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ESTRANHOS MOVIMENTOS ESPÍRITA







O “movimento espírita” está indesejavelmente fracionado. Têm surgido várias correntes ideológicas estranhas e muitos reformadores (“progressistas”) interpretando Kardec equivocadamente. Querem adaptar o Espiritismo aos seus pendores a invés de se adaptarem à Terceira Revelação.
Existem grupos (Ligas, Uniões etc.) alavancados na difusão das chamadas “campanhas do quilo” (atualmente bem arrefecidas) impondo ao movimento doutrinário práticas inspiradas nas supostas curas “desobsessivas” por corrente magnética e choques anímicos, apometrias e outras..., contrariando o projeto dos Espíritos, segundo a Codificação.
Há um inusitado “movimento laico”, repudiando o aspecto religioso da Doutrina. Aliás, o projeto de tal segmento é a extinção da pergunta 625 (1) do Livro dos Espíritos. Têm aversão e não aceitam, nem com “reza braba”, a liderança de Jesus nos destinos do Planeta. Tais títeres da ilusão e “laicos” não querem nem ouvir falar da tal CARIDADE. Desfraldam a bandeirola da retórica do “livre-pensamento”, utilizando o paradigma da “surrada dialética” almejando tumultuar o movimento espírita brasileiro.
Não há como deixar de citar o tal “movimento de unificação” liderado por algumas federativas (aqui fazemos ressalva à Federação Espírita do Paraná), propondo incompreensível hierarquização no movimento espírita, submetendo os espíritas à sua ordem quase sempre promovendo e comercializando livros de conteúdos estranhos e autores de reputação moral discutível, além de promoções de encontros “espíritas” não gratuitos. Urge sejam  evitadas as apelações para comercializações de livros espíritas caros, agenciamentos de eventos doutrinários (não gratuitos), lotações de hotéis e centros de convenções  com seminários e congressos (não gratuitos). Recordemos que o ideal de União (diferente de Unificação burocratizada) será projeto pouco produtivo enquanto ainda existir nos centros e federativas as "panelinhas", as bajulação e traições para conquistas de  cargos. 
Cresce o chamado movimento de “amigos de Chico Xavier e sua obra”, objetivando supostamente a manter “acesa” na mente dos espíritas “a vida simples e as obras do médium mineiro”. Será que o lúcido Chico Xavier aceitaria essas homenagens? DUVIDAMOS muito!. Também nesses movimentos difundem livros e informativos de conteúdos que merecem estudo e reflexão.
A Doutrina Espírita é pura e incorruptível, porém, o movimento espírita é suscetível dos mesmos graves prejuízos que dificultaram a ação do cristianismo tradicional, hoje bastante fracionado. Como não se pode imaginar o espírita com duas condutas divergentes, a conduta do homem e a conduta do espírita, também não se pode imaginar o movimento espírita, ora acontecendo segundo os preceitos espíritas, ora segundo outros preceitos duvidosos, aceitos equivocadamente no seu contexto em nome da tolerância piegas.
Allan Kardec é único. Espiritismo também, por conseguinte. O mestre lionês sempre preconizou a unidade doutrinária. Não há o menor espaço para compor com outras idéias que não sejam, ou convergentes e em uníssono com as suas, ou reflexos resplandecente destas. Unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Por isso, necessita ser o nosso lema, o nosso norte, a nossa bandeira. Como conseguir? O amor é a resposta.
Não há o amor quando se impõe teorias e práticas exóticas, ou não afinadas com a simplicidade e pureza dos trabalhos espíritas, comprometendo o projeto doutrinário. Quem compreende essa situação deve trabalhar para modificá-la. A via mais segura, para isso, é o amor incondicional, o esclarecimento, o estudo, o convencimento pela razão e pela tolerância, jamais pelos melindres tacanhos.
Os espíritas não são proibidos de coisa alguma, mas sabendo que devem arcar com a responsabilidade de todos os atos, conscientes do desequilíbrio que possam praticar. Não podemos fingir que tudo está em ordem e harmônico às mil maravilhas ou que somos sublimes cristãos. O Espiritismo não aceita “donos da verdade”, até porque a espiritualidade e Kardec ensinam que a Revelação Espírita é progressiva, não estando completa em parte alguma e nem precisamos fazer um esforço descomunal para nos cientificarmos de que são raros os centros espíritas que podem se dar ao luxo de praticar a mediunidade na sua mais pura acepção.
Em nome de um “Espiritismo plural”, consternamo-nos diante de alguns centros espíritas que propõem aplicações de luzes coloridas (cromoterapias) para higienizar auras humanas e curar (pasmem!): azia, cálculo renal, coceiras, dores de dente, gripes, soluços em crianças, verminose, frieiras. Se não bastasse, recomenda-se até carvãoterapia (?!) para neutralizar "maus-olhados". Nesse sentido, segundo crêem, é só colocar um pedaço de tora de carvão debaixo da cama e estaremos imunes do grande flagelo da humanidade - o "olho comprido". Não satisfeitos, ainda têm aqueles que “engarrafam” literalmente os obsessores. Há as inusitadas piramideterapias, gatoterapia (?) sobre isso, conheço alguém que possui cinco gatos em casa para “atrair” as energias negativas, cristalterapias e mais uma infinidade de terapias bizarras, aplicam-se, até, passes magnéticos nas paredes dos centros para “descontaminá-las”.
Por falta de unidade doutrinária (repetimos) há dirigentes promovendo casamentos, crismas, batizados, além das sempre “justificadas” rifas e tômbolas nos centros, tribuna para a propaganda político-partidária, preces cantadas. Isso, para não aprofundar nos inoportunos trabalhos de passes com bocejos, toques, ofegações, choques anímicos (?), estalação dos dedos, palmas, diagnósticos com uso de “vidência": sobre doenças e obsessões, etc.
Desconfiemos de movimentos que não cultivam a simplicidade e priorizam fenômenos mediúnicos, mandamentos, hierarquias. Ajudemos a proscrever os Movimentos centrados na autoridade, na opressão, na exclusão, na submissão, na discriminação, na desqualificação de quem não abraça o mesmo preceito.
O Cristo não tinha religião. Nós é que, ao institucionalizar diferentes experiências espirituais, criamos as religiões. Já que criamos o movimento religioso avaliemos se a nossa doutrina é amorosa ou excludente, semeadoras de bênçãos ou ainda se ajoelha diante do poder do dinheiro.
Espírita-cristão deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo que respiremos em aflitivos combates íntimos. Espírita-cristão deve ser o claro objetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

