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24 de set de 2013

Jovens no Movimento Espírita


Por Antonio Cesar Perri de Carvalho
Desde tempos imemoriais há citações, atos e admoestações, vinculadas à fase juvenil, assinaladas por filósofos, historiadores e evangelistas.Até mesmo entre os apóstolos diretos e indiretos do Cristo havia jovens, como também havia os relacionados a Paulo de Tarso: duas de suas epístolas são dirigidas a Timóteo, que iniciou suas atividades na citada faixa etária.

Entre os médiuns que atuaram com Allan Kardec, no início da elaboração das obras da Codificação, destacam-se as jovens Ruth Celine Japhet e as irmãs Caroline e Julie Baudin. Contemporâneos e seguidores de Kardec tiveram papel destacado desde a juventude: Camille Flammarion, Gabriel Delanne e Léon Denis.Nas primeiras décadas do Movimento Espírita brasileiro houve histórica atuação do vice-presidente e presidente da FEB, Leopoldo Cirne, e ainda de Eurípedes Barsanulfo e Francisco Cândido Xavier.

Na mesma época em que o médium de Pedro Leopoldo, com 22 anos, tinha sua obra Parnaso de além-túmulo lançada pela FEB, surgiam as primeiras mocidades espíritas em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova Iguaçu (RJ).1,2,3 O ano de 1948 registra importantes fatos: surgiu a Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo (Combesp), reunindo jovens de Mato Grosso,Goiás,Minas Gerais, São Paulo e depois o Distrito Federal (Brasília). Este certame foi um celeiro de formação de expositores e lideranças.1,2 Em julho, ocorre o 1o Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, realizado na cidade do Rio de Janeiro, conduzido pelo incansável líder Leopoldo Machado, e, entre outubro e novembro, o Congresso Brasileiro de Unificação, em São Paulo, contando com a adesão de lideranças adultas e jovens de Estados do Sul e Sudeste do país. Os dois últimos eventos alimentaram propostas que geraram o Pacto Áureo, assinado com a FEB, em 1949, e a consequente criação, em 1950, do Conselho Federativo Nacional da FEB.2 O entusiasmo juvenil ensejou a formação de grupos, inicialmente autônomos e depois como departamentos de instituições espíritas.

O movimento jovem conquistou expressão, com abrangência nacional, daí resultando a efetivação da 1a Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil (Comjeb), realizada em Marília (SP), em 1965, contando com o apoio da FEB.4 Pouco antes, o CFN da FEB, em eventos regionais, iniciava a discussão sobre temas do Movimento Espírita.

Em 1962, o Simpósio Centro-Sulino, realizado em Curitiba, aprovou deliberações significativas para as mocidades espíritas.5,6 Com base neste documento, recomendou-se a suspensão da Combesp, encerrada na mesma cidade onde surgiu: Barretos (SP), em 1966. Estimulava-se a promoção de eventos estaduais, pelas Entidades Federativas Estaduais.
Durante muito tempo poucos conclaves foram concretizados neste novo modelo, como a Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas
do Estado de São Paulo, iniciada em 19672 e mantida até nossos dias. Como eventos regionais, destacavam-se os realizados em regiões do Estado de São Paulo,desde o pioneiro na região Noroeste, em 1956, e a Confraternização de Mocidades Espíritas do Triângulo Mineiro (Cometrim), em meados da década de 1960,7 a qual, por sugestão de Chico Xavier, passou a incluir também os adultos:

[...] acreditamos que as reuniões e confraternizações de Mocidades Espíritas – que a nosso ver deveriam ser também acompanhadas de reuniões e confraternizações de adultos espíritas, é trabalho de muito valor [...]. 8

Num contexto de dificuldades políticas do país, arrefeceu-se o apoio a movimentos jovens e, simultaneamente, nos primeiros anos da década de 1970, a partir da FEB,9 surgiram questionamentos sobre cursos, eventos de jovens, acarretando um desestímulo e até desmantelamento de ações de infância e juventude, que o presidente Francisco Thiesen considerou uma “decisão infeliz”, contextando os métodos e meios utilizados para a decisão de Conselhos Zonais.9,10 Já na sua gestão como presidente, em 1977, Thiesen instala a Campanha Nacional de Evangelização Infantojuvenil, depois transformada em Campanha Permanente, iniciando-se outro ciclo no tratamento da juventude nos centros espíritas.

