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O Livro dos Médiuns - Sesquicentenário de sua publicação




O Livro dos Médiuns, ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, segunda obra da Codificação Espírita, foi publicada em 15 de janeiro de 1861, em Paris, e tem como conteúdo doutrinário:

O ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo, constituindo o seguimento de O Livro dos Espíritos.1

É obra destinada a todos os espíritas e estudiosos dos fenômenos produzidos pelos desencarnados, não só para os trabalhadores da mediunidade. Encontramos nela explicações essenciais para a prática espírita equilibrada; condições seguras favoráveis à manifestação dos Espíritos e as implicações daí decorrentes (dificuldades, empecilhos, equívocos etc.); como obter assistência dos bons Espíritos, recebendo deles boas comunicações; como desenvolver discernimento sobre a influência moral e do meio nas comunicações; saber avaliar as mensagens mediúnicas e a sua procedência, utilizando, entre outros, o critério da linguagem usada pelo comunicante, identificando-o acertadamente, se for o caso, sobretudo se o seu nome faz vinculações com personalidade de destaque ou conhecida; entender os mecanismos da obsessão, suas características, graus, tipos e formas de prevenção; orientar-se quanto à organização das sociedades espíritas, em geral, e dos grupos mediúnicos em particular.

Importa considerar que O Livro dos Médiuns é um desdobramento de trabalho anteriormente escrito por Kardec, conforme nota do atual tradutor das obras do Codificador, publicadas pela FEB:

Cerca de um ano após o lançamento da 1a edição de O Livro dos Espíritos, cujo sucesso surpreendeu o próprio Allan Kardec, julgou este por bem editar uma espécie de manual essencialmente prático, que contemplasse a exposição completa das condições necessárias para a comunicação com os Espíritos e os meios de desenvolver a faculdade mediúnica.

Essa providência revelou-se de suma importância, porque apontava um rumo, uma direção segura a quantos quisessem familiarizar-se com os mecanismos que possibilitam o intercâmbio espiritual entre os dois planos da vida, uma espécie de vade-mécum destinado a orientar corretamente as pessoas que, com a sistematização do Espiritismo em corpo de doutrina, passaram a interessar-se pelos fenômenos mediúnicos.

Deu-lhe o Codificador da Doutrina o título de Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas. [...]

Não obstante o papel inestimável que esse livro desempenhou nos primórdios da Codificação Espírita, Allan Kardec avisou aos leitores da Revista Espírita (agosto de 1860) que aquela obra estava inteiramente esgotada e não seria reimpressa. Novo trabalho, muito mais completo e que seguiria outro plano, viria substituí-la dentro de pouco tempo. Foi a primeira referência ao lançamento de O Livro dos Médiuns, publicado em 1861.2

Organização de O Livro dos Médiuns

Introdução: Kardec fornece explicações relativas à natureza da obra e às condições sérias de realização da reunião mediúnica. Ensina que, a despeito da faculdade
mediúnica ser inerente ao ser humano, o desenvolvimento da mediunidade depende do esforço do médium em querer se transformar em legítimo instrumento de comunicação entre os dois planos da vida e da possibilidade dos Espíritos poderem manifestar-se.

Primeira Parte – Noções Preliminares: organizada em quatro capítulos (Há espíritos?; O maravilhoso e o sobrenatural; Método; Sistemas), Kardec analisa questões cruciais relacionadas à prática mediúnica, apresentando lúcidas argumentações sobre o método de investigação utilizado para comprovar os fenômenos mediúnicos, a imortalidade e sobrevivência do Espírito após a morte, o caráter não “miraculoso” ou “sobrenatural” das mensagens espíritas e as condições que justificam as comunicações dos Espíritos.

