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Educação moral e regeneração



O propósito essencial do Espiritismo é o progresso moral da Humanidade, a iluminação das consciências dos Espíritos aqui encarnados! Vinícius, pseudônimo de Pedro de Camargo (1878-1966), emérito educador e evangelizador, ao analisar a importância da educação moral para o homem, afirma categórico:
O Reino divino das realidades da vida encontra-se nos refolhos da consciência humana.Ensinar os homens a descobri-lo em si próprios, e por ele se orientarem, eis a magna questão. Tudo o mais é acessório. Ora, a missão da Doutrina dos Espíritos é precisamente essa: esclarecer, iluminar a mente do homem, de modo que ele descortine, com clareza, o roteiro que o conduzirá à realização do destino maravilhoso que lhe está reservado.2
Não basta, porém, conhecer o objetivo a ser atingido, é preciso identificar as maneiras e os meios que permitem aos homens adquirir as virtudes que os façam evoluir moralmente, contrariando os péssimos hábitos e costumes adquiridos nas existências anteriores. Há obstáculos que se opõem a essa iniciativa? Como executar na prática tudo o que possa nos guiar para alcançarmos essa finalidade?
A teoria da Doutrina Espírita tem por objeto transmitir as verdades eternas e imutáveis, enquanto a práxis de seus ensinamentos visa à extensão das ações humanas, a partir das escolhas de cada um de nós, na procura de um fim útil, em que predomine a fraternidade. Essas opções, no entanto, surgem conforme a natureza dos nossos atos, bons ou maus, que se deixam influenciar pelas múltiplas experiências da vida corporal. Assim, a verdade teórica difere da verdade prática, uma vez que nem sempre conseguimos exemplificar os preceitos espíritas que desenvolvemos nos estudos. Mesmo de posse desses conhecimentos, não somos capazes de julgar adequadamente nossos feitos, transgredindo moralmente, sem alcançar as condições espirituais que almejamos. A esse respeito, importante contribuição é oferecida pelo saudoso autor espírita Juvanir Borges de Souza (1916-2010):
É uma realidade, facilmente constatável, que não aprendemos lições importantes, relacionadas com o aperfeiçoamento moral, tão rapidamente quanto poderíamos e deveríamos. O progresso moral do homem seria muito mais rápido se acompanhasse o mesmo ritmo das aquisições intelectuais.
Ocorre comumente o conhecimento teórico sem a prática correspondente. Em outras palavras, convive-se incoerentemente com ideias aceitas e práticas em desajuste com elas. Observem-se certos hábitos viciosos adquiridos por determinadas pessoas. Na sua maioria têm elas plena noção de que seus hábitos são perniciosos, que sua saúde física e espiritual está se comprometendo e gostariam de se ver livres do domínio do hábito.Mas não conseguem [...].
A dificuldade maior não se encontra na aprendizagem da Doutrina. [...] O grande obstáculo a ser transposto consiste na vivência dos princípios, na prática da caridade, na substituição do egoísmo e do orgulho pelo amor soberano a Deus e ao próximo, na compreensão de nossos semelhantes e de tudo o que nos cerca, para que se manifeste em nós a verdadeira justiça. [...]3
Ao abraçarmos o Espiritismo reconhecemos que se torna inaceitável conviver com as imperfeições que possuímos, sem o esforço indispensável para corrigi-las. Essas observações nos reportam a outro problema crucial: os cuidados que devemos ter na educação dos filhos. Como prepará-los para se tornarem bons espíritas se ainda carecemos de vontade firme na luta pela transformação moral à custa de sacrifícios e renúncias? Como ajudá-los nessa fase de transição em que devem atender às inúmeras responsabilidades que os exortam a trabalhar pela regeneração da Terra?
Allan Kardec, tendo sido professor e pedagogo, com o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, discípulo do notável educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), soube devotar-se à causa da Educação, elaborando excelentes propostas pedagógicas, sobretudo, para o ensinamento de crianças e jovens. “[...] todas as vezes que se falava em alterar a lei do ensino, ele saía a campo para expor suas ideias, seus planos e projetos, levado apenas pelo interesse de servir à obra da educação.”4 Esses trabalhos foram avaliados por educadores e profitentes espíritas, que os qualificaram como valiosos e úteis para o esclarecimento de certas questões atuais. Estudos e pesquisas que mais tarde permitiram a Kardec se tornar “um observador atento e meticuloso, um pensador prudente e profundo”5 na importante missão de codificar a grandiosa obra do Espiritismo. Por ocasião da apresentação do Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública, na França, ele alerta os pais quanto à necessidade de estarem atentos ao desenvolvimento integral dos filhos: “[...] a meta da educação consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais. Eis o que todos repetem, mas o que não se pratica [...]”,6 e destaca:
A fonte das qualidades morais se acha nas impressões que a criança recebe desde o seu nascimento, talvez mesmo antes, e que podem agir com mais ou menos energia sobre o seu espírito, para o bem ou para o mal. Tudo o que ela vê, tudo o que ela ouve, a faz experimentar impressões. Ora, assim como a educação intelectual consiste na soma das ideias adquiridas, a educação moral é o resultado de todas as impressões recebidas. Cada objeto, que a criança vê, lhe dá uma ideia, e cada palavra que ela escuta ou cada ação de que ela é objeto ou testemunha, a faz experimentar uma impressão; a mesma impressão, mantida durante um certo tempo e frequentemente repetida, fá-la contrair um hábito.
Ora, como se sabe, o hábito é uma segunda natureza que nos leva, malgrado nosso, a fazer uma coisa, [...] sem que nossa vontade participe disso; daí as chamadas inclinações, que são apenas hábitos inveterados, quando não estejam ligadas ao nosso temperamento, como a cólera, a vivacidade, a lentidão e outras tendências desta natureza. [...]7
Essas fundamentações embasaram o mestre de Lyon para o importante comentário da resposta à questão 685a, de O Livro dos Espíritos, ao indicar a educação moral como condição primordial para a transformação do homem: “[...] Não nos referimos [...] à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos”.8
No texto pedagógico citado, verificamos a preocupação do Prof. Rivail sobre “[...] o quanto importa evitar cuidadosamente tudo o que possa fazer a criança experimentar impressões perigosas [...]”, encontradas no “exemplo do vício, [nos] maus conselhos ou [nas] conversações pouco adequadas”.9 Tais modelos são aqueles recebidos pelas crianças ao se relacionar com as pessoas que as cercam, entre elas, os pais. Existem hábitos ruins que condicionam as pessoas e chegam a criar os maiores embaraços ao prejudicar sensivelmente a educação daqueles que estão sob a sua responsabilidade e guarda. Pequenas mudanças nascem da aquisição de novos e salutares hábitos: procurar a boa leitura, meditar sempre que for possível, cuidar da higiene mental, buscar a boa conversação, realizar ações de amparo ao próximo etc. Costumes que exercem influências benéficas e moralizadoras para nós e para os filhos.
A Evangelização Espírita tem um papel preponderante na preparação das novas gerações! Os evangelizadores são verdadeiros educadores, “cônscios do seu papel, que procuram, pela palavra e pelo exemplo, despertar os poderes internos, as forças espirituais latentes dos seus educandos”.10Conforme Vinícius, “são [...] os continuadores e colaboradores da divina missão do Mestre Nazareno”,10e acrescentamos: também são os cooperadores dos pais, na Terra, e que perseveram na tarefa nobre de transmitir à infância e à juventude os nobilíssimos postulados espírita-cristãos.
O Espírito Emmanuel fala sobre a importância da formação da mentalidade cristã, de forma ordenada e progressiva, permitindo a modificação das ideias, dos sentimentos e dos hábitos:
Há necessidade de iniciar-se o esforço de regeneração em cada indivíduo, dentro do Evangelho, com a tarefa nem sempre amena da autoeducação.Evangelizado o indivíduo, evangeliza-se a família [...].11 As atividades pedagógicas do presente e do futuro terão de se caracterizar pela sua feição evangélica e espiritista, se quiserem colaborar no grandioso edifício do progresso humano.12


