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João Batista, Elias e o Espírito de Verdade



“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes do céu, como um imenso exército que se movimenta desde que dele recebeu a voz de comando, espalham-se sobre a superfície da Terra; semelhantes às estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos...dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”.



João Batista foi o anunciador do Messias às margens do rio Jordão e por suas palavras de fogo foi pronunciada a grande oportunidade e advertência de salvação: “Eis o Cordeiro que tira os pecados do mundo”. Naquela época a nossa humanidade já estava moralmente falida no vencido ciclo civilizatório greco-romano e, segundo os historiadores astrólogos, ingressava na Era de Peixes, polarizada com Virgem, signos de cujas simbologias os cristãos extrairiam seus emblemas máximos de regeneração em uma nova etapa humana: o de pescadores de almas; e da Virgem Maria, responsável pela tônica de pureza de coração, brandura, humildade e compaixão. 



Primo em segundo grau de Jesus, João Batista trazia em si o Espírito de Verdade que existiu no profeta Elias e que foi identificado no célebre episódio da Transfiguração. Essa revelação de Jesus, da sua a condição de Cristo, acompanhado de Elias e Moisés), foi testemunhada somente pelos discípulos Pedro, João e Tiago, a quem Jesus pediu segredo sobre o que viram e ouviram. Os demais, ainda espiritualmente imaturos diante da Verdade, ficariam extremamente apavorados com desdobramentos da inesquecível cena do Tabor, porém não tão abalados, perplexos e impressionados como ficaria Pedro. Ali estava acontecendo um encontro histórico da tradição messiânica e seus profundos efeitos no futuro. O Espírito de Verdade contido em João Batista deveria preparar o terreno para a semeadura do Evangelho e iniciar Jesus na sua tarefa pública de três anos, na qual as coisas testemunhadas pelos seus ouvintes deveriam mudar da água para vinho no seu aspecto externo; e internamente da lama para água desta para a luz. Também nas instruções que faria aos discípulos, pouco antes de partir, Jesus lembra que o Espírito de Verdade, tal como Elias e João Batista, vai anunciar a seu retorno pela promessa do Paracleto ou Consolador, por meio da lembrança e retomada dos seus ensinamentos que seriam esquecidos e desviados nos séculos seguintes.

A autoridade espiritual de João Batista esteve, portanto, nos principais momentos da revelação da Verdade messiânica: na luta de Elias contra os reis e profetas de Baal, que pretendiam a destruição da fé em Israel; no batismo de Jesus no rio Jordão; no renovado combate de fé contra a realeza corrupta e contra o paganismo romano; e finalmente no Paradoxo da revelação espírita comandada pelo próprio Espírito de Verdade no século XIX. 

Como todos os profetas de Israel, João Batista se mostra como um ser “misantropo e sombrio” ou “radical socialista” (Will Durant, Nossa Herança Oriental), crítico do sistema social e do mau comportamento dos sacerdotes e dirigentes políticos. Por isso João Batista em tudo lembra Elias e também os seus antigos adversários. O rei Acab e a rainha Jezebel, agora são representados por Herodes e Herodíades, adoradores de Baal, usurpadores do trono e da riqueza alheia. Imorais, criminosos e violentos, essas duas almas delinquentes voltariam a representar no final do século XVIII como Luiz XVI e Maria Antonieta, o rei indeciso e imprevidente; e a rainha de origem austríaca, muito dada ao luxo, sempre repudiados xingados pela plebe. Esses antigos ladrões de vinhas, caluniadores e assassinos de Nabote, já haviam sido cruelmente mortos, conforme havia sido vaticinado por Elias- e seu sangue lambido por cães. Na França revolucionária, sob a acusação de alta traição, a velha e viciada representação monárquica perderia o trono, inúmeras videiras e principalmente suas cabeças, sendo também seu sangue lambido pelos cães atraídos pelo cheiro da morte na guilhotina. A mesma revolução que daria fim aos abusos do clero e da nobreza permitindo a manifestação do Paracleto na Europa e no recém liberto mundo colonial americano.
Pinturas de São João Batista: Anton Raphael Mengs e Pierre Cécile.




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O QUE ENTRA E O QUE SAI DA BOCA: CONTAMINAÇÕES FÍSICAS E ESPIRITUAIS



