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26 de mar de 2010

Lágrimas de Decepção

Fatores limitantes: Meu marido é incapaz de assumir responsabilidades para com a família e vivemos num ambiente de muita hostilidade. Constantemente somos ameaçados e agredidos sem nenhuma razão. Duran­te anos faço de tudo para ajudá-lo; como pode ele tratar-nos dessa maneira? Ele é intolerante e rigoroso, nunca respeita a opinião alheia. Estou mergulhada em sentimentos de autopiedade, decepção, ressen­timento, vergonha e, ao mesmo tempo, impotência. Sei que diante de insultos e ofensas é preciso perdoar, porém não mais consigo.







Expandindo nossos horizontes:
Sei que seu coração pede, entre lágrimas de decepção, um alívio para seu conflito. A solução é - invariavelmente - perdoar.
Mas desculpar as ofensas não pressupõe passividade, fuga ou viver em eterna autopiedade.
Perdoar é a compreensão de que, para enfrentar atitudes perturbadas ou estruturas desajustadas, não precisa a criatura estar cheia de ódio, mas comprometida com a paz. É, essencial­mente, uma maneira de mostrar o outro lado, quer dizer, não revidar o mal com o mal. O rancor abrigado no coração causa estados destruidores no ser humano; portanto, recuse aceitá-lo como solução do problema.
O ato de perdoar não exige que você ignore ou negue sua mágoa ou qualquer outro sentimento, nem implica que o agressor não deva ser responsabilizado por suas ações.
Se você se mantiver inflexível na sustentação da raiva, se ligará ainda mais a essa situação infeliz. Se não aprender a per­doar, estimulará as circunstâncias de opressão em que vive, agra­vando-as. Trata-se da lei de ação e reação.
Jesus, Mestre da Vida Superior, que supostamente foi ul­trajado, não teve que perdoar. Quem ama verdadeiramente ja­mais se sente ofendido.
Não lhe peço que se compare com o Cristo ou se com­porte como Ele, porque todos sabemos da distância evolutiva que existe entre nós e o Mestre. Convido-a apenas para que compreenda o ensinamento cristão, a fim de que possa superar as ofensas sem se maltratar.
Os ensinos do Senhor dizem que é indispensável espalhar a fragrância do perdão, mesmo quando derramada sobre os in­gratos, pois ela sempre volta, em forma de ondas reconfortantes, à mente de quem a emitiu.
Não se esqueça, entretanto, de que suportar de forma submissa constantes abusos, decepções e humilhações pode abrir brechas para que a violência ocorra com mais facilidade. Mesmo curada a ferida, ainda permanece a fragilidade da cicatriz.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo 12º, item 8, afirma Kardec:
“O próprio instinto de conservação, que é uma lei natural, diz que não é preciso estender benevo­lamente o pescoço ao assassino. Por essas palavras, portanto, Jesus não interditou a defesa, mas condenou a vingança.” Dê alforria à sua sensibilidade, que se encontra em regi­me de escravatura, e não finja mais que tudo está bem. Na verdade, você está vivendo há anos uma relação turbulenta.
Faça um auto-questionamento para ampliar sua consciên­cia. Se você vive nesse drama, é porque você mesma contribui para permanecer nele.
A vergonha está ligada à falta de limites. Se você está en­vergonhada é porque permite que pessoas invadam ou transgridam seus sentimentos.
Talvez você precise compreender seus direitos e cuidar mais de si mesma. Não adianta banhar de prantos a face; desenvolva a auto-estima e terá uma nova visão de seu problema familiar.
Dizer sim quando se quer dizer não é desvalorizar seus sentimentos. Se seus limites forem ignorados pelos outros, provavelmente eles não irão respeitá-la. Quando expressamos com sinceridade o que sentimos e desejamos fazer, não precisamos ficar eternamente acomodando as situações.
Você pode querer esconder tudo aquilo que lhe está acontecendo; isso é uma característica comportamental que se desenvolve quando se convive com criaturas problemáticas. Portanto, você pode estar:
Disfarçando o medo em que vive, por estar sendo ameaçada constantemente;
Não demonstrando a vergonha que sente, por não querer ser maltratada diante dos outros;
Encobrindo os fatos grosseiros com o manto de descul­pas amenizadoras, para não ter consciência da extensão das agressões vivenciadas;
Renunciando a seus direitos legítimos, porque vê os direitos dos outros como superiores aos seus;
Defendendo os atos hostis de parentes, para não ser interpretada como insensível ou desalmada.
Perdoar é diferente de mascarar a realidade. Em qualquer relacionamento familiar, a confiança é essencial, assim como a capa­cidade de ser honesto consigo mesmo e com os outros. Onde não se compartilha os sentimentos e as emoções não pode existir confiança.
É preciso entender que perdoar não significa aceitar a brutalidade de alguém.
Perdoar, em muitas ocasiões, quer dizer: tomar uma atitude. Liberte-se do ressentimento ou do ódio, para que eles não se materializem em seu interior, trazendo-lhe dores e desequilíbrios, tanto externos como - e sobretudo - internos.
Os primeiros cristãos designaram as rosas vermelhas como símbolo da dor dos mártires, ao passo que as rosas brancas sempre estiveram associadas à pureza e à brandura.
As roseiras vermelhas representam sentimentos ultrajados e as brancas, moderação, auto-estima e dignidade. Mescle as rosas e as presenteie a você mesma em um belo buquê. A reunião dessas duas tonalidades lhe dará as medidas essenciais que vão assegurar seu crescimento no amor e, também, sua sobrevivência, honradez e respeitabilidade.




Livro: Conviver e Melhorar - 22

Lourdes Catherine & Francisco do Espírito Santo Neto

http://www.mensagemdeluz.kit.net/lagrimasdecepcao.html

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