Clara Lila Gonzales de Araújo






1KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2012. Cap. 18, it. 33, p. 479.
2VINÍCIUS (Pseudônimo de Pedro de Camargo). O mestre na educação. 10. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 17.
3SOUZA, Juvanir Borges de. Novos tempos. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Cap. 12.
4WANTUIL, Zêus; THIESEN, Francisco. Allan Kardec – o educador e o codificador. v. 1. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Cap. 29.
5______. ______. Cap. 38, p. 223.
6INCONTRI, Dora; GRZYBOWSKI, Przemyslaw. (Tradução, apresentação, organização e notas) Kardec educador – Textos pedagógicos de Hippolyte Léon Denizard Rivail. Bragança Paulista, SP: Editora Comenius, 1998. Cap. Plano posto para melhoria da educação pública, p. 15.
7______. ______. p. 16-17.
8KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 92. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Comentário de Kardec à q. 685a.
9INCONTRI, Dora; GRZYBOWSKI, Przemyslaw. (Tradução, apresentação, organização e notas) Kardec educador – Textos pedagógicos de Hippolyte Léon Denizard Rivail. Bragança Paulista, SP: Editora Comenius, 1998. Cap. Plano posto para melhoria da educação pública, p. 15.
10VINÍCIUS (Pseudônimo de Pedro de Camargo). O mestre na educação. 10. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 6.
11XAVIER, Francisco C. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 35, it. Necessidade da educação pura e simples, p. 236.
12______. ______. It. Formação da mentalidade cristã, p. 238.




