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Atendimento fraterno à família da criança obsidiada



Pais ou responsáveis por uma criança perturbada por influenciação espiritual deletéria (obsessão), ao buscar auxílio no Centro Espírita, podem ser encaminhados ao Atendimento Fraterno. Reunimos notas sobre o atendimento a  essas famílias, a começar pela essência da situação.
O quadro obsessivo. Inclui pelo menos três componentes: um  Espírito multimilenar em corpo de criança, ligado a outrem por compromissos do passado, frequentemente por ato deletério ou acumpliciamento; adultos diretamente responsáveis pela criança; e o Espírito obsessor, que pode ser visto como “o irmão a quem os sofrimentos e desenganos desequilibraram”.1
A situação de obsessão. Segundo explicação do Instrutor Alexandre a André Luiz (Espíritos), uma situação de  obsessão representa
[…] o ato presente do drama multissecular de cada um. [Pois] que obsidiado e obsessor são duas almas a chegarem de muito longe, extremamente ligadas nas perturbações que lhes são peculiares. […]2
Sintomas comuns à criança obsidiada. Perturbações de sono, terror noturno, inquietação, medos específicos e/ou generalizados, depressão, choro e emotividade exacerbada, agressividade, ausências (não explicadas pela ciência  médica). Coexistem em dormência relativa sentimentos de culpa ou remorso, potencialmente propiciadores de conexão  vibratória com o obsessor; medos de represálias ou de aprisionamento; sensação de perigo iminente ou ameaça  constante.
Objetivos da reencarnação da criança. Reeducação e reforma íntima, moral, refletida nos sentimentos e ações, com regeneração, através do amor, de situações e laços anteriormente rompidos ou corrompi dos. Yvonne Pereira assevera que, para o obsidiado, a renovação moral, praticada cotidianamente, é a principal terapêutica, sem a qual ele “jamais deixará de se sentir obsidiado, ainda que o seu primitivo obsessor se regenere”.3 No caso da obsessão infantil, o compromisso de conduzir a criança pelos caminhos da autorrenovação é daqueles que são  responsáveis por ela.
O atendimento fraterno pelo diálogo com os pais
Recomendamos que os pais da criança sejam  recebidos e atendidos conforme orientações do livro: Atendimento fraterno no centro espírita: A terapêutica do  Cristo consolador. 4 O Atendente desenvolverá, dialogando, as funções de acolhimento, consolo e orientação para o  encaminhamento  a família à luz da filosofia e da ética espíritas.
Os contatos com a família necessitada demandam  do Atendente sólida sustentação amorosa derivada de posturas íntimas de aceitação, compreensão profunda,  serenidade, paciência e paz, a refletirem a misericórdia compassiva do Evangelho do Cristo. Essas qualidades  vibratórias envolvem a família em uma psicosfera de confiança na ajuda oferecida, o que fortalece a sua disposição  para realizar as ações recomendadas.
É necessário informar aos responsáveis que o renascimento da criança na família é indicativo do compromisso espiritual de protegê-la, educá-la e encaminhá-la para o reequilíbrio existencial, proporcionando-lhe amor, serenidade e harmonia familiares. Será a família, portanto, a responsável por realizar o trabalho cotidiano de encaminhamento da criança aos princípios espirituais, fundamentais para sua libertação.
Por isso é importante orientar a família a conduzir um programa de reforma íntima segundo os preceitos da doutrina do Cristo, com ênfase na implantação do Evangelho no Lar, na prática de orações e na condução da criança à atividade de Evangelização Infantil, se ela já tiver idade para tanto. Neste sentido, a confreira Suely Schubert nos lembra que
[…] todo trabalho espírita é essencialmente de renovação interior, visando a cura da alma, não a fórmulas imediatistas que adiam a solução final. Infere-se, pois, que o labor desobsessivo à luz da Terceira Revelação tem por escopo a cura das almas, o reajuste dos seres comprometidos e endividados que se deixam enredar nas malhas da obsessão, e  não somente afastar os parceiros, adiando o entendimento e perdão.5
Basilar, portanto, na reforma íntima, será o estudo da doutrina através de frequência a palestras, leituras, cursos de educação doutrinária e reuniões de pais na Casa Espírita. O conhecimento sobre as realidades e responsabilidades da vida maior é poderoso auxílio na tarefa de educação da criança obsidiada. Deve também ser sugerido o engajamento da família em trabalhos de auxílio fraterno aos necessitados, conduzindo-se a criança a essas atividades tão logo ela tenha idade suficiente.
Todo o núcleo familiar deve ser encaminhado à terapêutica espírita por fluidoterapia, cujos recursos – passes e água fluidificada – devem ser ministrados com a maior frequência possível.
Finalmente, todos devem ser orientados a focalizar sua atenção no bem e na proteção divina, evitando-se a ideia de perseguição espiritual, conscientes de que são capazes de vencer os obstáculos erguidos pela ausência do amor. O cultivo da esperança, do otimismo e da certeza do auxílio espiritual em seus esforços de renovação servirão de incentivos importantes para todos os envolvidos.
O ideal é que a família receba atenção continuada, isto é, que possa retornar ao Atendimento Fraterno para acompanhamento de seu progresso no trabalho de autodesobsessão e autoeducação e para receber novas  orientações, quando necessárias.
A criança obsidiada e o trabalho mediúnico de  desobsessão
Segundo o Espírito André Luiz, deve-se “impedir a presença de crianças nas tarefas de desobsessão”.6 Isto é, o trabalho mediúnico de desobsessão com atendimento ao obsessor, deve ser realizado sem a presença da criança.
Crianças saudáveis  geralmente não são perturbadas por eventuais contatos naturais com o mundo espiritual. Já o mesmo não ocorre com a criança obsidiada, dada a sua ligação fluídica deletéria com o obsessor. Por isso mesmo, Allan Kardec alerta quanto aos inconvenientes da exposição prematura de uma criança ao ambiente mediúnico, afirmando que
[…] é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobre-excitação.7
Outro ponto a considerar é que o contato da criança com o obsessor poderá reativar lembranças inconscientes sobre as circunstâncias geradoras do elo obsessivo, proporcionando agravamento de sintomas perturbadores que  deveriam continuar latentes, uma vez que a função mesma da reencarnação é proporcionar oportunidade de refazer caminhos de forma menos sofrida, pelo esquecimento temporário do passado. Por outro lado, se a criança consegue
compreender as expressões do obsessor poderá plasmar em sua consciência de vigília imagens e sentimentos de medo, raiva, revolta ou assemelhados, impressionando-se na posição de vítima ou na postura de luta e rejeição. Esses resultados podem provocar um agravamento da situação obsessiva em contraposição ao propósito de amparar e auxiliar na cura. Neste sentido, André Luiz nos alerta que
[…] cabe-nos recordar que a obra de desobsessão, no  fundo, é libertação das trevas de espírito e não existe libertação sem esquecimento do mal.8
Finalmente,  consideramos que no tratamento da desobsessão os resultados efetivos não são previsíveis, dada a complexidade das possíveis reações, por parte de cada um dos envolvidos. No entanto, se os encarnados conseguirem utilizar seus recursos pessoais na criação de um clima de amor e perdão, exemplificando concretamente sua adesão aos  princípios cristãos e libertando-se para uma vida de paz e solidariedade, crescerão as probabilidades de que, com o tempo, o coração do Espírito infeliz seja tocado e ele se integre na mudança geral. Dessa forma, também o sofredor desencarnado poderá se reconciliar com a vida e se libertar para novas caminhadas evolutivas.
REFERÊNCIAS:
1 SCHUBERT, Suely C. Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e terapêutica espíritas. 2. ed. 9. imp. Brasília: FEB, 2015.
pt. 1, cap. 13.
2 XAVIER, Francisco C. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 45. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 18, p. 308.
3 PEREIRA, Yvonne A. Recordações da mediunidade. 12. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. O complexo obsessão,
it. 8, p. 206. 4
ZAPPONI-MELLO, Neuza. Atendimento fraterno no centro espírita: A terapêutica do Cristo consolador. Brasília:
FEDF, 2015. 5
SCHUBERT, Suely C. Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e terapêutica espíritas. 2. ed. 9. imp. Brasília: FEB, 2015.
cap. 10, p. 74.
6 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 24, it. 5.
7 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 81. ed. 3. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2015. cap. 18.
8 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 62, p. 139.