Segunda Parte –Manifestações Espíritas: composta de 32 capítulos, assim denominados: Ação dos espíritos sobre a matéria; Manifestações físicas. Mesas girantes; Manifestações inteligentes; Teoria das manifestações físicas; Manifestações físicas espontâneas; Manifestações visuais; Bicorporeidade e transfiguração; Laboratório do
mundo invisível; Lugares assombrados; Natureza das comunicações; Sematologia e tiptologia; Pneumatografia ou escrita direta. Pneumatofonia; Psicografia; Médiuns; Médiuns escreventes ou psicógrafos; Médiuns especiais; Formação dos médiuns; Inconvenientes e perigos da mediunidade; O papel dos médiuns nas comunicações espíritas; Influência moral do médium; Influência do meio; Mediunidade nos animais; Obsessão; Identidade dos Espíritos; Evocações; Perguntas que se podem fazer aos Espíritos; Contradições e mistificações; Charlatanismo e embuste; Reuniões e sociedades espíritas; Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; Dissertações espíritas; Vocabulário espírita. Encontramos nessa parte o referencial espírita para a organização e funcionamento do trabalho mediúnico: comunicabilidade dos Espíritos, as relações com os encarnados e as influências, ocultas ou evidentes, boas ou más, sutis ou patentes, por eles exercidas.

Allan Kardec sempre se manteve fiel (e coerente) aos ensinos transmitidos pelos Espíritos orientadores da Humanidade, retirando de O Livro dos Espíritos os subsídios
necessários para a construção das demais obras de sua autoria. Desenvolveu, para tanto, metodologia adequada de investigação e análise, evitando premissas falsas e conclusões equivocadas. Neste contexto, concluiu que a Doutrina Espírita apresenta dois grandes fundamentos, que não devem ser ignorados pelo adepto: o esclarecimento doutrinário, obtido pelo estudo regular, e a melhoria moral, adquirida pelo combate às imperfeições:

Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Portanto, quem quiser conhecê-lo seriamente deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e convencer-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido como se estivéssemos brincando. [...]3

Afirma, também, em outro momento:

[...] O verdadeiro espírita jamais deixará de fazer o bem. Há corações aflitos a aliviar, consolações a dispensar, desesperos a acalmar, reformas morais a operar. Essa é a sua missão e aí ele encontrará a verdadeira satisfação. [...]4

Um ponto muito importante, entre tantos veiculados pela obra, e que traça diretrizes para a correta prática mediúnica, é a desmistificação dos conceitos de médium – pessoa que veicula ideias, vontades e sentimentos dos Espíritos comunicantes – e de mediunidade – faculdade inerente ao psiquismo humano, independentemente do patamar evolutivo do medianeiro. Em consequência, Kardec e os Espíritos orientadores preferem considerar os médiuns intérpretes, que podem ser bons ou ruins, dando preferência
àqueles que não interferem nas ideias transmitidas pelos Espíritos, os quais “[...] procuram o intérprete que mais simpatize com eles e que exprima com mais exatidão os seus pensamentos. [...]”





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ALÉM DA VIDA (FILME) - Clint Eastwood


São mais de 60 filmes como ator, mais de 30 como diretor, premiações que já ultrapassam uma centena, e quase 82 anos de vida. Este é Clint Eastwood, o homem que acertou novamente em seu novo filme, o belíssimo drama “Além da Vida.”

O que há de melhor e mais prazeiroso na obra de Clint como diretor é a sua total, ampla, absoluta e deliciosa falta de pressa em dirigir suas cenas. Nestes tempos de gigantesca ansiedade e enorme superficialidade, onde as pessoas fazem tudo ao mesmo tempo e não se dão conta de nada que estão fazendo, seu cinema surge como um oásis de água doce no meio do deserto, uma pepita de ouro reluzente no meio da lama. Como ator que foi (e é), Clint abre sua câmera em generosos closes e dá ao seu elenco o tempo necessário para a maturação de cada emoção. Em planos extensos e profundos, sem medo da ditadura do corte rápido e da linguagem clipada. Com uma invejável elegância de movimentos e uma utilização minimalista de trilha sonora digna dos grandes mestres que conhecem a importância do silêncio.

Prestes a completar 82 anos (no próximo maio), Clint Eastwood se debruça desta vez sobre o tema da morte. A partir do roteiro de Peter Morgan (também roteirista de “Frost/Nixon”, “A Outra”, “A Rainha” e “O Último Rei da Escócia” entre vários outros sucessos), o filme mostra três histórias de três núcleos de personagens que – pelo menos num primeiro momento – não parecem ter ligações uns com os outros. Sequer geográficas.

