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CIÊNCIA ESPÍRITA I - BUSCA EXPLICAR ESPÍRITOS E REENCARNAÇÃO







Espíritos existem? E reencarnação? Para alguns cientistas, sim. São pesquisadores sérios, do mundo todo, Brasil incluído, que buscam provas sobre a existência da alma. E eles já conseguiram resultados surpreendentes.


Bastante gente sabe: as milhares de pessoas que passaram por uma parada cardíaca e foram ressuscitadas logo depois. O intrigante é que boa parte volta com alguma história para contar: enquanto o coração estava parado, elas se enxergaram fora do corpo. Observaram tranqüilamente a sala de cirurgia, enquanto os médicos tentavam traze-las de volta à vida.

Para alguns cientistas, isso é uma evidência séria de que a mente, consciência, é uma entidade que não depende do corpo, do cérebro, para existir. Em português claro: que aquilo que as religiões chamam de "alma" é mais do que uma questão de fé, mas uma realidade científica. Há vários brasileiros entre esses pesquisadores. Inclusive na USP, a maior universidade do país. Vamos conhecer o trabalho deles.
O Abadiânia, interior de Goiás. As cenas insólitas se sucediam: João de Deus, um autodenominado "médium de cura", inseria uma pinça do tamanho de uma tesoura grande por dentro do canal do nariz de um homem, fazia uma incisão com bisturi na barriga de outro e passava objetos cortantes sobre os olhos de duas pessoas. Tudo sem anestesia.

Isso não é novidade nem para você nem para ninguém. O mais surpreendente ali era um texto afixado na parede. Era um artigo científico, intitulado "Cirurgia espiritual: uma investigação". Entre seus autores estavam membros das faculdades de medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora e da USP. Eles haviam acompanhado algumas cirurgias espirituais e avaliado os pacientes. Os acadêmicos concluíram que as intervenções e cortes não eram truques de ilusionismo. O que chamava mesmo a atenção era a proposta dos pesquisadores. Eles defendiam a necessidade de mais investigações sobre o"mundo espiritual". Eram médicos e psicólogos usando a ciência para estudar algo que sempre fora classificado sob a rubrica "Acredita quem quiser".

Boa parte dessa vertente científica surgiu no Departamento de Psiquiatria da USP. Lá foi fundado em 1999 o Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER), que se dedica justamente a examinar os efeitos da religião na saúde das pessoas, como no caso das cirurgias mediúnicas. O chefe do Departamento de Psiquiatria da USP, Eurípedes Miguel, explica o trabalho:"A medicina está se movendo de um eixo (que tinha como meta combater a doença) para outro (que privilegia a promoção da saúde)", diz. "Estamos interessados em qualquer método que possa ajudar as pessoas, mesmo que fuja aos nossos padrões."

A coisa, porém, vai muito além disso. Uma das pesquisas do ProSER foi a de Frederico Leão. Ele buscou mensurar os efeitos das sessões mediúnicas sobre os internos de uma instituição espírita onde trabalhava como psiquiatra. O lugar abrigava pessoas com retardo mental e semanalmente voluntários espíritas realizavam sessões mediúnicas. Nelas, os médiuns diziam incorporar a consciência dos pacientes (embora estes continuassem vivos e abrigados em outras dependências).

Frederico Leão, da USP
"Encarnada" no médium a "alma" do paciente falaria pela boca dele, externando seus problemas emocionais. E a coisa funcionaria como uma espécie de terapia. Para a maioria dos cientistas, uma coisa dessas soaria como um espetáculo circense, uma farsa. Mas não para Leão. Ele quis saber se aquilo dava resultados. Então submeteu os internos a uma avaliação de seu estado geral. Leão observou 58 supostas comunicações durante as sessões mediúnicas por 6 meses. E chegou a uma conclusão nada convencional: 55 % dos pacientes que tinham passado pela terapia espírita apresentaram alguma melhora em seu estado mental depois do tratamento, contra 15%  dos que não tinham passado.