“O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.” – Mateus 15:11



Esse é, talvez, o versículo mais utilizado pelos religiosos que insistem em dizer que a alimentação à base de corpos de animais não faz mal. Não faz mal à quem? Porque uma vida é tirada para que exista o bife e isso é um mal. E se eu faço o mal à um irmão, eu contamino a mim – fisicamente ou espiritualmente.
Será que estamos buscando entender os ensinamentos de amor ou interpretar a mensagem divina conforme mais conforta o nosso paladar?
Quando você deseja comer carne, você diz: Eu quero a morte de um irmão. É essa a mensagem que sai da sua boca. Essa é a ordem que chega aos matadouros. Isso é o que está no seu coração.
A obra Ícaro Redimido – A vida de Santos Dumont no Plano Espiritual, nos indica uma melhor interpretação do versículo, como segue:
“Contudo, não podemos deixar de entender que existem duas vias para se imputar males a nós mesmos, a via interna e externa. A interna responde pelos danos que procedem de nossas intenções equivocadas, distanciadas do amor, normalmente interpostas pelo ódio. Esta via responde pela totalidade de nossas doenças naturais. A externa é decorrente dos malefícios que introduzimos no organismo, como aqueles oriundos dos diversos vícios a que nos permitimos, inoculando desequilíbrios no nosso delicado mundo fisiológico. Esta via causa mazelas espúrias, verdadeiros acidentes biológicos ou doenças artificiais. Na famosa assertiva evangélica, Jesus se referia ao adoecimento natural, pois o que ingerimos pode nos intoxicar e danificar o corpo físico e perispiritual, mas é incapaz de nos adoecer a alma. O que procede do espírito, em forma de pensamentos, sentimentos e atos inadequados é que nos fere de dentro para fora, representando nossas verdadeiras enfermidades. Portanto, poderíamos completar o ensinamento evangélico, considerando que o que sai da boca nos adoece e o que entra, desde que impróprio a nossa natureza biológica, acidenta-nos o organismo, perturbando-lhe o funcionamento.
Muitos fatores externos que nos prejudicam o equilíbrio orgânico são oriundos de agentes planetários, ditos naturais, como as irradiações nocivas a que estamos sujeitos, ou mesmo aqueles produzidos pela ignorância do homem, embora veiculados pelas suas boas intenções, como por exemplo os pesticidas agrícolas e as substâncias tóxicas do quimismo moderno. Outros são produtos que subitamente nos danificam, mas nos permitimos usar por equivocado deleite ou intenção de fuga da realidade, como o são o álcool, o fumo e outras drogas. Estes, na verdade, refletindo o desleixo pelo nosso bem maior que é o corpo físico, interagem com as intenções doentias de nossa vontade e incorporam-se em nossa intimidade perispiritual, transformando-se em patologias de caráter misto. Assim tudo se explica dentro da Lei de Deus, pois se os prejuízos que imputamos aos outros se revertem contra nós mesmos, os danos que infligimos à própria organização biológica, comprometendo o seu delicado e preciso metabolismo, se incorporam também na Lei cármica, refletindo-nos como prejuízos orgânicos e dores. Não poderia ser de outro modo, pois do contrário não aprenderíamos a valorizar o divino santuário físico, indispensável à aquisição dos bens imorredouros da perfeição.” [Gilson T. Freire/Adamastor, 2002, pág. 409]
Ademais, em outros trechos desta obra e de várias outras de cunho espiritual encontramos rogativas em favor da vida dos animais, da saúde do corpo físico e espiritual, da harmonia planetária com a extinção dos matadouros etc.
“Justo é que o estudioso sincero, crente na sabedoria das leis da vida e ciente de que o amor governa a criação, interrogue os motivos que levam a comportamento tão adulterado, distanciado da bondade que a todos deveria nortear na jornada da vida.” [Gilson T. Freire/Adamastor, 2002, pág. 135]
“A persistência, no entanto, em tais hábitos baseados em ética tão primitiva e tolerada pela Lei  do Amor apenas nos passos iniciais do ser, não se justifica à medida que o espírito cresce, despertando-se para a razão e para o exercício da bondade como normas indispensáveis do viver”. [Gilson T. Freire/Adamastor, 2002, pág. 136]
Que possamos eliminar de nossas mentes a busca de justificativas religiosas para os nossos desejos alimentares equivocados, e fomentar em nossos corações o desejo de auxiliar os nossos irmãos menores em suas jornadas evolutivas. Cuidemos do que contamina o espírito, e com o mesmo amor, cuidemos do que contamina o nosso corpo físico, templo que habita a nossa alma!
Que os nossos pensamentos, as nossas palavras e as nossas ações estejam sempre em harmonia com a lei do amor.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
  • FREIRE, Gilson Teixeira. Ícaro redimido: a vida de Santos Dumont no Plano Espiritual / Gilson Teixeira Freire; inspirado por Adamastor [espírito]. Belo Horizonte: Ediame, 2002.
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MÉDIUNS TRANSVIADOS - Emmanuel




Reunião pública de 21/10/60 Questão nº 220 - Parágrafo 3º
No que se refere aos médiuns abandonados a si próprios, imaginemos vontade nos instrumentos de que se vale o homem na sustentação do progresso.

*
A caneta nobre que se negasse a escrever, com medo de errar, terminaria, decerto, numa carroça de lixo, preterida por algum lápis humilde que prestasse concurso de boa-vontade.
O automóvel distinto que desertasse do trabalho, com a desculpa de preservar-se contra a lama e a poeira, perderia o devotamento do motorista e seria desarticulado por mãos estranhas.
O piano que intentasse desfigurar acordes e melodias afastaria a atenção do musicista, acabando disfarçado em prateleira obscura.
O martelo que se impusesse ao operário, revelando o propósito de menosprezar-lhe a cabeça, seria naturalmente largado à própria sorte, para cair talvez sob o domínio de algum criminoso vulgar.

