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MEDIUNIDADE NÃO É OSCAR!





Amigos, noutras oportunidade já pudemos comentar, e nunca é demais voltar ao tema, dado o caráter equivocado que muitos atribuem à mediunidade, ao ponto de médiuns se sentirem compelidos a tomar o maior cuidado no trato de determinados assuntos, para não serem tomados como pretensiosos ou arrogantes, no tão só citar, ocasionalmente, o cotidiano do seu trabalho com as equipes do invisível - que nada mais são do que seres afins a nós mesmos, por decorrência de todo tipo de vínculo estabelecido na esteira das vidas passadas, ou quando muito, espíritos um pouco mais evoluídos ou "mais velhos" no percurso milenar, que de boa vontade nos tutoram ou auxiliam, nas iniciativas confraternas neste mundo ainda tão convulsionado.

Todo médium consciencioso, lúcido, sabe que mediunidade é dom comum a toda gente. Lei natural se manifestando mesmo aqui, entre reencarnados em situação de sintonia para com o bem ou para com o mal; nos casos de telepatia, premonições de fatos das vidas dos entes queridos, e noutros fenômenos. Assim, esvaí-se, por si, a idéia novelesca de que mediunidade é antes troféu, à moda de Oscar evolutivo conferido a seres especiais e superiores em estadia temporária no mundo!

Nada mais equivocado! Na maioria esmagadora das vezes, e ainda, nesta esfera material de retificações pesadas dos nossos enganos do passado, o serviço mediúnico, quando ostensivo, está preso à provas, e comumente nada fáceis! O indivíduo, antes de reencarnar, assume o compromisso de vir ao chão terreno para beneficiar, quanto possível, um número de almas para com as quais estabeleceu relação pesada de dívidas por malfeitos anteriores. Assim, o fará através do trabalho ativo no Centro Espírita, como passista, incorporador, palestrante inspirado, ou noutras inúmeras situações possíveis com o advento mundial da internet e da globalização, que permite em larga escala o serviço de parceria com instrutores invisíveis no terreno da literatura mediúnica, dos textos veiculados em sites de cunho espírita ou espiritualista, ou noutras tantas modalidades!

Torna-se, portanto, compreensível que, neste contexto, hoje, seja mais do que comum que toda gente ativa no Movimento Espírita, por exemplo, se refira com naturalidade aos amigos das dimensões espirituais que, por sintonia ou compromisso comum planejado antes do reencarne, e em identificando nossa perseverança no trabalho da luz, se tornem em companheiros do dia-a-dia tão constantes quanto os que nos ladeiam na carne desde o nosso renascimento, a conta de pais, mães, irmãos, parceiros de trabalho e tantos outros!

Deve-se, a partir desta compreensão, se alijar definitivamente o pensamento simplório ainda predominante em muitas mentalidades mal formadas no entendimento de como acontece o trabalho mediúnico, de que os médiuns devem emudecer sobre a sua assistência invisível como prova patente de modéstia! Paremos para pensar: modéstia em quê?! Baseando-se na ideia distorcida de que apenas almas de luz, espíritos de grande envergadura evolutiva, atuam junto aos reencarnados no serviço de melhoria gradual do mundo?! Médiuns, então, ao mencionar o seu trabalho, seja no Centro, na psicografia de mensagens dos desencarnados ou transmissão de textos literários, ou de livros, são pretensiosos, por simplesmente exporem sobre a questão com tanta naturalidade quanto se discute música nos Conservatórios ou receitas de cozinha no nosso cotidiano? Pois não se trata, a realidade mediúnica, de fator comum a todos, quanto são todos os outros aspectos das leis naturais atuando no repertório humano durante a passagem do tempo?

Não poderia existir compreensão mais equivocada!

Sem precisar aqui mencionar em quais circunstâncias, ontem me aconteceu sofrer um destes ataques. Em meio a um debate comum sobre tema jornalístico banal, mencionei, por uma eventualidade, a minha parceria mediúnica no trabalho com a literatura espírita - o que me coube como tarefa das mais gratificantes e produtivas, certamente visando aparar arestas inconvenientes do meu passado evolutivo, pois jamais pretendi, ou aludi sequer, ser assistida nisso por seres de alto quilate espiritual, senão que pelo meu mentor mais direto, com quem tenho vínculos afetivos antigos no passado milenar, e por mais outros dois queridos, Tarsila e Iohan - espíritos bondosos, é certo! - mas que também se reconhecem, como todos nós, em marcha ascensa eterna no aprendizado espiritual! Pois bastou isso, para que um participante, certamente dotado desta distorção perceptiva para com a atividade mediúnica, me lançasse sutilmente em rosto que quem de fato trabalha com os reencarnados nestas atividades prescinde que mencionemos tais parcerias, pois não precisam disso. Insinuou, com a assertiva, claramente, que o simples detalhe de eu mencionar tal trabalho conjunto apontava soberba e arrogância da minha parte!

De fato, amigos, nossos amados do outro lado da vida, em situação melhor que a nossa de conscientização do que concerne a eternidade, não precisam ser alardeados entre nós, os reencarnados, como salvadores ou espíritos privilegiados sobre todos os demais - a exemplo também do médium - pelo simples fato de realizarmos tais coisas nesta esfera de vida onde ainda existem entrechoques demasiados de opiniões e de entendimento devido, para a verdade da reencarnação e da continuidade da vida noutra dimensões e mundos! Mas em nenhum momento, também, nem mesmo na Codificação Espírita nos anotam, os Espíritos, que aos médiuns é vedado o se mencionar as particularidades da ação mediúnica na Terra! Ao contrário! Sinalizaram, em mais de uma vez, que a divulgação destes fatos é a maior caridade que se pode fazer em favor do entendimento humano para com as verdades da Terceira Revelação!

