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Resistir, para quê?


Resistência gera sofrimento. Nada na vida é imutável, não podemos pretender que as coisas continuem as mesmas para sempre. Se a vida se modifica, temos que nos modificar junto com ela. Quem resiste às mudanças não escapa de sofrer. Quando a vida nos leva numa direção, é porque aquela é a melhor para nós, ainda que não a queiramos ou não a compreendamos.
Não podemos nos fixar em lugar nenhum, porque nenhum lugar é nosso de verdade. Nós ocupamos lugares temporariamente, enquanto precisamos ali permanecer para aprender ou evoluir. Mas nada, absolutamente nada que se passa nesta vida é para sempre. As coisas mudam porque nós precisamos mudar. Às vezes necessitamos de uma provocação para reconhecer essa mudança. E quando não nos sentimos preparados ou temos medo, nossa tendência é resistir.
Às vezes dá medo investir no novo. Os hábitos nos trazem segurança, porque com eles caminhamos por terrenos conhecidos. Mas essa acomodação não nos faz crescer. Quando apenas repetimos o que já sabemos, não nos damos a oportunidade de vivenciar experiências capazes de nos trazer maturidade e sabedoria.
Não podemos nos fazer surdos ao chamado da vida. Quando as mudanças se apresentam, não temos que temê-las. Devemos ter cautela, sim, mas não medo. Muito menos resistência. O fato de resistirmos não vai impedir que as coisas aconteçam. E quando elas acontecem, ou nós ficamos para trás, ou teremos que correr para alcançá-las depois. Porque o mundo não vai parar só porque não queremos aceitar que as coisas são como devem ser.
Isso não significa conformismo. Absolutamente! O conformista não questiona, aceita tudo por imposição ou covardia. Não é disso que se trata. Trata-se aqui de um reconhecimento das coisas que estão além do nosso poder de disposição. Nem tudo está sob o nosso controle, não temos domínio de todas as situações da vida.
Exemplificando: Se a empresa em que trabalhamos vai a falência, ficamos desempregados, sem que nada possamos fazer. Contra esse fato, não adianta lutar. Não dá para espernear, chorar, lamentar porque perdemos o emprego. Temos que aceitar, mas não precisamos nos conformar. O conformismo leva ao desânimo. A aceitação leva à reflexão e à busca de soluções. No primeiro caso, a bebida pode anestesiar a dor. No segundo, o esforço e a garra acabarão levando a um emprego melhor. Cabe a cada um escolher como vai encarar as mudanças operadas em sua vida.
Quando coisas ruins acontecem, são por um motivo que nos favorece, mesmo que nós não consigamos compreendê-lo nem enxergá-lo. Deus é bom, sábio e justo. Não transformaria a nossa vida num inferno só para nos ver sofrer. Aprendamos a confiar mais em Deus e a reconhecer sua atuação em todos os momentos da nossa existência.
Deus nunca erra. Então, por que pensar que é um erro o que ele faz por nós?



Mônica de Castro
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Auto-Superação



Você já se sentiu, alguma vez, a pessoa mais incapaz da face da terra?
É até possível que tenha acontecido por mais de uma vez, não é mesmo?
E por que será que isso acontece?
Vamos refletir um pouco sobre essa questão.

Considere, em primeiro lugar, que você é uma pessoa única, não existe ninguém no universo igual a você.
Você tem uma soma de experiências só suas. Tem sentimentos únicos e tem limites que são só seus.
Então, é provável que ao tentar superar outra pessoa, tenha a sensação de que não é capaz e se frustre.
Se uma pessoa muito ligada a você, por exemplo, inicia um curso qualquer, e você não tem o mínimo talento para essa atividade, sente-se inferior.
Se um amigo começa um regime para emagrecer, e você está se sentindo um pouco acima do peso, faz o mesmo regime e não perde uma única grama, sente-se a pessoa mais infeliz.
Se, na academia que freqüenta, as pessoas ao seu redor fazem proezas enquanto você apenas faz tentativas vãs, a vontade de desistir é quase inevitável.
Essas, entre tantas outras situações, podem ocasionar desestímulo e sensação de fracasso.
No entanto, ao admitir que você é um ser único, e não há no universo ninguém igual a você, todas as frustrações desaparecem.
Você, ao invés de olhar ao redor, tentando superar os outros, buscará conhecer suas próprias possibilidades, talentos e limitações, e buscará superar a si mesmo.
E então, cada conquista, ainda que mínima, será uma vitória real.
Considere que você, e somente você, deve servir de parâmetro quando se trata de conquistas próprias.
As conquistas dos outros são dos outros, e todos tiveram ou têm limitações a superar ou talentos conquistados com os próprios esforços.
Não há dúvida que podemos almejar determinadas conquistas que outros já possuem, mas não devemos querer tê-las prontas.
Cada esforço deve ser envidado com lucidez, pela auto-superação, e não pela superação dos outros.
Sempre existe algo que você faz melhor que os outros e algo que os outros fazem melhor que você, e isto não é motivo para desanimar.
A verdadeira grandeza está justamente em reconhecer essa realidade e aceitá-la com maturidade.
Embora haja um forte apelo social para que acreditemos que somos uma massa uniforme, que devemos seguir determinados padrões, nós continuamos a ser indivíduos únicos.
Reflita sobre essas questões e tenha uma conversa consigo mesmo.
Analise-se com carinho e atenção, para conhecer seus limites e tente superá-los, sem neuroses.
Conheça seus talentos e reforce-os, sem pretensões descabidas.
Busque a auto-superação e não a superação dos outros.
Cresça de forma efetiva, para ser a cada dia melhor que no dia anterior. Melhor que você mesmo, e não melhor que os outros.
Não há clones de você e tampouco você é clone de alguém, por mais que se pareça fisicamente com outra pessoa.
Nem mesmo irmãos gêmeos estão nivelados nas experiências. Cada um tem seus limites e potencialidades singulares.
Pense nisso!
Você é um espírito ímpar.
Pode até imitar muito bem outras pessoas, mas ainda nisso você será sempre inigualável.
Seu perfume espiritual é único. Suas emoções são intransferíveis.
Deus criou você para que seja você mesmo, ninguém mais.
Pense nisso, e busque vencer os próprios limites para ser cada dia melhor que na véspera.


