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Evangelização da infância


Evangelização da infância

Ação edificante e duradoura





A passagem em destaque, contida na “Parábola do Semeador”, se expressa na ação da evangelização espírita infantojuvenil, no seu sentido amplo: semeiam os evangelizadores quando trabalham em benefício da divulgação do Espiritismo; semeiam as crianças e os jovens, ao serem evangelizados, na busca da segurança moral e do amor, indispensáveis à felicidade do ser; semeiam os pais ao atenderem às responsabilidades que lhes são conferidas nos cuidados a se ter para com os filhos, encaminhando-os às escolas de evangelização; e semeiam os dirigentes espíritas, ao avaliarem a importância dessa tarefa nobilíssima, que é desenvolvida e organizada nas unidades fundamentais do Movimento Espírita, que são: os centros, os grupos e as demais instituições.             
O Espírito Emmanuel, em mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, no ano de 1938, e reproduzida em Reformador de agosto de 2011, devido à sua plena atualidade, observa:    
[...] Nenhuma mensagem do mundo espiritual pode ultrapassar a lição permanente e eterna do Cristo, e a questão, sempre nova, do Espiritismo é, acima de tudo, evangelizar, ainda mesmo com sacrifício de outras atividades de ordem doutrinária.           A alma humana está cansada de ciência sem sabedoria e, envenenado pelo pensamento moderno, o cérebro, nas suas funções culturais, precisa ser substituído pelo coração, pela educação do sentimento.        O Evangelho e o trabalho incessante pela renovação do homem interior devem constituir a nossa causa comum [...].2            
Ora, a infância é a fase mais profícua para motivar o desabrochar das capacidades e aptidões dos indivíduos favorecendo a sua evangelização. Sobre essa asserção, os Espíritos superiores afirmam:     Encarnando, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.3     
E concluem, em outra questão de O Livro dos Espíritos:          
[...] Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem.A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas [...].4           
É nesse período fértil que as crianças devem receber as orientações iniciais de uma boa educação moral-cristã, que lhes permita, na idade adulta, aplicar as leis divinas sem transgredi-las, e que poderá livrá-las dos descomedimentos futuros a que estão submetidos todos aqueles que não foram preparados para proceder corretamente, esforçando-se para tudo fazer pelo bem do próximo. O homem “praticando a lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira”.5 Ao analisar essa assertiva, Allan Kardec conclui, apropriadamente:           Já nesta vida somos punidos pelas infrações, que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males consequentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a consequência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto.              Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de consequência em consequência, caímos na desgraça.6           
Sem crer em Deus e na sua justiça, sem a certeza da imortalidade da alma e da pluralidade das existências, sem conhecer e empregar as leis morais, que irão nortear as responsabilidades individuais por todos os atos bons ou maus que cometemos, determinando as provas e resgates futuros, torna-se muito difícil a compreensão do verdadeiro significado da vida na Terra. É preciso preparar os Espíritos encarnados, a partir da mais tenra idade, ensinando-lhes esses pensamentos, de acordo com o estágio de desenvolvimento e da capacidade cognitiva que apresentem, sem esperar que cresçam desprovidos desses conhecimentos, até que se hajam esclarecidos pelos estudos mais acurados da Doutrina e pelas experiências significativas a serem vividas na fase adulta. Portanto, nada é mais útil para a evangelização das pessoas espíritas do que fazê-las refletir, desde pequenas, sobre os princípios elementares do Espiritismo, trocando as conquistas e os interesses transitórios por aquisição de proveitos espirituais.           
