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Casamento e Divórcio







Divórcio, edificação adiada, resto a pagar no balanço do espírito devedor. Isso geralmente porque um dos cônjuges, sócio na firma do casamento, veio a esquecer que os direitos na instituição doméstica somam deveres iguais.

A Doutrina Espírita elucida claramente o problema do lar, definindo responsabilidades e entremostrando os remanescentes do trabalho a fazer, segundo os compromissos anteriores em que marido e mulher assinaram contrato de serviço, antes da reencarnação.

Dois espíritos sob o aguilhão do remorso ou tangidos pelas exigências da evolução, ambos portando necessidades e débitos, combinam encontro ou reencontro no matrimônio, convencidos de que união esponsalícia é, sobretudo, programa de obrigações regenerativas.

Reincorporados, porém, na veste física, se deixam embair pelas ilusões de antigos preconceitos da convenção social humana ou pelas hipnoses do desejo e passam ao território da responsabilidade matrimonial, quais sonâmbulos sorridentes, acreditando em felicidade de fantasia como as crianças admitem a solidez dos pequeninos castelos de papelão.

Surgem, no entanto, as realidades que sacodem a consciência.

Esposo e esposa reconhecem para logo que não são os donos exclusivos da empresa. Sogro e sogra, cunhados e tutores consangüíneos são também sócios comanditários, cobrando os juros do capital afetivo que emprestaram, e os filhos vão aparecendo na feição de interessados no ajuste, reclamando cotas de sacrifício.

O tempo que durante o noivado era todo empregado no montante dos sonhos, passa a ser rigorosamente dividido entre deveres e pagamentos, previsões e apreensões, lutas e disciplinas e os cônjuges desprevenidos de conhecimento elevado, começam a experimentar fadiga e desânimo, quanto mais se lhes torna necessária a confiança recíproca para que o estabelecimento doméstico produza rendimento de valores substanciais em favor do mundo e da vida do espírito.

Descobrem, por fim, que amar não é apenas fantasiar, mas acima de tudo, construir. E construir pede não somente plano e esperança, mas também suor e por vezes aflição e lágrimas.

Auxiliemos, na Terra, a compreensão do casamento como sendo um consórcio de realizações e concessões mútuas, cuja falência é preciso evitar.

Divulguemos o princípio da reencarnação e da responsabilidade individual para que os lares formados atendam à missão a que se destinam.

Compreendamos os irmãos que não puderem evitar o divórcio porquanto ignoramos qual seria a nossa conduta em lugar deles, nos obstáculos e sofrimentos com que foram defrontados, mas interpretemos o matrimônio por sociedade venerável de interesses da alma perante Deus.

* * *
Waldo Vieira - Da obra: Sol nas Almas.
Ditado pelo Espírito André Luiz.




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UNIÕES DE PROVA







"... Quando Jesus disse: "Não separe o homem o que Deus ajuntou", essas palavras se devem entender com referência à união, segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens."
 ESE. Cap. XXII – 3

Aspiras a convivência dos espíritos de eleição com os quais te harmonizas agora, no entanto, trazes ainda na vida social e doméstica, o vínculo das uniões menos agradáveis que te compelem a frenar impulsos e a sufocar os mais belos sonhos.
Não violentes, contudo, a lei que te preceitua semelhantes deveres.
Arrastamos, do passado ao presente, os débitos que as circunstâncias de hoje nos constrangem a revisar.
O esposo arbitrário e rude que te pede heroísmo constante é o mesmo homem de outras existências, de cuja lealdade escarneceste, acentuando-lhe a feição agressiva e cruel.
Os filhinhos doentes que te desfalecem nos braços, cancerosos ou insanos, idiotizados ou paralíticos são as almas confiantes e ingênuas de anteriores experiências terrestres, que impeliste friamente às pavorosas quedas morais.
A companheira intransigente e obsedada, a envolver-te em farpas magnéticas de ciúme, não é outra senão a jovem que outrora em baiste com falsos juramentos de amor, enredando-lhe os pés em degradação e loucura.

Os pais e chefes tirânicos, sempre dispostos a te ferirem o coração, revelam a presença daqueles que te foram filhos em outras épocas, nos quais plantaste o espinheiral do despotismo e do orgulho, hoje contigo para que lhes renoves o sentimento, ao preço de bondade e perdão sem limites.