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A Cilada da Almas Gêmeas


A Doutrina Espírita é clara no que diz respeito às almas gêmeas. Não existem metades que precisam se completar para desfrutar a eterna felicidade. Cada um de nós é uma individualidade que estabelece laços e afinidades com outras individualidades, através dos tempos e das vivencias sucessivas. Se substituirmos o termo “gêmeo” por “afim”, vamos perceber que são muitas as almas afins que encontramos e reencontramos por esse mundão de meu Deus, e que todas elas, cada uma seu modo, têm seu espaço e importância em nossa caminhada. Podemos dizer então que são várias as nossas “almas gêmeas”. Amigos, filhos, irmãos, pais, mães, maridos e esposas, entre outros, formam a imensa fileira das relações de afinidade construídas vidas afora.

Porém, apesar da clareza dos ensinamentos espíritas, ainda vemos muita gente boa, dentro do nosso movimento, cair nessa armadilha emocional, que está mais pra conto do vigário que pra conto de fadas, e pode gerar graves conseqüências, não só na vida pessoal, como também no núcleo espírita em que trabalham.
Temos presenciado histórias preocupantes. Aqui, são aqueles dois médiuns, ambos casados com outros parceiros, que se descobrem “almas gêmeas”; E aí, tentam se enganar que estão “renunciando”… Mantém-se em seus casamentos, mas tornam-se “irmãos siameses” na Casa Espírita. Sentam-se lado a lado nas reuniões, são vistos juntos em todos os lugares, dão sempre um jeitinho de fazer parte da mesma equipe (isso quando não arranjam uma missão que “a espiritualidade designou somente aos dois”) e se isolam pelos cantos em conversas particulares sem fim. Só tem olhos um para o outro e, em tal enlevo, não se dão conta que à sua volta todos sentem o que está acontecendo, sobretudo seus maridos e esposas, humilhados publicamente no melhor estilo adultério por pensamento e intenção, embora sob a máscara do amor fraternal. Sim, porque o fato de não partirem para o ato sexual não os exime do abandono afetivo e da traição emocional em relação aos cônjuges.
Acolá, é aquela irmã solitária e carente, que se depara com o eloqüente e carismático orador. Que palestra!… Que palestrante!… Que homem! Ele só tem um defeito: É casado!… E logo com aquela senhorinha já envelhecida e meio sem graça… Que desperdício!… E eis que de repente ele também a vê na platéia… Bonitona, elegante, jovial e olhando-o com aquele olhar de admiração apaixonada que há muito ele não percebe na companheira… Afinal, o casamento – como todos após lá seus trinta anos – já entrou na rotina. Oh céus! Ali mesmo cupido dispara a flexa e zás!… Começam as justificativas íntimas: “Como não tinham se descoberto antes?!… Por certo eram almas gêmeas que há muito se procuravam… O casamento foi um equívoco; o reencontro uma programação para que pudessem trabalhar juntos para Jesus.” Resolvem então assumir o romance. A mulher dele, abandonada após anos de companheirismo e convivência, entra em profunda depressão, os filhos se revoltam, a família se desestrutura, os companheiros se retraem, decepcionados e temerosos… “Ora, quem tem suas mulheres e maridos que se cuide, pois se aconteceu com o fulano, que era um exemplo, ninguém está livre”…
Instala-se então o tititi e a desconfiança. Daí para o escândalo é apenas um passo, e para o afastamento constrangido dos próprios envolvidos, sua família e outros tantos trabalhadores desencantados com a situação, é um pulo. Sofrimento, deserção e descredibilidade. Tudo pelo direito ao “felizes para sempre”junto à sua “metade da laranja”… Mas, onde é que está escrito, no Evangelho, que é possível construir felicidade sobre os escombros da felicidade alheia ou edificar relacionamentos duradouros em alicerces de leviandade e egoísmo?
Temos visto estrondosos equívocos desse tipo mexer seriamente com estruturas de famílias e Casas Espíritas, fazendo ruir Instituições e relações que pareciam extremamente sólidas. Temos visto companheiros valorosos das nossas fileiras, que caminhando distraídos de que “muito se pedirá àquele que muito tiver recebido”, de repente resolvem jogar pro alto o patrimônio espiritual de uma vida inteira, em nome do “amor”. E assim, cônjuges dedicados e dignos são descartados como se não tivessem alma nem sentimentos, em detrimento de aventuras justificadas por argumentos inconsistentes, sem nenhum respaldo ético/moral ou espiritual. Isto quando ainda há um mínimo de honestidade e se pede a separação, porque alguns preferem continuar comodamente em seus relacionamentos “provacionais”, porém mantendo, na clandestinidade, um “afair” paralelo com a tal “metade eterna”, sob a desculpa esfarrapada de que a família deve ser poupada, pois “família é sagrado!!!”
Logo se faz sentir o efeito dominó. Lá adiante, após vários corações feridos e muitas quedas morais, a convivência faz a alma gêmea virar “alma algemada”. As desilusões chegam, inevitáveis, com todo o peso resultante das atitudes ditadas pelas paixões, mas na maioria das vezes, já é tarde pra retomar, ainda nesta existência, o percurso abandonado.
Continuação…
Reflitamos. Ninguém chega atrasado na vida de ninguém. Se chegou depois é porque não era pra ser. E se não era pra ser há um bom motivo para isso, visto que as Leis Divinas são indiscutivelmente sábias, justas e providenciais. Não tem pra onde fugir: Quando o teste nos procura, ou somos aprovados ou forçosamente teremos que repetir a lição futuramente, e em condições bem mais adversas…
Podemos reencontrar, no grupo de trabalho espírita, grandes amores e paixões do passado que nos reacendem sentimentos e sensações maravilhosas? Sim. Podemos olhar para companheiros de ideal espírita com outros olhos que não sejam os do amor fraternal? Sim. Nada mais natural. Mas sabemos, pelo Apóstolo Paulo, que poder nem sempre significa dever… Portanto, o bom-senso nos diz que investir ou não afetivamente nessas pessoas, vai depender de que ambos estejam livres para fazê-lo.
Alguém haverá de argumentar que casamento não é prisão e que aliança não é corrente; que ninguém está preso a ninguém “até que a morte os separe” e que o próprio Cristo admitiu a dissolução do casamento. Porém, o espírita não desconhece que, na maioria dos casos, muito além dos compromissos cartoriais existem profundos compromissos e dívidas emocionais entre aqueles que se escolheram como marido e mulher nesta vida. Compromissos muito sérios para serem dissolvidos porque o corpo requer sensações novas, porque a mulher envelheceu, perdeu o brilho ou porque o marido ficou rabugento… Como se o outro estivesse só quebrando um galho enquanto a “outra metade” não chegava…
Todos almejamos felicidade, e no estágio evolutivo em que nos encontramos, isso ainda tem muito a ver com realização afetiva. Por isso mesmo, não devemos ignorar que só a quitação de antigos débitos emocionais é que nos facultarão essa conquista. Precisamos interiorizar, de uma vez por todas, que os casamentos por afinidade ainda são raros neste momento planetário, e que se ainda não conseguimos amar o parceiro que nos coloca em cheque ou aquele que não corresponde aos nossos anseios, o conhecimento das leis morais exige que ao menos nos conduzamos com um mínimo de retidão e tolerância diante deles. Tal consciência nos exige também, caso nos sintamos atraídos por companheiros já comprometidos, que nos recusemos terminantemente, sob qualquer pretexto, a desempenhar o deprimente e desrespeitoso papel da terceira pessoa numa relação, pois não há conversa fiada de alma gêmea que dê jeito no rombo emocional aberto pela desonestidade afetiva, nem justificativa de carência e solidão que nos permita desviar da rota do dever sem que tenhamos, forçosamente, que colher amargos frutos, porque “se o plantio é livre, a colheita é obrigatória”.
Não se colhe rosas plantando espinhos. Sejamos responsáveis diante daqueles que escolhemos e que nos escolheram para compartilhar a vida. Acautelemo-nos contra as ilusões. Se os nossos anseios são irrealizáveis por agora, respeitemos as limitações impostas pelo momento que passa; Por mais possa doer olhar de longe um dos muitos seres amados, que cruza o nosso caminho nesta vida, mas que já optou por outra pessoa, só a dignidade de nos manter à distância é que vai possibilitar, pelas justas leis da vida, que conquistemos por mérito, lá na frente, em outras circunstancias, a alegria do reencontro e a partilha do afeto junto àquele que nos é tão caro, porque estaremos redimidos dos ônus afetivos do ontem através das atitudes renovadas do hoje.
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mateus 6.33)
Saibamos buscar… Saibamos esperar… Trabalhemos por merecer… Afinal, temos pela frente a eternidade!