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O que fazer pelas crianças?





Aquele, pois, que se fizer humilde e pequeno como este menino, esse será o maior no reino dos céus. Aquele que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe. (Mateus, 18:4-5.)

O Evangelho está repleto de significados profundos e precisamos compreender seus ensinamentos de acordo com as expressões compatíveis com o nosso entendimento e a realidade em que vivemos.
Os versículos mencionados apontam a criança como um ser humilde, simples, e que agrada ao Senhor. Que possamos adquirir tais virtudes, fonte de todas as demais, com vistas a ampliar nosso progresso espiritual. Da mesma forma, o cristão que se coloca à disposição para amparar os que necessitam, que obedece à lei do amor, que concede proteção ao fraco (como a criança) e o auxilia, oferecendo-lhe o melhor, cumpre a lei do Cristo, envidando esforços sinceros para agir em favor de sua renovação moral.
O nobre Espírito Emmanuel recorre a outra passagem de Jesus, do mesmo evangelista (18:10), para enaltecer a criança, recomendando que não devemos abandoná-la em hipótese alguma:
Não desprezes, pois, a criança, entregando-a aos impulsos da natureza animalizada.
[…]
O prato de refeição é importante no desenvolvimento da criatura, todavia, não podemos esquecer “que nem só de pão vive o homem”.
Lembremo-nos da nutrição espiritual dos meninos, por meio das nossas atitudes e exemplos, avisos e correções, em tempo oportuno, uma vez que desamparar moralmente a criança, nas tarefas de hoje, será condená-la ao menosprezo de si mesma, nos serviços de que se responsabilizará amanhã.1 (Destaques nossos.)
Essas reflexões iniciais, tendo como fundo o chamamento de Jesus, permitem destacar a importância dos valores infantis na existência da criança, que deve ser protegida em todas
as circunstâncias e tratada com respeito e dignidade, não importando sua condição econômica
ou social, conforme a conduta de alguns que desrespeitam nas mais pobres o privilégio de serem exatamente iguais a todas as crianças da Terra. Elas devem crescer como pessoa e cidadão, sem negligenciarmos a consideração que lhes devemos, sabendo que é um ser humano frágil, com dificuldades de se autoproteger e dependente, principalmente dos pais, e outros responsáveis, para desenvolver suas potencialidades, que devem assegurar aos pequeninos o imprescindível encaminhamento intelecto-moral.
Os Direitos da Criança foram instituídos com base na Declaração de Genebra, de 1924, aprovada pelas Nações Unidas, em novembro de 1959, como forma de defendê-las do descaso humano, preservando-as em suas necessidades materiais e espirituais. Entretanto, mesmo conscientes dessa precisão, não é fácil atender a essa nobre causa como gostaríamos, pois as condições de vida material valorizam excessivamente os fatores econômicos e interferem no tratamento dispensado a muitas crianças pobres existentes no mundo e, consequentemente, nos rumos de seu desenvolvimento. O tratamento discriminatório, devido à condição social da pobreza, é um exemplo disso, agravando a situação da criança, sobretudo, em países de grande carência material ou onde predomine a violência em meio às lutas absurdas, travadas entre um mesmo povo.
A foto jornalística,2 do menino sírio de três anos, Aylan Shenu, desencarnado em uma das praias da Grécia (setembro de 2015), tocou-nos sensivelmente. A situação é fruto da catástrofe moderna dos imigrantes que procuram viajar pelo mar em embarcações frágeis, sem nenhuma segurança, fugindo das suas terras de origem, na busca de outras nações que possam recebê-los para recomeço de nova vida, longe das guerras e do terrorismo.
Aylan estava com seus pais e afogou-se junto com a mãe e o irmão maior. A notícia da tragédia, veiculada pela imprensa mundial, causou grande impacto. Muitos refugiados são vítimas da crise, especialmente as crianças. Ajudar a esses Espíritos a regenerar o próprio destino, consoante as dádivas da Justiça divina, promulgadas pela lei de ação e reação, é um dever de todos.
Esses infortúnios resultaram na oportunidade de avaliar objetivamente o que estamos fazendo pela infância, em geral, tendo o Espiritismo como base. Allan Kardec, na excelente análise que faz sobre o “Credo Espírita”, afirma:
Os males da humanidade resultam da imperfeição dos homens: é pelos seus vícios que eles se prejudicam uns aos outros. Enquanto forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses gerará constantes misérias.
Sem dúvida, boas leis contribuem para melhorar o estado social, mas são impotentes para assegurar a ventura da humanidade, porque nada mais fazem do que sufocar as paixões ruins, sem as eliminar. Em segundo lugar, porque são mais repressivas do que moralizadoras […]. Aliás, a bondade das leis guarda relação com a bondade dos homens; enquanto estes forem dominados pelo orgulho e pelo egoísmo, farão leis em benefício de suas ambições pessoais. A lei civil apenas modifica a superfície; somente a lei moral pode penetrar o foro íntimo da consciência e reformá-lo.3