* * * * *
Espíritos enfermos, passamos pelo educandário da reencarnação, qual se o mundo, transfigurado em sábio anestesista, nos retivesse no lar para que o tempo, à feição de professor devotado, de prova em prova, efetue a cirurgia das lesões psíquicas de egoísmo e vaidade, viciação e intolerância que nos comprometem a alma.

À frente, pois, das uniões menos simpáticas, saibamos suportá-las, de ânimo firme.
Divórcio, retirada, rejeição e demissão, às vezes, constituem medidas justificáveis nas convenções humanas, mas quase sempre não passam de moratórias para resgate em condições mais difíceis, com juros de escorchar.

TÍTULO.: UNIÕES DE PROVA
POR.: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
PELO ESPÍRITO DE EMMANUEL
LIVRO: DA ESPERANÇA



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ENTRE CÔNJUGES

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PROBLEMAS NO MATRIMÔNIO



À exceção dos casos de relevantes compromissos morais, o matrimônio, na Terra, constitui abençoada oportunidade redentora a dois, que não se pode desconsiderar sem gravames complicados.
Em toda união conjugal as responsabilidades são recíprocas, exigindo de cada nubente uma expressiva contribuição, a benefício do êxito de ambos, no tentame encetado.
Pedra angular da família - o culto dos deveres morais -, a construção do lar nele se faz mediante as linhas seguras do enobrecimento dos cônjuges, objetivando o equilíbrio da prole. Somente reduzido número de pessoas, se prepara convenientemente, antes de intentar o consórcio matrimonial; a ausência desse cuidado, quase sempre, ocasiona desastre imediato de conseqüências lamentáveis.
Açulados por paixões de vária ordem, que se estendem desde a atribuição sexual aos jogos dos interesses monetários, deixam-se colher por afligentes desvarios, que redundam maior débito entre os consorciados e em relação à progenitura...
Iludidos, face aos recursos da atual situação tecnológica, adiam, de início, o dever da paternidade sob justificativas indébitas, convertendo o tálamo conjugal em recurso para o prazer como para a leviandade, com que estiolam os melhores planos por momento acalentados.
Logo despertam, espicaçados por antipatias e desajustes que lhes parecem irreversíveis, supõem que somente a separação constitui fórmula solucionadora quando não derrapam nas escabrosidades que conduzem aos lúgubres crimes passionais.
Com a alma estiolada, quando a experiência se lhes converteu em sofrimento, partem para novos conúbios amorosos, carregando lembranças tormentosas, que se transformam em pesadas cargas emocionais desequilibrantes.
Alguns, dentre os que jazem vitimados por acerbas incompreensões e anseiam refazer o caminho, se identificam com outros espíritos aos quais se apegam, sôfregos, explicando tratar-se de almas gêmeas ou afins, não receando desfazer um ou dois lares para constituir outro, por certo, de efêmera duração.
Outros, saturados, debandam na direção de aventuras vis, envenenando-se vagarosamente.

Enquanto a juventude lhes acena oportunidades, usufruem-nas, sem fixações de afeto, nem intensidade de abnegação. Surpreendidos pela velhice prematura, que o desgaste lhes impõe, ou chegados à idade do cansaço natural, inconformam-se, acalentando pessimismo e cultivando os resíduos das paixões e mágoas que os enlouquecem, a pouco e pouco.
O amor é de origem divina. Quanto mais se doa, mais se multiplica sem jamais exaurir-se.
Partidários da libertinagem, porém, empenham-se em insensata cruzada para torná-lo livre, como se jamais não o houvera sido. Confundem-no com sensualidade e pensam convertê-lo apenas em instinto primitivo, padronizado pelos impulsos da sexualidade atribulada.
Liberdade para amar, sem dúvida, disciplina para o sexo, também. Amor é emoção, sexo sensação.
Compreensivelmente, mesmo nas uniões mais ajustadas, irrompem desentendimentos, incompreensões, discórdias que o amor suplanta.
O matrimônio, desse modo, é uma sociedade de ajuda mútua, cujos bens são os filhos - Espíritos com os quais nos encontramos vinculados pelos processos e necessidades de evolução.
Pensa, portanto, refletindo antes de casar. Reflexiona, porém, muito antes de debandar, após assumidos os compromissos.
As dúvidas projetadas para o futuro sempre surgem em horas inesperadas com juros capitalizados. O que puderes reparar agora não transfiras para amanhã. Enquanto luz tua ensancha, produze bens valiosos e não te arrependerás.
Tendo em vista a elevação do casamento, Jesus abençoou-o em Caná com a Sua presença, tomando-o como parte inicial do Seu ministério entre os homens.
E Paulo, o discípulo por excelência, pensando nos deveres de incorruptibilidade matrimonial, escreveu, conforme epístola número 5, aos Efésios, nos versículos 22 e 25: "as mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor... Assim também devem os maridos amar a suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo". Em tão nobre conceito não há subserviência feminina nem pequenez masculina, antes, ajustamento dos dois para a felicidade no matrimônio.

Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Divaldo Pereira Franco. 
Da obra: Celeiro de Bênçãos.
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CASAMENTO ESPIRITA





COMO É O CASAMENTO ESPÍRITA? 

Em um casamento espírita só há cerimônia civil; não há cerimônia religiosa. 
E nenhum centro espírita ou sociedade verdadeiramente espírita deveria realizar casamentos, pois o Espiritismo não instituiu sacramentos, rituais ou dogmas. 

No local escolhido para realizar a cerimônia civil, uma prece poderá ser feita por um familiar dos noivos (não é preciso convidar um presidente de centro, um orador espírita, um médium, nem é preciso que um espírito se comunique para “DAR A BÊNÇÃO”). 

De preferência, que seja tudo simples, sem exageros, excessos e desperdícios. 
Deve haver intensa participação espiritual dos noivos, dos familiares e convidados, assim como há dos amigos desencarnados. 

Os noivos que forem verdadeiramente espíritas devem saber como se casar perante a sociedade e a espiritualidade, respeitando as convicções dos familiares “não espíritas”, mas tentando fazer prevalecer as suas. 
Porque o espírita precisa ajudar a renovação das idéias religiosas e não conseguirá isso, se ocultar sempre o que já conhece e se ceder sempre aos costumes religiosos tradicionais. 
Além do que, o espírita tem o direito de não ficar preso às fórmulas religiosas que nada mais lhe significam.

O QUE UMA PESSOA ESPÍRITA                            
DEVE FAZER QUANDO O PAR            
ESCOLHIDO FOR DE OUTRA                            
RELIGIÃO? 

Parece-nos que deverá logo na fase de namoro, buscar o entendimento religioso com o futuro cônjuge; se houver possibilidade, traze-lo ao entendimento espírita; não havendo essa possibilidade, analisar se apesar da divergência religiosa, levará ao casamento. 

Se a resposta for positiva, então o(a) espírita se defrontará com a questão da forma ou maneira de realizar esse casamento. 
Quando o(a) parceiro(a) não-espírita tiver sincero fervor na religião que professa, a ponto de sentir-se “EM PECADO” e com traumas morais sem a cerimônia que o seu credo estabelece, parece-nos que o(a) espírita (que está mais livre de injunções dogmáticas) poderá aceitar a forma externa do casamento segundo o costume da religião do seu cônjuge. 

Que “pecado” poderá haver, do ponto de vista espiritual, em comparecermos a uma igreja qualquer e partilharmos de uma prece, feita ela deste ou daquele modo? 
Esta tolerância, porém, tem seus limites. 
Só se justifica diante de uma verdadeira necessidade espiritual do(a) parceiro(a) e não quando ele(a) for apenas um(a) religioso(a) de rótulo (religioso não-praticante), por convenção social ou quando a exigência é feita pela família dos noivos, sem qualquer necessidade espiritual destes.

Também não irá a tolerância chegar ao ponto de o(a) espírita aceitar os sacramentos individuais (batismo, confissão, comunhão) para a realização da cerimônia. Somos livres para acompanhar o(a) cônjuge à cerimônia indispensável para ele(a), mas, também, somos livres para não aceitar imposições pessoais, a que só com hipocrisia poderíamos atender. 
Caberá a outra parte conseguir a dispensa dos sacramentos individuais para o(a) espírita.

O QUE SIGNIFICA O CASAMENTO

 PARA O ESPÍRITA?