* Joana Abranches – Assistente Social e Presidente da Sociedade Espírita Amor Fraterno – Vitória/ES

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AMARRE O TEMPO




As vezes, vivemos situações em que queremos parar o tempo, não deixar aquele momento terminar, brecar os minutos, como se fosse possível perpetuar o instante mágico.
Aquele feriado especial onde tudo de bom aconteceu, o dia do casamento, o nascimento do filho esperado, a colação de grau, o primeiro pagamento no banco, o primeiro amor e o primeiro beijo...

Fragmentos que vão sendo armazenados em nossa memória, que guarda palavras, cores, nuances e até cheiros, que podemos, felizmente,
recordar durante a nossa existência...

É esse prazer, que está em arquivos no seu "eu",
que permite a magia de amarrar o tempo,
ao pé da árvore da saudade, e permite viajar,
mergulhar nas recordações, ganhar energias,
novas energias que nos fazem despertar,
quando estamos meio tristes,
acabrunhados pela situação, desanimados...

Vamos, resgate agora uma emoção que está guardada em seu interior, aspire o perfume da infância, do travesseirinho, da chupeta,
o cheiro da pessoa amada, o gosto daquele beijo roubado na inocência, segure o tempo com as suas mãos poderosas, e solte-o devagar,
ganhando forças para viver o hoje, construindo o amanhã, com a certeza de que ontem foi apenas o começo, o melhor está apenas para começar, agora, nesse momento, em que o tempo diz que é tempo de ser feliz.