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O verdadeiro nome e autoria da "Oração de São Francisco"





Ao escrever o meu livro "O Reflexo do Cristo", sobre Francisco de Assis, uma coisa que me intrigou foi que, dentre os escritos que ele deixou, não aparecia a “Oração” que lhe leva o nome. Ao procurar o motivo, descobri: a oração não é de sua autoria, pelo menos enquanto encarnado. Ela apareceu pela primeira vez no jornal do Vaticano: l´Osservatore Romano, em 20 de janeiro de 1916 e, algum tempo depois, no jornal católico La Croix. O seu título era Oração pela paz, e o autor, o Marquês de La Rochetoulon, fundador do semanário Souvenir Normand, que a enviou ao papa Bento XV, junto com outras.  Estava ocorrendo a Primeira Guerra Mundial e os religiosos conscientes buscavam amparo espiritual para que a matança, causada pela ambição dos poderosos empresários europeus, parasse. O Papa agradeceu através do seu secretário, e na missiva se revela que as orações eram endereçadas ao Sagrado Coração de Jesus. Algum tempo depois de publicada, um franciscano de Reims, na França, publicou um ”santinho” de São Francisco e, na parte de trás a Oração pela paz, de La Rochetoulon, com o seguinte comentário: essa oração resume os ideais franciscanos e, ao mesmo tempo, representa uma resposta às urgências de nosso tempo. Isto deve ter levado a se associar Francisco de Assis com a prece e, via de conseqüência, lhe atribuir a autoria, em prejuízo do autor real[1]. Francisco foi tomado, e tornou-se uma representação, do arquétipo da totalidade, por isso o Self da psiquê coletiva lhe associou uma produção do inconsciente coletivo, ignorando o  real veículo dela. O Marquês de La Rochetoulon, autor de direito e de fato, da Oração,  foi o médium das angústias da consciência coletiva de espíritos encarnados e desencarnados, naquele momento de dores do povo europeu; e, naturalmente, dos anseios de paz, generosidade e fraternidade que pulsa no inconsciente coletivo: anseio pelas benesses de um Paraíso julgado perdido, mito da fase inconsciente da alma, que ela sonha tornar realidade consciente, no agora de todos os tempos. O que disse acima não implica na negação de que a oração tenha sido inspirada pelo espírito de Francisco; mas a inspiração é um tipo de mediunidade na qual não se pode separar, com segurança, o que é do médium e o que é dos espíritos. Assim, minha admiração vai para o marquês, cuja sensibilidade pôde materializar um impulso arquetípico que polariza pessoas de diversos credos e nações. Este episódio ilustra o fato de como uma figura da dimensão de um Francisco de Assis tende a, mesmo sem o querer, ofuscar e se apropriar de trabalhos de outros menos ilustres. A apropriação foi via inconsciente coletivo, contra o que não se pode lutar. Embora eu prefira “dar a César o que é de César”, a Oração pela paz é um grande polarizador da consciência e do inconsciente coletivos; como qualquer oração, deve ser usada com devida emoção. Simplesmente recitar ou cantar a Oração pela paz, pode não produzir o efeito pretendido, e ser uma mera superficialidade. Mas, se aprofundada pela interiorização, num processo de imaginação ativa, a Oração do Marquês de La Rochetoulon nos faz entrar em conexão com a imago dei em nós, e usufruir as benesses que ela sempre proporciona (Anexo do meu livro: O Reflexo do Cristo: episódios da vida de Francisco de Assis).     [1] 
Dados retirados do livro: A Oração de São Francisco, 9ª edição, de Leonardo Boff, Editora Sextante, 1999.

Fonte: http://focalizandoaalma.blogspot.com.br
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O ADOLESCENTE E O NAMORO