Para os espíritas, casamento é mais que uma simples cerimônia, ele é visto como:
UM PROGRESSO NA MARCHA DA HUMANIDADE, representando um estado superior ao da natureza em que vivem os animais.
Um exemplo é a eliminação do egoísmo.
O que antes dizíamos “meu quarto”, “minhas coisas”, depois de casados dizemos “nosso quarto”, “nossas coisas”;
UMA UNIÃO NÃO DEVE SER APENAS FÍSICA OU MATERIAL (por beleza, atração sexual ou interesse financeiro, já que estes podem diminuir ou acabar), mas de caráter e implicações espirituais, pois:
ATENDE À AFINIDADE (que unem os semelhantes pelos gostos, pelo modo de pensar, etc.);
A EXPIAÇÕES, uniões para resgatar ou corrigir erros cometidos, a maioria ocorrem por afinidade ou sob a orientação dos mentores mais elevados (caso os Espíritos reencarnantes não estejam habilitados para esta escolha) ou A MISSÕES (uniões que regeneram e santificam).
RESULTA DE RESOLUÇÕES TOMADAS NO PLANO ESPIRITUAL (antes da encarnação), livremente escolhidas e assumidas (caso os Espíritos reencarnantes já saibam e possam fazê-lo).

ALLAN KARDEC propôs aos Espíritos a seguinte questão: - "Será contrário à lei da Natureza o casamento?" Eles responderam: "É um progresso na marcha da Humanidade". Sua abolição seria regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.

Em outro item do mesmo livro Kardec anotou: "A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social.
O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem.
Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade" (O Livro dos Espíritos, 695, 696 e 701).
Segundo os Espíritos, há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir.

"Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros.
Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza.
Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos."
O relaxamento dos laços de família traria como resultado a recrudescência do egoísmo (cf. O Livro dos Espíritos, 774 e 775).

Allan Kardec, examinando o tema em outra obra, assim escreveu: "Na união dos sexos, de par com a lei material e divina, comum a todos os seres viventes, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral - a Lei do amor.

Quis Deus que os seres se unissem, não só pelos laços carnais, como pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se transmitisse aos filhos, e que fossem dois, em vez de um, a amá-los, cuidar deles e auxiliá-los no progresso" (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 22, item 3).Portanto, o espírita, que estuda e busca entender a doutrina dos espíritos, sabe que a orientação é começarmos a nos desvencilhar da materialidade.

O empenho maior não deve ser com a cerimônia, mas sim com os compromissos conjugais do dia-a-dia, que envolve a responsabilidade de ambos com a educação dos filhos que Deus os confiar.

Quando entendermos que Deus abençoa toda união, com ou sem cerimônia religiosa, nossa preocupação será convidar Jesus para viver em nosso lar.

Não em quadros, crucifixos ou imagens, mas aplicando SEUS ensinamentos todos os dias, como: "FAZER AO OUTRO O QUE GOSTARÍAMOS QUE ESTE OUTRO NOS FIZÉSSE." Exemplo: Se não gostamos de ser traídos, não trairemos; se queremos tolerância com nossas falhas, seremos tolerantes com a falha do outro, etc.

Só assim, a união será duradoura e passará pela riqueza e pobreza, saúde e doença, alegria e tristeza até que a morte (do corpo) nos separe 

"TEMPORARIAMENTE".

Fonte: Leia o Original

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Casamento e Divórcio


Como seria a vida conjugal de Romeu e Julieta, se os jovens apaixonados sobrevivessem à tragédia do amor proibido, assim retratado por Shakespeare, no famoso romance? Apesar de se amarem tanto, o matrimônio seria realmente harmônico e longevo?
E se eles vivessem em nossa época, marcada pela revolução dos costumes?
Estariam livres dos problemas de uma vida a dois? Temas como casamento e divórcio, relacionados à Lei de Reprodução, contida em O Livro dos Espíritos, das questões 695 a 697, sempre despertam reflexões importantes.