A jornalista francesa Marie (Cécile De France) sofre um grande trauma durante suas férias na praia (por favor, não comentem com ninguém que ainda não viu o filme sobre esta cena) e tem dificuldades para retomar seu emprego em Paris. O norte-americano George (Matt Damon) é um vidente que abandona o dinheiro fácil que ganha cobrando pelas suas consultas paranormais para se transformar num simples operário braçal. E o garoto inglês Marcus (o estreante Frankie McLaren) está inconsolável com a perda de um parente extremamente próximo e querido.
Transtornados pela presença e/ou proximidade da morte, Marie, George e Marcus povocam uma ruptura radical em suas vidas para saírem em busca de respostas sobre a única certeza da vida: sua finitude. Melhor não dizer mais nada. Nem ver o péssimo trailer do filme que entrega alguns de seus momentos mais cruciais.

O título não ajuda, o poster também não é dos mais atraentes, o trailer é um desastre mas o filme é ótimo. O melhor a fazer é escolher a melhor poltrona, relaxar, e passar mais de duas horas sem pressa na companhia de um dos maiores cineastas vivos do nosso tempo. Um diretor que ainda sabe, como poucos, como contar uma boa história (ou no caso, três) no escurinho do cinema.

Ah, vale lembrar que um dos produtores de “Além da Vida” é Steven Spielberg.





MAIS UM POUCO SOBRE O FILME

O filme pode sugerir que seu diretor não apenas está obcecado pelo tema da morte, como encontrou a solução para suas dúvidas ao aderir à crença na reencarnação. Nesse sentido, pode até lembrar produções brasileiras em 2010, como Chico Xavier e Nosso lar, que abordam o mesmo assunto. Mas, por se tratar de um diretor realista, as imagens e as situações ganham naturalidade.

Clint não explora aparições, apesar de o enredo, em tese, permitir todo tipo de fantasma. O roteiro original, do inglês Peter Morgan (autor de A rainha e Frost/Nixon), foi encomendado por Steven Spielberg. Mas ele se sobrecarregou de projetos e ofereceu a Clint sete deles. Clint escolheu Além da vida por conter uma trama que transcende a crença nos dogmas do espiritismo. O cineasta não convoca fantasmas diante da câmera nem mesmo manifestações paranormais. As almas se manifestam por meio de um médium: George Lonegan. O personagem é interpretado por Matt Damon com tamanha credibilidade que é capaz de suspender a descrença do espectador mais cínico.

George é um Chico Xavier americano: acusado de esquizofrênico, diz que suas alucinações são miasmas do além-túmulo. Seu poder de conversar com os mortos quando toca nas mãos de uma pessoa o torna famoso no circuito esotérico. Chega a ter consultório e um site, em sua cidade natal, São Francisco. Mas lidar com os mortos, como diz, é uma maldição que o afasta do cotidiano. Para fugir da vocação, emprega-se em uma fábrica. Nesse ambiente mais improvável, ele ainda é procurado por pessoas que querem se comunicar com seus mortos. Se frequenta um curso de culinária, até lá é assombrado pelos espectros alheios. Melanie (Bryce Dallas-Howard), a moça com quem inicia um caso, termina por fugir dele – e dos próprios traumas.

A história se desenrola em outros dois blocos. Na Tailândia, a famosa jornalista de televisão francesa Marie LeLay (Cécile De France) quase morre em um tsunami – na sequência mais espetacular do filme, prova de que o diretor é um mestre na ação e na trucagem hiper-realista. Inconsciente, Marie enxerga vultos, mas ressuscita. A experiência é tão forte que ela se torna obcecada pelo outro mundo. Ao voltar a Paris, sua vida se altera. Abdica da objetividade jornalística, é afastada da televisão e resolve escrever um livro em que denuncia uma suposta conspiração do silêncio contra as evidências da espiritualidade.
divulgação e Jay Maidment

Clint Eastwood (com Lyndsey Marshal, no destaque)
dirigiu a sequência espetacular do tsunami
ao qual Marie (Cécile De France) sobrevive
 
O terceiro bloco, ambientado em Londres, envolve os gêmeos Marcus (Frankie McLaren) e Jason (George McLaren, irmão de Frankie, arregimentado nos subúrbios de Londres pelo diretor) e a mãe viciada em heroína, Jackie (Lyndsey Marshal). Os três moram em uma área miserável da cidade. No instante em que ela tenta se reabilitar, Jason morre atropelado. Jackie é internada e Marcus enviado à adoção. Inconformado, o menino recorre a todos os meios para se comunicar com o irmão e depara com diversos tipos de farsante. Até que encontra, pela internet, o site de George.

