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8 de mar de 2012

Diálogo com as Sombras 2ª PARTE (3) - OS MÉDIUNS



3 - OS MÉDiUNS

O capítulo 32, de “O Livro dos Médiuns”, intitula-se “Vocabu­lário Espírita”, e sugere a seguinte definição:
— Médium — (Do latim medium, meio, intermediário). Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens.
Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre demonstra, essa definição é um primor de clareza. Vemos, por ela, que o médium é uma pessoa, isto é, um ser encar­nado, sujeito, por conseguinte, às imperfeições e mazelas que nos afligem a todos e, portanto, tão propenso à queda quanto qual­quer um de nós, ou talvez mais ainda, porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um grau mais elevado de influenciação.
Sabemos, por outro lado, do aprendizado espírita, que a me­diunidade, longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições. Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais, como seres de eleição. É, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir-se mais uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos, O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para apressar ou abre­viar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino, mas depositário desse dom, que lhe é concedido em confiança, para uso adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus com­panheiros desprovidos dessas faculdades.
Quanto mais amplas e variadas as faculdades, mais exposto ficará ao assédio dos companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo.
De certa forma, isso é válido para todos nós, mas aqueles que dispõem de faculdades mediúnicas estão como se tivessem devas­sado o seu mundo interior a seres desconhecidos e invisíveis, que podem ser bons e amigos, como também podem ser antigos e ferrenhos desafetos ou comparsas de crimes hediondos.
Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. O jovem herói, pelo esforço de um trabalhador social compreensivo, que acreditava na capacidade evolutiva do ser humano, obteve liberdade condicional. Estivera alguns anos na prisão, em virtude da prática de assaltos audaciosos, bem planejados e, naturalmente, muito rendosos financeiramente. Fora o líder de seu grupo, o cérebro da organização, o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais à sua vontade. Ao sair da prisão, deseja esquecer o passado tenebroso, encontra o amor na pessoa de uma jovem, e dedica-se a trabalho humilde, de baixa remuneração, mas honesto. É nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenera­tivo, que os antigos comparsas o encontram. Começa o cerco, o assédio, com propostas, ameaças, e a doce cantilena do êxito ma­terial. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. Qualquer ardil serve, qualquer pressão, envolvimento ou oferta. Vale tudo. Seus ex-companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo, aos prazeres, às loucuras, à irresponsabilidade.
A semelhança com a situação do médium é impressionante. Seus comparsas não se conformam, e, das trevas onde se escondem, buscam-no incessantemente. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. Os primeiros manifestantes são, quase sempre, atormentados seres do mundo das dores, obses­sores impiedosos, verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. Ou, então, são associados de outros tempos, que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis.
O médium, mais do que aqueles que não dispõem da faculdade, é um ser em liberdade condicional. Cabe a ele provar que já écapaz de fazer bom uso dela. A tarefa não é fácil, porque, como todos nós, traz em si o apelo do passado, as “tomadas” para o erro, as cicatrizes, mal curadas, de falhas dolorosas, o peso específico que o arrasta para baixo, tentando impedir que ele se escape, como um pequeno balão, para o azul infinito da libertação espiritual. Mais do que qualquer um de nós, ele precisa estar vigilante, atento, ligado a um bom grupo de trabalho, compulsando livros doutriná­rios de confiança, observando suas próprias faculdades, corrigindo, melhorando, modificando, eliminando, acrescentando.
Nada de pânico, porém. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas, que o põem em relação com o mundo espiritual, quer ele deseje ou não, não quer dizer que ele esteja àmercê dos companheiros desvairados das sombras, a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias, daqueles que estão inte­ressados no seu progresso espiritual. Procure manter um bom clima mental. Estude, leia, viva com simplicidade, vigie seus sentimentos, como qualquer um de nós. Participe da luta diária, enfrente os problemas da existência: profissionais, familiares, sociais, humanos, enfim. Não lhe faltarão recursos, assistência, informações e, acima de tudo, trabalho mediúnico, que é da essência mesma do seu compromisso.
Não tema, mas não seja temerário. Não deixe de estudar suas faculdades, mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recur­sos que conseguiu desenvolver. Na hora da tarefa, é um simples trabalhador, como qualquer outro: nem melhor, nem pior, nem inferior, nem superior.
Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “ve­detismo” de alguns médiuns; o bom combate, é claro, de que nos falava Paulo, sem rancores, sem humilhações, sem prepotência. É comum, nos grupos mediúnicos, dar-se destaque indevido ao médium que recebe, por exemplo, o orientador desencarnado, para as pala­vras de esclarecimento e as diretrizes gerais. O ideal seria que os orientadores se revezassem, utilizando-se dos demais médiuns, mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas suscetibilidades e vaidades. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido, trate de se corrigir; se os médiuns que não o rece­bem ficam enciumados, o problema é de cada um. A experiência com os espíritos ensina-nos que eles são compassivos, amorosos, pa­cientes, tolerantes e serenos, mas são também firmes e rigorosos, quando necessário. Isso está amplamente documentado na Codifi­cação, pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer, às vezes até com inesperada severidade.
— Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec, segundo “O Livro dos Espí­ritos”, questão 123.
E eles respondem:
— Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis, todavia, dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um, porqüanto, assim, cada um tem o mérito de suas obras.
E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco, meros aprendizes primários de uma verdade que transcende, em muitos aspectos, a nossa compreensão?
Assim, não se espere que os benfeitores espirituais tomem pre­cauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade.
Não cuidaremos, neste livro, da formação ou do desenvolvi­mento do médium. O assunto é demasiado complexo para um tra­tamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. Há obras que cuidam do problema, mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho, nesse sentido, é“O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec.
É possível, no entanto, que as tarefas do grupo mediúnico venham, no decorrer do tempo, revelar a existência de outros médiuns em potencial. Não é necessário, neste caso, colocar a pessoa em quarentena, nem desligá-la do grupo. Que ela se man­tenha junto aos companheiros, na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. Os benfeitores espirituais saberão como con­duzir o labor necessário, fornecendo ocasionais indicações e ins­truções, até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada.
O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho, ajudando o companheiro, ou companheira, nas lides iniciais da sua empreitada. Os fenômenos começarão espaçados e indecisoS: rápi­das vidências, clariaudiência, talvez intuições, impulsos de dizer ou escrever algo. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem, o com­ponente da equipe deve comunicar-se, tão logo lhe seja possível, com o dirigente, sem interromper os trabalhos em curso, a não ser por motivos imperiosos; de preferência, contudo, depois de encerrada a sessão. Nada de açodamento, de excitações, de fanta­sias, de euforia, nem de temores. Num grupo bem orientado, todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas, quando possível e necessário.
A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desob­sessão é a psicofonia, ou de incorporação. O diálogo com o desen­carnado é da própria essência da tarefa, e dificilmente a palavra falada, direta e viva, poderia ser substituida, sem perda conside­rável da eficácia do processo. Em casos extremos, poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o espírito responderia por escrito, mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada, nesse tipo de trabalho. Com ela, sentimos com maior facilidade as reações que se processam no manifestante, sua perso­nalidade, seus cacoetes, seu estado de irritação ou de serenidade, suas ironias, suas vacilações, sua sinceridade, suas emoções.
Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas mediuns de incorporação. Os benfeitores espirituais terão melhores oportu­nidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio, quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades, operando atra­vés da vidência de um, da clariaudiência de outro, da intuição de um terceiro, ou até mesmo se utilizando, em trabalhos especiais que ainda discutiremos, da faculdade, que têm outros, de exteriorizarem ectoplasma, ou seja, da mediunidade de efeitos físicos.
Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva, como vi­dência, ou audiência. Nesse caso, os médiuns presentes serão, as vezes, incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas obser­vações e recomendações recebidas dos benfeitores, enquanto ele se acha doutrinando. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária.
Como a psicofonia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa, André Luiz nos oferece, no seu já citado “Desob­sessão”, um valioso decálogo de recomendações e sugestões. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar, parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuida aos médiuns.
É aconselhável, pois, aos médiuns psicofônicos:
*   Desenvolvimento da autocrítica.
*   Aceitação dos próprios erros, em trabalho mediúnico, para que se lhes apure a capacidade de transmissão.
*   Reconhecimento de que o médium é responsável pela comu­nicação que transmite.
*   Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarece­dores ou dos companheiros, aproveitando observações e avi­sos para melhorar-se em serviço.
Fixação num só grupo, evitando as inconveniências do com­promisso de desobsessão em
          várias equipes ao mesmo tempo.
*   Domínio completo sobre si próprio, para aceitar ou não a in­fluência dos Espíritos desencarnados, inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas, que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio.
*   Interesse real na melhoria das próprias condições de senti­mento e cultura.
* efesa permanente contra bajulações e elogios, conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever.
*   Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades, seja pelas impressões de sua pre­sença, linguagem, eflúvios magnéticos, seja pela sua conduta geral.
*   Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa,
alijando, porém, os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo, como sejam relógios, canetas, óculos e jóias.