*
Mediunidade é talento divino para edificar o consolo e a instrução entre os homens.
Os Espíritos benevolentes e sábios convidam as criaturas para colaborarem com eles na obra de esclarecimento e elevação da Humanidade.
Os medianeiros que aderem, renascem no mundo com os característicos da instrumentação ideal.
Algumas vezes, no entanto, em plenitude das forças físicas, os tarefeiros do intercâmbio, enganados por transitórias facilidades materiais, recusam-se ao compromisso assumido.
Instados pelos instrutores da Vida Maior, durante muito tempo, para que se desincumbam dos seus mandatos, afirmam-se com receio da humilhação e da crítica, ou exploram situações, sequiosos de luxo e poder. Os benfeitores espirituais, por fim, renunciam à insistência construtiva, deixando-os entregues a si mesmos.
Então, semelhantes criaturas, que renasceram no corpo terrestre para a função da mediunidade, continuam médiuns, mas só a Lei de Deus sabe como.


Seara dos Médiuns
Emmanuel - Francisco Cândido Xavier




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Atendimento fraterno à família da criança obsidiada



Pais ou responsáveis por uma criança perturbada por influenciação espiritual deletéria (obsessão), ao buscar auxílio no Centro Espírita, podem ser encaminhados ao Atendimento Fraterno. Reunimos notas sobre o atendimento a  essas famílias, a começar pela essência da situação.
O quadro obsessivo. Inclui pelo menos três componentes: um  Espírito multimilenar em corpo de criança, ligado a outrem por compromissos do passado, frequentemente por ato deletério ou acumpliciamento; adultos diretamente responsáveis pela criança; e o Espírito obsessor, que pode ser visto como “o irmão a quem os sofrimentos e desenganos desequilibraram”.1
A situação de obsessão. Segundo explicação do Instrutor Alexandre a André Luiz (Espíritos), uma situação de  obsessão representa
[…] o ato presente do drama multissecular de cada um. [Pois] que obsidiado e obsessor são duas almas a chegarem de muito longe, extremamente ligadas nas perturbações que lhes são peculiares. […]2
Sintomas comuns à criança obsidiada. Perturbações de sono, terror noturno, inquietação, medos específicos e/ou generalizados, depressão, choro e emotividade exacerbada, agressividade, ausências (não explicadas pela ciência  médica). Coexistem em dormência relativa sentimentos de culpa ou remorso, potencialmente propiciadores de conexão  vibratória com o obsessor; medos de represálias ou de aprisionamento; sensação de perigo iminente ou ameaça  constante.
Objetivos da reencarnação da criança. Reeducação e reforma íntima, moral, refletida nos sentimentos e ações, com regeneração, através do amor, de situações e laços anteriormente rompidos ou corrompi dos. Yvonne Pereira assevera que, para o obsidiado, a renovação moral, praticada cotidianamente, é a principal terapêutica, sem a qual ele “jamais deixará de se sentir obsidiado, ainda que o seu primitivo obsessor se regenere”.3 No caso da obsessão infantil, o compromisso de conduzir a criança pelos caminhos da autorrenovação é daqueles que são  responsáveis por ela.
O atendimento fraterno pelo diálogo com os pais
Recomendamos que os pais da criança sejam  recebidos e atendidos conforme orientações do livro: Atendimento fraterno no centro espírita: A terapêutica do  Cristo consolador. 4 O Atendente desenvolverá, dialogando, as funções de acolhimento, consolo e orientação para o  encaminhamento  a família à luz da filosofia e da ética espíritas.
Os contatos com a família necessitada demandam  do Atendente sólida sustentação amorosa derivada de posturas íntimas de aceitação, compreensão profunda,  serenidade, paciência e paz, a refletirem a misericórdia compassiva do Evangelho do Cristo. Essas qualidades  vibratórias envolvem a família em uma psicosfera de confiança na ajuda oferecida, o que fortalece a sua disposição  para realizar as ações recomendadas.
É necessário informar aos responsáveis que o renascimento da criança na família é indicativo do compromisso espiritual de protegê-la, educá-la e encaminhá-la para o reequilíbrio existencial, proporcionando-lhe amor, serenidade e harmonia familiares. Será a família, portanto, a responsável por realizar o trabalho cotidiano de encaminhamento da criança aos princípios espirituais, fundamentais para sua libertação.
Por isso é importante orientar a família a conduzir um programa de reforma íntima segundo os preceitos da doutrina do Cristo, com ênfase na implantação do Evangelho no Lar, na prática de orações e na condução da criança à atividade de Evangelização Infantil, se ela já tiver idade para tanto. Neste sentido, a confreira Suely Schubert nos lembra que