De algum modo, Jason, George e Marie vão se cruzar em um inverno londrino. E o encontro vai alterar a vida de cada um. Apesar de tanta fantasmagoria, Além da vida é um Clint Eastwood puro-sangue, com grandes atuações, cenas fortes e sentimentos deliciosamente fora de moda. Não é preciso ter fé em espíritos para admirá-lo.  (A partir da Revista Época. Leia no original - só para assinantes)
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Destruição da Natureza




Pergunta: A destruição é uma lei da Natureza?
Resposta dos Espíritos - É necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque isso a que chamais destruição não é mais que transformação, cujo objetivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

P: O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos com fins providenciais?
R - As criaturas de Deus são os instrumentos de que Ele se serve para atingir os seus fins. Para se nutrirem, os seres vivos se destroem entre si e isso com o duplo objetivo de manter o equilíbrio da reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e de utilizar os restos do invólucro exterior. Mas é apenas o invólucro que é destruído e esse invólucro não é mais que acessório, não a parte essencial do ser pensante, pois este é o princípio inteligente indestrutível, que se elabora através das diferentes metamorfoses por que passa.

P: Se a destruição é necessária para a regeneração dos seres, por que a Natureza os cerca de meios de preservação e conservação?
R - Para evitar a destruição antes do tempo necessário. Toda destruição antecipada entrava o desenvolvimento do principio inteligente. Foi por isso que Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir.

P: Por que, ao lado dos meios de conservação, a Natureza colocou ao mesmo tempo os agentes destruidores?
R - O remédio ao lado do mal; já o dissemos, para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.

P: A necessidade de destruição é a mesma em todos os mundos?
R - É proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e desaparece num estado físico e moral mais apurado. Nos mundos mais avançados que o vosso, as condições de existência são muito diferentes.

P: A necessidade de destruição existirá sempre entre os homens na Terra?
R - A necessidade de destruição diminui entre os homens à medida que o Espírito supera a matéria; é por isso que ao horror da destruição vedes seguir-se o desenvolvimento intelectual e moral.

P: No seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?
R - Esse direito é regulado pela necessidade de prover à sua alimentação e à sua segurança; o abuso jamais foi um direito.

P: Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança; da caça, por exemplo, quando não tem por objetivo senão o prazer de destruir, sem utilidade?
R - Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem mais do que necessitam, mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois nesses casos ele cede aos maus instintos.

P: Os povos que levam ao excesso o escrúpulo no tocante à destruição dos animais têm mérito especial?
R - É um excesso, num sentimento que em si mesmo é louvável, mas que se torna abusivo e cujo mérito acaba neutralizado por abusos de toda espécie Eles têm mais temor supersticioso do que verdadeira bondade.

Fonte:
Livro dos Espíritos – Allan Kardec
Livro Terceiro (As Leis Morais)
Cap. VI – Lei de Destruição
Item I – Destruição Necessária e Destruição Abusiva
Para ler o texto completo Clique Aqui

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Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos




1 - Disciplinar os próprios impulsos.

2 - Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3 - Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4 - Aceitar sem revolta a crítica e a reprovação.

5 - Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6 - Evitar as conversações inúteis.

7 - Receber o sofrimento o processo de nossa educação.

8 - Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9 - Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10 - Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.


Autor: André Luiz
Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Paz e Renovação
 



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Crianças Indigos e Espiritismo


Uma das novidades dessa primeira dé­cada do terceiro milénio é o anúncio de uma geração de crianças chamadas "índigo". Há ainda uma outra classificação, a das crianças "cristal". A onda veio dos Estados Unidos a partir de um livro de Lee Carroll e Jan Tober The índigo Children, the new kids have arríved, publicado no Brasil, pela Editora Butterfly, sob o titulo deCrianças índigo.

Entre tantas, é uma temática incluída nessa corrente híbrida de pensamento chamada New Age (Nova Era), que mistura orientalismos, misticismos vários, espiritualismo ocidental, psicologismos vagos, e, às vezes, Espiritismo, na sua forma norte-americana de spiritualism. O que caracteriza o pensamento New Age é justamente o anúncio de novos tempos para a humanidade, de maior espiritualidade, de au­mento de consciência, de iluminação coletiva.

