, quando nos chama a atenção para “emergência” com a criança e propõe uma “cruzada de amor”, são oportunos e cabíveis para os dias de hoje.
Os milhares de centros espíritas do país podem prestar grande contribuição à sociedade brasileira e à preparação de uma Nova Era para a Civilização.
É chegado o momento de se ampliar as atenções para a infância, atendendo-se à diversidade das faixas sociais e das necessidades dos centros espíritas, os quais são as células básicas do Movimento Espírita:
[...] é uma escola onde podemos aprender a ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna.4
REFERÊNCIAS:

1 PERRI DE CARVALHO, Antonio Cesar. Dama da caridade. 2. ed. São Paulo: Ed. Radhu, 1987. p. 94.
2 XAVIER, Francisco C. Pelo Espírito Hilário Silva. Num domingo de calor. In: Anuário espírita 1964. Araras: Ed. IDE, 1964. p. 49.
3 FRANCO, Divaldo P. Sementes de vida eterna. Por diversos Espíritos. Salvador: Leal, 1978. cap. 20 e 21, p. 85 a 92.
4 XAVIER, Francisco C. O centro espírita, pelo Espírito Emmanuel. Reformador, ano 69, n. 1, p. 5(9), jan. 1951.



- Antonio Cesar Perri de Carvalho -

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A LIÇÃO DA ARANHA



O aprendiz perguntou ao orientador, depois da aula, em torno das dificuldades humanas.
- Instrutor, onde os motivos pelos quais sempre se multiplicam os obstáculos, diante dos homens, impedindo-lhes a sublimação espiritual?
O amigo convidou o discípulo a visitar um casarão próximo, semi-abandonado.
Entraram e, numa sala espaçosa, grande aranha se mostrava presa no centro da caprichosa rede de fios, entretecida por ela mesma.
- Vês esta aranha encarcerada no labirinto, feito por ela própria? - indagou o mentor.
Ante o sinal afirmativo do rapaz, o amigo acrescentou:
- Observemos.
Passados alguns instantes, apareceu jovem auxiliar de serviço, naquela moradia quase desabitada e usando um espanador, desfez o tecido, libertando a aranha, que se deu em esconder sob pesado móvel.
- Voltaremos amanhã para nossos apontamentos - falou o orientador.
No dia seguinte, professor e discípulo regressaram ao casarão e, num aposento diverso, a mesma aranha se apresara no centro de outros fios tecidos por ela própria.
Decorridos poucos segundos, a jovem da véspera reapareceu e acabou com a trama, libertando a aranha que se afastou, ocultando-se em antigo móvel desocupado.
Mais um dia e, pela terceira vez, o instrutor e o aprendiz retornaram ao mesmo local, surpreendendo a mesma aranha no centro de outra complicada rede de fios, criada por ela própria.
A jovem, já conhecida, surgiu e agitando o espanador libertou a aranha que, rapidamente, tomou novo esconderijo sob mala suspensa.
Foi então que o mentor, dirigindo-se ao rapaz, resumiu a lição, esclarecendo:
- Lembrou você que os homens lutam com grandes entraves, no caminho da elevação, mas é preciso reconhecer que a maioria dos nossos companheiros, no Plano Físico, quase sempre agem à maneira da aranha. O espanador providencial do sofrimento surge para libertá-los das prisões engendradas e construídas por eles, entretanto, que podemos fazer se eles mesmos se escondem nos hábitos que acalentam e, depois, usando o livre arbítrio, criam novos problemas para eles próprios? 

