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INFLEXIBILIDADE



"Quando digo não é não.Quando digo sim, é sim.E ponto final”. Coloquei-me aqui neste pedestal, e daqui não saio. Daqui de cima vejo todo mundo. Muitos mudaram seus caminhos, são uns loucos, menos eu que continuo aqui. Muitos sorriram, outros choraram, alguns até cantaram, mas eu sou forte e continuo aqui. Muitos deles até perdoaram e alteraram suas convicções, mas que fraqueza! Mas eu não... Eu continuo aqui! Alguns quiseram me levar também, mas daqui eu não saio. Daqui eu controlo tudo e todos. Irredutível... (irracional, escravo, inseguro, imaturo). Continuo aqui... apegado aos meus (pré) conceitos, meus dogmas, enraizado em mim mesmo, avesso às mudanças, ao aperfeiçoamento, ao desenvolvimento. Continuo aqui... Enquanto eles... Ah! Esses loucos... Cantam, dançam, vivem, perdoam, mudam, choram, se encantam, contemplam, vivem... e olha... até sorriem! Quantas vezes adotamos uma postura inflexível diante dos problemas, diante das situações, diante da vida. Será medo da mudança, de enfrentar o novo, medo dos desafios, medo de errar? Medo de mostrar para os outros que nem sempre sabemos tudo e mais ainda... medo de enfrentar nossas dificuldades e nossa real situação? O que queremos esconder quando estamos sendo inflexíveis? As pessoas muito inflexíveis normalmente são tensas fisicamente, propensas a sentir dores musculares e têm grande dificuldade de alongar o seu corpo, de se soltar e se expor. Quando tentamos a todo custo manter uma determinada posição ou situação, estamos talvez remando contra a maré, indo contra o que a vida nos reservou e essa luta constante nos causa dor e cansaço. Podemos aprender a nos soltar mais, a pensar em novas possibilidades, a aceitar mais as posições das outras pessoas. Podemos nos colocar em uma postura de mais leveza e menos resistência e exercermos assim a humildade por saber que não somos nós os centros controladores do universo e sim, somos uma engrenagem que atua em conjunto com uma dinâmica maior de força e desenvolvimento. "Tirar o peso da rigidez de seus atos é permitir-se saborear cada minuto de sua existência.”

Texto retirado do blog 
Amadeirado, com a permissão da amiga Lena, a quem agradeço de coração.



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O Alcoolismo


Sem nos determos no exame dos fatores sócio-psicológicos causais do alcoolismo generalizado, de duas ordens são as engrenagens que o desencadeiam, – observado o problema do ponto de vista espiritual.
Antigos viciados e dependentes do álcool, em desencarnando não se liberam do hábito, antes sofrendo-lhe mais rude imposição.
Prosseguindo a vida, embora a ausência do corpo, os vícios continuam vigorosos, jungindo os que a eles se aferraram a uma necessidade enlouquecedora. Atônitos e sedentos, alcoólatras desencarnados se vinculam às mentes irresponsáveis, de que se utilizam para dar larga à continuação do falso prazer, empurrando-os, a pouco e pouco, do aperitivo tido como inocente ao lamentável estado de embriaguez.
Os que lhes caem nas malhas, tornam-se, por isso mesmo, verdadeiros recipientes por meio dos quais absorvem os vapores deletérios, caindo, também, em total desequilíbrio, até quando a morte advém à vítima, ou as Soberanas Leis os recambiam à matéria, que padecerá das dolorosas injunções constritoras que lhe impõe o corpo perispiritual…
Normalmente, quando reencarnados, os antigos viciados recomeçam a atividade mórbida, servindo, a seu turno, de instrumento do gozo infeliz, para os que se demoram na Erraticidade inferior…
Outras vezes, os adversários espirituais, na execução de uma programática de desforço pelo ódio, induzem os seus antigos desafetos à iniciação alcoólica, mediante pequenas doses, com as quais no transcurso do tempo os conduzem à obsessão, desorganizando-lhes a aparelhagem físio-psíquica e dominando-os totalmente.
No estado de alcoolismo faz-se muito difícil a recomposição do paciente, dele exigindo um esforço muito grande para a recuperação da sanidade.
Não se afastando a causa espiritual, torna-se menos provável a libertação, desde que, cessados os efeitos de quaisquer terapêuticas acadêmicas, a influência psíquica se manifesta, insidiosa, repetindo-se a lamentável façanha destruidora…
A obsessão, através do alcoolismo, é mais generalizada do que parece.
Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de status, atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído.
Pelos idos de 1851, porque enxameassem os problemas derivados da alcoolofilia, Magno Huss realizou, por vez primeira, um estudo acurado da questão, promovendo um levantamento dos danos causados no indivíduo e alertando as autoridades para as conseqüências que produz na sociedade.
Os que tombam na urdidura alcoólica, justificam-lhe o estranho prazer, que de início lhes aguça a inteligência, faculta-lhes sensações agradáveis, liberando-os dos traumas e receios, sem se darem conta de que tal estado é fruto das excitações produzidas no aparelho circulatório, respiratório com elevação da temperatura para, logo mais produzir o nublar da lucidez, a alucinação, o desaparecimento do equilíbrio normal dos movimentos…
Inevitavelmente, o viciado sofre uma congestão cerebral intensa ou experimenta os dolorosos estados convulsivos, que se tornam perfeitos delírios epilépticos, dando margem a distúrbios outros: digestivos, circulatórios, nervosos que podem produzir lesões irreversíveis, graves.
A dependência e continuidade do vício conduz ao delirium tremens, resultante da cronicidade do alcoolismo, gerando psicoses, alucinações várias que culminam no suicídio, no homicídio, na loucura irrecuperável.
Mesmo em tal caso, a constrição obsessiva segue o seu curso lamentável, já que, não obstante destrambelhadas as aparelhagens do corpo, o espírito encarnado continua a ser dominado pelos seus algozes impenitentes em justas de difícil narração…
Além dos danos sociais que o alcoolismo produz, engendrando a perturbação da ordem, a queda da natalidade, a incidência de crimes vários, a decadência econômica e moral, é enfermidade espiritual que o vero Cristianismo erradicará da Terra, quando a moral evangélica legítima substituir a débil moral social, conveniente e torpe.
Ao Espiritismo cumpre o dever de realizar a psicoterapia valiosa junto a tais enfermos e, principalmente, a medida preventiva pelos ensinos corretos de como viver-se em atitude consentânea com as diretrizes da Vida Maior.