Trata-se, é claro, de uma avaliação subjetiva, que leva em conta as deduções do pesquisador, que não podem ser medidas por aparelhos. Outro médico poderia ter outra opinião. Mas tratava-se de uma pesquisa científica de fato, tanto que ela foi publicada na própria revista do Instituto de Psiquiatria da USP, a mais conceituada do gênero no país. Desde 2008 Leão é médico no Instituto de Psiquiatria da USP e o atual coordenador do ProSER.

Para os críticos, no entanto, o tato de pesquisas como essas serem aceitas por uma revista científica da universidade não atestam nada. "Mesmo as melhores publicações deixam passar estudos de qualidade duvidosa", diz o matemático e psicólogo André Luzardo, presidente da Sociedade Racionalista da USP, uma organização que defende o cetismo.

Outro nome forte na ciência da espiritualidade é o do psiquiatra Alexander Almeida. Ele foi um dos autores daquele estudo sobre as cirurgias de João de Deus e hoje trabalha na Universidade Federal de Juiz de Fora coordenando o Nupes (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde), onde segue desenvolvendo suas pesquisas. Uma delas, inclusive, em conjunto com uma estrela internacional da ciência do além, o inglês Sam Parnia, que estuda as chamadas "experiências de quase morte" - EQMs, no jargão dos pesquisadores.

Revista Superinteressante (n. 296 - out/2011)
Ilustrações: Patrick Melgaço













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CIÊNCIA ESPÍRITA II - O OUTRO LADO





Para os céticos, o resultado não poderia ser outro, mesmo que houvesse uma EQM. A maior parte dos pesquisadores entende que elas não passam de uma confusão cerebral. No momento de uma parada cardíaca, a perda de oxigênio faz com que a massa cinzenta deixe de distinguir realidade e fantasia. Ela entra em pane. Balançada pela desordem, recorre à memória de curto prazo para compreender a situação. Então se depara com cenas que acabou de registrar, como a própria sala de cirurgia. A partir daí, tenta reconstruir o que está supostamente acontecendo naquele momento. Imagina o atendimento médico, a sala de operação. Então a memória nos prega uma peça. Todas as nossas lembranças registram uma visão panorâmica, como uma imagem de filme, em terceira pessoa, criando a sensação de estarmos fora do próprio corpo - quando você se lembra de um momento do passado, não visualiza exatamente o que os seus olhos registraram; enxerga o seu corpo na cena. Do lado de fora. Você se vê de costas, de lado, de frente... O cérebro é um diretor de cinema. E o seu corpo, o protagonista.

Portanto, em meio à confusão de uma parada cardíaca, a mente enxerga todas as recordações (e recriações) recentes como imagens do presente. Atribui a elas o rótulo de "realidade". É por isso que os pacientes relatariam as cenas de ressuscitação como se estivessem no teto do hospital. A experiência fora do corpo seria apenas um modelo de memória do cérebro — só que tomado como real.

Alguns pacientes contam detalhes específicos, como o caso da mulher que viu o médico se atrapalhar com o carrinho cirúrgico. Susan, porém, acredita que nesses casos a audição estaria ainda em funcionamento — já que é o último dos sentidos a ser perdido —, e a mente seria capaz de criar aquela imagem visual.

Sam Parnia realiza estudos na Inglaterra
Os pesquisadores que defendem a "distinção entre mente e cérebro", no entanto, não vêem grande coerência nessas teorias. Alegam que, naqueles instantes de morte, os aparelhos de eletroencefalograma não deixam dúvida: não há atividade cerebral. No entanto, outros três estudos feitos no século 21 questionam a idéia de total "desligamento" do cérebro. Sugerem que as máquinas monitoram, principalmente, a atividade na superfície do órgão. O monitor mostra a linha reta, mas outras partes mais internas podem estar em atividade. É o caso do lobo temporal, o "núcleo" do cérebro.