Jorge Hessen

Nota:
(1)   O modelo e guia de toda a humanidade é o Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo.







Jorge Luiz Hessen, Servidor Publico Federal, residente em Brasília, palestrante, escritor, articulista em diversos jornais e sites, com textos publicados na Revista Reformador da FEB, O Espírita de Brasília, O Imortal, Revistaeletrônica O Consolador.

Internacional do Espiritismo, entre outros e além de conselheiro da revista
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A Revelação Espírita


 

O primeiro capítulo de A Gênese, intitulado “Caráter da Revelação Espírita”, traz uma análise muito importante sobre o Espiritismo, sobre aquilo em que se baseiam seus valores, sua autenticidade, suas características. Não é à toa que Torchi,1 por exemplo, considera este assunto “um dos mais importantes para compreensão correta do que é o Espiritismo”, dedicando um capítulo inteiro de sua obra ao desdobramento do assunto.

Nesta matéria, pretendemos chamar a atenção para uma característica que só o Espiritismo possui enquanto conhecimento humano. Trata-se do caráter duplo da Revelação Espírita: o caráter divino e o científico. Apresentaremos um resumo da parte inicial do referido capítulo de A Gênese, para introduzir o assunto ao leitor, e faremos duas comparações: uma entre o Espiritismo e a Ciência e outra entre o Espiritismo e o conjunto da obra mediúnica, recebida pelo Chico Xavier, no contexto dos dois caracteres da revelação espírita.

No item 1, do citado capítulo, Kardec apresenta uma série de questões sobre o valor do Espiritismo como, por exemplo: Pode o Espiritismo ser considerado
uma revelação? Neste caso, qual o seu caráter? Em que se funda a sua autenticidade? A quem e de que maneira foi ela feita? [...].2

Essas questões são extremamente importantes para nós espíritas, pois suas respostas fornecem a base para a fé raciocinada que temos no Espiritismo.

