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15 de jul de 2014

Trabalhadores da última hora no dia a dia



Parábola dos Trabalhadores da última hora é muito sugestiva para os momentos atuais: Pois o Reino dos Céus é semelhante ao homem, senhor de
casa, que saiu ao raiar do dia a assalariar trabalhadores para a sua vinha. Depois de ajustar com os trabalhadores um denário por dia, os enviou para sua vinha. (Mateus, 20:1-2.)1
Jesus prosseguiu no seu relato, comentando que o proprietário saiu em várias horas do dia, inclusive numa das bem adiantadas, a undécima, convidando os que se encontravam sem trabalho a irem também para a sua vinha. Ao cair da tarde, providenciou o pagamento a todos, começando pelos últimos e indo até aos primeiros.
Houve questionamento por parte dos que estavam trabalhando desde o primeiro momento. Após esclarecer sobre seu procedimento disse: “[...] Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros, {serão} últimos”. (Mateus, 20:16.)1
Na análise da parábola, o Codificador incluiu a mensagem que a relaciona com a situação atual dos espíritas, no contexto do processo de conhecimento e prática da religiosidade e da moralidade, na nossa civilização: Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse:
Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.2
Ao situar os espíritas como trabalhadores da última hora, O evangelho segundo o espiritismo põe em relevo alguns aspectos que devem merecer reflexões, inclusive para a eventual aplicação da parábola no contexto do Movimento Espírita.
Os espíritas, provavelmente, somos aqueles que já tivemos inúmeras oportunidades para nos afeiçoarmos à Lei divina, até mesmo nos séculos posteriores à mensagem do Cristo:
“[...] há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela!”.2 Daí a razão de Emmanuel comentar, nos idos de 1938, em A caminho da luz: Aproxima-se o momento em que se efetuará a aferição de todos os valores terrestres para o
ressurgimento das energias criadoras de um mundo novo [...] 3
Será que na trajetória do processo evolutivo de nosso planeta não nos encontramos na nossa “undécima hora”, considerada na parábola como uma hora adiantada e próxima ao momento da conclusão do ciclo do dia de trabalho?
Provavelmente, estamos com a possibilidade do trabalho na vinha do Senhor nessa etapa, ou seja, no momento em que se encerra um ciclo de nossa civilização e se prepara a Nova Era.
Todavia, como viajores de diversificadas experiências e tendo seguido caminhos diferentes, trazemos tendências muito assinaladas em nossos
Espíritos, inclusive na condição de viezes do orgulho e do egoísmo. De que maneira estamos recepcionando na “nossa vinha” os trabalhadores que chegam na “undécima hora” de nossas jornadas?
No seio dessa vinha de nossos dias, também há crianças, jovens, adultos e voluntários em geral, que aportam em nossos espaços de trabalho em diferentes “horas” e vindos de locais variados. É quando, às vezes, surge a tendência de se manter algumas formas de discriminação: “Como? tão jovem… você primeiro precisa aprender muito…”; “Estes assuntos (atuais) são muito complicados para crianças e jovens.
Eles precisam crescer…”; “Mas, você fez um curso x ou y? E onde? Aqui somente permitimos trabalhadores que tenham completado os cursos z ou w… e realizados em nossa Instituição…”; “Como aceitar a colaboração desse companheiro se ele tem pouco tempo de Casa?
Não! Nós precisamos privilegiar aqueles que têm anos de preparo aqui dentro…” O apóstolo Paulo viveu o dilema polêmico – a quem levar a mensagem do Cristianismo: aos que já aceitavam a lei moisaica ou também aos gentios?
Ao longo dos séculos, foram criadas normas e hierarquias para se ter acesso ao estudo e à prática religiosa. Vivemos em outra época: de globalização de informações, de rompimento de barreiras, de respeito à diversidade e de respostas rápidas.
Torna-se evidente, nesse contexto, a oportunidade do “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2013-2017)”, aprovado pelo
Conselho Federativo Nacional da FEB, que define na sua Diretriz 1:
Difundir a Doutrina Espírita, através do seu estudo, da sua divulgação e da sua prática, colocando a ao alcance e a serviço de todas as pessoas, indistintamente, independentemente de sua condição social, cultural, econômica ou de sua faixa etária. 4
Essa Diretriz é coerente com o capítulo XX da obra2 de Kardec, na qual está inserida a mensagem de Erasto, intitulada Missão dos espíritas: “[...] Ide, pois, e levai a palavra divina [...]”.2 O “Plano” citado ainda apresenta diretrizes para a união, adequação de centros e preparação de trabalhadores.
A proposta espírita para o trabalhador das instituições deve ser condizente com a mensagem de fraternidade e solidariedade que emana do Cristo, a qual pode ser sintetizada em palavras-chaves constantes de recente Campanha do CFN da FEB, definindo as tarefas primordiais dos centros espíritas: acolher, consolar, esclarecer e orientar.5
Essas situações também podem acontecer no ambiente profissional e até na intimidade das famílias, onde os mais jovens ou os que “estão chegando agora” algumas vezes são questionados e até isolados porque não estão inseridos no contexto desde “a primeira hora”.
No cenário profissional da atualidade, os tradicionais critérios de antiguidade no serviço e até de exclusividade de experiência em um único vínculo empregatício, já não são muito considerados. Há muitas formas de valorização de potenciais e experiências dentro de contextos diversificados, havendo mesmo tendência de se destacarem os valores humanísticos e os não cognitivos.
De outra mensagem do mesmo capítulo da obra2 de Kardec – Os obreiros do Senhor –, assinada pelo Espírito de Verdade, destacamos: Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo.
Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos Céus”.2 Os parâmetros dos ensinos morais do Cristo embasam o Espiritismo e compete-nos realizar um grande esforço para a internalização e colocação em prática dessas propostas de ação, iniciando-as na Seara espírita.


- Antonio Cesar Perri de Carvalho -

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