Um experimento em especial parece sugestivo. Os voluntários receberam estímulos elétricos na região do cérebro conhecida como giro angular direito, que é parte do lobo temporal. Com uma certa intensidade de estimulação, os voluntários disseram se sentir "como se estivessem afundando na cama". Estímulos mais fortes produziram relatos como "estou acima do meu corpo e o vejo estendido" — é que essa parte do cérebro é a responsável por delimitar a percepção sobre onde termina e corpo e onde começa o mundo exterior. Nos primeiros instantes de parada cardíaca, então, essa região continua ligada, só que em parafuso. Daí para ela agir como nos experimentos em que está sob uma descarga forte de impulsos elétricos é um pulo.

Mas Sam Parnia, apesar de não ser brasileiro, não desiste nunca. Ele preparou uma experiência bem maior para caçar seus fantasmas. O inglês agora trabalha para recrutar hospitais pelo mundo todo que topem instalar placas pelo prédio ou apenas permitir entrevistas com os sobreviventes de paradas cardíacas.

Essa é a pesquisa que Alexander Moreira Almeida está fazendo com ele. O brasileiro é o braço direito de Parnia por aqui. Três hospitais aceitaram a parceria (Santa Casa, Hospital Universitário e Monte Sinai, todos de Juiz de Fora, a cidade de Alexander).

Fenwick também está nessa: acertou parcerias com hospitais do Reino Unido, da França e da Austrália. "Esperamos conseguir compilar 1500 relatos de EQMs. Se alguns pacientes conseguirem relatar o texto das placas, poderemos demonstrar que a mente e o cérebro são coisas distintas", diz. Por"distinção entre mente e cérebro" entenda uma consciência que existe independentemente do corpo. Mas é só um jargão. Na rua as pessoas chamam isso de "espírito", "alma", "fantasma."

O jargão também serviu para batizar o primeiro evento brasileiro dedicado às pesquisas sobre o além, o "I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente e Cérebro", em (de novo) Juiz de Fora. Foi um ciclo de palestras em 2010 que reuniu 9 cientistas da área, entre eles Fenwick e Alexander. Na pauta, relatos de experiências transcendentais, como as que você viu aqui, filosofia e surrealidades da física quântica (que até tem seu lado "espírita": partículas aparecem e desaparecem do nada no mundo subatômico, por exemplo, mas isso é ciência tradicional mesmo).

Bem mais fora do comum, porém, é outro assunto que estava na pauta do seminário: as pesquisas com reencarnação. Como vocês, um dos maiores especialistas nessa área, que também esteve no simpósio: Erlendur Haraldsson, do Departamento de Psicologia da Universidade da Islândia.


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Ilustrações: Patrick Melgaço






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CIÊNCIA ESPÍRITA IV - A REENCARNAÇÃO





Haraldsson passou duas décadas investigando reencarnação. Seu objeto de pesquisa são crianças que alegam terem recordações de uma vida passada. É o caso de Wael Kiman, um menino do Líbano.

A partir dos 4 anos, ele começou a dizer aos pais que seu nome, na verdade, era Rabin, que tinha sido adulto e que seus pais viviam na capital do país. Com o tempo, passou a acrescentar detalhes. Os pais da outra vida moravam numa casa perto do mar. que tinha uma varanda baixa, de onde ele costumava pular direto para a rua. Ele também tinha uma segunda casa. Mas para essa ele só podia ir de avião. Delírio? Parecia. Tempos depois, porém, os pais de Wael identificaram uma família da capital que havia perdido um filho adulto e que se chamava Rabin; então levaram o pequeno Wael para visitá-los. Durante a visita, ele apontou para uma foto do morto e disse que era sua. A casa ficava perto do porto, e tinha uma varanda baixinha. Para completar, o rapaz vivia nos EUA na época em que morreu. Ou seja: ia para sua segunda casa de... avião.

No simpósio, Haraldsson também contou a história de Tsushi-ta Silva, uma menina do Sri Lanka que afirmava que numa outra vida tinha morado numa cidade próxima, estava grávida e havia morrido ao cair de uma ponte. O pesquisador, então, visitou a tal cidade e localizou a família de uma certa Chandra Nanayakkara. que morrera ao cair de uma ponte nos anos 70. Chandra estava grávida de 7 meses.

