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Qualidade na Prática Mediunica (70 ao 80) - Projeto Manoel P. de Miranda



Exercicio Mediunico II, Assistência, Qualidade


70. - O médium de transe consciente pode fazer uma avaliação do seu desenvolvimento mediúnico? De que forma?
Através da facilidade com que as comunicações se dão.
A questão da consciência na mediunidade sempre foi um grande tabu pelos conflitos que engendra na personalidade do médium.
Por exemplo: estamos todos na reunião mediúnica, em estado de calma, de relax. De repente, em nosso corpo mental, irrompe uma volúpia de bem-estar ou de ira. Trata-se da aproximação de um Espírito. Não existe razão para o médium começar a fazer disto um motivo de conflitos: - Será que sou eu? Será que está no m eu inconsciente?
No inicio do desenvolvimento da faculdade, é possível que sejam conflitos arquivados no inconsciente, mas somente chegaremos ao estado mediúnico passando pelo de natureza anímica.
O médium consciente, portanto, pode avaliar o fenômeno pela facilidade com que se vão dando as comunicações. O estado de lucidez, a claridade mental, não importam.
O que se deve observar é a forma lúcida, rápida e escorreita com que o fenômeno da psicofonia ocorre.
Como na arte de falar, a pessoa fala escolhendo as palavras, formando as frases, errando as conjugações verbais, a harmonia do conjunto. Depois, vai aprimorando-se, e em breve fala corretamente sem raciocinar.
No fenômeno mediúnico dá-se a mesma ocorrência. O médium pode, dessa forma, avaliar o seu progresso, o seu estágio de desenvolvimento ou o seu atraso -pela facilidade que as manifestações se dão.
No entanto, ninguém suponha que qualquer comunicação seja sempre cem por cento do Espírito comunicante. Mesmo nos fenômenos de efeitos físicos, que independem do contributo intelectual do médium, o ectoplasma, a radiação, é do medianeiro. O Espírito pode materializar-se e trazer as feições do sensitivo, porque o perispírito do encarnado nem sempre deixa de influenciar.
Para ter-se uma boa idéia a respeito, tente-se assinar um cheque segurando a mão de uma pessoa que não sabe escrever, e veja-se como sairá a letra; nunca se consegue uma igual à que está no arquivo. Ou, então, com a mão envolvida por uma luva muito grossa, de boxeador, por exemplo, tente-se escrever para verificar a dificuldade que se encontra. Todavia, com o treinamento, através da técnica da repetição, é possível conseguir-se traços de razoável aceitação.
Pelo exposto, o médium não se deve preocupar. Deixando que o fenômeno flua com naturalidade, em breve já não será participante, porque o desfecho vai-se tornando tão veloz, que o sensitivo não pensa para dizer. Em vez disso, ouve o que está dizendo, deixa de ser agente para ser espectador, até o momento em que a consciência se apaga.
Considerem-se três pessoas de nível cultural diferente, para darem uma mesma mensagem: cada uma delas transmitirá de acordo com o seu grau de entendimento. Uma dirá o que não entendeu direito (não tem hábito de dar recado); outra traduzirá: - Ele disse mais ou menos assim, - repetindo a mensagem conforme compreendeu; mas a terceira, mais treinada, passará facilmente o conteúdo conforme o recebeu. Então, temos nestes três casos, o médium de transe consciente, semi-consciente e inconsciente.


71. - Quando um médium interrompe o exercício mediúnico por muito tempo, como deve proceder para retornar às suas atividades de intercâmbio espiritual?

Pelo começo.
Quando nos encontramos em qualquer atividade que interrompemos e desejamos retornar, deveremos submeter-nos a uma nova disciplina, a um novo exercício, porque durante esse período ficamos com as nossas possibilidades e reflexos muitos prejudicados. Na mediunidade, porque faltou o exercício, deveremos voltar a fazer parte de um grupo, para sintonizar com todos os membros, após o que voltaremos às atividades mediúnicas na condição de principiantes, até retemperarmos o ânimo e termos condições de sintonia.


72. - O que o médium psicofônico consciente deve fazer para distinguir o pensamento que é do Mentor do que é do seu subconsciente?
No fenômeno psicofônico há uma preponderância da personalidade que se comunica. É muito difícil, no começo saber se está falando de si mesmo ou sob indução. Mas, a idéia é tão dominante que termina por perceber que não é sua. As palavras, sim, serão suas, e vestirão a idéia com vocabulário próprio, mas dar-se-á conta de que aquela idéia não lhe é habitual. Ademais, quando está numa reunião mediúnica e chegam-lhe idéias que não sôo convencionais, é porque vêm de um agente externo. Cabe-lhe abrir-se e acompanhá-las sem interferir.
Por esta razão, a educação mental, através da concentração, nos propicia observar sem pensar. No fenômeno mediúnico o sensitivo é o observador, não é o agente.


73. - Até quando uma mulher em gestação pode permanecer atuando em reuniões mediúnicas? É prejudicial ao feto o labor psicofônico exercido pela mãe?

Os processos da reencarnação, assim como os da psicofonia são muitos distintos. O primeiro permite ao Espírito vincular-se profundamente ao corpo em formação, nutrindo-se, de algum modo, das energias maternais, que contribuem eficazmente para a organização celular do futuro ser. O segundo ocorre através da imantação, perispírito a perispírito, entre o desencarnado e o médium, sem que isso afete o processo reencarnatório em andamento.
Não obstante, quando se tratar de uma gravidez com problemas, é justo que se interrompam quaisquer atividades que lhe agravem o desenvolvimento.
No transcurso de gestações normais, o inconveniente será sempre de natureza fisiológica, a partir do sétimo mês, mais ou menos, quando a postura se torna desagradável e a exigência de um largo período para a mulher permanecer sentada pode tornar-se cansativo.
Os Benfeitores espirituais, com os quais mantenho contato, informam que os médiuns em gestação podem exercer a faculdade normalmente, sem qualquer dano para a gravidez, evitando, porém, quando possível, as comunicações violentas, que a mediunidade disciplinada pela Doutrina Espírita sempre sabe conduzir com equilíbrio.




Assistência

74. - A função do médium e a do doutrinador, nas práticas mediúnicas, são facilmente identificadas. De que forma os outros integrantes de uma reunião mediúnica devem participar? Eles se tornarão um dia médiuns ou doutrinadores?
O capitulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo dá-nos a resposta. No estudo ali realizado, Allan Kardec refere-se à mediunidade como sendo uma certa predisposição orgânica inerente a todas as pessoas, como a faculdade de ver, de falar, de ouvir...
Numa prática mediúnica temos três elementos básicos no plano físico: o doutrinador, o médium(de psicografia, psicofonia ou de outra faculdade qualquer, como a clarividência, clariaudiência) e o assistente, que não é platéia.
A prática mediúnica sempre faz recordar uma sala cirúrgica, onde existem as equipes de cirurgiões, para-médica e de auxiliares. Todos eles em função do paciente, que é o Espírito sofredor.
O trabalho mediúnico pode ter o caráter simultâneo de educação do médium e de desobsessão. De educação, porque somos sempre principiantes; e de desobsessão, porque os Benfeitores espirituais trazem Espíritos perversos, imbuídos de sentimentos maus, perseguidores contumazes para serem doutrinados.
Todos já conhecemos as funções do doutrinador e do médium. Todavia, nem sempre isto acontece quando se trata de assistente, que não sabe como conduzir-se.
Numa sala cirúrgica o assistente é alguém sempre disposto a cooperar com o que seja necessário.
Como todo assistente é um médium em potencial, ele pode dar uma comunicação em qualquer momento, esteja à mesa ou fora dela. A tradição de que as comunicações devem apenas operar-se à mesa está superada. A mesa foi um artifício de que Allan Kardec se utilizou para dar mais comodidade, pois as pessoas apóiam os braços, têm uma postura mais confortável, mais repousante, contudo em qualquer parte onde esteja situada a pessoa na sala mediúnica, pode estar em sintonia para os labores de intercâmbio espiritual.
Anteriormente havia uma tradição equivocada que atribuía a existência de uma primeira e de segunda correntes. São superstições. O importante é o conjunto; e o assistente comum deve ser alguém que participe através da mentalização, da meditação ou mesmo cooperando emocionalmente com o doutrinador, porque nem sempre este é feliz na identificação do móvel da comunicação, no momento de definir se se trata de um Espírito sofredor ou mistificador. na linguagem da perversidade.
Não raro, o doutrinador, fica sindicando, num diálogo ainda não direcionado, para identificar o problema que traz o comunicante e assim conversar com segurança. Além disso, o doutrinador, às vezes, se equivoca, o que é natural e humano. Inicia a doutrinação de uma forma, que não corresponde à necessidade do Espírito, e os Mentores sentem dificuldade em induzi-lo para que haja uma boa recepção. No entanto, um assistente pode identificar perfeitamente o problema. Cabe-lhe, neste caso, concentrar-se, ajudando o doutrinador, enviando mentalmente a mensagem acertada para que ele encontre a diretriz segura na orientação a ser ministrada.
É muito comum, em todos os grupos, por indisciplina mental dos assistentes, quando se trata de Entidade zombeteira ou perversa, fazer-se o jogo do desencarnado, não colaborando com o doutrinador, principalmente quando se trata de discussão que, aliás, deve sempre ser evitada.
Freqüentemente o assistente fica torcendo para que o Espírito perturbado vença a querela e até sente uma certa euforia quando nota o embaraço do orientador. Não se dá conta que, nesse estado mental, entra em sintonia com o Espírito malfazejo, que exterioriza uma radiação capaz de ser absorvida por qualquer pessoa na mesma faixa mental.
Ou seja, o assistente tem um papel preponderante para o êxito do trabalho mediúnico. Se às vezes, o processo das comunicações não está correndo com sucesso, em grande parte a responsabilidade é da equipe auxiliar. São a eficiência e a qualidade do trabalho dessa equipe que sustentam o valor da obra.
Por outro lado, nos trabalhos mediúnicos, o assistente deve aproveitar o momento para meditar, acompanhando as comunicações, ao invés de se deixar envolver pelo cochilo. Realmente, fica monótono o transcorrer de uma prática mediúnica, quando a pessoa não se integra nos detalhes do que ali acontece. Somente assim procedendo consegue o assistente libertar-se do desejo de dormir ou de ser acometido por mal-estar, o que sempre ocorre quando a pessoa não se concentra para acompanhar atentamente as comunicações que estão acontecendo.
Para dinamizar a sua participação, o assistente deve manter-se em atitude oracional para auxiliar o comunicante, penetrando no seu problema, porque isso é de muita relevância. Observa-se com freqüência que alguns embaraços do terapeuta espiritual são decorrência não só do seu despreparo, como também, da falta de cooperação mental do grupo, que não estando sintonizado deixa de oferecer os meios para uma ligação mental com os Mentores e com a Entidade comunicante.
Por fim, todos os assistentes devem manter-se em atitude receptiva, porque a manifestação mediúnica pode irromper a qualquer momento, em qualquer um deles, não necessariamente com caráter obsessivo, mas também inspirativo positivo. Pode surgir uma idéia edificante, um pensamento feliz, e cabe, à pessoa, no momento do silêncio, exteriorizar essa emoção, que pode ser o começo de uma manifestação no desdobramento de faculdades embrionárias.
Desta forma, o assistente deve colaborar positivamente com as suas emissões positivas no transcorrer das comunicações, pois ele é uma espécie de auxiliar de enfermagem na cirurgia mediúnica. Da sua mente devem sair recursos energéticos para o trabalho anestésicos a benefício do paciente desencarnado. A sua participação deve ser ativa e vigilante em todas as atividades ocorridas durante os trabalhos ali desenvolvidos. Suplicando ajuda espiritual, acompanhando e observando os diálogos, ele se transforma numa peça imprescindível na cooperação para o bom êxito das tarefas de intercâmbio espiritual.
Isto posso constatar, muitas vezes, em estado de desdobramento, pois enquanto os Amigos Espirituais escrevem, ou mesmo estando incorporado, acompanho os acontecimentos e anoto o que se passa no transcorrer dos labores.
Quando a prática mediúnica termina e as pessoas fazem perguntas sobre esta ou aquela particularidade, lembro-me perfeitamente da ocorrência, dos vários detalhes, como sejam: os diálogos, as comunicações, as condições das Entidades sofredoras, os Espíritos amigos que estão presentes na reunião, etc.. É a lucidez da mediunidade.