Na segunda metade da década de 1980, foram implantadas as Comissões Regionais do CFN da FEB e começaram a ser criadas suas Áreas, como a da Infância e Juventude. No contexto destes eventos, nos últimos anos começaram a surgir questionamentos e propostas para avaliar a situação da juventude espírita no país. Em 2011, ocorreram manifestações sobre o tema nas reuniões plenárias, realizadas nas quatro regiões do CFN. Simultaneamente, o Departamento de Infância e Juventude (DIJ), da Federação Espírita do Estado de Goiás, propôs a realização de um evento jovem interestadual na região Centro, que originou a Confraternização Brasileira de Juventudes Espíritas – Comissão Regional Centro (Conbraje), efetivada em Goiânia, em 2013. Em consequência, já se programa evento similar para as outras regiões.

A análise do tema juventude espírita, numa linha do tempo – desde as agremiações pioneiras dos anos 1930 até nossos dias –, permite-nos chegar ao pensamento de que é necessária uma avaliação desapaixonada e ampla de todo o processo, levando-se em consideração os sucessos e insucessos e até, usando um raciocínio dialético, considerar-se que, após momentos caracterizáveis como tese e antítese, segue-se a síntese, com planejamento de uma etapa nova, adequada à realidade atual, que atenda às demandas do Movimento Espírita.

Como partícipe desse movimento no Estado de São Paulo, nos anos 1960, percebemos a importância do momento que vivenciamos e que urge a valorização da ação e da integração do jovem no Movimento Espírita, como efetivo protagonista, a partir de sua célula básica que é o Centro Espírita. Emmanuel comenta o versículo 22 da II epístola de Paulo a Timóteo: O moço poderá e fará muito se o espírito envelhecido na experiência não o desamparar no trabalho. Nada de novo conseguirá erigir, caso não se valha dos esforços que lhe precederam as atividades. Em tudo, dependerá de seus antecessores. [...] A mocidade poderá fazer muito, mas que siga, em tudo, “a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor”.11

*Síntese da palestra “Protagonismo Juvenil e Movimento Espírita”, proferida na Conbraje, em Goiânia, no dia 1o/6/2013.

Referências:

1
 CARVALHO, Antonio Cesar Perri de. Abordagem sobre a juventude. In: Rumos para uma nova sociedade. Autores diversos. São Paulo: Ed. USE, 1996. p. 145 e 155.
2 ______. Espiritismo e modernidade. São Paulo: Ed. USE, 1996. p. 65 e 66.
3 OLIVA FILHO, Apolo. As realizações juvenis espíritas. Anuário espírita 1967. Araras (SP): IDE. p. 95 a 97.
4 I COMJEB – Acontecimento espírita do ano. Anuário espírita 1967. Araras (SP): IDE. p. 172 a 175.
5 1º SIMPÓSIO ESPÍRITA CENTRO-SULINO. Unificação. Órgão da USE. abr. 1963, p. 5 e 6.
CONSELHO FEDERATIVO NACIONAL. Reformador. ano 80, n. 9, p. 14(202), set. 1962.
COMETRIM: Uma experiência no campo da unificação. Anuário espírita 1966. Araras (SP): IDE. p. 148 a 151.
8 XAVIER, Francisco C. Pelo Espírito Emmanuel. Entrevistas. Araras (SP): IDE, 1972. p. 112 a 114.
9 THIESEN, Francisco. Legado de um administrador. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 1978. p. 49 e 50.
10 A FEB e o chamado “Movimento de Juventudes Espíritas”. Reformador. ano 93, n. 1.752, p. 16(60) e (17)61, mar. 1975. 11XAVIER, Francisco C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 5. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 151.

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