EMMANUEL
(AGORA É O TEMPO, 25, FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, EDIÇÃO IDEA
L)
 

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Trabalhadores da última hora no dia a dia



Parábola dos Trabalhadores da última hora é muito sugestiva para os momentos atuais: Pois o Reino dos Céus é semelhante ao homem, senhor de
casa, que saiu ao raiar do dia a assalariar trabalhadores para a sua vinha. Depois de ajustar com os trabalhadores um denário por dia, os enviou para sua vinha. (Mateus, 20:1-2.)1
Jesus prosseguiu no seu relato, comentando que o proprietário saiu em várias horas do dia, inclusive numa das bem adiantadas, a undécima, convidando os que se encontravam sem trabalho a irem também para a sua vinha. Ao cair da tarde, providenciou o pagamento a todos, começando pelos últimos e indo até aos primeiros.
Houve questionamento por parte dos que estavam trabalhando desde o primeiro momento. Após esclarecer sobre seu procedimento disse: “[...] Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros, {serão} últimos”. (Mateus, 20:16.)1
Na análise da parábola, o Codificador incluiu a mensagem que a relaciona com a situação atual dos espíritas, no contexto do processo de conhecimento e prática da religiosidade e da moralidade, na nossa civilização: Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse:
Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.2
Ao situar os espíritas como trabalhadores da última hora, O evangelho segundo o espiritismo põe em relevo alguns aspectos que devem merecer reflexões, inclusive para a eventual aplicação da parábola no contexto do Movimento Espírita.
Os espíritas, provavelmente, somos aqueles que já tivemos inúmeras oportunidades para nos afeiçoarmos à Lei divina, até mesmo nos séculos posteriores à mensagem do Cristo:
“[...] há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela!”.2 Daí a razão de Emmanuel comentar, nos idos de 1938, em A caminho da luz: Aproxima-se o momento em que se efetuará a aferição de todos os valores terrestres para o
ressurgimento das energias criadoras de um mundo novo [...] 3
Será que na trajetória do processo evolutivo de nosso planeta não nos encontramos na nossa “undécima hora”, considerada na parábola como uma hora adiantada e próxima ao momento da conclusão do ciclo do dia de trabalho?
Provavelmente, estamos com a possibilidade do trabalho na vinha do Senhor nessa etapa, ou seja, no momento em que se encerra um ciclo de nossa civilização e se prepara a Nova Era.
Todavia, como viajores de diversificadas experiências e tendo seguido caminhos diferentes, trazemos tendências muito assinaladas em nossos
Espíritos, inclusive na condição de viezes do orgulho e do egoísmo. De que maneira estamos recepcionando na “nossa vinha” os trabalhadores que chegam na “undécima hora” de nossas jornadas?
No seio dessa vinha de nossos dias, também há crianças, jovens, adultos e voluntários em geral, que aportam em nossos espaços de trabalho em diferentes “horas” e vindos de locais variados. É quando, às vezes, surge a tendência de se manter algumas formas de discriminação: “Como? tão jovem… você primeiro precisa aprender muito…”; “Estes assuntos (atuais) são muito complicados para crianças e jovens.
Eles precisam crescer…”; “Mas, você fez um curso x ou y? E onde? Aqui somente permitimos trabalhadores que tenham completado os cursos z ou w… e realizados em nossa Instituição…”; “Como aceitar a colaboração desse companheiro se ele tem pouco tempo de Casa?
Não! Nós precisamos privilegiar aqueles que têm anos de preparo aqui dentro…” O apóstolo Paulo viveu o dilema polêmico – a quem levar a mensagem do Cristianismo: aos que já aceitavam a lei moisaica ou também aos gentios?
Ao longo dos séculos, foram criadas normas e hierarquias para se ter acesso ao estudo e à prática religiosa. Vivemos em outra época: de globalização de informações, de rompimento de barreiras, de respeito à diversidade e de respostas rápidas.
Torna-se evidente, nesse contexto, a oportunidade do “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2013-2017)”, aprovado pelo
Conselho Federativo Nacional da FEB, que define na sua Diretriz 1:
Difundir a Doutrina Espírita, através do seu estudo, da sua divulgação e da sua prática, colocando a ao alcance e a serviço de todas as pessoas, indistintamente, independentemente de sua condição social, cultural, econômica ou de sua faixa etária. 4
Essa Diretriz é coerente com o capítulo XX da obra2 de Kardec, na qual está inserida a mensagem de Erasto, intitulada Missão dos espíritas: “[...] Ide, pois, e levai a palavra divina [...]”.2 O “Plano” citado ainda apresenta diretrizes para a união, adequação de centros e preparação de trabalhadores.
A proposta espírita para o trabalhador das instituições deve ser condizente com a mensagem de fraternidade e solidariedade que emana do Cristo, a qual pode ser sintetizada em palavras-chaves constantes de recente Campanha do CFN da FEB, definindo as tarefas primordiais dos centros espíritas: acolher, consolar, esclarecer e orientar.5
Essas situações também podem acontecer no ambiente profissional e até na intimidade das famílias, onde os mais jovens ou os que “estão chegando agora” algumas vezes são questionados e até isolados porque não estão inseridos no contexto desde “a primeira hora”.
No cenário profissional da atualidade, os tradicionais critérios de antiguidade no serviço e até de exclusividade de experiência em um único vínculo empregatício, já não são muito considerados. Há muitas formas de valorização de potenciais e experiências dentro de contextos diversificados, havendo mesmo tendência de se destacarem os valores humanísticos e os não cognitivos.
De outra mensagem do mesmo capítulo da obra2 de Kardec – Os obreiros do Senhor –, assinada pelo Espírito de Verdade, destacamos: Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo.
Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos Céus”.2 Os parâmetros dos ensinos morais do Cristo embasam o Espiritismo e compete-nos realizar um grande esforço para a internalização e colocação em prática dessas propostas de ação, iniciando-as na Seara espírita.