           Na fase da adolescência, a atração sexual é portadora de alta carga de magnetismo.
Surge, inesperadamente, a necessidade de intercâmbio afetivo, que o jovem ainda não sabe definir. Os interesses infantis são superados e as aspirações acalentadas até então desaparecem, a fim de cederem lugar a outras motivações, normalmente através do relacionamento interpessoal. Os hormônios, amadurecendo e produzindo as alterações orgânicas, também trabalham no psiquismo, desenvolvendo aptidões e anseios que antes não existiam.
Nesse momento, os adolescentes olham-se surpresos, observam as modificações externas e descobrem anseios a que não estavam acostumados. São tomados de constrangimento numa primeira fase, depois, de inquietação, por fim, de certa audácia, iniciando-se as experiências dos namoros.
Referimo-nos ao processo natural, sem as precipitações propostas pelas insinuações, provocações e licenças morais de toda ordem que assolam o mundo juvenil, conspirando contra a sua realização interior.
Estimulados por essa falsa liberdade, mentalmente alertados antes de experimentarem as legítimas expressões do sentimento, atiram-se na desabalada busca do sexo, sem qualquer compromisso com a emoção, transtornando-se e perdendo a linha do desenvolvimento normal, passo a passo, corpo e mente.
Prematuramente amadurecidos, perdem o controle da responsabilidade e passam a agir como autômatos, vendo, no parceiro, apenas um objeto de uso momentâneo, que deve ser abandonado após o conúbio, a fim de partir na busca de nova companhia, para atender a sede de variação promíscua e alienadora.
O namoro é uma necessidade psicológica, parte importante do desenvolvimento da personalidade e da aprendizagem afetiva dos jovens, porquanto, na amizade pura e simples são identificados valores e descobertos interesses mais profundos, que irão cimentar a segurança psicológica quando no enfrentamento das responsabilidades futuras.
Trata-se de um período de aproximação pessoal, de intercâmbio emocional através de diálogos ricos de idealismos, de promessas — que nem sempre se cumprem, mas que fazem parte do jogo afetivo — e sonhos, quando a beleza juvenil se inspira e produz.
As artes, em geral, a literatura, a poesia, a estética descobriram na afetividade juvenil suas verdadeiras musas, que passaram a contribuir em favor do enriquecimento da vida, através das lentes róseas dos enamorados. Todo um mundo dourado e azul, trabalhado nas estrelas e no luar, no perfume das flores e nos favônios dos entardeceres, aparece quando os jovens se encontram e despertam intimamente para a afetividade.
O recato, a ternura, a esperança, o carinho e o encantamento constituem as marcas essenciais desses encontros abençoados pela vida. As dificuldades parecem destituídas de significado e os problemas são teoricamente de soluções muito fáceis, convidando à luta com que se estruturam para os investimentos mais pesados do futuro.
O desconhecimento do corpo e a inexperiência da sua utilização, nesse período, cedem lugar a um descobrimento digno, compensador, que predispõe aos relacionamentos tranquilos, estimulantes.
Igualmente nesse curso do namoro se identificam as diferenças de interesse, de comportamento psicológico, de atração sexual e moral, cultural e afetiva.
O adolescente, às vezes, encantador, que desperta sensualidade nos outros, no convívio pode apresentar-se frívolo, vazio de idealismo, desprovido de beleza, que são requisitos de sustentação dos relacionamentos, e logo desaparece a atração, que não passava de estímulo sexual sem maior significado.
Quando o namoro derrapa em relacionamento do sexo, por curiosidade e precipitação, sem a necessária maturidade psicológica nem a conveniente preparação emocional, produz frustração, assinalando o ato com futuras coarctações, que passam a criar conflitos e produzir fugas, gerando no mundo mental dos parceiros receios injustificáveis ou ressentimentos prejudiciais.
Não raro, esses choques levam a práticas indevidas e preferências mórbidas, que se transformam em patologias inquietantes na área do comportamento sexual.
É natural que assim suceda, porque o sexo é departamento divino da organização física, a serviço da vida e da renovação emocional da criatura, não podendo ser usado indiscriminadamente por capricho ou por mecanismos de afirmação da polaridade biológica de cada qual.
O indivíduo tem necessidade de exercer a função sexual, como a tem de alimentar-se para viver. Não obstante essa função, porque reprodutora, traz antecedentes profundos fixados nos painéis do Espírito, arquivados no inconsciente, que não interpretados corretamente se encarregam de levá-lo a transtornos psicóticos significativos.
O período do namoro, é preparatório, a fim de predispor os adolescentes ao conhecimento das suas funções orgânicas, que podem ser bem direcionadas e administradas sem vilania, mantendo o alto padrão de  consciência em relação ao seu uso.
As carícias se encarregam de entretecer compensações afetivas e preencher lacunas do sentimento, traduzindo a necessidade do companheirismo, da conversação, da troca de opiniões, do intercâmbio de aspirações.
O mundo começa também a ser descoberto e programas são delineados, nesse comenos afetuoso, tendo em vista a possibilidade de estar próximo do ser querido e com ele compartir dores e repartir alegrias.
As dificuldades e conflitos íntimos, face à aproximação afetiva, são debatidos e buscam-se fórmulas para superá-los e resolvê-los. Um auxilia o outro e abrem-se os corações, pedindo auxílio recíproco.
Quando isso não ocorre, há todo um jogo de mentiras e aparências que não correspondem à realidade, e cada um dos parceiros pretende demonstrar experiências que não consolidou, e que se encontram na imaginação, como decorrência de informações incorretas ou de usos inadequados, que exalta, tornando-se agressivo e primário, sem a preocupação de causar ou não trauma no parceiro.
Merece considerar, também, que nessa fase, o jovem desperta para as suas faculdades paranormais, suas inseguranças e ansiedades estão em desordem, propiciando, pela natural lei de causa e efeito, a aproximação de antigos comparsas, que procedem de reencarnações passadas e agora se acercam para darem prosseguimento a infelizes obsessões, particularmente na área sexual.
Grande número de adversários espirituais é constituído de afetos abandonados, traídos, magoados, infelicitados, que não souberam superar o drama e retornam esfaimados de paixões negativas, buscando aqueles que lhes causaram danos, a fim de se desforçarem, investindo, desse modo, furiosos e cruéis, contra quem lhes teria prejudicado.
Esse é um capítulo muito delicado, que não pode ser deixado à margem, merecendo análise especial.
Assim, o namoro preenche a lacuna da imaturidade e propicia renovação psicológica e conforto físico, sem ardência de paixão, nem frustração amorosa  antes do tempo.