Não é nossa intenção fazer uma análise política e social sobre o momento conturbado que passamos no orbe, mas, infelizmente, as leis da solidariedade humana têm falhado e muitos homens se omitem deixando de fazer alguma coisa, sobretudo pelas crianças. O conceito de civilização ainda necessita de compreensão por parte daqueles que possuem a responsabilidade de liderar nações, sem deixar que sua gente seja atingida pelo extermínio e pela destruição. Em nome do Evangelho, cometem-se absurdos em países que se dizem cristãos!
Para o reajustamento de todos os valores humanos, o Espírito Emmanuel, na magnífica obra A caminho da luz, afirma que “o Espiritismo, na sua missão de Consolador é o amparo do mundo”,4 pois, conforme palavras do generoso mentor:
[…] só ele [o Espiritismo] pode, na sua feição de Cristianismo Redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos. No seu manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova era. São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres, e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação temerária e infeliz, apressando a realização dos vaticínios sombrios que pesam sobre o seu império perecível.4
A questão inicial, título do presente artigo, sobre o que fazer pelas crianças, propõe aos tarefeiros, chamados a trabalhar com Jesus, intensificar as tarefas da Evangelização Espírita Infanto juvenil na formação da sociedade do Terceiro Milênio, despertando as consciências para as luzes do Evangelho e do Espiritismo, regozijando-se pela missão abençoada que receberam de evangelizar o mundo, para edificação de uma Terra verdadeiramente cristianizada. O Espírito Adolpho Bezerra de Menezes (1831-1900) opina sabiamente sobre essa pendência:
Considerando-se, naturalmente, a criança como o porvir acenando-nos agora e o jovem como o adulto de amanhã, não podemos, sem graves comprometimentos espirituais, sonegar-lhes a educação, as luzes do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo brilhar em seus corações as excelências das lições do excelso Mestre com vistas à transformação das sociedades terrestres para uma nova humanidade.
O momento que atravessamos no mundo é difícil e sombrio, enquanto as sociedades terrestres necessitam, mais e mais, dos tocheiros do Evangelho, a fim de que não se percam nos meandros do mal ou resvalem nos penhascos do crime os corações menos experientes e as almas desavisadas. […]
[…] é imprescindível abracemos, com empenho e afinco, a tarefa da evangelização junto às almas infanto juvenis, tão carentes de amor e sabedoria, porém, receptivas e propícias aos novos ensinamentos. […]5
Entretanto, sem a ajuda dos pais, nada poderá ser feito pela evangelização da criança e do jovem. Alguns genitores não compreendem a importância da preparação espiritual de seus filhos que lhes enriquecem a conquista educativa no mundo:
[…] Tal medida tem gerado sofrimento e desespero, luto e mágoa, inconformação e dor. Porque, uma vez perdido o ensejo educativo na idade propícia à sementeira evangélica, os corações se mostram endurecidos, qual terra ressequida, árida, rebelde ao bom plantio, desperdiçando-se valioso período de ajuda e orientação. É então que somente a dor, a duros golpes provacionais, poderá despertar para refazer e construir..5
É também o digníssimo Espírito Bezerra de Menezes que distingue a tarefa da Evangelização Espírita Infanto juvenil como a mais significativa dentre as atividades desenvolvidas pelas instituições espíritas, na sua excelente programação de apoio à obra educativa do homem.
Contudo, alerta-nos para a seguinte questão:
[…] o Espiritismo, distante de sua feição evangélica, perderia sua missão de Consolador, renteando-se com a diversidade das escolas religiosas no mundo, que, embora úteis e oportunas, estiolaram-se no tempo absorvendo posições de terminalidade e dogmatismo.
É forçoso reconhecer que o Espiritismo sem aprimoramento moral, sem evangelização do homem, é como um templo sem luz.
[…] uma Instituição Espírita representa uma equipe de Jesus em ação e, como tal, deverá concretizar seus sublimes programas de iluminação das almas, dedicando-se com todo empenho à evangelização da infância e da mocidade.5
Cuidar das crianças e dos jovens é primordial para transformar o mundo em que vivemos em mundo regenerado, assim como das famílias que os acolhem em suas experiências no corpo de carne, ensinando aos filhos princípios doutrinários, principalmente da reencarnação, comprovando que eles estão na Terra para se aperfeiçoarem, acima de tudo, moralmente.
A tarefa é abençoada e não exige grandes sacrifícios de nossa parte. Não exige o saber do mundo. Todos os pais e evangelizadores podem desempenhá-la com a certeza de que conseguirão êxito, esforçando-se pelo adiantamento moral de seus filhos e evangelizandos.