Kardec, um excelente educador, sabendo da importância da clareza da linguagem, analisa o significado da palavra “revelação” para, então, responder às questões acima com profundidade. A palavra “revelar” vem, segundo Kardec, “do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu [...], descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida”.3 Em seguida, Kardec fala dos sentidos científico e religioso dessa palavra que, no primeiro caso, significa descobrir os mistérios da Natureza, e no segundo caso a descoberta “das coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência, nem com o auxílio dos sentidos [...]”.4 Ele enfatiza que para uma coisa ser considerada uma “revelação”, é necessário que seja verdade e por isso “toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus”.5

No item 4 e seguintes, Kardec analisa a pessoa através da qual a revelação científica ocorre. Ele apresenta um conceito de professor considerando-o como um revelador de segunda ordem por ensinar (revelar) aquilo que aprendeu. O homem de gênio é aquele que Kardec define como quem descobre por si mesmo os mistérios e leis da Natureza, considerando-o um revelador primitivo.Nesse ponto do capítulo I, da referida obra, é oportuno citar o comentário de Kardec a respeito do pensamento materialista que considera os homens de gênio como sendo pessoas com um cérebro mais avantajado, dizendo: “Neste caso, não teriam mais mérito que um legume maior e mais saboroso do que outro”.6

Em sua lógica impecável, Kardec argumenta que se Deus permite que haja reveladores para as verdades científicas, por que não haveria de permitir também os das verdades morais e religiosas? Nesse último caso, a revelação viria através de algumas pessoas designadas sob o nome de profetas ou messias.4 Se de um lado esse tipo de revelação gerou passividade absoluta e aceitação sem verificação, de outro, as revelações ocorridas em todas as religiões, em sua maioria, tiveram uma razão de ser providencial e foram, de alguma forma, apropriadas ao tempo e ao meio em que as pessoas viviam.No item 9 do referido capítulo, Kardec diz:

É, pois, rigorosamente exato dizer- se que quase todos os reveladores são médiuns inspirados, audientes ou videntes.

Mas, ressalva dizendo que

Daí, entretanto, não se deve concluir que todos os médiuns sejam reveladores, nem, ainda menos, intermediários diretos da divindade ou dos seus mensageiros.

No item 11, Kardec fala dos fenômenos espíritas que ocorreram em sua época, que demonstravam a possibilidade de comunicação com os seres do mundo espiritual, e que isso era uma verdadeira e importante revelação. Em resumo, no item 12, ele diz:

O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra.

E, em vista da importância para a nossa análise, vamos transcrever o item 13:

Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. PARTICIPA DA PRIMEIRA, porque foi providencial o seu aparecimento e não o resultado da iniciativa, nem de um desígnio premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da doutrina provêm do ensino que deram os Espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca de coisas que eles ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos e que lhes importa conhecer, hoje que estão aptos a compreendê-las. PARTICIPA DA SEGUNDA, por não ser esse ensino privilégio de indivíduo algum, mas ministrado a todos do mesmo modo; por não serem os que o transmitem e os que o recebem seres passivos, dispensados do trabalho da observação e da pesquisa, por não renunciarem ao raciocínio e ao livre-arbítrio; porque não lhes é interdito o exame, mas ao contrário, recomendado; enfim, porque a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem. (Destaques nossos.)

Em sua origem, o Espiritismo é divino, isto é, foi revelado pelas “vozes do céu”, mas como meio de elaboração, “o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental”.7 Esse duplo caráter torna o Espiritismo uma Doutrina inédita na Humanidade! Nem as teorias da Ciência, nem as doutrinas religiosas, em separado, possuem o duplo caráter destacado acima! É a combinação de ambas que fornece autenticidade e solidez únicas à Doutrina Espírita, levando-nos ao reforço de nossa fé na certeza de que, ao mesmo tempo que ela surgiu dos ensinos dos Espíritos, foi fruto de um esforço elaborado de observação e análise como se faz nas ciências. Em outras palavras, o melhor em matéria de revelação religiosa se uniu ao melhor em matéria de revelação científica para que o Espiritismo pudesse chegar à Humanidade! Tudo isso, como Kardec diz no item 20, fornece razões “para que o Espiritismo seja considerado a terceira das grandes revelações”.