Autor: Victor Hugo (espírito) 
 Psicografia de Divaldo Franco
 Livro: Calvário de Libertação.


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Estêvão e o Evangelho



Flávio Rey de Carvalho
Em meio às comemorações dos 70 anos da obra Paulo e Estêvão, escrita pelo Espírito Emmanuel por intermédio da psicografia de Francisco Cândido Xavier, muito se tem falado de Saulo e Paulo, porém, pouco sobre Estêvão – o primeiro mártir do Cristianismo –, que ocupa papel relevante na obra em questão.
Tanto é que Emmanuel afirmou:
“Sem Estevão, não teríamos Paulo de Tarso”.1 Por conseguinte, o objetivo deste artigo consiste em destacar alguns breves pontos relativos à conduta adotada por Estêvão, quando ainda encarnado, para lidar com o entendimento do Evangelho e a sua explanação.

Conforme nos explicou Allan Kardec, na introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo:

Toda a gente admira a moral evangélica; todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém, assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram dizer, ou firmados em certas máximas que se tornaram proverbiais. Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as consequências.
A razão está, por muito, na dificuldade que apresenta o entendimento do Evangelho que, para o maior número dos seus leitores, é ininteligível.A forma alegórica e o intencional misticismo da linguagem fazem que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever, como leem as preces, sem as entender, isto é, sem proveito. Passam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados na massa das narrativas. Impossível, então, apanhar-se-lhes o conjunto e tomá-los para objeto de leitura e meditações especiais.2

Na citação, Kardec diagnosticou a dificuldade de assimilação que há entre os conteúdos que constam dos textos evangélicos (nos quais estão os exemplos e as lições morais do Cristo) e a capacidade geral de cognição das pessoas. A tentativa de se inventariar as causas que motivam esse fato escapa à proposta deste artigo que, conforme já dito, busca somente destacar alguns pontos norteadores – com base em algumas frases de Estêvão – que possam nos ajudar na jornada da busca pelo entendimento do Evangelho assim como pela assimilação e pela aplicação prática de seus conteúdos.

Por volta de 35 d.C., Saulo de Tarso, que ocupava destacada posição no Sinédrio e era conhecido como fervoroso defensor da Lei de Moisés, seguiu, juntamente com seu amigo Sadoc, para verificar (no intuito de interditar) as pregações que ocorriam em humilde igreja em Jerusalém onde alguns homens, denominados do “Caminho”,3 supostamente estariam divulgando princípios “desonestos” em detrimento da Lei Mosaica.

Naquele dia, a pregação foi feita por Estêvão – “moço, magro e pálido, em cuja assistência os mais infelizes julgavam encontrar um desdobramento do amor do Cristo”.4 Durante a preleção, conforme descreveu Emmanuel:

Saulo de Tarso [...] verificou a diferença entre a Lei e o Evangelho anunciado por aqueles homens estranhos, que a sua mentalidade não podia compreender.
Analisou, de relance, o perigo que os novos ensinos acarretavam para o judaísmo dominante. Revoltara-se com a prédica ouvida, nada obstante a sua ressonância de misteriosa beleza. Ao seu raciocínio, impunha-se eliminar a confusão que se esboçava, a propósito de Moisés [...].5

Seguem-se então, por iniciativa do doutor da lei, séries de questionamentos e ataques direcionados verbalmente a Estêvão que, com serenidade e inspiração superior, soube contemporizar a situação oferecendo – conforme recomendara Jesus – a outra face.6
Acerca da questão, esclarecemos que não é nosso objetivo descrever os detalhes do debate ocorrido entre ambos, mas destacar três pontos da fala de Estêvão que nos podem ser úteis para o estudo e para a compreensão do Evangelho.