75. - Quando, um dos componentes da prática mediúnica percebe que determinada doutrinação não está sendo bem conduzida, ele pode ou deve interferir? Qual o momento adequado? De que forma?


O ideal será a pessoa ficar colaborando através das vibrações oracionais. Excepcionalmente, a depender do laço de confiança e da humildade do doutrinador, pode-se dizer: "Fulano, você não acha que se aplicássemos tal recurso seria melhor?"
Notando-se qualquer sinal de agastamento, por parte do doutrinador, deve-se imediatamente calar.
Com freqüência ocorre o assistente sintonizar melhor do que aquele que está doutrinando. Isto porque, quando alguém se aproxima do médium que está dando a comunicação, se contamina com as vibrações do Espírito comunicante e aquela irradiação envolvente, quando negativa, leva o doutrinador a entrar num verdadeiro pugilato com o Espírito, em decorrência do envolvimento emocional.
Torna-se difícil para alguém inexperiente manter o tipo de serenidade capaz de impedir esta contaminação.
Por isso não é recomendável que os doutrinadores sejam médiuns atuantes, para que não haja facilidade de assimilação da carga fluídica do comunicante. Ao assimilá-la, deixa-se envolver pelas provocações do Espírito.


Qualidade

76. - Recentemente, Joanna de Ângelis apresentou uma proposta de responsabilidades para o Centro Espírita baseada numa trilogia: Espiritizar, Qualificar e Humanizar. Será possível resumir a proposta do Espírito Amigo?
Esses conceitos foram apresentados, por primeira vez, pelo médium e tribuno baiano Divaldo Pereira Franco, inspirado pela Benfeitora Espiritual, em memorável palestra pública, sendo, mais tarde, colocados em letra de forma num opúsculo intitulado Novos Rumos para o Centro Espírita, publicado pela Livraria Espírita Alvorada Editora.
Preparando a apresentação da tese, Divaldo evoca, na palestra, o lema kardequiano: Trabalho, Solidariedade e Tolerância, lembrando-nos que o Codificador o houvera tomado de empréstimo a Pestalozzi, o grande educador, pai da Escola Nova, quando este afirmara que "o êxito da educação é conseqüência de três elementos indissociáveis: o Trabalho, a Solidariedade e a Perseverança. O último conceito - perseverança - Pestalozzi o escolhe porque entendia que o esforço de educar impõe ao educador as disciplinas da paciência, da determinação de repetir a lição o quanto fosse necessário para fixá-la. E Kardec, ao adaptá-lo para tolerância, pensava certamente numa direção equivalente, pois os convertidos ao Espiritismo viriam das várias correntes do Pensamento e da Religião, com seus limites, possibilidades e idiossincrasias, e iriam precisar de tolerância recíproca para se ajustarem à idéia nova que estariam interessados em construir e a ela vincular-se.
No entendimento de Divaldo, as duas propostas, a de Kardec e a de Pestalozzi, representam um convite à união. Afirma ele: "a solidariedade é o passo que leva de imediato à união... Os espíritas devem-se unir, consoante a recomendação de Jesus, no sentido de formarem um feixe de varas, invencível, pois jamais poderia ser quebrado, enquanto no conjunto formando uma unidade." Kardec há de ter pensado no Centro Espírita como uma célula viva e pulsante, lugar de trabalho (para todos), de solidariedade (entre todos) e de tolerância (para com todos) ou, quem sabe, nesse sentido moderno como tem sido concebido pelos idealistas que vieram depois dele: uma escola, uma oficina, um hospital (de almas) e um templo, simultaneamente, diferente das práticas de alguns distraídos ou equivocados que fazem do Centro Espírita um lugar onde se freqüenta simplesmente para receber benefícios. Esta falsa concepção de um certo modo tem sido estimulada quando se institucionalizam na Casa Espírita as práticas clientelistas, as promessas de curas, o descompromisso para com a participação responsável, além de outras práticas de massificação, dificultadoras do processo de conscientização e de adesão real de quantos se adentram por semelhantes portas, sofrendo a influenciação de tão inoportunos exemplos.
Então o espiritizar, o qualificar e o humanizar constituem um novo lema, filho dos anteriores, não para instituir novidades, mas para resgatar Kardec, a forma como Ele idealizou a Igreja Viva a que Paulo de Tarso se referira, inspirado, que não é de pedra e cal, mas de gente, de irmãos que se devem amar entre si como Ele a todos amou.
Espiritizar, na proposta de Joanna de Ângelis, tem esse sentido de resgate, de atrair a pessoa que apenas freqüenta para que se torne praticante, adotando o Espiritismo e não querendo ser por ele adotado, de permitir-se que o Espiritismo entre nela e não apenas entrar no Espiritismo. Mas, também, espiritizar tem o sentido de viver o Espiritismo como ele é, na sua essência, sem adulterações, modismos, sincretismos, sem adaptações ou concessões a outras correntes de idéias, por mais respeitáveis sejam ou pareçam. Existem propostas muito boas, mas no lugar onde elas estão; se transplantadas para o Espiritismo deperecem, além de asfixiarem o Movimento Espírita.
Divaldo afirma: "Joanna de Ângelis, como muita veemência, teve a oportunidade de nos propor a espiritização de nossa Casa, porque, se o indivíduo vai ao templo budista ali estão as suras do pensamento de Sakia Muni, o grande príncipe Sidartha Gautama. Se vai a uma entidade protestante encontra a presença da Bíblia. Se vai a um culto católico, submete-se aos dogmas da Igreja... Por que a Casa Espírita deverá ser o lugar de ninguém, o recinto no qual tudo é válido, como se fosse o tour de force para que cada qual exiba aquilo que se aprouver...? " A segunda proposta de Joanna de Ângelis é a qualidade, este conceito moderno que é quase uma doutrina, uma metodologia científica para se alcançar resultados exitosos, mas que já fazia parte (como faz) do pensamento espírita, graças à visão grandiosa e notável de Allan Kardec.
Diz Divaldo: - Para que nos tornemos espíritas, deveremos adotar a qualidade de uma pessoa de consciência... buscar a qualificação espírita, e tentar saber realmente o que é o Espiritismo... procurar melhorar as qualidades morais, sociais, familiares, as funcionais e as de trabalhadores da Casa Espírita... - Aliás, essa idéia de competência, em oposição à pressuposição de que a boa-vontade basta, lembra Goethe, o célebre poeta alemão, quando propôs que nada há pior do que a pessoa de boa vontade sem conhecimento, pois atrapalha mais do que ajuda.
A terceira proposta é a humanizar, que representa o sentimento de humanidade, de caridade. É o saber oferecer-se, despersonalizar-se, libertando-se do ego e colocando-se no lugar do outro para o ajudar com prazer, com alegria. Enfim, perceber que tudo o que se faz há de visar o homem, a qualidade de vida, e não aliar-se à filosofia chã dos resultados pelos resultados. O humanizar reflete bem a solidariedade do lema de Kardec, e a tolerância também, que não é convivência, não sacrifica a verdade nem o amor, a nada nem a ninguém.
Encerra brilhantemente a sua proposição com as seguintes palavras: "com esses requisitos eu devo ser bom, nobre, justo, paciente, gentil, e se eu tiver algumas dessas qualidades, já terei o suficiente para ser um homem de bem, embora outras tantas ainda me faltem, mas que eu procurarei conquistar através dos tempos futuros."