Paulo Roberto Gaefke


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Corrupção – Transparência Humana



 
Olho

Os Espíritos criados para a imortalidade, atualmente, aqui na Terra, encontram-se no ciclo evolutivo hominal, passando por expiações, provas e experiências com o fim de se desmaterializarem e alcançarem o ciclo angelical.
O Espírito de Verdade, em O Livro dos Espíritos, na questão 135/135a ensina sobre o Perispírto, ou seja, o Corpo Espiritual, dizendo que ele é o corpo semi-material, intermediário entre o Espírito e o corpo físico e, após o desencarne, será ainda o revestimento do Espírito nos planos espirituais ligados ao nosso planeta. Por ser semi-material, possui parte de energias rarefeitas adquiridas através do estudo, da profissão, da caridade e do amor adquiridos nas vidas passadas e, a outra parte, são de energias ainda vinculadas á matéria, mais densas, advinda do o orgulho, da ganância,do egoísmo, da paixão e dos vícios.
Portanto, nessa trajetória milenar, muitos conquistaram certa evolução espiritual através do aprendizado intelectual e moral, impregnando em seu Perispírito grande quantidade de energia de luz. Esses ganharam certa resistência energética que não lhe deixam cair nas tentações materiais do dia-a-dia, assim, não suncubir em novas expiações fazendo retardar sua evolução espiritual.
Entretanto, outros Espíritos, que nesses dois mil anos de Cristianismo não alcançaram essa conquista, estão muito mais vulneráveis à quedas nas armadilhas da matéria. É o caso daqueles que facilmente aderem as paixões, aos vícios e a ganância. Dentre eles aparecem os chamados corruptos, ou seja, aqueles que aderiram a corrupção.
O que é corrupção?
Corrupção significa, etimologicamente, deterioração, quebra de um estado funcional e organizado. Destarte, pode-se dizer que a corrupção age sobre algo ou alguém que apresenta certa pureza em seu estado espiritual, porém, não resistiu a mesma.
Entendendo-se, dessa forma, o chamado corrupto é aquele que através das vidas múltiplas, adquiriu certo progresso intelectual e moral, mas não o suficiente para não cair nas tentações da matéria. Na verdade, tentação dita por Jesus, são nossas tendências negativas que trazemos do pretéritas em nosso Espírito.
Quando predomina mais as energias densas no Perispírito, por falta de moralidade, o Espírito acaba aceitando as tendências materiais, entre as mesmas, a corrupção, afetando suas resistências enérgicas e desequilibrando seu Espírito e, por consequência, mais dívidas para o mesmo.
Assim, deixou-se corromper seu íntimo e irá se comportar de maneira imoral e criminoso, o que o levará, futuramente, ao desequilíbrio espiritual, as enfermidades, as depressões e as dores.
Razão que Jesus disse: A cada um segundo suas obras.

João Demétrio Loricchio

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Espírita Brinca Carnaval?

 

Carnaval

É carnaval. Puxa! Como demorou para chegar! Hora de relaxar! Hora de acabar com o estresse! Hora ansiosamente aguardada para “sair do sério.” Pierrôs, colombinas, palhaços e outras fantasias inomináveis, que muitas vezes refletem os desejos mais íntimos, e nem sempre confessáveis dos foliões, surgem do nada, guiados pelo som irresistível dos tambores e clarins, para “cair na folia.”
Quanta loucura… Mas é carnaval e no carnaval, tudo é permitido…
Marginais, no meio da multidão que pulam de forma alucinada, aproveitam-se da confusão para cometer crimes. Muitos jovens e adultos, transtornados pela música hipnotizante e frenética, caem nas armadilhas das drogas alucinantes. É hora de pular, sambar e frevar, além de trocar propositais empurrões e cotoveladas. Esse é o lado da festa que podemos observar deste lado da vida.
Mas há outro lado…
Pelo lado espiritual, o carnaval observado do Além, é lamentavelmente muito mais triste e perigoso. Milhares de espíritos infelizes, também invadem as avenidas, num triste e feio espetáculo, que transforma o carnaval em um terrível circo dos horrores de grandes e atemorizantes proporções.
A música de Caetano que diz: “Atrás do trio elétrico, só não vai quem já morreu”, está totalmente equivocada, pois os queridos malfeitores das trevas, os “vagabundos do mundo oculto,” vão atrás sim e se vinculam aos foliões pelos fios invisíveis das preferências que estes trazem escondidas no seu íntimo.
Dezenas, centenas, milhares de entidades vampirescas, abraçam e se desdobram em influenciar os foliões, para juntos beberem, fumarem, drogarem-se e se entregarem ao sexo desvairado e cometerem os mais tristes desatinos.
O homem vive onde e com quem se sintoniza psiquicamente. E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências existentes na intimidade de cada um. E é, graças a essa lei de afinidade, que os espíritos das trevas se vinculam aos foliões descuidados, induzindo-os a orgias deprimentes e atitudes grotescas, animalizadas, de lamentáveis consequências.
Quantos crimes acontecem nesses dias, quantos acidentes, quanta loucura…
Tramas terríveis são ardilosamente arquitetadas no além-túmulo, esperando por esses dias em que o desequilíbrio é a tônica.
Enquanto os foliões se envolvem com o brilho dos refletores, com plumas, paetês e lantejoulas, nas avenidas feericamente iluminadas, os bons espíritos vêem e lamentam pelo ambiente espiritual deprimente, triste, envolto em escuras nuvens criadas pelas vibrações mentais negativas. As consequências cruéis desse grotesco espetáculo se fazem sentir de forma rápida e inexorável.
É dramática, a triste estatística de horrores, durante e após o carnaval. Crimes acontecem depois do carnaval, mas em consequência dele, como nos abortos realizados, fruto de envolvimentos insensatos.
Pergunte a si mesmo: vale a pena pagar o alto preço exigido por alguns dias de loucura? Vale a pena ver seu nome na estatística de horrores que acontece no carnaval? Espero que não.
Alguns espíritas devem estar pensando: Eu brinco, mas não faço nada de errado! É possível. Mas se você atravessar um pântano de lama fétida, local de doenças e outras mazelas, pode até acontecer de você não adoecer, mas que vai sujar-se, não há a menor dúvida…
Ah, e não venha com o exemplo do lírio belo e perfumado que brota nos pântanos. Ele nasce lá, mas seu perfume e beleza só são percebidos, quando estão longe daquele lugar.
Para atravessar a tempestade de energia negativa que envolve o carnaval, sem ser tocado por ela, só se você for alguém espiritualmente iluminado. Mas se você for tão iluminado, com certeza não estará participando do carnaval.
Mas, quem achar que está havendo exagero, ponha a fantasia de bobo da vida, a máscara da insensatez e libere geral, mas não esqueça: na 4ª feira de cinzas, ao retornar para sua casa espírita, de convidar os inúmeros foliões desencarnados, que estão em sua companhia, querendo mais, mais e mais.
 

