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9 de mai. de 2013

Riqueza X Pobreza






Nas romagens pela carne, ora se estagia pela penúria, ora pela abundância, a depender das necessidades evolutivas de cada espírito


Riqueza e pobreza são duas faces de uma mesma moeda que visa ampliar a capacidade do espírito de se compreender os inúmeros papéis sociais terrenos e coloca o indivíduo diante das provas e desafios de cada situação. Nas romagens pela carne, importante salientar que ora se estagia pela riqueza, ora pela pobreza, a depender das necessidades evolutivas de cada um. Portanto, não há privilégios na ordem Divina. Embora muitos consideram que nascer na opulência, com polpuda conta bancária seja um privilégio, isso não se traduz em realidade, porquanto se fosse verdade todos os ricos seriam felizes e todos os pobres infelizes, e não é o que se verifica todos os dias. Há ricos felizes e infelizes, como há pobres na mesma ordem. O espírito que hoje tem uma vida abastada pode não tê-la em existência futura, eis, pois, que riqueza e pobreza são situações transitórias.

Além disso, diferente da ideia de “voto de pobreza” que as religiões tradicionais pregavam aos fieis em troca do passe para o céu, o Espiritismo esclarece que ninguém está destinado a viver definitivamente na miséria. A Lei do Trabalho e do Progresso expressa em O Livro dos Espíritos justamente relata a importância do indivíduo romper com o acomodamento e ultrapassar os obstáculos existenciais, o que inclui buscar sair também da penúria material através de seu esforço.

Parece impossível, mas o empresário Antônio Carlos Ferreira, retratado na revista Isto É Dinheiro, edição de junho de 2010, é um exemplo: “O empresário Antônio Carlos Ferreira, 48 anos, não se esquece do gosto amargo e da consistência pastosa do café com farinha que tomava de manhã antes de sair de casa para trabalhar. Quando criança, Ferreira vivia em uma favela, na cidade paulista de São Caetano do Sul, com sua família. Passava tanta dificuldade que, muitas vezes, não tinha nem um pão para comer. Inconformado, foi à luta. Começou trabalhando como engraxate e depois percebeu que podia ganhar mais catando sucata na rua e revendendo para o ferro-velho do bairro. “Conseguia o equivalente a R$ 30 por semana.Durante a manhã, estudava em um colégio público e à tarde catava sucata.” Hoje, passadas mais de três décadas, Ferreira é dono da Neolider, fornecedora de tubos de aço, que faturou R$ 200 milhões no ano passado e tem clientes do porte da Petrobras, Nestlé e Coca-Cola. Como ele, outros empreendedores brasileiros atravessaram adversidades, chegaram a passar fome, mas venceram.”

Reencarna-se para livrar-se de condicionamentos e crescer em todos os ângulos. E o comodismo é um desses condicionamentos. A partir do instante que se levanta da cadeira existencial e vai à luta, a espiritualidade interfere a favor. Em muitas ocasiões é o velho comodismo que impede o indivíduo de não obter sucesso sob o aspecto financeiro. Obviamente que nem todas as pessoas tornar-se-ão milionárias ao mobilizarem suas forças, até porque há vários fatores envolvidos, todavia fato é que não ficarão na total penúria material, porquanto a favor delas fala a iniciativa e o empenho por avançar. E, em avançando, como foi o caso de Antônio Carlos, acabou por criar uma empresa que hoje é o sustento de muitas famílias, ou seja, venceu a adversidade e multiplicou os benefícios.

A provação da riqueza Entre as ilusões terrenas, nascer com todas as possibilidades ao alcance da criatura soa como um dos maiores privilégios da existência, porém, não é assim que as coisas se processam na realidade imaterial do espírito. Como se diz, o dinheiro não compra a felicidade e a paz, tampouco é sinal de virtude ou imperfeição. Virtudes e imperfeições são características do espírito, jamais da situação econômica do indivíduo. E ampliar as primeiras e rejeitar as segundas, pois, são os grandes desafios a que o homem rico é chamado diante da facilidade material.

Por isso é que a prova da riqueza material, conforme ensinam os Espíritos, é uma das mais complexas. Em O livro dos Espíritos, questão 816, Kardec indaga aos mentores sobre a questão pertinente à riqueza: “Se o rico tem mais tentações, não tem também mais meios de fazer o bem?”. Respondem os espíritos: “É justamente o que nem sempre faz; torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Suas necessidades aumentam com a riqueza e ele acredita nunca ter o suficiente.” Ao que Kardec complementa: “A riqueza e o poder despertam todas as paixões que nos ligam à matéria e nos afastam da perfeição espiritual; é por isso que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que é mais fácil um camelo* passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