77. - E como deveremos aplicar a trilogia de Joanna de Ângelis nas questões da prática mediúnica?

Espiritizar: porque prática mediúnica espírita é para espíritas convictos, integrados na Casa Espírita. Não é para curiosos, amantes de benefícios, apelantes sistemáticos, distraídos em relação à transformação moral, muito menos para os "amadores de comunicações", interessados tão somente em fenômenos. Prática mediúnica espírita é para os verdadeiros espíritas, interessados em Espiritizar-se cada vez mais. Nenhum elitismo, nem preconceito, mas coerência doutrinária, zelo pelo investimento da fé. Nela não comportam: superstições, concessões indébitas ao sincretismo religioso; nada de cânticos, procedimentos importados para relaxar ou concentrar, mas pura e simplesmente os procedimentos espíritas, na sua simplicidade e naturalidade, conforme herdamos das tradições kardequianas e que os bons Espíritos, com o auxílio dos homens, vêm atualizando ao longo dos anos.
Qualificar: sobre este item, basta-nos lembrar o que o Codificador estabeleceu: - "As comunicações de além-túmulo cercam-se de maiores dificuldades do que geralmente se crê: não estão isentas de inconvenientes e perigos para os que não têm a necessária experiência. Sucede o mesmo a quem se mete a fazer manipulações químicas sem conhecer a Química: corre o risco de queimar os dedos" (O que é o Espiritismo) Humanizar: porque se exige do candidato já adepto, além de uma base intelectual, uma preparação emocional para o serviço de cooperação com os Espíritos, trabalho esse que tem por objetivo o homem, a sua transformação moral, e a da humanidade, a sua conversão ao bem, através da crença e do amor.
A falta desses critérios, que aparecem ampliados nesta Obra, tem conduzido ao desastre alguns experimentos mediúnicos, o que, de certo modo, emperra a marcha do Movimento Espírita, na atualidade.
Enquanto a questão da Prática Mediúnica não for equacionada e conscientizada, libertando-a de atavismos e crendices, o Movimento Espírita estará freado em sua marcha, permanecendo vulnerável às críticas, e retardando a obra de implantação do Espiritismo na Terra.


78. - Quais as diretrizes a serem seguidas por uma equipe mediúnica para alcançar um padrão de qualidade ideal em seus trabalhos de intercâmbio espiritual?
A idéia de qualidade, pode-se dizer, nasce com a estruturação do próprio grupo mediúnico, antecedendo as primeiras gestões concretas para organizá-lo. Uma vez iniciado o seu funcionamento, deve-se incorporá-lo à consciência de todos os seus membros, como um dever inalienável.
Consegue-se o intento, quando cada um dos seus integrantes esforça-se para aprimorar-se no exercício da função que desempenha, cabendo ao dirigente definir os padrões inerentes a cada função bem como os parâmetros de avaliação, indicadores desses resultados felizes que se almejam, os quais, cada um se encarregará de verificar em si mesmo e por si mesmo, numa atitude permanente de reflexão e de auto-crítica.
Não deve ser cultivada pela Direção, nem pelo grupo, o hábito de identificar responsáveis ou culpados pela qualidade insatisfatória mas, ao contrário, envidar-se-ão esforços no sentido de resolver os problemas detectados, erradicando-se-lhe as causas através de estudos, encontros, seminários, para troca de experiências e, também, ajustando-se a capacidade de cada membro às expectativas da função que desempenha.
Imprescindível que a equipe não se acostume a conviver com erros ou deficiências, ao invés disso criando mecanismos rápidos para identificá-los e corrigi-los, até atingir-se um estágio mais avançado em que semelhantes falhas sejam evitadas pelas ações preventivas adotadas pelo grupo.


79. - Existem padrões de qualidade inerentes a cada função de que se compõe uma equipe mediúnica e outros, genéricos, inerentes a todas as pessoas do grupo. Fale-nos a respeito destes assuntos?
Sobre esses padrões genéricos relacionados a toda equipe mediúnica, independentemente de função, já nos referimos no primeiro livro da série Projeto Manoel Philomeno de Miranda, intitulado Reuniões Mediúnicas, na sua Segunda Parte.
Poderíamos agora, para melhor entendimento e à guisa de reforço, reuni-los em dois grupos: o primeiro, identificado com o conjunto das qualidades humanas e nele incluiríamos as inerentes à boa moral e à afetividade, que são valores capazes de promover a amizade e a cordialidade, bases essenciais para qualquer labor em equipe que tenha por meta um ideal elevado. O segundo, a consciência dos princípios fundamentais da atividade mediúnica, que são as noções de missão, objetivos e finalidades, conceitos estes que devem estar na mente de todas as pessoas que vivenciam a mediunidade, além da percepção clara dos compromissos que é preciso assumir para o êxito almejado, dentre os quais se incluem a ação no bem, o estudo, a oração, a meditação e outras disciplinas preparatórias.


80. - Pode-se conceituar cada um dos princípios fundamentais da atividade Mediúnica citados na questão anterior?
Missão: tomaríamos, a partir dos ensinos dos Espíritos, como sendo a regeneração da Humanidade através da canalização do pensamento dos Mentores Espirituais, sob o comando de Jesus, no seio das idéias humanas para fecundá-las de modo a promover ou acelerar o crescimento ético-moral das criaturas. Nesse particular, a missão da mediunidade se confunde com a do Espiritismo.
Objetivos: são as três grandes propostas do Codificador: instrução dos encarnados, erradicação da incredulidade e o trabalho terapêutico de aconselhamento aos Espíritos que sofrem e aos que fazem sofrer.
Finalidades: tomamo-las ao pensamento de Manoel Philomeno de Miranda, Espírito, na obra Temas da Vida e da Morte. Para os encarnados são as lições proveitosas que a prática mediúnica proporciona, a melhor compreensão da lei de causa e efeito que o fato mediúnico traz à tona em lições vivas, o exercício da caridade e da fraternidade anônimas entre os membros da prática mediúnica e destes em relação aos desencarnados que não vemos, sensibilizando-nos para ajudar aos que vemos e, por fim, a conquista de amizades entre os Espíritos que se comunicam conosco.
Para os desencarnados é o alívio de seus sofrimentos, para aqueles que não têm condições de sintonizar diretamente com os bons Espíritos, conseguindo-o através dos médiuns e doutrinadores, através do diálogo, do choque fluídico, das cirurgias perispirituais.




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Leia mais

Qualidade na Prática Mediunica (81 ao 86) - Projeto Manoel P. de Miranda


Organização, Médiuns, Doutrinadores


Organização

81. - Privacidade, seleção criteriosa de participantes, ambiente harmonizado exclusivamente reservado para as reuniões mediúnicas ou para atividades afins, e regularidade com a mesma equipe são padrões de qualidade para a prática mediúnica já amplamente justificados na obra Reuniões Mediúnicas de nossa autoria. Que outros padrões de qualidade inerentes à organização das reuniões poderão ser incluídas como indispensáveis?