Ao avaliarmos os efeitos que acarretam a falta de cuidado dos pais na orientação religiosa dos filhos, recordamos os compromissos assumidos por eles, pois, como adeptos do Espiritismo, “a doutrina que professam mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo”.7 Não permitir que as crianças frequentem as aulas de evangelização espírita-cristã, com a desculpa de que no futuro poderão escolher por si mesmas os caminhos doutrinários a serem trilhados, é tornar-se indiferente ao destino dos seres que acolheram no abrigo familiar, sem lhes dar a chance de saber sobre as coisas espirituais e de afastar-se da preponderância do materialismo: [...] 
As ideias espíritas, ao contrário, são um penhor de ordem e tranquilidade, porque, pela sua influência, os homens se tornam melhores uns para com os outros, menos ávidos das coisas materiais e mais resignados aos decretos da Providência.8           
Considerando-se que o egoísmo e o orgulho prejudicam enormemente a maioria dos homens, por que não conceder aos filhos a oportunidade de adquirirem qualidades que lhes possibilitem conquistar a paz no cultivo da caridade legítima? É possível remediar esse mal desde cedo, motivando os filhos para a vivência de certos deveres cristãos como fonte primeira para o seu aperfeiçoamento no porvir? O bondoso Espírito Adolfo Bezerra de Menezes, em comunicação obtida pela médium Yvonne A. Pereira, na noite de 11 de agosto de 1966, no Rio de Janeiro, dá sua opinião sobre o tema, asseverando:           
O lar é a grande escola da família, em cujo seio o indivíduo se habilita para a realização dos próprios compromissos perante as Leis de Deus e para consigo mesmo, na caminhada para o progresso. É aí [...], que a criança, o cidadão futuro [...] se deverá educar, adquirindo aquela sólida formação moral- -religiosa que resistirá, vitoriosamente, aos embates das lutas cotidianas, das provações e mil complexos próprios de um planeta ainda inferior. [...]9               
Mais à frente, na mesma mensagem, alerta-nos ele:          
Se se descurou, porém, a educação na primeira infância, a puberdade e a adolescência tornar--se-ão fases de orientação mais difícil. [...]10          
Os seres humanos passam por importantes ciclos evolutivos, procurando, na atualidade, respostas às suas indagações, sobretudo para manter as ideias cristãs que lhes aclarem as mentes e os sustentem em ocasiões tão críticas. Buscam a fé raciocinada para libertarem-se dos intrincados dogmas das demais crenças, que não interpretam com coerência a doutrina de Jesus, por não oferecerem amparo e esclarecimentos genuínos às criaturas, levando-as a suportar melhor esses instantes de aflitivas transições. O Espírito Emmanuel, ao falar da educação evangélica, destaca a importância da chegada do Consolador prometido pelo Mestre para “o esforço de regeneração em cada indivíduo”11 e justifica que a sua “palavra bate insistentemente nas antigas teclas do Evangelho cristão, porquanto não existe outra fórmula que possa dirimir o conflito da vida atormentada dos homens”.12 Por meio da evangelização, faremos despertar, nas almas infantis, mudanças em suas disposições morais, diminuindo as influências materialistas e fazendo-as pensar e sentir de outra maneira, certos de que “toda a tarefa, no momento, é formar o espírito genuinamente cristão; terminado esse trabalho, os homens terão atingido o dia luminoso da paz universal e da concórdia de todos os corações”.13  
          Clara Lila Gonzales de Araújo