Como não existe uma filosofia consistente e unificadora para esse movimento, nele se abrigam todos os tipos de reflexões e propos­tas, desde algumas razoavelmente sensatas e certas músicas bonitas e relaxantes, até ideias místicas, mesmo supersticiosas. O que falta é justamente um eixo de racionalidade e o que sobra, para atrapalhar, é o mercado em torno do tema.

A identificação de possíveis crianças especiais suscita discriminações e proporcionam um estímulo à vaidade

Temos hoje uma indústria de espirituali­dade light, que vende em pílulas de livros de auto-ajuda, um conforto inconsistente, uma religiosidade descomprometida, porque muito superficial e feita para consumo rápido e des­cartável. Essa tendência se tornou de tal forma predominante - porque dá dinheiro - que ela contagia inclusive as grandes religiões e afeta em cheio o mercado editorial espírita.

O leitor-consumidor quer leituras rápidas, fáceis, que possam dar receitas prontas e flexí­veis para dar alívio às suas múltiplas angústias. Nada que comprometa muito, nada que o faça raciocinar em demasia, nada que o obrigue a to­mar atitudes éticas mais firmes. A espiritualidade também se tornou produto de mercado.

A questão das crianças índigo se insere nesse contexto. Segundo os autores que trabalham o tema, há crianças especiais nas­cendo no mundo para preparar a Nova Era, suas auras azuis justificam o nome de crianças índigo. São questionadoras, contestadoras, corajosas para construir um novo mundo. Mas há também as crianças cristais, essas mais evoluídas ainda, que são introspectivas, sensíveis, iluminadas.

Segundo os autores, esses seres precisam de atenção especial, de uma nova educação e de espaço para se desenvolverem livremente.

Meias-verdades e equívocos

A questão, tanto com o movimento da Nova Era quanto com esse tema específico das crian­ças índigos, é que há algumas verdades intuídas em meio a uma grande confusão de conceitos e incoerências perigosas.

Já no século 19 o Espiritismo anunciava novos tempos para a humanidade e dizia que a mudança se daria, sobretudo, pela encarnação de Espíritos mais conscientes, que já viriam aptos a construir e a vivenciar um novo mundo.

Há também um postulado adotado por Allan Kardec que, conforme se dá o progresso dos mundos, o período de infância vai ficando mais curto e os Espíritos reencarnam cada vez mais lúcidos e rapidamente amadurecem dentro dos propósitos que os trouxeram à nova existência.

Entretanto, uma das características do pensamento espírita é o despojamento de toda e qualquer linguagem mística e mítica, uma certa racionalização da espiritualidade, dentro de um entendimento lógico do mundo e da vida. Se uma nova geração está surgindo - e certamente está, pois basta conviver com as crianças atuais, para observar a sua vivacidade, a sua capacidade de desenvolvimento e a sua sensibilidade - é um fato natural, faz parte da lei do progresso coletivo e é inclusive parcialmente explicável pela maior quantidade de estímulos que as crianças recebem hoje desde cedo.

O perigo de classificarmos essas crianças é considerá-las seres privilegiados - pois o pior é que apenas algumas crianças são tidas como índi­go ou cristais-, criando castas, de que os pais de orgulham e sobre as quais projetam seus desejos de grandeza. A identificação de possíveis crianças especiais é altamente problemática e mesmo prejudicial, porque suscita discriminações, clas­sificações desvantajosas para outras, que não sejam assim consideradas, e para elas próprias, proporcionando um estímulo à vaidade.

Na obra de Lee Carrol e Jan Tober, há pro­blemas ainda maiores. É que a identificação de tais crianças baseia-se em critérios muito subjetivos e mesmo erróneos. Vemos crianças consideradas índigo estopendo o rosto da mãe sendo prepotentes, humilhando e agredindo ou­tras pessoas, inclusive seus pais. Ora, segundo qualquer avaliação sensata, tais tendências não revelam um espírito superior. Pode ser até um ser desenvolvido intelectualmente, mas o orgulho e a arrogância mostram um déficit moral, que os pais têm a responsabilidade de ajudar a corrigir, com amor e diálogo, é claro, sem repressões e punições.