Outro caso é o da garota Purnima Ekanawake, do Sri Lanka. Quando ela e a mãe presenciaram um acidente no trânsito, Purnima tentou tranqüilizá-la: "Não se preocupe com isso. Eu vim para você depois de um acidente também". Na vida passada, segundo ela, um ônibus a atropelara. Também disse que a antiga família fabricava incensos. Ek lembrava até da marca: Ambiga.

Os pais começaram a investigar e encontraram o dono dessa fábrica de incensos. Ele disse que seu cunhado Jinadasa tinha morrido atropelado por um ônibus. Quando levaram Purnima à casa do sujeito, ela, então com 6 anos, reconheceu o dono da fábrica como seu "cunhado". Purnima seria a reencarnacão de Jinadasa. A menina também mostrou uma marca de nascença. Disse que era onde os pneus do ônibus tinham passado.

Elendur Haraldsson, da Islândia
Haraldsson conheceu a garota em 1996, quando ela tinha 9 anos. Como de costume, ele entrevistou, separadamente, a garota, os familiares e os vizinhos para saber quando e como as lembranças apareceram. Investigou também se havia a possibilidade de a garota ter tido acesso àquelas informações por meios normais. Mas não existia qualquer ligação entre as famílias, e elas moravam em lugares distantes.

As evidências lhe pareceram fortes, sem armações. Haraldsson, então, investigou o acidente que matou Jinadasa. Com a permissão de um tribunal local, teve acesso ao obituário completo do rapaz. As principais fraturas foram localizadas no lado esquerdo do peito, com várias costelas quebradas, que penetraram os pulmões. A marca de nascença de Purnima fica no lado esquerdo do peito. O psicólogo islandês não tem uma teoria sobre as marcas de nascença. Mas outro pesquisador de reen-carnacões. o psiquiatra americano Jim Tucker, da Universidade da Virgínia, arrisca: "Sabemos, por meio de trabalhos de outras áreas, que imagens mentais podem, por vezes, produzir efeitos muito específicos no corpo. Meu pensamento é que, se a consciência sobrevive, ela carrega as imagens dos ferimentos fatais, afetando o desenvolvimento do feto", diz. De acordo com Tucker, na índia, um terço dos casos investigados de reencarnacão inclui marcas de nascença - em 18% deles, registros médicos amparam as semelhanças.

Desnecessário dizer que as pesquisas com reencarnacão são severamente criticadas pela academia. Não parece ser coincidência que a esmagadora maioria dos casos estudados ocorra em países onde a crença em reencarnacão é largamente disseminada, caso do Sri Lanka. Haraldsson, por exemplo, teve facilidade em encontrar casos por causa do apoio da mídia. Nos veículos de comunicação de lá, histórias de reencarnacão ganham espaço de destaque. E a visita de pesquisadores como Haraldsson também. Quem tiver uma história bem contada, então, tem chance de ficar famoso -- daí para surgirem fraudes elaboradas é um pulo. Também é comum que os pesquisadores só tenham acesso a histórias assim quando os pais da criança já "encontraram" a família da outra vida dela, como no caso de Purnima. Isso complica o processo de checagem das informações. É difícil identificar quais eram as afirmações originais do suposto reen-carnado e o que ele aprendeu sobre a pessoa falecida a partir do momento em que entrou em contato com a família dela.

Mais: por um lado. os informantes tendem a "esquecer" as afirmações da criança que não coincidem com a vida da pessoa que acreditam que ela foi. Por outro, colocam na boca dela informações que só foram obtidas depois, quando as duas famílias já estavam em contato.

Com tantas evidências contra, é difícil não acreditar que os pesquisadores de reencarnações, EQMs e afins se movam mais pela fé do que pela curiosidade científica. Mesmo assim, continua sendo uma forma de ciência, já que a busca é por resultados concretos. Se um dia eles vão chegar a esses resultados? Quem viver verá. E quem morrer também.


PARA SABER MAIS
Evidence of the Afterlife
Jeffrey Long, Harper One, 2011
What Hapens When You Die
Sam Parnia, Hay House, 2007


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Ilustrações: Patrick Melgaço






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O Perispírito e suas Modelações






Como será o tecido sutil da espiritual roupagem que o homem envergará, sem o corpo de carne, além da morte?

