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‘O Filme dos Espíritos’ aumenta lista de produções brasileiras sobre vida após a morte




O longa segue a linha das últimas cinco produções de teor espírita que levaram, juntas, 8,4 milhões de espectadores aos cinemas

Adriana Caitano
Cena de 'O Filme dos Espíritos': sessão mediúnica coordenada por Levy, interpretado por Nelson Xavier
Cena de O Filme dos Espíritos: sessão mediúnica coordenada por Levy, interpretado por Nelson Xavier (Luciano Piva / Divulgação)
Quem for ao cinema ver O Filme dos Espíritos esperando encontrar zumbis, casas mal assombradas, gritos de terror e música de suspense vai ficar decepcionado. Apesar do título clichê de película macabra, a produção não tem aparições, vultos ou suspense. O verdadeiro pano de fundo do filme de André Marouço e Michel Dubret, em cartaz desde o último fim de semana, é a vida. Além, é claro, do espiritismo, religião que vem servindo de inspiração a todo um filão do cinema nacional.


O longa segue a linha das últimas cinco fitas de teor espírita que levaram, juntas, 8,4 milhões de espectadores aos cinemas: Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito (2009, 500.000 pagantes), Chico Xavier (2010, 3,4 milhões), Nosso Lar (2010, mais de 4 milhões), e As Mães de Chico Xavier (2011, cerca de 500.000). Nessa cartilha, estão a morte, a reencarnação, a comunicação com os mortos e a superação do luto após o contato.

Em comum com alguns de seus antecessores, O Filme dos Espíritos tem a baixa qualidade técnica – por vezes sofrível, e perceptível principalmente no áudio e na fraca dinâmica do roteiro. Mas vai bem na sensibilidade das cenas, que, apesar do tom de novela da Globo, se aproximam da realidade ao tratar de temas como aborto, suicídio e alcoolismo. Se deve a isso também o fato de a produção contar mais com diálogos do que com efeitos especiais.

No elenco, figuras conhecidas como Nelson Xavier – que viveu Chico Xavier no filme de mesmo nome e em As Mães de Chico Xavier –, Ana Rosa, Sandra Corveloni e Etty Fraser misturam-se a estreantes, como o protagonista Reinaldo Rodrigues. A apresentadora da Rede TV! Luciana Gimenez, que já fez participação em Xuxa e os Duendes (2001), aparece por poucos minutos como Roseli, madrasta de Reinaldo, de 70 anos, envelhecida com maquiagem e peruca grisalha. Não chega a ser uma maquiagem de padrão global, mas não é fácil reconhecer à primeira vista a apresentadora – cuja atuação é tão pequena que é difícil avaliar.
Luciano Piva / Divulgação
Nelson Xavier, que interpreta o psiquiatra Levy, e Reinaldo Rodrigues, o protagonista Bruno Gomes, em O Filme dos Espíritos
Nelson Xavier, que interpreta o psiquiatra Levy, e Reinaldo Rodrigues, o protagonista Bruno Gomes, em O Filme dos Espíritos


Sinopse - Nelson Xavier é o psiquiatra Levy, que cuida de pessoas com deficiência mental nas Casas André Luiz. O espaço existe de fato em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, e é dirigido pela Fundação Espírita André Luiz, da qual também faz parte a Mundo Maior Filmes, produtora do longa. Levy reencontra o ex-aluno Bruno Gomes (Reinaldo Rodrigues) em péssimas condições e o ajuda a recuperar o sentido da vida. 

Após perder a mulher e o emprego, Bruno torna-se alcoólatra e pensa em se matar – atirando-se no rio Tietê, na capital paulista. A tentativa é interrompida por um gari, que lhe entrega um exemplar de O Livro dos Espíritos, obra de Allan Kardec que inaugurou o espiritismo, em 1857, e inspirou o filme. A partir daí, ele passa pelo processo de descoberta de seu passado como causa de seus sofrimentos presentes.