Clara Lila Gonzalez de Araújo

REFERÊNCIAS:
1 XAVIER, Francisco C. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 8. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 157.
2 VEJA, Editora Abril, edição 2.442, ano 48, n. 36, p. 67 a 75, 9 set. 20l5. Reportagem: O Mausoléu da Paz.
3 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Evandro Noleto Bezerra. ed. De bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2010. pt. 2, cap. Credo Espírita, it. Preâmbulo.
4 XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 38. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 25.
5 DUSI, Miriam Masotti (Coord.). Sublime sementeira: Evangelização Espírita Infanto juvenil. 2. imp. Brasília: FEB, 2012. Entrevista com Bezerra de Menezes (Espírito), por meio do médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro – 1982, questões 1, 7 e 4, respectivamente.

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Quando foi que esquecemos?




Eis um texto que precisa ser lido em horário nobre na TV. Transcrevo na íntegra porque é algo que merece ser lido, precisa ser divulgado e mesmo comentado em família:

“Em entrevista, uma jovem contou que tinha uns sete anos quando foi com sua mãe ao mercadinho perto de casa. Enquanto a mãe fazia as compras, ela, menina, escondeu um doce de leite no bolso.
Na saída, sentindo-se a garota mais esperta do mundo, mostrou o doce e disse: Olha, peguei sem pagar.
O que ela recebeu de retorno foi um olhar severo. E, logo, a mãe a tomou pela mão, retornou ao mercado, fê-la devolver o que pegara e pedir desculpas.
A garota chorou demais. Sentiu-se morrer de vergonha. Entretanto, arrematou, concluindo: Isso me ensinou o valor da honestidade.


– Orson Peter Carrara

*   *   *

É possível que vários de nós tenhamos tido experiência semelhante. Por isso, indagamos: Quando foi que deletamos a mensagem materna? O que nos fez esquecer o ensino da infância?
A infância é o período em que o Espírito, reencarnado em nova roupagem corpórea, se apresenta maleável à reconstrução do seu eu.
É o período em que as falas dos pais têm peso porque, afinal, eles sabem tudo.
Mirar-se no exemplo dos pais é comum, considerando que, no processo de educação, os exemplos falam muito mais alto do que as palavras.
Por que, então, deixamos para trás as lições nobres? Quantos de nós, ainda, tivemos professores que iam muito além do dever e que insistiam para que fôssemos responsáveis, corretos?
Criaturas que se devotavam, ensinando com o próprio exemplo, as lições da gentileza no trato, a hombridade, o valor da palavra empenhada.
Se todos nós viemos de um lar, o que nos fez desprezar a honra, a honestidade e tantos de nós nos transformarmos em políticos corruptos, em maus profissionais, em seres que somente pensam em si mesmos?
Hora de evocar lembranças, de retornar aos anos do lar paterno e permitir-nos a reprise das lições.
Não pegue nada que não lhe pertença.
Se achar um objeto, procure o dono porque ele deve estar sentindo falta dele.
Respeite o seu semelhante, o seu espaço, a sua propriedade.
Os bens públicos são do povo e todos devem ser com eles beneficiados. A ninguém cabe tomar para si o que deve ser bem geral.
Digno é o trabalhador do seu salário.
Respeite a servidora doméstica, o carteiro, o lixeiro. São valorosos contribuintes das nossas vidas.
Lembre de agradecer com palavras e delicados mimos extemporâneos o trabalho diligente dessas mãos.
Cumprimente as pessoas. Sorria. Ceda seu lugar, no coletivo, ao idoso, ao portador de necessidades especiais, à grávida, a quem carrega pequenos nos braços.
Ceda a vez no trânsito, aguarde um segundo a mais o pedestre concluir a travessia, antes de arrancar com velocidade, somente porque o sinal abriu.



*   *   *

As leis são criadas para que, obedecendo-as, vivamos melhor em sociedade.
Mas gentileza não está normatizada.
Honestidade é virtude de quem respeita a si mesmo, ao outro, ao mundo.
Pensemos nisso. Façamos um retorno à infância, pelos dias dos bancos escolares, lembremos dos nossos pais, dos mestres, das suas exortações.
E refaçamos o passo. O mundo do amanhã aguarda nossa correta ação, agora, ainda hoje.”

Extraído na íntegra do site www.momento.com.br , com com citação de narrativa do artigo Como nossos pais, de Jaqueline Li, Jéssica Martineli, Rafaela Carvalho  e Rita Loiola, da revista Sorria, de outubro/novembro/2012, ed. MOL.


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Como falar de morte com as crianças




Não é um Artigo Espirita, mas está bem elaborado e vale uma reflexão.


A morte é a certeza mais misteriosa da vida. Essa contradição a torna tão difícil de ser compreendida, que dirá explicada às crianças. Entender como funciona a mente infantil ajuda a ensinar nossos filhos como lidar e conviver com esse tema



Falar de morte com crianças não é mesmo nada fácil. Como a gente pode tentar explicar uma coisa que não entende e que é tão dolorida? Dá uma tentação louca de que nossos filhos não precisem passar por isso, muito menos quando tão novos. Sim, isso já passou pela cabeça de qualquer um que tenha filhos, mas o melhor mesmo é que seja só um desejo utópico. Uma das coisas que todos os especialistas são unânimes é que, independentemente da idade e da situação – se morreu um bicho de estimação, um parente próximo ou um conhecido distante –, não se deve mentir ou esconder o fato das crianças. “As crianças são só crianças, não bobas”, afirma Maria Helena Franco, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre o Luto da PUC-SP.

