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13 de jan de 2013

Analisando a vaidade



 O que fazer com a vaidade? Será ela tão perniciosa quanto julgamos ser ou há elementos que podem ser aproveitados e incentivados para um melhor aproveitamento de nossas potencialidades?

A vaidade é um dos sentimentos mais temidos pelas pessoas de bem. Ninguém quer se desviar do caminho da virtude por causa de sua vaidade, com medo de se tornar arrogante, prepotente ou ser criticado. Muito justo, porque a vaidade mal trabalhada provoca mesmo essas reações.
Mas, como tudo tem duas faces, assim também a vaidade. Nem sempre ela é daninha, havendo momentos em que funciona como reconhecimento do valor próprio e revelação da autoestima. Muitas vezes, é a vaidade que impulsiona o indivíduo a melhorar, a fazer melhor, a ser melhor, evitando que se sinta para baixo, desvalorizado, sem importância.
Sem ela, não nos esforçaríamos, por exemplo, para ter uma boa aparência, lembrando que ter boa aparência não é exatamente ser bonito, magro ou vestir-se bem, mas estar asseado, com roupas limpas e sem rasgos. Isso é importante para manter a dignidade do corpo, que sempre reflete na alma. Essa é a vaidade que estimula a fazer regime, usar maquiagem, comprar uma roupa nova, apresentar-se bem para o namorado ou namorada. É o que garante, muitas vezes, uma promoção ou o emprego tão desejado. Sem excessos, é uma vaidade saudável, pois determina a valorização do corpo na exata medida do valor que ele deve ter. Exageros, contudo, podem ser perniciosos, tornando as pessoas enfermas, paranoicas, desequilibradas. A vaidade não pode ultrapassar o limite da saúde, seja ela física, mental, moral ou espiritual.
Quando se tem uma vida confortável, farta, até mesmo luxuosa, deve-se, em primeiro lugar, agradecer à vida por essa possibilidade. Deus divide os bens materiais de acordo com a necessidade e o merecimento de cada um, portanto, ninguém recebe mais do que merece nem menos do que precisa. A vaidade pelo estilo de vida, fruto do reconhecimento da conquista, sem ostentações desnecessárias nem humilhação dos mais humildes, não pode ser condenada. Se assim fosse, ser rico seria um mal ou uma vergonha, o que não é o caso. A riqueza, normalmente, gera vaidade, porque todo mundo gosta de estar cercado de coisas bonitas e boas. O cuidado deve estar, como sempre, no exagero, na ilusão de superioridade. Todo ser humano é igual, pouco importando suas condições de vida. Afinal, Deus não cultiva riquezas nem poder, apenas amor, e para amar, não se fazem exigências nem há requisitos. Quando se foi agraciado com a riqueza, os bens materiais, o conforto, a vaidade não pode ir além do reconhecimento do que se mereceu, seja para testar o amadurecimento dos valores morais, seja porque já ultrapassada a fase da mesquinharia e da arrogância.
É também a vaidade que nos traz o reconhecimento das nossas capacidades, e isso é mais importante ainda. Cada um de nós tem um talento, um dom que deve ser utilizado e estimulado. Isso não significa que todo mundo possua um dom artístico ou científico. Nem todos têm jeito para pintura, poesia ou matemática. Há dons nas coisas mais simples, que nem por isso são menos importantes, pois tudo é necessário no mundo. Os talentos são os mais variados, revelando-se em várias situações. Existem ótimas cozinheiras, excelentes pedreiros, costureiras de primeira, professores, médicos, babás, dentistas, navegadores, fonoaudiólogos, advogados, eletricistas, arquitetos, marceneiros, desenhistas, estilistas, pilotos, escritores, enfermeiros, pintores, psicólogos, músicos, cientistas, sacerdotes e por aí vai… Não devemos nos esquecer das tarefas não remuneradas e às quais, normalmente, ninguém dá valor: uma boa dona de casa que deixa tudo em ordem, a pessoa que sempre tem uma palavra amiga para dar, a mulher que sabe cuidar dos doentes e necessitados, o anônimo que recolhe animais perdidos nas ruas, o voluntário que dá uma parte do seu dia para alegrar as crianças de um orfanato, o atendente simpático da repartição pública que trata a todos com cortesia. Esses e outros são talentos, ou dons, que cada um possui para desenvolver a seu favor e do bem comum. Identificando o seu, o indivíduo deve valorizá-lo, sentir-se orgulhoso de poder contribuir para o desenvolvimento do mundo. Essa é a vaidade do autorreconhecimento, aquela que nos estimula a fazer sempre melhor.
Quando bem elaborada, equilibrada e consciente, a vaidade atua como elemento de propulsão do progresso pessoal, ativando nossas virtudes para a construção de uma vida mais saudável e segura. O que não devemos é permitir que a vaidade nos domine, ultrapassando os limites do bom-senso e da razoabilidade para imprimir ao nosso ego a falsa sensação de que somos melhores do que os outros. Isso não é verdade. Não existem dons melhores ou piores. O que existem são dons necessários, espalhados pelo mundo para um melhor aproveitamento das potencialidades em benefício da humanidade. É possível até alguém achar ou saber que é o melhor em alguma coisa, desde que, com isso, não se transforme em arma de tirania para oprimir seus semelhantes nem diminuir suas capacidades. Ser o melhor em alguma coisa não significa ser a melhor pessoa, pois essa qualificação só é aconselhável quando se mede a pureza do coração, e um coração puro jamais se prioriza ou se vangloria das qualidades próprias.


Mônica de Castro

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