Tão arrojada é a tentativa de transmitir informes sobre a questão aos companheiros encarnados, quão difícil se faria esclarecer à lagarta com respeito ao que será ela depois de vencer a inércia da crisálida.

Colado ao chão ou à folhagem, arrastando-se, pesadamente, o inseto não desconfia que transporta consigo os germes das próprias asas.

O perispírito é, ainda, corpo organizado que, representando o molde fundamental da existência para o homem, subsiste, além do sepulcro, demorando-se na região que lhe é própria, de conformidade com o seu peso específico.

Formado por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrena, é aparelhagem de matéria rarefeita, alterando-se, de acordo com o padrão vibratório do campo interno.

Organismo delicado, com extremo poder plástico, modifica-se sob o comando do pensamento.


É necessário, porém, acentuar que o poder apenas existe onde prevaleçam a agilidade e a habilitação que só a experiência consegue conferir.

Nas mentes primitivas, ignorantes e ociosas, semelhante vestimenta se caracteriza pela feição pastosa, verdadeira continuação do corpo físico, ainda animalizado ou enfermiço.

O progresso mental é o grande doador de renovação ao equipamento do espírito em qualquer plano de evolução.

Note-se, contudo, que não nos reportamos aqui ao aperfeiçoamento interior.


O crescimento intelectual, com intensa capacidade de ação, pode pertencer a inteligências perversas.


Daí a razão de encontrarmos, em grande número, compactas falanges de entidades libertas dos laços fisiológicos, operando nos círculos da perturbação e da crueldade, com admiráveis recursos de modificação nos aspectos em que se exprimem.

Não possuem meios para a ascese imediata, mas dispõem de elementos para dominar no ambiente em que se equilibram.

Não adquiriram, ainda, a verticalidade do Amor que se eleva aos santuários divinos, na conquista da própria sublimação, mas já se iniciaram na horizontalidade da Ciência com que influenciam aqueles que, de algum modo, ainda lhes partilham a posição espiritual.

Os “anjos caídos” não passam de grandes gênios intelectualizados com estreita capacidade de sentir.

Apaixonados, guardam a faculdade de alterar a expressão que lhes é própria, fascinando e vampirizando nos reinos inferiores da natureza.

Entretanto, nada foge à transformação e tudo se ajusta, dentro do Universo, para o geral aproveitamento da vida.

A ignorância dormente é acordada e aguilhoada pela ignorância desperta.

A bondade incipiente é estimulada pela bondade maior.

O perispírito, quanto à forma somática, obedece a leis de gravidade, no plano a que se afina.

Nossos impulsos, emoções, paixões e virtudes nele se expressam fielmente.


Por isso mesmo, durante séculos e séculos nos demoraremos nas esferas da luta carnal ou nas regiões que lhes são fronteiriças, purificando a nossa indumentária e embelezando-a, a fim de preparar, segundo o ensinamento de Jesus, a nossa veste nupcial para o banquete do serviço divino.



Emmanuel
In “Roteiro” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier




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Allan Kardec




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03 de Outubro - Nascimento de Allan Kardec