[…] todo trabalho espírita é essencialmente de renovação interior, visando a cura da alma, não a fórmulas imediatistas que adiam a solução final. Infere-se, pois, que o labor desobsessivo à luz da Terceira Revelação tem por escopo a cura das almas, o reajuste dos seres comprometidos e endividados que se deixam enredar nas malhas da obsessão, e  não somente afastar os parceiros, adiando o entendimento e perdão.5
Basilar, portanto, na reforma íntima, será o estudo da doutrina através de frequência a palestras, leituras, cursos de educação doutrinária e reuniões de pais na Casa Espírita. O conhecimento sobre as realidades e responsabilidades da vida maior é poderoso auxílio na tarefa de educação da criança obsidiada. Deve também ser sugerido o engajamento da família em trabalhos de auxílio fraterno aos necessitados, conduzindo-se a criança a essas atividades tão logo ela tenha idade suficiente.
Todo o núcleo familiar deve ser encaminhado à terapêutica espírita por fluidoterapia, cujos recursos – passes e água fluidificada – devem ser ministrados com a maior frequência possível.
Finalmente, todos devem ser orientados a focalizar sua atenção no bem e na proteção divina, evitando-se a ideia de perseguição espiritual, conscientes de que são capazes de vencer os obstáculos erguidos pela ausência do amor. O cultivo da esperança, do otimismo e da certeza do auxílio espiritual em seus esforços de renovação servirão de incentivos importantes para todos os envolvidos.
O ideal é que a família receba atenção continuada, isto é, que possa retornar ao Atendimento Fraterno para acompanhamento de seu progresso no trabalho de autodesobsessão e autoeducação e para receber novas  orientações, quando necessárias.
A criança obsidiada e o trabalho mediúnico de  desobsessão
Segundo o Espírito André Luiz, deve-se “impedir a presença de crianças nas tarefas de desobsessão”.6 Isto é, o trabalho mediúnico de desobsessão com atendimento ao obsessor, deve ser realizado sem a presença da criança.
Crianças saudáveis  geralmente não são perturbadas por eventuais contatos naturais com o mundo espiritual. Já o mesmo não ocorre com a criança obsidiada, dada a sua ligação fluídica deletéria com o obsessor. Por isso mesmo, Allan Kardec alerta quanto aos inconvenientes da exposição prematura de uma criança ao ambiente mediúnico, afirmando que
[…] é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobre-excitação.7
Outro ponto a considerar é que o contato da criança com o obsessor poderá reativar lembranças inconscientes sobre as circunstâncias geradoras do elo obsessivo, proporcionando agravamento de sintomas perturbadores que  deveriam continuar latentes, uma vez que a função mesma da reencarnação é proporcionar oportunidade de refazer caminhos de forma menos sofrida, pelo esquecimento temporário do passado. Por outro lado, se a criança consegue
compreender as expressões do obsessor poderá plasmar em sua consciência de vigília imagens e sentimentos de medo, raiva, revolta ou assemelhados, impressionando-se na posição de vítima ou na postura de luta e rejeição. Esses resultados podem provocar um agravamento da situação obsessiva em contraposição ao propósito de amparar e auxiliar na cura. Neste sentido, André Luiz nos alerta que
[…] cabe-nos recordar que a obra de desobsessão, no  fundo, é libertação das trevas de espírito e não existe libertação sem esquecimento do mal.8
Finalmente,  consideramos que no tratamento da desobsessão os resultados efetivos não são previsíveis, dada a complexidade das possíveis reações, por parte de cada um dos envolvidos. No entanto, se os encarnados conseguirem utilizar seus recursos pessoais na criação de um clima de amor e perdão, exemplificando concretamente sua adesão aos  princípios cristãos e libertando-se para uma vida de paz e solidariedade, crescerão as probabilidades de que, com o tempo, o coração do Espírito infeliz seja tocado e ele se integre na mudança geral. Dessa forma, também o sofredor desencarnado poderá se reconciliar com a vida e se libertar para novas caminhadas evolutivas.
REFERÊNCIAS:
1 SCHUBERT, Suely C. Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e terapêutica espíritas. 2. ed. 9. imp. Brasília: FEB, 2015.
pt. 1, cap. 13.
2 XAVIER, Francisco C. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 45. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 18, p. 308.
3 PEREIRA, Yvonne A. Recordações da mediunidade. 12. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. O complexo obsessão,
it. 8, p. 206. 4
ZAPPONI-MELLO, Neuza. Atendimento fraterno no centro espírita: A terapêutica do Cristo consolador. Brasília:
FEDF, 2015. 5
SCHUBERT, Suely C. Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e terapêutica espíritas. 2. ed. 9. imp. Brasília: FEB, 2015.
cap. 10, p. 74.
6 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 24, it. 5.
7 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 81. ed. 3. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2015. cap. 18.
8 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 62, p. 139.