É difícil dizer o que seu filho entende em cada idade. Mas é certo que, mesmo tão cedo quanto aos dois anos, as crianças são capazes de perceber mudanças no clima e nas emoções da casa. “Se os pais escondem da criança que um cachorro ou peixe do aquário morreu, dizendo que ele fugiu ou sumiu, e depois ela vê o bicho morto, ou mesmo ouve uma conversa sem querer, ocorre a quebra da confiança que ela tem em seus próprios pais”, explica Rita Calegari, psicóloga do hospital São Camilo (SP).

A gente também se engana quando acha que nossos filhos nunca ouviram falar em morte. Ela está nos livros infantis, nos filmes – os pais de Simba morrem em O Rei Leão, os vilões são mortos pelos mocinhos no final –, nas notícias da TV, nas conversas das pessoas na rua. Também está naquele pernilongo que ela vê morto, nas flores que murcham no vaso.

A diferença é que, até por volta dos 6 anos, a criança não entende que a morte é irreversível. “Nessa fase ela não difere fantasia da realidade, acredita que, assim como nos desenhos animados, dá para se levantar depois que cai uma bigorna na sua cabeça”, ensina Julio Peres, psicólogo e autor do livro Trauma e Separação (Ed. Roca). Ele explica que é preciso deixar a criança “brincar de morto”, sem repreender. Isso, somado às pequenas mortes do dia a dia, dos insetos, plantas e pequenos animais, são um bom treino para entender a sequência da vida e facilita na hora de lidar com uma morte de alguém próximo.
Claro que o curso do mundo nem sempre permite essa sequência ideal e que, mesmo com esse “contato prévio”, a hora que a situação vira real, muda tudo. E receita pronta para fazer tudo certo não existe. Depende de quem morreu, de como foi a morte, da proximidade da família e da criança, das crenças de cada um, da personalidade do seu filho. Mas alguns pontos são importantes para se levar em conta:
Na hora de contar

Se for alguém próximo e você estiver sofrendo muito, procure se acalmar primeiro. Use uma linguagem simples que seu filho entenda. Rita aconselha usar o verbo morrer mesmo. Se a pessoa estava muito doente ou tinha muita idade, isso vai responder à famosa pergunta “por quê?”. Já as metáforas que os adultos usam para falar de morte podem não funcionar tão bem, principalmente para as crianças menores de 6 anos. Dizer que o vovô foi viajar, que a tia foi morar com o papai do céu, ou que o primo vai dormir para sempre são conceitos difíceis para os mais novos. Eles ficam imaginando por que o papai do céu não deixa vir visitar, podem ficar com medo de dormir e não acordar mais, ou do pai ir viajar e nunca voltar. Seja simples e espere pelas dúvidas de seu filho. “Temos o hábito de antecipar a angústia da criança pela nossa própria e por vezes damos informações além das que ela precisa e pediu. Dê tempo para ela compreender tudo”, comenta Julio.
Os rituais

A participação infantil nos rituais de velório, enterro, cremação e até mesmo a visita a um parente doente é uma questão muito particular. Há quem pense que nenhuma dessas situações é adequada para crianças, que é melhor guardar apenas memórias dos entes queridos saudáveis e vivos, e há quem acredite que elas podem e devem estar junto, uma maneira de demonstrar que a família se reúne nos momentos felizes e tristes. A decisão vai variar de acordo com os valores de cada família. De novo, o que é importante é avaliar e respeitar os limites e capacidades de seu filho. Se o ambiente estiver carregado de muita emoção, pessoas chorando e demonstrando desespero, como ocorre no caso de mortes violentas ou inesperadas, evite envolver mesmo os mais velhos, até 12 anos. Outro ponto é analisar os seus próprios sentimentos. Você está sob controle? Tem como dar suporte ao seu filho ou algum parente próximo que possa cuidar dele também? Caso a sua decisão for levar as crianças, explique como vai ser antes. Que vai haver uma caixa, a pessoa vai estar deitada lá dentro, mas que não pode ouvir, falar ou se mexer, diga que as pessoas vão estar tristes, chorando, que é um momento de dizer adeus àquela pessoa. Conte até mesmo se terá flores, incensos, música ou velas. Se possível, depois de explicar, deixe a criança decidir se quer ir ou não. Se ela for, esteja pronto para trazê-la de volta para casa se ela não quiser ficar, não espere que ela consiga acompanhar quieta ou séria o tempo todo e entenda se ela falar algo que, no mundo dos adultos, não seria apropriado.
O depois

“O que a criança quer saber é para onde foi a pessoa”, aponta Ceres de Araújo, psicóloga especializada no atendimento infantil (SP). E isso muitas vezes não será resolvido com uma única resposta. Seu filho possivelmente vai perguntar outras vezes sobre onde está a vovó, se ela pode vê-lo, se ela come e toma banho onde está. Para responder, você vai usar as crenças da sua família. Quando não souber o que dizer, seja sincero: diga que não tem a resposta, mas que vai pensar. Se ele perguntar algo diferente do que você acredita, dizendo que viu na TV ou ouviu um amigo falar, diga que o que ocorre depois da morte é mesmo uma coisa misteriosa, que ninguém sabe direito, mas que você acredita desse jeito e outras pessoas, de outro. É uma ótima maneira de exercitar a boa convivência com a diversidade. Nas primeiras semanas, a criança também viverá o luto. Ela pode ficar um pouco mais agressiva, dispersa, com dificuldades para dormir e, no caso dos mais novos, regredir em algo que já havia aprendido, como voltar a fazer xixi na cama. É tudo normal. Não dê bronca nem se preocupe. Em geral, passa logo e você só deve agir se o comportamento ficar muito intenso ou não passar em mais de dois meses.
E o meu luto?