ADOLESCÊNCIA E VIDA       
DIVALDO PEREIRA FRANCO/JOANNA DI ÂNGELIS

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Suporta




Suporta com resignação todas as provações que fordes cominadas.
Se es espirita, ou adepto da doutrina, possivelmente conhece as leis de provas e expiação, e causa e efeito.
Estás cônscio de que tudo o que desejares, ou fizeres ao teu próximo retrogradará para ti.
Está também consciente de que todas as dificuldades que hoje enfrentas são provações e reparações de vida advindas.
Procura conhecer melhor as referidas leis, e esteja preparado para enfrentar as supostas provações que ainda deveis passar.
Já observaste que quando passas pelas devidas provações nem sempre as aceita e cogitas que Deus é injusto, que não mereces as provações, e que teu adversário foste injusto contigo.
Sim, devemos lembrar que Jesus disse que seria necessário o escândalo, mais ai daquele que for instrumento do escândalo.
Recorde que jamais cairá uma só folha seca de uma árvore ou um só fio de seu cabelo sem que Deus perceba.
Jamais Deus permitirá que experimente qualquer provação se não tiveres que passar por elas, ou se não for um resgate de causa e efeito que devas experimentar.
Se verdadeiramente conheces as referidas leis, quando as provações vierem de encontro a ti, suporte as de cabeça erguida e jamais permita que a revolta possa anular os efeitos positivos da quitação de débitos anteriores.
Ore por aqueles que te perseguem e te caluniam.
Levanta-te e segue sempre a frente.
Jamais pense em revidar as ofensas, pois que no passado revidaste e no presente está sofrendo as consequências, porque ignorastes as leis de Deus.
Suporta com amor todas as provações e seja um vencedor na longa caminhada rumo a perfeição.

G.W.. Pelo médium José Alves de Sousa em 01/07/12.





Fonte: http://dimensaoespirita.com.br
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O REINO DE DEUS DENTRO DO HOMEM






  “Mestre — perguntaram, um dia, os homens — onde está o reino de Deus?”
        “O reino de Deus — respondeu o Nazareno — não vem com aparato exterior; nem se pode dizer: ei-lo aqui!, ei-lo acolá! O reino de Deus está dentro de vós”...
        Entretanto, os homens, cegos para essa luz, continuam a procurar o reino de Deus fora de si mesmos, em vãs exterioridades...
        O reino de Deus é o reino da verdade e do bem...
        O reino da justiça e da paz...
        O reino do amor e da caridade...
        O reino da humanidade e da pureza...
        Quando o homem tem dentro da alma estas coisas, está no meio do reino de Deus — porque dentro dele está o reino de Deus...
        Ninguém pode entrar no reino de Deus — se nele não entrar o reino de Deus...
        O homem que uma vez entrou no reino de Deus — encontra a Deus por toda a parte.
        Encontra a Deus na grandeza do cosmos visível — e nos mistérios da alma invisível.
        Vê a Deus no fulgor do relâmpago — e no matiz das flores do prado...
        Ouve a Deus no bramir da procela — e no silêncio das noites estreladas...
        Adivinha a Deus nos indefessos labores da abelha — e nos indolentes devaneios da borboleta...
        Contempla a Deus nos etéreos primores do arco-íris — e nas pupilas de inocente criança...
        Percebe a Deus no sorriso feliz duma noiva — e nas lágrimas acerbas do agonizante...
        O homem que dentro de si descobriu a Deus — descobre-o por toda a parte fora de si...
        Pois Deus é espírito onipresente — basta possuir a necessária vidência espiritual para encontrá-lo em cada uma das suas obras, espelhos e enigmas da Divindade.
        É justo, ó homem, que tenhas lugares de cultos onde, com teus irmãos, cantes louvores a Deus — mas não restrinjas a esses momentos o culto divino.
        Cultua a Divindade onipresente e onividente no santuário do Eu e do lar...
        Glorifica o Eterno no amor à pátria e na história dos povos...
        Adora o Altíssimo nas maravilhas da Natureza e nos prodígios da cultura...
        Venera o eterno Anônimo até nos gemidos da dor e nos paradoxos do mal...
        Se dentro de ti não encontraste o reino de Deus — em parte alguma o encontrarás...
        Por toda a parte verás o reino de Satã — dentro e fora de ti...
        Pois o homem não enxerga as coisas como elas são — mas, sim, como ele é...
        Projeta ao mundo externo o colorido do seu mundo interno...
        O homem sem Deus contempla sem Deus o mundo repleto de Deus...
        O homem repleto de Deus encherá de Deus as almas sem Deus...
        Proclama em tua alma, ó homem, o reino de Deus — e tua plenitude transbordará em outras almas...
        Só pode fazer bons os homens quem é bom ele mesmo... Só pode encher de Deus quem está cheio de Deus... O homem divinizado diviniza os homens...

      (De “Alma para Alma”, de Huberto Rohden)

Paz e Luz




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Mãos Estendidas







"Estende a tua mão. E ele a estendeu e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra" (MARCOS, 3:5.)

Em todas as casas de fé religiosa, há crentes de mãos estendidas, suplicando socorro...

Almas aflitas revelam ansiedade, fraqueza, desesperança e enfermidades do coração.

Não seremos todos nós, encarnados e desencarnados, que algo rogamos à Providência Divina, semelhantes ao homem que trazia a mão seca?