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Vai e faz do amor a tua obra





Promovida pela Federação Espírita do Mato Grosso do Sul,

 a Confraternização de Juventude Espírita de Mato Grosso 

do Sul foi criada após o Movimento Federativo visualizar a 

necessidade de promover Encontros voltados 

especificamente aos jovens espíritas. “Vai e faz do amor a 

tua obra” é o tema da Confraternização de Juventude 

Espírita de Mato Grosso do Sul que ocorrerá nos dias 25, 26 

e 27 de março..Podem participar jovens de 12 (que farão 13 

anos em 2016) 

a 21 anos como confraternistas. As inscrições encerram-se 

em 7 de março. Informações: www.fems.org.br

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Um Fofoqueiro no Centro





Realizava palestra em determinada cidade do interior de um estado brasileiro qualquer, quando após a apresentação um senhor me procura e narra sua experiência.
“Moço, corria o ano de 1977 e eu labutava num centro espírita aqui da cidade. Nesta casa tínhamos um companheiro complicado, sujeito do vinagre, azedo, sua boca era um veneno só. Falava mal de todos, disseminava a fofoca, enfim, homem terrível de conviver. Mas eis que a vida não manda avisar quando a senhora da foice virá buscar e num certo dia recebemos a notícia do desencarne daquele indivíduo. Ataque cardíaco, fulminante! Enfim, estávamos livres dele!
Bom… o tempo passou e eu me esqueci completamente daquela pessoa desagradável, até que no ano de 1997, numa reunião mediúnica, eu tenho vidência e vi um homem sorridente vindo em minha direção. Ele estava bem, como se fosse uma entidade bem resolvida com seus traumas. Por Deus! Identifiquei a presença daquele fofoqueiro. Era ele. Mas como? Como alguém tão malvado poderia apresentar-se bem no mundo dos Espíritos? Até que o mentor da reunião disse-me: Amigo, admira-se de nosso irmão? Pois bem, e eu me admiro de você… Não percebeu que já se passaram 20 anos? Pelo visto, ele caminhou e você ficou estagnado, a julgar os outros, esquecendo-se de que com o tempo, seja aqui ou no além todos crescemos!”
Jesus! Como ficamos presos ao que passou. Não sem motivo. Deus estabeleceu como condição reencarnatória o esquecimento temporário. Claro, é preciso desvencilhar-se do passado e de todos os passados, tanto o nosso quanto o dos outros.
Passado apenas para agregar experiência, jamais servir como elemento de condenação. Cada um de nós arca com as consequências de seus atos passados que repercutem, não raro, de forma dolorosa no presente. Portanto, o que não precisamos é de julgamentos, sentenças, vibrações contrárias, haja vista que responderemos pelos nossos atos.
Todavia, o mais interessante é nossa visão limitada, de rótulos, que estigmatiza este ou aquele pelos seus equívocos do passado.
Sem perceber, sem refletir, condenamos o outro às trevas quando fechamos o caminho para a luz.
Explico-me: O sujeito errou demais e tenta recomeçar, vai na igreja, no centro ou sei lá, e vamos nós: “Você viu o fulano? Fez um monte de besteira na vida e hoje vai ao centro”. Isso é cruel de nossa parte. As pessoas têm o direito de recomeçar suas vidas, de levantar a poeira e dar a volta por cima.
O que devemos fazer? Simples, orar por elas, orar para que prossigam firmes em seus propósitos. Não podemos ser nós os fiscais da vida alheia, aqueles que tentam impedir o outro de recomeçar. Que bom, que bom poder reconhecer os erros e procurar uma religião, enfim, mudar de vida.
Deus possibilita-nos todas as chances do mundo. Ninguém está deserdado ao erro, ao equívoco, ao vício.
Irmã Rosália, em O Evangelho segundo o Espiritismo deixa a mensagem de que não incomodar com as faltas alheias é caridade moral.
É bem por ai. Caridade moral. Com a mesma ênfase que atendemos o pobre, o necessitado do pão material precisamos atender aquele que necessita do pão do espírito, ou seja, da compreensão, do carinho, da porta aberta para recolocar as coisas no lugar e seguir adiante. Nada de colocar o outro num balaio, estigmatizar. Quem nesta vida não erra?
Se ainda não conseguimos esquecer nossos erros desta existência, que ao menos não lembremos os dos outros para que eles possam recomeçar; recomeçar a busca pela felicidade… afinal, todos temos o direito de prosseguir, e se não queremos nós prosseguir, que ao menos não impeçamos os outros de “ajeitar” novos caminhos rumo ao progresso.
Pensemos nisto!
Wellington Balbo


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O que fazer pelas crianças?





Aquele, pois, que se fizer humilde e pequeno como este menino, esse será o maior no reino dos céus. Aquele que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe. (Mateus, 18:4-5.)