Ajustemos, portanto, os nossos conceitos, caros leitores! Mediunidade não é um Oscar evolutivo! Não se trata de um privilégio, ou prêmio conferido pelos maiorais da "Academia Universal dos Espíritos Desencarnados" para outros reencarnados em função de excelência espiritual de qualquer espécie! Ao contrário - no presente grau em que ainda se encontra o nosso planeta, mediunidade não ultrapassa dom comum a todos: aos que dele não são conscientes, e aos que o são, agindo voluntariamente pela melhoria da vida com esta poderosa ferramenta educativa para a conscientização final das verdades espirituais e dos valores cristãos vigentes na eternidade que nos aguarda!

Christina Nunes



Ps.: Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.



http://www.feal.com.br
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A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO...




As pessoas geralmente se preocupam com a aparência física e se esmeram para mostrar certa elegância, de acordo com suas possibilidades.
Isso é natural do ser humano. Tanto que muitos buscam escolas que ensinam boas maneiras.
No entanto, existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais corriqueiras, quando não há festa alguma, nem fotógrafos por perto: é uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas de boca em boca.
É possível detectá-la também nas pessoas que não usam um tom superior de voz. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É uma elegância que se pode observar em pessoas pontuais, que respeitam o tempo dos outros e seu próprio tempo.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece. É quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não.
É elegante não ficar espaçoso demais. Não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, cargo e jóias não substituem a elegância do gesto. Não há livro de etiqueta que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo e a viver nele sem arrogância.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A pessoa de comportamento elegante fala no mesmo tom de voz com todos os indivíduos, indistintamente.
Ter comportamento elegante é ser gentil sem afetação.
É ser amigo sem conivência negativa.
Ser sincero sem agressividade.
É ser humilde sem relaxamento.
Ser cordial sem fingimento.
É ser simples com sobriedade.
É ter capacidade de perdoar sem fazer alarde.
É superar dificuldades com fé e coragem.
É saber desarmar a violência com mansuetude e alcançar a vitória sem se vangloriar.
Enfim, elegância de comportamento não é algo que se tem, é algo que se é.
Mais do que decorar regras de etiqueta e elaborar gestos ensaiados, é preciso desenvolver a verdadeira elegância de comportamento.
Importante que cada gesto seja sincero, que cada atitude tenha sobriedade.
A verdadeira elegância é a do caráter, porque procede da essência do ser.


Fonte: Momento Espírita, mensagem de Martha Medeiros

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AMARANTE RECEBERÁ PALESTRA E SHOW ARTÍSTICO




A cidade de Amarante, localizada a cerca de 150 km de Teresina, receberá um evento espírita, organizado pelo Departamento do ESDE e o Departamento de Atendimento Espiritual, da Federação Espírita Piauiense.
A programação desta atividade incluirá uma palestra, proferida por Zêila Sabry, com o tema "Contribuições do Espiritismo para uma Sociedade Mais Justa e Fraterna". Além disso, haverá a participação do Grupo Sintonia de arte espírita.
Além da presença dos trabalhadores e frequentadores da Sociedade Espírita Lar Amor de Maria, insituição localizada no município, espera-se a presença dos simpatizantes da Doutrina Espírita, no Auditório do Museu, a partir das 9 horas do dia 29 de setembro.
Certamente esta será uma boa oportunidade para os amarantinos se aprofundarem no conhecimento espírita e de desfrutarem da valiosa contribuição artística do Grupo Sintonia.

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Lei da Utilidade



Afastar-se das queixas assenta-se em uma base singular, a de contrariar a lei da utilidade. Com ou sem razão, certos ou errados, queixar-se é sempre inútil e não devemos gastar nosso tempo ou depositar nossa atenção em nada que não seja edificante.
                Não queremos com estas afirmações diminuir os problemas que são as causas aparentes das queixas de qualquer pessoa. Realmente, em algumas fases de nossa existência, somos visitados por problemas de relativa gravidade nos mais variados setores da vida humana, entretanto, lamentar-se, além de não trazer benefício algum, rouba inúmeras possibilidades de encontrarmos soluções ou minam nossa visão diante dos melhores caminhos a seguir.
                Lamentar-se é sempre gerar, dentro de nós, um mal conselheiro para a orientação de qualquer problema. E podemos entender como esse mal conselheiro tanto a escravidão habitual que passa a dirigir nossas ações, como a atração espiritual que proporciona a aproximação de espíritos que cintilam na mesma vibração de insatisfação do queixoso.
                Muitos ainda atestam que reclamam para desabafar a pressão dos problemas, entretanto, ao terminar a reclamação, se observarmos nosso estado emocional, veremos que não solucionamos nada, muito menos melhoramos. O que ocorreu é que, ao falar, exteriorizamos o que estava em nosso íntimo, influenciamos os que estão á volta e ao ambiente, mas benefício mesmo, nenhum.
                Ao perceber-se reclamando de alguma coisa, faça a si mesmo a seguinte pergunta:
                - É útil minha queixa? Alguém ou alguma coisa irá melhorar com ela? Haverá benefício para a solução do meu problema?
                E se a resposta for negativa, esqueça, afinal você está perdendo um tempo precioso onde poderia dedicar-se a encontrar soluções pelos caminhos da inteligência e do trabalho. Reclamar é sempre cair em uma armadilha feita por nós mesmos.
                Reclamar consome nossas energias e nossas possibilidades de melhora e de solução. Antes que qualquer reclamação, pergunte a você mesmo:
                É útil falar ou manifestar o meu problema?
                Se não for... esqueça!



Do livro: Terapia Antiqueixa  
Roosevelt Andolphato Tiago


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Ainda Tomaremos um Café






O professor, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra pegou um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golf.
Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e, imediatamente, todos disseram que sim.
O professor então pegou uma caixa de bolas de gude e a esvaziou dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golf. O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que sim.
Em seguida, pegou uma caixa de areia e a esvaziou dentro do pote. A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos, que responderam que o pote agora estava cheio.
O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre pote umedecendo a areia. Os estudantes riam da situação, quando o professor falou:
"Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golf são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os amigos. São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade. As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc. A areia representa todas as pequenas coisas. Mas se tivéssemos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golf e para as de gude.
                O mesmo ocorre em nossas vidas. Se gastarmos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes.. Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade. Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família e com os amigos, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus e creiam nele, busquem o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito..... Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golf em primeiro lugar. O resto é apenas areia."
                Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café.