- Antonio Cesar Perri de Carvalho -

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Jesus no Cotidiano




Comemorávamos o aniversário de companheiro espírita, em sua residência. Após o apagar das velinhas, enquanto saboreávamos o bolo tradicional, falava-se a respeito de menores delinquentes que conturbam o ambiente social e geram intranquilidade na população.
Opiniões variadas, em favor da solução do problema, foram emitidas: – Reduzir a maioridade penal. Há marmanjos de 14 anos, que se livram da cadeia por serem menores…
– É preciso instituir medidas mais rigorosas, penalidades mais severas. Mesmo os que cometem delitos graves, pouco tempo estagiam na prisão…
– Os pais deveriam ser responsabilizados. Se não cuidam bem da educação dos filhos, favorecem a marginalidade…
– Culpa do governo também.
Deveria investir mais e melhor em benefício do menor carente…
Em dado momento, o irmão do dono da casa, ligado a uma igreja evangélica, pediu licença e falou, solene:
Pois eu vos digo que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos Céus. (Mateus, 5:20.) Perturbador silêncio instalou-se no recinto, ante a inusitada sentença.
O dono da casa descontraiu, brincando:
– Chegou o profeta!
Embora rindo, demo-nos conta de algo de que ninguém cogitara em relação ao assunto: o parecer do Mestre dos mestres – Jesus.
O “profeta” comentou:
– Desculpem o atrevimento, mas preocupa-me muito o fato de que, vivendo num país em que a vasta maioria da população é ligada a um movimento religioso que tem Jesus por Mestre, não nos preocupemos em apelar para o Evangelho na solução dos problemas humanos.
Como sabemos, a justiça dos escribas e fariseus, a que se refere Jesus no Sermão da Montanha, é a observância das leis ao pé da letra, sem nuances, sem avaliação mais profunda dos problemas humanos.
Em se tratando de menores infratores, de nada adiantará observar leis humanas, torná-las mais rigorosas, antecipar a maioridade. É preciso eliminar as origens do mal, na família carente e desajustada, na falta de orientação religiosa, de educação adequada. E isso não é problema para os governos apenas. É desafio para toda a população de classe média e abastada. Quando todos se envolverem com problemas dessa natureza, eles serão resolvidos.
A feliz intervenção de nosso irmão evangélico sugere uma reflexão, amigo leitor, em torno de um desafio que raros se dispõem a enfrentar: trazer Jesus para o cotidiano.
Você seria capaz de fazer uma citação evangélica ou um comentário em torno das lições de Jesus fora do círculo religioso, numa reunião informal, num bate-papo, numa situação qualquer, no lar, na rua, no ambiente profissional, num aniversário?
Se responder afirmativamente, parabéns! Você é uma exceção. Raros fazem isso. As pessoas têm constrangimento, como se Jesus houvesse cogitado de assuntos do céu à distância da Terra. Quem fala de assuntos do céu, desbravando o Além, é o Espiritismo.
Todas as lições de Jesus, seus exemplos, suas parábolas, sua vivência estiveram sempre voltados para a existência humana, orientando-nos quanto ao melhor comportamento, a melhor decisão, a iniciativa mais proveitosa, o comentário mais oportuno, em qualquer situação.
É preciso quebrar esse constrangimento, trazer Jesus para o cotidiano, estudar suas lições, associá-las aos nossos anseios e iniciativas e, sobretudo, familiarizar nossos filhos com suas luzes.
Neste particular, o grande recurso está no chamado Evangelho no Lar, uma reunião em família para conversar sobre Jesus, prática que vem sendo disseminada no meio espírita.
É muito simples. Elege-se dia e horário na semana, em que todos os membros da casa possam comparecer, observada a seguinte sequência: – Oração de abertura, pedindo o concurso dos bons Espíritos.
– Leitura de textos evangélicos à luz do Espiritismo.
– Troca de ideias em torno da leitura, sempre enfatizando o Evangelho como lente poderosa para compreender o que acontece no mundo.
– Vibrações em favor de pessoas necessitadas.
– Oração de encerramento, agradecendo pelas bênçãos recebidas. Em apenas trinta minutos de conversação espiritualizada, temos um abrir de portas à influência dos benfeitores espirituais, que nos ajudarão a fixar no cérebro o conhecimento do Evangelho, para que o coração se renda às virtudes cristãs.
Assim, onde quer que estejamos, teremos sempre na sabedoria da Boa Nova o pensamento mais oportuno, a conduta mais virtuosa, o estímulo renovado em favor de uma existência feliz e proveitosa, com Jesus em nosso cotidiano.