O Evangelho está repleto de significados profundos e precisamos compreender seus ensinamentos de acordo com as expressões compatíveis com o nosso entendimento e a realidade em que vivemos.
Os versículos mencionados apontam a criança como um ser humilde, simples, e que agrada ao Senhor. Que possamos adquirir tais virtudes, fonte de todas as demais, com vistas a ampliar nosso progresso espiritual. Da mesma forma, o cristão que se coloca à disposição para amparar os que necessitam, que obedece à lei do amor, que concede proteção ao fraco (como a criança) e o auxilia, oferecendo-lhe o melhor, cumpre a lei do Cristo, envidando esforços sinceros para agir em favor de sua renovação moral.
O nobre Espírito Emmanuel recorre a outra passagem de Jesus, do mesmo evangelista (18:10), para enaltecer a criança, recomendando que não devemos abandoná-la em hipótese alguma:
Não desprezes, pois, a criança, entregando-a aos impulsos da natureza animalizada.
[…]
O prato de refeição é importante no desenvolvimento da criatura, todavia, não podemos esquecer “que nem só de pão vive o homem”.
Lembremo-nos da nutrição espiritual dos meninos, por meio das nossas atitudes e exemplos, avisos e correções, em tempo oportuno, uma vez que desamparar moralmente a criança, nas tarefas de hoje, será condená-la ao menosprezo de si mesma, nos serviços de que se responsabilizará amanhã.1 (Destaques nossos.)
Essas reflexões iniciais, tendo como fundo o chamamento de Jesus, permitem destacar a importância dos valores infantis na existência da criança, que deve ser protegida em todas
as circunstâncias e tratada com respeito e dignidade, não importando sua condição econômica
ou social, conforme a conduta de alguns que desrespeitam nas mais pobres o privilégio de serem exatamente iguais a todas as crianças da Terra. Elas devem crescer como pessoa e cidadão, sem negligenciarmos a consideração que lhes devemos, sabendo que é um ser humano frágil, com dificuldades de se autoproteger e dependente, principalmente dos pais, e outros responsáveis, para desenvolver suas potencialidades, que devem assegurar aos pequeninos o imprescindível encaminhamento intelecto-moral.
Os Direitos da Criança foram instituídos com base na Declaração de Genebra, de 1924, aprovada pelas Nações Unidas, em novembro de 1959, como forma de defendê-las do descaso humano, preservando-as em suas necessidades materiais e espirituais. Entretanto, mesmo conscientes dessa precisão, não é fácil atender a essa nobre causa como gostaríamos, pois as condições de vida material valorizam excessivamente os fatores econômicos e interferem no tratamento dispensado a muitas crianças pobres existentes no mundo e, consequentemente, nos rumos de seu desenvolvimento. O tratamento discriminatório, devido à condição social da pobreza, é um exemplo disso, agravando a situação da criança, sobretudo, em países de grande carência material ou onde predomine a violência em meio às lutas absurdas, travadas entre um mesmo povo.
A foto jornalística,2 do menino sírio de três anos, Aylan Shenu, desencarnado em uma das praias da Grécia (setembro de 2015), tocou-nos sensivelmente. A situação é fruto da catástrofe moderna dos imigrantes que procuram viajar pelo mar em embarcações frágeis, sem nenhuma segurança, fugindo das suas terras de origem, na busca de outras nações que possam recebê-los para recomeço de nova vida, longe das guerras e do terrorismo.
Aylan estava com seus pais e afogou-se junto com a mãe e o irmão maior. A notícia da tragédia, veiculada pela imprensa mundial, causou grande impacto. Muitos refugiados são vítimas da crise, especialmente as crianças. Ajudar a esses Espíritos a regenerar o próprio destino, consoante as dádivas da Justiça divina, promulgadas pela lei de ação e reação, é um dever de todos.
Esses infortúnios resultaram na oportunidade de avaliar objetivamente o que estamos fazendo pela infância, em geral, tendo o Espiritismo como base. Allan Kardec, na excelente análise que faz sobre o “Credo Espírita”, afirma:
Os males da humanidade resultam da imperfeição dos homens: é pelos seus vícios que eles se prejudicam uns aos outros. Enquanto forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses gerará constantes misérias.
Sem dúvida, boas leis contribuem para melhorar o estado social, mas são impotentes para assegurar a ventura da humanidade, porque nada mais fazem do que sufocar as paixões ruins, sem as eliminar. Em segundo lugar, porque são mais repressivas do que moralizadoras […]. Aliás, a bondade das leis guarda relação com a bondade dos homens; enquanto estes forem dominados pelo orgulho e pelo egoísmo, farão leis em benefício de suas ambições pessoais. A lei civil apenas modifica a superfície; somente a lei moral pode penetrar o foro íntimo da consciência e reformá-lo.3