Em relação ao entendimento do Evangelho, durante a sua explanação, Estêvão revelou:
[...] Se não vos falei como desejáveis, falei como o Evangelho nos aconselha, arguindo a mim próprio na íntima condenação de meus grandes defeitos. [...]7
Para melhor compreendermos a citação, recorremos ao livro Luz imperecível – organizado por Honório Onofre de Abreu –, que nos elucida:
Incorporando-nos às figuras do próprio texto, habilitamo-nos a detectar em nós próprios, padrões ou atitudes, de ordem positiva ou negativa que lhes eram
peculiares [àquela época], a nos sugerirem [hoje] implementação de recursos ou mudanças de base, nas profundezas da alma.
A partir daí o texto vivifica. Pela autoanálise e na aplicação do “conhece-te a ti mesmo” levantamos caracteres peculiares àqueles personagens e que podem ou não estar presentes em nossa intimidade, tais sejam: hipocrisia, extremismo fanatizante, conhecimento não acionado, cegueira, paralisia ou surdez espirituais, ou quem sabe, nossa posição cadaverizada na indiferença ou na cristalização ante a dinamização da vida.(Grifo nosso.) Outro ponto relevante a ser ressaltado, refere-se ao reconhecimento e ao respeito às nossas limitações circunstanciais e contingenciais de cunho cognitivo. Segundo Estêvão:

– No tocante ao Evangelho [...], já vos ofereci os elementos de que podia dispor, esclarecendo o que tenho ao meu alcance [...].9
Conforme explicou Emmanuel, as lições do Evangelho são como as “pérolas” que vamos colecionando individualmente, ao longo de nossa marcha evolutiva espiritual, até formar um colar. A montagem desse colar advém, incondicionalmente, do aprendizado, da assimilação e da aplicação das lições morais, legadas a nós por Jesus.Assim, não podemos ter tudo de uma só vez, visto que “cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida”.10 E argumenta o autor espiritual:

[...] o Evangelho, em sua expressão total, é um vasto caminho ascensional, cujo fim não poderemos atingir, legitimamente, sem conhecimento e aplicação de todos os detalhes.
[...] A mensagem do Cristo precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida. [...]11

Por último, Estêvão mencionou que, quando se trata do Evangelho:

[...] Jesus teve a preocupação de recomendar a seus discípulos que fugissem do fermento das discussões e das discórdias. Eis por que não será lícito perdermos tempo em contendas inúteis, quando o trabalho do Cristo reclama o nosso esforço. [...]9

É incongruente cogitar o contrário, visto que o objetivo máximo do Evangelho é o de promover a harmonização dos Espíritos – por intermédio do incentivo à cooperação e à fraternidade, em contraposição ao orgulho e ao egoísmo – à Lei Divina de Amor, força que rege e harmoniza todo o Universo.
Conforme explicou Emmanuel, é “indispensável abrir o coração à bondade, o cérebro à compreensão, a existência ao trabalho, o passo ao bem, o verbo à fraternidade...”12
Com tais diretrizes pinçadas do debate entre Saulo e Estêvão, o simples folhear superficial e automatizado das páginas evangélicas, sem reflexão e sem busca pelo entendimento, feito por mero “desencargo de consciência” e por simples “dever”– conforme consta na citação de Kardec no início do artigo – consiste em nada mais do que atividade inócua para a promoção do melhoramento do Espírito imortal. É chegado o momento de permitirmos que o Evangelho paulatinamente penetre em nosso âmago, isto é, conhecendo-o, meditando-o, sentindo-o e, finalmente, vivendo-o. Para isso, quando formos estudar a Boa Nova,procuremos seguir as recomendações de Estêvão, que foi o orientador espiritual de Paulo de Tarso na sua missão de divulgação do Cristianismo: 
1) arguir a si próprio, estabelecendo uma relação de empatia com o conteúdo do texto; 
2) entender o conteúdo do texto com moderação, respeitando seus limites cognitivos de modo a evitar cogitações e palpitesinfundados; 
3) evitar discussões e discórdias, permitindo que o Evangelho cumpra o seu papel, isto é, promover a harmonização dos Espíritos à Lei Divina de Amor.