- Richard Simonetti -

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Afetos Contemporâneos e Descartáveis



Detesto separações, rupturas, afastamentos… Não suporto abandonos, traições, esquecimentos… Para mim, amizade tem que ser sólida, fidelidade inabalável, amor tem que ser eterno. Porque se é amor de verdade, não tem como se desmanchar, se esfriar, se retirar do coração!
Para mim, nenhum sentimento profundamente humano pode ser descartável. Pode ser esquecido. Pode ser substituído.
Hoje, troca-se de afeto como se troca de roupa. Descartam-se pessoas supostamente queridas, sem a menor cerimônia. Vejo tantas despedidas rápidas, fáceis e frias nesse mundo! Vejo tantas mudanças de afetos, como troca de objetos, sem valor em si.
Há quem defenda que o que não é saudável deve ser posto de lado. Sim, se não é saudável, é vampirismo, é projeção, é interesse, é compensação, é qualquer obsessão, mas não é amor de fato, não é amizade de fundo, não é ligação de alma. Porque se for, quem pula fora, está desprezando o que é sagrado, está se alijando do que é seu, está perdendo um pouco de si.
Quem fere quem ama de verdade está ferindo o próprio ser, porque as almas se ligam pelo fundo de si mesmas, e é nesse espaço essencial que os abandonos recaem, que as traições machucam, que as despedidas apunhalam!
Porém, os que se veem alijados, descartados, desconhecidos por amores e amizades, por afetos e corações, por quem dariam a vida, podem se enredar em dores e mágoas, podem se velar de cinzas e lágrimas e deixarem a hera da tristeza amargar para sempre suas vidas. Mas também podem, se mais amor ainda tiverem, elevar esse amor para alturas etéreas e oferecerem em silêncio o amor eterno, que cultivarão como flores luminosas para uma oferenda futura. Porque se aqueles que se foram, se foram enganados pelas ilusões fugidias do caminho, um dia volverão, para colher as flores amorosas do perdão de quem ficou.