 A morte de uma pessoa querida é difícil sempre e quem tem filhos se pega no dilema de como viver a sua própria perda, a sua dor sem que isso seja ruim para as crianças. Não esconda o que está sentindo. Se precisar chorar na frente de seu filho, chore. Isso mostra a ele que não tem problema ele se sentir triste também. E que tudo bem mostrar as emoções. Pois é exatamente isso que prova que estamos vivos.

Por Cíntia Marcucci 

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Nossos filhos, nossas jóias mais preciosas







Quando o assunto é “drogas”, percebemos que há um número bastante significativo de pessoas que, instantaneamente, associam essa palavra aos produtos cujo consumo não nos é lícito, quais sejam: a maconha, a cocaína, o crack, etc. No entanto, esquecem-se de que, tanto do ponto de vista físico quanto espiritual, outros produtos tóxicos, e de livre comércio, são tão prejudiciais ou mais perniciosos, até, do que aqueles, como, por exemplo: a bebida alcoólica, o cigarro, as drágeas confeccionadas em laboratórios, etc.. Quantos lares são desfeitos e quantos crimes são cometidos, cuja causa provém de estados de embriaguez? Quantas doenças incuráveis são diagnosticadas em pessoas que se lançaram à auto crueldade, pela dependência da nicotina? Portanto, o fato de a substância ser legal ou ilegal não tem uma relação direta com o perigo que oferece.
Quantas famílias desejariam que reinasse, nas pessoas a quem muito amam, a serenidade frente às crises que enfrentam na vida, e quantas gostariam que inexistissem hábitos autodestrutivos que, equivocadamente, adotam como suposta solução de seus problemas, causando dor e sofrimento a si mesmas e ao grupo familiar a que pertencem?
Aqueles que já se iniciaram nos maus vícios, mas ainda não estabeleceram um nível de intimidade maior com as drogas, os pais podem e devem ampará-los com serenidade, ajudando-os, fundamentalmente, a não se tornarem dependentes dessas substâncias tóxicas, além de lhes ensinar a manterem acesa a chama da esperança, incutindo neles a ideia de que estão, apenas, vivendo momentos difíceis de ajuste da alma em desalinho. Em razão disso, não devemos abandoná-los à própria sorte, pois ninguém se lança ao vício para ser infeliz, uma vez que todos almejam a felicidade.
Para todo dependente químico existe um tratamento específico. Quando a dependência é única e exclusivamente física, esta é anunciada nas crises de abstinência com reações de menor expressão, e a cura é relativamente fácil. Porém, quando a dependência é psicológica, as reações são bem mais agressivas, e a cura requer muito mais tempo. Daí a necessidade da compaixão, da renúncia e do irrestrito afeto familiar.

Diazepan
Os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos pais, tanto as boas quanto as más, manifestadas na intimidade do lar. Crescem, observando os adultos utilizando tranquilizantes ao menor sinal de tensão ou nervosismo e, quase que imediatamente, presenciam os primeiros sinais de serenidade e equilíbrio exercidos pela ação do medicamento. Quando ouvem os pais se referirem a uma xícara de café para se sentirem estimulados ou a um cigarro para se sentirem mais calmos, essas cenas passam a existir, por muito tempo, em seus escaninhos mentais e, quando se defrontam com as primeiras dificuldades, inerentes a todo ser em evolução, buscam nas drogas a pretensa harmonia existencial.
São atentos, igualmente, às atitudes dos pais dos amigos com os quais se relacionam e a contradição, então, transparece, posto que muitos deles têm maneiras diversas de lidar com um filho. Alguns são totalmente contra o uso de quaisquer drogas, legalizadas ou não, mas a maioria considera socialmente aceitável o consumo de bebidas alcoólicas, o vício do cigarro, o uso de “energéticos”, etc.. Isso tudo, sem falar no grave problema dos benzodiazepínicos, barbitúricos e metadona, cuja ingestão permanente pode causar dependência como qualquer outra droga alucinógena ou não. Na verdade, as drogas não deveriam ser avaliadas, tendo por base a ilegalidade ou legalidade, mas pelos malefícios que elas acarretam à saúde. Os adultos têm sempre “desculpas de ocasião” e formas de justificar esses comportamentos paradoxais. Contudo, trata-se de um modelo de comportamento que não serve de referencial a alguém, muito menos àqueles que são adeptos aos moldes que Jesus nos veio ensinar.
Foi na década de 60 que surgiram os tranquilizantes chamados, cientificamente, de “ansiolíticos”, destinados a combater estados de ansiedade, ou melhor, combater estados de desordens psíquicas e questões emocionais da vida cotidiana. O problema ganha proporções imensuráveis, quando pesquisas atuais apontam que uma das tais drogas, o diazepan, tornou-se um dos “remedinhos” mais vendidos da atualidade. A propósito, cabe aqui ressaltar que profissionais competentes e respeitados, ligados à saúde mental, que diariamente lidam com as emoções humanas, já consideram que prescrevê-los equivale à clara admissão de um fracasso terapêutico da psiquiatria.
Há aqueles que, ao menor sinal de angústia, de desconforto, lançam mão de um “remedinho”, de uma “cervejinha”, de um “cafezinho”, de um “cigarrinho”, para aplacar a ansiedade de forma quase que instantânea. Esse é o princípio básico de paradigma de comportamento dependente, que observamos em um imenso número de adultos e pais, no qual, sem “desconfiômetros”, estão mergulhados. Destarte, introjetam no inconsciente dos filhos, alunos, e jovens em geral, a ideia de que os problemas podem ser resolvidos, como que por um passe de mágica, com a “ajudazinha” de uma “substanciazinha”, originária da cana-de-açúcar, denominada álcool; de uma “plantinha” inocente, do gênero nicotina (solanaceae), conhecida por tabaco, de um “alcaloidezinho”, também inofensivo, conhecido por cafeína, e assim por diante. Porém, todos atuam sobre o sistema nervoso central e alteram todo o metabolismo do indivíduo, igualmente.
Para muitos psicólogos, se a questão “drogas” fosse abordada de forma adequada ao nível de compreensão da criança ou do adolescente, deixando de ser algo secreto e misterioso, perderia muito de seus atrativos. Para outros especialistas, o fato de um jovem experimentar drogas não faz dele um dependente. Sim, porém, como ninguém tem como monitorar o que se passa nas ideias das pessoas, e muito menos pela cabecinha de um adolescente, mesmo porque, em se tratando de “drogas”, a atitude dos jovens é extremamente silenciosa, principalmente porque todos eles sabem o quanto a sociedade discrimina quem com elas se afiniza, experimentar não constitui problema algum àqueles que têm suas emoções bem ajustadas no momento da curiosidade, mas, para outros, não tão bem estruturados psicologicamente, experimentar é sinônimo de “continuar experimentando” sempre e a qualquer hora.