Presos ao labirinto criado por nós mesmos, eis-nos a reclamar o auxílio do Divino Mestre...

Entretanto, convém ponderar a nossa atitude.

É justo pedir e ninguém poderá cercear quaisquer manifestações da humildade, do arrependimento, da intercessão.

Mas é indispensável examinar o modo de receber.

Muita gente aguarda a resposta materializada de Jesus.

Esse espera o dinheiro, aquele conta com a evidência social de improviso, aquele outro exige a imediata transformação das circunstâncias no caminho terrestre...

Observemos, todavia, o socorro do Mestre ao paralítico.

Jesus determina que ele estenda a mão mirrada e, estendida essa, não lhe confere bolsas de ouro nem fichas de privilégio. Cura-a. Devolve-lhe a oportunidade de serviço.

A mão recuperada naquele instante permanece tão vazia quanto antes.

É que o Cristo restituía-lhe o ensejo bendito de trabalhar, conquistando sagradas realizações por si mesmo; recambiava-o às lides redentoras do bem, nas quais lhe cabia edificar-se e engrandecer-se.

A lição é expressiva para todos os templos da comunidade cristã.

Quando estenderes tuas mãos ao Senhor, não esperes facilidades, ouro, prerrogativas... Aprende a receber-lhe a assistência, porque o Divino Amor te restaurará as energias, mas não te proporcionará qualquer fuga às realizações do teu próprio esforço.





Francisco Cândido Xavier. Da obra: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Lição 174. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 


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Aceitemos a Dor







Aceitemos realmente a dor na condição de apoio celeste com que a Divina Providência nos enriquece o caminho.
Toda a natureza para ajudar a experiência do homem, alimentando-o e amparando-o, padece constantes dilacerações.
Para transformar-se em sementeira proveitosa, morre o grão esquecido no solo.
Para converter-se a espiga em farinha, humilha-se, asfixiada, sob a mó que a tritura.
Para dar-se em pão abençoado à mesa, submete-se a farinha à elevada tensão do forno.
Para servir no levantamento do edifício, sofre a pedra a pressão do martelo.
Para oferecer-se em beleza e brilho, obedece o seixo bruto ao buril que o aprimora.
Para responder às necessidades do conforto, desce o tronco aos insultos da lâmina.
Para contribuir no progresso, encontra o metal as injúrias do fogo.
A responsabilidade na oficina do caráter, é luz que engrandece todo espírito que lhe atende as obrigações.
Não lamentes a dificuldade e nem amaldiçoes o sofrimento que porventura te busquem.
Não temas a dor, na escola da vida, e recolhe, em silêncio, as bênçãos de que se faz emissária.
Não te enganes com as aparências.
Quando te vejas no usufruto dessa ou daquela promoção, atento às circunstâncias do mundo, às imposições dos que te cercam ou às convenções em que a existência se te condiciona, escolhe a senda da abnegação, em auxílio aos outros, porque o Senhor nos ensinou, em espírito e verdade, que somente a preço do esforço máximo pela vitória do bem com o esquecimento de todo egoísmo, é que escalaremos o monte da paz com a nossa própria renovação.

(Emmanuel, do livro "Nascer e Renascer", Francisco Cândido Xavier)


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APOMETRIA NÃO É ESPIRITISMO (Divaldo Franco )