Jesus, em sua imensa sabedoria, via o grande perigo do apego material já em seu tempo, e situa isso como um dos impedimentos para que o indivíduo alcance o reino dos céus. Imerso em pensamentos de glória e poder, o homem apegado aos bens materiais geralmente se esquece de que está na Terra apenas de passagem, o que o faz desinteressar-se pela vida futura. Todavia, obviamente que ao rico não está fechada as portas do mundo espiritual. Pode-se perfeitamente vencer a provação da riqueza. Como? Não se trata de tarefa simples, porquanto para vencer qualquer provação é preciso que se utilize o empenho por superar as limitações. Mas é possível vencer a prova da riqueza ao trabalhar a generosidade. Não se trata de dar tudo o que se tem aos pobres e vagar pela miséria, uma vez que deixar de beneficiar pessoas para tornar-se um peso para a sociedade não é meritório.

Há um fator interessante a considerar: a diferença das aptidões. Nem todas as criaturas possuem a mesma capacidade, inteligência e condições para administrar grandes somas, daí que distribuir tudo a todos é contraproducente. Eis, então, que o homem abastado pode utilizar de forma inteligente seus recursos, promovendo o progresso e fazendo com que os bens que estão temporariamente sob seus cuidados, sejam motivos de evolução aos outros, assim como o empresário citado acima.

E como utilizar os recursos de forma inteligente? O empresário que se preocupa em oferecer excelentes condições de trabalho e benefícios às famílias dos empregados; o rico que investe grandes somas em pesquisas para descobrir a cura de determinadas doenças; o investimento em instituições sociais que desenvolvem trabalho eficiente junto às comunidades carentes; e muitos outros. Enfim, as possibilidades de não deixar que o dinheiro escravize são inúmeras, é preciso que o indivíduo olhe amorosamente para seu entorno e procure – efetivamente – o bem e a dignidade que pode ajudar a construir. Lembrando, pois, que a riqueza é um empréstimo e que lhe será pedido a prestação de contas ao final da existência, a respeito do uso que haja feito em função da coletividade.



A provação da miséria

Se a prova da riqueza inclina o homem às más tendências, a prova da miséria não fica atrás. Em O livro dos Espíritos, questão 815, Kardec questiona os sábios da espiritualidade: “Qual das duas provas é a mais terrível para o homem, a miséria ou a riqueza?” E os mentores respondem: “Tanto uma como outra; a miséria provoca a lamentação contra a Providência; a riqueza estimula todos os excessos.”

Enquanto uma suscita os exageros, a outra pode provocar a rebeldia ou a revolta contra Deus, atribuindo à Divindade a causa de seus próprios males. Não é raro estabelecer a velha comparação: “Mas por que meu vizinho nasceu em lar abastado, tem facilidades de todos os tipos e eu passo por privações do mínimo necessário?” Eis que a resposta é encontrada em o próprio O Livro dos Espíritos, questão814: “Por que Deus deu a uns riquezas e poder e a outros a miséria? Para experimentar cada um de maneiras diferentes. Aliás, vós já o sabeis, essas provas foram os próprios Espíritos que escolheram e, muitas vezes, nelas fracassam.”

Cada espírito que passa pela Terra tem o aprendizado que precisa em favor de sua própria evolução. Se a prova dos abastados é resistir aos arrastamentos às paixões funestas, aos excessos, à tentação do poder e do status, também terão a oportunidade de se fazerem exemplos para os demais através de sua conduta reta e dignificante; Ao que nasce na pobreza, por sua vez, é dado aprender o valor do trabalho árduo, resistir às tentações do ganho fácil, descobrir os valores reais do espírito, e não raro se vê entre a pobreza as mais dignas demonstrações de solidariedade.



A inversão dos valores 


Quem não soube trabalhar adequadamente os bens materiais nascerá, necessariamente, na pobreza na próxima vida? Não necessariamente, mas a lógica da reencarnação como bendita escola da evolução humana coloca que quando os valores nobres do espírito não são descobertos ou utilizados com a ferramenta oferecida por Deus, certamente a Vida trocará de ferramenta. Eis aí a possibilidade da inversão dos papéis sociais, a fim de que o indivíduo aprenda a valorizar as oportunidades que lhe são concedidas. Tudo aquilo que é desvalorizado pode ser perdido para que haja o processo de reflexão, e a criatura compreenda a importância de não se deixar passar em branco as chances de progresso ensejadas pelo Criador.

Seja na pobreza ou na riqueza, no entanto, vale o esforço, conforme orientam os espíritos a Kardec, de cada indivíduo no enobrecimento de si mesmo, utilizando a realidade que lhe foi permitida. E qual a meta? “Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhantes a esse: amarás o teu próximo, como a ti mesmo – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos” (Mateus, 22:37-40).

Wellington Balbo




Ps.: Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.



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