Nas eras primitivas, o consórcio entre os casais apresentava natureza semelhante ao dos animais irracionais, uma vez que prevalecia o estado de natureza, com a união promíscua e fortuita dos sexos, em que o ser humano não tinha o senso moral desenvolvido. O advento do matrimônio inaugurou um dos primeiros estágios de progresso nas sociedades humanas, porque instituiu a solidariedade fraterna, pelo consenso de duas almas que se unem pelos sentimentos recíprocos de afeto e de amor para a assistência mútua e para a constituição da família.
A comunhão sexual entre as criaturas que, de fato, se candidatam à elevação moral, “traduz a permuta sublime das energias perispirituais, simbolizando alimento divino para a inteligência e para o coração e força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna”. 
A família é uma instituição sólida, que varou os milênios, porque é de origem divina, tal como o casamento, que se destina “não só à conservação da Humanidade, como também a oferecer aos Espíritos, que se unem no grupo familiar, apoio recíproco para suportarem as provas da existência”.
 Buscando- se no espaço, os Espíritos programam reencarnações para, no mesmo grupo familiar, consaguíneo ou não, darem sequência a projetos redentores. Por tais motivos, não procede a opinião de que o casamento e a família estão condenados ao desaparecimento.
Muitos casamentos têm curta duração ou apresentam problemas de incompatibilidade entre os pares, porque, na atual fase evolutiva da Humanidade, a grande maioria das uniões conjugais sujeita-se à lei de causa e efeito, a qual reaproxima seres em ligações expiatórias ou provacionais, para dar continuidade a relacionamentos anteriores, proporcionando o resgate de erros pretéritos, com vistas à reabilitação e ao progresso moral.

Ultrapassada a fase de encantamento e afetividade que ocorre no início do união, a vida apresentará aos casados, nessas condições, certos desafios, de acordo com as necessidades de cada um. Ignorando o clamor da consciência e desconhecendo a origem verdadeira de seus dramas, cujas raízes geralmente estão fincadas em reencarnações passadas,muitos cônjuges desertam dos compromissos assumidos, em nome do comodismo e da falsa liberdade. Mal sabem que estão apenas adiando compromissos e que em futuras encarnações estarão sujeitos a recapitular experiências difíceis, talvez numa situação muito pior, ainda que em companhia de parceiros diferentes.
O casamento independe de formalismos, embora estes tenham sua utilidade do ponto de vista jurídico, mas o que prevalece mesmo é a união dos sentimentos do amor verdadeiro.
Mola do progresso da Humanidade, cuja abolição teria por efeito “uma regressão à vida dos animais”,  o matrimônio é compromisso que implica, obviamente, em responsabilidade de parte a parte.Antes de fazerem uma escolha tão séria, os nubentes devem refletir maduramente, para que não venham a ser infelizes nem promovam a infelicidade de outras pessoas, principalmente dos filhos.
Inspirados na literatura espírita, erigimos a seguinte classificação para a vida a dois, a qual, sem ser absoluta, auxilia os casais a se autoanalisarem, com vistas à superação dos problemas em comum: casamento de amor (afinidade máxima – almas em apurada sintonia: ditosos os raros casais que estiverem incluídos nesta categoria); casamento de fraternidade (casais felizes, bem entrosados, que superam os problemas com facilidade); casamento de sacrifício (em que há renúncia de um dos cônjuges, em geral mais evoluído, com o propósito de auxiliar na educação do Espírito retardatário); casamento acidental (uniões eventuais sem planejamento espiritual, em regra por interesses imediatistas, que não raro conduzem os parceiros a uma saturação mútua e a um isolamento que, em pouco tempo, deterioram a relação conjugal); casamento provacional (almas que se reencontram para reajustes necessários à evolução de ambos: nesta modalidade de união, não basta reparar o erro, suportar o cônjuge difícil; é preciso também superar barreiras, exercitar o amor, o carinho); e casamento expiatório (cônjuges com graves débitos no passado reencarnatório, de convivência difícil e problemática: fase que antecede o casamento provacional).

