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9 de abr de 2012

Diálogo com as Sombras 2ª PARTE (6) - OS ASSISTENTES






Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. Uns por mera curiosidade, outros na esperança de se deixarem convencer, ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença, outros na expecta­tiva de uma cura, seja de males orgânicos, seja de desarmoniza­ções espirituais, como a obsessão, estados de angústia ou de desespero, ante a partida de pessoas queridas.
Os motivos são muitos, certamente relevantes, e a nós, espí­ritas, custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que, muitas vezes, nos são muito caras. O certo, porém, é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo.
Sabemos que esta reserva é quebrada, com freqüência, em muitos grupos, enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas, em caráter permanente, seja a um público reduzido e selecionado, seja a qualquer pessoa que se apresente.
Na minha opinião, somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo, nos trabalhos de desob­sessão. Sob condições normais, ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsidiados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. Mais do que desnecessária, a presença de pes soas perturbadas, no ambiente onde se desenrola o trabalho me diúnico, pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo; julgo, porém, que, como regra geral, deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. É preferível pecar por excesso de rigor, do que arriscar-se a pôr em xeque a harmonia e a segurança da tarefas. Em casos excepcionais, grupos que contem com excelentE cobertura espiritual poderão admitir essa prática, mas, é bom repetir, não como norma de procedimento O grupo pode perfeita­mente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão, sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. Não é a presença física deles, junto ao grupo, que vai facultar ou fácilitar a tarefa, ao contrário, essa presença pode causar consideráveis trans­tornos. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso, não havendo necessidade de correr riscos inde­vidos. Assim, a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa, no ambiente em que se realisam as sessões, isso deve ser tormalmente evitado.
Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem a recusa como falta de caridade, ou ausência de espírito de colabo­ração, sabemos que assim não é. Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física, para que o trabalho seja feito. E não é mesmo, na imensa maioria dos casos. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido, em vários anos de prática.
O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos, rancorosos e violentos, apresentam inva­riavelmente um componente mediúnico, ou seja, são também mé­diuns, embora desgovernados, desajustados e ignorantes de suas fa­culdades e Possibilidades.
No livro “Nos Domínios da Mediunidade”, narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente, por nome Pedro, como médium:
— “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado, será justo tê-lo nessa conta, contudo, precisamos considerar que, antes de ser um médium na acepção comum do termo, é um Espírito endívidado a redimir-se.”
E mais adiante, na página seguinte (76, da 6ª edição da FEB):
“... Por esse motivo (compromissos do passado), Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação.” (Destaques meus.)
Assim, na condição de médium desgovernado, e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo, o obsidiado, ou possesso, facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio, que poderá trazer sérias complica­ções, se o grupo não estiver muito bem preparado para essa res­ponsabilidade.
Em suma: a meu ver, como regra geral, o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. Somente em condições muito especiais, excepcionais mesmo, deverá fazê-lo, se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos ben­feitores espirituais. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo, e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade, ou de recursos outros, de que o grupo não disponha no momento, como, por exemplo, número maior de médiuns, ou um doutrinador especial. Pode ser, também, que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada, com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. Pode ser, ainda, que não desejem, com um caso especial, interferir no fluxo normal do trabalho. Ou então, estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado, até ó local onde habitualmente se realiza a sessão. Enfim, há sempre razões respeitáveis, quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. Evidentemente, nessa hipótese, a sessão exige tais cuidados que, obviamente, não poderia ser realizada sob as condições normais. Nestes casos, os Espíritos orientadores solicita­rão uma sessão especial, em dia e hora previamente combinados, designando, ainda, quem dela deve participar.
Isso, no que diz respeito a pessoas perturbadas, sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores; mas, e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião, não. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade se­creta, hermética, esotérica e misteriosa, mas, porque é da sua essência uma atitude de recato, de sigilo, de discrição. O trabalho mediúnico, especialmente o de desobsessão, não é para ser divul­gado, nem exibido, como espetáculo público.
Há algum tempo, um amigo a quem muito respeito e admiro, pelas nobres qualidades de caráter e cultura, começou a observar, em seu próprio lar, a formação de um pequeno grupo mediúnico. Sem ser espírita, mas dotado de curiosidade intelectual e pragma­tismo, passou a assistir, a distáncia, algumas sessões, e a solicitar livros, para informar-se do assunto. Ao observar que os traba­lhos enveredavam, como acontece com freqüência, pelo atendimen­to aos sofredores desencarnados, me fez uma pergunta perfeita­mente válida:
        Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave?
        Queria referir-se, como explicou mais adiante, às interferências voluntárias ou involuntárias, do grupo, em problemas de outras pessoas, encarnadas ou não, e ao trato das revelações de caráter íntimo, que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos.
        É certo, realmente que o diálogo com os Espíritos que se ar­voram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informa­ções que devassam a intimidade alheia.
        A pergunta, como disse é válida, e o problema, antiqüissimo. Voltemos, Uma vez mais, à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo:
        — Pelo contrário — escreve ele, na Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 14, versículos 24 e 25 —, se todos profetizam (1), e entra um infiel, OU não-iniciado, será convencido por todos, jul­gado Por todos. Os segredos de seu coração serão descobertos e, prostrado de rosto ao solo, adorará a Deus, confessando que Deus está verdadeiramente entre vós.
        Já naqueles recuados tempos, por conseguinte, dava-se o fenô­meno da indiscrição de espíritos afoitos, com relação aos segredos da intimidade alheia. Paulo, no seu pragmatísmo via no caso o seu aspecto positivo, ou seja, o de levar o descrente, que ele chama de infiel, ou não-iniciado à crença e ao reconhecimento da pre­sença de Deus entre os primitivos cristãos. E isto é legitimo e proveitoso, sem dúvida, porque muitos dos que se acham mais fortemente entrincheirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu Comodismo ou de sua vaidade; não podemos no entanto, perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia, com todas as suas fra­quezas, suas angústias, seus desenganos e seus erros, por mais clamorosos que sejam. Quando, no decorrer do trabalho mediúnico surge uma denúncia, ou revelação acerca das fraquezas alheias, essa informação é recebida com reserva e, se verdadeira, com redo­brado respeito e discrição. Não é para ser proclamada, divulgada ou comentada, nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho.