O médico carioca, residente em Porto Alegre, Dr.José Lacerda, desde os anos 50 espírita que era então começou a realizar, numa pequena sala do Hospital Espírita de Porto Alegre chamada 'A Casa do Jardim', atividades mediúnicas normais.
Com o tempo ele recebeu instruções dos espíritos e realizou investigações pessoais que desaguaram em um movimento ao qual ele deu o nome de Apometria.
Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria porque eu não sou apometra, eu sou espírita o que posso dizer é que a apometria, segundo os apometras, não é espiritismo.
Porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de O Livro dos Médiuns. Não examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico a apometria, mas segundo os livros que tem sido publicados, a apometria, segundo a presunção de alguns, é um passo avançado do movimento Espírita no qual Allan Kardec estaria ultrapassado.
Allan Kardec foi a proposta para o século XIX e para parte do século XX e a apometria é o degrau mais evoluído no qual Allan Kardec encontra-se totalmente ultrapassado. Tese com a qual, na condição de espírita, eu não concordo em absoluto.
Na prática e nos métodos de libertação dos obsessores a violência que ditos métodos apresenta, a mim, pessoalmente, me parecem tão chocantes que fazem recordar-me da lei de Talião que Moises suavizou com o código legal e que Jesus sublimou através do amor.
Quando as entidades são rebeldes os doutrinadores depois de realizarem uma contagem cabalística ou de terem o gestual muito específico expulsam pela violência esse espírito para o magma da Terra, a substância ainda em ebulição do nosso planeta.
O colocam em cápsulas espaciais e disparam para o mundo da erraticidade.
Não iremos examinar a questão esdrúxula desse comportamento, mas se eu, na condição de espírito imperfeito que sou, chegasse desesperado num lugar pedindo misericórdia e apoio na minha loucura, e outrem, o meu próximo, me exilasse para o magma da Terra, para eu experimentar a dureza de um inferno mitológico ou ser desintegrado, eu renegaria àquele Deus que inspirou esse adversário da compaixão.
Ou se me mandasse numa cápsula espacial para que fosse expulso da Terra.
Com qual autoridade? Quando Jesus disse que o seu reino é dos miseráveis.
Na parábola do Festim de Bodas, ele manda buscar os mendigos, aqueles que estão nos lugares escabrosos já que os eleitos recusaram e mataram os seus embaixadores.
A Doutrina Espírita centraliza-se no amor e todas essas práticas novas, das mentalizações, das correntes mento-magnéticas, psico-telérgicas, para nós espíritas, merecem todo respeito, mas não tem nada a ver com espiritismo. Seria o mesmo que as práticas da Terapia de Existências Passadas nós realizarmos dentro da casa espírita ou da cromoterapia ou da cristalterapia, fugindo totalmente da nossa finalidade.
A Casa Espírita não é uma clínica alternativa, não é lugar onde toda experiência nova vai colocada em execução. Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases Kardequianas e ao conhecerem-nas nunca vivenciaram para terem certeza, seria desmentir todo material revelado pelo mundo espiritual nestes 144 anos de codificação, no Brasil e no mundo, pela mediunidade incomparável de Chico Xavier, as informações que vieram por esse médium impar, pela notável Yvone do Amaral Pereira, por Zilda Gama, por tantos médiuns nobres conhecidos e nobres desconhecidos no seu trabalho de socorro.
Então se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas não misture para não confundir.
A nossa tarefa é de iluminar, não é de eliminar. O espírito mau, perverso, cruel é nosso irmão na ignorância. Poderia haver alguém mais cruel do que o jovem Saulo de Tarso? Ele havia assassinado Estevão a pedradas, havia assassinado outros, e foi a Damasco para assassinar Ananias. Jesus não o colocou numa cápsula espacial e disparou para o infinito. Apareceu a ele! Conquistou-o pelo amor: "Saulo, Saulo, por que me persegues?"
Pode haver maior ternura nisso?
E ele tomado de espanto perguntou: "Que é isto?" "- Eu sou Jesus, aquele a quem persegues". E ele então caiu em sí.
Emmanuel usa esta frase: E caindo em si, quer dizer aquela capa do ego cedeu lugar ao encontro com o ser profundo, caindo em si. Ele despertou, e graças a ele nós conhecemos Jesus pela sua palavra, pelas suas lutas, pelo alto preço que pagou, apedrejado várias vezes até ser considerado morto, jogado por detrás dos muros nos lugares do lixo, dos dejetos ele foi resgatado pelos amigos e continuou pregando.
Então os espíritos perversos merecem nossa compaixão e não nosso repúdio. Coloquemo-nos no lugar deles. Que sejas como conosco quando nós éramos maus e ainda somos aqui conosco. Basta que alguém nos pise no calcanhar ou nos tome aquilo que supomos que é nosso, para ver como irrompe a nossa tendência violenta e nós nos transformamos de um para outro momento.
Não temos nada contra a Apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudo-científicos.
Não temos nada contra. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta Espírita. E da minha condição de Espírita, exercendo a mediunidade há mais de 54 anos, os resultados tem sido todos colhidos da árvore do amor e da caridade.
Não entrarei no mérito dos métodos, que são bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos, porque a única força é aquela que vem de dentro. Para esta classe de espíritos são necessários jejum e oração.

Transcrito do programa Presença Espírita da Rádio Boa Nova

a partir de palestra de Divaldo Pereira Franco (Agosto/2001)
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LIBERTE-SE DE SEU PASSADO