Reputamos essenciais além dos itens citados dois outros: Adestramento da equipe, que tem conotação diferente de estudo. Este costuma ser teórico, podendo, também, ter uma certa abrangência prática, com simulações, troca de experiências e análises de casos, etc.
Adestrar, todavia, compreende um passo adiante; envolve exercício para as funções a desempenhar, supervisionado por pessoas que possuem experiência comprovada, aliada à competência.
Tem sido muito raro entre as práticas do Movimento Espírita os grupos mais experientes prestarem ajuda aos grupos iniciantes, seja porque os primeiros se fecham, não admitindo presenças de estranhos em suas práticas, com receio da quebra de harmonia, seja porque os segundos se isolam para não darem demonstrações de ignorância ou porque aspiram a descobrir, por si mesmos, o caminho para o auxilio dos Espíritos.
Tem havido exemplos felizes de experiências desse tipo em que os Espíritos formam os seus auxiliares, seguindo com eles o árduo trabalho de suprirem a falta de experiência. De valor incomensurável este adestramento promovido pelo Mundo Espiritual, o qual, todavia, não dispensa os esforços humanos para que se ajudem uns aos outros, pessoas ou grupos, na esfera do cotidiano, agilizando o processo de espiritização das Casas Espíritas e da própria Sociedade.
Espontaneidade das comunicações, que é de relevância inquestionável. Tão importante esse item, que recorremos a um resumo de artigo publicado na revista Presença Espírita, de março/abril de l998, da autoria de um membro da equipe do Projeto Manoel Philomeno de Miranda, com o título: De Ordinário São Eles que nos Dirigem, o qual resumimos e adaptamos:
- Ei-lo:
Com essa expressão fecha-se a questão 459 de O Livro dos Espíritos, a respeito da influência dos desencarnados na vida dos homens.
Pode parecer ao observador apressado que examine a frase superficialmente e fora do seu contexto que as criaturas da Terra não passam de autômatos, desprovidas de lucidez e vontade, vivendo ao sabor do que decidem os Espíritos.
Todavia, é uma evidência inquestionável para os que se interessam pelos temas imortalistas, que há mais intercâmbio entre os homens da Terra e os Espíritos do que se percebe objetivamente. (...) Desloquemos esses comentários para as questões inerentes à prática mediúnica em grupo, conforme vêm sendo realizadas nas Casas Espíritas, as chamadas reuniões mediúnicas. Esses trabalhos de intercâmbio espiritual são realizados em parceria com os bons Espíritos para que possamos aprender e servir.
Esses Espíritos nobres, que nos acolhem e inspiram, jamais podem ser dirigidos por nossa vontade pois deles procede a energia maior, a sabedoria maior, o amor de plenitude, não passando nós de meros aprendizes da "escola da vida" que o amor de Deus entregou aos cuidados deles, instrutores benevolentes e dedicados.(...) Tais comentários visam introduzir uma questão da maior relevância para o Movimento Espírita no que tange à direção e planejamento das Reuniões Mediúnicas de caráter terapêutico. A quem cabe a programação dos Espíritos sofredores que devem ser atendidos através dos médiuns? A eles, os nossos Guias espirituais, como os chamamos, ou a nós, os guiados? Se os guiados programam não deixando qualquer espaço decisório para eles, os sábios e competentes, tal procedimento implica em amarrá-los totalmente (como se fosse possível) e submetê-los ao talante de nossos caprichos e determinações. (...) As nossas reuniões mediúnicas - com as devidas exceções - estão tão cheias de petitórios, a lista de clientes preenchida de modo tão exclusivo pelos agentes e procuradores humanos que os bons Espíritos estão encontrando muita dificuldade em socorrer de fato, ademais porque eles somente o fazem pelo critério do mérito e da oportunidade real com chance de ser aproveitada e valorizada.
Ocorre que essa forte ingerência humana no planejamento e organização das reuniões mediúnicas tem concorrido muitíssimo para que elas percam a qualidade e deixem de cumprir o papel terapêutico para o qual foram criadas.
Temos registrado nos seminários que realizamos alguns problemas relevantes relacionados à questão de que tratamos.
O primeiro deles é a perda gradativa de produtividade em trabalhos práticos antes tidos como eficientes. E as pessoas assim se colocam. - De uns tempos para cá as nossas sessões ficaram desinteressantes, as comunicações diminuíram em quantidade e qualidade e quase mesmo silenciaram.
E nós lhes dizemos: - É a misericórdia Divina agindo para precatar vocês de acontecimentos desagradáveis. Antes silenciar a boca mediúnica do que submetê-la ao trabalho do personalismo e das mistificações.
De outras vezes são médiuns a se queixarem:
- Tudo ia bem comigo, dentro naturalmente da relatividade de minha condição humana. Mas, de repente, me impuseram que trabalhasse mediunicamente atraindo Espíritos vinculados aos encarnados em estado de obsessão evidente e eu não tenho suportado essa carga nem me adaptado a esse método forçado de atuar na mediunidade. Que faço agora?
Pergunta difícil, a que só podemos responder de forma conciliatória para não estimular a indisciplina nem a desagregação.
- Esforce-se para adaptar-se, mas converse com o dirigente propondo adequações que sejam compatíveis com os precipícios doutrinários. Procure encontrar fatores de equilíbrio em você mesmo que prevaleçam em quaisquer circunstâncias, mas não ultrapasse o limite de suas resistências. Sentindo os sinais de desarmonias físicas e emocionais comunique o fato à direção dos trabalhos mediúnicos e não dê campo mental para atendimentos a Espíritos atormentadores.
Permitimo-nos tocar noutro ponto importantíssimo, introduzindo-o através da seguinte questão:
Para que as etapas mediúnicas da desobsessão aconteçam através da psicofonia ou da incorporação do desencarnado infeliz e infelicitador, é necessária a presença dos encarnados afetados pela obsessão, nas reuniões mediúnicas? Alguns defendem a tese de que a proximidade física entre vítima, algozes e socorristas favorece as ligações psíquicas entre os médiuns, agentes diretos do socorro, e com base nesse argumento desconsideram os vários inconvenientes provocados pela presença de pessoas despreparadas e estranhas entre as quais destacamos a perda de privacidade do grupo e as conseqüências disso decorrentes para a harmonização dos pensamentos (ver Influência do Meio, em O Livro dos Médiuns, Cap. XXI) e mais grave ainda, os riscos a que são submetidos os próprios doentes encarnados, despreparados e fragilizados como se encontram, de serem impressionados desfavoravelmente com as ameaças e a linguagem agressiva e chocante dos Espíritos brutalizados e odientos.
Somos favoráveis à idéia de que os bons Espíritos dispõem de recursos muito eficazes para trazer às reuniões mediúnicas as Entidades que desejam socorrer (e os fatos são inúmeros) independentemente de outras providências humanas que não a de estarmos preparados sempre, criando um padrão vibratório de superior qualidade para o Centro Espírita...
Não há necessidade, portanto, de franquear as reuniões aos apelantes do socorro desobsessivo, o que é prejudicial, sem dúvida, nem dificultar o trabalho dos Mentores Espirituais com o rosário de nossos pedidos, quase sempre carregados de preferências injustificáveis e improcedentes...


82. - Há uma tendência natural, no Movimento Espírita, de classificar as práticas mediúnicas de caráter terapêutico em reuniões de educação da mediunidade e reuniões de desobsessão. Como se estrutura cada uma delas?


As reuniões de educação mediúnica, como o próprio nome sugere, são as que agrupam pessoas sem experiência, procedentes tanto dos cursos básicos de Espiritismo como das diversas áreas de atividades estruturadas na Casa Espírita.
Essas reuniões se formam, às vezes, em seqüência aos currículos de estudos sistematizados da Doutrina Espírita, quando o interesse de uma determinada turma de alunos direciona-se para os estudos teórico-práticos específicos sobre mediunidade e o Centro Espírita resolve dar guarida a esse interesse.
Todavia, semelhante modelo de formação de novos grupos mediúnicos - a partir dos de estudo - não é o único. Diversas Casas Espíritas, mesmo quando aproveitam alunos concluintes desses cursos, preferem distribuí-los pelos diversos grupos mediúnicos já existentes enquanto que outros Centros Espíritas só admitem candidatos a partir do corpo de seus trabalhadores, tenham eles feito cursos ou nã
Seja como for, torna-se necessário para quem não estudou o suficiente, que o faça o quanto antes, assumindo o compromisso de se instruir sempre, enquanto os que apenas estudaram - e devem estudar incessantemente porque ninguém está completo - se integrem no trabalho, evitando-se aquela tão velha e indesejável situação do Centro Espírita dividido entre os que apenas freqüentam reuniões mediúnicas e os que participam de modo amplo e diversificado de suas atividades.
Mas, para que ocorra essa maturação e o crescimento dos grupos mediúnicos, é preciso que, desde o início, se faça uma boa seleção, levando-se em conta, entre outras coisas, o valor moral do candidato.
Na fase inicial de vida das reuniões de educação mediúnica costuma-se reservar a maior parte de seu tempo de duração para o estudo das disciplinas teóricas, ficando a parte menor para os exercícios práticos.
Com o passar dos anos e à medida que os potenciais mediúnicos das pessoas vão sendo desvelados, a demanda de Espíritos sofredores atraídos para essas reuniões cresce, tornando-se necessário aumentar o tempo reservado para o intercâmbio espiritual, em detrimento da duração do estudo até o ponto em que o programa teórico informativo se esgota e o experimento passa a ter um caráter normal de reunião mediúnica. A partir daí, a preparação na sala mediúnica deve resumir-se a uma simples leitura, suprimindo-se o estudo, que passa a ser inconveniente por exigir dos participantes uma certa excitação intelectual, comentários, quando o que se quer é levá-los à quietude emocional e ao recolhimento íntimo, favorecedores da passividades mediúnica e da concentração. Isto não significa rejeição ao estudo que deverá ser feito em outra ocasião por iniciativas organizadas pelo grupo ou por autodidatismo.
Adquirida personalidade própria, a reunião mediúnica terá uma longa trajetória a trilhar, durante a qual a equipe irá adquirindo experiência e se capacitando para responsabilidades cada vez maiores.
Conquanto caiba aos dirigentes o recurso de ir injetando nos grupos elementos novos, em substituição aos que se afastam ou são afastados, ou promover permutas de pessoas entre os grupos, sempre objetivando o propósito-fim da lei de sintonia e da qualidade, é de se esperar que cada reunião mediúnica, a partir de seu grupo-base, promova a sua ascensão até o limite possível, de conformidade com o valor médio das possibilidades evolutivas de seus membros.
É nessa trajetória que chegará o momento para passar a se envolver com a desobsessão, primeiramente através de alguns médiuns que se adestraram e se fortaleceram mais rapidamente, depois com a maioria ou com todos.
O momento de começar a desobsessão não se dá por decreto humano. Queremos com isso dizer que não basta que o dirigente encarnado do grupo afirme: "A partir de hoje o nosso grupo será de desobsessão". Se o grupo não estiver maduro e preparado os Mentores não acatarão a vontade dos encarnados, prosseguindo a reunião conforme a capacidade da sua equipe. Havendo insistência dos dirigentes para se autopromoverem provocando atendimento para os quais o grupo não tem suporte, a obsessão se instalará nos médiuns ou então fará enveredar pelo desserviço das mistificações.
Quem examinou a obra de Manoel Philomeno de Miranda, Trilhas da Libertação, há de se lembrar da advertência do Espírito Carneiro de Campos, quando, textualmente, escreve no capítulo intitulado A Luta Prossegue: "O labor de desobsessão é terapia avançada que exige equipes hábeis de pessoas e Espíritos adestrados nas suas realizações, de modo a se conseguir os resultados positivos e esperados. Não raro, candidatos apressados e desaparelhados aventuram-se em tentames públicos e privados de intercâmbio espiritual, desconhecendo as armadilhas e a astúcia dos desencarnados, procurando estabelecer contatos com aqueles aos quais pretendem doutrinar ou impor suas idéias.
Arrogantes uns, ingênuos outros, permitem-se a leviandade de abrir portas mediúnicas a intercâmbio desordenado, na presunção de que se podem fazer respeitados, obedecidos, em grande risco de natureza psíquica." Sobre desobsessão é preciso ainda enfatizar que trata-se de um processo amplo, que envolve não apenas a reunião mediúnica, mas o conjunto das atividades do Centro Espírita, conforme elucidou o trabalho apresentado no 1º Congresso Espírita Brasileiro, outubro de 1999, intitulado "O Centro Espírita e a Desobsessão" do qual extraímos o seguinte e interessante tópico: "O Centro Espírita que se quer dedicar ao mister da desobsessão tem que ser preservado das desarmonias vibratórias geradas pelas mentes de seus participantes. Deve haver nele um clima fraternal preponderante e seus membros devem estar interessados sinceramente na proposta evangélica do amor e da solidariedade entre todos."