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Viver o Evangelho



Cento e cinquenta anos após a publicação da notável obra de Allan Kardec, O evangelho segundo o espiritismo, há fatos evidentes, como o da sua ampla divulgação. É o livro espírita mais difundido, até mesmo fora da Seara Espírita.
Na literatura espírita é, provavelmente, o livro do Codificador que mais suscitou estudos e comentários, gerando centenas de obras subsidiárias.
Seu conteúdo inspirou ações pessoais e coletivas, bem como, sem qualquer dúvida, a fundamentação para milhares e milhares de obras sociais que levam os espíritas a que mais se aproximem da comunidade e com ela interajam. Daí, as expressões de reconhecimento por parte de representantes de agremiações religiosas: “Respeitamos os espíritas pelo bem que fazem”.
O interesse pelo 4º Congresso Espírita Brasileiro e sua repercussão, tendo o livro sesquicentenário como tema central, é um excelente termômetro da motivação que esta obra provoca nas pessoas.
Cabe-nos agora analisar a estratégia mais adequada para a difusão do Evangelho à luz do Espiritismo em nossos dias, buscando inspiração em exemplificações diversificadas de vida, como a do grande apóstolo da difusão cristã Paulo de Tarso, segundo Emmanuel:
O convertido de Damasco foi o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo.1
Na monumental obra citada, no capítulo VI, o autor destaca o papel do Consolador. No capítulo XVII, que versa sobre o tema “O homem no mundo”, destaca-se:
Sois chamados a estar em contato com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes. [...]2
A regra áurea do Cristo é a base: “Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. [...]3
Está claro que a transformação deve se iniciar pela pessoa, absorvendo e concretizando ações com base no Evangelho e se espraiando no relacionamento interpessoal e com a sociedade em geral.
O esforço para se viver o Evangelho é essencial na rotina diária.
Evangelho é vida!
REFERÊNCIAS:
1 TAVARES, C. Amor e sabedoria de Emmanuel. São Paulo: Ed. Calvário, 1970. cap. 4.
2 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 3. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2013. cap. 17, it. 10, p. 241.
3 ____. ____. it. 4, p. 234.

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Melindres



Melindrar-se é demonstrar, explicitamente, o sintoma do complexo psicológico em ativação. É típico daquele que ainda não resolveu certa fragilidade na personalidade que requer amadurecimento.
Melindrar-se, culpando o outro pelo próprio desequilíbrio momentâneo, é terceirizar responsabilidade, deslocando o centro de sua consciência para fora de si mesmo.
Melindrar-se sem a participação direta de outra pessoa, baseando-se exclusivamente em suposições construídas sem bases lógicas, é demonstração da grande inconsciência da própriasombra.
Melindrar-se é resposta emocionalmente frágil, denunciando a necessidade de encontrar o caminho adequado para a compreensão de si e de seu próximo.
Melindrar-se é fuga de si mesmo na direção do orgulho e da compaixão.
Não melindrar-se é construir a estabilidade interior daqueles que descobriram que são proprietários de si mesmo.



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TUA MENTE





Entre os cuidados devidos ao corpo e a alma, recordemos o problema da habitação.
Quanto mais instruída a pessoa, mais asseio na moradia.
Nem sempre a residência é rica do ponto de vista material. Vê-se, aí, contudo, limpeza e ordem, segurança e bom gosto.
É imperioso porém, que o senso de higiene e harmonia não se fixe, unicamente, no domicilio externo. Necessário que semelhante preocupação nos alcance o pouso íntimo.

A mente é a casa do Espírito.

Como acontece a qualquer vivenda, ela possui muitos compartilhamentos com serventia para atividades diversas. E, às vezes, sobrecarregamos as dependências de nosso lar interior com idéias positivamente inadequadas as nossas necessidades reais.

Quando preconceitos enquistados, teorias inúteis, inquietações e tensões, queixas e mágoas se nos instalam por dentro, dilapidamos os tesouros do tempo e as oportunidades de progresso, de vez que impedimos a passagem da corrente transformadora da vida, através de nossas próprias forças.

Sabemos que uma casa, por mais simples, deve ser arejada e batida de sol para garantir a saúde.
Ninguém conserva lixo, de propósito, no ambiente familiar.
Qualquer perturbação no sistema de esgoto ou na circulação de energia elétrica representa motivos para assistência imediata.