Terapeutas e psicólogos, com base em pesquisas bem orientadas, constataram que o casamento dura quando um admite que o outro tem qualidades e defeitos, hipótese em que é necessário aprender a “renunciar, suportar a existência de sentimentos contraditórios, tolerar”, e que “um dos momentos mais marcantes na relação duradoura é aquele em que, conscientemente ou não, o casal abdica do mito do parceiro ideal”. Estudos antropológicos revelam também que “homens e mulheres pensam diferente, reagem diferente, têm diferentes expectativas, e, sem uma boa dose de compreensão e boa vontade mútuas, não há união que resista ao embate [das diferenças]”.  No livro de autoajuda Homens são de Marte, mulheres são de Vênus,  o terapeuta John Gray dedica-se a explicar algumas dessas diferenças, com o propósito de auxiliar os casais a se entenderem melhor.
Já a escritora espírita, Dalva Silva Souza, conclui, na sua excelente obra Os Caminhos do Amor, que “o homem e a mulher, tanto na família quanto na sociedade, completam-se”, mas “o grande desafio está em se estabelecer uma interação harmoniosa que possibilite o equilíbrio”.  De fato, “o lar é o sagrado vértice no qual o homem e a mulher se encontram para o entendimento indispensável”, pois “é o templo onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que corporalmente”.  A superação desses problemas exige permanente trabalho de entrosamento entre os cônjuges, sob o pálio da caridade, consistente na compreensão, no perdão e na tolerância.
Estudando o Evangelho de Jesus, à luz dos ensinamentos do Espiritismo, o casal terá meios de detectar, com maior segurança, a origem de seus problemas e enfrentá-los com as armas da razão e do sentimento. Para auxiliá-los nesse mister, a realização do Evangelho no Lar e as preces constituem, também, excelente terapêutica.

Inobstante as diferenças de personalidade entre o homem e a mulher, próprias das circunstâncias que os ligam ao corpo físico, não se olvide que, enquanto entidades espirituais, são rigorosamente iguais perante Deus e têm os mesmos direitos, tanto que podem reencarnar ora num sexo, ora em outro, condição em que, por força das leis naturais, exercem funções diferentes.

Como adverte o Espírito Emmanuel,“ partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as criaturas”. 
Contudo, o divórcio “não é contrário à lei de Deus, pois apenas reforma o que os homens fizeram e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina”. 
Portanto, é um erro considerar a indissolubilidade do casamento uma lei natural, uma vez que “o divórcio é lei humana que tem por fim separar legalmente o que já está,
de fato, separado”.  Nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento, ao afirmar: “foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu que despedísseis as vossas mulheres”. 
Muitas vezes, a separação é até mesmo necessária, para evitar que a experiência a dois se transforme numa tragédia e que um dos cônjuges ou ambos agravem os débitos contraídos em encarnações anteriores.
Em nosso Planeta de provas e expiações, o amor ainda é obra em andamento, que não se constrói com meras afirmações verbais. Daí a necessidade das reencarnações, com o seu cortejo de experiências,a consolidar em nós, etapa por etapa, as virtudes que nos faltam para vivenciarmos integralmente as lições do Evangelho de Jesus, que nos legou exemplo inesquecível, independente do sexo e do estado civil das pessoas: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”.   Que possamos, cada vez mais, enobrecer o casamento, contribuindo para o fortalecimento moral da família e da sociedade e preparando a Terra do futuro, para a vivência de elos de fraternidade pura, como já acontece nos mundos superiores.

Christiano Torchi
Referências:
1XAVIER, Francisco C. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 43. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 13, p. 251.
2CALLIGARIS, Rodolfo. O sermão da montanha. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. O divórcio em face da moral cristã, p. 63. Apud SOBRINHO, Geraldo C. (Coordenador).
O espiritismo de A a Z. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Vocábulo “casamento”.
3XAVIER, Francisco C. Nosso lar. Pelo Espírito André Luiz. 61. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 20.
4KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed.
Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 696.
5Revista VEJA. São Paulo. Ed. Abril, Vale a pena consertar?, ed. 1.946, ano 39, n. 9, p. 106, março
2006.
6______. Até que o casamento os separe. ed. 1.641, ano 33, n. 12, p. 121, março 2000.
7GRAY, John. Homens são de marte, mulheres são de vênus. Trad. Alexandre Jordão. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1996.
8SOUZA, Dalva Silva. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Proposta de nova interpretação do ensino dos espíritos, p. 35.
9XAVIER, Francisco C. Nosso lar. Pelo Espírito André Luiz. 61. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 20, p. 132.
10______. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 8.
11KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 22, item 5, p. 410.
12______. ______. p. 410.
13______. ______. p. 410-411.
14JOÃO, 15:12.


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