O roteiro de André Marouço foi elaborado com base em oito textos de curtas-metragens selecionados em 2009 em um projeto da Mundo Maior Filmes, que produziu as melhores propostas baseadas no livro de Kardec. Talvez por isso algumas histórias pareçam tão deslocadas da trama principal do filme. Mas, ainda assim, o longa é candidato a arrematar bilheteria expressiva num segmento que tem se mostrado blockbuster.


Fonte: Revista Veja
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Segredos de uma lágrima





Há quem acredite que os espíritas, por entrarem em contato com o mundo invisível, tudo sabem e com nada se comovem.
Nenhuma das afirmativas é verdadeira.
O espírita, como qualquer verdadeiro cristão, é alguém que traz o coração sensibilizado pelas dores do próximo. E chora. Pelas suas e pelas dores alheias.
Busca não se desesperar, mas extravasa seus sentimentos pela torrente das lágrimas mais de uma vez.
Analisando exatamente esse desaguar de sofrimentos através do pranto, é que um companheiro espírita teve oportunidade de escrever a respeito da lágrima:
Eu sou a pequenina gota d'agua que está em toda parte do Universo.
Nasci do orvalho da madrugada. Fui encontrada numa pétala de rosa que, sendo beijada pela luz do sol, fez de mim uma lágrima.
Encontro-me no doce olhar da criança, nos sonhos da juventude e na saudade do velho.
Ando por todos os caminhos do mundo...
Estou presente na alegria, na tristeza e no remorso, na dor e na saudade...
Estive junto a Jesus e caí dos Seus olhos quando Ele disse:
“Perdoa, Senhor! Eles não sabem o que fazem...”
Rolei na face de Maria, a Mãe Santíssima da Humanidade inteira, quando ela viu o seu filho amado abraçando o mundo com os braços da cruz...
Estou nos olhos de todas as mães!
Quando uma criança nasce, estou presente no seu primeiro vagido, e acompanho-a nos caminhos da vida, do berço ao túmulo...
O que mais me comove é o pranto do arrependimento, porque em mim brilha a luz da renovação que salva e edifica!
Nos olhos dos felizes ou dos desgraçados estou sempre presente a rolar pelas faces da sombra e da luz.
Enquanto houver pranto na Terra estarei sempre junto aos olhos das criaturas.
Um dia, espero não seja muito distante, alcançarei a imensidão do mar para me juntar às lágrimas de toda a natureza. Beijarei os rochedos...
Em mim se espelhará o céu profundo ante a luz do sol ­ou ante o brilho das estrelas.
O meu sonho é ser uma estrela...
Possuir o encanto da sua luz. Guiar os peregrinos do mundo e inspirar os poetas.
Desejo inspirar o homem e quando ele me vir nas noites mais escuras encontrará um novo alento e dirá, comovido:
"Obrigado, Senhor!
Agora creio em ti, porque vejo aquela estrela brilhando, brilhando sem cessar, dando testemunho da Tua presença e do Teu amor.”
Eu desejo ser a estrela da crença e da fé.
* * *


Todas as lágrimas procedem de razões justas, embora não alcances prontamente as suas nascentes.
Há muita lágrima molhando finos lenços e muitas feridas ocultas em pesados tecidos de brocado ou renda, que nem todos identificam.
Cessa de chorar e enxuga outras lágrimas com o lenço da tua compreensão.


Redação do Momento Espírita com base em artigo de João Cabete, publicado no jornal Correio da amizade, nov/1978 e no verbete Lágrimas, do livro Repositório de sabedoria, v.2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

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Desculpemos







Desculpemos, infinitamente.


Tudo na vida se reveste de importância 


fundamental no aprimoramento comum.


Dura é a pedra e áspera se nos afigura 


a longa extensão de areia, entretanto,

 
fazem o leito das águas para que o rio

 
não se perca. Obscura é a noite, ma, sem ela,

 
as criaturas desconheceriam as estrelas.