 

Agnaldo Cardoso

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O sucessor de Pedro e as meias verdades


 



O cargo de Pontifex Máximus está vago. Bento VVI anunciou sua renúncia como suposto sucessor de São Predo. O pontifex era uma magistratura sacerdotal romana criada séculos antes do cristianismo e que se dedicava aos rituais de Estado. Júlio César foi um deles ( a César o que é de César). Para a Igreja institucional a adaptação foi perfeita, pois ela seria tudo aquilo que Jesus sempre repudiou: política e meias verdades. Para Pedro, símbolo moral da igreja espiritual, esse cargo que ele nunca exerceu e certamente também repudiaria, é uma ofensa à Jesus, à sua proposta de humildade e opção pelos pobres e oprimidos. Pedro nunca foi papa e não há provas históricas disso. Seria incompatível com essa doutrina de dogmas e rituais do paganismo. Tudo que vai contra à sua política e as meias verdades a Igreja logo trata de punir e extirpar dos seus quadros. Francisco de Assis foi um exemplo disso. Foi enviado pelo Plano Espiritual Superior para neutralizar os abusos e desvios do clero e foi seriamente perseguido. As tentativas de renovação foram inúmeras, mas o poder clerical é sempre mais forte do que a fé e a humildade. Sempre pegaram no pé o Espiritismo, desde o início, porque sentiram que a coisa era séria e poderia abalar definitivamente os alicerces frágeis do catolicismo. Kardec logo foi vítima da Inquisição e seus livros foram queimados na Espanha, principal reduto obscuro da Igreja corrompida. Mas não adianta, a fé a Verdade se farão nos quatro cantos do mundo, queiram ou não queiram os homens.

Eis a mensagem que Kardec recebeu dos seus orientadores sobre esse assunto:


A Igreja

PARIS, 30 DE SETEMBRO DE 1863.

(Méd. sr. d’A...)

Eis-te de retorno, meu amigo, e não perdeste o teu tempo; à obra ainda, porque não é preciso queimar a bigorna. Forja, forja armas bem temperadas; repousa de teus trabalhos por trabalhos mais difíceis; todos os elementos ser-te-ão colocados nas mãos, na medida da necessidade.
É chegada a hora em que a Igreja deverá prestar conta do depósito que lhe foi confiado, da maneira pela qual praticou os ensinamentos do Cristo, do uso que fez de sua autoridade, enfim, do estado de incredulidade ao qual conduziu os espíritos; é chegada a hora em que ela deverá dar a César o que é de César e incorrer na responsabilidade de todos os seus atos. Deus a julgou, e a reconheceu imprópria, doravante, para a missão de progresso que incumbe a toda autoridade espiritual. Não seria senão por uma transformação absoluta que poderia viver; ela, porém se resignará a essa transformação? Não, porque então não seria mais a Igreja; para se assimilar as verdades e as descobertas da ciência, seria necessário renunciar aos dogmas que lhe servem de fundamento; para retornar à prática rigorosa dos preceitos do Evangelho, ser-lhe-ia necessário renunciar ao poder, à dominação, trocar o fausto e a púrpura pela simplicidade e a humildade apostólicas. Está entre duas alternativas; se ela se transforma, se suicida; se permanece estacionária, sucumbe sob a opressão do progresso.
De resto, já Roma está na ansiedade, e sabe-se, na Vida Eterna, pelas revelações irrecusáveis, que a Doutrina Espírita está chamada a causar uma viva dor ao papado, porque o Cisma se prepara rigorosamente na Itália. Não é preciso, pois, admirar-se da obstinação que o clero põe para combater o Espiritismo, sendo a isso levado pelo instinto de conservação; mas já viu as suas armas se enfraquecerem contra esse poder nascente; os seus argumentos não puderam ter a inflexível lógica; não lhe resta senão o demônio; é um pobre auxiliar no século XIX.
De resto, a luta está aberta entre a Igreja e o progresso, mais do que entre ela e o Espiritismo; é o progresso geral das idéias que lhe rebate os argumentos de todos os lados, e sob o qual sucumbirá, como tudo o que não se coloca em seu nível. A marcha rápida das coisas deve vos fazer pressentir que o desfecho não se fará esperar por muito tempo; a própria Igreja parece impelida fatalmente para o precipício. (Espírito d’E.)

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O Grande Doador


 


Ele não era médico e levantou paralíticos e restaurou leprosos, usando o divino poder do amor.

 
Não era advogado e elegeu-se o supremo defensor de todos os injustiçados do mundo.
 
Não possuía fazendas e estabeleceu novo reino na Terra.
Não improvisava festas e consolou os tristes e reergueu o bom ânimo das almas desesperadas.
Não era professor consagrado e fez se o Mestre da Evolução e do Aprimoramento da Humanidade.
Não era Doutor da Lei e criou a universidade sublime do bem para todos os espíritos de boa vontade.
Padecendo amarguras - reconfortou a muitos.
Tolerando aflições - semeou a fé e a coragem.