Desde épocas remotas, combatemos a escuridão. Da tocha à candeia, da candeia à lâmpada moderna, esmera-se o homem na criação de recursos com que se defender contra o predomínio das trevas.
Pondera quanto a isso e não guardes, ressentimentos e nem cultives discórdias no campo da própria alma.
Trabalha, estuda, faze o bem e esquece o mal, afim de que te arregimentes contra o nevoeiro da ignorância.

Tua mente - tua casa intransferível. Nela te nascem os sonhos e aspirações, emoções e idéias, planos e realizações. Dela partem as tuas manifestações nos caminhos da vida, e de nossas manifestações nos caminhos da vida depende o nosso cativeiro à sombra ou a nossa libertação para a luz.


(Do livro "Alma e Coração", Emmanuel, Francisco C. Xavier)
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Merecemos




Merecemos um mundo onde não haja violência, qualquer traço de agressividade nas pessoas e onde reine a mais absoluta paz;
Merecemos um mundo onde todos recebam carinho ao nascer e possam crescer sob cuidados baseados no amor;
Merecemos um mundo onde todo ser humano seja respeitado como herdeiro de Deus e sua máxima representação;
Merecemos um mundo onde o amor seja vivido no coração e nas práticas cotidianas, permeando todas as experiências humanas;
Merecemos um mundo onde as diferenças sejam respeitadas e não haja qualquer divisão de classes, de credos ou de nacionalidades;
Merecemos um mundo onde o outro represente o alvo em que devo projetar o melhor de mim, oferecendo-lhe sempre minha solidariedade;
Merecemos um mundo onde a matéria deva ser vista como oportunidade de crescimento e a espiritualidade a bandeira a ser sempre vivida;
Merecemos um mundo onde vigorem princípios que fortaleçam a harmonia, a amorosidade e a consciência de sermos espíritos imortais.
Como é o mundo que você está construindo? Vamos construir juntos o que sonhamos?



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ANTE A ORFANDADE




"Não te comovas tão somente perante o sofrimento que sufoca milhares de pequeninos...  Faça algo."

- Cultivarás a semente nobre que te supre de pão.
- Protegerás a árvore respeitável que te assegura a benção do reconforto.
E plantarás na infância o porvir que te espera...

Recolhe, sim, a criança que chora a ausência do braço paterno ou que se lastima ante a falta do regaço materno que a morte lhe suprimiu.
A dor dos que vagueiam sem rumo é grito de aflição que clama no seio augusto da Eterna Bondade.
Não abandones à orfandade moral os corações pequeninos que o Céu te confia ao apoio à vizinhança.
Não te julgues exonerado do dever de assistir a todos aqueles que, em plena aurora da vida humana, te defrontam a marcha.
Todos eles aguardam-te a palavra de instrução e carinho e a tua demonstração de solidariedade e de amor.
Orientam-se por teus passos, guiam-se por teu verbo e atendem por teu chamado.
Agora assimilam-te os gestos e ouvem-te as assertivas e, mais tarde, reconduzir-te-ão a mensagem do exemplo às existências de que se rodeiam.
O mundo de hoje é o retrato fiel dos homens de ontem que no-lo transmitiram com as qualidades e os defeitos de que se nutriam no campo das próprias almas.
A Terra de amanhã será, inelutavelmente, o reflexo de nós mesmos.
Não te comovas tão somente perante o sofrimento que sufoca milhares de pequeninos.
Faze algo.
Começa diante daqueles que o Senhor te localiza junto aos próprios sonhos, no instituto doméstico, para que as tuas esperanças no bem não se resumam à fantasia.
Recorda que os meninos da atualidade estão endereçados à posição de senhores do lar que te acolherá no grande futuro e neles encontrarás a colheita do que houvermos semeado, de vez que a lei é sempre a lei multiplicando os bens e os males da vida, conforme a plantação que fizemos, no descaso ou na vigilância, no trabalho ou na preguiça, nos princípios da sombra ou nas eminências da luz.