Médiuns

83. - As funções de um trabalho mediúnico são específicas?
De relevância o papel de cada um no contexto do grupo que se dedica ao labor mediúnico solidário com finalidades terapêuticas.
Há funções bem definidas que, de um certo modo, correspondem a importantes especializações. André Luiz anotou em Desobsessão, Capítulo 20: "Todos os componentes da equipe assumirão funções específicas." Portanto, constitui-se indicativo de qualidade organizacional a condição de um grupo mediúnico em que cada um está consciente das atribuições inerentes à função que desempenha, sejam o dirigente, os doutrinadores, os médiuns ostensivos, nas suas variadas espécies, e os assistentes-participantes, aqueles que funcionam como auxiliares para a sustentação vibratória do trabalho.
Uma discussão que ainda perdura no Movimento Espírita é a de se saber, ao certo, se um médium ostensivo pode desempenhar as funções de doutrinador. Embora a maioria, hoje, opte para que se respeite a aptidão específica de cada um, vez que outra surgem questionamentos quais o seguinte: - Quando um médium detém os conhecimentos e qualidades inerentes à função de doutrinador e o grupo se vê privado de doutrinadores competentes, por motivos variados, não é preferível contar com o médium ostensivo capaz do que improvisar-se com um doutrinador reconhecidamente deficientes? A solução para este caso é convocar doutrinadores de outros grupos mediúnicos da Casa, em se tratando de uma situação passageira.
Em casos que requeiram uma solução definitiva, os Mentores podem utilizar-se de um médium ostensivo que atenda ao perfil desejado de doutrinador, mas reorientarão a mediunidade desse sensitivo, do transe para a intuição, fazendo-o, todavia, de uma forma duradoura ou definitiva. E somente assim procederão para atender necessidades relevantes, jamais para sustentar a vaidade de tudo querer fazer ou para fomentar improvisações oriundas da desorganização humana, compreensivamente superáveis.


84. - Que padrões de qualidade apontaríamos para o médium se auto-avaliar?
Se compreendermos que a mediunidade transita da insipiência para a automatização, quando o trabalho do sensitivo se caracterizará pela segurança, facilidade e rapidez de entrar em contato com os Espíritos para interpretar os seus pensamentos, perceberemos que esse trabalho depende fundamentalmente da concentração.
Saber concentrar-sem asserenar a mente discursiva, reduzir o fluxo dos pensamentos, interiorizar-se, expandir a aura e encher-se de misericórdia para doar-se, acolhendo nas próprias entranhas a dor dos infelizes ou a doação do amor dos Espíritos nobres a ser repartida entre os necessitados, eis o fanal. Enfermeiro especializado que é, ou mensageiro de esperanças, o médium haverá de compreender a superior importância de promover a disciplina mental e o aquietamento emocional para obter uma boa concentração, de que dependerão os demais parâmetros, tais como facilidade de estabelecer a comunicação, ou seja: mensagem escorreita, fluindo rapidamente, sem repetições e frases entrecortadas, o que depende de uma boa filtragem; a regularidade no exercício, que confere ao médium uma produtividade aceitável sem aqueles silêncios demorados que caracterizam perda de sintonia, por vários motivos a considerar, uns inerentes ao próprio médium e outros ao meio; diversidade de tipo de Espíritos comunicantes, o contrário da mesmice, deficiência que pode ser um indicativo de uma rigidez de personalidade mediúnica que não dá margens à afinidade perispiritual com Espíritos de temperamentos diferentes ao do próprio sensitivo ou a um processo de obsessão simples em instalação.
Naturalmente que, em oposição aos aspectos positivos retrocitados como parâmetros aferidores da qualidade mediúnica, estariam os clássicos obstáculos da mediunidade; os conflitos e dúvidas na feição de agentes congeladores da energia mediúnica; a inibição, oriunda de problemas de personalidade mal resolvidos; o animismo nos seus vários aspectos, desde a centração excessiva do médium em si mesmo, projetando fortemente o passado, aos ruídos de comunicação característicos de medianeiro desarmonizado ou excessivamente voltado para outros interesses incompatíveis com as disciplinas que o exercício mediúnico impõe. Por fim, a mistificação do ego, resultante de processos involuntários de exacerbação nervosa que acompanham o sensitivo desgastado ou mal atendido por um doutrinador inexperiente ou mal sintonizado.
Comporta nestes comentários, algumas sugestões para os médiuns, de ordem prática:
1ª) Aceite o pensamento do Espírito comunicante e deixe que essa idéia o empolgue, para expressá-la com a força de uma convicção. É preciso que o médium aguarde um pouco antes de dar a mensagem para fixar bem a sintonia.
2ª) Concluída a comunicação, retire o seu conteúdo da memória e nunca faça qualquer tipo de comentário sobre detalhes da ocorrência do fenômeno, a fim de que possa desconsiderar-se e, com o tempo, automatizar a sua função.


85. - Todos estes aspectos, que são indicadores do desenvolvimento da aptidão mediúnica, serão percebidos pelo médium, sozinho, sem auxílio de outrem?
Não dizemos propriamente sozinho, mas, por iniciativa pessoal, sim. Cabe-lhe interessar-se por seu desenvolvimento na mediunidade. Isso fará dele um observador atento em relação ao seu próprio e ao trabalho dos outros. E, quando necessário, ele perguntará, buscará opiniões dos mais experientes, conversará com outros médiuns, com os doutrinadores, comparando respostas e informações para formar o seu cabedal de conhecimentos, montar o seu banco de dados. É nesse sentido que o estudo se transformará em oficinas de realizações importantíssimas e eficazes.
O médium, assim, interessado, atrairá a simpatia e a confiança do dirigente e das pessoas mais aptas, que terão prazer em, espontaneamente, procurá-lo para oferecer-lhe orientação e ajuda, porque sabem que encontrarão nele boa-vontade e não o melindre, que é o disfarce mais grosseiro com que se veste o orgulhA mola mestra do sucesso é o interesse, a motivação. O médium haverá de se conscientizar de que a mediunidade é para ele uma honra, uma outorga divina que deverá emulá-lo a uma entrega feliz e prazerosa de si mesmo. O mundo precisa de médiuns entusiasmados, interessados em fazer com que a faculdade neles brilhe como um sol, conscientes de que são, na Terra, os legítimos representantes dos Espíritos de Jesus, diferentemente daqueles que, diante do convite, se tornam apáticos, envergonhados como se a mediunidade neles não coubesse bem, sendo-lhe um transtorno incômodo e pesado.
Para aqueles que assim positivamente se fazem, a autocrítica não pesa nem constrange, antes se torna um caminho para o aprendizado constante e a auto-iluminação.




Doutrinadores

86 - Focalizando agora o doutrinador, quais os padrões de qualidade que deverão guiá-lo no exercício de suas funções?
A primeira consideração a fazer é que o médium doutrinador tem um perfil próprio que o deve caracterizar. E a tônica principal dentro desse perfil deverá ser a racionalidade, que não significa frieza, mas a base onde vai apoiar-se no campo das idéias, para expressar o seu trabalho num clima de segurança e estabilidade emocional capaz de infundir confiança naqueles que atende.
Diferentemente do médium de transe, que tem uma característica emocional muito vibrátil, o doutrinador ou terapeuta espiritual deverá ser emocionalmente menos oscilante, menos excitável, embora amoroso e disponível.
A mediunidade nele se expressará através da assimilação de correntes mentais, sem participação nervosa, através da intuição, a fim de que se ligue aos Espíritos socorristas que os inspiram sem se envolver mediunicamente com os sofredores que se comunicam e com os quais vai dialogar, o que não o impede de passar-lhes a energia dos bons sentimentos, a força da palavra abalizada e gentil, e as diversas terapias que complementam o aconselhamento.
Essa forma especial de ser médium garante-lhe a recepção das intuições enquanto ouve os Espíritos, mesmo racionando para organizar respostas adequadas e coerentes, estímulos e orientações, que passarão sob a forma de reflexões àqueles com quem dialoga.
Como importante se faz em todos os participantes de trabalhos mediúnicos o comportamento moral, no doutrinador essa qualificação se torna vital, essencial, pois como terapeuta espiritual ajudará muito mais com sentimentos do que com raciocínios, sendo a condição moral a única via capaz de estabelecer a sintonia com os Mentores Espirituais e a única força capaz de infundir respeito aos Espíritos rebeldes, ignorantes, primitivos, desarvorados, que são trazidos para receberem as terapias específicas.
Exige-se-lhe, ainda, um largo conhecimento doutrinário e do Evangelho pois que estes serão a fonte supridora de onde emanarão suas orientações.
A posse desses elementos em nível adequado e razoável enseja ao doutrinador alcançar os seguintes tentos, que lhe deverão constituir os indicadores com que avaliará o seu trabalho: Saber ouvir, fruto de uma observação atenta, concentrada, sem as tensões emocionais inquietantes do medo e da ansiedade; ouvir primeiro para depois orientar com segurança; rapidez de percepção, derivada de uma intuição clara, que, não acontecendo, fará perder-se em sindicâncias demoradas que prejudicam o atendimento no seu todo; intervenções oportunas e nas horas certas, resultado da interação das conquistas anteriores; e finalmente o uso das terapias complementares à palavra, tais o passe, a oração, a sonoterapia, a sugestão hipnótica e a regressão de memória, que são procedimentos indispensáveis em determinados momentos, e que deverão ser aplicados em consonância com os Mentores Espirituais, facilmente percebidas se estiver funcionando efetivamente a intuição.
Posturas corporais e psicológicas são ainda padrões de qualidade para o doutrinador pois se refletem nos resultados conforme o teor das mesmas, favorecendo o êxito ou limitando-o.
Postura correta é o doutrinador colocar-se atrás ou ao lado do médium em transe, evitando aproximar o seu rosto do dele, para não invadir o campo de aura do sensitivo, resguardando-o assim de constrangimentos e irritação. Caso o médium esteja falando baixo, o doutrinador pedirá para alterar um pouco mais o tom de voz em vez de se inclinar em demasia sobre seu corpo.
Assume postura incorreta o doutrinador quando se interpõe entre o médium e a pessoa sentada ao lado, colocando a mão sobre a mesa, o que limita os movimentos de ambos, principalmente do médium em transe. Certas posições, como esta, um tanto largadas ou sem aprumo, podem estar refletindo estados psicológicos ou emocionais não muito adequados: displicência, insegurança, cansaço...












