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15 de jun de 2012

Dialogo com as Sombras 2ª PARTE - (15,16) OS JURISTAS





15 - OS JURISTAS
16 - O EXECUTOR


15 - Os Juristas

Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras, tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. São os terríveis juristas do Espaço.
“Estes também — diz o artigo já citado, em “Reformador” de fevereiro de 1975 —, autoritários e seguros de si, exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque, segundo informam ao dou­trinador, cingem-se aos autos do processo. Na sua opinião, qual­quer juiz terreno, medianamente instruído, proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. Todo o formalismo processualís­tico ali está: as denúncias, os depoimentos, as audiências, os pare­ceres, os laudos, as perícias, os despachos e, por fim, a sentença — invariavelmente condenatória. E até as revisões, e os apelos, quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor, se desorientam).”
São também impessoais e frios aplicadores das “leis”.
Um desses juizes deu-me a honra de trazer, para argumentar comigo, os autos do processo. Abriu sobre a mesa o caderno, invi­sível a mim, e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido, desde o desencaminhamento de jovens inexperien­tes, até assassinatos. Só depois, pobre irmão, foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos, coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. Quando pediu ao contínuo que lhe passasse os autos, este lhe deu a documentação errada. .. O engano foi, aliás, seu mesmo, porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos, e ele, em tom áspero e imperioso:
— Não é este, é o outro!
O “outro” era o dele!
Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”, como também autos já arquivados, com sentença profe­rida, em caso que, segundo este jurista invisível, eu havia apelado.


16 - O EXECUTOR

          Sente-se também totalmente desligado da responsabilidade, quanto às atrocidades que pratica, pois não é o mandante; apenas executa ordens. Usualmente, nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria, sem temores, sem remorsos, sem dramas de consciência.
          Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas, as que mais se ajustam à sua psicologia, aos seus vícios e às suas deformações.
          Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. Há os que são compensados com prazeres mais vis. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”, com vistosas condecorações. Um deles me exibia, com orgulho e frieza, uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã!
          Outro, desses companheiros desarvorados, deixou-nos uma das mais comoventes lições, escrita, a princípio, com as sombrias cores do rancor, e depois, com as luminosas tintas do amor e da emoção.
          Empenhara-se num processo tenebroso e complexo, de obses­sões violentas, a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. Ao manifestar-se, mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. Revela sua elevada hierarquia, ridiculariza, de­blatera, ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. Não se teria dignado comparecer diante de nós, se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. Conhece-me de longa data: sempre fui um herético impenitente, metido a refor­mista. Seus “soldados” estão lá fora, à sua espera. Quando, sus­tentados por luminosos trabalhadores espirituais, começamos a conseguir dele alguma reação positiva, parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor, ele que sempre foi destemido homem de ação.
Ao cabo de algum tempo de diálogo, nas várias vezes em que compareceu ao grupo, ofereço-me para ajudá-lo, em alguma coisa de que necessite. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir.
É justamente isso que ele não entende: descobrira que, mesmo sem o saber, estávamos já servindo, com todo o nosso afeto e dedicação, a um Espírito muito querido ao seu coração, que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”, a troco de nada, sem exigir coisa alguma, enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. Aquilo era demais para a sua compreensão. Havia mais, porém. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E, no entanto, treinara “soldados” para nos dar com­bate sem tréguas, a nós, que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho... Era, de fato, incompreensível...
Passadas algumas semanas, obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão, de amor, de arrependimento. Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos, ao longo de muitos anos de prática mediúnica. Quando me lembro disso, ainda me parece ouvir sua voz pausada, embar­gada, sofrida, a chorar o tempo perdido, a ausência do filho amado, que não lhe era possível nem visitar, mas que deixava aos nossos cuidados. Estava de partida para uma nova encarnação, que se prenunciava de muitas dores e renúncias, como ele precisava, para o reajuste. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures, no tempo e no espaço, um dia... um dia...
Assim são eles, pobres irmãos desorientados. Não nos impres­sionemos com a sua violência e agressividade. Trazem dores mile­nares e, a despeito de si mesmos, preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda.



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