Ferido - curou as chagas morais do povo.
Supliciado - expediu a mensagem do perdão e do amor, em todas as direções.
Esquecido pelos mais amados - ensinou a fraternidade e o reconhecimento.
Vencido na cruz – revelou a vitória da vida eterna, em plena e gloriosa ressurreição, renovando os destinos das nações e santificando o caminho dos povos.
Ele não era, portanto, rico e engrandeceu os celeiros dos séculos.
Quem oferecer, assim, o coração, em homenagem ao Divino Amor na Terra, poderá, desse modo, no exemplo de Jesus, embora anônimo, aflito, apagado ou crucificado, atender à santificada colaboração com Deus, a benefício da Humanidade.
 
 
 
 
André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Antologia Mediúnica de Natal”
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A Visão Espírita da Pedofilia




Assunto delicado e grave. Vejamos alguns aspectos iniciais:
Como o espiritismo vê a questão da pedofilia?
Como um grave desequilíbrio mental e espiritual, necessitando severo tratamento multidisciplinar, isto é envolvendo diversos profissionais além de tratamento espiritual complementar.

Qual a razão de existirem pedófilos?
A mesma razão de existirem quaisquer outros desequilíbrios psíquicos. São atitudes doentias que se estruturaram ao longo de uma ou mais existências ou seja reencarnações. Ninguém foi criado pedófilo.
O que se passa nas suas mentes?
Cada um deles tem uma história. Não há como colocar todos em um mesmo rótulo. Mas poder-se-ia dizer que tem um impulso sexual doente e destituído de ética.
Quais os traumas que eles têm?
Diversos, e variam conforme cada caso. Podem ter sofrido: violência infantil, abandono, desprezo, presenciado quando em tenra idade, sexo entre os pais, enfim outras distorções de educação ou de vivência.
Como se explica tal comportamento?
A resposta é tão difícil como explicar qualquer outra grave alteração de comportamento. São espíritos que pelo seu atraso, imaturidade, ignorância e sobretudo pelo livre arbítrio desviaram-se da linha normal de conduta.
E as vitimas, por que isso?
Em diversas oportunidades, quando fizemos palestra sobre reencarnação, fomos questionados posteriormente sobre a dolorosa e delicada circunstância da pedofilia. Principalmente, ao se propiciar perguntas nos serem dirigidas por escrito viabilizava-se este questionamento.
Embora o tema seja potencialmente polêmico e desagradável, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação planetária.
Nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista considerando que são dois espíritos, no mínimo, envolvidos na tragédia em questão. Cumpre-nos esclarecer que o livre arbítrio é o maior patrimônio que nós, espíritos humanos, temos alcançado ao atingirmos a faixa evolutiva pensante. Livre arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e se responsabilizar pelas consequências de seus atos posteriores.
Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão dos atos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que possuímos. Importante também salientar que não há atos perversos que tenham sido planejados pela espiritualidade superior. Seria de uma miopia intelectual sem limites, a ideia de que alguém deve reencarnar a fim de ser violentado ou sofrer pedofilia. A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no dicionário dos esclarecidos sobre a vida espiritual. Deus é a fonte inesgotável de amor. É a Lei maior que a tudo preside, uma lei de amor que coordena as leis da natureza.
Então, como conceber a violência física? Como enquadrar a onipresença divina em situações e sofrimentos que observamos? Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou estaria presente? Para muitos indivíduos se estivesse presente já seria motivo para não crer na sua existência ou na sua infinita bondade e onisciência.
Outra questão importante: Quem é a “vítima”? Analisemos. Cada um de nós ao reencarnar trouxe todo o seu passado impresso indelevelmente em si mesmo, são os núcleos energéticos que trazemos em nosso inconsciente construídos no passado.
Espíritos que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos, representadas pelas inúmeras vidas, possuímos no nosso “passaporte” inúmeros “carimbos” das pousadas onde estagiamos em vidas anteriores. Hoje, a somatória dessas experiências se traduzem em manancial energético que irradia constantemente do nosso interior para a superfície desta vida.
Assim, é também a “vítima”. A criança, que hoje se apresenta de forma diferente, podem trazer de seu passado profunda marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus. Atitudes de desequilíbrio que são gravadas em si mesma.
Algumas dessas, hoje crianças, participaram intelectualmente de verdadeiras emboscadas visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual de criaturas; outras foram executoras diretas, pela autoridade que eram investidas, de crimes nesta área. Enfim, são múltiplas as situações geradoras da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos arquivos vibratórios da criança, nossa personagem neste drama.
Pela Lei Universal da sintonia de vibrações, poderá ocorrer, em um dado momento, uma surpresa desagradável. O espírito, criança agora, poderá atrair e sintonizar com o agressor, ou seja, o pedófilo, e ser agredida.
Identificados dois dos protagonistas (agressor e criança), temos também que considerar o frequente processo obsessivo que vinha se desenvolvendo. Uma outra entidade pode estar fixa perifericamente ou até profundamente à trama perispiritual de um ou dos dois envolvidos no processo.
Lembramos, novamente, não foi em hipótese alguma programada a violência ou o estupro, nem ele em qualquer circunstância teria justificativa. No entanto, o crime existindo, necessário compreender em uma visão mais ampla o que está acontecendo. A espiritualidade sempre fará o máximo para evitar o “mal” ou não sendo possível, apoiar aos que sofrem.
O espírito submetido à violência da pedofilia sofre intensamente no processo, conforme o seu grau de maturidade espiritual. Não houve a programação, mas a tendencia que trazia era forte e havia o risco em passar por algo do gênero, que a espiritualidade não conseguiu evitar.
A violência da pedofilia gera, muitas vezes, profundos traumas em todos os envolvidos, exacerbando a dolorosa situação kármica da constelação familiar.
Há, também, espíritos afins e benfeitores que visam amparar os envolvidos nesta dor. Amigos do extrafísico cheios de ternura em seu coração, com projetos de dedicação e amparo, sempre se fazem presentes. O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma.
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 76.
Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e a fonte.