Allan Kardec


Hipolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, França, no dia 3 de outubro de 1804, desencarnando a 31 de março de 1869, em Paris, com pouco mais de 64 anos de idade.
Quando da Codificação da Doutrina Espírita, a fim de traçar uma linha divisória, entre o seu trabalho no campo da Pedagogia, e objetivando emprestar um maior cunho de impessoalidade à sua obra no campo do Espiritismo, resolveu usar um pseudônimo, pois, tendo a tarefa o cunho da Intervenção do Mundo Maior, era mister que aparecesse com denominação diversa. E eis que, em uma das sessões de estudos, um Espírito, que se comunicava constantemente, anunciou que a sua afinidade com Rivail vinha de longa data, desde quando, em existências precedentes viveram juntos na Gália, entre os Druídas, tendo Rivail, então, o nome de Allan Kardec. Daí optar o eminente Codificador do Espiritismo por esse pseudônimo, que o popularizou universalmente.
Filho de pais católicos, Allan Kardec foi criado no Protestantismo, mas não abraçou nenhuma dessas religiões, preferindo situar-se na posição de livre-pensador e homem de análise.
Pedagogo, homem de gabinete, estudioso das ciências aplicadas, possuía grande poder de raciocínio e indisfarçável pendor por todas as causas atinentes ao bem coletivo. A sua paixão pelos métodos do ensino, em consonância com a escola de Pestalozzi, de quem foi discípulo, granjeou-lhe, logo, brilhante renome na Europa, onde se tornou conceituado como autoridade incontrastável sobre problemas educacionais.
Situado nessa posição em face de uma vida intelectual absorvente, foi um homem de ponderação, de caráter Ilibado e de saber profundo, despertado para o exame das manifestações que então se produziam através das mesas-falantes, ou mesas girantes. Nesse tempo — 1855, estava o mundo voltado, na sua curiosidade, para os inúmeros fatos psíquicos que se registravam por toda a parte.
Estava inquestionavelmente reservada a esse notável pensador a tarefa de organizar, através de uma Codificação completa e perfeita, a nova concepção religiosa da alma e desvendar o verdadeiro sentido dos ensinamentos de Jesus Cristo, porque Kardec nada mais foi, na realidade, do que um mandatário da vontade divina, com autoridade para catalogar, pacientemente, as lições recebidas dos Espíritos e, com elas, compendiar essa obra majestosa que tem o amplo aspecto de ser simultaneamente científica, filosófica e religiosa.
As suas principais obras sobre o Espiritismo são: O Livro dos Espíritos, parte filosófica dos seus trabalhos, cuja primeira edição surgiu a 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns, parte experimental e científica, publicada em janeiro de 1861; O Evangelho Segundo o Espiritismo, editado em 20 de agosto de 1864; O Céu e Inferno, em 01 de outubro de 1865; A Gênese, em janeiro de 1868, A Revista Espírita (La Revue Spirite), jornal de estudos psicológicos, publicação mensal Iniciada em 01 de Janeiro de 1858. Após a sua desencarnação foi publicado Obras Póstumas.
Fundou em Paris, a 01 de abril de 1858, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, sob o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cujo fim exclusivo era o estudo de tudo quanto pudesse contribuir para o progresso da nova doutrina.
Allan Kardec é invulnerável à acusação de haver escrito sob a influência de idéias preconcebidas ou de espírito de sistema. Homem de caráter frio e severo, observava os fatos e das observações deduziu as leis que os regem; foi o primeiro que, sobre esses fatos, estabeleceu teoria e constituiu um corpo de doutrina, regular e metódico. Demonstrou que os fatos chamados sobrenaturais são sujeitos a leis, como tudo no Universo; subordinou-os à ordem dos fenômenos da Natureza e fez ruir o último reduto do maravilhoso, que constituía um dos sustentáculos da superstição.
Das manifestações inteligentes, sob as mais variadas modalidades, à interpretação dos Evangelhos, os Espíritos que entraram em contato com Kardec e lhe indicaram o caminho a trilhar sempre se apoiaram nas palavras de Jesus Cristo, e deram disso os mais comovedores exemplos, estabelecendo todo um corpo de moral, inspirada nas verdades cristãs. Aliás, o próprio Kardec jamais escondeu o caráter impessoal de seus trabalhos, atribuindo todo o mérito que neles se deparasse aos Espíritos do Senhor, que eram os seus principais autores. Como os antigos profetas, ele não se atribuía a qualidade de criador de coisa alguma, pois tudo lhe era transmitido pelas vozes do Céu, através das mediunidades postas a serviço dos seus estudos e designadas para tarefa tão transcendental.
Já era marcante a personalidade de Kardec, antes da codificação do Espiritismo.
Sua família se distinguiu na magistratura e no foro; ele, porém, não seguiu a carreira dos seus, sentindo-se, desde muito jovem, atraído pelos estudos da ciência e da filosofia.
Matriculado na Escola de Pestalozzi, em Yverdum (Suíça), tornou-se um dos mais distintos discípulos daquele eminente professor e um dos mais zelosos propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu na reforma do ensino na Alemanha e na França.
Dotado de incrível inteligência e atraído para o ensIno por vocação e aptidões especiais, desde os quatorze anos ensinava a seus condiscípulos mais atrasados o que ia aprendendo.
Foi nesses exercícios que se lhe desenvolveram as Idéias, que mais tarde deveriam elevá-lo à classe dos educadores. Conhecendo bastante o Catolicismo e o Protestantismo, preocupava-se, no entanto, com uma reforma religiosa, para a qual pesquisava. Essa preocupação durou muitos anos, no decurso dos quais procurava alcançar o meio de unificar as crenças, sem, no entanto, descobrir o elemento indispensável para a solução desse magno problema. Codificando o Espiritismo, mais tarde Imprimiu aos seus trabalhos uma direção toda especial.
Concluídos os estudos, voltou para a França e, possuindo profundo conhecimento da língua alemã, traduziu para esse idioma diferentes obras de educação e moral, entre as quais, o que é característico, as de Fénelon, as quais o haviam seduzido de forma bastante acentuada.
Era membro de muitas sociedades sábias, entre outras, da Academia Real de Arras, que, em seu concurso de 1831, lhe outorgou uma notável memória sobre a seguinte questão:
"Qual o sistema de estudos mais em harmonia com as necessidades de época?"
De 1835 a 1840, Instalou em sua casa, rua de Sévres, cursos de física, química, anatomia comparada, astronomia etc. Para os alunos que não tinham recursos as aulas eram gratuitas, empreendimento digno de elogios em todos os tempos, mas principalmente numa época em que bem poucas inteligências se arriscavam por esse caminho.
Escreveu numerosas obras de educação, que desfrutaram de grande aceitação. Portanto, antes que o Espiritismo lhe tivesse popularizado o pseudônimo de Allan Kardec, tinha ele, como se vê, sabido ilustrar-se por trabalhos de natureza muito diferentes e que tinham por fim esclarecer a massa popular e prendê-la ainda mais ao sentimento da família e ao amor da pátria.