Coincidentemente, ou não, os jovens que dependem exageradamente dos tóxicos, são pouco amados pelos pais, sentem-se deslocados no grupo familiar ou se consideram pouco atraentes, etc.. Por estas e muitas outras razões, os pais devem transmitir segurança aos filhos através do afeto e do carinho constantes. Afinal, todo ser humano necessita ser amado, gostado, mesmo tendo consciência de seus defeitos, dificuldades e de suas reais diferenças.
Filhos mal amados

Por esta razão, os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco com os filhos, sobretudo, amando-os, independentemente, de como se situam na escala evolutiva. Os pais não se devem desesperar, mormente no mundo de hoje. A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas exercem será estimular os jovens a experimentar formas não-químicas de obtenção de prazer. Os “baratos” podem ser obtidos através de atividades intelectuais, artísticas, esportivas, etc.. Cabe aos adultos tentar conhecer melhor os jovens para estimulá-los a experimentar formas mais criativas de obter prazer e sensações intensas, mas dando-lhes exemplos de sobriedade. (1)
A crença de que a felicidade pode ser comprada num “Shopping Center” e que decepções, angústias, tristezas e solidão têm que ser evitadas a qualquer custo, consubstanciam o modelito de relação que os dependentes químicos (consumidores) estabelecem com as drogas (produtos). Urge que lhes desmistifiquemos a fórmula imposta pela sociedade aos indivíduos, de que a melhor maneira de se viver se constitui na síndrome do consumismo extravagante e exagerado.
Importa que os pais se lembrem de que conflitos e atos de rebeldia fazem parte da instabilidade emocional, natural na adolescência e estes não são indicadores precisos de que os filhos estejam envolvidos com as drogas. Desse modo, convém que deem um voto de confiança aos filhos e constituam com eles uma inexpugnável parceria, alicerçada na credibilidade mútua e no respeito à vida. A autoridade dos pais (2) não somente é aceita pela maioria das crianças e adolescentes, sobretudo quando presenciam, no ambiente familiar, a confiança e o afeto, mas, também, é extremamente necessária, para que não se sintam inseguros na vida ou que os papéis que competem a cada um, não se invertam.
Outro posicionamento a ser observado é nunca partir para atitudes extremas, como, por exemplo: violência verbal, violência física ou, ainda, movidos por extrema impaciência, expulsar um filho de casa. Qualquer ato precipitado dos pais poderá reverter contra eles mesmos, futuramente, e lançá-los à dor do arrependimento tardio. É óbvio que cada caso é um caso, mas jamais partir para qualquer solução mais severa, sem antes esgotar todas as possibilidades fraternas de ajuste, de bondade, de solidariedade humana, de renúncia, disponíveis no âmago dos corações dos que se dizem fiéis aos ensinamentos do Cristo Jesus. Convém que não se esqueçam, principalmente, de que a oração fervorosa é a mais poderosa ferramenta de que o homem dispõe como solução contra quaisquer sugestões do mal.
As joias mais raras e preciosas