Referências:
1XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. esp. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Breve notícia, p. 9.
2KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Introdução, p. 24.
3Segundo Emmanuel, trata-se de “primitiva designação do Cristianismo”. Cf. XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. esp. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Pt. 1, cap. 3, nota de rodapé 1, p. 61.
4XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. esp. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Pt. 1, cap. 5, p. 92-93.
5______. ______. p. 97.
6“Ouvistes que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Eu, porém, vos digo para não se opor ao malvado. Pelo contrário, ao que te bater na face direita, vira- lhe também a outra.” In: DIAS, Haroldo D. (Tradutor.) O novo testamento. Brasília: Edicei, 2010. Mateus, 5:38-39.
7XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. esp. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Pt. 1, cap. 5, p. 100.
8ABREU, Honório Onofre de (Org.). Luz imperecível: estudo interpretativo do Evangelho à luz da Doutrina Espírita. 6. ed. Belo Horizonte: UEM, 2009. Apresentação, p. 23.
9XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. esp. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Pt. 1, cap. 5, p. 101.
10______. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Interpretação dos Textos Sagrados, p. 14.
11______. Renúncia. Pelo Espírito Emmanuel. 3. ed. esp. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Pt. 2, cap. 3, p. 328.
12XAVIER, Francisco C. Bênção de paz. 15. ed. São Bernardo do Campo: GEEM, 2010. Cap. 35, p. 102.

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A voz da consciência




Geraldo Campetti Sobrinho
Espiritismo é uma doutrina que abrange os aspectos religioso, filosófico e científico. Ficamos admirados com as respostas esclarecedoras que esta Doutrina fornece a qualquer questão formulada pelo ser humano, na busca do entendimento sobre a vida, a dor, o destino. Nenhuma dúvida fica sem explicação à luz do Espiritismo.
Basta percorrermos a leitura de O Livro dos Espíritos para confirmar que a principal obra espírita trata de todos os assuntos de interesse do homem.
Uma dúvida comum é quanto ao bem e ao mal. Como sabemos se estamos fazendo a coisa certa ou se estamos nos equivocando?
Vamos conferir a resposta.
Uma das perguntas mais conhecidas da obra basilar é a de número 621: Onde está escrita a lei de Deus?
E a resposta é decisiva: “Na consciência”.
A lei divina, sinônimo das leis naturais, está escrita na consciência.
Aprendemos nas lições espíritas que agimos no bem quando nossas ações estão em conformidade
com a lei de Deus, e praticamos o mal quando dela nos distanciamos.
Se há incerteza quanto à prática do bem ou do mal, basta consultarmos nossa consciência para saber se estamos agindo num sentido ou em outro.
Daí a necessidade de nos conhecermos para agirmos de forma integrada com o meio ambiente, com Deus, com o próximo e conosco mesmos.
Esse dispositivo íntimo chamado voz da consciência apontará o melhor caminho a ser seguido e a melhor escolha a ser realizada.
É necessário que nos preparemos para ouvir essa voz interna.
Se assim fizermos, estaremos sintonizados com nossa intuição e certamente passaremos a errar menos e a acertar mais nas ações cotidianas de nossa existência.

Referências:

KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 17, it. 3 e 4.
______. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 621.

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Nem Castigo, Nem Perdão




O espírita encontra na própria fé - o Cristianismo Redivivo - estímulos novos para viver com alegria, pois, com ele, os conceitos fundamentais da existência recebem sopros poderosos de renovação.

A Terra não é prisão de sofrimento eterno.
É escola abençoada das almas.

A felicidade não é miragem do porvir.
É realidade de hoje.

A dor não é forjada por outrem.
É criação do próprio espírito.

A virtude não é contentamento futuro.
É júbilo que já existe.

A morte não é santificação automática.
É mudança de trabalho e de clima.

O futuro não é surpresa atordoante.
É conseqüência dos atos presentes.

O bem não é o conforto do próximo, apenas.
É ajuda a nós mesmos.

Deus é Eqüidade Soberana, não castiga nem perdoa, mas o ser consciente profere para si mesmo as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas.

Nossa conduta é o processo, nossa consciência o tribunal.

Não nos esqueçamos, portanto, de que, se a Doutrina Espírita dilata o entendimento da vida, amplia a responsabilidade da criatura.

As raízes das grandes provas irrompem do passado - subsolo da nossa existência -, e, na estrada da evolução, quem sai de uma vida entra em outra, porque berço e túmulo são, simultaneamente, entradas e saídas em planos de Vida Eterna.



André Luiz/Chico Xavier
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Joana de Cusa




Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - outubro/2003

O Evangelista Lucas a ela se refere em duas oportunidades, em seus apontamentos. A primeira, no capítulo 8:1-3: "...e andavam com ele os doze, e algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios, e Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, e Susana..."

A segunda, no capítulo 24, onde a identifica como uma das mulheres que, vindo da Galiléia com Jesus, tendo observado que o Seu corpo, ao ser descido da cruz, fora simplesmente envolvido num lençol e depositado no sepulcro aberto na rocha, cedido por José de Arimatéia, preparou aromas e bálsamos e, no primeiro dia da semana, foi ao sepulcro.