Todas as crianças são únicas, cada uma tem seu histórico reencarnatorio, traz seus talentos específicos a serem trabalhados na presente existência, está num degrau diferente de evolução espiritual
Outros critérios apontados - como os citados por Tereza Guerra, no livro dela: Crianças índigo - Uma geração de ponte com outras dimensões, publicado pela Editora Madras-carecem comple-tamente de qualquer cientificidade e de qualquer possibilidade de comprovação. São pseudocientí-ficos. Vejamos três desses critérios. Diz a autora, Tereza: "Esses indivíduos são, simplesmente, novas expressões com características que vocês não possuem:

1. Uma vibração mais elevada;
2. Uma organização que invalida certos atribu­tos provenientes dos astros que, habitualmente, afetam os humanos;
3. Um dispositivo biológico específico, que lhes permite manejannelhor as impurezas fabricadas pêlos próprios humanos do planeta"


Já conseguiram algum meio de medir a eleva­ção da vibração de cada um? E que organização e dispositivo biológico são esses? Alguma mutação genética; comprovada? Estamos diante de uma geração de mutantes; superiores a nós? Como se vê, são afirmativas gratuitas, inconsistentes e problemáticas.


O que diz a Pedagogia Espírita ?

Essa discussão mostra muito bem por que insistimos em falarem uma Pedagogia Espírita, termo criado por J. Herculano Pires, e não em uma Pedagogia Espiritualista ou Nova Pedagogia ou Pedagogia do Amor-como algumas pessoas sugerem no sentido de descaracterizá-la de um suposto aspecto sectário. Quem compreende bem o Espiritismo sabe que ele tem um caráter universalista e não se fecha em fanatismo e sectarismo. E o que faz parte principalmente de sua proposta é o método de abordagem da realidade, de maneira científica, racional, sem abdicar da visão espiritual. Ou seja, Kardec nos indica critérios de tocar o real, de maneira a termos mais segurança em nosso modo de conhecer.

Assim, a pedagogia espírita é uma pedagogia que assume a reencarnação, a espiritualidade como dimensão real e necessária do ser huma­no, mas não abandona o eixo de racionalidade científica, desenvolvido na história do Ocidente, desde a civilização grega. Não podemos nos lançar a um misticismo medieval, deixando de lado as âncoras da pesquisa e da razão.

Portanto, dentro dessa abordagem, pode­mos afirmar que a pedagogia espírita trabalha com um critério democrático, racional, de con­siderar todas as crianças iguais e, ao mesmo tempo, singulares, rejeitando classificações restritivas ou discriminatórias.

Todas as crianças são iguais, essencial­mente divinas, espíritos em evolução, com in­finitas potencialidades a serem desenvolvidas. Todas precisam de amor, diálogo, educação libertadora, que permita seu pleno desabro­char. Todas devem ser respeitadas e ajudadas a cumprir seu destino evolutivo.

Todas as crianças são únicas, cada uma tem seu histórico reencarnatorio, cada uma traz talentos específicos a serem trabalhados na presente existência, cada uma está num degrau diferente de evolução espiritual - que é difícil avaliar, pois não há métodos de me­dir evolução espiritual a não ser observar o exemplo de um ser humano ao longo de sua existência e, ainda assim, muitos se enganam nessa avaliação, tomando falsos profetas por missionários.

Cabe-nos observar atentamente cada indivíduo, conhecer de perto suas tendências e jamais abdicar da função de educar, o que não significa modelar de fora, mas ajudar o ser a se autoconstruir.



Revista Universo Espírita (n. 40) - 2007 - Pág. 58

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Cada Pessoa Desenvolve sua própria história

Oprah Winfrey



"Minha vida inteira é um milagre. E assim é a sua. Isso eu sei com certeza.

Não importa quem você chegou a ser, se você queria alcançar algo ou se conquistou por "um acidente" (como fui rotulada por muitos anos), sua presença aqui na vida já é impressionante.

Eu posso não conhecer os detalhes de sua vida. Mas o que eu sei é que cada pessoa desenvolve sua própria história de esperança e tristeza, vitória e perda, a redenção, alegria e luz.

Todo mundo já teve a sua quota de lições de vida. Agora, se você aprendeu com elas, isto é com você.