Desditosa e feia é a lagarta, contudo, 


é tecelã dos fios de seda nobre que honra os 


ideais da beleza terrestre. 


Asfixiante é a dor, mas, sem o sofrimento, 


jamais seriamos advertidos pela verdade.


Sempre que a mágoa ou a ofensa nos 


bater a porta, desculpemo-las tantas vezes 


quantas se fizerem necessárias.

 
É pelo esquecimento de nossos 


erros que o senhor se impõe sobre nós

, 
porque só a bondade torna a vida realmente 


grande e em condições de ser divinamente 


vitoriosa, sentida com sinceridade e vivida 


em gloriosa plenitude.



Meimei
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Ciência e fé na luta de Gianecchini






Amplamente divulgado em diversos sites e meios de comunicação, o ator Reynaldo Gianecchini, 38 anos, passou por uma cirurgia espiritual devido ao câncer linfático diagnosticado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no final do mês de agosto. Gianecchini submete-se ainda a fortes sessões de quimioterapia,  e dá  simultaneamente continuidade ao tratamento espiritual à distância para ajudar a curar a doença.
Capa da revista Veja (edição 2235), o ator, careca e com o seu característico sorriso, chamou a atenção não somente pelo novo visual, mas pelo tema de que acabou sendo protagonista – Medicina e fé. Isso porque o assunto “cura espiritual” ainda causa espanto, curiosidade, embora seja cada vez mais discutido nos meios científicos, como um fato que, independentemente de ser aceito ou não, existe.
Segundo o autor espiritual Andre Luiz, em Missionários da luz, livro psicografado por Francisco Cândido Xavier “a medicina humana será muito diferente no futuro, quando a ciência souber compreender a extensão e a complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias do corpo físico”.
Assim, explica a doutrina espírita que as doenças antes de se manifestarem no corpo físico estão como “’marcas’’ dessa e de outras vidas no perispírito, o corpo fluídico que reveste o foco inteligente que é o espírito. Por isso não há necessidade de cortes. A cirurgia, embora aparentemente se processe na parte externa, com curativos e assepsias, na realidade está sendo realizada na dimensão perispiritual, que recebe a vibração também fluídica enviada pelo médium, o intermediário de umum espírito preparado para isso, mas que também carrega seu magnetismo pessoal. É a mediunidade de cura, nada de sobrenatural, mas apenas um dos vários dons espirituais que todos possuem potencialmente ou já em evidência, como alertará Jesus: “Sois luzes, podeis fazer o que eu faço e muito mais”.
Normalmente, antes de ser realizada uma cirurgia espiritual, recomenda-se uma preparação mental, de comunhão de pensamentos e algumas restrições a hábitos do paciente. Carne, cigarro e bebidas alcoólicas, por exemplo, atrapalham o tratamento, pois dificultam a Espiritualidade de realizar seu trabalho que se utiliza de energias mais sutis de modo que possam atingir o corpo espiritual pela sua constituição mais etérea.
A cirurgia realizada no ator Reynaldo Gianecchini é bem conhecida no meio espírita. Aliás, há diversos centros que realizam essa atividade nas assistencias espirituais , que não dispensam de forma alguma o tratamento médico. São terapias espirituais ministradas através de passes e fluidificação de águas, que são procurados por pessoas do país inteiro, muitas vezes também do Exterior, espíritas ou não. Não há dados precisos sobre os milhares de pessoas que passam diariamente pelas casas espíritas em busca de alívio para seus sofrimentos e dores. Muitas delas dispõem inclusive de médiuns que aliam ao tratamento espiritual a homeopatia e a fitoterapia, assunto que será tratado com mais detalhes na próxima edição do jornalCorreio Fraterno.
Os casos de sucesso em cirurgias espirituais não são poucos, mas é preciso compreender que a cura é algo bem mais complicado para se analisar, principalmente sob a visão espírita, por ser uma combinação de fatores, submetidos a uma lei imutável e eterna: a lei divina. Esses fatores envolvem o doente, o médium, o compromisso reencarnatório, enfim vários aspectos  particulares de cada doente.
A Fé, ingrediente principal de uma cirurgia espiritual, é outro ponto a ressaltar, pois quando se fala em fé, coloca-se em ação um dos atributos mais importantes do espírito: a vontade. É ela que nos impulsiona a novas conquistas, a novos patamares de sentimentos, de pensamentos e de renovação. Por isso Kardec nos convida à conquista da fé inabalável, a raciocinada, que pode enfrentar todas as épocas da Humanidade.
A doença do corpo, claro, deve ser cuidada de todas as formas e com as indicações que possam estar disponíveis. Mas é preciso compreender que antes da doença há um espírito, com suas histórias milenares, compromissos e escolhas, seus limites e dúvidas, suas esperanças e dificuldades. Único, enfim. Cada qual com sua tarefa a cumprir.
Muito mais que essa reencarnação, há uma vida infinita que merece cuidado e carinho. E não estamos sós nessa jornada.
Que Deus abençoe sua vida, Gianecchini, e que a esperança, a força e a coragem façam morada no seu coração. Estamos todos nessa mesma luta, como você!