*

As pessoas que lidam com médiuns, que trabalham junto deles, que desempenham, enfim, qualquer atividade em paralelo com eles, não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. Ou, por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibili­dade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. Em decorrência dessa particularidade que, no fundo, é da própria essên­cia da mediunidade, são mais suscetíveis, mais sensíveis também à crítica, à atitude antifraterna, à palavra agressiva, à reprimenda, tanto quanto ao elogio e à bajulação, a que se refere André Luiz.
É preciso, pois, atenção especial com os médiuns, naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. Tentare­mos clarificar, tanto quanto possível, este assunto extremamente delicado e complexo.
Evidentemente, o médium não deve e não pode ser endeusado, porque isso exporia, a ele e ao grupo, a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. Em breve, estaria recebendo “mensagens” diretas de Deus-.. Não vamos, porém, cair no outro extremo, de subme­ter o médium a um regime disciplinar inadequado, ditado pela prepotência e pela arbitrariedade, em nome da boa ordem dos trabalhos. Médium disciplinado é uma coisa, médium inibido éoutra. É preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina, que precisa ser preservada, e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o mé­dium ao pânico ou à revolta. O médium não é nem a “vedete” do grupo, seu pontífice máximo, nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que, em nome da disciplina e da ordem, impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades me­diúnicas.
A mediunidade é um mecanismo extremamente delicado e sus­cetível, que deve ser tratado com atenção, cuidado e carinho.
No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição, e compreensão entre os seus diversos componentes, dificilmente surgirão problemas dessa natureza, mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. O dirigente deverá tratar o médium com todo o carinho e atenção, procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade, dando-lhe apoio e conselhos, onde e quando neces­sário. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo, sem, no entanto, distingui-lo com nenhum favor especial. O médium equili­brado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente, exclusivo ou extraordinário. É apenas um dos componentes do grupo, nada mais, e, como tal, credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. E, também como os demais, merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão, por uma tarefa particularmente difícil, exaustiva e bem realizada. Não custa, a quem de direito, uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro, que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade.
Há manifestações difíceis, dolorosas, que deixam resíduos vi­bratórios perturbadores. Em casos assim, o médium não deve ser abandonado à sua sorte, com as dores e as canseiras resultantes. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador, designe alguém no grupo para fazê-lo, mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade, para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa.
O leitor deverá notar, ao longo deste livro, que alguns pontos são repisados em diferentes
contextos. É que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados, à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete, e que desaparecem aqui, para reaparecer ali, com nova ênfase.
Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo, seja entre os encarnados, seja entre estes e os desen­carnados.
Repisaremos aqui um deles. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. Para que o trabalho se desenvolva com segu­rança e eficácia, esse relacionamento precisa ser impecável. Ten­temos explicar o que significa, no caso, esse adjetivo algo pom­poso. Além do seu sentido etimológico — incapaz de pecar, não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito, correto, sem má­cula ou defeito.
Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. Estima sem servilismo e sem fanatismo; respeito sem temores e sem re­servas íntimas. Quando o relacionamento médium-doutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios, põe-se em risco a quali­dade do trabalho mediúnico. A razão é simples e óbvia: ao incor­porar-se, o espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador, ou, pior ainda, alguma hosti­lidade mais declarada, é claro que a sua tarefa negativa será bas­tante facilitada, da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propícias a manifestações violentas.
Pela mesma razão, se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição, o espírito agressivo fica algo con­tido, e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos, não consegue fazer tudo quanto desejava. Muitos são os que se queixam disso, durante suas manifestações, exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções, porque as vibra­ções afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavel­mente tais impulsos.
É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse tra­balho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante, este também traz uma carga, às vezes pesada e agressiva, que atua energicamente sobre o perispírito do médium, havendo, portanto, certa “contaminação” mútua, para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância, pois, do contrário, o espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse, como lamentavelmente acon­tece com freqüência. Essa contaminação, embora transitória, é de­monstrada, sem sombra alguma de dúvida, nas reações preliminares e posteriores do médium, ou seja, quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. Com freqüência, nossos médiuns declaram que, ao sentirem a aproximação do espírito manifestante, experimentaram tal ou qual sensação: força, ódio, tristeza, angústia ou amor, paz, serenidade. Da mesma forma, os resíduos vibrató­rios que permanecem na intimidade do perispírito do médium, após a desincorporação, são bastante conhecidos, sendo necessário, quase sempre, quando são desagradáveis e agressivos, dispersá-los por meio de passes, a fim de que o médium se recomponha. Quando, ao contrário, se trata de um espírito pacificado e bondoso, o médium desperta, como costumo dizer, “em estado de graça”, feliz, harmonizado, comovido, às vezes, até às lágrimas.

