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23 de mar de 2011

Bullying Escolar - Uma Visão Espírita





Neste artigo vamos abordar uma das formas de assedio moral, o bullying escolar, prática cada vez mais freqüente nas escolas, e que vem causando grandes transtornos nas vidas das vítimas desse processo.


A prática de bullying começou a ser pesquisada há cerca de 10 anos na Europa, quando descobriram que essa forma de violência estava por trás de muitas tentativas de suicídios de adolescentes.


Não temos a pretensão de esgotar o tema, mas apenas e sobretudo lançar um pouco de luz num assunto tão importante, e alertar para esta pratica tão desumana da nossa sociedade.


Não resta dúvida que o mundo atual encontra-se enfermo, e a ética está abandonada por grande parte da população, resultando em comportamentos cuja tônica é o egoísmo.


Trata-se de forma de exclusão escolar e por extensão social, perversa e cruel, já que, normalmente, colegas de escola freqüentam muitas vezes os mesmos lugares, tais como cursinhos de inglês, academias de ginástica, shopping centers, e festinhas; estando em contato certamente grande parte do dia, inclusive fora das escolas.


Psicólogos têm me asseverado que o bullying tem ocorrido em vários escolas da rede particular do Rio de janeiro, estando inclusive mais presentes nas grandes escolas, pois em escolas pequenas, fica mais difícil de realizar a prática sem chamar a atenção dos professores e da direção da escola.


Lembrando a pergunta 754 de “O Livro dos Espíritos” A crueldade não derivará da carência de senso moral? “Dize – da falta de desenvolvimento do senso moral; não digas da carência, porquanto o senso moral existe, como princípio, em todos os homens. É esse senso moral que dos seres cruéis fará mais tarde seres bons e humanos. Ele, pois, existe no selvagem, mas como o princípio do perfume no gérmen da flor que ainda não desabrochou.”


O que viria a ser o bullying escolar? Seria quando um grupo de colegas de uma mesma escola, freqüentemente da mesma turma, promove uma segregação, de forma repetitiva, tentando isolar um dos membros da turma, seja este membro rapaz ou moça, de forma que este fique isolado e sem ambiente na turma, o que gera muitas vezes na vítima, depressão, apatia, falta de motivação, baixa do rendimento escolar, falta de apetite e tendência ao isolamento (passa a não ter prazer em sair de casa ou a se relacionar com as pessoas) e vontade de trocar de escola.


A motivação para essa conduta tem muitas causas, mas poderíamos relacionar algumas que nos parecem as mais freqüentes: busca de poder no grupo (necessidade de dominar), egoísmo, vaidade, sedução, insegurança, necessidade de chamar a atenção para si, segregação racial, segregação de classe social (aluno bolsista) etc.


A forma de execução do bullying acontece de muitas maneiras, sendo freqüente entre os rapazes o uso da força física ou psicológica e da intimidação, e entre as moças a mentira, a fofoca, a maledicência, e a difamação; todas de forma orquestrada, ou seja, de comum acordo e planejadas pelo grupo agressor, para desacreditar a vítima, de forma progressiva, numa atitude de franca antipatia, muitas vezes ignorando a vítima nos ambientes que ela freqüenta, como se ela não existisse, levando essa vítima a um stress com os sintomas relacionados acima, demonstrando a que nível de perversão alguns adolescentes estão chegando.


O levantamento realizado pela ABRAPIA, em 2002, envolvendo 5875 estudantes de 5ª a 8ª séries, das escolas públicas e privadas localizadas no município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% desses alunos admitiram ter estado diretamente envolvidos em atos de bullying, naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9% alvos/autores e 12,7% autores de bullying.


Estudos demonstraram que a média de idade de maior incidência entre os agressores, situa-se na casa dos 13 a 14 anos, estando presente entretanto com freqüência até os 19 anos. A grande maioria, ou seja, 69,3% dos jovens admitiram não saber as razões que levam à ocorrência de bullying.