O capítulo em estudo ainda se desdobra por diversas análises, dentre as quais se demonstra o caráter consolador do Espiritismo. Porém, o propósito desta matéria é destacar o caráter duplo da Revelação Espírita, e, para avaliarmos a importância disso, vamos fazer uma rápida comparação entre o Espiritismo e a Ciência e entre o Espiritismo e a obra mediúnica de Chico Xavier.

Ciência não é algo simples de se definir. O leitor mais interessado pode procurar na Filosofia da Ciência estudos aprofundados sobre o que é e como se faz Ciência.8 Podemos dizer que, em todos os tempos, a Ciência é fruto do esforço de homens e mulheres de gênio que dedicaram seu tempo ao trabalho de observação, pesquisa e investigação dos fenômenos da Natureza. Sabendo da influência do mundo espiritual, não podemos negar que alguns desses homens e mulheres de gênio tiveram inspirações de bons Espíritos, mas de modo algum tais inspirações constituem ensino dos Espíritos através do caráter religioso ou divino de uma revelação. Para corroborar essa afirmação, Kardec deixa claro no item 60 que

Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência.

Assim, por maior que seja o alcance da Ciência nos dias de hoje, todas as suas teorias possuem apenas o caráter científico da revelação.

Sobre a obra mediúnica de Chico Xavier, mesmo diante de todo o seu valor moral, literário e até científico, ela apenas possui o caráter da revelação divina ou religiosa, pois seu conteúdo não foi fruto da observação, investigação e pesquisa de nenhum encarnado. Chico foi o intermediário dos bons Espíritos para aprofundamento das verdades espirituais, todas elas de acordo com o Espiritismo e embasadas no mesmo. Isoladamente, as obras do Chico jamais constituiriam uma doutrina com o mesmo valor e caráter que o Espiritismo possui, simplesmente por não satisfazer o caráter científico de uma revelação.

A Revelação Espírita também apresenta uma característica que, como diz Kardec no item 55, ressalta das condições em que ela surgiu. Por se basear em fatos observados e investigados, o Espiritismo é progressista, como as ciências de observação. Isso, de um lado, significa que o Espiritismo não está fechado a novas descobertas mas, de outro, não significa que o Espiritismo está aberto sem critério a todas elas. Para que um conhecimento novo, científico ou religioso, seja aceito pelo Espiritismo, é necessário que, de acordo com o item 13 transcrito, seja empregado com esse conhecimento novo para que o duplo caráter da revelação espírita não seja prejudicado. Isso indica como deve evoluir o caráter progressivo do Espiritismo. Portanto, não será através de mensagens obtidas de Espíritos individuais por médiuns individuais que o Espiritismo progredirá, nem através de simples extrapolações e comparações entre conceitos modernos das nossas ciências materiais e os do Espiritismo. Será necessário que haja trabalhos de pesquisa e investigação de temas de interesse espírita para que os mesmos possam fazer parte desse aspecto progressista. De outra forma, teremos apenas opiniões isoladas sem comprovações. Obras isoladas e de autores menos conhecidos possuem, por conseguinte, muito menos valor como revelação e por essa razão devemos tomar cuidado com as novidades que surgem no meio espírita, incluindo-se aquelas que se consideram “embasadas” na Ciência.

Em conclusão, percebemos a importante e delicada tarefa de Kardec que, como homem de ciência, poderia ter apresentado o Espiritismo apenas como disciplina científica. Mas, aliando seu intelecto e bom senso ao sentimento idealista de servir à causa do bem, foi capaz de trabalhar na elaboração da mensagem dos bons Espíritos sem cair no excesso em nenhum dos dois lados possíveis: o da revelação religiosa ou da Ciência, cumprindo a tarefa de trazer a Doutrina dos Espíritos à Humanidade com todos os requisitos da Verdade que a mente humana exige e requer. Kardec fez mais: deu o exemplo de trabalho sério e de progresso!