Referências:              
1KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed.              
1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 17, it. 5.              
2XAVIER, Francisco C. À luz do evangelho. Pelo Espírito Emmanuel. In: Reformador, ano 129, n. 2.189, p. 17(295), ago. 2011.             
3KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.  Trad. Guillon Ribeiro. 91. ed. 2. reimp. Rio  de Janeiro: FEB, 2010. Q. 383.              
4______. ______. Q. 385.              
5______. ______. Q. 921.              
6______. ______. Comentário de Kardec àq. 921.              
7______. O evangelho segundo o espiritismo.  Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 1. reimp.  Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 24, it. 16.              
8______. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 91. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro:FEB, 2010. Conclusão, it. 6, p. 546.              
9SOUZA, Juvanir Borges de. (Coord). Bezerra  de Menezes: ontem e hoje. 4. ed. 2.  reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. P. 3, cap. 15, p. 146.              
10______. ______. p. 147.              
11XAVIER, Francisco C. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 35, it. Necessidade a educação pura e simples, p. 236. 
12______. ______. Cap. 35, it. Urge reformar,  236.  
13______. ______. Cap. 35, it. Formação da mentalidade cristã, p. 239.


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Era Nova de Unificação e Decisão


Era Nova de Unificação e Decisão


 Meus filhos, que o Senhor nos abençoe! Eia, avante!  São as palavras que vêm repercutindo através dos séculos num convite vigoroso ao prosseguimento da luta redentora. Estes são dias semelhantes àqueles quando o Divino Pastor veio reunir as ovelhas tresmalhadas de Israel com os gentios, proclamando o momento de unificação de raças e de etnias, de crenças e de religiões, de situações socioeconômicas diferentes sob o seu sublime cajado. Também hoje, guardadas as proporções que nos identificam em relação às conquistas da Sociologia, da Ciência, no aspecto da investigação, da Tecnologia, das doutrinas psicológicas, é necessário que permaneçamos fiéis ao convite do Mestre, sem estacionar ou jamais retroceder. Momento pelo qual vínhamos esperando, agora surge como sol abençoado na noite para aquecer os corações enregelados no materialismo e conduzir os Espíritos combalidos na luta de alta significação e de graves perigos para a divulgação da Doutrina. Por isso, impõe-se-nos a todos a fidelidade aos postulados que constituem o edifício da Doutrina Espírita, fora dos quais poderemos ter uma bela filosofia de comportamento, uma ética-moral saudável e um campo experimental precioso, mas sem a presença de Jesus, que é o amor, que é a caridade e que é a esperança de libertação de todos nós. Porfiai na defesa dos nossos direitos de semeação do Evangelho, conforme a revelação dos imortais. Trabalhai ao lado dos gestores terrestres, contribuindo para o seu discernimento das verdades trans-cendentais, sem o medo da presunção que assalta alguns e do poder temerário de que se investem outros de natureza fanática na sua crença religiosa, negando às demais o mesmo direito de cidadania...   
No mundo de convulsões da hodiernidade não há lugar para a timidez, para o temor, para a ausência de decisões. Todo espaço que os bons espíritas deixarem vago será preenchido pelos atrevidos que tomam a espada da luta para denegrir, para ceifar vidas e ideais. 
É necessário, portanto, que a cruz do sacrifício substitua a espada devastadora, e que, imortalizando-nos nas traves da dedicação, possamos deixar abertas as clareiras para as gerações novas que instalarão na Terra o Reino de Deus.  
Acompanhamos, meus filhos, os estudos e debates destes dias e congratulamo-nos convosco por bem apreenderdes o significado da Unificação como um feixe de varas, cuja força é a união e cuja grandeza é a abnegação. Prossegui, portanto, vigilantes, prudentes sim, generosos também, mas, sobretudo, valorosos, na preservação da Mensagem que herdastes do ínclito Codificador Allan Kardec e dos missionários que o assessoraram e prosseguem desdobrando-lhe os conteúdos procedentes dos céus. 
É hora de combate, do bom combate da luz clareando a treva, do amor diluindo as animosidades, do perdão pondo-se acima das injunções perturbadoras do ressentimento e do desejo de desforço... Mantende-vos fiéis a Jesus, e Ele, como sempre, providenciará o apoio que nos não nega nunca e a companhia de que tanto necessitamos para mantermos o espírito de fidelidade. 
Estai atentos ao escalracho moral dos dissídios, da maledicência, da injúria, que são assacados contra a vossa conduta. Não vos permitais o desânimo! Quando, na busca e propaganda de um ideal, se apela para o ultraje, a ofensa, significa essa conduta que a falta de nobreza idealística foi substituída pelo egoísmo devastador e pela presunção dominadora. Sede simples, mas não ingênuos, a ponto de vos deixardes dominar, sucumbindo sob a astúcia dos maus. Jesus confia no vosso, no esforço de todos nós, conjugados os dois planos da vida, cantando hosanas à Imortalidade! Voltai aos vossos lares ricos de luz e deixai que a claridade luminífera do Evangelho, exteriorizando-se dos vossos sentimentos, domine as casas que dirigis, tornando-as estrelas na grande noite do mundo em transformação. 
A Eurásia, cansada de guerras e de poder, estertora... As profecias tornam-se realidade, convidando-nos a aprender com a história da Humanidade a não repetir os erros em que caímos no passado... Era Nova esta, meus filhos! Exultai e amai! Cantai o Evangelho de Jesus aos ouvidos, moucos que sejam, mas que se impregnarão da sinfonia inolvidável das bem-aventuranças, desde os que transitam nas classes mais sofridas, que são considerados os excluídos da sociedade, até aqueles que administram os destinos dos povos... Em um só abraço – como fez Jesus, que recebeu a equivocada de Magdala e o Príncipe do Sinédrio, concedendo a ambos a mesma oportunidade –, fazei que todos os segmentos sociais recebam dos vossos sentimentos enobrecidos o mesmo carinho, sem distinção de poder ou de miséria, porque o amor deve ser o mesmo para todos que têm sede de paz e fome de justiça. 
Recordemos Jesus: “Eis que vos mando como ovelhas mansas ao meio de lobos rapaces...” [Mateus,10:16]. 
Não para que sejamos devorados, mas para que, à semelhança do Santo de Assis, dulcifiquemos os lobos e que, no córrego do Evangelho sublime, ovelhas e lobos bebam da mesma linfa de paz... 
Que o Senhor de bênçãos nos abençoe e os Espíritos-espíritas que aqui estão conosco, pedindo-nos para que traduzamos as suas emoções, nos acompanhem sempre e sempre no rumo da Imortalidade. 
Muita paz, meus filhos, são os votos do companheiro paternal de sempre. 

Bezerra 
(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, em Brasília, DF, em 13 de novembro de 2011.) Revisão do Autor Espiritual.
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