Ao chegar, em companhia de outras mulheres, entre as quais, Madalena e Maria, mãe de Tiago descobriu a pedra do sepulcro revolvida.

Adentrando o local, foram surpreendidas por dois homens com vestes resplandecentes que lhes informaram que Jesus não mais estava ali, pois que ressurgira, ressuscitara.

Retornaram a Jerusalém, entre o assombro e a ansiedade, a transmitir as novas aos apóstolos e discípulos.

O espírito Humberto de Campos a ela se refere como uma mulher de muitas posses, que tinha a seus serviços inúmeras criadas, que a serviam com zelo. Desfrutava, ao tempo de Jesus, de privilegiado nível social, em Cafarnaum.

Casada com um alto funcionário de Herodes, Joana era das mulheres mais altamente colocadas na sociedade de Cafarnaum.

Atraída pelo verbo eloqüente de Jesus, passou a ouvir as pregações do lago. Denotando a nobreza de caráter, vestia-se de forma simples, a fim de não atrair a atenção do povo para si.

Desejava beber da água viva de que Ele falava. Trazia no coração uma infinidade de dissabores. Possuidora de verdadeira fé, amargurava-se pela posição do esposo.

Intendente de Herodes, em contato constante com os representantes do Império, a fim de gozar do prestígio social, ele ora comparecia ao Templo de Jerusalém, ora sacrificava aos deuses romanos.

Joana possuía verdadeira fé. Tentara expor ao marido a sua nova crença, em vão. Trazendo a alma torturada, pelos tantos dissabores domésticos, certa vez procurou o Mestre para lhe falar das suas lutas e desgostos, no lar.

Jesus a ouviu longamente e depois ponderou: "Joana, só há um Deus, que é o Nosso Pai, e só existe uma fé para as nossas relações com o Seu amor. Todos os Templos da Terra são de pedra; eu venho , em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens."

Por fim, Jesus lhe recomenda que volte ao lar e ame o seu companheiro, despedindo-a com um "Vai, filha!...Sê fiel!" Uma inflexão de tal carinho, que ela jamais haveria de esquecer.

Retornou ao lar e transformou todas as suas dores num hino de triunfo silencioso em cada dia. Procurou esquecer as características inferiores do marido, enaltecendo o que ele possuía de bom.

Um filho veio lhe enriquecer os dias e os anos passaram. Perseguições políticas e reveses se abateram, finalmente, sobre o ex-intendente Cusa. Perdendo seu prestígio, envolvendo-se em dívidas insolváveis e amargurado, enfermou gravemente.

Numa noite de sombras, ele voltou ao plano espiritual. Joana que tudo suportara até então, viu-se a braços com as dificuldades mais acerbas.

Ela, que possuíra a seu comando tantas servas, necessitou procurar trabalho para se manter e ao filhinho, embora as observações acres de amigas. Fiel a Jesus, recordava que Ele também havia trabalhado, modelando a madeira, na modesta carpintaria. Ele, o Divino Mestre.

Desta forma, se dedicou aos filhos de outras mães e afazeres domésticos em casa alheia, provendo as suas e as necessidades do filho. Anos mais tarde, a bordo de uma galera romana, ela demandaria à capital do Império.

Nos anos 54 a 68, o Império romano foi governado por Lúcio Domizio Enobardo, que a História imortalizou com o nome de Nero. Dentre tantas loucuras, como o esbanjar sem limite o dinheiro público, organizar orgias extravagantes, desencadeou grandes perseguições aos cristãos.

Segundo crônicas do historiador latino Tácito, fiéis do Cristo, amarrados, cobertos de alcatrão, eram usados como tochas humanas para as insônias de Nero, nos passeios noturnos nos jardins da sua residência privada, a Domus Áurea (Casa Dourada), no Monte Aventino.

Ao comando da sua maldade, tendo acusado os cristãos de terem ateado fogo a Roma, foram executados de 200 a 300 mil.

No dia 27 de agosto de 68, nas proximidades das águas termais de Caracala, no Monte Aventino, Joana, junto a outros 500 cristãos, foi levada ao poste do martírio. De cabelos nevados, ela ouve as queixas de um homem novo, amarrado ao poste próximo.

É seu filho que exclama, entre lágrimas: "Repudia a Jesus, minha mãe!... Não vês que nos perdemos?! Abjura!...por mim, que sou teu filho!..."

As lágrimas acodem aos olhos daquela mulher. Pela sua mente, passam rapidamente as cenas de sua juventude, os primeiros anos do casamento, os dissabores, as alegrias da maternidade, as lutas, a viuvez, as necessidades mais duras.

Lembra de Maria, mãe de Jesus, que assistira, por horas, o suplício do seu amado filho. Por fim, acode-lhe à memória, a tarde memorável do particular encontro com o Mestre e suas palavras de despedida: "Vai filha! Sê fiel!"

E pede ao filho que se cale, conclamando-o à fidelidade a Deus. As labaredas lhe lambem o corpo e ela abafa, no peito, os gemidos. A massa de povo grita, desvairada.