Muitas vezes os colegas percebem a situação, mas por medo se omitem, pois temem ser a próxima vítima. Não resta dúvida que este tipo de conduta retrata um grande apego às coisas materiais e, por extensão, afastamento da religião de uma forma geral, ou seja, estes alunos, na sua grande maioria, não possuem crença religiosa, estando movidos na luta pelas aquisições materiais principalmente, já que desconhecem a vida espiritual. Podemos notar neste processo o que já relatamos em artigo anterior, “Desafios na educação do Adolescente” (RIE Agosto 2006), que trata da falta de limites de uma grande parte dos adolescentes atualmente. São pessoas que não têm pudor, e fazem de tudo para conquistar seus objetivos, passando por cima de tudo e de todos, achando que os fins justificam os meios.


Na pergunta 755 de “O Livro dos Espíritos” Kardec interroga os espíritos : “Como pode dar-se que no seio da mais adiantada civilização, se encontrem seres às vezes tão cruéis quanto os selvagens ? Do mesmo modo que numa àrvore carregada de bons frutos se encontram frutos estragados.São, se quiseres, selvagens que da civilização só tem a aparência, lobos extraviados em meio de cordeiros. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar entre homens adiantados, na expectativa de também se adiantarem; contudo, se a prova for muito pesada, vai predominar a natureza primitiva.”


Todos sabemos que a criança para o seu pleno desenvolvimento necessita sentir-se amada, valorizada, aceita, incentivada à auto-expressão e ao diálogo, incentivada à pratica religiosa, principalmente na adolescência, porém a noção de limites precisa e deve ser estabelecida com firmeza e sobretudo com coerência. Mas observa-se, na sociedade atual, crianças as quais são criadas dentro de padrões de liberalidade excessiva, sem limites, sem noções de responsabilidade, sem disciplina, sem religião e muitas vezes sem amor; estas serão aquelas com maior tendência aos comportamentos agressivos, tais como o bullying, pois foram mal acostumadas e por isso esperam que todos façam as suas vontades e atendam sempre às suas ordens.


É importante observar, que num mundo com tantas mazelas como o nosso, pode ser possível que, algumas vezes, os pais desses algozes, percebam o bullying praticado pelos filhos, mas façam vista grossa, por perceberem que a prática do filho pode estar rendendo-lhe algum tipo de vantagem, o que torna o ato mais desumano ainda, pois estaria presente a conivência paterna. Tal ato poderia ser facilmente explicado pela falta de ética e educação dos referidos pais, fato tão comum nos dias atuais.


Devemos ressaltar que o apoio da família, neste momento, é fundamental, entretanto é necessário ter prudência, pois num primeiro momento o sentimento que predomina é o da retaliação, ou mesmo da vingança. Mas a Doutrina Espírita nos ensina que violência gera violência, ou que o ódio gera mais ódio ainda, lembrando a frase do Apóstolo Paulo de Tarso: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”.


Devemos procurar os professores da turma em questão e colocar o ocorrido, de forma serena, mas com firmeza, numa tentativa de amenizar a situação, o que nem sempre é fácil, se não houver a participação de pais, professores e funcionários, em virtude dos traumas e das humilhações já vivenciadas, algumas vezes uma troca de turma numa mesma escola já pode ajudar. Podemos ainda incentivar o convívio com outros colegas, com os quais essas crianças não tinham convívio ainda, às vezes até por falta de oportunidade. Devemos ainda, caso a criança encontre-se deprimida, lançar mão da ajuda de um profissional, como um psicólogo, para ajudar na recuperação desta criança, facilitando assim sua reintegração na escola. Devemos ressaltar que trocar de escola pode não ser uma boa idéia, pois assim estaríamos dando o entendimento a criança, que toda vez que houver um problema em sua vida, é só mudar de lugar que tudo estará resolvido, ou seja, fugir do problema em vez de procurar resolvê-lo.