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O Livro dos Médiuns – Obsessão


 


Dá-se o nome de obsessão ao “domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas”.1 Com estas palavras Allan Kardec inicia o capítulo XXIII, segunda parte, de O Livro dos Médiuns, antecedidas pelo esclarecimento de que a obsessão encontra-se na primeira linha das dificuldades da prática espírita.1
Mais comum do que imaginamos, a obsessão não se manifesta somente entre desencarnados e encarnados, enfoque dado na referida obra, mas em ambos os planos da vida, o físico e o espiritual, em razão de um fator primordial: a imposição da vontade. Esta é a forma de agir do obsessor, que gosta de dar ordens e de ser obedecido.

[...] É praticada unicamente pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar, pois os Espíritos bons não impõem nenhum constrangimento. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não são ouvidos, retiram-se. Os maus, ao contrário, agarram-se àqueles a quem podem aprisionar. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança.1
O domínio obsessivo pode estar associado a muitos fatores: mágoa, revolta, ciúme, inveja, orgulho, fraqueza de caráter etc., sobretudo, à incapacidade de perdoar ou relevar ofensas. Daí a obsessão apresentar diferentes características: desde uma simples influência sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais, “que é preciso distinguir e que resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que produz”.1

Dessa forma, “a palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação”.1 As causas da obsessão, portanto,
[...] variam de acordo com o caráter do Espírito. Às vezes é uma vingança que ele exerce sobre a pessoa que o magoou nesta vida ou em existências anteriores. Muitas vezes, é o simples desejo de fazer o mal; como o Espírito sofre, quer fazer que os outros também sofram; encontra uma espécie de prazer em atormentá-los, em humilhá-los, e a impaciência que a vítima demonstra o exacerba mais ainda, porque é esse o objetivo que o obsessor tem
em vista, enquanto a paciência acaba por cansá-lo.Ao irritar-se e mostrar-se despeitado, o perseguido faz exatamente o que o perseguidor deseja. Esses Espíritos agem, não raras vezes, por ódio e por inveja do bem, o que os leva a lançarem suas vistas malfazejas sobre as pessoas mais honestas. [...]2

Na Obsessão simples, também conhecida como influência espiritual, a ação da entidade desencarnada se manifesta de forma episódica, inoportuna e desagradável, produzindo mal-estar generalizado e inquietações ao obsidiado. Na prática mediúnica, a obsessão simples ocorre “quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, impede-o de se comunicar com outros Espíritos”.3 Esta situação pode ser percebida pelo teor das comunicações que, usualmente, apresenta um mesmo tipo de ideias, variáveis apenas quanto à forma, mas não quanto ao conteúdo. O Espírito comunicante apresenta interpretações próprias a respeito de diferentes assuntos, nem sempre condizentes com a orientação espírita. Kardec, contudo, pondera:

Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, principalmente no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por espertalhões. Pode-se, pois, ser enganado, sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual a pessoa sobre quem ele atua não consegue desembaraçar-se.3

O Codificador considera também que na obsessão simples, o médium sabe muito bem que está lidando com um Espírito mentiroso e este não se disfarça, nem dissimula de forma alguma suas más intenções e seu propósito de contrariar. O médium reconhece a fraude sem dificuldade e, como se mantém vigilante, raramente é enganado. [...]3

A Fascinação é bem mais grave que a obsessão simples, caracterizando-se por “uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que de certa forma paralisa a sua capacidade de julgar as comunicações”.4 O obsessor age sobre a mente do obsidiado projetando imagens e pensamentos hipnotizantes, alimentadores de ideias fixas: o indivíduo fascinado “não acredita que esteja sendo enganado; o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve [ou do que faz], ainda quando esse absurdo salte aos olhos de todo mundo”.4

Não é fácil lidar com a fascinação. “[...] Para chegar a tais fins, é preciso que o Espírito seja muito esperto, astucioso e profundamente hipócrita, porque só pode enganar e se impor à vítima por meio da máscara que toma e de uma falsa aparência de virtude.”4

Já dissemos que as consequências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças à ilusão que dela resulta, o Espírito dirige a pessoa que ele conseguiu dominar, como faria com um cego, podendo levá-la a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade.Mais ainda: pode arrastá-la a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas.4
Para auxiliar a pessoa que se encontra sob fascinação espiritual é preciso tato, paciência e compaixão, pois “o que o fascinador mais teme são as pessoas que veem as coisas com clareza, de modo que a tática deles, quase sempre, consiste em inspirar ao seu intérprete [obsidiado] o afastamento de quem quer que lhe possa abrir os olhos”.4

A Subjugação é grau mais aprofundado da obsessão, manifestada como constrição ou opressão, moral ou corpórea, “que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir contra a sua vontade. Numa palavra, o paciente fica sob um verdadeiro jugo”.5 Nestas condições, a assistência médica especializada é requisitada, e deve ser associada ao apoio espiritual, uma vez que a pessoa já não tem domínio sobre si mesma. Na subjugação moral, “o subjugado é constrangido a tomar decisões muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas”.5 Na subjugação corpórea, “o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. [...]

Algumas vezes, a subjugação corpórea vai mais longe, podendo levar a vítima aos atos mais ridículos”.5
O médium obsidiado não deve participar das reuniões mediúnicas enquanto durar o processo obsessivo porque “toda comunicação dada por um médium obsidiado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança”.6 Entretanto, não lhe deve faltar o amparo do passe, da prece, da conversa fraterna, do Evangelho no lar, da água magnetizada, do estudo, do trabalho no bem.

“Os meios de se combater a obsessão variam de acordo com o caráter que ela reveste”7 e a capacidade do obsidiado em se libertar do jugo, o que não é fácil, porque “as imperfeições morais do obsidiado constituem, quase sempre, um obstáculo à sua libertação”.8

Na obsessão simples depende do esforço do obsidiado, que deve “provar ao Espírito que não está iludido por ele e que não lhe será possível enganar; depois, cansar a sua paciência, mostrando-se mais paciente que ele”.7
Na fascinação, “a única coisa a fazer-se com a vítima é convencê-la de que está sendo ludibriada e reverter a sua obsessão ao nível de obsessão simples. Isto, porém, nem sempre é fácil, para não dizer impossível, algumas vezes”.9
Na subjugação, “se torna necessária a intervenção de outra pessoa, que atue pelo magnetismo ou pela força da sua própria vontade. Em falta do concurso do obsidiado, essa pessoa deve ter predomínio sobre o Espírito; porém [...] só poderá ser exercido por um ser moralmente superior ao Espírito [...]. É por isso que Jesus tinha grande poder para expulsar os que, naquela época, se chamavam demônios, isto é, os Espíritos maus obsessores”.10


Referências:

1KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 23, it. 237.
2______. ______. It. 245.
3______. ______. It. 238.
4______. ______. It. 239.
5______. ______. It. 240.
6______. ______. It. 242.
7______. ______. It. 249.
8______. ______. It. 252.
9______. ______. It. 250.
10______. ______. It. 251.
 