Emmanuel

(Do livro "Família", Emmanuel, Francisco Cândido Xavier)


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Entre a Caça e o Cuidado

O personagem dessa história é Gorki, meu gato branco



Hoje se deu uma cena em nosso café da manhã, que me levou a tecer essas reflexões e voltar ao blog, de que andei distante alguns meses, por excesso de trabalho.
Estávamos em família, na presença de meus sobrinhos, discutindo a questão do vegetarianismo e do veganismo, com prós, contras, dificuldades de adesão, perspectivas futuras etc. E então, bem nesse momento da conversa, adentrou na sala meu gato branco, Gorki, por quem sou apaixonada, e provocou uma gritaria generalizada e o choro do meu sobrinho pequeno. Triunfal e desafiador, Gorki carregava um filhote de passarinho agonizante. Um passarinho que víamos por aqui nos últimos dias, em cima do muro, alimentado pela mãe. Por alguns minutos, o bichinho se debateu entre os dentes de Gorki e depois morreu.
Grande comoção entre todos. Compaixão, repreensão ao gato, que apenas cumpria seu instinto de caça.
Mas, em cima da mesa, tínhamos peito de peru (que vem também de uma ave)…
Então pensei na distância evolutiva que nos separa do gato e considerei que de fato devemos superar rapidamente esse instinto de caça, que nos assemelha aos felinos, tão belos, mas que ainda vivem sob o jugo do determinismo biológico e não no plano da liberdade, como nós, humanos.
O que se dá é que o ato brutal da morte – e o que é pior, da tortura que envolve a vida inteira dos animais explorados pela indústria alimentícia – está distante dos nossos olhos. Não vemos, como vimos hoje no café da manhã, o bichinho se debatendo para morrer. O produto nos chega ao prato já disfarçado. Depois de ter passado por inúmeros processos, compramo-lo numa embalagem que em nada lembra um matadouro – o que nos impede muitas vezes de tomar consciência do que estamos comendo. Ninguém hoje ali no café da manhã poderia imaginar comer o passarinho agonizando aos nossos olhos. Todos nos vimos possuídos de compaixão e náusea. E no entanto, estávamos comendo um produto que veio da carne de centenas de aves abatidas, que passaram por uma agonia muito mais cruel e prolongada do que a experimentada ali pelo pássaro, caçado por Gorki.
Hoje, graças à internet, às redes sociais, aos vídeos no youtube, às campanhas virtuais, podemos diminuir essa distância que existe entre aquilo que comemos e a origem dessa comida. Matadouros, indústrias alimentícias frequentam aos montes nossas páginas, provocando a indignação de muitos. Assim, vemos que cada vez mais pessoas no mundo tem se comovido com o sofrimento dos animais e tem se engajado em movimentos de abolição da carne na dieta humana. Está crescendo essa consciência a olhos vistos. Mas há outros tantos que zombam, riem e se refugiam em bifes sangrentos, afirmando que a carne se alimenta da carne.
Se um dia foi necessário, mas não absolutamente imprescindível do ponto de vista biológico (porque nosso intestino longo indica que somos naturalmente herbívoros), que nos alimentássemos da matança de animais, hoje sabemos cientificamente que não temos precisão de carne para sobrevivermos fortes e saudáveis. Ao contrário, a carne – sobretudo a vermelha e sobretudo essa carne industrializada cheia de hormônios e antibióticos – é mesmo prejudicial à saúde.
Já estamos a milhares de anos de nossa entrada no reino humano e continuamos exercendo nosso instinto de caça. Mas é verdade que, nesses milhares de anos, aprendemos também a cuidar. E cuidamos (embora muitos ainda torturem, abandonem e até os comam) de gatos, cachorros, passarinhos, cavalos… Nossa atitude em relação aos animais revela bem nosso estado evolutivo. Caçadores brutais aprendendo pouco a pouco a cuidar dos outros seres vivos. Estamos no meio do caminho, mas urge avançar com mais afinco na direção de superar os instintos felinos, para assumirmos nossa posição de humanos cuidadores.
É verdade que o caminho é difícil: o atavismo da carne, o cheiro do sangue ainda atrai a muitos. Há ainda tantos nesse mundo que não se satisfazem apenas com o sague dos animais, mas ainda se embriagam com o sangue humano, nas guerras, nos massacres, nos assassinatos individuais ou em massa.
E o instinto de caça não se manifesta tampouco apenas na matança de animais: quando vemos homens estuprando mulheres ou pedófilos roubando a inocência da infância – todos esses gestos, que povoam fartamente nosso mundo, revelam o quanto de brutalidade existe ainda nos seres humanos.