Gostaríamos de lembrar como aprendemos na Doutrina Espírita, que nada acontece por acaso, e sendo assim tudo na vida encerra um ensinamento e, portanto, concorre para o nosso crescimento; dentro desta visão, as crianças que sofrem esta prática de assédio moral, podem estar passando por um processo de aprendizado, que as impeça de se comportarem desta forma com os outros no futuro, e ao mesmo tempo, podem estar sendo incentivadas à humildade (do latim HUMUS = terra fértil para a colheita) e a solidariedade, práticas das quais poderiam estar se afastando lentamente, em razão do mundo atual mostrar-se muito egoísta, cruel e algumas vezes prepotente, onde a imoralidade e a falta de ética, são coisas corriqueiras, assunto por nós já mais detalhado no artigo “A ética e o mundo atual” (RIE Agosto 2007).


Lidar com as adversidades da vida requer vontade, fé, serenidade e coragem (cor = coração), lembrando ainda que: “ A vontade é a mola do mundo, mas o amor é a manivela”, e relembrando Joanna de Ângelis “ Só o amor transforma conhecimento em sabedoria”. E, para encerrar, como espíritas devemos estar sempre atentos para os atos de nossos filhos, para que não façam aos outros, o que não gostariam que lhes fizessem. Podemos nos basear no exemplo de Eurípedes Barsanulfo que, em sua escola Espírita em Sacramento, a primeira do Brasil, no início do século XX, dizia que não se satisfazia em criar cidadãos para a sociedade, mas que procurava criar filhos de Deus. A explicação é simples: filhos de Deus respeitam tudo que é criação de Deus, são, portanto, éticos e ecologicamente corretos, pois são incapazes de destruir o que Deus criou, respeitando assim a natureza e os seus semelhantes.


Seg, 25 de Fevereiro de 2008 O Clarim
BIBLIOGRAFIA


1.http://www.bullying.com.br/
2.http://www.abrapia.org.br/ (site da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência).
3.“O Livro dos Espíritos”, Allan kardec, perg. 754 e 755.
Postado por Marco Aurelio Rocha às Sábado, Novembro 14, 2009
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Veja o video com a entrevista do garoto Casei Heynes que sofreu BULLYING e revidou a agressão










Mais artigo sobre o BULLYING...