Alexandre Fontes da Fonseca

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PENSAMENTOS E FLUIDOS






“Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável” - (Allan Kardec - A Gênese, cap. XIV, item 16).
Autor: Allan Kardec

Vimos que o pensamento exerce uma poderosa influência nos fluidos espirituais, modificando suas características básicas. Os pensamentos bons impõem-lhes luminosidade e vibrações elevadas que causam conforto e sensação de bem estar às pessoas sob sua influência. Os pensamentos maus provocam alterações vibratórias contrárias às citadas acima. Os fluidos ficam escuros e sua ação provoca mal estar físico e psíquico.

Pode-se concluir assim, que em torno de uma pessoa, de uma família, de uma cidade, de uma nação ou planeta, existe uma atmosfera espiritual fluídica, que varia vibratoriamente, segundo a natureza moral dos Espíritos envolvidos.

À atmosfera fluídica associam-se seres desencarnados com tendências morais e vibratórias semelhantes. Por esta razão, os Espíritos superiores recomendam que nossa conduta, nas relações com a vida, seja a mais elevada possível. Uma criatura que vive entregue ao pessimismo e aos maus pensamentos, tem em volta de si uma atmosfera espiritual escura, da qual aproximam-se Espíritos doentios. A angústia, a tristeza e a desesperança aparecem, formando um quadro físico-psíquico deprimente, que pode ser modificado sob a orientação dos ensinos morais de Jesus.

“A ação dos Espíritos sobre os fluidos espirituais tem conseqüências de importância direta e capital para os encarnados. Desde o instante em que tais fluidos são o veículo do pensamento; que o pensamento lhes pode modificar as propriedades, é evidente que eles devem estar impregnados das qualidades boas ou más, dos pensamentos que os colocam em vibração, modificados pela pureza ou impureza dos sentimentos” - (Allan Kardec - A Gênese, cap. XIV, item 16).

À medida que cresce através do conhecimento, o homem percebe que suas mazelas, tanto físicas quanto espirituais, é diretamente proporcional ao seu grau evolutivo e que ele pode mudar esse estado de coisas, modificando-se moralmente. Aliando-se a boas companhias espirituais através de seus bons pensamentos, poderá estabelecer uma melhor atmosfera fluídica em torno de si e, consequentemente, do ambiente em que vive. Resumindo, todos somos responsáveis pelo estado de dificuldades morais que vive o planeta atualmente.

“Melhorando-se, a humanidade verá depurar-se a atmosfera fluídica em cujo meio vive, porque não lhe enviará senão bons fluidos, e estes oporão uma barreira à invasão dos maus. Se um dia a Terra chegar a não ser povoada senão por homens que, entre si, praticam as leis divinas do amor e da caridade, ninguém duvida que não se encontrem em condições de higiene física e moral completamente outras que as hoje existentes” - (Allan Kardec - Revista Espírita, Maio, 1867).



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Judas Iscariote



Na dobra dos séculos, ele continua sendo apontado como alguém que destoou no Colégio Apostólico, exemplo de mau amigo, traidor. Ainda na atualidade, o seu nome é dado aos que traem uma causa, aos que erguem a mão contra quem os brindou com amizade.

Dentre os doze apóstolos, parece ter sido o único que não era galileu. Filho de Simão, era da cidade de Cariote ou Kerioth, "cidade do extremo sul da tribo de Judá, a uma jornada além do Hebron." (3)

Em Cafarnaum, Judas, comumente denominado, Judas Iscariotes, o que equivale a dizer, Judas, de Kerioth, sua localidade de nascimento, se consagrava ao pequeno comércio, vendendo peixes e quinquilharias.

Entendia de contabilidade, e se transformou no tesoureiro do grupo. Era quem cuidava da bolsa das ofertas. Quem lhe analise a personalidade, o qualifica como culto, eloqüente e polido. Também alegre e um homem realizado.

Destacam-se nele, igualmente, qualidades como discrição e sensatez. Com certeza, um homem prático. Sua cabeça era de um comerciante. Seu negócio era adquirir, revender e contar os lucros.