                O professor respondeu: " que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo."


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Jovens no Movimento Espírita


Por Antonio Cesar Perri de Carvalho
Desde tempos imemoriais há citações, atos e admoestações, vinculadas à fase juvenil, assinaladas por filósofos, historiadores e evangelistas.Até mesmo entre os apóstolos diretos e indiretos do Cristo havia jovens, como também havia os relacionados a Paulo de Tarso: duas de suas epístolas são dirigidas a Timóteo, que iniciou suas atividades na citada faixa etária.

Entre os médiuns que atuaram com Allan Kardec, no início da elaboração das obras da Codificação, destacam-se as jovens Ruth Celine Japhet e as irmãs Caroline e Julie Baudin. Contemporâneos e seguidores de Kardec tiveram papel destacado desde a juventude: Camille Flammarion, Gabriel Delanne e Léon Denis.Nas primeiras décadas do Movimento Espírita brasileiro houve histórica atuação do vice-presidente e presidente da FEB, Leopoldo Cirne, e ainda de Eurípedes Barsanulfo e Francisco Cândido Xavier.

Na mesma época em que o médium de Pedro Leopoldo, com 22 anos, tinha sua obra Parnaso de além-túmulo lançada pela FEB, surgiam as primeiras mocidades espíritas em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova Iguaçu (RJ).1,2,3 O ano de 1948 registra importantes fatos: surgiu a Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo (Combesp), reunindo jovens de Mato Grosso,Goiás,Minas Gerais, São Paulo e depois o Distrito Federal (Brasília). Este certame foi um celeiro de formação de expositores e lideranças.1,2 Em julho, ocorre o 1o Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, realizado na cidade do Rio de Janeiro, conduzido pelo incansável líder Leopoldo Machado, e, entre outubro e novembro, o Congresso Brasileiro de Unificação, em São Paulo, contando com a adesão de lideranças adultas e jovens de Estados do Sul e Sudeste do país. Os dois últimos eventos alimentaram propostas que geraram o Pacto Áureo, assinado com a FEB, em 1949, e a consequente criação, em 1950, do Conselho Federativo Nacional da FEB.2 O entusiasmo juvenil ensejou a formação de grupos, inicialmente autônomos e depois como departamentos de instituições espíritas.

O movimento jovem conquistou expressão, com abrangência nacional, daí resultando a efetivação da 1a Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil (Comjeb), realizada em Marília (SP), em 1965, contando com o apoio da FEB.4 Pouco antes, o CFN da FEB, em eventos regionais, iniciava a discussão sobre temas do Movimento Espírita.

Em 1962, o Simpósio Centro-Sulino, realizado em Curitiba, aprovou deliberações significativas para as mocidades espíritas.5,6 Com base neste documento, recomendou-se a suspensão da Combesp, encerrada na mesma cidade onde surgiu: Barretos (SP), em 1966. Estimulava-se a promoção de eventos estaduais, pelas Entidades Federativas Estaduais.
Durante muito tempo poucos conclaves foram concretizados neste novo modelo, como a Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas
do Estado de São Paulo, iniciada em 19672 e mantida até nossos dias. Como eventos regionais, destacavam-se os realizados em regiões do Estado de São Paulo,desde o pioneiro na região Noroeste, em 1956, e a Confraternização de Mocidades Espíritas do Triângulo Mineiro (Cometrim), em meados da década de 1960,7 a qual, por sugestão de Chico Xavier, passou a incluir também os adultos:

[...] acreditamos que as reuniões e confraternizações de Mocidades Espíritas – que a nosso ver deveriam ser também acompanhadas de reuniões e confraternizações de adultos espíritas, é trabalho de muito valor [...]. 8

Num contexto de dificuldades políticas do país, arrefeceu-se o apoio a movimentos jovens e, simultaneamente, nos primeiros anos da década de 1970, a partir da FEB,9 surgiram questionamentos sobre cursos, eventos de jovens, acarretando um desestímulo e até desmantelamento de ações de infância e juventude, que o presidente Francisco Thiesen considerou uma “decisão infeliz”, contextando os métodos e meios utilizados para a decisão de Conselhos Zonais.9,10 Já na sua gestão como presidente, em 1977, Thiesen instala a Campanha Nacional de Evangelização Infantojuvenil, depois transformada em Campanha Permanente, iniciando-se outro ciclo no tratamento da juventude nos centros espíritas.

Na segunda metade da década de 1980, foram implantadas as Comissões Regionais do CFN da FEB e começaram a ser criadas suas Áreas, como a da Infância e Juventude. No contexto destes eventos, nos últimos anos começaram a surgir questionamentos e propostas para avaliar a situação da juventude espírita no país. Em 2011, ocorreram manifestações sobre o tema nas reuniões plenárias, realizadas nas quatro regiões do CFN. Simultaneamente, o Departamento de Infância e Juventude (DIJ), da Federação Espírita do Estado de Goiás, propôs a realização de um evento jovem interestadual na região Centro, que originou a Confraternização Brasileira de Juventudes Espíritas – Comissão Regional Centro (Conbraje), efetivada em Goiânia, em 2013. Em consequência, já se programa evento similar para as outras regiões.

A análise do tema juventude espírita, numa linha do tempo – desde as agremiações pioneiras dos anos 1930 até nossos dias –, permite-nos chegar ao pensamento de que é necessária uma avaliação desapaixonada e ampla de todo o processo, levando-se em consideração os sucessos e insucessos e até, usando um raciocínio dialético, considerar-se que, após momentos caracterizáveis como tese e antítese, segue-se a síntese, com planejamento de uma etapa nova, adequada à realidade atual, que atenda às demandas do Movimento Espírita.