Qualidade na prática mediúnica





Fonte: Mensagem recebida em de 2 de março de 2000


Manoel P. de Miranda & Divaldo P. Franco






O exercício saudável da mediunidade exige um conjunto de fatores que, no Centro Espírita, se encontram à disposição dos interessados, desde que o programa aí desenvolvido esteja fundamentado com rigor nos postulados exarados na Codificação kardequiana.
A mediunidade é uma faculdade portadora de intrincados, sutis e complexos mecanismos, que tem muito a ver com o passado do medianeiro, bem como se relaciona com as suas possibilidades de serviço e de integração no programa de iluminação da própria e de outras consciências.
Porta estreita, invariavelmente é instrumento de auto-encontro e de crescimento moral-espiritual, uma ponte por onde transitam os Espíritos que permanecem vinculados àqueles que prosseguem reencarnados nas paisagens terrenas.
Sendo o Centro Espírita a escola educativa e a oficina de trabalho onde o amor e o conhecimento orientam as vidas no rumo da autoconsciência, aí devem estar as possibilidades para que se adquira qualidade na prática mediúnica.
O médium é, essencialmente, um Espírito em prova, resgatando equívocos e débitos que lhe ficaram na retaguarda moral. A presença da faculdade não lhe concede qualquer tipo de privilégio ou destaque na comunidade, não devendo constituir-lhe motivo de orgulho ou de ostentação, antes sendo-lhe um especial instrumento para o ajudar na reparação de dívidas e adquirir o equilíbrio espiritual.
Mesmo quando o fenômeno se lhe apresenta ostensivo, isso não significa destinação para ser missionário de um para outro momento.
O mediunato é adquirido mediante sacrifício pessoal e muita renúncia, trabalho incessante e humildade no desempenho das tarefas que lhe dizem respeito.
A prática mediúnica, por conseqüência, deve ser realizada com seriedade, elevação e siso, seguindo-se, à risca as diretrizes estabelecidas em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec e a contribuição complementar que vem sendo apresentada, após a Codificação, por estudiosos encarnados e pelos Espíritos encarregados de manter a Obra conforme se encontra consolidada na Doutrina Espírita.
Por isso, saudamos, neste trabalho cuidadoso e responsável, rico de informações e de conteúdos bem definidos, portador de valiosa contribuição para auxiliar a prática mediúnica, a ser cada vez mais eficiente, equilibrada e portadora de qualidade.
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Curso de Passes


O Centro de Estudos e Assistência Espiritual-CEAE, localizado no Bairro Parque de Exposição(por trás do Hospital Dia em Picos-PI); promove proximo dia 12/06 um Mini  Curso de Passes e Radiações que será ministrado pela Presidente do Centro Espírita Ildete Leite. Será entregue material didático para melhor aproveitamento do curso bem como almoço para as pessoas que não quiserem se deslocarem para suas residências no horario de meio dia, temdo em vista que o minicurso terá duaração de 8 horas.
Realize sua inscrição nas casas espíritas mais próximas de seu bairro e participe.


Moura Fé
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Como ocorre a Psicografia?



Entenda como ocorre o fenômeno da psicografia, segundo a doutrina espírita

A psicografia é a mediunidade pela qual os espíritos influenciam a pessoa, levando-a a escrever. Os que a possuem são denominados médiuns escreventes ou psicógrafos.
Uma das vantagens da psicografia é ser o mais simples, cômodo e, sobretudo, completo de todos os meios de comunicação. Outra vantagem é que não pode ser alterada e não fica na dependência da memória ou da interpretação dos participantes da reunião (como no caso da mensagem oral). Além disso, a análise e a crítica às mensagens se torna mais fácil, permitindo um estudo acurado da mensagem quanto ao estilo, ao conteúdo e às idéias. Pode ainda ser comparada com outras ditadas anteriormente pelo mesmo espírito.


Fluido Vital
O fluido vital ou eletricidade biológica, como é classificada pela medicina acadêmica, escoa-se facilmente pelo corpo humano através da rede nervosa, principalmente pelas pontas dos dedos e cabelos, na forma de energia dinâmica em dispersão ou "fuga" pelas pontas.
Os plexos nervosos são fontes de fluido vital armazenado, constituindo-se de reservas energéticas que, a qualquer momento, transformam-se em energia dinâmica, fazendo a conexão dos orgãos físicos e as suas respectivas contrapartes ou matizes situadas no perispírito, que são extremamente sensíveis à atuação de espíritos desencarnados. Quando o médium conserva maior potencial de carga magnética em torno dos plexos nervosos, ele também oferece melhor ensejo para os desencarnados acionarem os seus nervos motores e, assim, identificarem-se mais facilmente por suas características individuais.
O médium mecânico é mais apropriado para identificação dos desencarnados, pois a seiva magnética que acumula nos plexos nervosos transforma-se em alavanca eficiente para os desencarnados comandarem os nervos motores dos braços e, desta maneira, exporem fielmente suas idéias e escreverem de forma idêntica à que usavam em sua vida física.
Mas o médium semi-mecânico vê-se obrigado a preencher intuitivamente todos os truncamentos ou vazios de suas comunicações, motivo pelo qual ele tem consciência perfeita de quase tudo o que escreve, embora o faça de modo semi-mecânico.
Quando lhe desaparecem os impulsos da mão na escrita mecânica, ele prossegue o comunicado passando a "ouvir" intuitivamente seus comunicantes, que ora escrevem diretamente, ora o fazem pelo ajuste perispiritual.

Classificação da psicografia
Conforme a mecânica do processo mediúnico, os médiuns psicógrafos podem ser classificados em três tipos: intuitivo, semi-mecânico e mecânico.

Intuitivo
Representando 70% dos médiuns psicógrafos, o médium intuitivo não abandona o corpo físico no momento em que escreve as mensagens dos espíritos. Neste caso, o espírito não atua sobre a mão para movê-la, atua sobre a alma do médium, identificando-se com ela e lhe transmitindo suas idéias e vontades. O médium as capta e, voluntariamente, escreve.
Portanto, tem conhecimento antecipado, mas o que escreve não é seu. Age como um intérprete que, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele e traduzi-lo. O pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. No início, o médium confunde com seu próprio pensamento e as mensagens, às vezes, extrapolam o conhecimento do médium.

Semi-mecânico
Os médiuns semi-mecânicos, que representam 28% dos médiuns psicógrafos, também não abandonam o corpo físico ao escreverem as mensagens. O espírito atua sobre a mão do médium, que não perde o controle desta, mas recebe uma espécie de impulsão.
O médium participa tanto da mediunidade mecânica como da intuitiva, pois escreve recebendo parte do pensamento dos espíritos pela comunicação e contato perispiritual, ao mesmo tempo em que outra parte é articulada pelos comunicantes, independentemente de sua vontade.
Os semi-mecânicos têm consciência do que escrevem à medida que as palavras vão sendo escritas. O médium tem um conhecimento parcial daquilo que lhe atravessa o cérebro perispiritual, mas passa a ignorar os trechos que lhe são escritos mecanicamente, sem fluir pelo cérebro físico.

Mecânico
Caso raro entre os médiuns psicógrafos (2%), os médiuns mecânicos, a exemplo dos outros dois tipos, não abandonam o corpo físico no momento de escrever as mensagens. O espírito desencarnado atua sobre gânglios nervosos à altura do omoplata e, dessa forma, age diretamente sobre a mão do médium, impulsionando-a. Esse impulso independe da vontade do médium, ou seja, enquanto o espírito tem alguma coisa a escrever, movimenta a mão do médium sem interrupção.
Certos médiuns mecânicos chegam a trabalhar com ambas as mãos ao mesmo tempo e sob a ação simultânea de duas entidades. E em condições excepcionais, o médium ainda pode palestrar com os presentes sobre assunto completamente diferente do que psicografa. Nesse caso, o espírito comunicante consegue escrever na forma que era peculiar na vida física.
O médium mecânico não sabe o que sua mão escreve. Somente depois, ao ler, é que ele vai tomar conhecimento da mensagem. A escrita mecânica costuma ser célere, muito rápida.


Mecanismo mediúnico da psicografia
O mentor espiritual responsável pela preparação do fenômeno da psicografia aproxima-se do médium e lhe aplica forças magnéticas sobre seu chacra coronário, que sensibiliza e ativa a glândula pineal, fazendo-a produzir um hormônio chamado melatonina. A melatonina interage com os neurônios, tendo um efeito sedativo. Em seguida, a melatonina é direcionada para a parte do córtex cerebral responsável pela coordenação motora, que vai ficar sob seu efeito, ou seja, sedada. Assim, o médium perde o comando sobre os órgãos da coordenação motora, permitindo que outro espírito se ligue a este sistema sensitivo e o utilize.
Depois, os espíritos auxiliares aproximam o espírito que irá se manifestar pela psicografia e fazem a ligação perispiritual aos órgãos sensoriais do movimento dos braços do médium, através do chacra Umeral. O espírito comunicante temporariamente se apossa dos gânglios nervosos à altura do omoplata do médium, apropriando-se de seu mundo sensitivo e conseguindo se expressar pela escrita.