Não é nossa intenção fazer uma análise política e social sobre o momento conturbado que passamos no orbe, mas, infelizmente, as leis da solidariedade humana têm falhado e muitos homens se omitem deixando de fazer alguma coisa, sobretudo pelas crianças. O conceito de civilização ainda necessita de compreensão por parte daqueles que possuem a responsabilidade de liderar nações, sem deixar que sua gente seja atingida pelo extermínio e pela destruição. Em nome do Evangelho, cometem-se absurdos em países que se dizem cristãos!
Para o reajustamento de todos os valores humanos, o Espírito Emmanuel, na magnífica obra A caminho da luz, afirma que “o Espiritismo, na sua missão de Consolador é o amparo do mundo”,4 pois, conforme palavras do generoso mentor:
[…] só ele [o Espiritismo] pode, na sua feição de Cristianismo Redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos. No seu manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova era. São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres, e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação temerária e infeliz, apressando a realização dos vaticínios sombrios que pesam sobre o seu império perecível.4
A questão inicial, título do presente artigo, sobre o que fazer pelas crianças, propõe aos tarefeiros, chamados a trabalhar com Jesus, intensificar as tarefas da Evangelização Espírita Infanto juvenil na formação da sociedade do Terceiro Milênio, despertando as consciências para as luzes do Evangelho e do Espiritismo, regozijando-se pela missão abençoada que receberam de evangelizar o mundo, para edificação de uma Terra verdadeiramente cristianizada. O Espírito Adolpho Bezerra de Menezes (1831-1900) opina sabiamente sobre essa pendência:
Considerando-se, naturalmente, a criança como o porvir acenando-nos agora e o jovem como o adulto de amanhã, não podemos, sem graves comprometimentos espirituais, sonegar-lhes a educação, as luzes do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo brilhar em seus corações as excelências das lições do excelso Mestre com vistas à transformação das sociedades terrestres para uma nova humanidade.
O momento que atravessamos no mundo é difícil e sombrio, enquanto as sociedades terrestres necessitam, mais e mais, dos tocheiros do Evangelho, a fim de que não se percam nos meandros do mal ou resvalem nos penhascos do crime os corações menos experientes e as almas desavisadas. […]
[…] é imprescindível abracemos, com empenho e afinco, a tarefa da evangelização junto às almas infanto juvenis, tão carentes de amor e sabedoria, porém, receptivas e propícias aos novos ensinamentos. […]5
Entretanto, sem a ajuda dos pais, nada poderá ser feito pela evangelização da criança e do jovem. Alguns genitores não compreendem a importância da preparação espiritual de seus filhos que lhes enriquecem a conquista educativa no mundo:
[…] Tal medida tem gerado sofrimento e desespero, luto e mágoa, inconformação e dor. Porque, uma vez perdido o ensejo educativo na idade propícia à sementeira evangélica, os corações se mostram endurecidos, qual terra ressequida, árida, rebelde ao bom plantio, desperdiçando-se valioso período de ajuda e orientação. É então que somente a dor, a duros golpes provacionais, poderá despertar para refazer e construir..5
É também o digníssimo Espírito Bezerra de Menezes que distingue a tarefa da Evangelização Espírita Infanto juvenil como a mais significativa dentre as atividades desenvolvidas pelas instituições espíritas, na sua excelente programação de apoio à obra educativa do homem.
Contudo, alerta-nos para a seguinte questão:
[…] o Espiritismo, distante de sua feição evangélica, perderia sua missão de Consolador, renteando-se com a diversidade das escolas religiosas no mundo, que, embora úteis e oportunas, estiolaram-se no tempo absorvendo posições de terminalidade e dogmatismo.
É forçoso reconhecer que o Espiritismo sem aprimoramento moral, sem evangelização do homem, é como um templo sem luz.
[…] uma Instituição Espírita representa uma equipe de Jesus em ação e, como tal, deverá concretizar seus sublimes programas de iluminação das almas, dedicando-se com todo empenho à evangelização da infância e da mocidade.5
Cuidar das crianças e dos jovens é primordial para transformar o mundo em que vivemos em mundo regenerado, assim como das famílias que os acolhem em suas experiências no corpo de carne, ensinando aos filhos princípios doutrinários, principalmente da reencarnação, comprovando que eles estão na Terra para se aperfeiçoarem, acima de tudo, moralmente.
A tarefa é abençoada e não exige grandes sacrifícios de nossa parte. Não exige o saber do mundo. Todos os pais e evangelizadores podem desempenhá-la com a certeza de que conseguirão êxito, esforçando-se pelo adiantamento moral de seus filhos e evangelizandos.