Como partícipe desse movimento no Estado de São Paulo, nos anos 1960, percebemos a importância do momento que vivenciamos e que urge a valorização da ação e da integração do jovem no Movimento Espírita, como efetivo protagonista, a partir de sua célula básica que é o Centro Espírita. Emmanuel comenta o versículo 22 da II epístola de Paulo a Timóteo: O moço poderá e fará muito se o espírito envelhecido na experiência não o desamparar no trabalho. Nada de novo conseguirá erigir, caso não se valha dos esforços que lhe precederam as atividades. Em tudo, dependerá de seus antecessores. [...] A mocidade poderá fazer muito, mas que siga, em tudo, “a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor”.11

*Síntese da palestra “Protagonismo Juvenil e Movimento Espírita”, proferida na Conbraje, em Goiânia, no dia 1o/6/2013.

Referências:

1
 CARVALHO, Antonio Cesar Perri de. Abordagem sobre a juventude. In: Rumos para uma nova sociedade. Autores diversos. São Paulo: Ed. USE, 1996. p. 145 e 155.
2 ______. Espiritismo e modernidade. São Paulo: Ed. USE, 1996. p. 65 e 66.
3 OLIVA FILHO, Apolo. As realizações juvenis espíritas. Anuário espírita 1967. Araras (SP): IDE. p. 95 a 97.
4 I COMJEB – Acontecimento espírita do ano. Anuário espírita 1967. Araras (SP): IDE. p. 172 a 175.
5 1º SIMPÓSIO ESPÍRITA CENTRO-SULINO. Unificação. Órgão da USE. abr. 1963, p. 5 e 6.
CONSELHO FEDERATIVO NACIONAL. Reformador. ano 80, n. 9, p. 14(202), set. 1962.
COMETRIM: Uma experiência no campo da unificação. Anuário espírita 1966. Araras (SP): IDE. p. 148 a 151.
8 XAVIER, Francisco C. Pelo Espírito Emmanuel. Entrevistas. Araras (SP): IDE, 1972. p. 112 a 114.
9 THIESEN, Francisco. Legado de um administrador. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 1978. p. 49 e 50.
10 A FEB e o chamado “Movimento de Juventudes Espíritas”. Reformador. ano 93, n. 1.752, p. 16(60) e (17)61, mar. 1975. 11XAVIER, Francisco C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 5. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 151.

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CAUSAS PSICOLÓGICAS DAS FUGAS EXISTENCIAIS



Normalmente o sistema nervoso central consegue suportar altas cargas emocionais, diluindo-as ou transferindo-as da localização. Em face dos estímulos que proporciona ao sistema endócrino, o laboratório glandular responde mediante os hormônios específicos que são produzidos e distribuídos em rede segura por todo o organismo.


Embora seja o self o desencadeador das emoções, a maquinaria orgânica tem a finalidade de expressa-las.
As sucessivas descargas emocionais perturbadoras de tal forma sobrecarregam os nervos que transferem aquelas mais difíceis de contornadas e aceitas, para os arquivos do inconsciente, dando lugar às fugas psicológicas em que se comprazem muitos pacientes.

Tão natural e repetitivo se faz esse fenômeno, que o paciente deixa-se mascarar por fatores opressivos que terminam por vence-lo.

Departamentos seletivos da mente bloqueiam automaticamente muitas das ações desagradáveis, que são arquivadas em setores especiais, mesmo antes de analisadas devidamente, conforme seria de esperar-se. Em face dessa conduta escamoteadora surgem os mecanismos de transferência de responsabilidade, de ausência de discernimento, de fuga variadas na área psicológica.


Na vida infantil, porque não compreendendo a gravidade dos atos, a criança escapa da responsabilidade apelando para a mentira, fruto natural da sua imaginação criadora, que bem orientada encontrará o correto caminho para dar largas ao seu campo de inspiração e de ação, sem esquecimento da verdade. No entanto, a razão da falta de orientação no lar, que procura castigar o mentiroso, em si mesmo vítima de insegurança e inquietação emocional, elucidando-o quanto à maneira como deve conduzir-se, o ser cresce fisicamente, mantendo-se, porém, no estágio de infância psicológica, o que é muito lamentável.

Diante dos grandes desafios para os quais o indivíduo não se sente equipado, foge para atitudes levianas e irresponsáveis como se estivesse agindo de forma correta.

Mais grave torna-se o fenômeno, quando a necessidade da evasão faz-se mais premente, levando-o a um estágio de esquecimento dos compromissos difíceis, dando a impressão de conduta incompatível com a dignidade e bom-tom.

Muito curioso tal mecanismo de figa, tendo-se em vista que o enfermo vai defrontar-se com aquilo que gostaria de evitar, desde que se torna infeliz, inseguro no refúgio perigoso em que se homizia. Com o transcorrer do tempo aumenta a insatisfação com a existência e desce ao abismo da depressão psicológica, ensejando ao organismo pelo impacto contínuo da mente receosa, perturbação nas neurotransmissões em decorrência da ausência de serotonina e noradrenalina.

O ser humano encontra-se equipado de recursos preciosos que devem ser aplicados no quotidiano, de forma que se ampliem as possibilidades nele latentes, expressando a potencialidade divina de que se encontra constituído.

Toda vez quando se tenta evitar esforço e luta, opera-se em sentido contrário às leis da vida, que impõem movimento e ação como recursos de crescimento psicológico, moral, intelectual, espiritual.

Ninguém cresce ou se desenvolve em estado de paralisia.


Sob outro aspecto, as heranças espirituais de experiências transatas, permanecem comandando o inconsciente profundo e gerando automatismos de bloqueio para todas experiências que se apresentam na condição de ameaças à paz.

Quando se tornam mais vigorosas e ressumam com maior facilidade dos depósitos onde se encontram arquivadas, induzem ao suicídio, em mecanismo de transferência de responsabilidade para aquele a quem atribui as razões do que impropriamente considera como fracasso.