Quando você opta por ver o mundo como uma sala de aula, você entende que todas as experiências estão aqui para lhe ensinar algo sobre si mesmo. E que a viagem da sua vida está prestes a tornar-se mais de quem você é. Outro milagre: Todos temos de participar na viagem.

As mais difíceis experiências são muitas vezes aquelas que nos ensinam mais. Digo isso tendo acabado de desligar o telefone com meus advogados discutindo como lidar com dois processos pendentes. A primeira pergunta que eu perguntei foi: "O que é realmente este caso e que eu deveria aprender com ele?" Só quando eu posso perceber qual é a verdadeira lição é que posso tomar a melhor decisão e crescer com a experiência.

Depois de tudo que aconteceu comigo em quase 57 anos na Terra, o que mais me orgulho é que eu permaneça aberta à evolução. Eu sei que cada encontro físico tem um significado metafísico. E eu estou aberta para ver tudo.

Eu quero continuar a fazer melhor e ser melhor no que eu sou até eu cumprir a promessa do milagre que é a vida."






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LIDANDO COM AS DECEPÇÕES



“Decepções são um tipo dos dissabores que acometem pessoas, e só não se decepciona quem pode ver tudo perfeitamente, sem nunca se equivocar, o que não é humano.” (*1)

Aprender a lidar com decepções é capítulo fundamental para uma vida mais saudável e feliz. Como estabelecer vínculos, como investir nas relações interpessoais, sejam as afetivas, as profissionais, ou mesmo as familiares sem considerar que aqui ou ali, estaremos nos deparando com um traço, uma reação, um padrão de comportamento que não se encaixa com nossos modelos, com nossas expectativas… As pequenas decepções, por serem mais fáceis de ser contornadas, são muitas vezes desmerecidas, desconsideradas em seus conteúdos mais profundos, acumulando-se e transformando-se em grandes problemas de relacionamento… Importantíssimo refletirmos sobre o motivo de nossas atuais decepções… Seriam justas realmente, indicando relações abusivas, neuróticas, que precisam ser avaliadas ou mesmo rompidas? Ou exprimem o quanto estamos funcionando de maneira egoica, sentindo-nos frustrados por percebermos que os outros não nos atendem os caprichos?

Vale, assim, considerar que, antes de julgamentos e reações precipitadas, cabe observação criteriosa acerca do quanto se pode estar projetando no outro das próprias dificuldades, dos próprios conflitos, que nada têm a ver com os limites necessários a serem estabelecidos em nome de um vínculo mais maduro. As projeções, ou seja, o enxergar no outro uma característica negativa ou positiva que se porte em nível inconsciente, acontecem a todo momento e não poderia ser diferente. O conhecimento que normalmente portamos sobre nós mesmos carece em profundidade, o que faz com que vejamos fora aspectos que muito nos incomodariam se percebidos em nós mesmos, assustando-nos, entristecendo-nos, provocando surtos de raiva, ou reações de nojo, suspeita… Numa certa medida, a projeção tem uma função positiva, já que nos coloca em primeiro contato com estes conteúdos, mas é preciso superá-la para que assimilemos o que necessita ser modificado ou mesmo o que pede espaço para livre e produtiva manifestação.

As decepções nos trazem, portanto, valiosas lições. Seja porque estamos nos submetendo, sem perceber, a uma relação disfuncional e o fato de nos entristecermos profundamente com o que estamos vivendo já nos indique mais lucidez, ou porque se faça uma oportunidade de nos olharmos mais atentamente e perguntarmos: “Por que estou esperando que o outro realize por mim o que me cabe?” Ou ainda: “Por que isso me afetou tanto? É meu coração que está me alertando ou meu ego que exige reparação ou revide?” Vale nos posicionarmos de forma mais adulta e responsável com nossas expectativas! Aquilo que cobramos do outro pode estar (e normalmente está) muito longe do que nós mesmos podemos oferecer, como nos indica a mestra Eugênia em suas mensagens sobre o assunto.

Além disso, estamos também decepcionando corações que nos amam de verdade, sem nos darmos conta, sendo perdoados e aceitos com nossas deficiências… Por que então funcionar como juízes implacáveis, aguardando qualquer momento de deslize para desfiar um rosário de queixas mesquinhas, se precisamos tanto da compreensão de nossos semelhantes para nossas limitações? Sem dúvida, é importantíssimo criarmos limites claros em nossas relações para não sermos abusados em nossas demonstrações de afeto. Uma decepção mais séria e justa pode ser um aviso para que nos posicionemos, nos afastemos e construamos ligações melhores. Mas antes disso, cabe um olhar muito firme e sereno diante do espelho e a pergunta: “Quem, realmente, está me decepcionando agora?”