Um dos verdugos se aproxima dela e lhe pergunta, irônico: "O teu Cristo soube apenas ensinar-te a morrer?"

A resposta, corajosa, se deu num murmúrio: "Não apenas a morrer, mas também a vos amar!"

E sentindo uma mão suave a lhe tocar os ombros, escutou a voz inconfundível do Divino Pastor: "Joana, tem bom ânimo! Eu aqui estou!"

Triunfante, ela transpôs o pórtico da morte para adentrar na verdadeira vida.

Bibliografia:

01.Evangelho de Lucas, 8:1-3 e 24:1-10.

02.RENAN, Ernest. Os discípulos de Jesus. In:___. Vida de Jesus. São Paulo: Martin Claret, 1995. cap. 9.

03.SCHUBERT, Suely Caldas. Joanna além do tempo. In:___. O semeador de estrelas. Salvador: LEAL, 1990. cap. 2.

04.XAVIER, Francisco Cândido. Joana de Cusa. In:___. Boa nova. Pelo espírito Humberto de Campos 8. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1963. cap. 15.

05.______. A mulher ante o Cristo. In:___. Religião dos espíritos. Pelo espíritoEmmanuel. 4. ed. Rio[de Janeiro]: FEB, 1960


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DIVALDO FRANCO NA TV GLOBO RIO



O Programa Bom dia Rio da Rede Globo apresentou uma 

reportagem sobre o Feirão realizado no dia 05/08/2012, em 

prol da Mansão do Caminho, obra assistencial fundada pelo 

médium e orador Divaldo Pereira Franco, 
que atende + de 





3.300 crianças e jovens diariamente. 





Assista a reportagem no link da TV Globo.














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Felicidade Possível


Acreditavas que a felicidade seria semelhante a uma ilha fantástica de prazer constante e paz permanente. Um lugar onde não houvesse preocupação, nem se apresentasse a dor; no qual os sorrisos brilhassem nos lábios, e a beleza engrinaldasse de festa as criaturas. 

Uma felicidade feita de fantasias parecia ser a tua busca. 

Planejastes a vida, objetivando encontrar esse reino encantado, onde, por fim, descansasses da fadiga, da aflição e fruísses a harmonia. 

Passam-se anos, e somas frustações, anotando desencantos e amarguras, sem anelada conquista. 

Lentamente, entregas-te ao desânimo, e sentes que estás discriminado no mundo, quando vês as propagandas apresentadas pela mídia, nas quais desfilam os jovens, belos e jubilosos, desperdiçando saúde, robustez, corpos venusinos e apolíneos, usando cigarros e bebidas famosas, brincando em iates de luxo, ou exibindo-se em desportos da moda, invejáveis, triunfantes... 

Crês que eles são felizes... 

Não sabes quanto custa, em sacrifício e dor, alcançar o topo da fama e permanecer lá. Sob quase todos aqueles sorrisos, que são estudados, estão a face da amargura e as marcas do ressaibo, do arrependimento. 

Alguns envenenaram a alma dos charcos por onde andaram, antes de serem conhecidos e disputados. 

Muitos se entregaram a drogas perturbadoras, que lhes consomem a juventude, qual ocorreu com as multidões de outros, que os anteciparam e desapareceram. 

Esquecidos e enfermos, aqueles que foram pessoas-objeto, amargam hoje a miséria a que se acolheram ou foram atirados. 

Felicidade, porém, é conquista íntima. 

Todos os que se encontram na Terra, nascidos em berços de ouro ou de palha, homenageados ou desprezados, belos ou feios, são feitos do mesmo barro frágil de carne, e experimentam, de uma ou de outra forma, vicissitudes, decepções, doenças e desconforto. Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial. O que parece, não excede a imagem, a ilusão. 

Se desejas ser feliz, vive, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador. 

As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz. 

A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção. 

Abençoa os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por ti. 

Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão. 

Reúne essas florezinhas em um ramalhete, toma das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirás que, para a criatura ser feliz, basta amar e saber discernir, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução. 
              

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E a Vida Continua... - FILME (14 de Setembro)





Estrelas da televisão e do cinema, os atores Lima Duarte (82) e Ana Rosa (70) fazem parte do elenco do filme E a Vida Continua..., baseado no livro de mesmo nome de Chico Xavier (1910-2002), que tem estreia prevista para 14 de setembro. A atriz é uma das grandes divulgadoras do espiritismo no Brasil. Ela já participou de outros filmes sobre o tema e também fez a peça de teatro Violetas na Janela.