Todas as empresas experimentam períodos de progresso e de queda, em face das razões sociais, econômicas, políticas, humanas.

O mesmo ocorre com a existência física, por tratar-se de um empreendimento de alta magnitude e sujeito às mais diversas circunstâncias, especialmente as emocionais que constituem fatores de segurança e de equilíbrio.


A indiferença, que aflige aqueles que lhe padecem a postura, é um recurso de fuga psicológica de quem se sente incapaz de competir ou de aceitar o insucesso da pretensão anelada. Não se considerando em condições de compensar a perda, diminui a intensidade de sentimento afetivo e revida ao que considera como ofensa, em forma de morte da emoção.

É normal que ocorram algumas fugas psicológicas, no dia a dia da existência humana, em forma de recurso neutralizador do excessivo volume de informações que bombardeiam o indivíduo.


Saúde mental, emocional e física será sempre o resultado desse equilíbrio psicofísico que deve viger nos indivíduos que se trabalham interiormente, cultivando o otimismo e a confiança irrestrita em Deus e na vida.


Do Livro: Conflitos Existenciais - Divaldo Pereira Franco 

Pelo espírito Joanna De Ângelis

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DEUS ESTÁ PRESENTE EM TODOS...









Deus está presente em todos. Ele reside em cada coração. Então, não confine Deus a um templo, a uma mesquita ou a uma igreja. Onde está o homem, aí está Deus! Sem conseguir compreender isso, você critica os outros. Para superar esse hábito, pergunte a si mesmo: ‘Quem eu adoro?’ ‘Quem estou criticando?’ Deus está presente em todos. Então, quando você critica os outros, isso resulta em criticar-se. Quando ama os outros, você ama a si mesmo. Não importa quem você critique, isso alcança Deus; quem quer que você difame, também estará difamando Deus (Sarva Jeeva Thiraskaaram Keshavam Pratigacchati). Quem quer que você cumprimente, essa saudação alcança Deus (Sarva Jeeva Namaskaram Keshavam Pratigachchhati).- (SATHYA SAI BABA)


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Redução da maioridade penal




Por Alessandro Viana Vieira de Paula

O assunto em pauta tem sido um dos mais discutidos na atualidade, sobretudo quando ocorrem crimes graves praticados por adolescentes, que se incluem na faixa etária de 12 a 17 anos.

No Brasil, as pesquisas mostram que a maioria das pessoas é favorável à redução da maioridade penal, isto é, o criminoso, a partir dos 16 anos, já deveria estar sujeito ao Código Penal e cumprir pena privativa de liberdade nas Unidades Prisionais.

O argumento mais utilizado para a redução diz respeito ao fato de se poder votar a partir dos 16 anos, de forma que, se o jovem tem maturidade para escolher os governantes, também tem noção do certo e do errado e deve sofrer sanções mais graves quando comete delitos. Como o artigo tem o escopo de analisar o tema sob o enfoque espírita, valeria a pena perguntar: que a Espiritualidade superior diz a respeito do assunto?

No livro Atualidade do pensamento espírita, 1 ditado pelo Espírito Vianna de Carvalho, através da mediunidade de Divaldo PereiravFranco, há a seguinte pergunta:

[...] A legislação penal aplicável às crianças e adolescentes deve ser idêntica à estabelecida para adultos?

O citado Espírito responde (trechos destacados pelo subscritor deste artigo):
A criança, que inspira ternura e amor, não obstante o período de infância que atravessa, é um Espírito vivido e quiçá experiente que traz, das reencarnações passadas, as conquistas e os prejuízos que foram acumulados através do tempo. No entanto, a criança e o adolescente, quando delinquem, devem receber um tratamento especial, porquanto o discernimento e a lucidez da razão ainda não lhes facultam a capacidade de saber o que é certo e o que é errado, sendo facilmente influenciados para esta ou aquela atitude.
Como consequência, devem ser-lhes aplicadas legislações próprias, compatíveis com o seu nível de crescimento intelectual e moral. A preocupação precípua, no entanto, deverá ser sempre a de educar, oferecendo-se os recursos necessários para que sejam evitados muitos dos delitos que ora ocorrem na sociedade ainda injusta.

Quando, porém, acontecer-lhes o desequilíbrio, é necessário que se tenha em mente sua reeducação, evitando-se piorar-lhes a situação, assim transformando-os em criminosos inveterados, em razão da promiscuidade vigente nos Institutos Penitenciários e nos Presídios comuns ora superlotados, e quase ao abandono.

Que resposta notável e profunda! Certamente, reflete a visão da Espiritualidade superior.
Trabalho como magistrado há 15 anos, com execução criminal (cumprimento das penas pelos criminosos com 18 anos ou mais), bem como já trabalhei por mais de sete anos na Área de Infância e Juventude, de tal sorte que compactuo com a visão ofertada pelo Espírito Vianna de Carvalho.
Entendo que um dos pontos mais relevantes na resposta do aludido Espírito diz respeito à capacidade de o jovem ser mais influenciável por outras pessoas e pelo meio em que vive. Não podemos ignorar que o jovem ainda está na fase de formação da personalidade, o que o predispõe, com mais intensidade, a ser influenciado.

Quando o Espírito é evoluído e já traz, das vidas passadas, conquistas morais positivas, certamente saberá dizer “não” às opções equivocadas que a vida lhe apresente, todavia, como a maioria dos Espíritos reencarnados na Terra ainda traz limites evolutivos e imperfeições morais, muitos se deixam arrastar pelas más influências e não possuem resistência moral para enfrentar dignamente as questões sociais negativas (desemprego, condições sociais injustas, carência educacional, problemas na área da saúde pública etc.).

Dessa forma, é muito grave e pernicioso inserir o jovem delinquente nas Unidades Prisionais superlotadas e relegadas ao abandono, onde ele será facilmente manipulado pelo crime organizado e por criminosos mais perigosos, o que reduz drasticamente a sua possibilidade de reeducação.
Aliás,muitos criminosos já estão captando a mão-de-obra juvenil nas ruas, com a promessa de “dinheiro fácil”. Imaginemos o resultado negativo se colocássemos os jovens, como “presas fáceis”, no interior de uma Unidade Prisional.