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ASSUMA-SE ESPÍRITA! - Divaldo Franco






Uma atitude desculpista




Ouvimos pessoas dizerem: “- Bem, eu estou no Espiritismo faz dez anos, mas ainda não sou espírita. Eu sou neófito (aprendiz).”


É uma atitude desculpista porque, para ser espírita, basta adotar os postulados da Doutrina Espírita: a crença em Deus, na imortalidade da alma, na comunicabilidade do Espírito, na reencarnação, na pluralidade dos mundos habitados, aceitar o Evangelho de Jesus – eis aí o código que define a criatura espírita. Poder-se-á dizer que não é um espírita perfeito, mas, sim, espírita, por estar esforçando-se para aplicar-se às suas lições. Outros se utilizam de ardis para escamotear o desinteresse pela transformação moral e pela realização de um mundo mais justo, dizendo sempre que são espiritualistas. Mas é óbvio que sendo espírita ele é espiritualista, mas sendo espiritualista não é, necessariamente, espírita. Naturalmente pode ser católico, protestante, budista, islamita; pode estar vinculado a qualquer corrente religiosa que aceite a imortalidade da alma, mas se moureja numa Casa Espírita e adota-lhe o conteúdo, torna-se-lhe exigível a definição, porquanto, uma atitude de comodidade das mais reprocháveis é a indefinição, que permite ao indivíduo enganar-se, na suposição de que está enganando aos outros.
O Apóstolo Paulo, com veemência, dizia: Gelado ou ardente, não morno. Hoje se diz na linguagem política: De um lado ou do outro, não em cima do muro. Aquele que fica no meio é pusilânime, que sempre adere ao vencedor. É um indivíduo neutro, negativo. Não corre riscos, mas também não progride. Não desenvolve a escala de valores éticos. Por isso, o Espiritismo nos impõe compromissos. Esses compromissos são as responsabilidades perante a consciência. É a conscientização da responsabilidade pelo comportamento adotado.
Para que nos tornemos espiritistas, deveremos adotar a qualidade de uma pessoa de consciência. Cabe-nos pensar em parar, ler, e acabar com os mecanismos desculpistas, como: “- Os obsessores não me deixam ler; toda vez que pego num livro, me dá sono.”
Faça-o de pé, leia de joelhos... Quando eu era católico, passava toda quinta-feira santa maior defronte do altar do S. Sacramento, diante da lâmpada acesa, que representava a Eucaristia, de joelhos; quando cochilava, batia a cabeça no altar e acordava. Permanecia bem junto, para estar na vigília, porque eu acreditava que ali estava Jesus Cristo, em corpo e alma, conforme está nos Céus. Era uma questão de coerência. Na hora em que eu deixei de acreditar nessa ingênua informação, nunca mais me ajoelhei; libertei-me.
Devemos buscar a qualificação espírita, e tentar saber, realmente, o que é Espiritismo.
Pessoas há que frequentam uma Casa Espírita a vida inteira, e se nós perguntarmos: “- E Allan Kardec, o que você pensa dele?” “- Eu até já ouvi falar esse nome” – responderão...
Não basta ter ouvido falar nesse nome; é claro que o nome próprio de Allan Kardec é bastante complicado para o nosso idioma: Hippolyte Léon Denizard Rivail, mas o nome Allan Kardec é tão simples! Ele teve a sabedoria de escolher uma antonomásia, um pseudônimo dos mais simples, aquele com o qual codificou o Espiritismo. Muitos dizem, ofundador e até na sua tumba, no cemitério em Paris, no Pére Lachaise, está fundateur, fundador do Espiritismo. Ele não fundou, mas sim codificou, deu um código novo às ideias sempre conhecidas e esparsas, porque sempre houve o Espiritismo, isto é, a comunicação dos Espíritos, à qual ele deu dignidade moral, evangélica.
Deveremos qualificar-nos, esforçar-nos para poder adquirir a consciência espírita, e, claro, procurar melhorar as qualidades morais, sociais, familiares, as funcionais e as de trabalhador da Casa Espírita.
Faz muitos anos, esteve em moda uma colocação, mediante a qual era muito importante a boa vontade, e durante muito tempo, dizíamos: “- Trata-se de uma pessoa de boa vontade”, referindo-nos a alguém... Eu me recordo que, naquele ocasião, os Espíritos me deram um ensinamento muito interessante, afirmando-me que Goethe, o célebre poeta alemão, escrevera que nada pior do que pessoas de boa vontade sem conhecimentos. Atrapalham muito mais do que ajudam.
Os senhores já imaginaram uma porção de pessoas de boa vontade na cozinha sem saber como cozinhar?! Cada uma dando um palpite... ou o mesmo grupo em qualquer outra atividade?!
A boa vontade é um elemento básico, mas não é o fator indispensável. Esse é a qualificação de quem trabalha. Ele pode até não ter boa vontade, mas tendo capacidade produz melhor. A opinião de um técnico, apesar de sua má vontade, porém portador de alta qualificação, evita desastres, e enquanto a colaboração da pessoa de boa vontade, desinformada ou sem qualificação, leva a prejuízos. A qualificação é muito importante. Saber o que fazer e como realizá-lo, para executar bem, é indispensável.
Isso não quer dizer que a pessoa deva ser excessivamente instruída, exageradamente técnica, mas, pelo menos, preparada.