"Imediatista, considerava as pessoas e ocorrências através da óptica distorcida da realidade, pelo valor relativo, amoedado, social, transitório, não real. (...)" (2)

Foi exatamente sob essa tônica, que ele expôs o Amigo Celeste. Judas tinha ambição, fascinação pelas riquezas, preocupações com a vida material. Não conseguiu apreender o sentido da missão do Grande Amigo.

Para ele, o carpinteiro de Nazaré era o Messias, aguardado há séculos por Israel, sofrida e à época, escrava da águia romana dominadora. O poder de Jesus, Seus discursos, Sua inteligência e Seus milagres o fascinavam.

No Evangelho de João (12:6), encontramos uma referência à sua desonestidade, referindo o evangelista que "tendo a bolsa, roubava o que se lançava nela."

Segundo as lições espirituais, Jesus o teria advertido, ao início do apostolado: "...Judas, a bolsa é pequenina; contudo, permita Deus que nunca sucumbas ao seu peso!" (6)

Sua é a voz primeira que sussurra acerca do desperdício, em casa de Simão, o ex-leproso, durante o banquete em que Maria, de Betânia, oferece ao Amor não amado, o caro perfume, ungindo-Lhe os cabelos. Servindo-se do momento para o ensino, Jesus recorda da pérola da amizade e da preciosidade da manifestação afetiva, alertando sobre a precariedade das coisas temporais.

Acompanhando o Rabi, dia após dia, registrando-Lhe a grandeza, alimenta o filho de Simão a idéia de que, dia chegará em que Ele assumirá o poder, liderando uma grande revolução, esmagando Roma. Não conseguira entender que a maior revolução que o doce Rabi propunha era contra o inimigo interior.

Após a triunfal entrada do Amigo em Jerusalém, Judas imaginou que melhor momento não haveria do que aquele para que Ele inaugurasse o Seu Reino.

No entanto, sequer sorrira Jesus, nem retribuíra com acenos ou um inflamado discurso à extraordinária recepção, que o povo lhe oferecia. Aquela maré humana entrou por um dos grandes portais da muralha do Templo e se derramou para o interior da extensa área do átrio dos gentios, ao átrio do povo e dos sacerdotes.

E quem ouvisse os brados de Hosana ao Filho de Davi! Hosana! acorria para ver quem seria a personagem que assim estaria sendo ovacionada. Quem seria alvo de tão deslumbrante manifestação?

Os fariseus ficaram indignados e mais recrudesceu o ódio contra o Galileu. Os sacerdotes devem ter tremido, temendo, mais que nunca, perder o cargo e seus privilégios. Decretava-se, ali, a urgência da sentença de morte do Filho de Nazaré.

Contudo, enquanto Judas aguarda que Ele tome uma atitude, o Mestre se retira da cidade, ao anoitecer e se dirige a Betânia, onde costumava passar a noite.

O discípulo se inquieta. Sob seu ponto de vista, Jesus não sabe aproveitar as oportunidades, nem se preocupa em conquistar a atenção dos homens mais altamente colocados na vida.

Gozando da amizade de políticos influentes em Jerusalém, Judas decide propor um acordo para apressar o triunfo do Messias. Arquiteta entregá-lO aos homens do poder temporal, "em troca de sua nomeação oficial para dirigir a atividade dos companheiros. Teria autoridade e privilégios políticos. Satisfaria às suas ambições, aparentemente justas, com o fim de organizar a vitória cristã no seio de seu povo.

Depois de atingir o alto cargo com que contava, libertaria Jesus e lhe dirigiria os dons espirituais, de modo a utilizá-los para a conversão de seus amigos e protetores prestigiosos." (7)

Quando a alvorada se fez, o discípulo imprevidente se dirigiu ao Sinédrio. Aguardou horas, mas muitas promessas lhe foram feitas. Guardou as 30 moedas, nem mesmo sabia porquê. Afinal, logo mais, ele teria as rédeas do movimento renovador. Era uma quantia pequena para o que idealizava. Nada além do preço de um escravo: trinta moedas de prata.

Com um beijo entrega o Amigo a quem amava, sem O compreender. Aterrorizado, viu seu Mestre ser conduzido à cruz, sem nenhum lamento, sem nenhuma queixa.