Anote-se que não podemos esquecer que o foco principal da pena ou da medida educativa (destinada aos jovens infratores) é a recuperação do indivíduo para que ele possa voltar a viver em sociedade, sem se comprometer novamente com as leis.

Quando se pensa apenas no aspecto “punição”, é natural que a maioria deseje a redução da maioridade penal, porque a internação pelo prazo máximo de três anos, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, seria insuficiente para os atos infracionais graves (homicídio, roubo, tráfico de drogas, estupro etc.).

Concordo com a alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente no que se refere ao aumento do tempo de internação, a fim de que o jovem infrator com mais periculosidade possa receber, por mais tempo, um tratamento especial e qualificado, visando sua reeducação e reinserção social. No Estado de São Paulo, a atual Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Fundação Casa), que substituiu a Febem, tem prestado relevante serviço à recuperação dos jovens infratores, pois não há superlotação e há profissionais habilitados (assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, professores etc.) para lidar com o jovem, enriquecendo-lhes a vida com valores positivos e éticos.

Para comprovar a eficácia da necessidade de uma legislação especial aos jovens, constata-se que a reincidência nas Unidades Prisionais é muito superior àquela encontrada na Fundação Casa. Registre-se, também, que o endurecimento das penas não reduz criminalidade, como se pode verificar nos países em que, tendo sido adotada a pena de morte, não houve redução dos delitos.

Desejar a redução da maioridade penal é demonstrar conhecimento parcial sobre o assunto. Infelizmente, com frequência externamos nossas vontades, estimulados pela comoção social, e muitas leis são aprovadas e alteradas sob esse grito, revelando-se, oportunamente, ineficazes.
O verdadeiro homem de bem, tocado pelo Evangelho de Jesus, sensibiliza-se com a situação e ora pelas vítimas dos atos infracionais, mas também se preocupa com a recuperação do jovem infrator, dando a sua contribuição pessoal. Como?

Fazendo visitas religiosas às instituições que acolhem os jovens infratores e os criminosos, participando de entidades que amparam os jovens abandonados ou expostos a situações de risco, educando os próprios filhos nas bases do legítimo amor, dando-lhes um direcionamento religioso e moral, entre outras iniciativas.

A sociedade, ao postular a redução da maioridade penal, sob o argumento de que há impunidade aos jovens infratores, quer transferir apenas ao Estado a responsabilidade, mas se esquece de que também deve contribuir para a diminuição da criminalidade, seja juvenil, seja de adultos, dando oportunidades de recuperação ao delinquente, acolhendo-o oportunamente, ofertando-lhe emprego e condições de uma vida minimamente digna, porque o verdadeiro amor, conforme anunciou e viveu Jesus, é aquele que nos leva a fazer ao outro o que desejamos para nós mesmos.

Não nos esqueçamos da exortação elevada do benfeitor espiritual Vianna de Carvalho: “A preocupação precípua, no entanto, deverá ser sempre a de educar”, de forma que há necessidade de se manter uma legislação especial aos jovens.



1 FRANCO, Divaldo P. Atualidade do pensamento espírita. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. 2. ed. Salvador: Leal, 2000. cap. 3.0, Ciências jurídicas à luz do Espiritismo, q. 74.


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“CURANDEIROS ENDEUSADOS”, CIRURGIÕES DO ALÉM – SOB OS NARCÓTICOS INSENSATOS DO COMÉRCIO