(*1) Extraído da mensagem “Dissabores” – Benjamin Teixeira, pelo espírito Anacleto, no livro “Sol de Esperança”.

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Saber Viver

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas(Cora Coralina)

Às vezes me impressiono com a profundidade de certas poesias, que de tão simples se torna muito  intensa, aos nos levar a uma introspecção pessoal  para um reflexão da vida e do que fazemos para nos melhorar-mos. A autora deveria está muito inspirada nesse momento, onde dentro de uma simplicidade que lhe era peculiar consegui externar uma mensagem  belíssima.



Não sei... Se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o
coração das pessoas.

Muitas vezes basta ter:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar.
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Alma Gêmea de Minha Alma











Alma gêmea de minha alma
Flor de luz de minha vida
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão .
Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho ,
Chegaste, devagarinho ,
E encheste-me o coração.
Vinhas na benção das flores
Da divina claridade ,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor !
És meu tesouro infinito .
Juro-te eterna aliança
Porque sou tua esperança ,
Como és todo meu amor !
Alma gêmea de minha alma
Se eu te perder algum dia...
Serei tua escura agonia ,
Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te , entre as flores
Da claridade dos céus .


Canção de Elizabete Lacerda
Poema do espírito Emmanuel
Do livro "Há 2000 anos", cap. IV - Psicografia: Chico Xaiver


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Dias de Solidão


Tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Quando o poeta da música popular escreveu esses versos, explicitava na canção o sentimento que muitas vezes se apodera de nossa alma.
São aqueles dias onde a alma se perde na própria solidão, encontrando o eco do vazio que ressoa intenso em sua intimidade.
São esses dias em que a alma parece querer fazer um recesso das coisas da vida, das preocupações, responsabilidades e compromissos, para simplesmente ficar vazia.
Não há quem não tenha esses dias de escuridão dentro de si. Fruto algumas vezes de experiências emocionais frustrantes, onde a amargura e o dissabor nos relacionamentos substituem as alegrias de bem-aventuranças anteriores.
Outras vezes são os problemas econômicos ou as circunstâncias sociais que nos provocam dissabores e colocam sombras na alma.
A incompreensão no seio familiar, a inveja no círculo de amizades, a competição e rivalidade desmedida entre companheiros de trabalho provocam distonias de grande porte em algumas pessoas.
Nada mais natural esses dissabores. Jesus, sabiamente, nos advertiu dizendo que no mundo só encontraríamos aflições.
Tendo em vista a condição moral de nosso planeta, as aflições e dificuldades são questões naturais e, ainda necessárias para a experiência evolutiva de cada um de nós.
Dessa forma, é ilusório imaginarmos que estaríamos isentos desses embates ou acreditarmo-nos inatacáveis pela perversidade, despeito ou inferioridade alheia.
Assim, nesses momentos faz-se necessário enfrentar a realidade, sem deixar-se levar pelo desânimo ou infelicidade.
Se são dias difíceis os que estejamos passando, que sejam retos nosso proceder e nossas ações. Permanecer fiel aos compromissos e aos valores nobres é nosso dever perante a vida.
Os embates que surjam não devem ser justificativas para o desânimo, a queixa e o abandono da correta conduta ou ainda, o atalho para dias de depressão e infelicidade.
Aquele que não consegue vencer a noite escura da alma, dificilmente conseguirá saudar a madrugada de luz que chega após a sombra, que parece momentaneamente vencedora.
Somente ao insistirmos, ao enfrentarmos, ao nos propormos a bem agir frente a esses momentos, teremos as recompensas conferidas àquele que se propõe enfrentar-se para crescer.

* * *

Se os dias que lhe surgem são desafiadores, lembre-se de que mesmo Jesus enfrentou a noite escura da alma, em alguns momentos, porém, sempre em perfeita identificação com Deus, a fim de espalhar a claridade sublime do Seu amor entre aqueles que não O entendiam.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7,
do livro Atitudes renovadas, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 08.06.2010.

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