Dando-se conta do equívoco, busca Caifás, reclamando o cumprimento do acordo. Somente recebe dele e dos demais membros do Sinédrio sorrisos de sarcasmo. Recorre às suas relações de amizade e teve que reconhecer a fragilidade das promessas humanas.

De longe, Judas contemplou as cenas humilhantes e angustiosas do drama do Gólgota. O remorso o abraça, dilacerando-lhe a consciência.

Um pensamento o toma. Sem amigos, traidor vil que entrega o Amigo querido, da forma mais ignominiosa, ele somente pensa em desertar da vida. Naquele momento, não se recordou das exortações acerca da prece, da comunhão com o Pai, do perdão lecionado tantas vezes pelo Nazareno.

Ele somente escuta a voz tenebrosa de seu tremendo remorso e, dirigindo-se à rampa do vale de Hinom, compõe o laço em torno do pescoço e se deixa pender, vencido pela dor, ingressando no mundo espiritual, atormentado e sofredor.

Conta-se que, tendo devolvido aos sacerdotes o dinheiro vil, entenderam eles que aquele era "preço de sangue" e não seria lícito retorná-lo aos cofres do Templo. Assim, adquiriram um campo para servir de cemitério a estrangeiros e peregrinos que morressem em Jerusalém. O local ficou conhecido como "campo de sangue" e, segundo alguns, Judas teria sido o primeiro a ser ali sepultado.

Na seqüência dos anos, ele expiaria sua tenebrosa falta. Em entrevista que concede ao espírito Irmão X, assim narra a sua trajetória de redenção: "Depois de minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição, deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV.

Desde esse dia em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo do perdão da minha própria consciência..." (8)



Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - abril/2004



Bibliografia:

01.FRANCO, Divaldo Pereira. Isto é lá contigo. In:___. Há flores no caminho. Pelo espírito Amélia Rodrigues. Salvador: LEAL, 1982. cap. 23.

02.______. Arrependimento tardio. In:___. Trigo de Deus. Pelo espíritoAmélia Rodrigues. Salvador: LEAL, 1993. cap. 12.

03.RENAN, Ernest. Os discípulos de Jesus. In:___. Vida de Jesus. 13. ed. São Paulo: Martin Claret, 1995. cap. 9.

04.TEIXEIRA, J. Raul. Jesus e a traição. In:___. Vida e mensagem. Pelo espírito Francisco de Paula Vitor. Niterói: FRÁTER, 1993. cap. 15.

05.VINICIUS. Reabilitação de um culpado. In:___. Na escola do mestre. 4. ed. São Paulo: FEESP, 1981. cap. 4.

06.XAVIER, Francisco Cândido. Os discípulos. In:___. Boa nova. Pelo espírito Irmão X. 8. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1963. cap. 5.

07.______. A ilusão do discípulo. Op. cit. cap. 24.

08.______. Judas Iscariotes. In:___. Crônicas de além-túmulo. Pelo espírito Humberto de Campos. 8. ed. Rio[de Janeiro]: FEB, 1975. cap. 
5.



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homossexualismo



CRISTÃOS FUNDAMENTALISTAS são os que acreditam que as sagradas escrituras foram ditadas diretamente por Deus e que, por isso, tudo o que nelas está escrito é sagrado, verdadeiro e deve ser obrigatoriamente obedecido para sempre.
A verdade divina está fora do tempo. Aquilo que Deus comandava há 3.000 anos é válido para hoje e para todos os tempos futuros. Digo isso a propósito de uma carta dirigida a Laura Schlessinger, conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos que tem um desses programas interactivos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever:


"Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto pra educar as pessoas segundo a lei de Deus. (...) Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las: gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?


O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que não sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto?

Por que não posso possuir canadenses? Sei que não estou autorizado a ter qualquer contacto com mulher alguma no seu período de impureza menstrua l (Levítico 18:19, 20:18 etc.).

O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.


Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo?


Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida? No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista.


Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus?


Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?


Meu tio tem um terreno. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois que planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes - a saber, algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-la? Não poderíamos queimá-la numa reunião privada?


Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável". (FSP)

CONCLUSÃO: a Bíblia não pode ser levada ao pé da letra, temos que usar o bom senso ao estudá-la.


Texto de Rubem Alves


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