Após leitura de intrigante reportagem da Revista “VEJA” , deliberamos reproduzir e contextualizar alguns trechos da matéria publicada.  Intitulada “A face humana do mais endeusado médium brasileiro”(1) , a  “VEJA” destacou  a capacidade do famigerado médium de atrair gente do mundo inteiro para um município próximo do Distrito Federal. Afirma a reportagem que o “santificado médium” convive o cotidiano  sob o manto da contradição entre o “espírito e a carne”, a “cura e a doença”, o “desprendimento e a vaidade”, os gestos de “generosidade , os arroubos de cólera” e os negócios terrenos(2) [é milionário], os amores [tem onze filhos com dez mulheres diferentes]. A cada  dois anos, o “curandeiro-endeusado do cerrado”  troca a frota de carros da família. O dele é um Mohave Kia, avaliado em 170 000 reais..” (3)
Sabemos que a  mediunidade não guarda relação com o desenvolvimento moral, seu funcionamento independe das qualidades morais, assim como o coração pulsa independentemente dos sentimentos bons ou maus que a pessoa alimente. O fato é que os médiuns de tais “cirurgiões do além” sempre seduzem grande número de fregueses,  estabelecendo, não raro, com a mediunidade, um negócio rendoso,  uma polpuda fonte de captação de dólares e reais. Para comprovar, consideremos o fato aqui comentado. Chequemos o seguinte: o PIB – Produto Interno Bruto do município onde “médium-feiticeiro do cerrado” comercializa disfarçada e generosamente  a “cirurgia transcendental” é de 15 milhões de reais ao ano. No mesmo período, a instituição dirigida por tal “deus da mediunidade de cura” “ tem faturamento de ,no mínimo, 7,2 milhões de reais, levando-se em conta exclusivamente  o comércio de passiflora, preparado à base de maracujá, produzido ali mesmo, vendido a 50 reais o frasco e receitado a uma média de 3 000 visitantes semanais.” (4)
Por sérias razões não apreciamos e sequer indicamos esse tipo de mediunidade, embora, excepcionalmente, acatemos os efeitos mediúnicos atingidos por alguns poucos médiuns humildes e honestos. Infelizmente alguns  “deuses dos bisturis”, que promovem cirurgias com auxílio de supostos médicos do além,  conseguem robustecer suas contas bancárias. Há algumas décadas Chico Xavier advertiu: “Creio que isto deva ser fruto da educação da pessoa simplória, acreditar que, pagando bem, irá conseguir curas espirituais. O verdadeiro Espiritismo não pode cobrar, nem mesmo os remédios que receita aos doentes. Também sou contra essa estória de meter instrumentos cortantes no corpo dos outros, sem ser clínico. O médico estudou bastante anatomia, patologia e, por isso, está habilitado a fazer uma cirurgia. Por que eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um cristão sem ser considerado um criminoso?” (5)
O médium de Pedro Leopoldo disse que foi operado pelos médicos terrenos cinco vezes, e vários médiuns lhe ofereceram seus serviços. “O Espírito Emmanuel lhe repreendeu: Você deveria ter vergonha até em pensar em receber esse tipo de cura, porque todos os outros doentes vertem sangue, usam éter, tomam determinados remédios para melhorar. Como você pretende se curar numa cadeira de balanço?”(6)
Do exposto, indagamos o seguinte: como ajuizarmos atualmente esses “curandeiros e cirurgiões do além”? Chico Xavier quando estava para se submeter a uma cirurgia, em 1968, de um tumor na próstata, Zé Arigó [que não era espírita], mandou lhe avisar que estava pronto para realizar a operação. Chico respondeu: “como é que eu ficaria diante de tanto sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi, como o boi vai para o matadouro? E eu, sabendo disso, vou querer facilidades? Eu tenho é que operar [com médicos encarnados] como os outros, sofrendo com eles! (7) Por isso, o Espírito André Luiz advertiu para “aceitar o auxílio dos missionários e obreiros da medicina terrena, não exigindo proteção e responsabilidade exclusivos dos médicos desencarnados”. (8)
É deplorável os médiuns evocarem “Espíritos”  para que lhes atendam como “cirurgiões do além”, a fim de  retalhar e perfurar  corpos em nome de “operações espirituais”; que lhes prescrevam placebos. É lamentável essa tendência de subestimar a contribuição da medicina humana, entregando nossas enfermidades aos Espíritos “curandeiros do além” (preferencialmente com nome germânico ou hindu) para que “curem” doenças.  Precisamos “aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação de valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé”. (9)
Não desconhecemos a plausível intervenção dos desencarnados nos processos terapêuticos na Terra, mas não se pode dar proeminência a esse tipo de trabalho, na suposição de curas ou na pérfida ideia de robustecimento do Espiritismo por esses meios. É urgente não abrirmos mão da precaução! Ainda mesmo  que o excesso em tudo seja prejudicial, contudo, Kardec endossa nossa atitude  dizendo que “em semelhante caso, vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança”.(10)
Acreditamos que as “terapias alternativas”, “curandeirismos” e a fascinação na prática mediúnica, são fatores que têm desestabilizado o plano [da união] entre os espíritas e da unidade doutrinária.(11) É pouco significante que um “cirurgião do além-túmulo”  faça desaparecer anomalias inibidoras ou deformantes do corpo. Até porque o perispírito conservará a patologia, que vai se projetar para reencarnações futuras, exceto que nos ajustemos com a lei da justiça, cobrindo com amor a “multidão de pecados” que carregamos. Jamais olvidemos que a cirurgia transcendente pode até mesmo refrear temporariamente as doenças físicas, mas o amor, trabalhando nos tecidos sutis da alma, cura, purifica e redime para a eternidade.
Segundo Divaldo Franco   “é uma temeridade transformar o centro espírita em pequeno hospital para atendimento de todas as mazelas , isso é uma loucura. É um desvio da finalidade da prática do Espiritismo. Podemos, sim, fazer uma atividade de atendimento a doentes que são portadores de problemas na área da saúde espiritual. Poderemos aplicar-lhes passes, doar-lhes a água fluidificada, se for o caso, mas a função principal do Centro Espírita é iluminar a consciência daqueles que o buscam.”(12)
Ressalta o tribuno baiano que certa vez o Espírito do “Dr. Fritz” quis operar Chico Xavier, em 1965, através do médium não espírita Zé Arigó: – “Eu te ponho bom desse olho. Faço-te a cirurgia agora! Pronunciou  Arigó e  Chico Xavier respondeu-lhe: – “Não, isso é um karma. Eu sei que o senhor pode consertar o meu olho. Mas como o karma continuará, vai aparecer-me outra doença. Como eu já estou acostumado com essa, eu a prefiro. Por que eu iria querer uma doença nova?”. (13)
Os Espíritos não estão a disposição para promoverem curas de patologias que não raro representam providências corretivas para nosso crescimento espiritual no buril expiatório.
Nesse sentido, os dirigentes de núcleos espíritas deveriam promover bases de estudos e reflexões sobre as propostas filosóficas, científicas e religiosas do Espiritismo ao invés de encetarem trabalhos espirituais para os inócuos “curanderismos”.
Jorge Hessen
Referências bibliográficas:
(2)    Suas economias vêm do garimpo. Ele é dono de fazendas na região, é proprietário de apartamentos em Brasília, Goiânia, Anápolis e Abadiânia.
(3)    Disponível em http://vejabrasil.abril.com.br/brasilia/materia/joao-do-ceu-e-da-terra-508 acesso em 14/09/2013
(4)    Idem
(5)    Entrevista, concedida aos jornalistas goianos Batista Custódio — Diário da Manhã — e Consuelo Nasser — Revista Presença —publicado no jornal “Goiás Espírita” — órgão de divulgação da Federação Espírita do Estado de Goiás — edição 284, de janeiro/fevereiro de 1988
(6)    Idem
(7)    Idem
(8)    Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Cap.35. RJ: Editora FEB, 1977-5ª edição
(9)    Idem
(10)    Kardec, Allan. Viagem Espírita-1862, Brasília, Ed. Edicel, 2002, pág. 33
(11)    Franco. Divaldo. Publicado no jornal Alavanca – abril/maio-2000
(12)Entrevista com Divaldo Franco publicado no jornal “A Gazeta do Iguaçu” em julho de 1997
(13)Idem