Centro Espírita Celeiro de Luz




A vida e a obra de Allan Kardec


Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou simplesmente Allan Kardec, foi o codificador da Doutrina Espírita. Antes de conhecermos melhor a vida deste professor francês, mostraremos como foi seu primeiro contato com o mundo espiritual, que conseqüentemente serviu de marco inicial para o Espiritismo.

Kardec e os Espíritos

Em 1855, Hippolyte Léon Denizard Rivail, professor francês de aritmética, pesquisador de astronomia e magnetismo, foi convidado por um amigo seu a ver de perto estas manifestações que ocorriam nos salões da capital francesa. Rivail era discípulo de Pestalozzi, chamado de pai da pedagogia moderna, e casado com Amélie Gabrielle Boudet. Nascido em 03 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, já ouvira sobre o assunto das mesas girantes e não entendia bem o que estava acontecendo. Homem criterioso, Rivail não se deixava levar por modismos e como estudioso do magnetismo humano acreditava que todos os acontecidos poderiam estar ligados à ação das próprias pessoas envolvidas, e não de uma possível intervenção espiritual.
O professor então participou de algumas sessões, e algo começou a intrigá-lo. Percebeu que muitas das respostas emitidas através daqueles objetos inanimados fugiam do conhecimento cultural e social dos que faziam parte do "espetáculo". Como os móveis, por si só, não poderiam mover-se, fatalmente havia algum tipo de inteligência invisível atuando sobre os mesmos, e respondendo aos questionamentos dos presentes.
Rivail presenciava a afirmação daqueles que se manifestavam, dizendo-se almas dos homens que viveram sobre a Terra. Foi então, que uma das mensagens foi dirigida ao professor. Um ser invisível disse-lhe ser um Espírito chamado Verdade e que ele, Rivail, tinha uma missão a desenvolver, que seria a codificação de uma nova doutrina .
Atento aos dizeres do Espírito, e depois de muitos questionamentos à entidade, pois não era homem de impressionar-se com elogios, resolveu aceitar a tarefa que lhe fora incumbida.
O Espírito de Verdade disse-lhe ser sim uma falange de Espíritos superiores que vinha até aos homens cumprir a promessa de Jesus, no Evangelho de João, capítulo XIV; versículos 15 a 26: "E eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque habita convosco e estará em vós... Mas, aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito".
Através dos Espíritos, Rivail descobriu que em uma de suas encarnações anteriores foi um sacerdote druida, de nome Allan Kardec.
Foi então que resolveu adotar este pseudônimo durante a codificação da nova doutrina, que viria a se chamar Doutrina Espírita ou Espiritismo. Kardec assim procedeu para que as pessoas, ao tomarem conhecimento dos novos ensinamentos espirituais, não os aceitassem por ser ele, um conhecido educador, quem estivesse divulgando. Mas sim, que todos os que tivessem contato com a boa nova a aceitassem pelo seu teor racional e sua metodologia objetiva, independente de quem a divulgasse ou a apoiasse.