 
 
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Revelação




Filhos, quantos permanecem na expectativa de novas revelações do Mundo Espiritual por suplemento da fé, olvidam que o Evangelho continua sendo a mensagem inédita da vida que todos carecemos assimilar.
A Ciência, sem dúvida, desvendará aos homens novos caminhos e a luz da Verdade gradativamente resplandecerá para as criaturas, todavia os preceitos básicos para a felicidade humana se resumem na lição do amor que o Cristo ensinou à Humanidade.
O maior desafio para o homem não se constitui na conquista do Cosmos ou no pleno conhecimento das leis que regem o mundo material: o seu maior desafio é a conquista de si mesmo, no domínio mais amplo das próprias emoções e dos pensamentos que se originam em seu mundo intimo.
A aplicação das virtudes cristãs no cotidiano - paciência, perdão e solidariedade -, ontem quanto hoje, dentre outras, é constante apelo à auto-superação que a cada dia se renova.
Tendo-nos sido legado há dois mil anos, o Evangelho não perde atualidade, porquanto as palavras do Cristo, expressando a Verdade, que jamais se altera, são de vida eterna.
Assim, não condicioneis a vossa crença na Doutrina às revelações que vos sejam formuladas sem critério pêlos que habitam as dimensões da Vida Mais Alta.
Não façais a vossa fé depender do miraculoso e do sobrenatural, como se, mentes enfermas, sentísseis sempre a necessidade de vos alimentardes do que extrapola os limites do bom senso.
Os espíritos que, de hábito, convosco intercambiam ainda não diferem muito de vós outros e possuem parcos conhecimentos Vida que se desdobra fora da matéria.
Habilitai-vos, em vosso mundo moral, para os acréscimos que desejais ao que já sabeis da Verdade.
Por outro lado, considerando-vos, consi­derai a falta de instrumentação mediúnica adequada para que as realidades de Além-Túmulo vos alcancem sem alterações signifi­cativas e sem comprometimento de sua auten­ticidade.
Filhos, contentai-vos com o que tendes, convictos de que ainda não sois gleba para mais farta semeadura.

Livro: A coragem da fé
Pelo espírito Bezerra de Menezes - Carlos A. Baccelli
http://conscienciaevida.blogspot.com.br/
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Duração das Penas Futuras




A pena, forma jurídica pela qual o Estado reprime a violação da ordem social, vem sofrendo diversas mutações,à medida que as instituições humanas vão progredindo no decurso do tempo. Atualmente, parece haver um consenso de que a pena deveria ter finalidade pedagógica, não sendo mais viável utilizá-la como instrumento de mera punição ou vingança, como ocorria no pretérito, mas sim como forma de recuperar e reinserir o transgressor na sociedade.

Em um Congresso Penal e Penitenciário realizado, no ano de 1930, em Praga, capital da antiga Tchecoslováquia, Kellerharls, experimentado diretor de penitenciária,externou um pensamento que antecipou em muitas décadas a preocupação da sociedade contemporânea a respeito da aplicação das penas. Disse ele, na ocasião:

Devo declarar que jamais encontrei,no curso de minha experiência,um indivíduo verdadeiramente incorrigível. Nos casos em que não logrei a desejada influência sobre o prisioneiro, tive a impressão de que isso decorria de nossa própria culpa, pelo simples fato de não termos sabido encontrar o método adequado para conquistar o prisioneiro com êxito.1

Atualmente, as leis humanas estabelecem alguns critérios objetivos para quantificar as penas do infrator, entre eles a gravidade da culpa, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do agente,os motivos, as consequências e as circunstâncias em que o crime foi cometido, bem como o comportamento da vítima.

E as leis divinas? Quais seriam os critérios definidores do tempo de duração das penas dos Espíritos? É sabido que, muito acima dos sistemas legais perecíveis dos homens, prevalece a justiça indefectível de Deus. O Criador nunca age por capricho, pois tudo no Universo é regido por leis soberanas e imutáveis que revelam a sabedoria e a bondade divinas. Deus não criou os seres eternamente votados ao mal, razão por que jamais fecha a porta ao arrependimento e à reabilitação do Espírito infrator.

A duração do sofrimento, decorrente da infração das leis divinas, é determinada pelo tempo necessário ao melhoramento do culpado, que lavra contra si a própria sentença, pois tem como juiz a consciência, na qual estão insculpidas as leis divinas.
Portanto, o estado de sofrimento e de felicidade é proporcional ao grau de pureza do Espírito.2 À medida que progride, seus sofrimentos diminuem e se modificam. A lei que rege a duração das penas é eminentemente sábia e benevolente, pois subordina essa duração aos esforços ou vontade do próprio Espírito, que sempre conserva o livre-arbítrio para agir dessa ou daquela maneira, de modo que sofre as consequências, boas ou más, de suas escolhas, aprendendo a responsabilizar-se por seus atos.

Não há como negar a lei do progresso: criados simples e ignorantes, todos os Espíritos devem progredir num tempo mais ou menos longo, por seus méritos. Ou seja, todos se arrependem e se melhoram, passando pelo filtro das reencarnações, que é mecanismo eficiente das leis divinas, as quais sempre oferecem ensejo à reparação do mal cometido, em circunstâncias adequadas às reais necessidades de cada criatura.