LIBERTE-SE DE SEU PASSADO

Para que você se liberte de seu passado, é preciso que tome consciência de que ninguém na Terra está seguro de nada, e que todos
temos limitações. Seu passado não deve ser seu entrave. Considere que seus equívocos, assim como os limites que a vida o impôs, são motivos para que você cresça em busca de felicidade.
As pessoas que porventura o tenham magoado, devem ser colocadas à conta de auxiliares do seu processo de crescimento e de busca de felicidade. Elas, em si, não representam ameaça nem são culpadas. São, ou foram, apenas instrumentos úteis para que você se conhecesse mais. O que elas fizeram ou fazem a você, e que o incomoda, deve ser analisado como algo que o permite conectar-se ao que internamente ainda não está resolvido. Com elas, você não pode perder a oportunidade de descobrir seu mundo inconsciente, identificando os conteúdos que favorecem a ocorrência de situações de sofrimento a fim de solucioná-las.
Não deixe que o ódio ou a mágoa o impeça de ser feliz.
Esses dois são poderosos empecilhos ao amor e à paz. A felicidade passa pelo coração sem mágoas. Lembre-se de que tudo aquilo que você debita ao outro como culpa pelo seu sofrimento aponta para algo em você que ainda não se resolveu.
Quando a angústia atingi-lo, trazendo-lhe tristeza e melancolia, é preciso se lembrar do significado que ela representa. É necessário perceber que, a angústia que muitas vezes nos acomete a alma, advém da saudade de algo indefinido. Essa saudade que se transforma em angústia é a falta de confiança acrescida da incerteza quanto ao próprio futuro. Sentimos saudade de algo ou alguém que não sabemos onde, quando ou se ao menos vamos um dia encontrar.
Sentir saudade, chorar por alguém que não podemos sentir próximo, nos torna seres emocionalmente vinculados ao coração da pessoa querida. Isso, sem o desespero ou a posse, faz bem à alma. É bom sentir saudade e se lembrar de pessoas que fizeram parte de nosso passado e que estejam momentaneamente longe de nós. Pelas portas do coração não existem distâncias. No fio da saudade passa a energia do amor que conecta corações que se amam. Porém, não permaneça muito tempo na energia da saudade.
Ela pode viciar e levá-lo a ficar preso ao passado. Com a energia da saudade faça uma oração em favor da pessoa com quem você fez a conexão emocional.
Para se libertar do passado é preciso ter consciência de que ele não deve necessariamente ser esquecido, mas ressignificado. Não tente esquecê-lo, mas lembrar dele como uma experiência que se teve; seja ela boa ou ruim. Quando boa, deve ser lembrada com alegria. Quando ruim, deve ser lembrada como aquela que o ensinou algo.
Não se culpe pelo que fez no passado ou pelo que faz no presente. Se fez, está feito. Se ainda faz, não faça mais e assuma as consequências por isso. Lembre-se de que os erros cometidos são lições aprendidas.
O passado culposo e que se deseja esquecer representa o campo da experiência que se viveu, porém, não é a mancha eterna que nos macula a alma. A mácula em nós é a ignorância de acreditar que não temos direito à felicidade. Não há futuro sem passado e todo passado está revestido de ignorância. Não há quem não tenha vivido experiências equivocadas. Na Terra, ninguém esteve, ou está, livre de viver experiências consideradas transgressões à ordem vigente. Transgressões ou não, temos que aprender a vivê-las conscientemente.
Olhando para nosso passado temos, hoje, a clareza de ver que erramos, porém, na época agimos como sabíamos ou tínhamos condições. No futuro, avaliaremos o que fazemos hoje e poderemos também perceber os equívocos ou o que poderia ter
sido evitado. Arrepender-se do que se viveu é inevitável, mas o arrependimento só surge mediante a ampliação da consciência e da capacidade de amar.
Muitas coisas que nos serviram ontem não nos servem hoje e isso evidencia que hoje somos melhores do que ontem. A culpa impede que percebamos o movimento da vida com liberdade e com o sentimento de realização íntima.
Nossa ignorância nos leva a criar juízes implacáveis na consciência que, de fato, não existem. Eles são frutos da educação, da cultura e de nossa ignorância quanto a nós mesmos. Precisamos colocar na consciência um Criador amoroso e benévolo, compreensivo e paciente, para que não nos punamos por tão pouco.
Tais juízes não são maus em si, mas se transformam por conta de nossa facilidade em dar-lhes o poder de nos comandar.
Não vivemos sem eles, mas, lhes atribuímos um caráter absoluto.
Muitas vezes, nos sentimos culpados por não alcançar certos desejos, acreditando que somos incapazes. Quando, por exemplo, um casamento não dá certo, por fatores múltiplos, é comum um dos cônjuges se perguntar onde foi que errou e lamentar a perda.
O equívoco pode pertencer a qualquer deles, porém, os fatores que levaram à separação física ou emocional estão influenciados por valores pessoais e sociais. Um fracasso não deve representar a perda da própria motivação de viver.
Ele representa uma deficiência na estratégia utilizada para alcançar a felicidade.
Na próxima experiência naquele campo em que se fracassou deverá ser utilizada outra estratégia. Pense também que você precisa modificar seu desejo. Ele poderá estar levando-o exatamente para o lado contrário de sua própria busca interior.
O tipo de desejo e a forma de alcançá-lo nem sempre estão conectados adequadamente.
Lembre-se de que você deve retirar de cada experiência algo de útil e bom para si próprio. Tudo que lhe acontece é um caminho trilhado que poderá ser repetido ou não, a depender de sua vontade. As situações adversas a enfrentar devem ser vividas em seu momento e não de forma antecipada. Quando isso ocorre, gera ansiedade a qual promove infelicidade. Se você sabe que vai vivê-la, prepare-se para fazê-lo com equilíbrio e de forma a extrair dela o melhor possível.
Nunca se esqueça de que somos filhos do Altíssimo e dele recebemos o bom estigma de alcançar a felicidade. Ela deveria estar em nosso presente e será nosso futuro. Em sua trajetória, deseje o próprio bem pessoal tanto quanto o de qualquer pessoa com quem se encontre. Faça o bem quando você puder, a qualquer pessoa que surja em seu caminho. Não olhe para o passado a ponto de se deter nele. Fixe o presente e o futuro.

Do Livro - FELICIDADE SEM CULPA 2ª edição
Autor - Adenáuer Novaes


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