A Codificação

A partir daí foram 14 anos de organização da Doutrina Espírita. No início, para receber dos Espíritos as respostas sobre os objetivos de suas comunicações e os novos ensinamentos, Kardec utilizou um novo mecanismo, a chamada cesta-pião: um tipo de cesta que tinha em seu centro um lápis. Nas bordas das cestas, os médiuns, pessoas com capacidade de receber mais ostensivamente a influência dos Espíritos, colocavam suas mãos, e através de movimentos involuntários, as frases-respostas iam se formando. Julie e Caroline Baudin, duas adolescentes de 14 e 16 anos respectivamente, foram as médiuns mais utilizadas por Kardec no início.
Com o decorrer do tempo, a cesta-pião foi dando lugar à utilização das próprias mãos dos médiuns, fenômeno que ficou conhecido como psicografia.
Todas as perguntas e respostas feitas por Kardec aos Espíritos eram revisadas e analisadas várias vezes, dentro do bom senso necessário para tal. As mesmas perguntas respondidas pelos Espíritos através das médiuns eram submetidas a outros médiuns, em várias partes da Europa e América. Assim, o codificador viajou por cerca de 20 cidades. Isso para que as colocações dos Espíritos tivessem a credibilidade necessária, pois estes médiuns não mantinham contato entre eles, somente com Kardec.
Este controle rígido de tudo o que vinha de informações do mundo espiritual ficou conhecido por "Controle Universal dos Espíritos". Disto, estabeleceu-se dentro da Doutrina Espírita que qualquer informação vinda do plano espiritual só terá validade para o Espiritismo se for constatada em vários lugares, através de diversos médiuns, que não mantenham contato entre si. Fora isso, toda comunicação espiritual será uma opinião particular do Espírito comunicante.
Com todo um esquema coerentemente montado, Allan Kardec preparou o lançamento das cinco Obras Básicas da Doutrina Espírita, a Codificação, tendo início em 1857 com o lançamento de "O Livro dos Espíritos". Estes livros contêm toda a teoria e prática da doutrina, os princípios básicos e as orientações dos Espíritos sobre o mundo espiritual e sua constante influenciação sobre o mundo material.
Durante a codificação, Kardec lançou um periódico mensal chamado "Revista Espírita", em 1858. Nele, comentava notícias, fenômenos mediúnicos e informava aos adeptos da nova doutrina o crescimento da mesma e sua divulgação. Servia várias vezes como fórum de debates doutrinários, entre partidários e contrários ao Espiritismo. A Revista Espírita foi a semente da imprensa doutrinária.
No mesmo ano, Kardec viria a fundar a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Constituída legalmente, a entidade passou a ser a sociedade central do Espiritismo, local de estudos e incentivadora da formação de novos grupos.

Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, aos 65 anos, vítima de um aneurisma. Sua persistência e estudo constantes foram essenciais para a elaboração do movimento espírita e organização dos ensinos do Espírito de Verdade.


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