Livro: Novos Rumos Para o Centro Espírita

OBSERVAÇÃO: Se esperarmos a perfeição para dizermos ser espíritas, não seremos nunca. Pois, quando alcançarmos a perfeição, não seguiremos mais uma religião, ou melhor, um rótulo religioso, porque nossa religião, no plano espiritual, será a prática do AMOR.

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CIÊNCIA ESPÍRITA III - A VIDA APÓS A MORTE



Quando o coração para, o fluxo sangüíneo e os níveis de oxigênio no cérebro caem para quase zero em instantes. Nos próximos 10 ou 20 segundos as máquinas de eletroencefalograma não mostram nada além de uma linha reta. O cérebro não funciona. Fim.

Mas a morte tem volta. Graças aos desfibriladores, médicos podem ressuscitar pacientes que tiveram uma parada cardíaca no leito do hospital. E não falta quem volte desse estado com memórias vividas.
O roteiro é sempre parecido. E bem conhecido. Depois de ressuscitado, o paciente diz que observou o próprio corpo do lado de fora. como se estivesse no teto do quarto do hospital, enquanto os médicos aplicavam as descargas elétricas do desfibrilador. Então eles se sentem "puxados" lá para baixo. E voltam à vida. 

Intrigado com essas histórias, Parnia bolou um projeto para testar a veracidade delas. Em 1997, conseguiu a autorização do Hospital Geral de Southampton, onde trabalha como cardiologista, para emplacar a pesquisa. A idéia era conversar com todos os sobreviventes de paradas cardíacas do hospital, durante um ano, para saber se haviam passado por algum momento lúcido durante a morte clínica. E o principal: o médico instalou 150 placas pelo hospital, com sinais, textos e desenhos virados para cima, posicionadas de tal maneira que apenas alguém localizado no teto poderia ler. Assim, caso um paciente contasse o que havia na placa, a experiência fora do corpo estaria comprovada.