Médiuns polígrafos
Incluem-se nesta forma de mediunidade os casos de poligrafia, que é o chamado dom de mudar a escrita conforme o espírito que se comunica ou a reprodução da escrita que o espírito tinha em vida. O primeiro tipo de fenômeno é mais comum, enquanto que o segundo, a identidade da escrita, é mais raro.

Médiuns iletrados
Incluem-se nesta forma de mediunidade os médiuns que escrevem sem saber ler nem escrever no estado normal, mas que escrevem fluentemente quando em transe mediúnico. Esse tipo de médium é mais raro que os demais, porque há maior dificuldade material a vencer.

Médiuns poliglotas ou xenoglotas
Nesta forma de mediunidade incluem-se os casos de xenoglossia, o chamado dom das línguas (xeno = estranha; glota/glossia = língua), tão interessantes e convincentes para os incrédulos.
Os médiuns poliglotas ou xenoglotas são os que têm a faculdade de falar ou escrever em línguas que lhe são desconhecidas ou até mesmo em dialetos já extintos no mundo. Também são casos muito raros de existirem.

Diretrizes de segurança
Os médiuns tem o dever de coibir o excesso de distúrbios da entidade comunicante. Devem controlar o espírito que se comunica para que este lhe respeite a instrumentalidade, mesmo porque o espírito não entra no médium. A comunicação é sempre através do perispírito, que vai ceder campo ao desencamado. Todavia, a diretriz é do encarnado.
O médium deverá se ajustar ao esforço de vivenciar as lições evangélicas e se ater ao estudo, ao trabalho e à abnegação ao semelhante.
Mesmo médiuns inconscientes tem co-participação no fenômeno mediúnico. Ao mesmo tempo, exercem a fiscalização e o controle, coibindo, quando devidamente educado, quaisquer abusos.
Para que um médium se torne seguro, um instrumento confiável, é necessário que evolua moral e intelectualmente, na razão que exercita sua faculdade. Neófitos atraidos para a prática mediúnica ansiosos pelos fenômenos e os médiuns invigilantes respondem pelos desequilíbrios das manifestações mediúnicas.

Edvaldo Kulcheski


O artigo e a imagem foram publicados na Revista Cristã de Espiritismo, edição especial 01
http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=46&Itemid=25
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Eutanásia




De origem grega, a palavra “eutanásia” é formada pela junção dos termos “eu” (bom) e “tanathos” (morte), podendo ser entendida tanto como um desencarne sereno, sem sofrimento, como uma prática sem amparo legal, através da qual se busca abreviar a vida de um doente reconhecidamente incurável sem qualquer tipo de dor.
Na realidade, trata-se de uma ação homicida cometida por um médico, um leigo (normalmente alguém da família do paciente) ou um julgador que possui o poder de decidir sobre a sobrevivência do enfermo.
A eutanásia pode ser positiva, quando geralmente se coloca fim à vida do paciente pela aplicação de fármacos, ou negativa, quando os meios ordinários indispensáveis para a manutenção vital são omitidos, bem como ocorrer de forma voluntária, o chamado “suicídio assistido”, praticado freqüentemente por um médico a pedido do paciente, ou involuntária, quando este não é consultado, não se pronuncia (às vezes, por ser incapaz de fazê-lo) ou nem mesmo a deseja. Há ainda a eutanásia eugenética, na qual se elimina toda vida considerada sem valor. Na Grécia antiga, por exemplo, a hegemonia espartana, sempre armada para guerras e destruições, inseriu em seu estatuto o emprego legal desse tipo de ação com enfermos, mutilados e psicopatas considerados inúteis.
Em virtude de toda a sua complexidade, a questão da eutanásia é debatida no mundo inteiro. A maioria dos países é contra sua prática, punindo aqueles que agem mesmo em situação humanitária, abreviando o sofrimento indesejado de um enfermo. Também as religiões se mostram contrárias a ela, por acreditarem que apenas Deus dá a vida e pode tirá-la. No livro Após a Tempestade, Joanna de Ângelis define a eutanásia como algo puramente material. “É uma prática nefanda que testemunha a predominância do conceito materialista sobre a vida, que vê apenas a matéria e suas implicações imediatas em detrimento das realidades espirituais, refletindo também a soberania do primitivismo animal na constituição emocional do homem”, afirma.
Já aqueles que são favoráveis à eutanásia dizem agir em nome do paciente em fase terminal, caracterizado por um quadro clínico irreversível, horríveis dores e sofrimentos, dando a impressão de que somente a morte é o caminho para livrá-lo de seu padecimento. O argumento dos utilitaristas é que um paciente em fase terminal custa muito caro para o governo e que esse dinheiro poderia ser destinado para curar pessoas com possibilidades de retorno à vida normal. Mas o que é caro para o Estado? Na verdade, nos dias de hoje, esse tipo de argumento não se sustenta diante do uso indevido dos recursos por parte do poder público, desviando-os para fins particulares ou gerando escândalos e mais escândalos.
Na sociedade em que vivemos, temos responsabilidades com nossos semelhantes. Portanto, cabe ao Estado a responsabilidade pela administração do dinheiro público e a conseqüente má gestão dele, não aos cidadãos, pois a péssima utilização dos recursos recai sobre as pessoas que pagam com a vida a prática de atos indignos por parte de outras. Negar um tratamento digno ao doente terminal devido à escassez de recursos em favor de pesquisas para salvar vidas é uma incoerência diante da realidade.

Valorização da vida
Em um artigo publicado em 1999 no jornal National Post, da cidade de Toronto, Canadá, Mark Pickup, paciente crônico de esclerose múltipla progressiva há 15 anos, mostrou toda a sua preocupação com a baixa estima que deficientes têm por parte de seus concidadãos. Segundo seu relato, quando soube das conseqüências de sua doença, ou seja, que sua visão se debilitaria, pernas e braços se atrofiariam, a capacidade de falar seria perdida, teria incontinência urinária, experimentaria um contínuo esgotamento, sofreria períodos em que a capacidade de pensar seria obscurecida e não poderia confiar em suas opiniões, concluiu que não teria qualidade de vida nessa existência, somente terror.
“Nos primeiros dias, meses e anos de minha doença, minha família me apoiou. Para eles, eu era valioso, inclusive quando eu mesmo duvidava disso. Se não tivessem agido dessa forma, eu poderia ter agradecido a visita de Jack Kevorkian. Se alguém me dissesse que minha carreira terminaria aos 37 anos, eu me desesperaria, como de fato aconteceu quando chegou o momento. Felizmente, muitos destes sintomas aterrorizantes diminuiram, agora me movimento com muletas e disponho de um veículo adaptado para as minhas necessidades. Não trabalho há nove anos, mas minha vida tem qualidade. Para quê? Para amar, ser amado, valorizado e acreditar que posso contribuir com algo para a comunidade”, explicou.
A história de Mark Pickup demonstra que ele valoriza a vida, vencendo os obstáculos que lhe são colocados no caminho e seguindo sua caminhada evolutiva através dos espinhos. Felizmente, esta é uma atitude corajosa, pois abreviar as dores por meio de uma morte “digna” não contribui para o crescimento espiritual. “Na sociedade, existe uma corrente subterrânea de hostilidade contra a vida humana imperfeita”, disse Pickup em seu artigo, perguntando mais adiante: “Aceita a eutanásia, o que o doente incurável ou incapacitado pode esperar”?
No Canadá, existe uma política de duas medidas, ou seja, uma pessoa que tem uma tendência suicida recebe toda a ajuda necessária, inclusive tratamento psiquiátrico, até que a crise passe, a fim de melhorar sua auto-estima para viver com dignidade, mas quando se trata de um doente incurável ou um deficiente, a discussão é em torno da “morte digna”, da liberdade de escolher o próprio fim. Em seu artigo, após indagar sobre a razão dessa diferença, Mark Pickup afirmou ser valioso “tanto quanto a pessoa sadia que deseja se suicidar, mesmo que não me valorize ou deixe de ser amado pelos outros”.
Já no Brasil, há poucos hospitais e associações cujo objetivo é oferecer o apoio necessário tanto para o doente terminal como aos seus familiares, a fim de que possam lidar melhor com a morte. Na verdade, trata-se de um procedimento paliativo, no qual o paciente recebe a ajuda de psicólogos, médicos, enfermeiros e assistentes sociais.