O longa tem a direção e o roteiro de Paulo Figueiredo, que conta como surgiu a ideia de levar o livro de Chico Xavier para o cinema. “No início de 1970 li pela primeira vez ‘E a Vida Continua...’, e me senti fascinado pela história de Ernesto e Evelina. Pensei numa peça teatral, cheguei a escrever parte dela, tive oportunidade até mesmo de falar sobre o projeto com o nosso sempre querido Chico Xavier, que ouviu generosamente e me estimulou a levar adiante a ideia. Porém, o empreendimento se revelou inviável, principalmente por razões econômicas. Em época recente, por volta de 2004, conheci Oceano Vieira de Melo, historiador e documentarista espírita dos mais atuantes, juntamos nossos entusiasmos e o projeto foi redirecionado para o cinema. Em 2005 comecei a ‘construir’ o roteiro, em seus primeiros tratamentos, num processo de depuração, versões sucessivas até o texto final aprovado pela FEB – Federação Espírita Brasileira – já em 2009. Então iniciamos os trabalhos de pré-produção, produção e finalmente pós-produção, uma tarefa que do nosso tempo consumiu três anos, mas nos deu uma felicidade que em tempo nenhum desaparecerá”, afirmou.

O filme conta a história do casal Evelina (Amanda Costa) e Ernesto (Luiz Baccelli). Os dois se conheceram no momento em que ela estava com o seu carro quebrado em uma estrada e não imaginaram o caminho que suas vidas iriam seguir. Logo, eles descobrem que estavam indo para o mesmo hotel e iniciam uma sólida amizade, que permanecerá até no outro plano. E, quando vão para o outro lado da vida, Evelina e Ernesto passam por dificuldades e desafios.

Levado por uma dessas tantas "coincidências" da vida, um homem de cinqüenta anos conhece, em circunstâncias dramáticas, uma jovem de vinte e cinco. Fugitivo de si mesmo, sobrevivente de uma tragédia pessoal que o tempo ensinou a esconder num bem-humorado sorriso, no mesmo instante se encanta por essa moça, que além da frustrada paixão pelo marido infiel nenhuma razão mais possui para  continuar vivendo.

Como náufragos à deriva, Ernesto e Evelina juntam forças e esperanças. Mas não só amores e desamores passados os tornam semelhantes. A questão da saúde comprometida pela mesma enfermidade grave, outra "coincidência", lança expectativas sombrias no futuro dos dois. Como investir numa tão promissora amizade que pode acabar sem glória e sem despedida no centro cirúrgico de um hospital? Instala-se a dúvida. E nos poucos dias que os separam de seus destinos curiosamente parecidos, o homem e a mulher que o "acaso" trouxe para um encontro preparam suas almas apostando na Vida mas com um olho na Morte.



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Ganhe Tempo





Não te turbeis tomando teu precioso tempo com episódios que somente saciará teus desejos carnais.
Jamais permitas que a ganância furte todo teu tempo, porque no amanhã poderá necessitar dele para dedicar-se aos ensejos de tua alma.
Não te iludas com as belezas de teu físico, pois que elas são efêmeras.
Nunca penseis que es o mais sábio, porque nenhum de vós sois dono da plena verdade e sabedoria.
Jamais ignore os menos favorecidos que tu, pois no futuro poderá ser um deles que te recolherá quando despires do corpo carnal.
Procura estimar e respeitar mais teus familiares, e não penseis que os amigos, por mais sinceros que sejam irão acudir-te nos momentos agonizantes de tua vida.
Saiba que Deus jamais observará ou avaliará os bens que tens na terra, mas sim os benefícios que fizestes ao teu semelhante.
Aceite um tanto mais, e considere teus familiares, principalmente aqueles que não te compreendem, porque deves saber que em teu lar, e aqueles que te rodeiam são teus irmãos que exigem mais reparação.
Ganhe tempo, ganhe bônus espiritual fazendo todo bem possível, e desvencilhando se de tudo o possa ser tropeço para a sua grande jornada rumo a tão almejada vida espiritual de paz e de amor.
Sírius

mensagem psicografada no dia 09/07/12
pelo médium José Alves de Sousa


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Animismo e Mediunidade


"... como se processa o animismo na mediunidade,de exemplos. ......"



Prezada __________, bom dia.

Por definição o animismo é uma expressão derivada do latim "anima" - Alma; então podemos caracterizar animismo com sendo qualquer expressão da alma do indivíduo - desde expressões emocionais até, no caso, expressões "mediúnicas".

Por muito tempo as comunicações anímicas em mesa mediúnica foram tratadas como "tabu" e preconceito por parte das equipes e dos orientadores encarnados, que viam nestas comunicações advindas da "alma" do médium como "mistificação".

Ao meu entender existe aí um grande mal entendido; a mistificação (enganação) é um ato proposital de uma pessoa tentar ludibriar os participantes de uma reunião fingindo dar passividade e comunicação de um espírito desencarnado. Infelizmente este fato é mais comum do que desejaríamos e muitas pessoas, inclusive, transformam esta mistificação em fonte de renda e manipulação para com outros mais crédulos e inexperientes.