O que poderia então nos levar a um mundo em que essa selvageria toda passasse a ser um pesadelo do passado? O que fazermos para caminhar firmemente na direção do cuidar, superando a fase da caça?
A resposta como sempre está na educação
A nossa educação é, como sempre costumo dizer, um processo de dessensibilização. As crianças que hoje presenciaram a morte do passarinho ficaram extremamente compadecidas e tocadas. O mais novo ficou mais chocado. O mais velho menos. Esse mais velho, anos atrás, me disse que eu não deveria nunca jogar chicletes nas ruas, porque os passarinhos poderiam se confundir, pensando que fosse algo realmente doce e enroscarem o bico no chiclete, morrendo de fome ou sufocados. Na semana passada, flagrei-o querendo jogar o chiclete no jardim e perguntei: você não me disse que não era para fazer isso? Resposta: “eu não estou ligando muito mais para isso”.
O que faz com que a criança “não ligue mais para as coisas” diante das quais ela costumava se mostrar sensível, indignada, curiosa, perguntadeira, engajada? É justamente esse processo de escolarização que mata a sensibilidade, embota a compaixão, cala a indagação e abafa a investigação.
Claro, de um lado o embotamento provocado pela escola, do outro a excitação dos instintos de caça, agressividade e posse, através de certos filmes, jogos, propagandas na TV… e de outro ainda, o despertar do atavismo milenar que todos trazemos de um passado de violência e dominação… e estão feitos o homem e a mulher (embora mais o homem) insensíveis, competitivos, caçadores, que tratam o outro – ser humano ou animal – como coisa a ser conquistada, destruída, devorada.
Há um lado divino em todos nós que se manifesta na primeira infância – são raras as crianças, que por um ímpeto do passado ou por uma violência sofrida agora, se mostram insensíveis. Esse lado divino, que chora com a morte de um passarinho, tem que ser mantido, estimulado… Esse lado divino não poderia sucumbir, e sucumbe, numa família negligente, apenas preocupada com valores materiais; numa escola seca, competitiva; numa sociedade de consumo em que a própria criança nada vale, porque nos interessa apenas fazer dela um consumidor obeso e desejante…
A criança que mantivesse a sua compaixão pelos animais, a criança que fosse estimulada em sua sensibilidade diante da natureza, a que fosse garantida uma formação sólida, crítica e consciente – essa criança será, sem nenhum sacrifício, vegetariana.
É para isso que esperamos caminhar!


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SUSTENTAÇÃO




Por maior seja a prova,
Não te afastes de Deus.
Pode a estrada ser fria,
No entanto, Deus te aquece.
Sentes que há sombra em torno,
Deus, porém, te ilumina.
Se te notas ser força,
Eis que Deus te sustenta.
Nos piores conflitos,
Deus se te faz descanso.
Não desistas do bem.
Deus não te faltará.

Emmanuel




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ANTE OS QUE PARTIRAM






”Os Chamados mortos são apenas ausentes. Eles pensam e lutam, sentem e choram. Em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles.”

Nenhum sofrimento, na terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.
Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.

Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima.

Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram.

Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes, e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel. Também eles pensam e lutam, sentem e choram.

Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram… ouvem-lhes os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra, e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.
Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.
Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegrias.
Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que te não percas no frio do desencanto.

Tranquiliza, desse modo, os companheiros que demandam o além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.
Recorda que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas redentoras.

E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso divino mestre e herói do túmulo vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.

POR.: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

"Religião dos Espíritos" - Estudos e dissertações em torno da substância religiosa de "O livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Francisco Cândido Xavier, espírito Emmanuel. 21.a ed. FEB, Rio de Janeiro, 2010 [pp. 221–224].

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