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18 de set de 2012

INTOLERÂNCIA E FANATISMO




Mesmo nos espíritos gentis remanescem algumas presenças das imperfeições que podem ser modificadas pelo processo de transformação dos sentimentos anestesiantes e perversos em outros de essência superior.
            A intolerância e o fanatismo, não poucas vezes, surgem e impõem-se arbitrariamente dando lugar a estados de sofrimento que poderiam ser evitados.
            Ambos são heranças persistentes dos estágios primários, responsáveis pelo processo da evolução.
            A intolerância cresce como erva daninha há no jardim das atividades humanas, como necessidade de impor-se com as suas maneiras de ser e de compreender, derrapando, quase sempre, em tormentoso fanatismo.
            Filho do egocentrismo não ultrapassado, o fanatismo é herança odienta que atormenta e atormenta-se, em razão de desejar que todos se submetam à sua vontade, à sua dominação.
            Naturalmente, é expressão da prepotência animal que permanece gerando dificuldades nos relacionamentos e impedimentos no esforço de autoiluminação.
            Não apenas na conduta religiosa encontram-se esses dois malfeitores que sabem disfarçar-se, permanecendo como vírus cruel ceifando as possibilidades de crescimento.
            O intolerante assim como o fanático somente vêem o que lhes apraz, aquilo que consideram real e, portadores de narcisismo, mantêm a presunção pessoal de que, pelo fato de aceitarem essa conduta, todas as demais pessoas estão equivocadas quando pensam de maneira diferente.
            Embora as pessoas possuam equilibrada formação moral e sejam portadores também de outros sentimentos nobres, quando lhes são vítimas, esses enfermos companheiros emocionais podem comprometer os valores da gentileza e da bondade, quando estejam contrariados.


A intolerância é mazela da alma que torna irritadiça a pessoa que a sofre, impulsionando-a à tomada de atitudes duras e insensíveis quanto aos resultados.
            O fanático, por sua vez, abraçando o comportamento que lhe parece real e superior, também se torna indiferente aos efeitos que advenham para aqueles que se movimentam em área diversa da sua.
            Desse modo, autofascinados, querem salvar os demais, impondo as suas idéias, e, quando não aceitas, não se compadecem dos males que infligem, disfarçados em mecanismos salvadores.
            A história está abundante desses indivíduos que cometeram crimes hediondos, ora em nome da fé religiosa, noutros momentos em nome de comportamentos políticos, culturais, desportivos, artísticos e de variada denominação.
            Acreditam-se honestos e fiéis aos sentimentos que os animam e esforçam-se para mudar a estrutura da sociedade, tornando-se inimigos do amor e da compaixão, geradores de sofrimentos e amarguras.
            O intolerante desenvolve uma cultura capaz de gerar doença e destruição à sua volta, invariavelmente vinculado a outros da mesma estirpe, e o fanático entrega-se de tal forma à maneira de crer, que somente se felicita quando sucumbem aqueles que pensam ser-lhes opositores, quando, em realidade, os adversários são eles próprios.
          
A compreensão e o respeito pelo próximo são os opostos desses infelizes comportamentos que se tornam comuns entre as criaturas humanas.


            Ninguém tem o direito de engessar as mentes e os sentimentos alheios nas suas fórmulas, exigindo que se pense conforme lhes é imposto.
            O tempo da fé cega vai distante, e a partir do momento que o homem e a mulher adquiriram a capacidade do livre-arbítrio, utilizando-se dos tesouros da sua consciência e do seu conhecimento, têm o direito de comportar-se conforme lhes aprouver, desde que a sua decisão não traga embaraços aos demais.
            Vive-se hoje um período de descobertas e de constatações, igualmente de contestações dos velhos paradigmas que se encontram ultrapassados, e a liberdade de consciência, como de conduta, é uma conquista que honra a civilização.
            Já ao há como retroceder nessa área, e toda idéia que se pretenda impor sem o valioso contributo da lógica e da razão tende a perder o vigor, após o enganoso período de vitória, desaparecendo na voragem do tempo.
            Ninguém pode deter o curso do progresso e da liberdade.
            Todos os governantes que representam os interesses alheios que o intentaram foram consumidos pelo suceder dos dias e quase todos aqueles que lhes padeceram as injunções penosas puderam fruir depois deles os benefícios dos seus ideais, que permaneceram temporariamente esmagados.
            A intolerância é carrasco de quem a cultiva, e o fanatismo que se lhe une é o filho bastardo e perigoso que se movimenta favorecendo a ignorância e o predomínio da força.



Quando se é portador de ideais de enobrecimento, possui-se a visão clara da realidade e as suas propostas são oferecidas como forma de desenvolver o progresso, de libertar as consciências do obscurantismo, ampliando os horizontes da compreensão humana em torno da vida, do belo, da harmonia.
            O idealista legítimo possui a compreensão de que o êxito do seu empreendimento é conseguido a grande esforço, mediante as demonstrações de sua legitimidade pelo exemplo de equilíbrio de que se faz portador.
            Quando impõe, por qualquer razão, a sua forma de ser e de compreender, gera conflito e, nesse caso, cria oposição inevitável.
            Sempre haverá, sem dúvida, opositores no mundo às idéias novas, porque esses que assim se comportam estão satisfeitos no estágio em que estacionam, e ante os novos desafios tornam-se-lhes naturais inimigos, o que é compreensível. Mas serão vencidos pela força esmagadora dos fatos que se impõem, passado o período de luta e de zombaria que sempre ocorre.
            Não há, pois, razão, nunca, para manterem-se atitudes de intolerância e de fanatismo, porque a vida é feita de bênçãos, de equilíbrio e de beleza.
            Quaisquer atividades que se apresentem de maneira diversa estão fadadas ao esquecimento, à desintegração.
            A força do bem e do amor, inata nas propostas de desenvolvimento intelecto-moral das criaturas humanas, constitui o dínamo gerador de novas energias para facultar a sua fixação nas mentes e nos corações ao serem informados, passando a cultivá-las com abnegação e entusiasmo.
            Esse poder que possuem o bem e o amor é imponderável, porque de natureza transcendental, manifestando-se de forma suave e nobre por toda parte.
            Enquanto a intolerância e o fanatismo geram guerras, a gentileza e a liberdade produzem paz, facultando alegria.

Do livro: Entrega-te a Deus     
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis 

http://conhecerkardec.blogspot.com.br/

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