A reação dos pacientes terminais
O comportamento de uma pessoa que recebe a notícia de uma doença fatal é bastante imprevisível. Sabe-se que a primeira coisa que vem à mente dela é o torpor pela morte, o medo toma conta, começando a indagar a Deus coisas como “por que eu”? A família sofre, mas deve continuar firme ao lado do enfermo, pois como explica Joanna de Ângelis em Após a Tempestade, “as pessoas que se vinculam a eles na condição de pais, cônjuges, irmãos ou amigos também são partícipes dos dramas e tragédias do passado, responsáveis diretos ou inconscientes que ora se reabilitam, devendo lhes estender mãos generosas, auxílio fraterno ou, ao menos, migalhas de amor”.
As várias pesquisas realizadas com pacientes em estado terminal revelam dados interessantes, como, por exemplo, o fato da maioria deles admitir a possibilidade de existir vida após a morte. Outro ponto relevante é que muitas pessoas nesse estado se sentem culpadas ou com remorso por deixarem algum assunto mal resolvido ou não terem se reconciliado com quem se desentenderam.
Em seu livro Sobre a Morte e o Morrer, a psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross explica que os pacientes próximos do desencarne passam por cinco estágios. O primeiro é o da negação, quando não aceitam a idéia de morrer, passam a ignorar o diagnóstico médico e tentam manter sua vida normal. No segundo, quando se confirma a doença, passam a ter raiva de Deus e de todos, vindo a pergunta de sempre (por que eu?), além de passarem a ter inveja de pessoas sadias e reclamarem dos familiares que não os consideram. Depois, vem o estágio da barganha, quando começam a fazer promessas para Deus com o intuito de obter a cura, fase na qual seus espíritos estão mais tranqüilos e amistosos com os que lhes cercam. No quarto estágio, vem a depressão, muitas vezes, coincidente com o agravamento do estado de saúde ou a frustração com um novo tratamento.  Por fim, vem a aceitação, quando, fisicamente debilitados, os pacientes se isolam, aceitam a idéia do fim e sentem remorso pelo que deixaram de fazer, tendo a sensação de derrota e impotência apesar de estarem mais saudáveis emocionalmente. A luta pela vida cessou e deu lugar à resignação.
Diante dessa realidade, abre-se espaço para o surgimento de pessoas como o médico norte-americano Jack Kevorkian, que responde pelo falecimento de 130 pacientes terminais. Em 1989, ele criou o primeiro aparelho para praticar a morte rápida, batizado de Tanatron, palavra originária do grego que significa “máquina da morte”. Com ele, aplicam-se doses altíssimas de analgésicos, seguidas por fortes dosagens de relaxantes musculares e soluções de potássio, que interrompem o funcionamento do sistema cardiorrespiratório. O processo era indolor e a máquina deixava o médico em posição cômoda, pois eram os próprios pacientes que abriam a válvula para injetar os medicamentos mortais.
Em 1998, Kevorkian operou os instrumentos da morte para Thomas Youk, que tinha 52 anos e sofria de um tipo de esclerose conhecida como Mal de Lou Gehrig, depois que ele assinou uma declaração formal na qual dizia que não desejava mais viver. Sua morte foi filmada pelo médico e mostrada nos Estados Unidos pela rede de televisão CBS, imagens que, depois, serviram de base para as autoridades judiciais do estado de Michigan abrirem um processo por homicídio, o quinto no país desde 1990, contra o “Doutor Morte”, como Kevorkian era conhecido. Julgado, foi condenado a cumprir 25 anos de prisão na penitenciária de Pontiac.

Impossibilidade reversível
Entretanto, não se pode esquecer que o mundo dá voltas e o que parece impossível hoje torna-se perfeitamente factível amanhã. “No que tange aos enfermos ditos irrecuperáveis, convém considerar que doenças ontem detestáveis e incuráveis são hoje um capítulo superado pelo triunfo de homens-sacerdotes da ciência médica, que a enobrecem pelo contributo que suas vidas oferecem para o benefício da humanidade. Sempre há, pois, a possibilidade de amanhã se conseguir a vitória sobre a enfermidade irreversível de hoje”, explica Joanna de Ângelis.
Segundo ela, espíritos missionários reencarnam diariamente com esse objetivo, impulsionando o progresso, descobertas e conquistas superiores para a vida e se tornando uma poderosa fonte de esperança e conforto para todos aqueles que sofrem com suas enfermidades. E acrescenta: “Portanto, cada minuto em qualquer vida é precioso para o espírito em resgate abençoado. Quantas resoluções nobres, decisões felizes ou atitudes desditosas ocorrem em um simples relance, um instante”? Temos aqui considerações importantes, que abrem a possibilidade de refletirmos melhor sobre as reais necessidades de aplicação da eutanásia em pacientes terminais e as posteriores implicações desse ato.

Marco Tulio Michalik 
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 20.
http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=294&Itemid=25
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Os Espíritos não resolvem seus problemas


Muita gente procura o centro espírita em busca de uma conversa direta com os guias espirituais. Talvez acreditem que, se tiverem oportunidade de conversar, chorar suas mágoas e defender suas idéias de autopiedade, os espíritos se mobilizarão para auxiliá-los e destrinchar suas dificuldades com toda a urgência e facilidade. Meu Deus, como muitos amigos(as) estão equivocados! Espírito nenhum resolve problemas de ninguém. Esse definitivamente não é o objetivo nem o papel dos espíritos, meu filho(a). Se porventura você está em busca de uma solução simples e repentina para seus dramas e desafios, saiba que os espíritos desconhecem quimera capaz de cumprir esse intento.
         No espiritismo, não se traz o amor de volta; ensina-se a amar mais e valorizar a vida, os sentimentos e as emoções, sem pretender controlar os sentimentos alheios ou transformar o outro em fantoche de nossas emoções desajustadas.
         Os espíritos não estão aí para “desmanchar trabalhos” ou feitiçarias; é dever de cada um renovar os próprios pensamentos, procurar auxílio terapêutico para educar as emoções e aprender a viver com maior qualidade.
         Até o momento, não encontramos uma varinha mágica ou uma lâmpada maravilhosa com um gênio que possa satisfazer anseios e desejos, resolvendo as questões de meus filhos(as). O máximo que podemos fazer é apontar certos caminhos e incentivar meus filhos(as) a caminhar e desenvolver, seguindo a rota do amor.
         Não adianta falar com as entidades e os guias ou procurar o auxílio dos orixás, como muitos acreditam, pois tanto a solução como a gênese de todos os problemas está dentro de você, meu filho. Ao menos no espiritismo, a função dos espíritos é maior do que satisfazer caprichos e necessidades imediatas daqueles que concentram sua visão nas coisas do mundo. Não podemos perder nosso tempo com lamentações intermináveis nem com pranto que não produza renovação. Nosso campo de trabalho é a intimidade do ser humano, e a cientização de sua capacidade de trabalhar e investir no lado bom de todas as coisas. Nada mais.
         Tem gente por aí se deixando levar pelas aparências de espiritualidade. A grande multidão ainda não despertou para as verdades espirituais e acha-se com os sentidos embriagados e as crenças arraigadas em formas mesquinhas e irreais de viver a vida espiritual. Persegue soluções que lhe sejam favoráveis, e, em geral, tais soluções dizem respeito a questões emocionais ou materiais que meus filhos(as) não se sentiram capazes de superar. Ah! Como se enganam quanto à realidade do espírito.
         O aprendizado da vida é longo, amplo e exige um esforço mental de tais proporções que não torna fácil romper com os velhos hábitos de barganhas espirituais aprendidos com as religiões do passado.
         Fazem-se promessas, cumprem-se rituais na esperança de que os espíritos ou Deus concedam-lhes um favor qualquer em troca de seus esforços externos, que presumem sobrepor-se aos valores internos. Pensamentos assim resultam de uma educação religiosa deficiente e advêm de hábitos seculares que perduram nos dias atuais e carecem de uma análise mais profunda. Os indivíduos que agem com base nessas premissas evitam reconhecer sua responsabilidade nos acontecimentos que os atingem e pensam enganar a Deus com seu jeito leviano e irresponsável de tratar as questões espirituais. Fatalmente se decepcionam ao constatar que aquilo que queriam não se realizou e que as focas sublimes da vida não se dobraram aos seus caprichos pessoais.
         Os problemas apresentados pela vida têm endereço certo, e não há como transferi-los para os espíritos resolverem. Se determinada luta ou dificuldade chega até você, compete a você vencê-la. Na sede de se livrar do processo educativo ministrado pela vida, meus filhos(as) esperam que , os espíritos, possam  isentá-los de seus desafios. Isso é irreal. Não detem o poder de transferir de endereço a receita de reeducação que vem para cada um. Nenhum espírito minimamente esclarecido poderá prometer esse tipo de coisa sem comprometer o aprendizado individual. Foram chamados pelo Pai para auxiliar meus filhos(as) apontando o caminho ou a direção mais provável para alcançarem êxito na construção de sua felicidade.
         Vejam como exemplo a atuação do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo matando a sede e a fome de multidões, ele não arranjou emprego para ninguém. Curou e restabeleceu a saúde de muitos que nele acreditaram, mas não libertou ninguém das conseqüências de seus atos e escolhas. Sabendo das dificuldades sociais da época, não tentou resolver questões que somente poderiam ser transpostas com o tempo e o amadurecimento daquele povo. Em momento algum o vimos a prescrever fórmulas para dar fim a desavenças de ordem familiar, socioeconômica nem tampouco emocional, recomendando meios de trazer o marido de volta ou fazer a pessoa amada retornar aos braços de quem deseja. Uma vez que ele é o Senhor de todos os espíritos e não promoveu coisas nesse nível, como podemos nós, seus seguidores, sequer cogitar realizá-las?
         O que podemos deduzir das atitudes de Nosso Senhor, meus filhos(as), é que, se ele não se dispôs a realizar tais demandas, que na época certamente existiam, é porque a natureza de seu trabalho era outra. Mesmo debelando os males, prestando o socorro que podia, ele não eximiu a população de enfrentar seus desafios. Quem recebeu o pão voltou a ter fome e inevitavelmente teve de trabalhar para suprir as próprias necessidades; quem foi curado teve de aprender a valorizar a própria vida, pois outras enfermidades viriam mais tarde; quem Jesus ressuscitou dos mortos desencarnou mais adiante. Em suma, o processo de reeducação a que conduzem os embates da vida é tarefa de cada um. Cristo Nosso Senhor apenas indicou a direção, mas cabe a cada seguidor palmilhar o caminho com suas próprias pernas, avançando com passos seguros e resolutos em seu aprendizado.
         Através desse raciocínio, meu filho(a), você poderá compreender a razão pela qual não há proveito em recorrer aos espíritos para livrá-lo do sofrimento ou isentá-lo de dificuldades. Esse é o caminho do crescimento na Terra, e não há como fugir às próprias responsabilidades ou transferir o destino das tribulações. A dívida acorda sempre com o devedor, não há como se furtar a essa realidade.

Capítulo do livro Pai João pelo médium Robsom Pinheiro, da Casa dos Espíritos Editora. (livro Alforria reeditado)
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