Este tipo de atitude fez com que, por muito tempo, no meio espiritualista - espírita inclusive - se tomasse por mistificação toda e qualquer expressão de comunicação que não fosse realmente mediúnica - lembrando que comunicação mediúnica é aquela onde existe um espírito comunicando através do espírito do médium, ou seja o médium é apenas intermediário do espírito comunicante.

Felizmente o estudo e o crescimento moral e intelectual dos homens fez com que fosse percebido o erro cometido e hoje já se aceita as comunicações anímicas de médiuns como um fator normal e natural ao desenvolvimento do mesmo e ao trabalho mediúnico.

E, na minha opinião, não poderia ser diferente.

Aprendemos com a prática espírita que a reunião mediúnica é o momento e local apropriado para auxílio dos espíritos sofredores, não é isso? Então partindo desta premissa porque não compreender que a reunião mediúnica é o local para auxílio e socorro de TODOS os espíritos sofredores - desencarnados e encarnados também - compreende?

Percebamos que o indivíduo portador da mediunidade é, como todos nós, também um espírito endividado com seu passado e repleto de vivências e experiencias marcantes e traumáticas em sua história pregressa - muitas das quais deixaram marcas indeléveis em sua psique.

Este espírito, é sabido por todos que estudam seriamente a mediunidade, no momento do transe mediúnico está mais liberto das travas do corpo físico - de forma a contactar com mais facilidade o mundo espiritual - e que, neste momento, os laços interiores de sua psique também se tornam mais tênues, frágeis e podem ser acessadas - inclusive pelos espíritos comunicantes - suas memórias e conhecimentos dos arquivos perispirituais.

Em situações assim pode o médium, inclusive, revivenciar fatos e memórias de suas existencias anteiores e, em alguns casos, estas personalidades anteriores podem assumir novamente a dominancia daquele espírito e relatar, conversar e dar comunicações "mediúnicas" do espírito do médium - o chamado animismo.

Tecnicamente não pode ser caracterizada como mediúnica - pois não existe um espírito externo se comunicando - mas certamente é uma personalidade espiritual diferente da dominante nesta encarnação que se comunica naquele momento - inclusive sem o conhecimento consciente do médium - que se torna intermediário de si mesmo.

Entendo, então, que seja natural - e até estimulado pela espiritualidade superior - momentos assim, quando o médium, em sua psique multiexistencial, traz em sí tormentos e traumas que possam ser amparados, auxiliados e solucionados em uma mesa mediúnica, entende?

Acho natural que a espiritualidade - que nos conhece melhor que nós mesmos - deseje "arrumar a casa" psíquica do médium e, para isso, permita e estimule este tipo de comunicação anímica para que possa ser auxiliado o espírito do próprio médium, harmonizando e preparando-o cada vez mais para o trabalho desenvolvido por ele e pela equipe.

Me atrevo ainda a afirmar que acho muito difícil um médium nunca ter dado comunicações anímicas, principalmente no início de sua educação mediúnica, até porque para o médium iniciante não existe diferença entre as percepções mediúnicas e as anímicas - se tornando praticamente iguais.

Este é, ao meu ver, a grande diferença entre animismo e mistificação; infelizmente algumas pessoas ainda não conseguiram compreender este aspecto da psique humana, mas percebo cada vez mais as limitações e preconceitos caindo para que possamos agir com fraternidade e caridade aos que necessitam de nosso apoio e compreensão.

Você solicita exemplos sobre animismo e, embora não ache realmente necessário, vou citar a seguinte possibilidade:

imaginemos um médium trabalhador espírita que tenha sido em sua encarnação anterior um feitor de escravos e que, ao desencarnar, tenha sido recolhido, estudado, se arrependido verdadeiramente e solicitado uma nova reencarnação tendo a mediunidade como ferramenta de resgate e auxílio aos que ele fez sofrer anteriormente.

Sua vida prossegue, ele inicia os trabalhos mediúnicos com intenções verdadeiras e em uma determinada reunião é trazido à sala o espírito de um dos escravos que ele maltratou e matou em sua encarnação anterior.

Ao sentir a energia do espírito - inconscientemente e automaticamente - seu espírito "lembra" do passado e surgem em sua psique inconsciente as lembranças das vivencias passadas e o profundo arrependimento que ele vivenciou antes de reencarnar.

Estes sentimentos e energias podem ser suficientes para disparar um gatilho espiritual que "liberte" aquela personalidade anterior e que surja - sem que ele tenha controle ou consciencia - uma comunicação do espírito do médium, chorando arrependido e desejando o perdão dos que maltratou, sendo assim atendido pelo doutrinador e amparado, aliviando o pesar e a tristeza, equilibrando mais a sua personalidade e, por consequencia, harmonizando mais o médium que poderá dar continuidade aos trabalhos de atendimentos aos que maltratou com mais tranquilidade e amor verdadeiros, sem traumas ou empecilhos; compreende?

Esperto ter sido de alguma ajuda.

Paz contigo.


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