Grifo do autor do blog
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"TALISMÃS, FITINHAS DO “SENHOR DO BONFIM” E OUTROS AMULETOS NUM CONCISO COMENTÁRIO ESPÍRITA"



Para o enredo místico os “talismãs são objetos de proteção, imantados de força magnética, ao qual se atribui um poder sobrenatural de realização dos desejos do usuário. Os amuletos são os objetos consagrados através da magia que devem ser usados junto ao corpo (anéis, correntes, medalhas). Segundo creem, um objeto sagrado tem uma função (proteger, vincular, aproximar) determinada pela sua forma no plano material (gravura, anel, estátua, medalha, porta-incenso). Por outro lado, a natureza da energia que pode ser canalizada pelo objeto varia de acordo com o símbolo ou divindade que este objeto represente.”(1)

Acatamos fraternalmente o nível moral de quem usa e crê na eficácia dos talismãs e amuletos,  entretanto, quem utiliza  cristaliza a fé, razão pelo qual não recomendamos o uso de implementos místicos ,  até porque são inúteis e completamente dispensáveis. Na compreensão espírita “a virtude dos [talismãs e amuletos] de qualquer natureza que seja,  não existe senão na imaginação das pessoas crédulas[ingênuas].”(2)

O Espiritismo e o magnetismo elucidam uma vastidão de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fantasias mitológicas, em que os eventos se oferecem excedidos pela imaginação. “O conhecimento lúcido dessas duas ciências [Espiritismo e o magnetismo] constitui o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice.”(3)

Os Espíritos Superiores dizem que os crédulos na força do talismã podem atrair seres espirituais de qualquer natureza, posto ser o pensamento a energia induzidora enquanto o apetrecho tão somente uma referência que conduz o pensamento. A rigor, “a virtude dos talismãs, de qualquer natureza que sejam, jamais existiu, senão, na imaginação das pessoas crédulas.”(4) Deste modo, não há nenhuma palavra sacramental, nenhum sinal cabalístico, nenhum talismã que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porque eles são atraídos somente pelo pensamento e não pelas coisas materiais.

A realidade é que  “a natureza do Espírito atraído terá afinidade com a pureza da intenção e da elevação dos sentimentos; porém, obviamente,  quem assenta fé na virtude de um talismã tem um intento mais material do que moral, isso denota em muitos casos uma inferioridade e fraqueza de ideias que o expõem aos Espíritos imperfeitos e zombeteiros.”(5) Os Instrutores espirituais, em todos os tempos, condenaram o emprego de sinais e das formas cabalísticas, e todo [encarnado ou desencarnado] que lhes atribui uma virtude qualquer, ou  pretenda valorizar  talismãs que tangem para a magia, revela, com isso, sua inferioridade, esteja agindo de boa fé ou por ignorância.

Não negamos a relativa influência oculta de certos objetos de uso pessoal (joias, por exemplo) que parecem funestos magneticamente. Emmanuel explana que os objetos, principalmente de uso pessoal, “têm a sua história viva e por vezes, podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas, de seus antigos possuidores no mundo; razão porque parecem tocados, por vezes, de singulares influências ocultas, porém, nosso esforço deve ser o da libertação espiritual, sendo indispensável lutarmos contra os fetiches, para considerar tão somente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito.”(6)

Os Espíritos que aconselham sinais, palavras extravagantes ou receitam determinadas fórmulas secretas são seres primários que caçoam e brincam com a ingênua credulidade dos incautos. Há pessoas que atribuem poderes nas defumações domésticas a fim de afastar os “maus” espíritos do lar, será isso eficaz? Obviamente, não! Quando muito a fumaça poluirá a atmosfera e, quem sabe! Espante algumas muriçocas e carapanãs, mas quanto aos obsessores, não haverá qualquer efeito. A fuligem defumatória tão somente sinalizará aos espíritos zombeteiros que em tal ou qual moradia residem crendices e superstições, portanto, ambiente fértil e facilmente influenciável por eles. Portanto, não exercendo qualquer controle sobre os Espíritos [bons ou maus], a defumação é completamente ineficaz para suposta proteção da influência dos Espíritos.

Kardec adverte que “não há [qualquer força sobrenatural], para alcançar esse [ou aquele] objetivo, nem palavras sacramentais, nem fórmulas, nem talismãs, nem quaisquer sinais materiais [riscados, cantados, defumados, fitas do Senhor do Bonfim etc]. Os maus Espíritos disso se riem e se alegram frequentemente em indicarem [tais apetrechos]. [Tais seres zombeteiros] sempre têm o cuidado de se dizer infalíveis, para melhor captar a confiança daqueles que querem enganar, porque então estes confiantes na virtude do procedimento, se entregam sem medo.”(7)

Por razões lógicas o Espiritismo não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, búzios ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior. Até porque os Espíritos são atraídos somente pelo pensamento; portanto, nenhum talismã, amuleto, palavra sacramental, sinal cabalístico ou qualquer tipo fórmula exterior poderá exercer qualquer influência sobre eles.

Respeitamos os que creem na influência dos talismãs da felicidade pessoal, porém somos convidados a informar que o talismã para a felicidade pessoal, definitiva, se constitui de um bom coração sempre afeito à harmonia, à humildade e ao amor, no integral cumprimento dos desígnios de Deus.

Jorge Hessen


Referência bibliográfica:
(1)    Disponível em http://mistico.com/p/talisma/ acesso em 23/08/13
(2)    Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XXV, item 282-17ª, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991
(3)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos,  perg. 555, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994
(4)    Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XXV, item 282-17ª, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991
(5)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos,  perg. 553 e 554, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994
(6)    Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel,  perg. 143, Rio de janeiro: Ed. FEB, 1997
(7)    Kardec, Allan. Revista Espírita,  dezembro de 1862, Brasília: Ed. Edicel, 2002


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