Parnia contou com a ajuda do mais célebre entre todos os que estudam o além, o neurologista Peter Fenwick. O inglês é o homem que tornou as EQMs assunto de mesa de almoço de domingo pelo mundo.

Fenwick era cético até 1985, quando, durante seu trabalho no hospital Maudsley, em Londres, teve que atender um paciente que demonstrava ansiedade extrema. O homem contou que durante uma cirurgia de cateterismo sofreu uma parada cardíaca. Enquanto os médicos tentavam ressuscitá-lo, sentiu-se puxado para fora do corpo e, do teto do quarto, pôde observar a movimentação. De repente, percebeu que estava de volta à cama do hospital. A experiência fora tão marcante que desencadeou a crise de ansiedade. "Até ter essa conversa, achava que essas coisas só aconteciam na Califórnia", brincou o médico (o estado americano sempre foi a capital mundial do consumo de alucinógenos).

Peter Fenwick, pioneiro nas pesquisas
Mesmo não acreditando em experiências de quase morte, Fenwick começou a buscar mais relatos. Conseguiu algumas dezenas, como o do inglês Derrick Scull. Major aposentado do exército, pai de dois filhos e funcionário de uma respeitada empresa de advocacia, tinha todas as credenciais de uma pessoa centrada e nada mística quando passou por uma experiência que mudou suas crenças. Em 1978 ele sofreu um enfarte e, após ter recebido os primeiros socorros, foi deixado numa cama de UTI. Durante a parada cardíaca, sentiu-se sair do corpo. Do canto esquerdo do teto, pôs-se a observar o próprio corpo, e reparou que estava vestido com um robe e uma máscara contra contaminação. Ao mesmo tempo, foi capaz de enxergar a esposa falando com a enfermeira, e percebeu que ela estava vestida com um tailleur vermelho. Depois, encontrou-se de novo deitado na cama. Percebeu que a esposa havia entrado na UTI e que ela estava vestindo a mesma roupa que ele havia visto "de cima". Fenwick apresentou esses relatos num documentário da BBC em 1988. E a partir dali os elementos mais comuns das EQMs, como a sensação de sair do corpo, entraram para o folclore moderno.

Parnia também colecionou histórias que pacientes lhe contavam, como a de uma mulher que, enquanto estava na forma de fantasma no teto da sala de cirurgia, viu o médico esbarrar num carrinho com instrumentos cirúrgicos, fazendo-o deslizar pela sala e se chocar contra uma parede. No dia seguinte, quando contou a ele sobre os incidentes com o carrinho, ele achou que alguma das enfermeiras tinha contado a história à paciente. Segundo ele, não tinha.

Naquela mesma época, outros médicos tocavam projetos parecidos com os de Parnia. Na Holanda, o cardiologista Pim van Lommel também estudava histórias assim. Lommel conheceu a de um homem que, em estado de coma profundo e com uma parada cardíaca no meio do processo, viu de fora do corpo a enfermeira retirar a. dentadura dele e colocá-la em um carrinho especial. Uma semana depois, em fase de recuperação, ele voltou ao hospital e reconheceu uma das enfermeiras. Lembrou-se de que fora ela quem tinha retirado seus dentes e os colocado em um carrinho, com garrafas em cima e uma gaveta embaixo. Para a surpresa da enfermeira, apesar do coma, o paciente descreveu com detalhes a sala e as pessoas que participaram da operação.

Seja como for, isso são só relatos. Acredita quem quer. Justamente por isso, Parnia e Fenwick resolveram dar um passo adiante da simples coleta de casos e partiram para a experiência com placas.

Mas os resultados não foram animadores. A dupla registrou 63 ressuscitações, mas nenhum desses pacientes disse ter viajado para fora do corpo. Então as placas ficaram à toa, sem leitores em potencial.

Revista Superinteressante (n. 296 - out/2011)

Ilustrações: Patrick Melgaço


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