Ainda que o Espírito pretenda permanecer na maldade e na ignorância, chega um tempo em que ele próprio sente uma irresistível necessidade de sair da escuridão em busca da luz. São os Espíritos de arrependimento tardio. A doutrina das penas eternas, tal qual a do inferno de chamas, prosperou enquanto o temor podia constituir um freio para as criaturas humanas de escasso entendimento intelecto-moral, que faziam de Deus, de seus atributose da vida futura uma ideia muito imperfeita e vaga. À proporção que o Espírito foi adquirindo as luzes do conhecimento e da experiência,passou a compreender melhor os aspectos espirituais.

As lições deixadas por Jesus constituem um novo paradigma, firmado na crença em um Deus sábio, justo, clemente e amoroso, o qual veio substituir o antigo, baseado na crença em um Deus cruel e vingativo. Grande parte dos ensinos do Mestre ainda não foi compreendida,porque o progresso moral ocorre de forma lenta e gradativa,a reboque do progresso do intelecto. Devido a essa evolução incipiente dos homens é que Jesus, falando para o futuro, expressou muitas de suas lições por meio de parábolas, que um dia seriam desveladas quando o homem tivesse ampliado sua capacidade de discernimento.

Ao Espiritismo cabe essa imensa tarefa de levar aos corações sofridos,às almas sedentas de conhecimento,o verdadeiro sentido de certos ensinos de Jesus que,com o advento das luzes da Ciência,podem ser mais facilmente apreendidos pelos homens.

Imaginar que uma alma possa ser condenada, irremissivelmente, seria o mesmo que admitir que as leis divinas fossem menos benignas e justas do que as leis humanas, as quais estabelecem atenuantes para determinados crimes e instituem um regime de progressão de penas mais severas para penas mais brandas, com fundamento no bom comportamento do infrator.

Ademais, admitir a existência de sanções eternas seria duvidar da equidade e da perfeição do Criador, visto que tais penas seriam sempre desproporcionais,por pior que fosse o ato cometido numa curta existência física. Se assim fosse, Deus teria falhado ao criar almas, sabendo-as de antemão irrecuperáveis e condenadas ao eterno suplício.

Nunca é demais relembrar que entre os antigos, a palavra “eternidade” tinha um sentido diferente do que lhe é emprestado na atualidade.Significava um tempo muito longo, mas não perpétuo, como se entende hoje em dia. A rigor, a crença na doutrina das penas eternas conduz ao seguinte dilema: “ou Deus é perfeito, e não há penas eternas, ou há penas eternas, e Deus não é perfeito”.4 Exatamente por isso, o dogma da eternidade absoluta das penas é incompatível com o progresso das almas, pois, se essas progridem, não há razão para impor a elas penas sem-fim.

No que diz respeito às penas futuras,5 a Doutrina Espírita se baseia nas observações dos fatos e não em teorias preconcebidas. São os próprios Espíritos que vêm do espaço contar aos homens, pelos médiuns, a sua situação feliz ou infeliz, descrevendo em detalhes como se sentem após o decesso físico, à feição de mensageiros
a complementarem os ensinamentos do Cristo sobre esse e outros pontos.

Os Espíritos da Codificação resumem o “código penal da vida futura” em 33 pontos, os quais são descritos na primeira parte, ao final do capítulo VII, da obra O céu e o inferno, de onde destacamos os seguintes, que dizem respeito à duração das penas infligidas ao Espírito infrator:

12 – Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração da pena: – a única lei geral é que toda falta terá punição, e terá recompensa todo ato meritório, segundo o seu valor.

13 – A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado.

Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita. O que Deus exige por termo de sofrimentos é um melhoramento sério, efetivo, sincero, de volta ao bem.
Deste modo o Espírito é sempre o árbitro da própria sorte, podendo prolongar os sofrimentos pela pertinácia no mal, ou suavizá-los e anulá-los pela prática do bem. (Grifo nosso.)

Uma condenação por tempo predeterminado teria o duplo inconveniente de continuar o martírio do Espírito renegado, ou de libertá-lo do sofrimento quando ainda permanecesse no mal. Ora, Deus, que é justo, só pune o mal enquanto existe, e deixa de o punir quando não existe mais; por outra, o mal moral, sendo por si mesmo causa
de sofrimento, fará este durar enquanto subsistir aquele, ou diminuirá de intensidade à medida que ele decresça.4
Em suma, os critérios divinos para a reparação das faltas e a duração das penas respectivas são extremamente justos e proativos, e, ao que tudo indica, estão inspirando os pesquisadores contemporâneos, que têm buscado métodos alternativos eficientes de recuperação do infrator, como,por exemplo, no caso da chamada “justiça restaurativa”6 que, ao mesmo tempo em que dá uma resposta adequada ao comportamento delituoso, também estimula o exercício do perdão por parte do ofendido e abre ao ofensor a oportunidade de se arrepender e de reparar os danos causados pelo crime.

Christiano Torchi

Referências:
1OLIVEIRA, Delphim Salum de. Pena de morte: sua inutilidade e sua ineficácia.In: Revista do Ministério Público do Estado do Sergipe. ano VII, n. 13, p. 78, 1997.
2KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. q. 1.003 a 1.009.
3______. O céu e o inferno. Trad. Manuel Quintão. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. pt. 1, cap. 6.
4______. ______. pt. 1, cap. 6, it. 15, p. 83; e Código penal da vida futura, p. 100, respectivamente.
5______. ______. pt. 1, cap. 7, p. 93 a 109.
6ZEHR, Howard. Trocando as lentes:um novo foco sobre o crime e a justiça.Justiça restaurativa. Trad. Tônia Van Acker. São Paulo: Palas Athena, 2008.p. 280. 

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