Clara Lila Gonzalez de Araújo

REFERÊNCIAS:
1 XAVIER, Francisco C. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 8. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 157.
2 VEJA, Editora Abril, edição 2.442, ano 48, n. 36, p. 67 a 75, 9 set. 20l5. Reportagem: O Mausoléu da Paz.
3 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Evandro Noleto Bezerra. ed. De bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2010. pt. 2, cap. Credo Espírita, it. Preâmbulo.
4 XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 38. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 25.
5 DUSI, Miriam Masotti (Coord.). Sublime sementeira: Evangelização Espírita Infanto juvenil. 2. imp. Brasília: FEB, 2012. Entrevista com Bezerra de Menezes (Espírito), por meio do médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro – 1982, questões 1, 7 e 4, respectivamente.

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A casa espírita deve ser impreterivelmente um centro formador da educação moral e espiritual e ser um santuário de oração e de serviço fraterno. Os aspirantes à prática da mediunidade necessitam ter consciência de que se deparam perante uma das mais sérias obrigações espirituais com a vida. Antes de serem fixados nas reuniões mediúnicas, os médiuns precisam cientificar-se, com segurança e discernimento, do que seja o Espiritismo.
Contudo, quase sempre os candidatos à tarefa mediúnica desconhecem os princípios fundamentais deixados por Allan Kardec nas obras basilares e nas instruções complementares.  Isso equivale afirmar que não se pode falar em ensino espírita, sem partirmos dos seus pressupostos básicos, ou seja, do acervo que existe nos livros da Codificação.
Kardec sistematizou o Projeto da Terceira Revelação e criou além de muito outros, os vocábulos Espiritismo e Espírita. Em o “Projeto 1868”, o Codificador esclarece que “um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver princípios de Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos e capazes de espalhar as ideias espíritas, além de desenvolver grande número de médiuns. “Considero esse curso de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas consequências”. (1)
A rigor, em uma Casa Espírita equilibrada, o estudo doutrinário deve ter prioridade número UM. Essa é a ÚNICA maneira de os grupos espíritas funcionarem de forma harmônica. No Brasil um grande impulso para os bons estudos doutrinários aconteceu com o aparecimento do médium Chico Xavier, onde destacamos, em meados do século passado, os 16 livros da série “A Vida no Mundo Espiritual”. Pois é! André Luiz não deve ser apenas lido. Para um melhor aprendizado, suas obras devem ser estudadas em profundidade. Há também as contribuições preciosas de Yvonne A. Pereira, Pedro Franco Barbosa, Deolindo Amorim, Zilda Gama, Cairbar Schutel.
O Centro Espírita deve ser a  universidade da alma, portanto, tanto   quem ensina como   quem aprende, deve se compenetrar de suas responsabilidades perante si mesmo e perante os outros.  Adverte o Espírito de Verdade: “Espíritas: amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”.(2) Obviamente a obrigatoriedade pelo estudo deve ser relativizado , pois muitos confrades não sabem ler e nem escrever. A relação ensino-aprendizagem é de grande utilidade, tanto para o instrutor como para o aprendiz. Contudo, não se pode transformar o ensino-aprendizagem doutrinário em um acúmulo de informações e raciocínios, sem qualquer vínculo com as necessidades prementes do Espírito imortal.
Aprender Espiritismo requer atenção contínua, observação profunda e, sobretudo, como todas as ciências humanas, a continuidade e a perseverança. É necessário muitos anos para a formação de um médico medíocre e algumas reencarnações para edificação de um sábio, por isso Kardec lembra que “muitos querem obter, em algumas horas, a Ciência do infinito! Que ninguém, portanto, se iluda: “O estudo do Espiritismo é imenso; liga-se a todas as questões metafísicas e de ordem social; é todo um mundo que se abre diante de nós. Será de espantar que exija tempo, e muito tempo, para a sua realização? ” (3)
Há aqueles que priorizam, unicamente, o serviço de assistência social a fim de se elevar na categoria de espírita completo e excelente médium. Entretanto, reflitamos com o Convertido de Damasco na obra Paulo e Estêvão: “É justo não esquecer os grandes serviços da igreja de Jerusalém aos pobres e aos necessitados, e creio mesmo que a assistência piedosa dos seus trabalhos tem sido, muitas vezes, sua tábua de salvação. Existem, porém, outros setores de atividade, outros horizontes essenciais. Poderemos atender a muitos pobres, ofertar um leito de repouso aos mais infelizes; mas sempre houve e haverá corpos enfermos e cansados, na Terra. Na tarefa cristã, semelhante esforço não poderá ser esquecido, mas a iluminação do espírito deve estar em primeiro lugar. Se o homem trouxesse o Cristo no íntimo, o quadro das necessidades seria completamente modificado”.(4)
Estamos diante do confronto entre a fome física e a ignorância espiritual – dois dos grandes flagelos da Humanidade. Qualquer pessoa de forma autômata pode socorrer à fome material. Mas, raras criaturas conseguem socorrer a ignorância do espírito. Para sanar a fome do corpo físico, basta ofertar o pão. Para suprimir a ignorância do espírito é indispensável fazer luz.

Jorge Hessen
Referências bibliográficas:[1]   Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, p. 342.
[2]  Kardec, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap. VI – O Cristo Consolador, Espírito de Verdade.
[3]  Kardec, Allan. “O Livro dos Espíritos”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2002, Introdução, cap. XIII – As divergências de linguagem.
[4]  Xavier, Francisco Cândido. Paulo e Estêvão,  Ditado pelo Espirito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1978,  pág 326.
Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em:
.
Acesso em: 24JAN2016.

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