(1) Ao que se depreende do texto, Paulo dá o nome de profeta ao médium de Incorporação ou Psicofônico.

      Todos nós estamos em posição vulnerável, com relação a essas im­piedosas indiscrições, que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa, que desejaríamos continuassem em segredo. Por isso, preci­samos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos.
Uma ocasião, no desespero angustioso de me ferir, um compa­nheiro, com poderosos recursos de hipnotizador, trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu, desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajustamento no mundo espiritual. Ou, talvez, nem o tenha trazido, mas apenas imaginado o episódio como estratagema, na desesperada tentativa de desarmonizar-me. Dizia ele que meu irmão estava presente, sob seu domínio, e apa­rentemente dirigindo-se a ele, dizia:
—  Não tente escapar, que eu aperto mais o laço.
E voltando-se para mim:
—  Ele gostava de tomar umas e outras, não é?
Graças a Deus, não me deixei Impressionar. Dei-lhe razão. Sim, infelizmente, meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool, provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo com­parsa, ou vítima. Quem sabe se do próprio, que ora me trazia? Felizmente, o ardil não produziu os resultados que ele esperava. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. O companheiro acabou se convencendo, graças a Deus, e partiu arrependido e em pranto.
De modo que, se o grupo está bem ajustado e integrado, todos se estimam e se respeitam, não é a leviandade de um pobre Espírito, em estado de angústia, que vai desequilibrá-lo; mas, se há estranhos na sala, o problema se torna bem mais sério.
Por outro lado, mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves, não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos, tanto entre os encar­nados como entre estes e os orientadores desencarnados. A intro­dução de um estranho causa certo desajuste, que nem sempre épossível corrigir com facilidade e rapidez.
Tive, também, algumas experiências nesse sentido.
Por duas vezes quebramos, em um grupo mediúnico, a regra que havíamos estabelecido, de não admitir pessoas estranhas às ta­refas. Não havia problemas particularmente graves com essas pes­soas, e nem as movia a simples curiosidade. Num caso, tratava-se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. Embora não-espírita, encarava com simpatia nossa Doutrina. Sua esposa desencarnara relativamente jovem, e ele estava profundamente aba­lado. A instâncias de um dos nossos companheiros, resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. Talvez alimentasse ele a esperança de uma noticia acerca da esposa ou, quem sabe? até uma palavra dela mesma... Sentou-se em uma cadeira à parte, fora do círculo que compunha a mesa, e lá ficou, em silêncio e em atitude respeitosa.
Na verdade, sua presença não impediu a realização dos tra­balhos da noite, mas eles se arrastaram dificultosamente; havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte, e parecia pairar no ar certa dissonância, que não conseguimos vencer, e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. É certo que, conscientemente, ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho, e isso nem passaria pelas nossas mentes; mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa impon­derável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais, por parte de nossos benfeitores, para que a sessão pudesse realizar-se.
Esse aspecto negativo repetiu-se, com as mesmas característi­cas, em circunstâncias semelhantes, com uma jovem a quem con­cedemos permissão para assistir aos trabalhos.
Depois dessas duas experiências, voltamos à rígida política de não admitir ninguém, a não ser os componentes regulares da equipe.
Essa, portanto, é a regra, imposta pela disciplina e pela segu­rança da tarefa.

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