*

Uma insistente palavra final para o médium: estude, leia, faça perguntas, discuta os diferentes aspectos e problemas da mediuni­dade, com quem demonstre ter experiência. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. Há sempre aspectos e infor­mações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. Mante­nha-se ligado às cinco obras da Codificação, aos livros de André Luiz, que desenvolvem, de maneira tão ampla, não apenas aspectos específicos da mediunidade, como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”, “Entre a Terra e o Céu”, “Missionários da Luz”, “Nos Domínios da Mediunidade”, “Liber­tação”, “Desobsessão”, ou, ainda, “Estudando a Mediunidade”, de Martins Peralva, “No País das Sombras”, de Madame d’Espérance, “Memórias de um Suicida”, de Camilo Cândido Botelho, “Dramas da Obsessão”, do Dr. Bezerra de Menezes, “Nos Bastidores da Ob­sessão”, de Manoel Philomeno de Miranda.
A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. O médium, tanto quanto todos nós, que lidamos com a comunicação entre os dois mundos, precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável facul­dade humana. Toda a humildade e
todo o respeito ante ela ainda serão poucos. Ademais, somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação, observando-a com atenção, anotando suas pe­culiaridades, discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho, lendo o estudo daqueles que, antes de nós, já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas.
Ninguém precisa estudá-la mais, e com maior respeito e cari­nho, do que o próprio médium, porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos, mundos abaixo, com os companhei­ros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas pai­xões e sofrimentos, e, mundos acima, de onde recebemos jatos de luz que, através de um pequenino retângulo, iluminam, por alguns momentos, de tempos em tempos, os ambientes de meia-luz em que vivemos.

LIVRO DIALOGO COM AS SOMBRAS - HERMÍNIO C. MIRANDA

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