Por falar em solução, existem várias maneiras paralelas de ajuda aos que dependem da droga: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentais; psicoterapias; grupos de autoajuda, a considerar: Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, etc.. Na opinião dos experts, especialistas da área, o tratamento do dependente de drogas não requer internação, na grande maioria dos casos, pois as respostas não têm sido favoráveis a que eles apresentem melhora nessas condições de isolamento, distantes do convívio familiar. Muito pelo contrário, constatam a ineficiência do tratamento nessas condições, com um significativo aumento do consumo, a que os dependentes se lançam, após saírem da clínica.
A questão é de educação na família cristalizada, na escola enobrecida, na comunidade honrada, e não nas políticas de repressão policial, estabelecendo mais violência do que solução. Todos nós sabemos que violência gera violência. As famílias que se deparam com um drama desses no lar, em primeiro lugar devem procurar forças em Deus, Pai misericordioso e justo, e em Jesus, porque Ele não veio somente para os sãos, mas, fundamentalmente, para os enfermos; em segundo lugar, não devem se acovardar diante do fato em si, pois, por trás de toda queda moral existe um grito recôndito de “socorro!”. Conversemos, esclareçamos, orientemos e assistamos os que se hajam tornado vítimas das drogas, procurando os recursos competentes da Medicina como da Doutrina Espírita, a fim de conseguirmos a reeducação e a felicidade daqueles que a Lei Divina nos confiou para a nossa e a ventura deles. (3)
É importante que os pais ensinem seus filhinhos queridos a manterem permanente vigilância pela oração embasada numa fé raciocinada e o Espiritismo propõe, dentre outras bênçãos, o fortalecimento e o equilíbrio mental. Uma coisa é certa: o Espiritismo não propõe soluções específicas, reprimindo ou regulamentando cada atitude, nem dita fórmulas mágicas de bom comportamento aos jovens. Prefere acatar, em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina, que asseguram a todos o direito de escolha (o livre-arbítrio) e a responsabilidade consequente de seus atos.
Sob o enfoque espírita, sabemos que irmãozinhos nossos do mundo espiritual que usaram drogas enquanto encarnados, muitos ainda continuam escravos do vício. Unem-se aos seus afins, os viciados encarnados, imantando-se nos seus perispíritos, para sorverem as emanações perniciosas provenientes do uso das drogas.
As energias deletérias dos viciados do além podem, em longo prazo, causar, nos viciados de “cá”, distúrbios orgânicos graves, como: câncer de pulmão, problemas no fígado, no aparelho circulatório, no sangue, no sistema respiratório, no cérebro e nas células, principalmente as neuronais (4), devido ao enfraquecimento dos centros vitais do viciado, ainda encarnado. Os efeitos destruidores da obsessão e das drogas são tão intensos que extrapolam os limites do organismo físico do viciado, alcançando e comprometendo, substancialmente, o equilíbrio e a própria funcionalidade do seu perispírito. Se a morte os surpreender, antes mesmo de se regenerarem, conservam, na espiritualidade, os estigmas da prática nociva que os levou à degeneração dos seus respectivos centros vitais, visíveis no perispírito.
Por todas essas razões, precisamos aprender a servir e perdoar; socorrer e ajudar os jovens entre as paredes do lar, sustentando o equilíbrio dos corações que se nos associam à existência e, se nos entregarmos realmente no combate à deserção do bem, reconheceremos os prodígios que se obtêm dos pequenos sacrifícios em casa por bases da terapêutica do amor. (5)
Confiemos em Deus, primeiramente, e optemos, pois, pela drágea do afeto, o comprimido do carinho, a gota de renúncia, o chá do amor em família, por serem os mais eficazes remédios na cura das patologias de quaisquer procedências. Esses medicamentos consubstanciam-se pela maior atenção dos pais para com os filhos, demonstrados pela sadia preocupação que têm com a formação moral deles e o suprimento de suas necessidades afetivas.
Fiquemos alerta! Nossos filhos são a joia mais rara e preciosa que possuímos, não os abandonemos!
Jorge Hessen
Referências bibliográficas:
(1) Disponível no site www.senado.gov.br/publicações acessado em 08/09/2007
(2) Autoridade não deve ser confundida com autoritarismo, arbitrariedade ou rigidez
(3) Franco, Divaldo Pereira. “Após a Tempestade”, ditado pelo espírito Joanna de Angelis. Bahia: Editora LEAL, 2ª Edição
(4) Os neurônios guardam relação íntima com o perispírito, segundo André Luiz em “Mecanismos da Mediunidade”
(5) Xavier, Francisco Cândido. “Caminhos de Volta” – Espíritos Diversos



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Menino de 3 anos recorda vida passada, identifica assassino e localiza corpo enterrado



FOTO ILUSTRATIVA


O universo é cheio de mistérios que desafiam o nosso conhecimento atual. Em “Além da Ciência”, o Epoch Times coleta histórias sobre alguns estranhos fenômenos para estimular a imaginação e abrir a mente para novas possibilidades. Elas são reais? Você decide.
Um menino de 3 anos de idade, da região das Colinas de Golã, perto da fronteira entre a Síria e Israel, afirma que foi assassinado com um machado em sua vida passada. Ele mostrou para os adultos de sua aldeia o local onde o assassino enterrou seu corpo, e incrivelmente, eles encontraram o esqueleto de um homem lá. Ele também indicou aos adultos onde a arma do crime estava, e através de escavações, eles encontraram um machado no local.
Em seu livro, “Children Who Have Lived Before: Reincarnation Today” (Crianças que Viveram Antes: A Reencarnação Hoje), o terapeuta alemão Trutz Hardo conta a história deste menino, junto com outras histórias de crianças que aparentemente recordaram suas vidas passadas com precisão verificada. A história do menino foi testemunhada pelo Dr. Eli Lasch, que é conhecido por desenvolver um sistema médico de Gaza como parte de uma operação do governo israelense na década de 1960. O Dr. Lasch, que morreu em 2009, relatou a surpreendente história para o Sr. Hardo.
O menino pertence à etnia drusa, e em sua cultura, a existência da reencarnação é aceita como fato. Sua história, no entanto, teve o poder de surpreender sua comunidade.
Ele nasceu com uma longa e vermelha marca na cabeça. Os drusos acreditam, assim como algumas outras culturas, que marcas de nascença estão relacionadas com a morte em vidas passadas. Quando o menino tinha idade suficiente para falar, ele relatou à sua família que havia sido assassinado com um golpe de machado na cabeça.
É um costume os adultos levarem as crianças, com 3 anos, para a casa de sua vida anterior, caso a criança recorde o local. O menino sabia em qual aldeia ele havia morado, deste modo eles foram até lá. Ao chegarem à aldeia, o garoto lembrou qual era seu nome em sua vida passada.
Os moradores do vilarejo disseram que o homem que o menino afirmava ser a sua reencarnação tinha sido dado como desaparecido quatro anos antes. Os amigos e família pensavam que ele poderia ter se perdido no território hostil das proximidades, como era costumeiro acontecer.
O menino também lembrou o nome completo do seu assassino. Quando confrontado com as alegações, o rosto do suposto assassino ficou branco, segundo Lasch, no entanto, ele não confessou o assassinato. O menino então disse que poderia levar os adultos ao local onde o corpo foi enterrado. No local, eles encontraram o esqueleto de um homem que possuía um ferimento na cabeça, que correspondia à marca de nascença do garoto. Eles também encontraram o machado, a arma do crime.
Diante desta evidência, o assassino admitiu o crime. Dr. Lasch, o único não pertencente à etnia druso, esteve presente ao longo de todo o processo.
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