Fenômeno bullying e a Educação Espírita
 
A sociedade tem, de forma geral, uma visão idílica da escola, não obstante as influências exógenas que a permeiam e que, um sem-número de vezes, são negativas. Tal visão, portanto, é equivocada na medida em que esses problemas adentram os muros da escola e descaracterizam o que deveria ser olócus da sabedoria, como é o caso da violência. 
A violência, problemática grave da sociedade contemporânea, é mais evidente na fase juvenil (American Academy of PediatricsAmerican Medical Associationcitado por LOPES, 2005, pg. S164), e a escola, nesse contexto, é extremamente propícia à influência, tendo em vista que carrega, em seu bojo, atores sociais, jovens, com suas respectivas idiossincrasias, as quais se encontram em constante tensão.   
A escola, depois do núcleo familiar, é o primeiro contato do jovem com a sociedade. E, também, representa um local que recebe constantemente influências negativas, como a violência, já mencionada anteriormente. Mas não se trata somente de violências físicas, que têm gerado investimentos elevados em segurança com câmeras, seguranças particulares, detectores de metais, muros, grades mais arrojadas, entre outros. Há uma outra forma de violência que não se conseguiu controlar; um tipo de violência implícita e, consequentemente, mais danosa, denominada pelos educadores e pesquisadores como bullying.  
O fenômeno bullying, termo de gênese inglesa, é definido como uma reação cruel intrínseca nas relações interpessoais, em que há a sobrepujança do mais forte sobre o mais fraco e que muitas vezes constituem objetos de diversão e prazer, denominados erroneamente de “brincadeiras”, mas que em realidade denotam o propósito de maltratar e intimidar (FANTE, 2005, pg. 29). 
A despeito da terminologia nova, o fenômeno é antigo, e ao fazermos um escorço histórico, constatamos que os primeiros estudos sistematizados tiveram início nos anos de 1970, na Suécia. Posteriormente, na Noruega, aprofundaram-se os estudos, no final de 1982, em função de os educadores procurarem compreender a causa do suicídio de três crianças.   
O precursor dos estudos sobre o fenômeno bullying foi Dan Olweus, que elaborou meios para detectar a problemática de forma eficaz e não dar margens a interpretações outras, em que se consideraria tal ação de maneira minimizada como brincadeiras e gozações e, portanto, inerentes e naturais ao desenvolvimento juvenil.  
Com o aumento estatístico de casos, houve a necessidade de variados estudos ocorrerem em diversas partes do mundo. E constatou-se a existência de protagonistas do fenômeno com papéis bem definidos: a vítima, o agressor e o espectador.  
O agressor compraz-se em oprimir, humilhar, subjugar os mais fracos. Geralmente, pertence a uma família desestruturada, apresenta carência afetiva, tem dificuldades de se adaptar às normas, entre outros. Ele também é impulsivo, vangloria-se diante da sua “superioridade” física e adota constantemente condutas antissociais (Idem, 2005, pg. 73).
O papel de vítima é dividido em três, a saber (Ibidem, 2005, pg. 71-72):  
– a vítima típica: é a pessoa que sofre constantemente agressões físicas e/ou morais; 
– a vítima provocadora: é a pessoa que atrai ou provoca as reações agressivas para si, mas não consegue resolver a situação. Geralmente é uma pessoa de costumes irritantes e que fomenta a celeuma no ambiente em que se encontra; 
– a vítima agressora: é a pessoa que reproduz as agressões físicas e/ou morais sofridas.
Obviamente que em indivíduos mais frágeis.  
Por fim, há também o espectador, que apenas assiste a tudo de maneira tácita (lei do silêncio) e não defende a vítima por medo de uma represália, nem se junta ao agressor por não coadunar com seu comportamento.   
Todos os protagonistas do fenômeno bullying, em maior ou menor grau, apresentam problemas para o resto da vida. A indiferença ou o desconhecimento por parte dos educadores e pais são responsáveis pela deserção escolar (SEGREDO et al., 2006, pg. 145). Problemas psicofísicos inúmeros que podem levar aos casos extremos de suicídio e/ou assassinatos também existem nos casos em que estão os envolvidos do fenômeno bullying.
A Educação Espírita, relevante e necessária ao desenvolvimento juvenil para os embates da vida, propicia uma ferramenta imbatível contra o fenômenobullying: O amor.  
Investir na evangelização espírita, na mocidade espírita e, por consequência, nos estudos sistematizados da Doutrina Espírita (ESDE) são as chaves para uma comunidade escolar mais solidária e fraterna. 
A violência, de gênese multifatorial, rodeia o jovem carente da atenção familiar, que está exposto aos filmes violentos, aos jogos violentos, aos esportes violentos... e que acaba por manifestar tal comportamento forjado na sua intimidade por um largo período.  
Resgatar os valores inefáveis do grupo familiar, primeira escola por excelência, também é o papel do Espiritismo, que, em suma, luta pela transformação moral do ser humano. 
“O Espiritismo tem como máxima lapidar Fora da Caridade não há salvação, que se fundamenta no pensamento e exemplificação de Jesus, quando esteve conosco na Terra. Assim, os postulados que se derivam dos Seus ensinos e que foram muito bem estudados por Allan Kardec são as diretrizes de segurança que não podem ser desconsideradas.” (Vianna de Carvalho, 1999, pg. 161.) 

Referências:
FRANCO, Divaldo Pereira. Atualidade do Pensamento Espírita. 3 ed. Salvador, BA: Livraria Espírita Alvorada Editora, 1999.
LOPES NETO, Aramis A. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 81, n. 5, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S002175572005000700006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 3 de janeiro de   2009.
SEGREDO, Cajigas de. et. al. Agresión entre pares (bullying) en un centro educativo de Montevideo: estudio de las frecuencias de los estudiantes de mayor riescoIn: Revista Médica del Uruguay. 2006; 22: 143-151. Disponível em: . Acesso em: 3 de janeiro de 2009.







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